Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Maio/2018 — Burra ou teimosa?

17 Comentários

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“O pensamento encontrou-se com a eternidade
E perguntou-lhe: de onde vens?
— Se eu soubesse não seria eterna.
— Para onde vais?
— Volto para de onde venho.”
(Murilo Mendes)

Vocês também têm a sensação de que o tempo nunca é suficiente? De que, por mais que nos dediquemos, há sempre algo a fazer, ler, escrever, resolver?

Bem-vindos ao clube.

Essa semana, fui tentar aplicar uma ideia dos livros de produtividade: “foque em resolver o trabalho mais importante primeiro”. Mas… e quando o seu “trabalho mais importante” é ler e entender um texto difícil, que não acaba nunca, cujo fichamento fica quase do tamanho do original, praticamente uma tradução de trechos inteiros com ajuda de três dicionários online?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

E se, nos intervalos, você ouve a voz dos gurus de auto-ajuda dizendo “vá lá, bastam 15 minutos de foco para esvaziar uma inbox!” Mas… ao invés de responder os e-mails urgentes, você resolve tentar baixar todos os artigos que o texto que você está lendo cita. E, assim, adicionando mais e mais “textos importantes” ao seu trabalho principal?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

Se você terminou a semana sem esvaziar sua caixa de entrada, sem responder as gentilezas que te escreveram, sem marcar aquela consulta necessária, sem voltar para a ginástica, sem escrever o post atrasado, sem fazer as compras do supermercado…

Você é burra E teimosa.

Pelo menos o texto está lido e fichado, me consolo.

Bem-vindos ao balanço desse domingo, pessoas queridas!

Se vocês estão lendo esse post, é porque chegamos juntos ao final de abril.  Aqui vai o calendário de maio para imprimir em .pdf.

Meu recado final é para as pessoas do mundo acadêmico que estão se preparando para os concursos de professor nas universidades federais: muita força para vocês, pessoal!

Uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida foi me preparar para um concurso. Estudar é mais árduo do que ir lá fazer: é trabalhar todos os dias no vazio, sem garantia.

Mesmo assim, vale a pena. Tudo que vocês estão lendo será um patrimônio intelectual próprio, pra sempre. Parafraseando Murilo Mendes, estudar é quando o pensamento se encontra com a eternidade. É quando todas as palavras que os livros nos legaram voltam para conversar conosco.

Pensando bem, ter passado a semana lendo um texto grande e difícil não foi tão ruim assim, vocês concordam? Será que posso ficar só me achando teimosa e não tão burra?

Sobre a citação: Trecho de um poema de Murilo Mendes citado por Silviano Santiago na página 82 do artigo “A permanência do discurso da tradição no modernismo”, publicado no livro Ensaios Antológicos (Ed. Nova Alexandria). Agradeço ao Juva pela citação, ao me ouvir reclamar do tempo. ♥

Sobre o desenho: Flores com cores meio psicodélicas, tipo anos 1970, inspiradas no tecido de uma blusa que eu tenho. O scanner foi ingrato com o original, ora estourando, ora saturando alguns tons. Levei uma surra para chegar nesse resultado mais ou menos próximo do original. As linhas foram feitas com diversas canetinhas Pigma Micron coloridas e o restante foi colorido com lápis de cor Caran D’Ache e Prismacolor.

Você acabou de ler “Maio/2018 — Burra ou teimosa?“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Maio/2018 — Burra ou teimosa?”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ef. Acesso em [dd/mm/aaaa].

17 pensamentos sobre “Maio/2018 — Burra ou teimosa?

  1. Eu sou de junho e adorei o calendário do mês 6. Mas, este de maio que só vejo agora está lindo e delicado.

  2. Às vezes a gente é burra e teimosa. E tudo bem. Esses dias uma amiga me disse uma frase que adorei (não sei se é de alguém específico, se é dela, enfim…). Ela disse: a vida não é linear.
    Tão simples e tão doido lembrar disso, né?

    Um abraço grande, Karina. Amo seu blog.

    • oi querida, obrigada pela companhia virtual tão carinhosa. Hoje te coloquei no texto do post. Espero que vc não se importe e que muita gente te siga lá no Sarices! abraço apertado tb!! ♥♥♥

  3. Karina, boa noite.

    Ainda não tive tempo de ler todo o conteúdo do site. Te encontrei a partir da primeira parte de um texto com doze dicas para terminar um trabalho acadêmico (bem, o título não era esse, mas o conteúdo, sim. Foi publicado no início do ano) e tenho feito um esforço para te visitar, no mínimo, uma vez por mês. Diante do teu texto, quis dividir um pouco da minha experiência-angústia com quem parece que entende um pouco disso. De quem emana empatia.

