Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


4 Comentários

Paleta de aquarela atual – 44 cores!

paleta_set2018_p

Post para os nerds da aquarela! Comprei 4 tintas novas, tirei algumas de uso e reorganizei a paleta. Queria mostrar para vocês como ficou meu guia de cores refeito.

Recortei um pedaço de papel de aquarela no tamanho certo para caber dentro do estojo e tracei as divisões a lápis. Resolvi pintar apenas em dois tons: primeiro fiz o quadradinho todo com a camada bem clara; depois de seco,  pintei o triângulo com a tinta mais densa. Vou colocar timelapses desse processo lá no stories do Instagram (depois estarão no destaque Tintas).

Utilizo o mesmo estojo da Winsor & Newton que comprei há mais de 15 anos, em Portugal. Tirando os acessórios internos, dá para encaixar 44 caixinhas de cores, grudadas no fundo com massinha Multi Tack (da marca Pritt; tem na Kalunga).

Aí vão as cores que estão na minha paleta atual:

paleta_set2018_nomes_g2.jpg

(Legenda das marcas: WN = Winsor & Newton; DS = Daniel Smith; Sch. = Schmincke; NH = New Holland)

Minha primeira compra de tintas foi feita com base nas sugestões do livro The Big Book of Watercolor. Foi uma boa opção, pois era uma paleta clássica, com cores que remontam às origens da aquarela, como ocre, siennas, umbers, cadmiuns, alizarin, ultramar. A aquisição das demais cores foi feita aos poucos, por demanda de alguma aula que eu estivesse fazendo (como o curso da Anna Mason, que é bem específico, exigindo cores como Scarlet Red, Davy’s Grey e Cobalt Violet), ou por indicação de algum artista amigo ou da internet. (Para ver todos os cursos que já fiz, clique aqui.)

As quatro cores novas estão na imagem abaixo:

paleta_4cores_p

Aproveito para mostrar as fichinhas que faço para cada cor individualmente. Comecei há um ano, inspirada em um perfil do Instagram (não lembro qual, desculpem). Gosto de ver as camadas sobrepostas, ao invés de degradês, e de ter um espaço para anotar as características de cada tinta (nome, marca, tipo, pigmento, transparência). Ter as cores separadas também é ótimo para comparar e/ou aproximar tons para escolher combinações. Cada ficha mede aprox. 5x10cm.

Sobre as quatro tintas novas, meus comentários:

  • Perylene Maroon – vi no atelier da Chiara e adorei o tom, também indicado pela Holly Exley, uma artista cujo trabalho admiro muito.
  • Green Apatite Genuine – indicada pelo Teoh, do Parka Blogs para substituir o Sap Green. Não concordo, mas achei linda: um verde denso e manchado de umber (está rolando uma modinha de aquarela que granula e mancha).
  • Cerulean Blue Chromium- também indicada pelo Teoh para substituir o C. B. normal. Ainda estou na dúvida. Meu original (que acabou) era mais quente e suave; essa versão é mais intensa. Mas ainda bem que comprei: tem Cerulean em quase todas as 50 aquarelas que estou fazendo baseadas no livro do Wil Freeborn!
  • Sodalite Genuine – indicada por vários artistas por ser um pigmento natural granulado. Interessante, mas não mudou minha vida! Me arrependi de não ter comprado a Lunar Black, recomendada no livro do W. F.

Várias das minhas cores do estojo original estão acabando (15 anos depois). Ao invés de substituí-las com tintas idênticas, resolvi experimentar um pouco, mas confesso que me arrependi. Numa próxima oportunidade, vou tentar repor as originais.

Sobre as marcas: comecei com um estojo da Winsor & Newton da linha Cotman, depois passei para o profissional. As tintas são maravilhosas e se adaptam bem ao nosso calor, enquanto algumas Schmincke, apesar de lindíssimas e macias!, derretem. Sobre a marca Daniel Smith, ainda não sei  — são minhas primeiras. Vamos ver se vão passar no teste do verão carioca!

Se vocês estiverem começando agora, não fiquem apavorados com preços nem com a quantidade de opções. Artistas brilhantes trabalham com pouquíssimas cores e fazem obras incríveis. Só me dei conta disso quando comecei de fato a estudar aquarela (apenas de 2015 para cá). A seleção de cores também depende do tipo de assunto que você gosta de pintar.

O importante não é ter muitas tintas, mas sim estudar e praticar!

Obrigada a todos pelos comentários de solidariedade pelo post da semana passada. Recebam meu carinho e abraço afetuoso.

Como diria vovó Trude, que não era minha vó, “cada dia com a sua agonia”. Já estamos de volta nessa sofrência chamada Brasil…

..

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Sobre cores, para ler e ver: Treasures From the Color Archive, artigo incrível da revista New Yorker sobre história dos pigmentos, escrito pelo historiador !

♥ Para ouvir enquanto desenha ou pinta: o podcast Creative Pep Talk entrevista Fran Meneses (@Fannerd) sobre arte, estilo próprio, síndrome de impostor etc. Está bem engraçada a conversa.

♥ Para lembrar que não existe combinação de cor certa: as ilustrações da Monika Forsberg, embaladas por sua entrevista para o podcast Art for your ears.

♥ Para ver rapidinho: mini-animação (1′) sobre o ponto de virada na vida da artista plástica Kristine Mays! (do Artsy.com, mas recebi a dica do Zine da Sketchbook Skool).

♥ Acabei não resistindo: me matriculei no curso online Watercolor Rules! da Sketchbook Skool. Já assisti aos vídeos iniciais da primeira semana e me decepcionei… São ótimos para quem nunca pegou num pincel, mas básicos demais para quem tem experiência. Se alguém se interessar, aí vai um cupom com 15% de desconto para colocar no momento da compra: SBSFriend15 (válido até 24/09/2018). Uma vez pago, o curso é seu para sempre.

♥ Dica para o final de semana: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme simpático na Netflix (brasileira, portanto, com legendas!), feito a partir de um romance (que, por acaso, li há alguns anos e passei adiante!).

Ilustração da Mariamma Fonseca (Amma), para não esquecer de compartilhar, milhões de vezes se necessário #elenão, #elenunca!

PS: Desculpem a lista de hoje ser quase toda de dicas em inglês! Acabo frequentando muito esses sites por falta de opção (ou conhecimento) de similares no Brasil. Se tiverem sugestões legais em português, me mandem nos comentários por favor.

