Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Ansiedade extrema

8 Comentários

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Nas últimas duas semanas, quantas vezes você se sentiu…
• …nervosa, ansiosa ou no limite?
• …sem conseguir parar ou controlar suas preocupações?
• …preocupando-se muito com diferentes coisas?
• …com dificuldade de relaxar?
• …agitada, sem conseguir ficar parada?
• …facilmente aborrecida ou irritável?
• …com medo de que algo terrível aconteça?

Se você respondeu “quase todo dia” para a maioria dessas perguntas, bem-vinda ao clube dos ansiosos. Assim me diagnosticou um aplicativo chamado “FearTools”, indicado pela ilustradora chilena Fran Meneses.

Respondi honestamente e tirei 17 (em 20): “sintomas severos” de ansiedade.  Sério?

Achei tão óbvias as minhas respostas! A culpa é do Brasil e dos problemas mundiais, ora. Será que alguém não tiraria nota máxima nesse teste?

Sim, gente, tem esse tipo sim. Meu namorado, por exemplo, tirou 3: “sintomas mínimos ou inexistentes” de ansiedade.

Pois é. E a vida dele está longe de ter menos problemas do que a minha. Para ser bem sincera: é o contrário! A diferença é que ele dorme bem, nada todo dia e se concentra em uma tarefa de cada vez. Já eu… estou sempre dormindo menos do que deveria (e tendo pesadelos), não conseguindo manter uma rotina de exercícios por mais de 3 ou 4 meses, além de pensar em mil coisas ao mesmo tempo.

Por isso, meu recado para mim mesma hoje é esse: a culpa não é (só) dessa conjuntura abominável. Tenho certeza de que, se fizéssemos o mesmo teste em 2011, eu ia continuar tirando 17 e ele 3. Talvez eu tirasse 13, vá lá. Mas 3 não…

Chega a ser engraçado. Ele não entendeu o significado da pergunta “preocupar-se constantemente” (no app está “constant worrying”). Me respondeu: “Não sei, depende… preocupar-se com o quê?” Tive que rir. “Meu anjo, quem se preocupa, se preocupa com tudo o tempo todo. Quando resolvemos um grande problema, sentimos um vazio que nos faz pensar ‘hummm, com o quê vamos nos preocupar agora?’.”

Apesar de tudo isso, vai entender, me considero uma pessoa calma e organizada. Foi um longo aprendizado. Durante alguns tipos de tarefas, minha mente se aquieta: escrever, desenhar, ler, dar aulas, estar focada nas pessoas que amo — e correr (quando eu conseguia; porque correndo não dá tempo de pensar). No mais, sigo sempre com as preocupações (que vão da lista da farmácia à fome no país).

E vocês? Como se sairiam nesse teste? (Alunos de graduação e pós-graduação têm bônus de -10 pontos.)

♥ Há tempos não recomendo links, mas hoje queria indicar o canal Afros e Afins, da Nátalie Neri. Que lindeza de pessoa, de conteúdos, de conversas sobre temas delicados ou cotidianos. Que menina incrível, ainda por cima aluna de Ciências Sociais da Unifesp (curso para o qual ela está voltando nesse semestre). Tão jovem e tão especial, Nátalie também foi a idealizadora e uma das diretoras do documentário Negritudes Brasileiras, patrocinado pelo YouTube, no projeto Creators for Change.

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Sobre o desenho: Resolvi trazer a tela do app para vocês verem como é. Baixei só para fazer o teste, pois não acredito (nem recomendo!) terapias por celular. Fiz o contorno do meu aparelho (um Moto G6) com lápis, depois tracei o corpo e os detalhes com canetinhas Pigma Micron de várias espessuras (de 0.5 a 0.05). Colori com lápis de cor variados, escaneei e depois tratei no Photoshop. É a minha primeira ilustração (no blog) com auxílio de uma caneta + mesa digitalizadora Wacom que comprei recentemente (a mais simples: Intuos pequena, sem ser touch, mod. CTL4100). O objetivo era reescrever os detalhes do aplicativo na cor branca, por cima do que eu havia escrito em preto. É sempre muito difícil trabalhar detalhes claros por cima de fundos coloridos (seja em lápis de cor, seja em aquarela ou guache). Nunca sai tão nítido quanto na versão digital. Mantive um traço solto, não muito forte, para não ficar com cara de imagem digital. Aumentando bem o zoom, torna-se uma tarefa calmante, ótima para desligar das preocupações — exceto pelo fato de que o meu computador resolveu travar várias vezes devido ao peso do Photoshop atualizado que tive que instalar… e agora, já ganhei uma questãozinha nova: será que preciso trocar de computador? 😉

Você acabou de ler “Ansiedade extrema“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Ansiedade extrema”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3JP. Acesso em [dd/mm/aaaa].

