Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Setembro/2017 – Pensando em desistir

12 Comentários

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Querida amiga,

toda força do mundo pra você. Eu também já quis desistir muitas e muitas vezes. Agora em agosto, inclusive, quase joguei meu projeto no lixo. Os prazos deixam a gente em dúvida de tudo, até do sentido do nosso próprio trabalho. Já aconselhei aqui o truque de produzir um texto como se estivesse escrevendo uma carta para uma pessoa querida. Conta a tua história, de vez em quando mete uma piada no meio. Tenta rir de si mesma. Esse é o único atenuante que funciona, pelo menos pra mim.

Às vezes, essas paralisias são fruto do excesso de importância que damos ao nosso mundinho. Melhor pensar como você mesma disse outro dia: trabalho acadêmico pode ser como lavar louça. Podemos seguir acumulando pratos, conhecimentos, palavras e deixando o mundo girar aos pouquinhos. A experiência de fazer um mestrado é só para você ter uma experiência de fazer um mestrado. Não é para revolucionar a ciência. Aliás, que bom! Pensa nas pessoas que querem “revolucionar” alguma área e veja como muitas delas se tornam arrogantes e messiânicas!

Quanto a passar um mês sem conseguir escrever, bem-vinda ao clube, querida. Você, Weber, Malinowski, eu, Chris, Dani, todos já passamos por isso e nos martirizamos. Escreve um diário, junta com a escrita da dissertação, mistura tudo isso, depois edita. Às vezes a gente precisa de 29 dias sem escrever uma linha e depois um dia escrevendo tudo — era assim que o Oliver Sacks produzia! Vários escritores já passaram por isso. é humano. A gente não é computador que realiza x tarefas por dia.

Uma coisa que faz falta no ensino da pós-graduação é mostrar aos alunos que as leituras e conhecimentos que aprendemos precisam de tempo para amadurecer. Nosso pensamento é que nem fruta. Pode parecer bonito, mas não estar maduro. Pensar sobre as coisas e escrever sobre elas demanda da gente uma energia enorme; tipo gravidez, amamentação, sexo, necessidades fisiológicas, sono… nada disso é simples nem automático, embora seja “natural”. Precisamos de um tempo, um ritmo, um calor, uma música, um bem-estar qualquer dentro da gente que impulsione.

Abraça teus amores, humanos e bichos, dá uma volta no parque. Escreve primeiro, desiste depois. Pensa assim: vou me livrar logo dessa dissertação e depois vou desistir da vida acadêmica. Só o fato de decidir desistir já vai tirar um peso enorme (tipo, vale qualquer coisa, certo?). Daí, quando acabar a dissertação, você pensa se quer desistir mesmo. Se sim, ok. Terá encerrado um caminho com a sensação de dever cumprido. Se não, ok também. Irá partir para o doutorado com uma experiência diferente pra te apoiar nos momentos difíceis. No entanto, se estiver impossível continuar do jeito que está, pede uma pausa, tranca, respira, busca ajuda, porque tudo tem um custo, e você é que sabe o seu. Só não se machuca no caminho, porque sua vida é muito, muito,mais importante do que qualquer trabalho.

♥ te admiro,

K.

Agosto foi mês de voltar de férias, sentir frio, ficar deprimida e cumprir prazos chatos. Felizmente, setembro chegou! Descobri que 21 é o dia da árvore, daí o tema do calendário.

A inspiração inicial para as formas veio dessa ilustração. A qualidade não está muito precisa porque usei marcadores em papel comum. A vantagem é que é bem mas rápido de colorir do que o lápis-de-cor. Esses desenhos têm me feito sonhar com um estojo gigante de Copic markers — é baratinho… quase o preço de um notebook!

Aí vai o calendário para imprimir: tem versão grande em .pdf ou em .jpg (cliquem na imagem acima). Depois me digam se a impressão em casa melhorou com o arquivo maior!

Sobre o desenho: Fiz primeiros as manchas de cores com marcadores Tombow brush e Sakura Koi Brush. Apenas o verde claro foi feito com lápis-de-cor Primalo Caran D’Ache. As linhas foram feitas com canetinhas Staedtler triplus fineliner e Graphik line maker da Derwent.

Você acabou de ler “Setembro/2017 – Pensando em desistir“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Setembro/2017 – Pensando em desistir”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-set2017. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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12 pensamentos sobre “Setembro/2017 – Pensando em desistir

  1. Boa Noite!
    Sonho em fazer um mestrado, mas durante o processo de montar o meu pré-projeto fico muito insegura e com medo de fracassar em algo que é tão importante para mim.
    Esta semana eu li um artigo seu sobre Cultura Política e fiquei fascinada em existir uma historiadora com o meu nome que escreva tão bem.
    Fiquei curiosa em descobrir como você era. Foi assim que hoje eu descobri o seu blog. Eu estava muito triste e as suas palavras acalentaram muito o meu coração. Não sou de comentar em posts, mas preciso muito agradecer pelas suas palavras. Muito obrigada.

  2. Obrigada querida! Queria ter conhecido o seu blog há uns cinco anos atrás, e assim, talvez sentisse que a caminhada acadêmica também tem a sua dose de leveza e sem tanta culpa. Um bom caminho pra você sempre.

  3. Iniciei meu mestrado agora em agosto, mas recebo seus posts há 03 anos.
    Fico feliz ao vê-los nos emails.
    São luzes para iluminar minha caminhada……
    Obrigado pelas postagens!!!!

  4. Pingback: Por onde andei em: Agosto/2017 – Insanidade Artificial

  5. Karina, admiro muito a sua capacidade de abordar delicadamente temas dolorosos, respeitando a inteligência dos seus interlocutores e a densidade da experiência de cada um. Comemoro sempre que chega um texto seu! Beijos.

  6. Sábado cedinho, post da KARINA com árvores e palavras de incentivo. É bom demais! Bjs, Cristina B..

  7. Muito, muito obrigada por mais essa, professora.

  8. Fantástico , Karina!! Adorei. Como seria bom, ótimo, maravilhoso se mais professores e intelectuais pensassem como você. Beijos

  9. Que post lindo, lindo!!
    Amei demais.
    “Às vezes, essas paralisias são fruto do excesso de importância que damos ao nosso mundinho.”

    “as leituras e conhecimentos que aprendemos precisam de tempo para amadurecer. Nosso pensamento é que nem fruta. Pode parecer bonito, mas não estar maduro.”

    Vou guardar esse post num potinho, adorei.
    Bjs

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