Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Saber esperar

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Semaninha difícil,  em que precisei de elevadas doses de paciência e compaixão. Sabem aqueles dias em que você se culpa por tudo, e faz até a burrice de atravessar a cidade sem levar o que precisava entregar do outro lado? Pois é. Tudo isso junto e o pior: duas pessoas amadas sofrendo, sem que eu pudesse fazer nada.

A cada final de dia, porém, conversando com as crianças, chegávamos à conclusão de que os piores momentos trouxeram também alguns dos melhores. (Para quem não conhece, todas as noites fazemos aqui em casa o jogo do melhor e do pior.) E sabemos que nossas dificuldades ficam pequenas frente a tantas outras.

Fiquei em muitas filas e acabei conhecendo mulheres incríveis: uma fisioterapeuta surda (primeira à esquerda, na imagem acima), uma senhora com artroses graves que conseguiu se desaposentar por invalidez (a primeira à direita, no desenho acima).

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Num outro dia, conheci essa senhora da imagem acima, com um cabelo todo cinza claro, de uma cor natural tão bonita, que não pude deixar de elogiar. Vaidosa, ela foi me contando sua história de mansinho… era sobrevivente de uma leucemia.

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Num outro dia, ajudei a senhora (acima), dessa vez, a encontrar o Centro Médico onde iria acompanhar a ultrassonografia da filha, a espera de seu primeiro neto, ou neta! Eu tinha acabado de ter uma notícia pessoal tão ruim… mas, ao conversar com a senhora Regina, me dei conta de que estávamos indo para o mesmo local onde há 17 anos fiz a primeira ultra da gravidez do Antônio, acompanhada pelo seu avô, ansioso por ouvir bater o coração do primeiro neto. Deixei-a tão agradecida na porta do prédio, por eu tê-la acompanhado. Mas senti meus olhos marejarem, certos de que foi ela quem me ajudou.

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Outra imagem da semana veio do livro que estou lendo e amando: Testemunha ocular, de Peter Burke. Não sei se já contei aqui, mas foi uma sorte ter comprado essa preciosidade antes que se esgotasse. Prometo que faço um post quando terminar. Essa moça estava na foto de um quadro analisado no livro. Achei-a com uma pose de “espera”, com as outras tantas mulheres que encontrei nesses dias de clínicas e filas.

Fiquem com meu desejo de boas férias, com muitos encontros e histórias bonitas para contar. Que possamos saber esperar, tendo esperança, como a Alice me ensinou outro dia. — Esperar não é ficar parada, mãe. É muitas coisas: ter esperança, contar com, não desistir.

Sobre os desenhos: Comecei um pequeno caderninho vermelho e resolvi que todos os desenhos nele seriam com uma canetinha vermelha 0.5 da Muji. As sombras em rosa foram feitas com uma caneta pincel Tombow e outra da Koi brush Sakura. As duas mulheres que me contaram um pouquinho de suas vidas foram desenhadas depois, de memória. Na imagem destacada do post (abaixo), alguns itens que adoro e que sempre ajudam a esperar! As cores são também uma homenagem a Fran Meneses, uma ilustradora chilena (vivendo na Inglaterra, atualmente) que admiro e acompanho no Youtube e no Instagram.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Saber esperar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2wt. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Minhas memórias do NuAP – Núcleo de Antropologia da Política

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Pessoas queridas, essa semana participei de um evento em comemoração aos 20 anos do NuAP – Núcleo de Antropologia da Política. Compartilho com vocês as memórias que escrevi para apresentar lá que são, sobretudo, uma homenagem ao professor Moacir Palmeira.

Espero que gostem! Com o desejo de um final de semana tranquilo para todos nós.

Minhas memórias do NuAP  – Karina Kuschnir

“Começo agradecendo ao convite dos professores Moacir Palmeira e Marcos Otávio Bezerra para participar desse evento, assim como a John Comerford e a todos do NuAP, de ontem e hoje.

Queria dizer logo o mais importante: participar do NuAP foi um sonho para mim, uma alegria enorme, um privilégio. E não digo isso porque estou fazendo um balanço 20 anos depois. Não. Desde o momento em que fui convidada a participar, pensei no quanto eu estava tendo uma oportunidade especial e rara, tipo, eu era feliz e sabia!

Explico melhor. Foi uma chance inacreditável nos meios acadêmicos. E por quê? Porque eu era uma aluna de pós-graduação e não estava vinculada como orientanda a nenhum dos professores do NuAP. Minha participação se deu em nome da produção de conhecimento, pela afinidade temática das pesquisas.

Em 1992, quando o professor Moacir Palmeira publicou “Voto: racionalidade ou significado?”, o que acredito ser o primeiro dos seus artigos no campo da antropologia da política, num dossiê da Revista Brasileira de Ciências Sociais, eu estava fazendo trabalho de campo entre os parlamentares na Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Tanto esse artigo de 1992, quando o texto “Política, facção e compromisso”, também de Moacir, de 1991, apresentado no “Encontro de Ciências Sociais do Nordeste” estão na bibliografia da minha dissertação, defendida em 1993, no PPGAS/Museu Nacional/UFRJ.

Fiquei fascinada e influenciada por esses trabalhos pois, até então, a única tese de antropologia sobre políticos que eu conhecia era a da Cecília Costa, feita basicamente por meio de entrevistas em 1980.

