Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas

Julho/2019 – Em pausa

11 Comentários

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Aí vai o calendário de Julho de 2019 e a versão em .PDF para imprimir.

A publicação chega com vários dias de atraso e ainda por cima com desenho antigo… Não sei direito o que está acontecendo comigo em relação ao blog. Seria fácil colocar a culpa no excesso de trabalho, mas desde a década de 1990 o que mais faço é trabalhar, com apenas duas pausas para cuidar dos filhos. Não é isso. De alguma forma, esse ambiente político tóxico em que estamos vivendo bloqueou minha criatividade de um jeito que está difícil de destravar.

Peço paciência a vocês e a mim mesma. Seguirei pensando em caminhos para voltar a produzir conteúdo inédito aqui. Por hoje, deixo duas lindas reflexões que me chegaram.

• O artigo da Ana Paula Lisboa inspirado na música Cajuína, essa maravilha de Caetano Veloso, cuja letra tem suas histórias contadas aqui (rolem a tela pois as melhores explicações estão mais pro final). A canção segue abaixo, mas não deixem de ouvir no Youtube ou no Spotify:

CAJUÍNA – Caetano Veloso

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

• A outra lindeza foi um post da Ellen Rosa, doutoranda em Filosofia do PPGF/IFCS, sobre como enfrentar os desafios de final de período, seja qual for a sua etapa de escolaridade:

AOS DESESPERADOS DO FINAL DO PERÍODO – Ellen Rosa – 3/7/2019
Quando eu precisei de orientação pra fazer a monografia do final da graduação, não tinha ninguém que eu visse que podia me ajudar. Eu não desenvolvia pesquisa com ninguém. Já tinha arrumado treta com vários profes. O ilustríssimo Renato Noguera veio de outro campus e me salvou, me incentivou. Eu entrei no mestrado. Terminei com dificuldades, mas auxiliei quem eu podia no caminho. Porque eu precisei de auxílio, achei justo tomar essa postura. Entrei no doutorado e a sorte meio que mudou. Eu tropeço em professor pedindo artigo pra publicar, colunista do Le Monde perguntando quem me orienta e pedindo pra ser coorientador, professor trocando ideia comigo antes de entrar pra me dar aula pra saber o que achei do texto. Teve uma vez que eu não consegui ler o texto à tempo, a professora me pegou pelo braço e disse “deixe de besteira” e me sentou do lado dela pra darmos a aula juntas. De pouco as pessoas começam a considerar nossas pontuações, levar elas à sério. Te chamar pros espaços de discussão. Chega uma hora que tu nem dá conta de tudo. Existe um lugar confortável, ele chega. Persevere!
Mas não é fácil. Na minha última aula do doutorado eu tive uma crise de ansiedade lendo um texto MEU. Era uma teoria minha e eu não consegui explicar. Comecei a falar tremendo, saí chorando e correndo antes de conseguir terminar. Era minha última aula do doutorado, o professor foi correndo atrás de mim porque não entendeu como alguém que ia tão bem estava insegura. A teoria é boa, a tese vai ficar show. Falta só qualificar e defender. Eu já a discuti com meus pares. Mas eu tô insegura.
É isso! A insegurança nunca vai passar. Até a zona de conforto tem insegurança. E eu achei que se você que tá embolado aí com artigo de final de período como eu estive muitas vezes, lesse alguém que passou por isso, ia ficar mais tranquilo. Na minha vez, eu não li ninguém que tivesse passando por isso e passei fodida. NÃO SE FODA! Nunca vai estar perfeito, você não vai tirar 10 sempre. Mas cê vai conseguir. Eu cheguei até aqui suando frio, tremendo, chorando e correndo pelos corredores com a bolsa nas mãos. Você não precisa passar pelo mesmo. Senta pra ler, separa os trechos que você gosta. Conta uma historia que entrelace os trechos, escreva uma conclusão. Releia tudo, faça dois parágrafos e cole antes do texto para a introdução. Transforme os dois parágrafos em um, traduza noutro idioma e está pronto o resumo. Você tem um artigo pronto. Sem suar, sem tremer.
Em 10 anos nessa, foi isso que aprendi. Espero que sirva pra você também. Jogue duro!

