Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)

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“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”. (Pablo Neruda)

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho

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A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

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Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

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Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

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A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

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A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

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Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

Um bom Carnaval a todos, com descanso, trabalho e folia, conforme a dose recomendada!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) que ganhei do Juva, no final de janeiro, vinda da Muji, de Lisboa. Estou apaixonada por essa  caneta e suas irmãs azul, azul escura e vermelha. Como queria utilizar papel comum (A4, 90gr), colori com canetinha hidrocor (Staedtler triplus color). (Sobre todos os materiais que utilizo, ver aqui.)

* Os links para a editora Zahar foram indicados apenas como referência aos livros citados. Não recebo nada por compras dessas obras feitas no site deles.

Você acabou de ler “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [dd/mm/aaaa].

49 pensamentos sobre “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)

  1. São quase 3 horas da manhã e eu preciso estar em pé às 06 para trabalhar. Fui aluna especial, depois fui aprovada para o mestrado, e nisso já se vão três anos. Nestes três anos, eu me separei, vi minha mãe ficar pior de sua depressão e mal de parkinson, e eu mesma até agora estou enfrentando a depressão e a síndrome do pânico. Pedi a prorrogação para escrever a dissertação. 5 meses se passaram. Faltam 22 dias para o prazo final de entrega do trabalho revisado e terminado. E eu não escrevi nada. Trabalho em outra cidade durante 6 horas, mais duas de deslocamento. Tenho somente a qualificação, bastante material de pesquisa, a estrutura já pensada…mas nenhuma linha escrita. Sou budista e até a data de hoje eu estava achando que daria tempo, mesmo assim…mas agora está me batendo muito o desespero de colocar três anos da minha vida fora, por incapacidade de escrever. Nisso fui para o google ver se alguém havia feito uma dissertação em tão pouco tempo, e acabei caindo no seu blog…me reconfortou (um pouco). Queria acreditar que vou conseguir. obrigada pelas palavras.

    • Oi, Ana!
      Entendo praticamente tudo que está falando e vivenciando.
      Também fiz o mestrado trabalhando e agora o doutorado. Há os momentos de desespero e desesperança, mas é preciso ter compaixão conosco.
      Veja sua situação: quem de nós conseguiria passar por tudo isso ileso? Quem diante de tantas mudanças na vida pessoal não deixaria o estudo um pouco de lado para viver e sentir a dor? Em condições ideais já não é tão tranquilo escrever. Imagine nas descritas e vivenciadas por você?
      Para sua dúvida se é possível escrever em tão pouco tempo, eu respondo que sim! Nos últimos 15 dias acompanhei um colega de trabalho que também estava com o prazo de 15 dias e tinha apenas o texto da qualificação (ele qualificou o projeto). Combinei com ele de conversarmos semanalmente sobre o trabalho. Na primeira sexta-feira, o texto tinha 20 páginas, na outra 60 e na última (véspera da entrega do texto à orientadora) eram 110 páginas! Surpreendente, né? Tudo bem que ele não dormiu por uns dias (continuou trabalhando) e virou os dois finais semana. Como ele criou um compromisso comigo, ajudou bastante termos conversas semanais. Além disso, uma outra dica é: contar para alguém sobre o seu estudo ou gravar (uma amiga minha que deu essa dica).
      Escrever nada mais é do que contar para alguém o que fizemos em nossa pesquisa (lógico que colocando os conceitos, os autores, e todo o léxico de nossa área de conhecimento). Mas escrever é contar. Conte seu processo! Feche esse ciclo!
      Acredite: você conseguirá, sim!
      Pegue esse final de semana e foque: fique sem dormir, tome os medicamentos que precisar para se manter firme, se alimente, entre no texto e sai dele.
      Desejo forças e noites e dias de escrita intensa. Lembrando que o texto nunca será o ideal para nós, mas será o possível dentro das suas condições de vida!
      Combinado?
      Super abraço!
      Eliana

      • Eliana, tu não fazes idéia da força que me destes com teu relato e palavras de carinho!!! Estou renovada! Estou aqui colocando toda minha energia para conseguir concluir essa etapa da minha vida! Fico muito, muito grata MESMO pela tua força. Que pena que não moras em Porto Alegre, pois gostaria muito de te encontrar para dar um abraço! Vou voltar aqui para te contar que CONSEGUI! Beijo grande!