Não por acaso, quando decidi pelo tema da política, num mestrado de antropologia, fui fazer cursos optativos em outras pós-graduações: na Ciência Política, do Iuperj, com o prof. José Murilo de Carvalho, e no programa de pós em História da PUC-Rio, com a professora Margarida Neves. Essas duas interlocuções – com a bibliografia e os amigos cientistas políticos e historiadores – foram bem importantes para mim.

No mestrado e no doutorado, fui orientanda do professor Gilberto Velho, de quem também fui assistente de pesquisa por vários anos. O Gilberto sempre teve um trabalho muito intenso de reunir seus alunos, estimulando nossas trocas e colaborações, mas não havia no grupo ninguém trabalhando com política além de mim.

Portanto, desde 1993, comecei a participar e trocar com colegas que viriam a formar o NuAP alguns anos depois (1997). Essas eram as interações mais importantes e significativas para mim, ansiosa por me sentir “antropóloga de verdade”.

Isso foi tão forte, que a memória prega peças. Eu achava que minha primeira comunicação num congresso acadêmico tinha sido na Reunião da ABA de Niterói, em março de 1994, porque nessa ocasião eu e várias pessoas do grupo que formou o NuAP estávamos num GT assistido e comentado pela Mariza Peirano. Fiquei tão nervosa e, ao mesmo tempo, feliz, que esse evento ficou um marco. Revendo um currículo antigo, porém, de antes do Lattes, percebi que não, essa não foi a minha primeira comunicação científica. Eu já tinha apresentado trabalhos na Anpuh e no Iuperj!

Nesse mesmo ano, de 1994, entre agosto e setembro, ocorreu o primeiro evento de antropologia e eleições, que muitos aqui certamente participaram. Mais uma vez, tive o privilégio de falar, ainda iniciante, num ambiente de pesquisadores que eu admirava, com interesses tão próximos aos meus. Nessa mesma época, também tive a sorte de entrar para o doutorado no PPGAS, em agosto, na mesma turma que Marcos Otávio Bezerra, cujo trabalho tanto admiro.

Logo no semestre seguinte, em 1995, vivi um dos grandes momentos da minha vida acadêmica: fiz o meu primeiro curso com o professor Moacir Palmeira, intitulado: “Poder, dominação e política nos estudos de comunidade”. Posso dizer sem sombra de dúvida que foi uma experiência fantástica, que só aumentou a admiração pelo autor, professor, pesquisador. Realmente não tenho palavras suficientes para elogiar suas aulas e o tanto que aprendi nesse semestre, com ele e com os colegas, como o Marcos, Gabriela (Scotto), Renata (Menezes), entre outros. E pela primeira vez tive um professor que anotava o que eu falava!

Ali também se configurava para mim uma lição do melhor da antropologia: a leitura de autores de diferentes correntes teóricas (tanto da sociologia quanto da antropologia) e nacionalidades, pesquisando em várias partes do mundo, selecionados pelo professor em prol do livre debate de ideias, sem visões salvacionistas, sem ceder aos modismos.

Em 1996, vieram os primeiros eventos do futuro NuAP – que se forma oficialmente em 1997 – e a oportunidade de irmos a Fortaleza e trocarmos de modo mais próximo e intensivo.

Intensidade acho que é a palavra ótima para definir esses primeiros anos do NuAP. Nós trabalhávamos tanto que fui a Fortaleza e voltei duas vezes sem sequer pisar na areia da praia! E, pensando bem, assim eram as aulas do Moacir também: começavam um pouquinho atrasadas mas não tinham hora para terminar.

Eu vivia entre dois mundos, como vocês já podem estar imaginando. Precisava acordar às 6 da manhã, para estar às 7:30 no Museu no horário do Gilberto. Mas fazendo pausas para muitos pães de queijo, que o Gilberto não ficava sem comer de jeito nenhum.

Na parte da tarde, nas aulas do Moacir, ai de quem pensasse em comer ou parar de discutir teoria antes das 7 da noite! Haja amor pela antropologia!

Nos eventos de pesquisa, havia um contraste parecido. Gilberto era sincrético, eclético, social, extremamente produtivo e obsessivo, mas sempre querendo chegar na parte dos salgadinhos e do vinho!

Moacir me parecia o oposto: metódico, focado, intenso, seríssimo. Ao ponto que um dos eventos do NuAP foi marcado num convento em Santa Teresa – nada de distrações, nem álcool!

Pelo menos essa era a visão de uma jovem pesquisadora, não-orientanda dele, que o via como um dos grandes sábios, junto, é claro, com Mariza Peirano, Beatriz Heredia, a Irlys e o Cesar Barreira, o Odaci Coradini e todos os demais colegas com quem tive o privilégio de conviver, principalmente nos primeiros dez anos do Núcleo.

A Mariza, de quem depois daquela ABA conheci a delicadeza, foi autora muitos artigos e livros (como A favor da etnografia e Teoria vivida) que me marcaram, e organizadora de “O dito e o feito”, assim como orientadora de vários trabalhos importantíssimos do acervo do NuAP.

Em 2006, quando entrei para o IFCS, tive a sorte de passar a conviver e oferecer cursos em colaboração com a professora Beatriz Heredia, autora e co-autora com Moacir dos trabalhos seminais da área de Antropologia da Política que vieram a ser reunidos no volume Política Ambígua, certamente um marco na história da antropologia brasileira.