Sobre o desenho: Hoje já expliquei tudo no post! Faltou apenas explicar que, depois de pintar, escaneei e editei no Photoshop para ajustar. Depois, fiz uma segunda versão, separando as filas de cores para acrescentar as legendas. Adicionei os nomes das tintas com o editor de fotos Picasa, software que “saiu de linha” da Google, mas que adoro e mantenho instalado no meu notebook (até quando vai funcionar, não sei…).

Sobre outros materiais que utilizo, tem essa página aqui.

Você acabou de ler “Paleta de aquarela atual – 44 cores!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Paleta de aquarela atual – 44 cores!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3HY. Acesso em [dd/mm/aaaa].


7 Comentários

Museu Nacional – UFRJ (1818- )

ufrj_museunacional_p

“Levantaram Dom Quixote, descobriram-lhe o rosto e acharam-no pálido e suado. Rocinante não se pode mover, de derreado que estava. Sancho, todo triste e pesaroso, não sabia o que havia de dizer, nem o que havia de fazer. Parecia-lhe tudo aquilo um sonho e coisa de encantamento. Via seu amo rendido (…); imaginava escurecida a luz da glória das suas façanhas, desfeitas as esperanças como se desfaz o fumo com o vento.” (Dom Quixote)

Foi com muita dor que assisti à devastação do palácio que sediava o Museu Nacional.

Como Sancho, diante de Dom Quixote derrotado, parecia não ser um outro morrendo, mas uma parte de mim mesma.

O acervo milenar, a biblioteca, os arquivos e o local de trabalho de centenas de docentes, pesquisadores, funcionários e alunos da UFRJ queimaram naquele domingo, 2/9/2018. Que sensação de desespero ver vidas inteiras dedicadas à pesquisa e ao ensino virando cinzas, ao vivo, pela TV.

Passei a semana passada chorando, mandando mensagens e tentando agir em solidariedade aos colegas mais afetados. Tentei também responder (via e-mail, zap, fb e em sala de aula) algumas das acusações sem fundamento que surgiram logo no dia seguinte à tragédia. Acusam sem ao menos saber as causas de um incêndio ainda sob investigação.

“Assim o viver me mata | Pois que a morte me torna a dar vida! | Condição nunca ouvida, | A quem comigo vida e morte trata!” (Dom Quixote)

O fogo no Museu teve o efeito de trazer à tona sua vitalidade, como nos versos de Quixote. Ele fala da perda do amor, mas também da dor que faz querer viver.

Saímos com queimaduras de muitos graus desse incêndio. Cada pessoa que ali esteve, de passagem ou de ficagem, por algumas semanas ou anos, em êxtase pelas descobertas e em calafrios de medo — todos nós tivemos nosso momento de quase-morte. Vimos passar um filme de nossas histórias, das pessoas que conhecemos e das montanhas que subimos e descemos naquelas redes de conhecimentos, aprendizados, aulas e sonhos de futuro.

Dar meu depoimento parece tão pequeno perto da grandeza da instituição Museu Nacional, UFRJ.  Ao invés de escrever, desenhar foi minha forma de lidar com a tristeza. Ficou torto, impreciso e confuso em algumas partes, mas também assim é a vida.

Agradeço a cada um dos colegas, professores e funcionários da UFRJ pela sua coragem e resistência diante dos desafios que estamos enfrentando. Essa luta não é tanto pelo passado, mas por permitir que os jovens de hoje e de amanhã continuem tendo a oportunidade que tivemos de usufruir desse espaço mágico de descoberta, produção e invenção de saberes que é o Museu Nacional.

Minha avó faria 104 anos nessa semana, 10/09. Apesar de órfã de pai e mãe antes dos 12 anos, ela nos diria:

“Vamos em frente, vamos fazer planos, vamos seguir.”

Sobre as citações: Quando me sinto perdida, abro meu Dom Quixote, onde sempre encontro alento e explicação para tudo. As citações estão na p. 573 e na p. 583 (edição Abril Cultural, 1978) .

13 Coisas impossivelmente-bonitas-emocionantes-ou-dignas-de-nota sobre o Museu Nacional. Bons textos jornalísitcos, vídeos, depoimentos e links interessantes que recomendo sobre o Museu:

♥ Campanha para a requalificação do Museu Nacional, filme feito em 2015 pela Capim Filmes e equipe do MN/UFRJ, disponível no Youtube.

Banco Mundial diz que nunca exigiu gestão privada do Museu Nacional em troca de empréstimo, por Júlia Dias Carneiro, para a BBC News Brasil.

♥ Hipócritas choram sobre as cinzas do Museu Nacional, por Mário Magalhães para o The Intercept.

♥ A saga do Bendegó se torna símbolo da resistência do Museu Nacional, por Ana Lucia Azevedo, uma das raras matérias merecedoras do nome, feita pelo O Globo sobre a tragédia.

♥ No Museu, minha ancestralidade, por Flavia Oliveira, coluna em O Globo.

O Museu Nacional ardeu em chamas, por Yvonne Maggie, para o G1.

♥ Museu Nacional: ruínas precoces, fiapos de esperança – por Ricardo Ventura Santos, na Revista História Ciências Manguinhos, Fiocruz.

♥ Falar do Museu Nacional é falar dos povos indígenas, da história do Brasil,  depoimentos dos professores Antônio Carlos de Souza Lima e Edmundo Pereira, por Gabriele Roza, da Agência Pública.

♥ Um museu em chamas visto por uma de suas antropólogas, por Aparecida Vilaça, para o Nexo Jornal.

♥ Além destes, há dezenas de depoimentos e textos em homenagem ao MN como o de  Renata Menezes (FB), entre outros que circulam no zap, sem site definido.

♥ Há também uma campanha de voluntariado, ajuda e doações para o Museu Nacional. Os dados podem ser vistos aqui, além de outras campanhas na página do MN no Fb, como essa linda de cartas de crianças!ufrj_museunacional_pb_p

♥ Na passeata em protesto pelo incêndio, fiquei emocionada ao encontrar uma amiga querida que me disse que a filha adora meus calendários. Então resolvi trazer para cá o PDF em alta resolução da versão em P&B do meu desenho do MN, para quem quiser colorir. Agora, sempre que eu puder, vou deixar uma versão sem cor para ela!  (PS: Mas deixem as crianças desenharem e colorirem por conta própria também, ok? )

♥ Por falar em criança… Queria terminar pedindo que vocês assistam a essa história lindinha demais, que deu origem ao meme “É verdade esse bilete”!

