Karina Kuschnir

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Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas

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Pessoas queridas, bom dia! Aí vai o calendário de agosto, uma homenagem ao nosso amor pela leitura. Não sou de ligar tanto para aniversário (dia 21), mas dessa vez resolvi desenhar algo que amo para comemorar.

Antes que eu esqueça: o .pdf para imprimir!

Os desenhos foram inspirados no livro Women who read are dangerous, que ganhei de uma amiga super generosa. ♥ A capa já apareceu aqui no blog num post anterior. As imagens internas são pinturas, desenhos e fotografias.

Não há tantas figuras de corpo inteiro, como a Marilyn Monroe lendo de biquíni, que no calendário ganhou um vestidinho (é a segunda, da esquerda pra direita, na parte de baixo). Várias pinturas de mulheres nuas aparecem no meu desenho em versões vestidas. Para a grande maioria, tive que inventar o corpo, as roupas e os bancos, cadeiras e sofás em que elas se apoiam. Também só me inspirei nas imagens em que as mulheres estavam efetivamente lendo, e não apenas com um livro nas mãos (entre essas, uma das mais lindas, é do Van Gogh). Outra adaptação foi fazer mulheres negras, que, assim como as mulheres-artistas, estão quase ausentes da obra.

Aqui vai a listinha completa das imagens que me ajudaram — para vocês poderem comparar com a versão desenhada no calendário:

Pieter Janssens Elinga – Woman Reading (1668-70)
Jean Raoux – The letter (1720)
Jean-Etienne Liotard – Marie Adelaide of France (1753)
Gustav Adolph Hennig – Girl Reading (1828)
Carl Christian Constantin Hansen – The Artist’s Sister (1826)
Sir Edward Burne-Jones – Portrait of Katie Lewis (1882-86)
Jean-Jacques Henner – Woman Reading (c.1880)
James Tissot – Stillness (s/d)
Peder Severin Kroyer – Rose Garden (1893)
Carl Larsson – Karin Reading (1904)
Vilhelm Hammershoi – Interior with a Woman Reading a Letter (1899)
Albert Marquet – Standing Female Nude (1910)
Robert Breyer – Woman Reading (1909)
Félix Vallotton – Woman with Yellow Necklace Reading (1912)
Gabriele Münter – Woman Reading (1927)
Duncan Grant – The Stove [Angelica Bell] (1936)
Vanessa Bell – Amaryllis and Henrietta (1952)
Cagnaccio di San Pietro – Portrait of Signora Vighi (1930)
Aleksandr Aleksandrovich Deineka – Young Woman with Book (1934)
Edward Hopper – Hotel Room (1931)
Theodore Miller – Lee Miller and Tanja Ramm (s/d)
Eve Arnold – Marilyn Reading Ulysses (1952)

Desses originais, minhas preferidas são as de Ducan Grant e Vanessa Bell, casal de artistas, ela irmã de Virginia Woolf. Também amei a obra de A. A. Deineka e o desenho da Gabriele Münter.

Desculpem o excesso de links! É para vocês terem um gostinho do livro… Ainda não li a introdução de Karen Joy Fowler, mas em breve conto aqui.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Li recentemente e adorei: Mamãe & Eu & Mamãe, da Maya Angelou (Rosa dos Tempos, 2018).

♥ O que estou lendo: J-B, Debret, historiador e pintor, de Valéria Lima (Ed.Unicamp, 2007). Achei por acaso na Livraria da Travessa e estou amando. Que maravilha de trabalho! Na próxima vida quero ser historiadora da arte.

♥ Acompanhando: a ótima série no blog da Sarah Toledo sobre livros escritos por mulheres.

♥ Li no celular e adorei: a bem-humorada história do casal Kana e Mateusz Urbanowicz, artistas vivendo no Japão, ela japonesa, ele polonês: 47 mini episódios em quadradinhos, por Kana Urbanowicz.

♥ Onde tenho navegado: Public Domain Review, que manda uma simpática newsletter. Outro dia publicaram essa lindeza de obra botânica.

♥ O que amaria ganhar de aniversário: But I Really Wanted to Be an Anthropologist, da divertida Margaux Motin!

♥ Onde tenho postado — Uma das melhores coisas de julho foi ter feito a mudança de duas estantes de livros do trabalho para casa. Eram obras que há muito tempo eu queria ter mais perto. Com a ajuda do Antônio, fizemos uma enorme reorganização e separamos bastante coisa para doar. Vou postar essas doações lá no Stories do Instagram (onde também venho mostrando as prateleiras reorganizadas — vou mostrar a de mulheres em breve). Meu perfil para quem quiser acompanhar: https://www.instagram.com/karinakuschnir/

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Sobre os desenhos: Primeiro fiz um rápido esboço a lápis de todas as mulheres e livros. Depois passei canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.05 e colori com lápis-de-cor Polychromos, da Faber-Castell. Tentei usar uma paleta com poucas cores. Alguns pequenos detalhes fiz com canetinhas Pigma Micron de cores diversas. No final, sombreei com lápis-de-cor cinza e azul claro. Minhas preferidas são essas duas deitadinhas. A de cima é totalmente inventada e baseada no meu jeito de ler antes de dormir, vestindo uma calça de pijama bem velhinha que amo. A de baixo é inspirada na pose da imagem de Henner (link acima).