Aliás, tenho falado de aulas, eventos e convívio, mas talvez não tenha enfatizado o principal. Para mim, tudo começou com a leitura de dois artigos do Moacir… e foi se tornando uma grande bibliografia de textos, dissertações, teses, capítulos e livros que geraram um conhecimento enorme sobre a sociedade brasileira, em toda a sua complexidade.

Do candidato que abre a panela de feijão, passando pelo eleitor que faz suas apostas e se diverte no tempo da política, ao debate com a literatura nacional e internacional, sempre privilegiando o etnográfico e o comparativo como eixos centrais. Tudo isso está analisado, discutido e registrado nas páginas do selo NuAP, formando um capítulo importante da teoria antropológica brasileira.

É, sem dúvida, um grande legado, e agora acessível online. Nossas conversas continuaram acontecendo no papel, nas citações mútuas, nos enormes aprendizados que tivemos uns com os outros e que passamos para os nossos alunos e orientandos. Nesse último semestre, uma turma de alunos de graduação do IFCS ficou encantada ao descobrir e escrever trabalhos baseados nas publicações do NuAP. É tão bom ver tudo isso vivo e circulando entre as novas gerações.

Só tenho a agradecer por ter feito parte dessa história. Muito obrigada.”

Comunicação apresentada na mesa: Antigas colaborações, novos debates. Vinte anos do NuAP – Núcleo de Antropologia da Política. Rio de Janeiro, Museu Nacional, Auditório do Horto Botânico, em 7/07/2017.

Sobre os desenhos: Páginas do caderninho que levei para anotar durante o evento. Utilizei uma canetinha Bic comum, colorindo com algumas canetas pincel Tombow das cores azul escuro e cinza, além de uma Koi Sakura brush azul clara. O caderno é um Cícero pautado, A5, folha bem comum, 75gr., daí as canetas vazarem de uma página para a outra.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Minhas memórias do NuAP”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-nuap. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Julho/2017 e as fascinantes histórias da etnobotânica

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“Plantas e civilização: as fascinantes histórias da etnobotânica” foi o melhor livro de não-ficção que li em 2017! O Luiz Mors Cabral é um narrador fantástico, sedutor, bem humorado, daqueles que incluem detalhes incríveis na medida perfeita. Seu objetivo é a prosa científica clara e precisa, sem ser simplista. São 18 capítulos que misturam sua vida pessoal e acadêmica com as aventuras das plantas mundo afora, numa viagem pelo tempo e por dezenas de países, populações e bibliotecas.

Para quem, como eu, ama aprender, o livro é um achado! Não é todo dia que podemos dizer: aprendi novas formas de olhar o mundo. Ir à feira nunca mais será a mesma coisa! As maçãs, hoje tão inocentes e docinhas, quem diria, têm todo um passado a esconder. Muito azedas e próprias para fabricar bebidas alcóolicas, desceram tão baixo na reputação das frutas, que tiveram que passar por um banho de marketing, para se livrar da fama de degeneradoras de lares nos Estados Unidos.

E desenhar um coração, nosso emoji-master ♥? O Luiz nos conta que tudo começou com o laserpício, uma erva medicinal utilizada no século V a.c., na região de Cyrene (atual Oriente Médio). Era tão famosa por suas propriedades contraceptivas, que cunharam-se moedas em sua homenagem utilizando uma marca gráfica que simbolizava a vagem dessa planta, num formato que, aos olhos de hoje, perceberíamos como um “coração”. Vegetal, sexo, amor, coração — taí a história da “maior contribuição de uma planta ao imaginário humano”!

Um aspecto adorável da narrativa é o entrelaçamento da vida do autor com as pessoas e situações que levam às suas buscas na etnobotânica. Seu avô, sua família, seus amigos, suas aventuras de infância e adolescência — tudo isso vai se transformando em história, daquelas que nos levam a virar as páginas, sem esforço. Assim, por exemplo, entramos no Museu Van Gogh, e descobrimos uma planta na mão do Dr. Garchet (várias vezes retratado pelo amigo pintor). Era um tipo de digitalis, na época muito utilizada para tratar distúrbios psiquiátricos, mas com efeito colateral de provocar alterações na percepção visual, da intensidade extrema à criação de halos, além de uma possível intoxicação que pode ter exacerbado a depressão de Van Gogh.

Nada disso é contado no tom de um funcionalismo rasteiro. Ao contrário, o autor é cuidadoso ao extremo, sempre citando suas fontes e ponderando sobre seus aspectos especulativos e delicados, face ao contexto de hoje. Felizmente, para mim, ele também é fascinado por histórias de tintas e cores, não só as de Van Gogh. Aprendi que o amarelo indiano, que tanto amo, já foi feito um dia com a urina de vacas condenadas a só comer folhas de mangas! Graças à reação dos artistas ao forte cheiro do pigmento, as bichinhas foram poupadas dessa dieta e as sociedades de proteção às vacas ajudaram na luta contra o poder colonial britânico. Também vieram das árvores os taninos que se usavam para fazer tinta do tipo ferro-galha, material que está em manuscritos como os de Bach, Galileu e George Washington.

