Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Desistindo de (quase) tudo

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canecalivros_p

“Karina, boa noite.
Ainda não tive tempo de ler todo o conteúdo do site. Te encontrei a partir da primeira parte de um texto com doze dicas para terminar um trabalho acadêmico (…) e tenho feito um esforço para te visitar, no mínimo, uma vez por mês. Diante do teu texto, quis dividir um pouco da minha experiência-angústia com quem parece que entende um pouco disso. De quem emana empatia.
Eu sou doutoranda em história, estou no início do terceiro ano de curso. Quando fiz a seleção estava investigando a possibilidade do meu filho pertencer ao espectro autista. O diagnóstico chegou no mesmo mês que o curso começou: março/16. Passei o primeiro ano brigando por uma mudança de orientador (que só consegui em dez/16) e por uma liminar para o tratamento especializado ao qual ele tem direito (liminar que só foi concedida em abr/17). Já em março, depois da audiência de NÃO conciliação com o plano, perdi a saúde. Já arrastava uma depressão desde março/16 e a partir de março/17 comecei a sentir dores e vários outros sintomas. Pensei que era lupus (e eu ainda não sei se é) mas por enquanto só me dizem: fibromialgia com reação autoimune desconhecida. Eu desconfio que não vou conseguir terminar esse doutorado e não sei se vou conseguir lidar com essa frustração. Ainda nem consigo lidar com as realidades que o autismo do meu filho me impôs. É como se não houvesse espaço pra mais nada na vida além de dores e acompanhar as dinâmicas que a situação clínica dele me impõe. Eu tento resistir mas não tenho energia pra quase mais nada. Sinto um desespero que praticamente ninguém entende, uma vontade de existir à contrapelo de tudo, mas uma vontade ainda maior de desistir de tudo. De tudo.
Não sei exatamente o que eu espero com esse comentário. Talvez ajuda ou só um espaço de visibilidade e dizibilidade.” (Deise, comentário deixado aqui no blog em 2/5/2018)

“Eu não sou a Karina e nem quero ser intrometida respondendo seu comentário pra ela. Na verdade, nem sei o que te dizer, só queria te dizer pra não desistir de tudo. Não vejo nada de errado em desistir. Às vezes, dependendo do que e do momento em que vivemos, desistir de algo pode ser a melhor opção . Mas desistir de tudo é muita coisa. Sei que o cansaço bate, a frustração, mas nesses momentos é importante identificar o que deixar ir e a que se agarrar.
Não sei se você tem condições de buscar ajuda psicológica (talvez vc já faça isso), mas se puder, busque, se aprofunde nisso. Não se comparara dores, mas passei por momentos muito difíceis (concluir o mestrado foi um deles, o trabalho acadêmico é exaustivo) e no momento em que eu estava em um dos buracos mais fundos, fazer terapia foi a minha salvação. Se for possível, busque ajuda profissional, vc não precisa lidar com essas dores sozinha.
Um abraço grande e espero que em breve você possa se sentir melhor.”
(Sarah, em resposta à Deise, dia 3/05/2018)

Cara Deise,

espero que você não se incomode de eu abrir o post com o seu comentário. Como você mesmo sugeriu, achei que sua história precisava de um espaço e de uma visibilidade maior do que o rodapé do post da semana passada.

Sou fã dos escritos da Sarah (no blog Sarices) e concordo com tudo que ela escreveu: não há nada de mal em desistir de algo, mas não de tudo. Também acho que ela acertou no essencial ao dizer: busque ajuda, não tente resolver tanta coisa sozinha. Receba o meu abraço apertado, mesmo de longe, por tudo que você vem passando.

Somos humanas, precisamos de tempo para nos restabelecer diante das dificuldades. Precisamos de pessoas queridas — e também de pessoas profissionais — para nos ajudar a caminhar quando tudo está difícil e sem rumo.

Queria aproveitar sua mensagem para te dizer que já recebi muitas com problemas semelhantes: pessoas passando por dificuldades terríveis (pessoais, familiares ou outras), sem apoio institucional.

Não acho que o problema seja das pós-graduações, especificamente. Ao contrário, ter a oportunidade de fazer um mestrado ou doutorado é, na maior parte das vezes, conquistar para as nossas vidas um espaço de crescimento e alegria, onde encontramos nossa turma, nossos autores favoritos, nossas pesquisas apaixonantes. Mas… mergulhar nesse mundo exige renúncias, dedicação — uma entrega assustadora, quase total. Como dizer para nossas próprias mentes que há uma fronteira entre pensamento (sobre as questões acadêmicas que nos interessam) e nossas vidas (saúde, amor, família, casa, sociedade)?