PS: Se tiverem outras sugestões de links sobre o MN, me mandem! (Só não vale fake news nem depoimentos de quem não se dedica à instituição e agora vem posar de representante.)

Sobre o desenho: Que difícil desenhar esse prédio tão complexo! Fiz uma versão da fachada com várias fotografias no Photoshop para poder entender as proporções e detalhes. Tracei as principais medidas no papel de aquarela com a ajuda da mesa de luz. Depois, desenhei à mão com uma canetinha Pigma Micron 0.1, sépia (novidade na Papelaria Botafogo). Coloquei máscara (Schmincke) para preservar as partes mais claras, esperei secar e pintei com aquarela.

Cores principais Naples Yellow para o prédio; Cobalt Violet para escurecer o amarelo quando necessário; Cerulean blue e Alizarim Crimson juntos para os cinzas; Sap green com Payne’s Grey para as portas. Na versão em papel, tinha um céu suave e um chão na frente que acabou ficando muito escuro, horrível. Até chorei… Esse tipo de trabalho leva horas! Felizmente, o Antônio chegou da escola a tempo de me acalmar. Deixei só o prédio mesmo, com ajuda do Photoshop.

Como escaneei a versão sem cor, acrescentei no final uma layer com essa camada para reforçar as linhas (técnica que aprendi vendo os vídeos do ilustrador polonês Mateusz Urbanowicz no YT).

Você acabou de ler “Museu Nacional – UFRJ (1818- )“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Museu Nacional – UFRJ (1818- )”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3HQ. Acesso em [dd/mm/aaaa].

 

 


7 Comentários

Setembro/2018 e Nossas histórias

set2018_p

“Quero que minha história seja ouvida porque acredito
que podemos criar um mundo melhor se aprendermos
a vê-lo sob diferentes perspectivas.
Diversidade é força; a diferença nos ensina.
A minha história é a sua história.
Esse é o foco que precisamos: conexão.”
(trechos de Hannah Gadsby: Nanette)

Sempre que publico um texto sinto-me num certo limbo, misto de vazio e carne-viva. Terminar artigo, tese, capítulo, até trabalho de curso… Vocês já passaram por isso, né? É como se largássemos uma parte nossa no mundo, que não nos pertence mais. Dá um medo. Na semana passada, essa sensação foi forte.

Então vieram as palavras de vocês. Fiquei emocionada e não consegui responder… Talvez aqueles choros não fossem apenas dos seus donos, mas também meus, de todos nós. No sábado, cada comentário que chegava me fazia chorar um pouco também, aquele tipo de lágrima que não sabemos se é triste, se é feliz, se é o quê. Mas a Hannah explica: é conexão.

Sentir que nossas histórias são ouvidas é o que nos motiva, comove, emociona.

Desculpem o silêncio…

Espero que continuar escrevendo e desenhando seja uma forma de retribuir tantos carinhos e gentilezas que recebo de vocês.

Aí vai Setembro e aqui está o .pdf em alta resolução para imprimir.

Precisei fazer um desenho mais simples esse mês, apesar de ser um dos meus preferidos do calendário. Eu queria ter nascido em Setembro para não ter tanta crise de identidade — sou leonina mas me sinto uma virginiana convicta! (E ainda é o mês da minha avó querida, que dia dez faria 104 anos.)

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Assistimos e amamos: Hannah Gadsby: Nanette, disponível na Netflix. Sem palavras para elogiar o suficiente. Fun fact (como diz a Alice): quando eu era pequena, e já tinha desistido de ser menino, meu sonho era me chamar Hannah.

♥ Para ouvir enquanto desenha: o podcast Art for All dessa semana, com o Danny Gregory falando sobre as delícias e dificuldades de se fazer um diário de viagem com desenhos, aquarelas e mapas.

♥ Para quem está começando na aquarela: uma listinha de vídeos no YouTube com tutoriais bem fáceis de acompanhar.

♥ Li numa newsletter simpática que assino, do blog Vida Organizada: “ninguém disse que eu preciso ser perfeita. Falho como todo mundo. O que estou me permitindo é me sentir menos culpada e aceitando mais que as coisas simplesmente são como são, no momento, e está tudo bem.” (Thais Godinho)

♥ Comecei a seguir no Instagram: a ilustradora polonesa Gosia Herba. Adorei a paleta de cores dela e suas várias ilustrações divertidas (muitas com meu tema favorito: livros).

♥ Para quem quiser acompanhar: estou postando no meu stories do Instagram as imagens do projeto de pintar todos os dias que estou fazendo com base no livro “Learn to Paint in Watercolor with 50 Paitings”, de Wil Freeborn.

♥ Ah, esqueci de divulgar aqui o resultado da doação do livro da Cleonice: apenas três pessoas se inscreveram e o escolhido foi o Pablo Rodrigues! Vou combinar com ele a entrega; e semana que vem anuncio mais um livro!

set2018_id

Sobre o desenho: Paleta de cores inspirada numa bolsinha (tipo necessaire) que ganhei há muitos anos da minha tia Hanny, que usa uma igual (sinto que estamos sempre conectadas por isso!). Adoro como a combinação de cores estranhas (cinza, bege, rosa, laranja e verde escuro) produz uma coisinha tão gostosa de se ver (foto abaixo).

lesportsac_p

Tentei achar os tons certos, mas meu desenho ficou muito mais vermelho do que o original (e acabei acrescentando um azul para não ficar natalino!). Fiz as linhas com uma Pigma Micron preta 0.2, e colori com lápis-de-cor.

Ah, um alerta para quem estiver pensando em investir em lápis-de-cor de qualidade: não comprem os Prismacolors! São macios e com cores intensas, mas a maioria dos meus está toda quebrada por dentro. A embalagem não protege cada lápis individualmente… não sei se os meus quebraram na viagem da compra (há muitos anos). Cada vez que vou usar me irrito de vê-los desaparecer no apontador! Recomendo os Polychromos, da Faber-Castell.

Até semana que vem, amores. ♥

Você acabou de ler “”
Setembro/2018 e Nossas histórias
“”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “”
Setembro/2018 e Nossas histórias””, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Hz. Acesso em [dd/mm/aaaa].


13 Comentários

Três choros e muitos agradecimentos

imsdragao_pp

Um dos meus rituais de manhã, ao acordar, é abrir a janela do quarto, olhar o céu e desejar bom dia pro mundo.