Fiquei comovida em todos os capítulos sobre seu avô, químico que ajudou a fundar o Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, da UFRJ. Como muitos da minha família, ele também foi um refugiado de guerra, que depois se apaixonou pelo Brasil. Se envolveu em pesquisas sobre a borracha e sobre medicamentos naturais, trabalhando até muito idoso em seu laboratório e na orientação de alunos. Sua biblioteca deve ter sido uma enorme fonte de inspiração para o neto, assim como as narrativas dos navegadores e exploradores, abundantes no livro.

Ao contrário de nós, pessoas comuns, Luiz Mors Cabral cruza com uns tipos incríveis, como o seu colega de quarto em Bruxelas, mexicano e neto do agricultor que descobriu o Bloco Cascajal! Pois é, por mim, passaria batido… mas Luiz nos conta: trata-se nada mais nada menos do que uma pedra olmeca, com 62 símbolos que são o registro mais antigo de escrita das Américas (900 a.c.)!

Da descoberta da aspirina às pesquisas atuais sobre a malária, passando pela origem das galinhas, do fuso-horário, da cerveja e da batata-doce nas Américas: tudo se transforma em aventura nesse livro! Às vezes, é até difícil de acreditar.

Minha passagem preferida, no entanto, é uma singela lembrança da infância do autor:

“Meu gosto pelo estudo da origem das plantas tem muito a ver com o milho. Quando era pequeno, costumava brincar no milharal que havia no sítio do meu avô paterno. Ali, certa vez, encontrei um milho estranho, bem diferente dos demais (…). Ninguém soube me explicar que planta era aquela. A resposta só veio no final das férias, quando mostrei-a para meu avô materno, que era químico de produtos naturais. Ele analisou a haste com muito interesse e disse: ‘Isso é uma mutação atávica do milho! Por algum motivo esse milho voltou a ser parecido com o seu ancestral!’

Não se pode dizer que meu avô tenha resolvido o mistério. Antes, ele o substituiu por outro ainda maior e mais instigante. Este livro começou a nascer naquele momento, quando descobri que plantas tinham ancestrais e histórias.” (p.155)

Esse trecho me fez pensar no quanto devemos respeitar nossos primeiros encantos, aquilo que nos fascina desde pequenos. É aí que está o sentido que nos move!

Pensando naquela pergunta que fiz na semana passada — “como cheguei até aqui?” –lembro das professoras e professores maravilhosos que tive, dos livros que vi e li, e de como tudo isso se materializa hoje em dia nesse blog, um espaço de liberdade, em que posso dar asas ao meu fascínio infantil pelo conhecimento.

Às milhares de pessoas que visitaram o blog desde o post sobre a vida de professora, meu imenso obrigada. Agradeço comovida o carinho das mensagens, o apoio, a solidariedade e as contribuições e exemplos que vocês trouxeram nos comentários e e-mails. Sejam todos super bem-vindos!

Graças a vocês, batemos duas marcas: mais de 300 mil visitas e mais de 200 mil visitantes. Não que eu esteja contando! 😉

Se vocês gostam do assunto plantas e aventuras, um dos meus posts preferidos é o que escrevi sobre As quinze vidas de Margaret Mee.

Sobre o livro: CABRAL, Luiz Mors. 2016. Plantas e civilização: fascinantes histórias da etnobotânica. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro. (Ilustrações Carolina Engel.) A edição é lindíssima, mas muitos capítulos podem ser lidos no blog do autor: oetnobotanico.wordpress.com

Sobre os desenhos: Todas as flores foram escolhidas a partir de pesquisas na internet sobre as plantas citadas no livro. Primeiro fiz uns rascunhos a lápis na abertura de cada capítulo, buscando simplificar as formas. Depois desenhei num papel separado com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.1., colorindo com lápis de cor (a maioria Polychromos, da Faber-Castell). Só depois tive a ideia de usar para o calendário de julho… Para não ter que desenhar tudo de novo, escaneei e editei no meu velho Photoshop (de 2007, presente de um aluno, que ainda funciona!). Prefiro desenhar direto na folha do calendário, mas foi o possível esse mês!

Para a imagem de Julho/2017 em .jpg, basta clicar no calendário no alto do post, ou aqui para imprimir em .pdf.

Para ver uma amostra de cada planta, aí vai a imagem original.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Julho/2017 e as fascinantes histórias da etnobotânica”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2qq. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Sete coisas invisíveis na vida de uma professora

estojokkpEsse post não é uma obra de ficção: todos os fatos relatados abaixo aconteceram (e acontecem) comigo, professora universitária desde 1992, e com todas as professoras que conheço. Dedico esse texto às colegas da UERJ e das instituições do Estado do Rio de Janeiro em geral, trabalhando em condições aviltantes, há vários meses sem salário.

Dando aula sobre a obra “A representação do eu na vida cotidiana”, de Erving Goffman, sempre me sensibilizo com o exemplo das enfermeiras. O autor utiliza essa profissão para ilustrar um tipo de atividade que precisa encontrar estratégias para tornar seu trabalho visível, já que boa parte de suas tarefas e habilidades técnicas passa despercebida pela maioria das pessoas.

Me espanta que o Goffman não tenha usado o caso dos professores, esses seres que só parecem trabalhar quando estão diante de alunos numa sala de aula, algumas horas por semana. Opa, que beleza de emprego, né? Só que não! Aquela horinha diante dos estudantes é uma ínfima parte de trabalho na representação cotidiana da nossa vida.

Para sanar esse problema, aí vão os bastidores da vida de uma professora, atividade que adoro exercer, mas que me faz acordar todos os dias pensando: como vim parar aqui?