      • Queridas, que emoção ler os comentários, a resposta da Eliana e da Ana ! Vocês são demais !! Sim, eu ia responder que acredito sim que é possível. Feito é melhor que perfeito! Força pra ti Ana. Uma hora dessas leia tb o post “Desistindo de quase tudo” e as respostas para a Daisy. Bjs 💕💕💕

      • Oi, Ana! Fico muito feliz em saber que de alguma forma te ajudei. Acredito que a palavra transforma e tem poder. Também estou na fase de finalização da tese. Entrarei em férias na próxima segunda e nos 10 dias terminarei o texto. Esta é minha meta, mesmo que tenha de ficar acordada, mas este foi o prazo que me coloquei.
        Avise quando terminar. Sinta-se abraçada. Já carrego comigo o teu abraço.
        Forças para nós e para todo mundo que está vivenciando está delícia e desespero que é escrever um trabalho.

      • Cá estou de novo…depois de ler a Pesquisa da revista Nature de que 1/3 dos pós-graduandos sofrem de depressão e ansiedade. Apesar da força da Eliana e da Karina para concluir em 20 dias a dissertação, meu orientador, de forma gentil, me desencorajou. Disse que achava muito arriscado fazer desta forma, e me orientou a pedir o desligamento do curso e pedido de reconsideração para finalizar até o fim do ano. Só que não há garantia alguma de que a CPG aceitará um pedido de reconsideração. Falei com uma amiga sobre esta situação, e ela me disse: “por que tu não tenta uma licença saúde com a Junta Médica da faculdade?”. Pensei: “meus Deuses…eu depressiva há anos, diagnosticada com transtorno de ansiedade, síndrome do pânico, déficit de atenção e fibromialgia, e não pensei em licença médica!!!”. Então é isso, gente… é encarar que sofro destes problemas e agora tentar uma licença de saúde. Espero conseguir, para pelo menos voltar a respirar ser dor no peito e escrever sem tanto pânico… beijos

    • Oi, Ana! Nossa, essas informações que você colocou na última mensagem são essenciais (você não tinha exposto tudo isso). Isto muda totalmente a configuração, inclusive de minhas sugestões.
      Não há problemas em assumirmos que temos uma especificidade e que é algo ligado à saúde. Entre, sim com o pedido de afastamento. Cuide-se, procure especialistas. Inclusive, há pessoas com dislexia que concluíram seus mestrados, com auxílio de especialistas. Procure neurologistas, fonoaudiólogos e psicólogos comportamentalistas.
      Bora tomar respiro, aquietar a mente e retornar depois!
      Beijos e que tudo dê certo!!!

      • Oi, Eliana! Sim, eu já faço tratamento com neurologista, psiquiatra, psicólogo e reumatologista (em razão da Fibromialgia). Me ajudam bastante, mas às vezes a gente sucumbe, né… tenho fé que conseguirei esta licença para poder me recompor e reprogramar a escrita…mas não passará de 2018, isto é fato! De qualquer maneira, como disse anteriormente, encontrei aqui um alento e palavras de carinho, que agradeço imensamente. Vou voltar aqui para dizer que CONSEGUI! Beijos a todas e todos!

  2. Pingback: Quer uma dica para terminar a tese? Comece logo a escrever. – Ciência em Tese

  3. Pingback: 14 dias para terminar um texto de 12 páginas (ou 5000 palavras) | Karina Kuschnir

  4. Olá Karina. Tô num momento muito difícil tentando lidar com o TCC que ja me trouxe muita incerteza e fuga. Depois de terminar a grade da graduação procrastinei por quase um ano a elaboração por não conseguir conciliar com o trabalho e a morar sozinho em uma cidade nova. Depois de muito consegui coragem pra me reaproximar do orientador e começar a escrita. Até que veio o primeiro ataque de pânico e a as crises de ansiedade contínuas que se seguiram nos últimos quatro meses. Tem sido difícil seguir e conviver com o medo de não conseguir terminar a tempo (já tô no período de prolongamento do curso que pedi por não ter terminado). Mas por mais que esteja afetando minha saúde física e principalmente mental (que me levou a iniciar psicoterapia), sei que isso tudo vai passar e no fim vou olhar pra trás e respirar aliviado. Prometo que daqui há alguns meses volto aqui pra dizer que defendi. 😀