Ana e Ellen, meu muito obrigada por hoje! ♥

Sobre o desenho: Aproveitei as imagens que venho produzindo para a página Materiais aqui do blog e editei no Photoshop!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Julho/2019 – Em pausa”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Kw. Acesso em [dd/mm/aaaa].

11 pensamentos sobre “Julho/2019 – Em pausa

  1. Querida professora, seus textos me dão ânimo em resistir. Tenho passado pelo mesmo em pleno fim de semestre com a exigência de uma transição de Mestrado para o Doutorado Direto, muita coisa para ler e escrever. Um sentimento de solidão, cansaço e a dúvida do exito tem me perseguido, mas como a professora tenho refletido e buscado estratégias para me manter firme. Juntos somos mais fortes. Grande abraço.

  2. Karina, querida! Que saudades! Você está ausente, mas presente. Acompanho seu Instagram, volto aqui pra ler algum texto antigo quando posso (nesse final de semestre mesmo vim ler um sobre escrita de trabalho (14 dias para terminar um texto de 12 páginas), queria ver se me dava uma luz… rs… e deu! Estou ausente também por causa do tempo e pelo mesmo motivo: falta de criatividade (e por que não dizer de ânimo?) diante do que temos vivido. Acho que é “normal”, precisamos de tempo para digerir tudo, entender, pensar em possibilidades… não se cobre e não se preocupe. Tudo tem seu tempo.
    Um abração! ❤

    • Muito obrigada pelas palavras tão gentis. Fizeram uma enorme diferença. Acho que, sempre que escrevo esses posts-desabafo, a energia acaba circulando e a vontade de publicar volta. Boa sorte nas suas escritas, lindinha.♥

  3. Você sempre nos dá a “rosa pequenina” em forma de texto e desenhos, com inteligência, beleza e humor. Obrigada, vamos seguir de mãos dadas e com esperança,

  4. Kau,
    Mesmo quando dizes que não tens o que escrever, ou não conseguiste escrever, fazes dessa lacuna um dizer.
    Obrigado pelo post! (E “Cajuína” é tudo de bom…) 🙂

  5. Karina,
    Você sempre foi uma fonte inspiradora para mim. Através de você, conheci o Chiaroscuro Ateliê, a Chiara, o Matheus, os urban sketchers e, acima de tudo, a aquarela! Foi um grande e amoroso encontro, que tem me dado muitas alegrias nos últimos dois anos.
    Tenho sentido sua falta no blog, seu texto carinhoso e dicas preciosas. Volte, Karina, para esse maravilhoso espaço inspirador. Não se deixe envenenar por um entorno tão inóspito. Não se perca de sua ternura jamais!
    Precisamos de você e de seu estar generoso no mundo. #volteKarina

  6. Querida Karina tenho acompanhado seu blog nos dois últimos anos. Suas dicas sobre escrita, revisão e apresentação da tese foram muito úteis e quero muito que saiba da sua importância. Entendo, e creio que todos os demais que te acompanham, o vazio que por vezes a escritora sente…Contudo, uma frase que vc escreveu, dita por sua avó, tem me acompanhado e creio importante ressaltar: façamos planos… os planos nos dão ânimo… abraços quentes de um Sul gelado….Hoje em Concórdia SC amanhecemos com 4 graus!

  7. Uma boa revisão nao faria mal algum para o texto da nossa doutora.É embaraçoso ver a lingua tão estropiada.E aquela crase antes de TODO. dói!

  8. Karina, depois de ter filha no último ano do curso de doutorado, marido perder oportunidade de trabalho porque é casado com alguém que estuda ditadura (logo deve ser do PT), sem licença maternidade porque a filha nasceu depois do final da bolsa, ler isso agora, junto com o nascer do sol no Nordeste, me faz também renovar as forças. Vamos com tudo! A inspiração vai voltar. Somos fortes! Gratidão

  9. Coragem e força Karina! Mesmo quando não publica no blogue não nos esquecemos do que o “povo irmão “ está a passar. (quando era jovem era assim que chamavam em minha casa ao Brasil 🇧🇷 )
    Um abraço daqui de Lisboa 🤗

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