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Há algum tempo venho pensando no que eu poderia fazer com esses desenhos dos calendários mensais. Cheguei a pensar em redesenhá-los e imprimi-los na forma de cartões, mas quem ainda usa cartões de papel, além da minha mãezinha? O que vocês acham? Alguém gostaria de prints dessas imagens em resolução melhor? Se tiverem alguma ideia, me escrevam nos comentários ou em e-mails ou DM no Instagram.

Boa volta às aulas a tod@s!!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Gx. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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14 dias para terminar um texto de 12 páginas (ou 5000 palavras)

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Que antropologia, nada! Eu deveria ter o título de “Doutora em Entrega de Textos no Último Minuto”, outorgado pelo PPGPC — Programa de Pós-Graduação em Procrastinação Crônica.

Uma vez me empenhei tanto para terminar um trabalho de curso, que me auto-premiei com um diploma da internet que dizia “Parabéns, você terminou a sua tarefa _1_ dia(s) antes do prazo.”

Alguém por aí precisando entregar um texto até 31 de julho?

Para inspirar, compartilho com vocês um diário sobre como escrevi um capítulo de 5000 palavras (ou 12 páginas) em 14 dias:

Dia zero: Me martirizo com o prazo, me pergunto por que aceitei o compromisso, sonho em ficar doente para desistir… Agora não dá mais…

Dia 1: Abro o Word e crio um arquivo. Digito tudo que não exige pensar muito: título, meu nome, nota biográfica e nota sobre o texto. Faço uma formatação básica inserindo números de página, fonte e espaçamento. Coloco um subtítulo em negrito para as “Referências Bibliográficas” e acrescento todos as obras que precisarei citar. (Para trabalhos finais de pós, seria bom inserir a bibliografia do curso e depois ir cortando o que não utilizar. Na época, eu não era tão organizada assim!) Como estou trabalhando com fontes, criei uma subseção e listei as que já tinha. Quando não sei alguma informação, escrevo algo só para preencher, tipo [Título] ou [XXXXNÃOSEI!@&%*]. Ufa, até que não foi tão difícil. Acho que gastei quatro horas nisso, contando as pausas para beber, comer e descansar.

Dia 2:  Repasso mentalmente a lista da farmácia, do supermercado, da pet shop, da Amazon… Só de pensar que preciso raciocinar, sinto uma dormência no braço esquerdo e um sono… Mas hoje estou um pouquinho determinada. Vamos lá. Começo digitando tudo que me lembro sobre o assunto. (Se fosse um trabalho de curso, tentaria me lembrar: o que mais me marcou nesses 4 meses de aulas? Qual texto, qual questão, qual citação/autor/fonte? Geralmente tem algo que se destaca no nosso mafuá de pensamentos. É nisso que me agarro.) Pego o resumo enviado à editora e as cinco fontes que vão me servir de base. Resolvo fazer uma entrevista. Por sorte, concordam em me atender por telefone. Digito enquanto escuto: 1459 palavras. Transcrevo duas fontes de vídeo (2433 palavras). Vou deixando tudo no arquivo do artigo. Depois, por segurança salvo esse material em separado.

Dia 3: Continuo o trabalho do dia anterior (com alguma embromação). Termino de transcrever as fontes de vídeos. Em três dias, meu arquivo já está com 8 páginas — que beleza! Ainda não tem coerência alguma, mas já não estou na estaca zero.

Dia 4: Preguiça imensa de pensar. Preciso de uma epígrafe para dar embalo. Repasso a bibliografia, percorrendo a esmo os textos em busca de alguma frase sublinhada inspiradora. Perco o dia inteiro nisso, mas pelo menos consigo a citação e o parágrafo de abertura (que provavelmente vou excluir na edição final).

Dia 5: Após me enredar nos problemas alheios, acho forças para abrir meu arquivo. Não é tão ruim encontrar 8 páginas e meia. Releio a entrevista e aproveito o que é possível. No caso desse texto, tenho uma cronologia a seguir. Não preciso encarar aquela parte super difícil de escolher o que dizer em qual ordem, embora alguns temas atravessem a diacronia. Agradeço mentalmente por vivermos num mundo em que um ano se segue ao outro… Escrever não me parece tão ruim hoje.