    • oi Danilo, muito obrigada por seu comentário tão sincero e tocante… Estou atualmente tentando apoiar uma pessoa muito amada com sintomas de pânico também… Olha, vocês não estão sozinhos… na verdade, acho que todos nós temos cada vez mais medo desse mundo, seja acadêmico, seja não-acadêmico… Meus medos se manifestam em forma de pesadelos (tenho muitos) e, na época do doutorado, numa série de problemas físicos complicados. Tenho um amigo que “congelava” na frente do computador por meses… numa situação parecida com a sua, sem conseguir admitir isso para a orientadora. Que bom que você está buscando ajuda na terapia, lendo textos sobre o assunto e trabalhando seu emocional para enfrentar essas dificuldades. Minhas recomendações são simples: se cuide nos menores detalhes, tente pegar 20 minutos de sol todos os dias, coma bem, entre no chuveiro, abrace as pessoas que vc ama e se permita ter metas pequenas de cada vez. 300 palavras por dia, por exemplo. Parece pouco, mas elas viram 3000 em 10 dias, e 9000 em um mês. Texto puxa texto… Quando não estiver escrevendo “oficialmente”, faça rascunhos, esquemas, releia um artigo que foi importante para sua pesquisa. O pensamento é algo que precisa de tempo para amadurecer mesmo. Mas não deixe de tentar colocar essas poucas palavras todos os dias no papel ou na tela do computador. Depois volte sim para comemorar aqui. Vou adorar ter notícias!! ☺☺☺

  5. Oi, Karina,
    Estou terminando minha dissertação do mestrado, num momento de muito medo de não conseguir terminar com “decência”, de falhar, e as dicas me ajudaram a recuperar o fôlego. Lendo sobre o desenho da “tese pronta” lembrei de quando era pequena e minha mãe estava nessa mesma fase do mestrado dela. Nessa época eu e minha irmã assistimos todas as fitas da locadora mais de uma vez pois era nos finais de semana que ela tinha tempo de escrever mais. Para nós duas foi ótimo, com 6, 7 anos sabíamos tudo de cinema, de Fred Astaire a Alien, e gostamos de ver filmes juntas até hoje. Era pura diversão mas minha mãe conta que se sentia mal por nos deixar assistindo TV só que não dava nem tempo de pensar se era a solução certa do que fazer com as crianças. Ela toda culpada e nós duas achando o máximo… Ela defendeu sua dissertação e deu tudo certo no fim das contas. Eu e minha irmã é que não entendemos quando a farra dos vídeos acabou. Já rimos muito dessa história.
    Obrigada pelas dicas e relatos e parabéns, que texto legal.

    • Nossa, eu amei esse seu comentário, Verônica!! Achei que já tinha respondido, mas o WordPress me diz que não… Um alívio para todas as mães saberem dessa história. Hahahaha. Toda força do mundo para vc nessa reta final do mestrado. Depois conta como vc está. O lado bom de terminar: poder se permitir alguns dias para não fazer nada!! hoje em dia, ao invés de Sessão da Tarde, a gente se afoga em Netflix, né? ☺♥

  6. Pingback: Junho/2018 e Bastidores do blog (2) | Karina Kuschnir

  7. Karina,
    Que bom encontrar refúgio em palavras que nos acolhem e que descrevem os momentos que vivemos. Descobri seu blog recentemente e, desde então, sempre venho aqui para me acalmar.
    Passei pelo exame de qualificação de doutorado e agora estou tentando retomar a escrita para concluir esta fase. Fechar este ciclo. Como muitas pessoas aqui registraram, não é um momento fácil, este da escrita e ele, certamente, nos afeta e afeta quem está ao nosso lado. Adorei ler o que os filhos e as filhas pensaram e sobreviveram a este momento (ainda que tenha ficado com aperto no coração, é verdade).
    Precisamos de apoio, de falar, de ouvir, de ler quem está passando pela mesma situação. Só assim as angústias são amenizadas. E que ótimo que a escrita tem este poder: de nos unir e nos explicar.
    Sigamos com nossas escritas!

    • que lindo seu comentário, Eliana, muito obrigada. Adorei isso que vc escreveu: “sempre venho aqui para me acalmar”. Acho que também faço o blog “para me acalmar”. ♥ muita força pra ti nessa reta final do doutorado. se cuida! ♥

  8. Todas as vezes que eu sinto desespero na hora de escrever minha dissertação venho até aqui pra refrescar a memória e lembrar que tudo passa e nenhuma pesquisa é perfeita. Obrigada por compartilhar comigo sua angústia e ajudar a aliviar um pouco da minha. Recomedarei seus escritos para todos que passam por isso.

  9. Pingback: Para atravessar o mestrado – Pendências & Depósitos

  10. Estou na fase de escrita da dissertação e ter encontrado esse tesouro que são esses textos, têm me feito bem. Graças a uma força superior implacável, conto com a ajuda de uma pessoa muito especial na minha vida. Tenho compartilhado essas postagens com meus amigos que estão no mesmo processo de escrita que eu e eles estão amando.