Depois de tomar um mate e comer alguma coisa, sento para pintar, nem que seja por 15 minutos. A mesa é embaixo da janela, de onde me chegam vários choros…

Do meu prédio, acompanho um processo terrível. Uma das vizinhas, que até ontem era atlética e ativa, está com uma doença degenerativa aguda. Foi perdendo o controle dos movimentos e da mente… Seus sons são de uma dor sem nome, uma mistura de desespero, agonia… nem tenho palavras para expressar. No elevador e na portaria comentamos compungidos sobre os gritos de ontem e os de hoje… Que sensação de impotência, sem conseguir imaginar a dor dos familiares que se revezam em seus cuidados e que, por muitos momentos, nos acalmam com o silêncio que finalmente chega.

Ouço também o choro da Lisa, uma cadelinha jovem que foi adotada pela moradora do primeiro andar. Quando sua companheira sai para trabalhar, a bichinha se esgoela. A rua inteira escuta porque ela sobe na poltrona e uiva alto e sofrido na janela. Os vizinhos se mobilizaram no zap. Uma pessoa reclamou, mas os funcionários e os demais moradores se solidarizaram com a dor da cachorrinha. Nos revezamos para ajudar, veio um treinador para ansiedade, e a Lisa está cada dia mais linda e chorando (um pouco) menos.

Há um terceiro choro, agudo, intenso e forte. É meu velho conhecido: um bebê grita alto em algum apartamento do prédio ao lado. Como podem criaturas tão pequenas produzirem sons tão potentes? Ano passado, havia um bebê sofrido na vizinhança, era difícil. Mas esse meu companheirinho atual está no seu exercício pulmonar saudável. Quer apenas chorar um pouco. Envio boas vibrações do meu coração de mãe: shhh, shhh, shhh, está tudo bem… e ele logo para.

Meu timer toca: está na hora de fechar a aquarela. Lavo os pincéis, o estojo e os potes. Venho aprendendo a deixar tudo limpo para a próxima sessão. É um esforço diante da preguiça e da pressa, mas é um gesto potente. Quando chego do trabalho, as águas limpas me chamam de volta!

imspeixes_pp

O tema do post me levou aos desenhos do dragão e dos peixes. Pensei nessa mistura de dor e cura que é a vida.

Por mais tristes que sejam, os choros que ouço na minha janela estão envolvidos em afetos, rodeados de pessoas que tentam aliviar suas dores. Pra mim, eles também têm funcionado como um alarme de celular, que todos os dias toca com os lembretes:

1. Agradecer por estar viva; 2. Agradecer por meus amores estarem saudáveis e perto de mim; 3. Lembrar de aliviar as dores dos que choram.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Assistimos e gostamos: Encontrando Forrester (Finding Forrester), um filme sobre escritores, livros, estudos, basquete, fama, anonimato… O ator principal é o incrível Rob Brown.

♥ Descobri e segui: o perfil da Sabina Hahn tem postado trechos sobre história das cores (ver abaixo), ilustrado com imagens bem legais.

♥ Não resisti e comprei: The Secret Lives of Color, da Kassia St Clair. O objeto é lindo mas minha primeira impressão foi de que as histórias são um pouco superficiais. Vou ler e conto para vocês com mais calma.

♥ App divertido de arte: Google Arts Selfie. Você tira uma selfie e ele te mostra retratos parecidos de pinturas. Meus principais resultados seguem abaixo, mas não achei nem um pouco parecidos — e vocês?

081

♥ Cursos online novos me seduzindo (ainda avaliando, principalmente o primeiro): Watercolor Rules!, da Sketchbook Skool; e Watercolor Summit, que me inscrevi (basta colocar o e-mail) para receber três amostras gratuitas.

♥ Dia 21 foi meu aniversário! Recebi três cartinhas das pessoas que mais amo no mundo, desses presentes que a gente guarda para a vida inteira… Também ganhei materiais de pintura da minha mãe, vindos dos EUA por minha tia querida: tubinhos de tinta (Perylene Maroon, Cerulean Blue Chromium, Sodalite Genuine, Green Apatite Genuine), pincéis (2 Winsor & Newton e 1 Neptune) e lápis (2 Col-Eraser, da Prismacolor, 1 Mars Lumograph Black da Staedtler).

Aproveitando o espírito agradecitivo, fiz um cartãozinho no dia do meu aniversário para retribuir as lindas mensagens de parabéns que chegaram via fb/insta/zap. Pintei na terça (21) depois da aula. No dia seguinte, porém, acordei super crítica, achando minha letra infantil, assim como o tema da guirlanda; e ainda super arrependida das cores verde e amarelo, logo em época de eleições, que tosca! Mas o Instagram me mostrou um post bonito, que já não consigo localizar, dizendo que os artistas devem colocar suas obras no mundo, mesmo que não estejam perfeitas (nunca estarão), e que precisam ser humildes para começar tudo de novo no dia seguinte. Obrigada autor desse post, seja você quem for!

kkaniv_p

♥ E para compensar todos os choros das manhãs, enquanto escrevo à tarde, tem um bem-te-vi na árvore da minha janela cantando sem parar, com umas variações tão bonitas! (E minha atenção auditiva veio de ter oferecido essa semana aos alunos — e a mim — aquela aula sobre o poder de escutar.)

Bom final de semana! ☼

Sobre os desenhos: A estátua do dragão e os peixes foram feitos por observação direta em julho/2018 no Instituto Moreira Salles (do Rio), numa sessão de pintura ao ar livre oferecida professora Chiara Bozzetti, do Atelier Chiaroscuro (que voltei a frequentar, viva!). Ambos foram desenhados com canetinhas Pigma Micron 0,2, num sketchbook Fabriano Watercolour Acquarelo (é antigo, mas ressuscitei porque ainda tem folhas em branco). As cores foram feitas no local com tintas de várias marcas, mas principalmente Winsor & Newton. Em breve vou fazer um post sobre as cores que tenho no estojo.

O cartão de aniversário foi feito no verso de um papel Canson XL Aquarelle. Comecei com um rascunho do círculo e das letras, depois fiz as aquarelas à mão livre, ajustando conforme iam saindo.

Você acabou de ler “Três choros e muitos agradecimentos“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Três choros e muitos agradecimentos”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Hk. Acesso em [dd/mm/aaaa].


