Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Brincando de casinha

8 Comentários

casa529

Alice hoje não quis participar da aula de inglês. Ficamos tristes, eu e a professora (que ela adora!), tentando entender por que às vezes ela empaca desse jeito… Uma determinação que só vendo pra acreditar.

Agora à noite, achei essa história de quando ela tinha seis anos e falamos de uma situação parecida. Estávamos a caminho do pediatra:

K — Filha, agora vamos ao pediatra, tá? Tem que ter um pouquinho de paciência porque está com trânsito.

Alice — Ah, mãe, eu adoro ir lá. Lá tem aqueles palitinhos coloridos! [Palito de ver garganta com sabor.]

K — Sim, filha… Mas lembra o que aconteceu da ultima vez? Você se comportou tão mal… [não queria ser examinada, medida nem pesada!]. Eu morri de vergonha. Dessa vez, você não vai fazer isso, né?

Alice — Nããão! Pode deixar, mãe.

K — Que bom, filha. Porque, lembra da vergonha que você sentiu lá na escola? Imagina se eu agarrasse a sua amiguinha e desse um monte de beijos? Aí mesmo é que você morreria de vergonha, né?

A — Sim.

K — Entao… foi assim que eu me senti na última vez que fomos ao consultório do pediatra.

A — Ah, mãe, mas se um adulto fizesse isso, de encher uma menina na rua de beijos, ia ser louco!

K — Ia dar vergonha… viu? Estou só comparando pra você entender…

[E a resposta dela, com aquele sotaque carioca super carregado:]

Alice — Ah, mãe, não… Vamos combinar…, né? Eu sou CRI-AN-ÇA!!!

Pois é, filha, aos oito anos e meio, você ainda é criança sim. Vamos combinar, tá?

Só me lembra disso da próxima vez que formos visitar a Fábrica Behring — um local de ateliês de arte no Rio de Janeiro — e você decidir que vai transformar um pequeno bloco de concreto (que achou pelo chão) num objeto conceitual:

Alice — Mãe, vou fazer uma obra artística usando uma serra elétrica. Vou transformar isso num minion e colocar atrás de uma porta de vidro!

E não teve jeito: o bloco de concreto está aqui em casa aguardando seu destino artístico.

Viram, queridos da Escola de Belas Artes (EBA) da UFRJ:a Alice não foi hoje dar palestra comigo, mas quem sabe daqui a alguns anos? Obrigada pela acolhida — foi um encontro maravilhoso!

Sobre o desenho: Uma casa inteirinha desenhada por mim! Me senti criança de novo, igual à Alice! Parece uma coisa tão boba, mas cada um tem os seus desafios…  Acho que foi a primeira vez que consegui fazer isso numa página de caderno (sem recorrer a fotografias ou à imaginação). Ainda estou contagiada pela energia de Paraty e, pensando bem, pela concentração do Antônio e pela determinação da minha caçulinha.

O desenho foi feito todo na rua em aproximadamente 45 minutos, sem contar o tempo de terminar os tijolinhos.  Já quase no final, tive que me aproximar para conseguir enxergar melhor a grade. Nessa hora, dois homens que trabalhavam na casa vieram ver o que eu estava fazendo, meio desconfiados. Mostrei o desenho e tivemos o diálogo feliz que anotei na página ao lado!

O material que utilizei foi só canetinha Pigma Micron 0.005 no caderninho Laloran.

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8 pensamentos sobre “Brincando de casinha

  1. Pingback: Estilo copiativo | Karina Kuschnir

  2. ótimo traço, grande perspectiva, maravilhosa sensibilidade. Beijos, Luiz

  3. Estou curiosa p conhecer a Alice.
    Eu e meus alunos, sem contar as Profas Márcia Yoko, Dalila e todos os presentes na sala 727 ficamos encantados com sua palestra. Foi de uma luz e tanto… muito boa mesmo. Me deu até umas idéias para trabalhar com o pessoal de Design de Interiores e de Paisagismo.
    Bom já estou querendo mais!!
    Obrigada Profa Karina.

  4. Sempre me surpreendo com suas histórias e desenhos!!! Que incrível!!!!!!!!!!!!!

  5. Que lindeza seus desenhos e que gostosura seus diálogos com a pequena. 😀 Hahaha! Me lembrei um pouco das minhas próprias teimosias quando criança.

  6. Que gostoso ler seu texto e apreciar o desenho !
    Santa paciência fazer tijolinho por tijolinho!
    O desenho da grade me lembrou de “Urbano Ornamento” trabalho de doutorado de Fernanda Goulart transformado em livro.

  7. Adorei a relato e o desenho! A casa está tão linda!! Parece saida dum livro ilustrado.

  8. Karina, as quintas feiras de manhã possuem um sabor a mais por conta dos seus desenhos e crônicas.

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