    • Pessoas queridas que comentaram nesse post na época em que foi publicado: passando aqui para agradecer as mensagens lindas de vocês e saber como estão indo os tccs, dissertações e teses — e os corações. Às vezes a energia e tempo extra que tenho são para produzir os posts e não dou conta de responder a todos. Mas ler tudo que vcs escrevem é um incentivo enorme para eu continuar a produzir. abçs a todos! ☺

  11. Adorei o post. Muito sensível e as dicas são incríveis!

  12. Lindo texto! Amei seu blog! Obrigadaaaa!!

  13. Interessante está metodologia de apresentação de dicas para condução do TCC.
    Também trabalho guias e cartilha para a mesma finalidade, embora adicione elementos teóricos para maior domínio, pelo aluno que se interesse por aprofundar os conhecimentos sobre filosofia e metodologia da ciência.
    Parabéns!!!

  14. Hoje mesmo me deparei com o seguinte sentimento: “Será que todo o meu esforço vale a pena? Será que não escolhi o caminho errado? Será que tenho forças para escrever minha tese.? Será que teria sido mais fácil não ter feito pós graduação?”
    Enfim, mil perguntas e nenhuma resposta?
    Mas hoje lendo essas dicas um pouco de minha esperança voltou.
    Tenho muitas histórias ao longo da pós graduação. Meu mestrado conclui com um bebê de 9 meses e um marido atencioso que me ajudou em tudo que pode. Minha mãe também foi excencial na finalização daquele trabalho.
    Por fim, não contender iniciei meu doutorado após de 4 anos do término do mestrado e com uma experiência de sala de aula em nível superior que me encorajou a ir buscar o doutorado.
    Nesse período meu filho cresceu me vendo entre livros e artigos…lecionando e corrigindo provas…pois não parei a docência ao longo do doutorado.
    Os dias mais difíceis nesse período foram os quais por vezes vi meu filho me pedindo para brincar e eu sem dizia: ” depois filho, a mãe precisa terminar de estudar”!
    O pior dia foi quando ele com 4 anos entrou embaixo de minha escrivaninha e não saia por nada.
    Aquele dia (2016) parada sem ação vi que as coisas são muitos mais difíceis quando não podemos dar a atenção que eles merecem!!
    Hoje tentando escrever a qualificação me pego em uma grande aflição e urgência em finalizar TD isso. Pois já não consigo ter soco e sabedoria!!
    Obrigada por compartilhar as dicas das leituras sugeridas.

  15. Adorei ler este post.
    Me ajudará bastante…

  16. Muito bom o texto, dicas interessantes em uma perspectiva humanizadora e aplicável. Parabéns a todos os que contribuíram, em ambas as partes!

  17. Terminei a escrita da dissertação como um todo em fins de janeiro (tô naquela fase em que a gente espera o orientador se pronunciar) e meu enteado me ajudou ao longo do processo como um todo, na escrita do projeto ele com mais ou menos 11 anos sentava atrás da minha cadeira e ficava desenhando e me acompanhando na escrita, depois, me ajudou a colocar os pseudônimos nos participantes, colocou questionários em ordem alfabética e, por último, tocou violão pra me acalmar enquanto quase pirava com a escrita (o tema do filme missão impossível), fizemos até um vídeo deste momento. Mesmo assim, percebi que também foi um período tenso pra ele…

  18. Pingback: Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2) | Karina Kuschnir

  19. Karina adoro seu blog! Sou doutoranda na área de patrimônio / arquitetura. E escrever realmente não é fácil é muito solitário. Mas tem momentos muito intensos de escrita, como se acontecesse um download das ideias que ficam 24/24h ali… e depois a gente nem acredita que foi a gente que escreveu aquilo! Reli outro dia um livro que acho que tem um pouco a ver com isso, e recomendo! A Louca da Casa, da Rosa Montero, uma escritora que fala do processo dela de escrita e, não menos importante, de “inspiração” !

  20. Obrigada!

  21. Conto uma história de bastidor: quando estava escrevendo minha dissertação, minha primeira experiência de escrita mais sistemática, que concorria com muito trabalho, minha filha, então no último ano do ensino médio, encontrava sempre um meio de denunciar sua solidão. Ora fazia comentários jocosos (Ih, acho que tu te casou com esta dissertação!), ora me dava bom dia, ao meio dia nos fins de semana, com uma pergunta direta e desesperadamente esperançosa: – Conseguiu terminar?! Teu post meu lembou este período, mas também foi um bálsamo encontrar essas dicas, em um momento de conclusão da minha tese. Algumas eu já pratico, outras, “esqueço” de praticar tendo em vista meu superego ser um tanto exigente… Mas teu texto bem escrito e recheado de empatia colocou em ato a dica 4: me senti acompanhada e confortada na medida. Valeu!