15 Comentários

Um projeto todo seu – Sobre a felicidade de estudar, aprender, fazer, criar

wfreeb_pleg

“I am happiest when I am making things — whether it be a podcast, a lesson plan, a book, a painting, or an illustration.” (Debbie Millman)

[“Minha maior felicidade é quando estou criando algo — seja um podcast, um plano de aula, um livro, uma pintura ou uma ilustração.”]

Queria compartilhar com vocês um pequeno projeto que estou fazendo baseado no livro “Learn to Paint in Watercolor with 50 Paitings”, de Wil Freeborn (ed. Quarto, 2017). Resolvi pintar um exercício por dia, todos os dias, me dedicando uns 15 minutos de manhã e uns 30-60 minutos à noite, antes de dormir.

Antes de entrar no tema das aquarelas, queria falar da felicidade que é ter um projeto paralelo ao nosso trabalho. Durante muitos anos, posso dizer que tive interesses variados, seja por alguns tipos de livros (sobre escritores, por exemplo), seja por culinária, por corrida, ou até por outras antropologias que não fossem da minha área (como a da criança, da mulher e da alimentação, por exemplo). Mas nenhum desses interesses se tornou um projeto, algo que me faz acordar de manhã animada para aprender, estudar, avançar.

Ao retomar o desenho em 2004, descobri uma porta para o que muitos chamam de “estado de fluxo”: aquela situação meio mágica em que estamos totalmente focados, e o mundo e o tempo deixam de existir. Acho que é a esse tipo de felicidade que a Debbie Millman se refere (na frase da epígrafe): criar nos deixa felizes, no presente.

Não precisa ser desenho ou pintura. Há tanta coisa nesse mundo da criação, e as aulas estão aos milhares na internet. Bordado, culinária, instrumentos musicais, linguagens, artesanatos, jardinagem, sem falar no universo dos esportes, da dança, do canto, da observação de pássaros (sabiam que o J. Franzen era viciado nisso?), do montanhismo, do xadrez, da fotografia, da bicicleta, dos projetos sociais…

Ao estudar algo, descobrimos mundos incríveis, complexos, densos! E tudo fica mais fascinante ainda quando conseguimos transformar esse estudo num projeto pessoal, algo que nos traga um sentido de prazer e realização para o dia-a-dia, algo que passe ao largo de obrigações e boletos.

Um projeto pode custar bem pouco. A minha vida mudou apenas por eu desenhar com uma canetinha comum num caderno (também comum) todos os dias durante 13 minutos na ida (e outros 13 na volta) de metrô para o trabalho. Só isso. Aulas ou atividades mais longas podem ficar para os sábados.

Quinze anos depois desses desenhos em cadernos, e dez anos depois de comprar meu primeiro estojo de aquarela (é o mesmo até hoje), posso dizer que só me arrependo dos momentos (às vezes, semanas ou meses…) em que me esqueci de desenhar e pintar.

Ao criar o blog em 2013, acabei gerando um projeto que toda semana me lembra do quanto desenhar e escrever me faz bem. (E é por isso que o blog persiste.)

Meu maior desejo é que todas as pessoas consigam abrir essa porta também! Na dúvida, abram várias e experimentem! Lembrem das alegrias da infância. Às vezes, nossos maiores prazeres estão logo ali, em  memórias de atividades felizes.

Agora, nerd-alert: para os apaixonados da aquarela, comento os detalhes do meu projeto atual de pintar as 50 imagens do livro de Wil Freeborn.

wfree_livro.jpg

O primeiro capítulo é sobre os materiais, papeis e instrumentos de aquarela, além de trazer dicas e reproduções dos lindos sketchbooks do autor.  Uma das qualidades do seu estilo é a escolha de uma paleta bem clássica, com cores que a maioria dos estojos de pintura já tem. Ele acrescenta algumas menos básicas, mas bem populares como Payne’s Gray, Cobalt Turquoise Light e Perylene Green — e só uma ou outra mais exótica como Lunar Black e Undersea Green (essas não tenho, mas dá para adaptar).

Na imagem que abre o post, vocês podem ver os 13 primeiros exercícios que correspondem ao Capítulo 2, chamado “Simple still lifes” (algo como “Naturezas mortas simples”). Aqui começam os problemas, pois não são aquarelas nada fáceis! Já no primeiro exercício, é preciso colocar “masking fluid” na pintura  — trata-se de um fluido especial que cria uma película emborrachada que, depois de retirada, preserva uma parte do papel branco. Na imagem, é onde se vê o “açúcar branco” no Donut cor-de-rosa.

Assim como nessa primeira pintura, várias têm técnicas que exigem alguma experiência. Definitivamente não é um livro de exercícios para quem está começando, apesar de valer a pena pelo simples fato de ser lindo (na minha opinião, claro)! Comprei o livro quando vi a resenha feita pelo Teoh no Parka Blogs (tem muitas fotos internas das páginas lá, assim como links de onde comprar).

Já estou no 23º exercício, no Capítulo 3: Landscapes (paisagens). Os próximos são Capítulo 4: Cityscapes (paisagens urbanas), Capítulo 5: Animals (animais) e Capítulo 6: Figures, portraits, people (figuras, retratos, pessoas).

Uma das soluções do meu projeto é também um dos seus problemas. Resolvi utilizar um caderninho da marca russa Nevskaya Palitra, que ganhei de brinde num evento de desenho. A vantagem é que foi custo-zero e tem exatamente 50 páginas pequenas (aprox. 17 x 11 cm, um tamanho bem simpático). O ruim é que o papel não aguenta a enorme quantidade de água que o Wil Freeborn utiliza nas suas pinturas! Mas tudo bem.

Gosto do desafio de ter que me adaptar a materiais menos nobres. Não tenho coragem de fazer rascunhos em papeis caros. Aliás, é só colocar um papel caro na minha frente que a  minha mão congela! 😉 Já estou prevendo o que uma amiga vai comentar: tamo junto, de roupa furada, caneta velha e papel barato… Sou definitivamente do time que ama vira-latas e cerveja de qualquer marca.

Bom restinho de semana, pessoal!

PS: Vejam o primeiro sorteio no final do post.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ O título do post é inspirado num dos livros que mudaram minha vida: Um teto todo seu, de Virgínia Woolf. Descobri que já tinha um outro post com esse título aqui no blog, e também um post inspirado no próprio livro, mas resolvi repetir assim mesmo, porque são projetos que conversam entre si.

♥ Ouvi a frase da Debbie Millman no Podcast Creative Pep Talk (em inglês), episódio 136. Esse podcast é sobre arte e ilustração. Tem alguns episódios legais, mas acho o apresentador um pouco histérico às vezes. Depois trago outros links dele.