1) A aula em si — Para cada 50 minutos de aula ministrada com entusiasmo, passo umas 3 horas estatelada de exaustão depois. Se a aula foi ruim, me torturo pela minha incompetência. Se foi boa, fico feliz e mais cansada ainda, porque dar uma aula boa significa empenhar mais o corpo, a emoção e a voz. Como a maioria das aulas é de dois ou três tempos seguidos, de até 3 horas e 30 minutos, multipliquem o tempo de “estatelamento” proporcionalmente. Ou seja, uma manhã dando aulas é um dia inteiro perdido. Um amigo meu chama esse cansaço pós-aula de “estado vegetativo”. É bem por aí.

2) Antes da aula (1) — Retrocedendo um pouco. Antes de dar uma aula, é preciso prepará-la, certo? Na minha prática, pelo menos, sim. Não confio na memória, muito menos na ideia de que os alunos lerão todo o material didático e terão perguntas capazes de me ocupar por um tempo inteiro. Portanto, só me resta preparar. Para 50 minutos de aula sobre um autor, digamos que eu tenha sugerido um texto de 50 páginas. Para reler esse texto com calma, anotando um resumo com seus pontos mais importantes, levo de duas a três horas. Para ler material de apoio e, em alguns casos, preparar um datashow, mais duas ou três horas. Agora multipliquem novamente para as 8 horas semanais em sala de aula. Numa semana dando aula terça e quinta, por exemplo, a segunda e a quarta estão perdidas nisso.

3) Antes da aula (2) — Ok, vocês devem estar pensando, mas você não repete os cursos de um semestre para o outro? Sim, às vezes. Por isso escrevi acima que iria “reler” um texto. Dificilmente coloco um material num programa de curso que eu nunca tenha lido antes. É muito arriscado. Por outro lado, se quero ser uma boa professora, vou ficar repetindo eternamente os mesmos autores, textos e aulas? Não dá. Preciso ler coisas novas, acompanhar debates interessantes na área e, no meu caso, principalmente, estou sempre me desafiando a planejar uma aula, não apenas um monólogo. Portanto, seja relendo, seja ampliando meus conhecimentos, seja planejando coisas novas, para cada hora em sala de aula, gasto pelo menos o triplo para me preparar.

4) As bombas de efeito moral — A sobrevivência ao looping preparação-aula-cansaço-preparação-aula-cansaço até que vai bem por umas seis ou sete semanas. O problema é que na oitava semana existem as bombas de efeito moral: corrigir a primeira leva de provas e trabalhos. Pelo menos na universidade, ainda não inventaram um sistema de dar aulas sem avaliar. Para corrigir bem cada prova levo cerca de 15 minutos. Se tenho 100 alunos num semestre, são 1500 minutos ou 25 horas. Ok, vocês vão dizer que estou exagerando. Não estou, mas darei um desconto. Digamos que eu não tenha tantos alunos assim, ou que eu leve apenas 8 minutos por prova (considerando que algumas são muito curtas ou inacabadas): ainda seriam quase 14 horas de correção. Como sou humana, o máximo que consigo me concentrar nesse tipo de atividade num dia é 5 ou 6 horas, o que, contando os intervalos para comida e cafeína, somam três dias inteiros só para as primeiras provas do semestre. Multipliquem pelas duas ou três avaliações seguintes… Isso sem falar na hipótese de ter que ficar verificando no Google se o estudante copiou um texto da internet. Quando acontece, volto três casas no video-game, porque preciso ligar para uma amiga professora, pedir um ombro para desabafar e me convencer de que nem tudo está perdido.

5) Como tudo aconteceu — Se vocês leram até aqui esse post, devem ter simpatia pelos professores ou, quem sabe, querem até exercer o ofício, certo? Pois então… como alguém se torna professor(a)? Nossa-senhora-do-tempo-de-estudo te abençoe, meu filho. São meses estudando para concurso, anos fazendo doutorado, mestrado, especialização e mais alguma coisa. Não vou entrar nas minúcias dessas pedreiras… Só façamos as contas. Nos tempos atuais, são uns dois anos de mestrado, mais 4 de doutorado, e pelo menos 1 ou 2 anos de dedicação (e um pouco de estado vegetativo, claro) antes ou depois disso tudo, o que dá fácil uns 8 anos estudando, escrevendo e outras coisinhas.

6) A vida paralela — Essas “outras coisinhas” que mencionei acima acontecem todas fora da sala de aula, e não são detalhes. Sempre que uma professora entra em uma sala de aula, dezenas de outras professoras estão: realizando pesquisas, dando palestras, orientando alunos (um mundão à parte!), participando de bancas e concursos de seleção, escrevendo pareceres e cartas acadêmicas, colaborando em comissões de inúmeros tipos, atuando junto às agências de fomento, implementando projetos de extensão, assumindo cargos administrativos, criando programas de pós-graduação, mestrados e doutorados, editando revistas científicas, gerindo grupos de pesquisas e entidades da área, preenchendo formulários, editais, relatórios e prestações de contas, lendo, escrevendo, publicando. O tempo nunca é o suficiente, porque a produção de conhecimento da humanidade é infinita — e esta é a matéria-prima de todos esses trabalhos, das aulas inclusive.

