Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Fevereiro/2019 – Enfrentando medos

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Pessoas queridas, aí vai o calendário de fevereiro, com o PDF para imprimir (em maior resolução).

Sei que estou publicando pouco aqui no blog, mas não foi dificuldade de escrever, desenhar ou de ter assunto… Foi medo.

Para muitas pessoas, sentir medo se traduz em raiva e autoritarismo — aposto que vocês conhecem gente assim… Pra mim não. Tenho pesadelos e vontade de ficar quietinha, remoendo as maldades do mundo. E são tantas!

Quero superar essa fase. Foi pra isso que criei esse blog. Foi pra criar coragem! É pra seguir em frente que venho desenhando e escrevendo há quatro anos, um clique de cada vez. Vambora?

Não se preocupem.

Quando escrevo sobre um sentimento, ele mais ou menos já está passando. A verdade é que, em janeiro, superei muitos medos! Vendi meu carrinho antigo sozinha, encarei uma descupinização dos armários da casa, fiquei firme numa fotocoagulação a laser na retina, fiz todos os exames anuais meus e das crianças, acompanhei as primeiras aulas de surf da Alice, aprendi a comprar ingresso pra São Januário, enfrentamos juntos os 50 graus na renovação (e no resgate) das novas carteiras de identidade, fiz minhas primeiras aulas de Photoshop profissional, terminei a revisão técnica da tradução de um livro, marquei uma biópsia, aprendi umas 269 siglas do sistema administrativo da UFRJ,  apertei forte a mão do meu filho no dia do resultado do Sisu e consegui deixar minha filha andar pela primeira vez de ônibus e metrô sozinha nessa cidade que mata Marielles, Douglas e Maria Eduardas…

Alguns foram medos grandes, outros bem pequenos, mas fomos nos encarando. De vez em quando, me pego pensando que são aflições tão idiotas perto das que passam as pessoas. Mas hoje não vou reforçar essa ladainha.

Queria dizer pra vocês (e pra mim): nossos medos são legítimos. Podem parecer bobos, porém não surgiram do nada. Tem uma parte imensa da sociedade que nos quer com medo, para que a gente tenha vontade de ficar em silêncio, num canto.

Tem dias de se esconder, sim, e tem dias de encarar. Que a gente possa se apoiar para que, cada um, na sua medida, no seu tamanho, no seu tempo, enfrente seus medos e tome as decisões que achar melhor. Que o respeito e a humildade prevaleçam.

Muita força para todos que estão nesse momento dando seus passinhos de formiga ou grandes pulos de canguru para enfrentar o que temem.

E meu abraço muito muito apertado para dois amigos queridos nesse mês que começa. Um deles acaba de perder a mãe para um câncer, e ainda lembra de ser doce e cuidadoso com todos; o outro acabou de contar aos pais (religiosos) que é gay — um imenso passo de aprender a se amar, amar e ser amado.

Obrigada a vocês dois por, mesmo sem saber, me ajudar tanto a lidar com os meus próprios medos.

eucalipto

Sobre o desenho: O calendário de fevereiro/2019 foi feito a partir de algumas aquarelas que, depois de escaneadas, viraram um “padrão” (pattern, no Photoshop). Os desenhos e o rapport (nome do conjunto básico de uma estampa) foram produzidos num Workshop que fiz em janeiro no Atelier Chiaroscuro (Chiara Bozzetti), em parceria com a Estampaholic (Patrícia Capella). Seriam páginas e páginas para explicar como faz — fica para um outro post. Estou aprendendo bastante (com aulas extras da Patrícia) e espero ir compartilhando com vocês em breve! Minha pintura preferida foi essa do galhinho de eucalipto, feita a partir da observação, no verso de um papel Canson Aquarelle, com rascunho a lápis, depois colorido com as tintas da minha paleta.