Seleciono as informações da primeira fonte. Estou acostumada ao texto acadêmico que intercala paráfrases com trechos entre aspas. Tento usar minhas palavras para sintetizar ao máximo, deixando apenas algumas citações simpáticas do original. São elas que dão o tom e vão construindo uma espécie de “conjunto de provas” do meu argumento.

Termino a segunda sessão de trabalho. No meio teve almoço, quase cochilo, futebol da Copa. Verifico o número de páginas do Word: as mesmas oito. Corta, edita, escreve. Trabalhei muito, mas o tamanho não se alterou. É o preço que pago me iludindo com a estratégia de colocar as fontes no arquivo principal.

Dia 6: Sento para trabalhar e sinto os ombros pesados e doloridos. Pego um mate. (Sou viciada em mate sem açúcar, já contei isso aqui? Até tentei parar quando a Matte Leão foi comprada por aquela multinacional-que-não-vamos-dizer-o-nome, mas não consegui.) Faço um extra forte e enfrento a próxima fonte. Releio, corto, colo, escrevo — 85% paráfrases, 15% citações. Citação é bom mas cansa os leitores. Paro cedo nesse dia. Tenho um compromisso chato no meio da tarde e não consigo retomar depois.

Dia 7: Jogo do Brasil na Copa. Filha de 12 anos. Quem pode trabalhar? No PPGPC, aprendi que sempre há um motivo. “Não consegui escrever hoje porque _____________ [preencha o problema].”

Dia 8: Preciso encarar a bibliografia. Quanto é 14 menos 8 mesmo? Só faltam seis dias, mas hoje conta, então são sete! Abro alguns PDFs. Passo os olhos pelo primeiro e consigo aproveitar algumas ideias. Tenho quase dez páginas. Sei que ainda farei cortes, mas ver a meta chegando me anima. Trabalho duas horas de manhã e três horas à tarde. Total da produção: 3 parágrafos e meio. Como sou lenta!

Dia 9: Conforme o prazo aperta, enrolo menos. Mas é nesse final que os problemas aparecem. O Windows decide fazer uma mega-atualização. Perco mil minutos olhando para uma tela azul. Trabalho no mesmo esquema: abrir PDF, reler, selecionar, reescrever, citar. Saldo: mais meia página.

Dia dez: Acordo com dor de cabeça, preciso ir ao banco, os afazeres me sugam até 14:00 horas, justamente quando o corpo entra em seu estado-tarja-preta-natural. Sono monstro. Pego um chocolate 70% para acompanhar o mate. Abro mais um PDF. Não sei como avançar. Acabo relendo o que escrevi até agora, edito, corto, acrescento, enjoo.

Dia 11: Preciso de um fecho e de conteúdos aqui e ali. Vasculho os últimos PDFs e retomo as edições e acréscimos. Lembro de uma fonte que tinha esquecido. Percebo falhas na bibliografia. Perco tempo pulando de link em link em busca de assuntos ligados ao artigo. Paro para ver as notícias sobre os meninos presos na caverna da Tailândia.

Dia 12: Não consigo trabalhar. Minha casa foi alagada por um vazamento no apartamento de cima. Ficamos sem luz e sem gás. A vida adora se apresentar no caminho de um artigo!

Dia 13: Hoje é sábado: o interfone toca de hora em hora, os operários entram, o Whatsapp não para. Preciso de uma frase para fechar o artigo. Vasculho os mesmos PDFs várias vezes, até que tenho uma ideia. Não sei quantos pensadores já disseram: a inspiração precisa te encontrar trabalhando. Por sorte eu estava ali.

Dia 14: Volto à releitura e à edição. Mudo coisas de lugar, buscando mais coerência e evitando me repetir. Passo o corretor do Word. Não posso cortar demais para não deixar de ter as quase 5000 palavras em doze páginas. Tudo ok. Não está perfeito, mas o prazo é hoje. A editora cobra. Tá indo, foi. Ufa.

Obrigada pela companhia!

Auto-ajuda-alert: Pessoal, é claro que ninguém “cria” um bom trabalho em 14 dias! Esse texto foi só uma brincadeira sobre a reta final da escrita. Pesquisas e ideias levam meses ou anos para se desenvolver.

Sobre esse diário: Fiz uma primeira versão com 2500 palavras em apenas duas horas (pois é, nada como contar uma história!). Depois levei três dias enxugando para virar um post com apenas 1160 palavras.

Abaixo, segue uma listinha de posts anteriores sobre escrita, trabalhos e vida acadêmica em geral. Espero que sejam úteis e que eu não esteja me repetindo muito. 😉

Bom trabalho, pessoal!! Força.