Não por acaso, grandes nomes da nossa ciência são de pessoas que abriram “mão de tudo”, no sentido contrário do que você escreveu: ou seja, dedicaram-se exclusivamente às suas carreiras de pesquisadores/professores e negligenciaram o restante. Havia quem cuidasse do resto… esse foi o papel legado às mulheres, às pessoas negras e demais excluídos do mundo científico. Esse contexto está mudando, felizmente, mas não sem dor.

Não dá para conciliar tudo. Não dá para ser fazer um doutorado incrível em História e se dedicar integralmente a seu filho, recebendo simultaneamente diagnósticos de autismo, depressão e fibromialgia, sejam seus ou dele. Te escrevo isso com o coração, como escreveria para minha melhor amiga, como escrevia para as mães que me procuravam na minha época de voluntária nas Amigas do Peito.

Muitas mães encontram dificuldades para amamentar, e quase sempre o primeiro passo é se cuidar, se alimentar bem, descansar o suficiente, se cercar de pessoas queridas, que te apoiem, além de deixar pra trás antigos hábitos, culpas e obrigações… Aceitando que somos recém-mães, aceitamos melhor as alegrias, mas também os imensos desafios, de cuidar de um bebê recém-nascido…

Foram muitas notícias impactantes juntas na sua vida. Daqui de longe, parafraseando o conselho dos grupos de anônimos, te desejo “força para mudar o que estiver ao seu alcance; energia para aceitar o que for preciso, e sabedoria para diferenciar as duas coisas. Vinte e quatro horas de cada vez.”

Se cuide, Deise, e cuide do seu filhote. Quem sabe não daria para trancar o doutorado por um ou dois semestres, até você recuperar sua saúde e se sentir mais tranquila para voltar? Na minha própria vida, saber que posso apertar um “pause” em alguma área é o que me acalma mais. Além disso, tento ficar menos online e mais perto de pessoas queridas, xícaras de chá e livros para me fazer companhia.

Dê notícias,

K.

Sobre o desenho: Fiz esses objetos que ganhei de presente há pouco tempo como um símbolo do carinho que quis transmitir à Deise, além de agradecer às pessoas queridas que me deram essas delícias: uma caneca e um cartão vindos de Portugal, um livro do Umberto Eco sobre escrita e um livro com pinturas e desenhos de mulheres lendo, chamado “Women who read are dangerous”, vindo da Inglaterra. Obrigada, amores! ♥ Linhas com canetas Pigma Micron 0.2 e 0.05, no verso de um papel Canson Mix Media, depois coloridas com aquarelas Winsor & Newton.

Você acabou de ler “Desistindo de (quase) tudo“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Desistindo de (quase) tudo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3En. Acesso em [dd/mm/aaaa].

24 pensamentos sobre “Desistindo de (quase) tudo

  1. Você é maravilhosa Karina, eu realmente não me encontro em uma situação saudável mentalmente, infelizmente por razão dos grandes cortes na ciência brasileira. Minha turma de mestrado em antropologia de 12 alunos, 2 conseguiram bolsa, dos 12 fui o 4°, e vou sentindo o impacto no curso, e a pressão de mesmo sem financiamento, fazer um Lattes, de apresentar, de produzir e de sobreviver nessa selva que é a academia. Sigo na luta tentando pressionar políticos no cenário estadual, mas as vezes quando olho pra trás, vejo que estou sozinho na luta por melhorias para meu programa.

    • Te entendo e me solidarizo contigo, Messias! Às vezes precisamos sair do pensamento comum e pensar como podemos trilhar o nosso caminho, respeitando nosso próprio tempo e limitações. Por exemplo, há alguns anos eu deixei de dar aulas regulares na pós-graduação para poder ter mais tempo para fazer pesquisa e escrever, coisas que realmente amo. Parece que tudo é compatível, mas não é. Nosso tempo e nossa vida são finitos. Acho que, durante o mestrado, você não devia nem precisar pensar em Lattes, com ou sem bolsa!! Agora é o momento de estudar, pensar e fazer pesquisa. Se, além disso, vc tiver que trabalhar, vai ter que discutir consigo mesmo e com o programa um outro prazo para terminar sem sacrificar sua saúde física e mental. É isso. Procure dentro de você os propósitos (para dar força!) mas também os limites (para não se atropelar no processo). Que seja bonito seu caminho♥