8 pensamentos sobre “Ansiedade extrema

  1. Adicionada a tudo isso a sensação de que você está em constante julgamento. Que as pessoas te olham e te avaliam o tempo todo, que tudo o que você disse foi entendido pelo outro de outra forma (sempre a pior forma) e que ninguém é confiável porque não vão te entender da forma que você quer realmente se fazer entendido… É, eu sei bem o que é ansiedade.

  2. Querida Karina, seus desenhos e publicações sempre me acalmam, rs. Não quero colocar mais uma responsabilidade sobre você, mas é verdade. Aliás, acho que esse mundo de blogs me acalma um pouco. Não tem a urgência de falar ou responder sobre tudo o que acontece enquanto está acontecendo. A gente consegue se afastar um pouco, parar para pensar e escrever e acho que isso é mais uma maneira de diminuir toda essa ansiedade.
    Ultimamente me sinto um pouco mais tranquila, porque tenho feito exercícios mentais diários de me manter no aqui e agora. Não é fácil, não. Mas acho que a gente consegue diminuir um pouco esse peso na nossa mente mudando alguns hábitos.

    Também gosto muito da Natalie Nery!

    Um abraço!

  3. Olá, Karina! Lendo seu texto e os comentários, não me parece nem um pouco coincidência que as mulheres estejam muito mais ansiosas do que os homens. Tem um quadrinho massa que explica sobre a questão da carga mental feminina:

    https://www.hypeness.com.br/2017/05/quadrinho-explica-porque-as-mulheres-se-sentem-tao-cansadas/

    Acho impossível dissociar essa questão do debate de gênero. Adoro seu blog e ele é inspirador! Força para todas nós nesses dias tão loucos que estamos vivendo. Beijos!

  4. Eu tiraria 18~19 Karina querida. Não durmo mais de 5 horas e não consigo relaxar…. estamos juntas nesta vida insana (sobretudo, nestes últimos meses). O mais triste é ver minha filha com 18 anos, com tanta coisa ainda para viver, seguir um ritmo tão similar. Para não surtar, tento acreditar em dias melhores, menos desigual e mais diverso…mesmo num cenário tão desalentador!

  5. Esses homens sem estresse são uns alienados! Que inveja!!!!!

  6. Professora Karina,
    Estou nessa mesma vibe. E meu namorado é igual ao seu namorado.
    Meu problema até a semana de carnaval era a ausência de bolsa de doutorado, processos seletivos que eu não passava e preocupação com futuros concursos para professor.
    Aí recebi o resultado do meu pedido de bolsa na FAPESP. Super concorrido e difícil. Consegui. Agora eu me vejo nessa situação que você descreveu: Quando resolvemos um grande problema, sentimos um vazio que nos faz pensar ‘hummm, com o quê vamos nos preocupar agora?’. Já estou preocupada com a produção acadêmica, com a mudança de cidade, em mudar de prioridades, de não dá conta do doc, estágio fora do país, meu inglês mixuruca… Tanta coisa.
    Gostaria de agradecer seus textos. Eles me ajudaram em um momento muito difícil do mestrado.
    Muito obrigada!
    bjs

  7. Ai‼️ Eu tb sou assim! E meu marido é igual ao seu namorado. Ele sempre me pergunta, tá se preocupando
    Por que? E eu estou sempre preocupada com filhos, netos, as compras, o trabalho. É um pensar sem fim. No fim do dia estou exaurida, tomo um ansiolítico pra dormir e não durmo direito. Tb estou pra voltar pra academia mas não tenho tempo. Mas relaxo nas aulas de aquarela com o prof. Berner aqui em Petrópolis. Vc foi a minha inspiração para recomeçar a pintar‼️

  8. cada vez mais ansiosa, cada vez mais sentindo o tempo escapar pelos meus dedos e, não fiz a metade das coisas que queria. Leio FB, Whatsapp, e-mail, jornal (todos os dias), revista Piauí (que sempre fica um ou outro artigo para trás), vejo Globonews, um seriado ou dois, leio um livro, ouço meus pacientes. No fim do dia sempre acho que enlouqueci ou morri e renasci em outra vida que não é a minha!

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