Doze dicas para ajudar a terminar TCC, dissertação e tese de doutorado – Parte 1
Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)
Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? – Parte 1
Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? – Parte 2
Lições de escrita com Agatha Christie – Parte 1
Lições de escrita com Agatha Christie – Parte 2
Pensando em desistir
Escrita Diária – Dez dicas para curtir e manter o hábito de escrever
Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg
Sete coisas invisíveis na vida de uma professora
25 dicas para revisar textos acadêmicos
Tese sem CEP. Será que dá tempo? (Parte 1)
Tese sem CEP. Será que dá tempo? (Parte 2/2 – Cronograma)
A tese é viva, viva a tese
Como não escrever uma carta para a seleção de mestrado
Dez truques da escrita num livro só
Defesa de doutorado: dez dicas para sobreviver (e aproveitar)
Aprendendo a desescrever
Carta a um jovem doutorando
Dez lições da vida acadêmica
e outras com a tag mundo acadêmico…

Sobre o desenho: Peguei um caderno moleskine tipo “japonês” (com papel interligado como um acordeão) e coloquei de modelo. Tracei primeiro os contornos com canetinha Pigma Micron 0.2, no verso do papel Canson, bloco XL Aquarelle (capa azul turquesa). Depois fui trabalhando cada uma das páginas como se correspondessem ao “diário” que faço no texto do post. Fiz o máximo que pude com canetinhas Pigma Micron coloridas finas, pois são à prova d’água, capaz de resistir à aquarela que viria depois. Algumas cores foram feitas com lápis-de-cor (um kit pequeno da Caran D’Ache que utilizo para desenhar fora de casa), como os detalhes em amarelo, laranja e verde.

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Na segunda etapa, passei uma camada bem fina e aguada de aquarela (Raw Sienna misturada com Amarelo de Nápoles). Deixei secar bem e fiz as sombras com aquarela (French ultramarine com um fiapo de Winsor Violet). Infelizmente, ao escanear, os azulados das páginas do livrinho perderam a forma… Apenas as sombras da base sobreviveram… Esse tem sido meu problema constante na hora de criar as versões digitais. Os azuis pálidos simplesmente somem! Mas posso dizer que há tempos não fico tão feliz com um desenho inventado. Adoro quando consigo misturar imagem e texto! E vocês, o que acharam?

PS: As setas e letras da versão acima foram feitas no Procreate/Ipad.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “14 dias para terminar um texto de 12 páginas (ou 5000 palavras)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Gf. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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39 exercícios de antropologia e desenho num livro só – Drawn to see de Andrew Causey

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Taí um livro perfeito para quem ama antropologia e desenho — ou só antropologia ou só desenho! Há tempos quero compartilhar com vocês a leitura dessa obra adorável, mas estava aguardando a publicação oficial de uma resenha que escrevi para a Mana. Agora saiu — cliquem aqui para acessar ou leiam abaixo!

Vale a pena também acessar o sumário completo da revista, com vários artigos e resenhas interessantes. Agradeço à editora deste número, Renata Menezes, pelo acolhimento da proposta, assim como à revisora que contribuiu para melhorar o texto.

Queria registrar também um agradecimento especial a Andrew Causey por esse livro tão bonito e generoso! Sinto-me honradíssima de ver meu trabalho citado em seus comentários (e na bibliografia) como uma das raras iniciativas de ensinar antropólogos a desenhar. Além de motivar meus alunos em sala de aula,  meu objetivo acadêmico é espalhar ideias e incentivar outras pessoas, onde quer que elas estejam, a tentar algo novo e criativo para produzir e compartilhar conhecimento.

Assim que terminei a leitura, fiquei sonhando com uma editora brasileira que pudesse traduzir e publicar essa pequena joia da antropologia contemporânea. Se conhecerem alguém, compartilhem a resenha e destaquem esse parágrafo:

O livro tem impacto muito maior do que seu objetivo declarado de “ensinar o desenho linear, como uma das opções para coletar, registrar, documentar e apresentar a informação etnográfica”. Tínhamos até o momento bons livros de ensino de desenho, de um lado; e bons livros de antropologia, do outro. (…) Mas esta é a primeira obra de fôlego a enfrentar de forma densa — tanto teórica quanto empírica — a maneira de unir o melhor dos dois mundos.

Para quem está acostumado a me ler apenas no blog, não estranhem o tom um pouquinho mais formal. De vez em quando também preciso alimentar meu Lattes… 😉 Obrigada desde já pela leitura!