♥ Para quem ama ilustração, aquarela, sketchbooks: o Atelier Sentô é um blog maravilhoso, mantido por dois artistas franceses que moram no Japão.

♥ Uma fonte de ilustrações fofas e narrativas é o concurso anual da Lilla Rogers. Vejam as semi-finalistas de 2018. Tem um monte de artistas interessantes para seguir no Instagram. Já saíram as dez finalistas. O resultado do concurso é dia 17/08.

♥ Já falei da Eva-Lotta Lamm no post sobre sketchnoting. Ela está dando aulas de desenho nos Stories e no IGTV do Instagram! Fiquei super feliz porque ela viu o meu post (sobre ela) e está lendo alguns dos meus artigos na área de antropologia e desenho.

♥ Saiu um livro novo do Eduardo Salavisa, em Portugal, chamado Caderno do Porto. É uma joia em quatro línguas, repleto de desenhos, histórias e cores lindas… Ainda quero escrever mais sobre ele para vocês.

♥ Não deixem de acompanhar a newsletter do site Public Domain Review — é uma lindeza atrás da outra… Esses dias eles publicaram um artigo sobre paletas de aquarela antigas (uma das imagens abaixo).

publicdomain_colorchart.jpg

1708 – Traité de la peinture en mignature, an artist’s manual attributed to “C.B.” (Claude Boutet) – Public Domain Review (link no texto acima)

Sobre os desenhos: Fotografei todos desenhos (feitos a partir de exercícios do Cap.2 do livro de Wil Freeborn) com o celular mesmo e juntei com a imagem da capa do livro no Photoshop. Não daria para explicar todos aqui, mas se alguém tiver curiosidade sobre algum especificamente, me escreve nos comentários, ou manda uma mensagem no Instagram! Tenho colocado as imagens lá no meu Stories (e depois no destaque Pinturinhas).

Sorteio de livros: Como prometi, vou começar a sortear os livros que quero doar. Infelizmente, só vale para pessoas aqui no Rio de Janeiro, já que não estou podendo gastar tempo e dinheiro com correio.

O primeiro livro  que tenho novinho (pois fiquei com dois) é esse da foto abaixo: linda edição da Bazar do Tempo em homenagem à Cleonice Berardinelli — uma obra maravilhosa para quem é da área de letras ou ama literatura! Quem tiver interesse em participar do sorteio, me explica por que gostaria de ganhar nos comentários (aqui no blog ou no Instagram). Anuncio a pessoa sorteada na semana que vem! ♥

cleonice

Você acabou de ler “Um projeto todo seu – Sobre a felicidade de estudar, aprender, fazer, criar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Um projeto todo seu – Sobre a felicidade de estudar, aprender, fazer, criar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3H7. Acesso em [dd/mm/aaaa].


13 Comentários

Quinze coisas para fazer na volta às aulas como professora

professora15dicas_p

Há 48 semestres que me preparo para entrar em sala de aula como professora, já descontando os dois de licença-maternidade e os dois do pós-doc. É sempre difícil. Minha síndrome de véspera não falha: ansiedade, insônia, medo… mas um pouquinho de curiosidade e antecipação positiva também!

Como prometi para vocês (e a mim mesma) que esse blog deveria ser útil, aí vai minha checklist* de início de semestre letivo para professores:

1) Criar as pastas do curso no computador e na nuvem — Minha estrutura em 2017 estava assim:professora15dicas_01

As pastas iniciais têm o nome do curso primeiro pois serão compartilhadas. O link que dá acesso às três primeiras é enviado aos alunos para que enviem trabalhos (pasta Grupos) ou baixem os PDFs (pasta Textos). Num programa sobre imagens acho mais razoável pedir trabalhos apenas em formato eletrônico para não gerar despesas de impressão. Na pasta Aulas, adiciono meus fichamentos ou .ppts de aula que, em alguns casos, compartilho com a monitora do curso. A pasta Programa só tem as versões do programa mesmo (sempre acabo tendo duas ou três). E a pasta Turma e Notas fica com a planilha de presença e avaliações. Já tive semestres em que ficou tudo embolado numa pasta só, mas essa estrutura facilita achar as coisas durante a correria do semestre.

2) Criar um marcador no Gmail para o curso — Outra tarefa fácil, mas que facilita muito a vida durante as aulas. O meu setup de 2018-2 está assim:

professora15dicas_02

Coloco essa @número para ordenar as pastas iniciais do meu jeito (e não em ordem alfabética). Para os cursos, coloco um 0 (zero) na frente para que sejam as primeiras. Seleciono uma cor diferente para identificar logo as mensagens. Vou jogando ali os programas enviados, os e-mails dos monitores, e depois toda a correspondência oficial (enviada pelo sistema da universidade) e as minhas com os os alunos. Dá um trabalhinho no início, mas facilita demais a vida conforme vai chegando a época das avaliações! (E os dramas…)

3) Programa de curso — Claro que esse arquivo precisa estar pronto com mais antecedência, mas sempre dá para rever, retirar ou adicionar textos e informações na véspera de começar as aulas (e até durante). Vejam aqui um exemplo do programa e Antropologia e Desenho de 2016.

(Quando dei meu primeiro curso, recebi um programa para seguir. Eram tempos pré-internet e eu era quase da idade dos meus alunos. Hoje em dia, montar uma bibliografia é uma espiral de ansiedade. Poder acessar todos os programas de curso de todas as universidades do mundo dá uma depressão… São tantas escolhas e, ao mesmo tempo, bate aquela real de “só sei que nada sei”!)

4) Calendário de aulas — Sempre crio uma planilha com todas as datas de aulas, aproveitando para ver se haverá feriados ou eventuais ausências devido a compromissos acadêmicos. Assim, consigo planejar o número de aulas e as compensações necessárias para chegar na carga horária correta. Essa mesma planilha servirá para os itens 5, 6, 7 e 8 (ver exemplo adiante).

5) Planejamento aula-a-aula —  Pra mim, um curso não é uma lista de textos. Gosto de planejar exercícios, atividades lúdicas, tempo de orientação, devolução das correções, aulas com convidados, filmes etc. Mas tem uma hora que preciso fechar essas datas para providenciar o que for necessário e deixar monitores e alunos avisados. Claro que sempre fica alguma coisa para resolver mais à frente, é normal!