  2. Pingback: Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas | Karina Kuschnir

  3. Lindo post Kau ❤ bjinhos

  4. Pingback: Junho/2018 e Bastidores do blog (2) | Karina Kuschnir

  5. Que felicidade, Karina, saber que vc trabalhou nas Amigas do Peito! Sou uma admiradora dessa ong e a Zildinha, quem me apresentou, é uma caixa de tesouro para mim!. Adoro seu blog e admiro demais seus desenhos. Entre uma pausa e outra da escrita da dissertação venho aqui passear pelos seus desenhos ou “catar” algum post antigo, algo como o livro de sabedoria, sempre tenho sorte 😉 e abro em postagens que contribuem para o momento que estou passando. Agradeço também por ter apresentado o blog Sarices. Vcs duas estão me dando um suporte emocional lindo. Obrigada. Um beijo e muito feliz de saber que temos mais coisas em comum que apenas o seu blog. 🙂

  6. Olá Deise, li esse texto há uns dias atrás e pensei que poderia te interessar: https://www.grupoconduzir.com.br/2018/05/minha-filha-e-autista-e-essa-nao-e-uma-ma-noticia/
    No post que conta a sua história no facebook uma moça passou o telefone dela se você quiser entrar em contato, dizendo que trabalha com crianças especiais e ela mesma foi (e é) especial, de repente vale a pena. Em que cidade você mora? Mando um abraço e muita força.

  7. Fiquei emocionada. Não as conheço, mas quero deixar um beijo e um forte abraço para as três: Karina, Sarah e, especialmente, Deise. ❤️❤️❤️

  8. Deise, eu “desisti”. eu precisei. Passei por vários momentos desesperadores e tentava contorná-los até que meu pai morreu e ai eu entreguei os pontos ano passado e agora estou retomando. Eu ainda não me perdoei totalmente por isso, mas não pude fazer de outro jeito. Fiquei feliz que você faz tratamento (tbm faço) e percebo que você está rodeada por uma rede de pessoas afetiva. Dar um tempo não é desistir, acho que no momento a sua saúde e de seu filho precisa de cuidados e ajustes para que o resto possa ser enfrentado.

    (não vou entrar nos detalhes do que aconteceu comigo, mas fica a certeza de que precisamos MUITO falar sobre trancamento de cursos de pós-graduação que envolvem bolsa porque a CAPES e os PPGs não ligam se você ficou grávida ou doente, o calendário simplesmente segue)

    • muito obrigada por estar aqui distribuindo delicadezas e por compartilhar conosco sua história… um abraço apertado ♥ ♥

  9. Pingback: Saúde mental na universidade |

  10. Deise [Karina e aqueles que trocam por aqui], empatia profunda pelo seu depoimento.

    Estou em outra fase da vida acadêmica, mas o desequilíbrio em minha relação com ela levou a uma depressão em 2011. Tive alta, fiquei feliz, mas as dificuldades dessa escolha profissional não se encerraram e, para somar, em 2016 minha mãe desenvolveu um processo acelerado de Alzheimer que tirou o chão de todos os filhos. Na tentativa de dar conta de tudo, entrei em nova depressão, porém MUITO mais grave, levando a meu afastamento universitário desde julho do ano passado.

    Ainda não estou bem, ainda que melhoras sejam visíveis, mas o que a experiência exigiu foi desistir. Não de tudo, mas de alguma coisa. Estou de luto comigo mesma por ver uma longa trajetória se esvair, mas acomodo a ideia de que não existe apenas um modo de viver e exercito na pele o que nós historiadores exercitamos com nossos objetos: acessar, compreender e dialogar com os contextos, sempre mutáveis.

    Karina tem um olhar especial, assim como um modo de dizer. Sou fã de sua perspectiva e muitas vezes, suas palavras foram o colo ou o impulso que precisava ouvir e ler. Vê-la escolher compartilhar seu testemunho é evidência desse olhar, capaz de localizar e promover o que Sarah mencionou: não é preciso viver isso sozinho. Há suportes profissionais, mas há tb aqueles não profissionais, que acolhem com um abraço, com uma escuta ou mesmo com uma troca de experiências que nos permite SENTIR que não estamos sozinhos.

    Deise, espero que encontre caminhos para o fôlego e o discernimento para desistir, não de tudo, mas do que lhe permitirá viver melhor um novo contexto.

    Totalmente solidária.