Kuschnir, Karina. (2018). Resenha de CAUSEY, Andrew. 2017. Drawn to See. Drawing as an Ethnographic Method. Mana, 24(1), 271-275. https://dx.doi.org/10.1590/1678-49442018v24n1p271

Numa época de desconstruções e desalentos, Andrew Causey nos oferece uma dádiva. Drawn to See: Drawing as an Ethnographic Method é precioso para quem quer continuar acreditando que a antropologia é possível sem abdicar de uma postura crítica, reflexiva e renovadora. A obra enfrenta com seriedade os problemas teóricos do projeto etnográfico, e propõe soluções metodológicas amparadas em situações vividas no trabalho de campo do autor ou dos autores citados na excelente bibliografia. Textos e ilustrações formam um conjunto de leitura extremamente agradável. Trata-se de um caso raro de obra que consegue refletir, experimentar, demonstrar, propor sem deixar de apontar lacunas e nos fazer sorrir pelo caminho.

Drawn to See é teórico-metodológico, mas também é memorialista e pessoal — um diário escrito e gráfico do autor sobre sua trajetória como etnógrafo. Seu valor está nessas múltiplas camadas narrativas, nas quais vida, pesquisa e obra surgem imbricadas numa saudável antropologia. A etnografia é entendida não apenas como produção de conhecimento, mas de relações, afetos, sensações, visualidades, compartilhamentos, respeito e comunicação. O aprendizado do desenho é central, mas ao mesmo tempo secundário ao objetivo de nos ajudar a ver o mundo (visível e invisível) de modo mais aprofundado, focado e ativo, numa busca por conciliar observação e participação — dois pilares da metodologia antropológica.

O livro divide-se em sete capítulos, pelos quais se espalham 72 ilustrações. Além do debate sobre antropologia, imagem e pesquisa, a obra tem como eixo central ensinar antropólogos a desenhar. Causey inclui 39 exercícios, que chama de “Etudes” (Estudos), palavra que remete às partituras feitas para se aperfeiçoarem as técnicas e as habilidades dos músicos. Seu objetivo não é formar artistas, mas sim estimular o uso do desenho linear como modo de contribuir para a pesquisa de campo. Os materiais sugeridos são simples. Lápis, papel comum, canetinha de ponta porosa e guardanapos são as únicas coisas necessárias para realizar as propostas. Adiantando-se às possíveis resistências de seus leitores acadêmicos, o autor propõe uma lista das predisposições necessárias para começar: relaxar, focar (sentir), concentrar, desacelerar, aceitar (sem avaliações, sem notas, sem comparações), se interessar (ter curiosidade), desenhar o que se vê, desprender-se do ego, praticar.

Como se percebe ao longo da leitura, tais conselhos são fruto das experiências do autor ao longo de sua trajetória como artista e antropólogo. Hoje professor de Antropologia Cultural do Columbia College de Chicago, Causey fez mestrado e doutorado na Universidade do Texas, Austin, local cuja tradição ajuda a compreender sua crença no projeto etnográfico, felizmente, sem deixar de enfrentar seus paradoxos e dificuldades. Sua pesquisa de campo se deu entre os Toba Batak, em Samosir, ilha vulcânica localizada no interior do Lago Toba, ao norte de Sumatra, Indonésia. Um lugar incrível (experimentem digitar Samosir Island nas imagens do Google) que atrai turistas do mundo inteiro, situação que acabou sendo o foco da pesquisa de Causey, em 1994-1995, com um retorno em 2012. O etnógrafo tornou-se aprendiz de Partoho, artista local, escultor em madeira, que, junto com sua esposa Ito, foi seu principal interlocutor no campo.

A leitura permite acompanharmos a ressignificação do uso do desenho na antropologia desde os anos 1990, quando a pesquisa inicial foi feita, e os anos 2015-2017, quando o livro é encomendado, escrito e publicado. Na época em que terminou o doutorado, Causey chegou a expor no campus da universidade seus desenhos e pinturas feitos durante a etnografia. As imagens que retratavam pessoas, no entanto, tiveram de ser retiradas do local, sob o argumento de que não eram sérias o suficiente e poderiam mostrar-se ofensivas à população estudada. Naquela altura, pouco se discutia a possibilidade de se utilizarem os registros gráficos (croquis, esboços, desenhos, aquarelas, pinturas) como parte do conceito de antropologia visual, então voltada para o uso da fotografia e do filme.

Um dos grandes méritos de Drawn to See é contribuir para a ampliação e a consolidação da ideia, cada vez mais fortalecida na literatura recente, de que a imagem desenhada pode — e deve — voltar a assumir mais protagonismo no empreendimento etnográfico. O livro tem impacto muito maior do que seu objetivo declarado de “ensinar o desenho linear, como uma das opções para coletar, registrar, documentar e apresentar a informação etnográfica” (:3, tradução minha). Tínhamos até o momento bons livros de ensino de desenho, de um lado; e bons livros de antropologia, do outro. Existem bons artigos sendo publicados sobre a relação entre as áreas, sem dúvida. Mas esta é a primeira obra de fôlego a enfrentar de forma densa — tanto teórica quanto empírica — a maneira de unir o melhor dos dois mundos.