6) Diário de aulas dadas — Meu semestre ideal é quando tenho tranquilidade e foco para escrever sobre as aulas dadas. Como foi a reação dos alunos? O texto novo rendeu? O exercício foi interessante? Tive alguma ideia para uma futura aula? Às vezes consigo fazer um arquivo separado, mas na maioria dos semestres faço algumas anotações na própria planilha do calendário/planejamento. No exemplo abaixo, a estrutura da planilha que utilizei em 2017-1, anotações das aulas 3 e 4:

professora15dicas_03

A coluna “ok” é para marcar que a aula foi dada. Tem coisa melhor do que ticar uma tarefa feita? Espero que dê para ler ao clicar na imagem!

7) Controle de presença — Há alguns anos passei a fazer minhas próprias listas de presença ao invés de utilizar as da universidade. Baixo os PDFs oficiais e copio/colo os nomes numa aba da planilha da turma, acrescentando as colunas com as datas, feriados etc. Além da praticidade, imprimo com espaçamento e fonte mais amigáveis para meu astigmatismo e miopia. Um exemplo:

professora15dicas_04

 

8) Controle de Notas — Na mesma planilha (acima), incluo colunas para juntar os alunos em grupos (quando é o caso), anotar entrega de trabalhos (no exemplo abaixo, T1 e T2), os graus atribuídos (N1 e N2) e as médias finais. Aí vai uma amostra com as cores separando os grupos para vocês verem melhor:


professora15dicas_05.jpg

9) PDFs e Textos — Uma das coisas mais chatinhas de ser professora é ter que providenciar o material que os alunos precisarão consultar. Como estou sempre modificando minhas bibliografias, costumo fazer em duas etapas, deixando as primeiras semanas prontas e acrescentando as demais quando termino de defini-las. Gosto de ir sentindo a turma e de retirar ou acrescentar textos conforme o rumo das discussões.

10) Planejar semana — Como expliquei nesse post, ser professora exige um imenso trabalho nos bastidores. Preciso separar pelo menos um dia para me dedicar às aulas da semana, seja para ler, reler, preparar, corrigir exercícios, providenciar material, responder e-mails dos alunos, conversar com monitores etc. Dependendo do momento do semestre e do tipo de curso, esse volume se multiplica por dois, três ou mais. Mas tento ter pelo menos um dia em que não marco nenhuma outra atividade. Normalmente separo as segundas-feiras pra isso. Considero uma felicidade acordar numa segunda (!) tendo um dia calmo pela frente, relendo autores e escrevendo sobre temas de que gosto.

Sei que é um enorme privilégio estar numa universidade que me permite ter tempo de preparação e número de turmas compatível com pesquisa, ensino e extensão. Já estive em situação de ministrar 26 horas semanais de aula (nível universitário). Quando se tem dois ou três empregos simultâneos, o único tempo de estudo/correção é sábado e domingo. É ótimo ter trabalho, claro, mas saúde deveria vir primeiro…

11) Roupas — A atividade de professora nos expõe muito… Mesmo eu, que não gosto de consumir, me sinto mal de não ter uma roupa decente para dar aula. As blusas de vocês também estão furando à toa? As minhas sim! Antes do semestre começar, preciso ter pelo menos uma calça e algumas camisas que não estejam apertadas, com o botão faltando, com alguma parte rasgada ou manchada. Não é bobagem: quando a gente sai de casa se sentindo bem dentro das próprias roupas, isso se reflete numa segurança maior em sala de aula. (Desculpem se esse ponto for óbvio pra vocês, mas eu precisava escrever! Esse item 11 é terapia pra mim mesma, pois fui me tornando muito crítica ao consumismo e às vezes acabo exagerando.)

12) Saúde — Essa foi minha primeira lição como professora, pois fiquei totalmente rouca quando comecei. Aprendi a cuidar da minha voz, fazendo pausas e bebendo água durante a aula. Também tenho na bolsa um kit-saúde preventivo. Como ainda temos quadros de giz no IFCS, esse kit de auto-cuidado inclui: pastilhas de hortelã sem açúcar, creme de mão, álcool gel, lenço de papel, lenço umedecido, remedinhos diversos (tipo Tylenol e de alergia), além do básico escova/pasta de dente/batonzinho. E vocês, o que levam?

13) Papelaria — Chegamos na parte boa! Quem não gosta de dar uma passadinha na papelaria? Começo de semestre é uma ótima desculpa para renovar o que estiver faltando: caneta, lapiseira, grafite, borracha, post-its, iluminadores, marcadores de quadro branco, apagador, pasta com elástico (costumo usar uma cor para cada curso, tentando reaproveitar dos semestres anteriores). Esse ano renovei meu estojinho (um bem básico de plástico e zíper, da Yes), e também tenho sempre um pen-drive e carregador de celular extra no trabalho.

14) Mochila — Bolsa, pasta, mochila… professor está sempre carregando papéis, trabalhos, livros… No mundo ideal, eu andaria com uma bolsa pequena e uma sacola de pano separada para o material de aula. Mas com o histórico dos ombros doloridos e algumas dores nas costas, estou indo trabalhar de mochila. Herdei uma bem simpática (e leve) da minha sobrinha que foi morar fora. ♥

15) Livros — Bem, esse item não se compra no início do semestre… Na verdade, uma ida à livraria (ou sebo ou biblioteca!) é um prêmio pessoal por essa preparação toda! ☺ Observação sobre o anti-consumismo do item 11: comprar livros não é gasto, é investimento! Já frequento a biblioteca do meu instituto toda semana, mas essa listinha me lembrou que preciso explorar mais por lá.

Espero que esses lembretes sejam úteis!

E vocês? Fazem alguma coisa ou têm dicas que esqueci de anotar? Me mandem ou escrevam nos comentários: vou adorar saber da rotina (e das maluquices) de cada um. Espero que não tenham me achado a doida-da-organização!

* Checklist é uma listinha de lembretes para tarefas recorrentes. O objetivo não é ser super original, mas sim juntar um monte de pequenas tarefas numa lista só. Aprendi lendo esse artigo aqui (em inglês), mas no blog da Thais Godinho tem explicação simplificada (em português). Nunca mais parei de fazer as minhas. Tenho várias para diferentes situações. Me avisem se acharem interessante o tema que eu trago alguma outra pra cá.