  22. Ótimas dicas! São como boias pra não deixar ninguém morrer na praia. Faz bastante tempo que concluí uma tese, e hoje me vejo às voltas com o trabalho de orientar mestrandos e doutorandos e sou testemunha de suas dores e delícias. Mas o desenho do filho de uma escrevente de tese me fez lembrar do poema que ganhei de minha filha, Marina, quase no final dos meus quatro anos de doutorado. Dos oito aos doze anos de idade, Marina habituou-se a ter a mãe absorta ao computador enquanto ia crescendo e desbravando mundos. Da experiência de acompanhar-me doutoranda, fez ela sua própria escrita, que tem a capacidade de transmutar o que poderia ser objeto de ressentimento em matéria para criação. Copio aqui:

    “Desde que tivera sua misteriosa ideia, ela não havia parado de escrever. Nem por um minuto. Comia escrevendo e tomava banhos super rápidos, para ainda enrolada na toalha voltar a escrever. Escrevia até tarde da noite e, quando seus olhos não aguentavam mais, se cerravam, forçando-a a dormir sobre o teclado. Mas parecia que sonhava com idéias para o texto, pois, ao acordar, lá estava ela, escrevendo novamente. Isso quando não acordava no meio da madrugada, para escrever novas idéias num pedaço de papel. E, todo dia, sua letra, corrida e arredondada, era substituída pela letra certinha do computador que se estendia por uma página, depois cinco, dez, cem, até perder a conta. Escrever agora era um hábito seu, um hábito doentio, indispensável para a sua vida. Uma doença mais importante do que comer ou dormir. Uma doença chamada paixão.”

  23. Pela primeira vez aqui, um material que eu estava precisando, encontrei hoje no face da professora Karina Kuschnir. Professora, tenho um livro seu!

  24. Acabei de ler/ver mais esta delícia!
    Nunca escrevi uma tese mas as lições daqui as tomo para a Vida!
    Amada Kau, ainda uma vez, tomo emprestado de nosso Vinicius . . .
    Se todos fossem iguais a vc e sua tchurma, que maravilha viver!
    Bom Carnaval pra todo mundo.

  25. Alimentou a minha alma e renovou minhas forças esses conselhos. Sobre visualizar o trabalho finalizado, é a minha única certeza, tenho fé em Deus vou conseguir, mas não é fácil não escrever

  26. Não sei por qual razão recebi a notificação desse texto na minha caixa de e-mail, não nos conhecemos, mas acho que se existe mesmo um universo que funciona a partir da lei da ação e reação, então posso te dizer que essa força da natureza funciona também no mundo vitual. Hahaha… Delícia de narrativa as suas, as delas. Obrigada por compartilhar conosco, pois ajudam aqueles que, assim como eu, estão navegando nos mares tempestuosos da academia. Outro dia meu filho (agora um adolescente, mas que me acompanha nesse processo de escrita/ formação/ construção desde os 8 anos de idade) me disse que eu era uma pessoa mais leve antes de entrar na universidade. Disse que não conseguia entender porque o conhecimento transformava as pessoas em seres tão desnorteados. Foi o momento que parei, respirei e refleti (no passado e no presente, já que se trata de um contexto relativamente atual e que, portanto, ainda está em fase de execução) a razão deu estar transformando essa passagem tão enriquecedora, que é o de se transformar em especialista em algum assunto, em algo tão tortuoso. Acredito que é importante reconhecer quando não somos capazes sozinhas de colocar as coisas em seus devidos lugares: hoje faço terapia, yoga e meditação pra não pirar! E também tento manter os amigos e familiares por perto. A escrita é muito mais interessante para quem escreve, e também para quem lê, quando ela é inspirada por trocas e afetos, acredito eu!

  27. O bom é que podemos viver pra escrever. Depois de qualquer defesa iremos sempre desejar o ataque que a escrita provoca em nós?

  28. Karina não estou no meio acadêmico no momento, mas estou escrevendo um livro e sim, suas dicas são preciosas. Um abraço.

    • oi Telma, que legal! obrigada pela visita e leitura. hoje estou tentando responder os comentários assim que chegam… porque, depois, o tempo passa e acabo não dando conta! Desejo muito boa sorte na escrita do seu livro. ♥

  29. Encontrei seus textos na minha última fase de doutorado. Felizmente ou infelizmente eu não fiz a defesa. Todo o restante estava concluído. Não tive o gás final, as forças tinham se esvaido no processo tenso da orientação. Acho válidas as dicas do texto acima! São um bom norte para quem está no mar da Defesa rs

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