Na esfera do desenho, os 39 Estudos propostos são claros e acessíveis. O objetivo do autor é que sejam experimentados por todos. Nesse sentido, parece-me acertada a escolha do desenho linear como eixo dos exercícios, uma vez que é a linguagem de produção gráfica mais próxima do universo de pessoas alfabetizadas. Uma das propostas inovadoras e interessantes de Causey é a utilização de formas essenciais baseadas em números e letras. A ideia de recorrer a elementos primários (pontos, retas e curvas) para elaborar figuras complexas não é nova, mas o apoio em formas numéricas e alfabéticas é uma bem-vinda criação do autor. Junto com as chaves de percepção dos Estudos 1 e 2, as propostas 3 e 4 formam um conjunto simples mas bastante eficaz para se desenvolver a habilidade de enxergar pelo desenho.

Nos 35 Estudos seguintes, Causey alterna sugestões mais relaxadas com outras mais elaboradas, numa coleção estimulante e divertida, mas também reflexiva e cuidadosa. Os exercícios têm um bom destaque gráfico no livro, pois estão impressos em fundo cinza, com ilustrações acompanhando a explicação textual. A série e todas as 72 imagens da obra estão numeradas de forma clara e contêm a duração aproximada de sua realização. O tempo estimado da grande maioria dos Etudes (33 em 39) é inferior a 10 minutos; apenas dois levariam de 10 a 15 minutos; e quatro não têm um intervalo definido. A curta duração é atraente para os novatos e estratégica para provar, mesmo aos mais céticos, que não é preciso 10 mil horas de prática para produzir desenhos etnograficamente relevantes. A ideia é pavimentar um caminho para ver, enxergar, perceber, como enfatiza o título do livro.

Pelo lado da antropologia, Drawn to see aborda questões complexas com a mesma clareza com que apresenta os exercícios visuais. Como destaquei acima, Causey enfrenta a problemática da dupla tarefa de “observar” e “participar”, assim como inúmeras questões associadas ao projeto etnográfico. Da necessidade de atenção, registro e memorização, passando pelo diálogo e pelas subjetividades de pesquisadores e interlocutores, o autor aborda problemas na produção de conhecimento antropológico, nas ideias de representação, temporalidade, movimento, memória, corporalidade, entre outras. E tudo isso alinhavado por um profundo comprometimento com a ética na etnografia, como mostram os vários exemplos que nos convidam a aprender com as dúvidas, as falhas e as dificuldades do próprio Causey em campo. Chama a atenção o tom equilibrado e sensato da linguagem do autor, demonstrando respeito, empatia e interesse pelo universo investigado, sem sinal da soberba, do paternalismo e da assertividade messiânica que infelizmente tanto frequentam a literatura antropológica.

Causey_pFigura 1: Desenho de Andrew Causey feito a partir de suas lembranças de campo. Na legenda original se lê: “Ito, debilitada pela artrite, senta em sua mesa de cozinha, de sua casa reconstruída, falando no celular sem parar com um de seus oito filhos. Ela me entrega o telefone sem me dizer com quem estou falando, dizendo: ‘Omong! Omonglah sama dia!’” (Imagem cedida pelo autor para esta resenha).

Esse mesmo senso ético pode ser observado na forma como o autor lida com sua rede de apoio intelectual e com a bibliografia consultada. Cada imagem, quando não de sua autoria, é publicada com aviso de permissão e referência ao/à autor/a ou fonte. As citações aos autores, aos artigos e às obras consultadas são claras e precisas, sempre com indicação das páginas correspondentes. O destaque de cada uma, no texto ou em notas, é compatível com sua relevância para o argumento em pauta. Muitos Estudos indicam as fontes que os inspiraram, sejam obras ou comunicações orais. A pesquisa bibliográfica é em si mesma um empreendimento notável do livro, pois traz um levantamento exaustivo, especialmente em língua inglesa. É consulta indispensável para todos os que se interessam pelo tema.

Entre as muitas qualidades de Drawn to See estão as histórias do trabalho de campo do autor. Atuando como aprendiz de Partoho, Causey percebe o quanto seus olhos não veem da mesma maneira. Ao copiar um desenho do mestre, é corrigido por registrar “errado”, num senso estético alheio aos Toba Batak. Divertimo-nos em vários momentos do livro com as críticas dos interlocutores às imagens do etnógrafo, ora por não perceber detalhes culturalmente relevantes, ora por representar de forma irônica, errada, distorcida ou fragmentada aquilo que lhes parecia correto, decente ou óbvio. Numa das ocasiões, algumas mulheres tomam o caderno do pesquisador e exigem que o retrato de uma delas seja refeito até ficar satisfatório.