7) E a vida não-paralela — Ah, sim, e eu já ia esquecendo: também temos uma vida não acadêmica para viver. Nos apaixonamos, casamos, descasamos, sofremos, envelhecemos, temos filhos, doenças, famílias, casas, mudanças, paixões, histórias, atividades políticas, práticas e lúdicas. Tudo isso e mais um pouco.

Com certeza, esqueci de um monte de coisas, pessoal. Mas tudo bem. Que esses bastidores da nossa vida cotidiana sejam mais visíveis para que, além de faltar salário, não falte o reconhecimento de vidas inteiras dedicadas a esse ofício tão essencial a todos os outros.

Outros posts sobre esses assuntos podem ser lidos seguindo a tag mundo acadêmico. Gosto especialmente de um antigo, que escrevi sobre o Paulo Rónai.

Me contem nos comentários se tudo isso faz sentido para vocês.

Pós-escrito 1 (22/06) – Pessoal, muito obrigada! Não imaginava que tanta gente ia se identificar… Juro que acordei pensando que devia ter agradecido mais e enfatizado como gosto de ser professora etc. Felizmente, uma amiga querida me escreveu no Whatsapp: não precisa agradecer mais não! Fui rever o texto e vi que, afinal, já estava escrito que “adoro exercer” a profissão. O que me faz perceber o quanto de culpa todos carregamos por ter uma ocupação privilegiada sim (por nos permitir estudar e ler coisas maravilhosas), mas que nem por isso deixa de nos exigir sangue, suor e lágrimas quase todos os dias. Como não gosto de alimentar a cultura do sacrifício, o que tenho feito é abrir mão de muitas das coisinhas paralelas que listo no texto… Também queria agradecer especialmente aos professores não universitários que têm escrito e compartilhado… Tenho uma admiração infinita por vocês . E a todos que estão começando: espero que o texto não seja para desanimar e sim para perceber o tanto de planejamento e cuidado consigo próprio que um professorx precisa ter… O que não dá é para aceitar tudo, nem passar por cima, nem achar que é normal viver esgotado, tomando remédios para dormir e acordar, sem vida pessoal. E viva a chegada das férias 🙂 — só precisamos sobreviver às bombas de efeito moral antes!! 😉

Pós-escrito 2 (22/06) – Gente, a coisa mais linda de ter escrito esse post é ver centenas de professores sendo elogiados em público! Nos compartilhamentos no Facebook, tem montes de alunos fazendo declarações de amor às suas professoras e professores. Só isso já vale tanto! No arte, se fala às vezes da ressaca da vulnerabilidade, quando você lança sua obra ao mundo e fica um vazio, porque nunca se tem bem a certeza de como vai ser recebida. Agora, multiplica isso por todas as aulas que já demos… é muita sensação de vulnerabilidade junta. Aliás, voltando ao Goffman, ele acerta de novo quando diz que a plateia (alunxs) tem uma vantagem enorme sobre o ator; ela não está lá se expondo… nós sim. Multiplico tudo isso por milhões para os colegas do ensino básico, para os horistas das faculdades privadas (já dei 26 horas de aula como horista por semana, em 3 empregos; e grávida). Obrigada por essa onda maravilhosa de energia a todos que comentaram aqui também. 

Sobre o desenho: Professora que é professora tem que ter um estojinho na bolsa, né? Aí vai o meu atual, com post-it, marcador amarelo, caneta, elástico, pen drive, lápis-borracha, canetinha roxa e marcador de quadro branco. Só esqueci da lapiseira! Desenhei direto com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.1. Depois pintei com aquarela e pincéis diversos. Utilizei um pouquinho de lápis-de-cor e uma canetinha de tinta branca Gelly Roll 0.8, da Sakura, para fazer o xadrez do estojo da marca Yes.

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Você acabou de ler “Sete coisas invisíveis na vida de uma professora“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Sete coisas invisíveis na vida de uma professora”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2lk. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Mini paleta de aquarela

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Alguns pesquisadores acreditam que a aquarela existe desde 800 a.c., quando os egípcios coloriam seus papiros com pigmentos naturais misturados com goma arábica, clara de ovo e água. É incrível pensar que essas tintas eram utilizadas nas miniaturas pintadas à mão em livros por gregos, romanos, sírios e bizantinos até o século 9 d.c. Quase todos os livros de história da aquarela dizem que o pintor alemão Albrecht Dürer (1471-1528) foi o primeiro artista (ocidental) a realizar pinturas em aquarela, embora naquele tempo esse material fosse considerado menor, sendo utilizado apenas para croquis, estudos e diários de viagem, por ser de fácil transporte e secagem rápida. Do século 19 em diante, os estojos de aquarela para amadores se tornaram cada vez mais populares e acho que agora, nos anos 2010, estamos vivendo uma valorização enorme dessa mídia.

Todo esse preâmbulo foi para apresentar a vocês o estojinho miniatura que comprei no ano passado no evento dos Urban Sketchers em Manchester, Inglaterra. Numa caixinha igual a um porta-cartão-de-visitas, a empresa Expeditionary Art conseguiu colocar uma base de ímã, uma base branca e 14 recipientes de metal para as tintas. Tive a sorte de ver uma pessoalmente, porque só vendo para acreditar em quão pequena é essa paleta. Não foi barata. Se não me engano, paguei 25 pounds (cerca de 100 reais) na versão vazia, e 35 numa versão já com as tintas, pois queria trazer uma de presente de aniversário para uma amiga.