    • minha querida… demorei a responder porque todos esses comentários (aqui e no fb) sobre o depoimento da Deise mexeram muito comigo. Fico sem palavras de ver como podemos nos emocionar tanto com essa troca de textos e afetos, mesmo que virtual. Seu comentário é tão bonito, por mais triste que sejam os fatos que você nos conta. A sua forma de contar é amorosa e refletida, como a vida merece ser. Entendo muito quando vc diz: “Estou de luto comigo mesma por ver uma longa trajetória se esvair” e me consolo com o seu “mas acomodo a ideia de que não existe apenas um modo de viver e exercito na pele o que nós historiadores exercitamos com nossos objetos: acessar, compreender e dialogar com os contextos, sempre mutáveis.” Você devia escrever mais, querida, você escreve tão bem, torna tão simples coisas complexas! Nós mulheres enfrentamos muitas mudanças, de papeis e nos nossos corpos, tão cobrados e sacrificados. Não é fácil. Mas temos que tentar ver tudo isso não como perda (aquilo que se esvai) mas como transformação. A menopausa é outra montanha que temos que escalar. Não é fácil… Que bom que vc existe, querida. não se esqueça disso nunca! ♥♥♥♥♥

  11. Fiquei bastante emocionada ao ler a postagem. Uma amiga do doutorado me mandou o link e eu desabei no choro. Quando li “Teimosa ou Burra” me veio uma vontade absurda de colocar a angústia pra fora. Escrevi de uma vez só, numa madrugada em que eu não dormi, na véspera da consulta com o psiquiatra.

    Sarah, obrigada por suas palavras. Sim, eu faço acompanhamento psicológico também. Tem sido um apoio fundamental pra enfrentar esse momento. Também vou tentar aromaterapia para concentração, stress e de repente até para as dores. Para a depressão, estamos testando novos medicamentos.

    Karina, agradeço pelo acolhimento e pelos conselhos. Eu já havia pensado no trancamento, mas ainda preciso ter certeza de quando posso fazer, de forma que não afete a bolsa de pesquisa porque preciso dela.

    Excluí o facebook no final do mês passado. Foi um conselho valioso daquela publicação que me trouxe até aqui.

    Tenho tentado os abraços e os sorrisos não-virtuais. Mas queria agradecer àqueles que recebi através desse espaço: Sarah, Karina, Cleiton, Eliana, Lauro. E também pra Arê que me mandou o link e com isso me permitiu receber esse carinho.

    Semana passada um professor da pós, diante de meu pedido de dicas para enfrentar a escrita sa tese, comentou sobre um livro que leu sobre a II Guerra. Especificamente, sobre a frase de um general russo à Stalin: “de derrota em derrota, alcançaremos a vitória”. E venceram. Talvez seja isso.

    Obrigada.

    • Que bom ler seu comentário! Aos poucos as saídas vão aparecendo e todo esse apoio que você já tem é fundamental.
      Tem tantas coisas ruins na internet, ter a possibilidade de nos abraçarmos virtualmente e compartilharmos nossas dores é um grande alívio.

      • com certeza, Sarah! espero que todo mundo leia os seus relatos tb. ♥

  12. Oi, Karina! Respondendo seu outro comentário, não me importo, não, que tenha me colocado aqui no texto de hoje. Minha resposta pra Deise foi porque fiquei bem preocupada em ver a mensagem dela e senti a necessidade de demonstar algum apoio, de coração. Como eu disse, nós não precisamos lidar com as dores da vida sozinhas. Espero que ela leia essa sua resposta pra ela e consiga, de alguma maneira, , encontrar saídas. Obrigada pelo apoio ao blog, agora já sei de onde apareceu um número incomum de visitas… rs…

    Deise, se você ler esses comentários, te mando um grande abraço. Espero que você fique bem. Como disse a Karina, mande notícias.

  13. Amo esse blog!!😍

  14. Deise, lendo sobre o que você compartilhou aqui te desejo que você tenha o melhor. Recorra a uma amiga ou amigo, ou algum parente, não tema pedir ajuda. Se puder, tranque por algum momento o doutorado. Eu não tenho dúvidas que você possa terminar o doutorado, não te conheço, mas me parece dedicada e é por sê-la que estás angustiada. Procure algum grupo de pais e mães com filhos com autismo, alguma associação nesse sentido também pode te ajudar de alguma forma. Do meu coração, você vai passar por tudo isso. Boa sorte e sucesso. Sinta-se abraçada.

  15. Karina kuschinir, não desista, hoje existe todo um trabalho desenvolvido com crianças com TEA. O respeito ao grau do espectro autista e mais que isso a sua individualidade e autonomia. Acredito que vc vai conseguir superar essa fase e retornar mais forte do que antes. Diminua suas tarefas, se for preciso, mas não largue tudo. Existe um filme lindo e verídico : A história de Carly Severo, assista quando puder. Torço por você!

  16. Deise, tudo de bom e de melhor para você… meu sincero desejo…

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