A reação de Causey é animadora: desenhar é aceitar riscos; é gerar experiências memoráveis e revolucionárias; é pressupor que o pesquisador “não sabe o que não sabe”. As imagens são notas, documentos de campo que se dão a ver. Não é preciso se desculpar, mas sim aprender com os diálogos, as reações e as interpretações. Todo desenho etnográfico vale a pena, desde que seja uma criação ética, moral e intelectualmente responsável. Sob este aspecto, é tocante o caso de uma entrevista feita pelo etnógrafo com um veterano de guerra, viúvo, cuja fama social era a de arrogante e orgulhoso. Desse encontro, que reverte suas expectativas, o autor não faz registros gráficos ou textuais. Olha nos olhos, exercita sua visão periférica na penumbra, aceita a memorização e o silêncio como parte da experiência. Nem tudo, afinal, pode (ou deve) ser registrado.

Nos capítulos finais, Causey se pergunta como ultrapassar as superfícies, como trazer à tona as estruturas e as motivações que animam pessoas, coisas e animais. Suas respostas em textos e imagens são de uma rara beleza: revelam-se mais como perguntas do que soluções; são imperfeitas e tentativas; são portas que se abrem para dar sentido ao mundo — possibilidades dentro do impossível projeto etnográfico.

Sobre o livro: CAUSEY, Andrew. 2017. Drawn to See. Drawing as an Ethnographic Method. University of Toronto Press. Na época, o Andrew Causey me escreveu gentilmente avisando da publicação e dizendo que a editora iria me enviar um exemplar. Mas o volume provavelmente se extraviou no correio, pois nunca chegou, chuinf… Então corri para comprar na Amazon mesmo. Link aqui: http://a.co/8o3cwuf

Sobre o desenho: Fiz hoje essa capinha para ilustrar o post. Achei um bloco de papel de aquarela A5, da Cotman. Era um pouco texturado demais, daí minha dificuldade nas sombras… Desenhei um rápido rascunho a lápis, depois contornei com canetinha Pigma Micron de nanquim permanente 0.2 e fiz alguns detalhes com a 0.05. Pintei as cores da capa com várias aquarelas, depois fiz as partes cinza escuro com guache, assim como as letrinhas vermelhas e brancas. Para os rascunhos de Causey na capa, usei uma canetinha de naquim permanente Unipin bem velhinha, para dar esse ar de lápis grafite do original.

Você acabou de ler “39 exercícios de antropologia e desenho num livro só – Drawn to see de Andrew Causey“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “39 exercícios de antropologia e desenho num livro só – Drawn to see de Andrew Causey”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3G6. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella

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“…não persigas o êxito. O êxito acabou com Cervantes, tão bom novelista até ao Quixote. Ainda que o êxito seja sempre inevitável, procura um bom fracasso de vez em quando para que os teus amigos se entristeçam. (…) Décimo: tenta dizer as coisas de modo que o leitor sinta sempre que no fundo é tanto ou mais inteligente do que tu. De vez em quando tenta que efetivamente o seja; mas para conseguir isso terás de ser mais inteligente do que ele.” (Augusto Monterroso, da biblioteca de Juva Batella)

A vantagem de ter um namorado poeta é voar. Não é preciso ler Murakami nem Arthur Clarke. Um dia, ele vai te beijar e te convidar para ser o sol. E tudo que você achava impossível, acontecerá.

Quando alguém bem enraizado, planejado, controlado e sabedor de todas as coisas do universo te disser que gente não voa, teu coração vai parar de bater um pouco. Mas, lá no fundo, uma voz de dentro vai sussurrar: não acredita. Lembra do vôo do sonho de ontem!

Quando você não conseguir dormir, leve um poeta contigo, deixe a vida lá fora e aguarde os seus efeitos mágicos. Só estar ali. Adormecer, flutuar ou voar. Tudo pode, tudo é bom, tudo é possível.

Sim, este ser existe! Ele veio ao mundo chamado Juvenal, nome antigo, igual ao do pai, mas um dia encheu e passou a se chamar Juva. Ele sabe, é um apelido esquisito, difícil na hora de se apresentar, mas impossível de esquecer quando se conhece a pessoa-em-si.

Depois de doze livros, duas filhas, dois empregos, muita disciplina e café, o Juva voltou a escrever na internet, agora semanalmente, reanimando seu blog. Já tem centenas de textos maravilhosos lá dentro, mas é um recomeço e tá diferente. Vai ter ficção, não-ficção, referências, livros, técnicas de escrita, cursos, maluquices e… desenhos!

Desconectados

ilustração de K. Kuschnir para o post “Os desconectados”, de J. Batella

Logo eu, que sou medrosa feito a peste, mas um pouquinho corajosa também, resolvi me enturmar. Primeiro, fiz apenas o novo topo do blog, que é a imagem que abre esse post, aquele amontoado gostoso de livros, lápis e materiais de quem ama escrever.