Sobre o desenho: Esses posts sobre vida acadêmica acabam me exigindo muito na hora de ilustrar, socorro! Fiz uns esboços a lápis primeiro, depois cobri com uma canetinha azul gel Muji 0.38. Deixei secar e passei uma aguada bem suave de aquarela azul (French Ultramarine) com um pincel Winsor & Newton University Series n.1. Como papel, utilizei o verso (que é menos rugoso) do bloco espiral da Canson XL Aquarelle (capa azul turqueza).

Você acabou de ler “Quinze coisas para fazer na volta às aulas como professora“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Quinze coisas para fazer na volta às aulas como professora”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3GO. Acesso em [dd/mm/aaaa].


10 Comentários

Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas

ago2018_p.jpg

Pessoas queridas, bom dia! Aí vai o calendário de agosto, uma homenagem ao nosso amor pela leitura. Não sou de ligar tanto para aniversário (dia 21), mas dessa vez resolvi desenhar algo que amo para comemorar.

Antes que eu esqueça: o .pdf para imprimir!

Os desenhos foram inspirados no livro Women who read are dangerous, que ganhei de uma amiga super generosa. ♥ A capa já apareceu aqui no blog num post anterior. As imagens internas são pinturas, desenhos e fotografias.

Não há tantas figuras de corpo inteiro, como a Marilyn Monroe lendo de biquíni, que no calendário ganhou um vestidinho (é a segunda, da esquerda pra direita, na parte de baixo). Várias pinturas de mulheres nuas aparecem no meu desenho em versões vestidas. Para a grande maioria, tive que inventar o corpo, as roupas e os bancos, cadeiras e sofás em que elas se apoiam. Também só me inspirei nas imagens em que as mulheres estavam efetivamente lendo, e não apenas com um livro nas mãos (entre essas, uma das mais lindas, é do Van Gogh). Outra adaptação foi fazer mulheres negras, que, assim como as mulheres-artistas, estão quase ausentes da obra.

Aqui vai a listinha completa das imagens que me ajudaram — para vocês poderem comparar com a versão desenhada no calendário:

Pieter Janssens Elinga – Woman Reading (1668-70)
Jean Raoux – The letter (1720)
Jean-Etienne Liotard – Marie Adelaide of France (1753)
Gustav Adolph Hennig – Girl Reading (1828)
Carl Christian Constantin Hansen – The Artist’s Sister (1826)
Sir Edward Burne-Jones – Portrait of Katie Lewis (1882-86)
Jean-Jacques Henner – Woman Reading (c.1880)
James Tissot – Stillness (s/d)
Peder Severin Kroyer – Rose Garden (1893)
Carl Larsson – Karin Reading (1904)
Vilhelm Hammershoi – Interior with a Woman Reading a Letter (1899)
Albert Marquet – Standing Female Nude (1910)
Robert Breyer – Woman Reading (1909)
Félix Vallotton – Woman with Yellow Necklace Reading (1912)
Gabriele Münter – Woman Reading (1927)
Duncan Grant – The Stove [Angelica Bell] (1936)
Vanessa Bell – Amaryllis and Henrietta (1952)
Cagnaccio di San Pietro – Portrait of Signora Vighi (1930)
Aleksandr Aleksandrovich Deineka – Young Woman with Book (1934)
Edward Hopper – Hotel Room (1931)
Theodore Miller – Lee Miller and Tanja Ramm (s/d)
Eve Arnold – Marilyn Reading Ulysses (1952)

Desses originais, minhas preferidas são as de Ducan Grant e Vanessa Bell, casal de artistas, ela irmã de Virginia Woolf. Também amei a obra de A. A. Deineka e o desenho da Gabriele Münter.

Desculpem o excesso de links! É para vocês terem um gostinho do livro… Ainda não li a introdução de Karen Joy Fowler, mas em breve conto aqui.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Li recentemente e adorei: Mamãe & Eu & Mamãe, da Maya Angelou (Rosa dos Tempos, 2018).

♥ O que estou lendo: J-B, Debret, historiador e pintor, de Valéria Lima (Ed.Unicamp, 2007). Achei por acaso na Livraria da Travessa e estou amando. Que maravilha de trabalho! Na próxima vida quero ser historiadora da arte.

♥ Acompanhando: a ótima série no blog da Sarah Toledo sobre livros escritos por mulheres.

♥ Li no celular e adorei: a bem-humorada história do casal Kana e Mateusz Urbanowicz, artistas vivendo no Japão, ela japonesa, ele polonês: 47 mini episódios em quadradinhos, por Kana Urbanowicz.

♥ Onde tenho navegado: Public Domain Review, que manda uma simpática newsletter. Outro dia publicaram essa lindeza de obra botânica.

♥ O que amaria ganhar de aniversário: But I Really Wanted to Be an Anthropologist, da divertida Margaux Motin!

♥ Onde tenho postado — Uma das melhores coisas de julho foi ter feito a mudança de duas estantes de livros do trabalho para casa. Eram obras que há muito tempo eu queria ter mais perto. Com a ajuda do Antônio, fizemos uma enorme reorganização e separamos bastante coisa para doar. Vou postar essas doações lá no Stories do Instagram (onde também venho mostrando as prateleiras reorganizadas — vou mostrar a de mulheres em breve). Meu perfil para quem quiser acompanhar: https://www.instagram.com/karinakuschnir/

ago2018_mini1

Sobre os desenhos: Primeiro fiz um rápido esboço a lápis de todas as mulheres e livros. Depois passei canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.05 e colori com lápis-de-cor Polychromos, da Faber-Castell. Tentei usar uma paleta com poucas cores. Alguns pequenos detalhes fiz com canetinhas Pigma Micron de cores diversas. No final, sombreei com lápis-de-cor cinza e azul claro. Minhas preferidas são essas duas deitadinhas. A de cima é totalmente inventada e baseada no meu jeito de ler antes de dormir, vestindo uma calça de pijama bem velhinha que amo. A de baixo é inspirada na pose da imagem de Henner (link acima).

ago2018_mini2

Há algum tempo venho pensando no que eu poderia fazer com esses desenhos dos calendários mensais. Cheguei a pensar em redesenhá-los e imprimi-los na forma de cartões, mas quem ainda usa cartões de papel, além da minha mãezinha? O que vocês acham? Alguém gostaria de prints dessas imagens em resolução melhor? Se tiverem alguma ideia, me escrevam nos comentários ou em e-mails ou DM no Instagram.

Boa volta às aulas a tod@s!!

Você acabou de ler “Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Gx. Acesso em [dd/mm/aaaa].