Foi um investimento maravilhoso. Alguns colegas disseram que iria enferrujar, mas já tenho há quase um ano e não vejo o menor sinal de desgaste. A grande maravilha dessa paleta é poder levá-la para todos os lados sem aquela neura de ficar com a bolsa muito pesada.

Há tempos estava querendo atualizar a seção Materiais aqui do blog. Portanto, aí vai um dos meus itens preferidos!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Minha fonte para essa pequena historinha da aquarela foi o livro The big book of watercolor, do Jose M. Parramón. Gosto da parte histórica inicial, mas não recomendo para quem quer começar na técnica. É um daqueles volumes mais para olhar do que aprender, com um jeito meio tradicional de “como fazer” o céu, o mar etc. Para ver uma aquarela do Dürer de pertinho, achei esse vídeo da Kahn Academy.

* A mini-paleta de aquarela pode ser vista em mais detalhes no site da Expeditionary Art ou nessa resenha com filminho no final do Parka Blogs.

* Continuo lendo artigos ótimos no site da Revista da Fapesp e, embora eu seja super defensora da inbox mínima, recomendo muito que vocês assinem o boletim deles por e-mail.

* Foi justamente dessa fonte que descobri o excelente artigo Bororo na Tela, contando porque o filme “Rituais e festas Bororo”, do major Luiz Thomaz Reis (1879-1940), deve ser considerado o primeiro documentário etnográfico de que se tem conhecimento.

* Outra leitura interessante foi o artigo no blog do Instituto Moreira Salles sobre a fotografia de Antonio Luiz Ferreira, que registrou, em 17 de maio de 1888, a missa campal realizada no Rio de Janeiro para celebrar a Abolição da Escravatura. Só de saber que essa foto existe e que há uma coleção imensa de imagens dessa qualidade disponíveis online já é uma maravilha.

* Outra lindeza foi seguir a dica da Julia O’Donnell e revisitar a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, onde se pode ler online milhares de páginas de jornais históricos brasileiros e de outros países. Só nos últimos 30 dias o site teve mais de 3 milhões e 800 mil páginas visitadas! Esse número nos dá esperança de que nem tudo está perdido , concordam?

* Finalmente, queria compartilhar com vocês que a melhor coisa dessa semana foi receber uma mensagem de uma ex-aluna agradecendo por minhas aulas. Eu que agradeço, querida. Inspirada em você, lembrei de sorrir mais, de me manter forte e determinada, sem esquecer da gentileza. Que seu caminho seja de aprendizado positivo e construtivo. Obrigada por existir, resistir e insistir!

Sobre o desenho: Aquarelinha feita em três etapas. Linhas com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron (0.1) e uma primeira mão de tinta com as próprias aquarelas do kit. No dia seguinte, pintei novamente para dar mais intensidade. E ainda num outro dia (esqueci de escrever a data), reforcei algumas áreas mais escuras e a sombra do objeto no papel. O caderninho é um Hahnemühle A6 chamado Sketch & Note, com um papel comum, mas de gramatura um pouco superior (125gr) à média, que aguenta uma aquarela leve. Descobri esse caderno na Casa do Artista em São Paulo e depois comprei novamente na estadia em Lisboa, na maravilhosa Ponto das Artes do Chiado. É super leve para ter na bolsa. Utilizei vários pincéis, pois fiz o desenho em casa, mas costumo ter no estojo da bolsa uma caneta pincel de água (waterbrush) da Kuretake.

Sobre as tintas: Como comprei o kit com algumas pecinhas já cheias de tinta e outras vazias, não sei todas as marcas, mas vou especificar os nomes, da direita para a esquerda, começando na fileira de cima: 1-Espremi duas cores: Vandyke Brown e Indigo, 2-Ultramarine, 3-Cobalt blue; 4-Violet; 5- Permanent magenta e Opera Rose; 6-Rose de Potter e Ruby Red; 7-Scarlet Red. Na segunda fileira: 8-Turquoise; 9-Cerulean; 10-Perylene Green e Terre verte; 11-Sap Green; 12-Burnt Sienna e Pure Orange; 13-Quinacridone Gold e Raw Sienna; 14-Pure yellow e Lemon yellon. A maioria é da marca Winsor & Newton (algumas artísticas, outras da linha estudante, da Cotman), mas o Pure yellow e o Ruby red são da Schmincke.  Se quiserem mais informações sobre as tintas e cores me avisem! Fico meio preguiçosa de escrever sobre esses detalhes porque acho que a maioria dos leitores que vêm aqui são do meio acadêmico e não estão nem ligando para os materiais de pintura! 😉

Espero que todos estejam aproveitando esse feriado prolongado para descansar ou produzir mais.

Até semana que vem!

Você acabou de ler “Mini paleta de aquarela“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Mini paleta de aquarela”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2gJ. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Sketchnoting – Desenhando e anotando

EvaLottaLammp“A melhor maneira de aprender é se divertindo”, diz a artista alemã Eva-Lotta Lamm, numa palestra sobre sketchnoting, algo como desenhar e anotar ao mesmo tempo. Já sou fã da Eva há alguns anos e, em janeiro, assisti novamente a uma palestra dela para me inspirar. Gosto demais da liberdade com que ela se expressa, num misto de despretensão e busca por qualidade, duas das coisas que mais admiro num trabalho. Se eu pudesse escolher, queria um mundo assim: com bom humor, sem arrogância e sempre em busca de aperfeiçoamento, clareza e precisão.