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ilustração de K. Kuschnir para o post “Inferno astral”, de J. Batella

Depois pedi para continuar… Cada um desses desenhos menores é uma ilustração para os posts novos. Como fazer desenhos para outra pessoa me traz uma enorme ansiedade, decidi que me concentraria nas ideias visuais e utilizaria uma técnica bem fácil (explicada no final).

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ilustração de K. Kuschnir para o post “O instante de Sisifo no tempo de Cecília Meireles”, de J. Batella

O Juva é super disciplinado, escreve tudo com capricho e antecedência, coisa que eu nunca consigo, vocês sabem. Ele é do tipo que termina os posts no domingo para publicar na quarta! Daí chega a minha vez de desenhar. O mais difícil foi este (acima), que chamamos de “Sísifo calmo”. A primeira versão estava óbvia, com o homem empurrando a pedra morro acima. Por sugestão do Juva, mudei a figura para um Sísifo descendo calmamente a montanha, na bonita inversão que o texto sugere. Há dois detalhes que ficaram imperceptíveis na escala da imagem no computador: a “pedra” é feita de um emaranhado de letras, que são também as “pedrinhas” vermelhas que vão sobrando na parte baixa da montanha, como cascalhos que se soltam ao longo desse perpétuo trabalho.

Nessa empreitada mais ou menos conjunta (minha parte é uns 16%?) estamos nos desafiando a voar juntos. Já temos quase oito anos de milhas aéreas, que se somam aos vinte da amizade terrestre, de antes. Os pessimistas dizem que um amor assim não existe, mas eu digo: existe sim.

Vendo esse projeto, lembro-me dos versos do próprio Juva na história do nosso gato Ulisses:

“queria a proposta de uma vida só sua, e procurou a resposta miando para a lua. A lua, miando para o gato, iluminou as águas do mar, e Ulisses pensou de imediato que era hora de voltar a navegar.”

Além dos posts novos, o blog tem centenas (ou milhares, não sei!) de outros textos, contos, crônicas sobre a paternidade (das minhas preferidas), palestras, resenhas, artigos, livros, entrevistascitações, além de duas seções específicas, com fontes literárias sobre os autores brasileiros Campos de Carvalho e João Ubaldo Ribeiro. O blog já teve mais de 50 mil visualizações, e agora será também um ponto de encontro para quem fizer um dos cursos livres de escrita, revisão e literatura que o Juva está oferecendo. Em breve, ele dará notícias das inscrições para a turma que abrirá no segundo semestre (no Rio de Janeiro), mas quem tiver interesse nas aulas pode entrar em contato por e-mail (juvabatella@gmail.com) e/ou adicionar seu e-mail no blog www.juvabatella.com/ para receber novos posts de lá.

Sobre as citações: A primeira, de Augusto Monterroso, está na seção Bibliotequinha do blog, com citações de vários autores. As frases estão nas páginas 115 e 116 do texto “Decálogo do escritor”, de Augusto Monterroso, publicado no livro O resto é silêncio (Lisboa, Oficina do Livro, 2007).

A citação final está na página 66 do livro Do gato Ulisses as sete histórias, de Juva Batella (ilustrações Karina Kuschnir, editora Vieira & Lent, 2015.)

Sobre os desenhos: Tecnicamente, são desenhos simples de fazer. Começo organizando uma imagem a partir de uma ou mais fotografias no Photoshop (no primeiro desenho, foi uma foto panorâmica que tiramos aqui em casa). A seguir, exporto essa imagem .jpg para o Ipad e abro no Procreate. Coloco a transparência da camada em cerca de 70%. Crio então uma nova camada (layer) e passo a desenhar tendo a foto como referência de fundo, mas acabo inventando ou recriando algumas coisas nessa hora.

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Não tenho “pencil” nem Ipad pro, infelizmente. Utilizo meu Ipad velhinho (acho que é um 2) e uma canetinha com ponta de borracha gorducha, dessas chinesas que custam 10 reais na lojinha de capas de celular. Para ter uma certa identidade, estabeleci o padrão de fazer as linhas principais sempre com pincel “marcador redondo” preto, com espessuras que variam de 12 a 4 aproximadamente. Para o cinza, crio uma nova camada e desenho com marcador “caneta pincel” (com uns 30% de transparência). Propus que todos os desenhos fossem nessas cores, com uma pitada de outra cor aqui e ali. É algo levemente inspirado nos cartoons que adoro da revista New Yorker. A grande vantagem desse tipo de ilustração é a rapidez! Dá para desenhar sem pensar muito, testando algumas ideias e variações, além de não ter pós-produção (escanear, limpar, editar etc.).

Você acabou de ler “Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3FR. Acesso em [dd/mm/aaaa].