    Eu sou doutoranda em história, estou no início do terceiro ano de curso. Quando fiz a seleção estava investigando a possibilidade do meu filho pertencer ao espectro autista. O diagnóstico chegou no mesmo mês que o curso começou: março/16. Passei o primeiro ano brigando por uma mudança de orientador (que só consegui em dez/16) e por uma liminar para o tratamento especializado ao qual ele tem direito (liminar que só foi concedida em abr/17). Já em março, depois da audiência de NÃO conciliação com o plano, perdi a saúde. Já arrastava uma depressão desde março/16 e a partir de março/17 comecei a sentir dores e vários outros sintomas. Pensei que era lupus (e eu ainda não sei se é) mas por enquanto só me dizem: fibromialgia com reação autoimune desconhecida. Eu desconfio que não vou conseguir terminar esse doutorado e não sei se vou conseguir lidar com essa frustração. Ainda nem consigo lidar com as realidades que o autismo do meu filho me impôs. É como se não houvesse espaço pra mais nada na vida além de dores e acompanhar as dinâmicas que a situação clínica dele me impõe. Eu tento resistir mas não tenho energia pra quase mais nada. Sinto um desespero que praticamente ninguém entende, uma vontade de existir à contrapelo de tudo, mas uma vontade ainda maior de desistir de tudo. De tudo.

    Não sei exatamente o que eu espero com esse comentário. Talvez ajuda ou só um espaço de visibilidade e dizibilidade.

    • Eu não sou a Karina e nem quero ser intrometida respondendo seu comentário pra ela. Na verdade, nem sei o que te dizer, só queria te dizer pra não desistir de tudo. Não vejo nada de errado em desistir. Às vezes, dependendo do que e do momento em que vivemos, desistir de algo pode ser a melhor opção . Mas desistir de tudo é muita coisa. Sei que o cansaço bate, a frustração, mas nesses momentos é importante identificar o que deixar ir e a que se agarrar.
      Não sei se você tem condições de buscar ajuda psicológica (talvez vc já faça isso), mas se puder, busque, se aprofunde nisso. Não se comparara dores, mas passei por momentos muito difíceis (concluir o mestrado foi um deles, o trabalho acadêmico é exaustivo) e no momento em que eu estava em um dos buracos mais fundos, fazer terapia foi a minha salvação. Se for possível, busque ajuda profissional, vc não precisa lidar com essas dores sozinha.

      Um abraço grande e espero que em breve você possa se sentir melhor.

    • Deise, fiquei muito impactada com seu comentário. resolvi escrever o post de hoje (6/05/18) como uma possível resposta… espero que chegue até vc e que vc esteja melhor. abraço grande, K

      • Chegou, Karina. Uma amiga me enviou o link. Não esperava. Obrigada pelo carinho e empatia. 🌹

  4. Karina,
    seus textos são certeiros e inspiradores. Grata por compartilhar conosco!
    Mas ficou a curiosidade sobre o texto grande, difícil e fichado… rs.
    Abraços!

    • hahahaha fiquei tímida de contar, né? é um texto do Stocking de quase 90 páginas com um vocabulário de inglês medieval rs. Espero que no próximo semestre eu consiga publicar o que estou escrevendo. aí vcs vão ter a referência direitinho. obrigada pela companhia carinhosa aqui! ♥

  5. Não e burra é teimosa mas sim inteligente e persistente, rs. O importante é que vc sempre provoca reflexão , bjs e muito agradecida

  6. Olá Karina, parece que vc está constantemente escrevendo para mim…rsrs…me encaixo sempre no que vc escreve… às vezes serve de consolo que outras pessoas passam oq eu passo tbm, outras vezes não adianta muito não…rs…. Sou daquelas que estou estudando em um vazio sem garantias, mas com esperanças de q um dia eu possa colher os frutos que almejo. Um grande abraço! Força, foco e confiança!

    • Larissa, me sinto contemplada pelo seu comentário. Estou fazendo doutorado agora e sinto que estou estudando em um vazio sem garantias. As palavras da Karina sempre me ajudam.

      Abraços!

      • obrigada às duas! às vezes dá um vazio, mas tb muitas vezes nos sentimos realizadas e felizes por lermos textos maravilhosos, né?

    • Vai sim, Larissa, com certeza! até porque seus estudos serão sempre parte de quem vc é. ☺

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