Karina Kuschnir

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Modelos vivos ou mortos?

4 Comentários

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Sobre o desenho: Redesenhei hoje algumas poses de uma sessão de modelo-vivo que fiz em janeiro/2104, aproveitando a vinda (infelizmente rápida) do maravilhoso artista e professor Manoel Fernandes para a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Os materiais foram aquarela e lápis de cor em um bloco Canson escolar que definitivamente não suporta água! Depois de pronto, passei o verso a ferro para desenrugar. Pena que ainda ficaram algumas ondas bem chatas… A modelo era uma bailarina simpática porém tensa quando entrava numa pose. São cinco corpos misturados. Está dando para desvendar? Adoro aulas de modelo-vivo, apesar de nem sempre os modelos estarem vivos mesmo. Como qualquer pessoa, aliás… Quantas vezes andamos por aí no piloto-automático mental ou corporal, cumprindo nossas tarefas roboticamente? (Infelizmente, foi só um sessãozinha nesse dia; meu sonho era voltar a fazer esse tipo de aula, mas no momento os recursos estão em baixa… Tenho que me contentar com as poses de alguns segundos ou minutos que os passageiros do metrô fazem de graça todos os dias para mim! O problema é que a atmosfera do metrô está me parecendo cada dia mais triste; cada dia com passageiros mais cansados e quietos, mesmo na Linha 1, supostamente ocupada pelos cariocas privilegiados. Ou talvez ninguém possa ter uma aparência realmente viva andando no transporte nessa cidade.) A história da arte está cheia de histórias interessantes sobre relação entre artistas e modelos; da prostituta que virou esposa de Van Gogh aos trabalhadores marroquinos de Matisse… Mas o que mais me surpreendeu nos últimos tempos foram os diálogos incríveis que meus alunos de desenho e antropologia tiveram com as pessoas que desenharam durante uma pesquisa de campo no ano passado. Travestis, barbeiros, donas-de-casa, atendentes de lojas, vizinhos, idosos, motoristas de caminhão — um monte de gente interessante falando da vida e levando numa boa o papel de personagem-que-se-deixa-desenhar. Este talvez seja o melhor caminho para desenhar mais e melhor em 2014: encontrar modelos vivos vivendo por aí.

4 pensamentos sobre “Modelos vivos ou mortos?

  1. Pingback: Últimas Saudades de Oxford | Karina Kuschnir

  2. Como você já sabe, eu também adoro as aulas de modelo vivo. Observar pessoas, revelar emoções (ou as emoções que projetamos) e expressar as múltiplas formas dos corpos. Vemos com os olhos mas também com a pele, com os cheiros e, as vezes, até com as vísceras… Pela atmosfera onírica criada no seu desenho, o meu olhar “dança” com estes corpos transparentes, sobrepostos e potentes. Que lindo!

  3. Karina, eu já fiz aula de modelo vivo e adoro. Só não vou dizer quando foi isso, porque você nem era nascida. Mas posso dizer o local: Escola Nacional de Belas Artes em seus áureos tempos. Vejo os corpos sim, vejo leveza, fluidez, tons quentes, vejo um Belo Desenho seu. Beijos

  4. Tive, há muito tempo, aulas com modelo vivo. A moça deveria ficar em posições pouco comodas por um período razoável de tempo. Talvez esse o motivo da sua bailarina parecer tensa , ou falta de prática como modelo vivo.
    Lembro que desenhava os outros alunos/as e até o orientador, enquanto a moça tava lá no meio, paradinha. Era mais divertido e desafiante.
    Gostei do ” passei o verso a ferro para desenrugar.
    Achei engraçado e ri sozinho.
    Imaginei , primeiro, um verso-poesia , e pensei : será que um ferro de passar conserta poesia?
    Depois, no caso do papel Canson, imaginei a bailarina tensa do outro lado sendo obrigada a se mexer por causa do calor nos traseiros.

    Seu texto sempre ótimo . Abraços.

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