Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Três anos e sete coisas impossíveis

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akcalc2016p

O blog fez três anos no dia 6 de novembro. Sempre que chego nessa época de aniversário, entro em crise com a vida pública que levo aqui. Escrever e desenhar não é a parte difícil — duro é fazer isso compartilhando com todo mundo! Fora o desafio de me manter fiel à proposta de tratar apenas de temas úteis e bem-humorados… Afinal, o blog é a minha auto-terapia, lembram?  Acho que nem preciso explicar a contradição desse princípio com a época em que estamos vivendo… Com certeza vocês me entendem.

Nessas horas, entro no meu modo-de-fuga básico, lendo compulsivamente. Nas últimas quatro semanas li biografia  artística, texto de não-ficção, qualificação de mestrado, livro em edição, dezenas de trabalhos de alunos, artigos baixados no celular (para ler no metrô cheio, quando não consigo desenhar) e já estou terminando um romance.

Para sanar um pouco a falta de posts, resolvi fazer uma listinha das 7 coisas-impossíveis, que os leitores antigos do blog já conhecem e que nunca mais apareceram por aqui. (A origem dessa seção está explicada nesse post.)

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração do gato Ulisses:

* Alice fez 11 anos! A comemoração teve amigos, bolo de cenoura com chocolate, piscina, basquete e uma etapa final, só nossa: duas horas na cama vendo filme no computador com os três gatos enrolados em volta. A cena do desenho (acima à direita) foi feita há alguns meses, mas retrata bem como somos felizes juntos. Ulisses, é claro, no melhor lugar, sempre de olho para garantir que os irmãos felinos não se aproximem demais.

* Antônio (15) está aproveitando o tempo livre das férias desenhando muito e fazendo algumas experiências de imprimir adesivos e prints das suas pinturas. Na semana passada, ele montou uma barraquinha em um sarau com uma amiga e vendeu quase tudo! Precinhos de 1 a 5 reais, para se divertir, sem exploração. Consegui ganhar duas impressões que sobraram para colar na parede do meu canto de trabalho. As imagens se juntaram às outras que já tenho e são o alvo preferido das patadas do Ulisses quando ele fica indignado comigo pela falta de ração no seu potinho.

* Por falar nesse gato-karma, cansados de ouvi-lo miar na porta de entrada do apartamento, resolvemos levá-lo para pegar um sol no terraço do prédio. Só pioraram as saudades que ele sente das ruas de Lisboa… Quem poderia culpá-lo? A coisa está tão feia que uma velhinha fofa do apartamento de baixo mandou a funcionária vir nos perguntar se o gato estava doente. Não, minha senhora… é drama mesmo, a vet garantiu! Prometi levar o Ulisses para visitá-la. Depois conto pra vocês como foi.

* Alunos e suas demandas impossíveis. Professora, me dá uma carta de recomendação? Claro, eu sempre respondo. Ah, que ótimo. Vão chegar umas mensagens para você das universidades! Uma, duas, três… dezessete mensagens depois, eu me pergunto: — O que mais faz uma professora na vida a não ser enviar cartas de recomendação? O Ulisses já está preparando um post sobre isso.

* Uma das minhas melhores ações de 2016 foi aderir ao projeto Ciclo Orgânico. Estamos reciclando todos os resíduos orgânicos da casa (restos de alimentos, café, guardanapos, palito de fósforo: tudo que pode virar adubo). A aprendizagem gera algumas situações inesperadas. Na primeira semana, descemos com os resíduos no saco apropriado para a coleta. Só que não era sacola de plástico e sim de casca de batata. O material se derreteu todo e fez a maior lambança. Mas ninguém ficou triste: que esperança ter um mundo todo de produtos biodegradáveis! O único chateado com tudo isso é o Ulisses: o lixo da casa acabou. Que afronta na vida de um verdadeiro vira-latas!

* A melhor parte da vida como professora nas últimas semanas foi dar duas aulas abertas na UERJ (uma no Maracanã e a outra em Caxias). Agora ninguém me chama para falar dos meus projetos. Os convites são sempre para conversar sobre os temas da vida acadêmica que trato aqui no blog! Ok, vou lá tentar ser útil. As plateias são diversas e simpáticas, cheias de perguntas interessantes. Tento ser divertida, mas a parte que o povo dá risada é sempre a mesma: quando mostro a foto do Ulisses jogado em cima do meu computador! Estão achando graça? Ele está aceitando convites para deitar (e pular!) no teclado do notebook de vocês também. Mandem seus pedidos.

* E a única coisa hilária da semana foi este vídeo aqui (na parte mais divertida tem legenda, mas infelizmente é tudo em inglês).

Bom final-de-semana, pessoal! Obrigada pelo carinho. ❤

Sobre os desenhos: No lado esquerdo, desenho que fiz do Antônio com seu próprio caderno de desenho (um Art Book da Canson) e um estojo vermelho que ele usa, já bem velhinho. Tenho um carinho enorme por esse objeto que um dia ganhei da antropóloga Lygia Sigaud, já falecida. Na imagem do meio, plantinhas que desenhamos juntos. As duas páginas foram desenhadas com canetinha 0.2 Unipin e coloridas com aquarela num caderninho A6. No desenho mais à direita, Alice rodeada dos gatos Charlie, Ulisses e Lola, feito com o mesmo material. Os mini-botões coloridos ao redor dela são uma colagem feita com pedaços do anúncio de um atelier de costura.

PS: Desculpem o erro: para os assinantes por e-mail, o post foi sem título. Já corrigi.

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5 pensamentos sobre “Três anos e sete coisas impossíveis

  1. KARINA KERIDA, seus posts foram e são verdadeiras bênçãos para mim. Morri de rir com a conversa entre Obama e Trump. Amei os calendários, curti tudo o que você nos contou. Boas Festas e obrigada pelos minutos de prazer em seu blog. At´breve, em 2017!

  2. Karina, o desenho do Antonio está o jeito dele mesmo, impressionante, muito bom. Parabéns por esses anos de dedicação à delicadeza, ao bem escrito, ao interessante, aos bons desenhos, alguns dos aspectos que me chamam mais atenção no seu blog. Continue! Parabéns ao Ulisses pois nossos gatos dão uma imensa contribuição ao que é gostoso e belo na vida. E parabéns aos seus filhos encantadores. Beijo.

    • Quanta generosidade em seu comentário, querida, muito obrigada! Suas palavras me incentivam muito a continuar. Estou lendo seu livro todos os dias um pouquinho: parabéns desde já pelo trabalho! Tudo que você escreveu acima vale para as suas páginas cheias de delicadezas e histórias. Nos vemos no Natal! ♥

  3. É, o post veio com um número de título, 5063, dá para jogar na mega. Abraços!

    • Também pensei nisso! Hahaha mas há tempos me prometi nunca entrar numa casa lotérica. O engraçado é que esse número não tem a menor lógica com os dados do blog. Este post é o 137° se não me engano.

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