Venho pensando sobre os artistas que admiro, tentando descobrir os caminhos por onde quero desenvolver o meu próprio desenho. Uma das coisas que percebi é que o meu Olimpo das artes é feito de imagens e palavras juntas. Como diz aquela brincadeira do Millôr: “Uma imagem vale por mil palavras… mas tenta dizer isso sem palavras!” Pra que separar coisas que vão tão bem juntas!

Sem que eu tivesse planejado, o exercício de assistir anotando e desenhando a Eva-Lotta acabou transbordando para a forma como registrei meu caderno da viagem a Portugal, em janeiro/2017. Abaixo, a página sobre o encontro com o pesquisador e desenhador científico Pedro Salgado, no Jardim Botânico de Lisboa, cuja conversa foi mediada pelo artista João Catarino (de quem prometo falar mais num próximo post). Ambos fazem parte do seleto Grupo do Risco, composto de desenhadores e artistas aventureiros talentosíssimos.

PedroSalgadop

Num outro dia, ainda em Lisboa, assisti a um evento organizado pelos Urban Sketchers Portugal, pelo Nelson Paciência e pelo Eduardo Salavisa (meus ídolos do desenho, como vocês já sabem de outros posts) no Museu do Carmo (viva a Rita!). Entrei novamente no espírito sketchnoting, fazendo pequenas anotações visuais ou, como escreveu a outra Rita (Caré), se calhar, fiz uma reportagem desenhada.

FilipeAlmeidap1

Junto com a fala do Filipe, que não coube numa página só, ganhei de brinde o autógrafo do palestrante e um desenho (assinado pelo artista) do brinquedo favorito do Vasco, filho do Nelson (abaixo).

FilipeAlmeidap2

Espero que os meus rabiscos inspirem vocês a desenharem e anotarem. Assim que as aulas acabarem, prometo voltar a publicar na quarta ou na quinta. Sei que sexta-feira é um dia péssimo para o blog, mas está sendo o único possível.

Bom final-de-semana, pessoal!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-e-dignas-de-nota, incluindo as fontes mencionadas acima:

* A palestra da Eva-Lotta Lamm está aqui e a página oficial dela é http://www.evalotta.net/.

* Um livro pioneiro, que organizou o tema do Sketchnoting é esse aqui.

* Para confirmar a frase do Millôr, utilizei essa fonte.

* Para ter um gostinho, vejam os talentos do Grupo do Risco.

* Ainda em Portugal, nunca é demais visitar os blogs do Eduardo Salavisa, do Nelson Paciência, do João Catarino, da Rita Caré e dos muitos Urban Sketchers lusos.

* Uma das maravilhas que tenho acompanhado na internet: os desenhos sobre saúde mental feitos pela artista Gemma Correll. Ela também publica no Instagram com a hashtag #mentalillnessfeelslike.

* E para quem tiver a felicidade de estar em Lisboa entre 10 a 14 de julho de 2017: haverá um Workshop em Desenho Etnográfico, na Universidade Nova de Lisboa, com os queridos Sónia Vespeira de Almeida, Philip Cabau, Rita Cachado e Inês Belo Gomes. Fiquei honradíssima de participar da bibliografia.

Sobre os desenhos: Todas as páginas são do caderno Stillman & Birman, Delta Series 8 x 10 polegadas, cold press, marfim. As linhas pretas foram feitas com canetinhas Pigma Micron Sakura 0,1 ou 0,2. Na Eva-Lotta, utilizei também uma caneta pincel Tombow azul clara para colorir. No Pedro Salgado, as cores foram todas feitas com aquarela (Winsor & Newton e outras marcas) com vários pinceis. Há também uns pedaços colados de folhas do meu caderninho menor. Na página do Filipe Almeida, utilizei uma canetinha Pigma Micron 0,1 roxa, colorindo com duas canetinhas Tombow cinzas (uma bem escura e outra clara). O desenho de Pokemon do Vasco foi feito com lápis de cor preto, amarelo e vermelho, não me lembro se meus ou dele!

Você acabou de ler “Sketchnoting – Desenhando e anotando“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Sketchnoting – Desenhando e anotando”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2bW . Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2017!

jun2017p

Pessoas queridas, junho chegou, viva! O calendário demorou um pouquinho porque fiquei sem internet hoje. Espero que traga sorte e alegria para vocês. O desenho foi inspirado no cartão de dia das mães que ganhei do Antônio (feito por ele). Fizemos a adaptação na folhinha desse mês, a quatro mãos. Não marquei o feriado de Corpus Christi (15-16) porque temos visitantes de outros países aqui no blog. Mas é tão boa a perspectiva de uma semaninha mais curta, concordam? Professores e alunos que me lêem: as férias estão chegando!

Para facilitar a impressão, é só clicar no pdf.

Até semana que vem!

Sobre o desenho: Linhas feitas com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0,1, depois coloridas com lápis-de-cor Polychromos Faber-Castell. Antes de desenhar, imprimo (em papel comum A4) o calendário do mês gerado por um programinha antigo chamado Above&Beyond (na verdade, em janeiro, imprimi todos os 12 meses do ano de uma vez).

Você acabou de ler “Junho/2017!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Junho/2017!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2ba. Acesso em [dd/mm/aaaa].