Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


2 Comentários

Verdes em busca de um estilo (para votar)

plantapoteinvertidap

1. Plantinha imaginária 1

Olá! Continuando no clima férias-assuntos-de-desenho, trouxe para cá seis dos muitos experimentos que tenho feito com plantas. Fiz algumas tentativas de pintar por imaginação e por observação. Queria tentar avançar em ter um estilo próprio para, quem sabe, quando eu deixar de ser professora, conseguir viver de desenhar e escrever. Segue o mini-questionário no final do post! Obrigada desde já por votarem. ♥

plantapoteclaraemcimap

2. Plantinha imaginária 2

plantapotebromeliap

3. Plantinha imaginária 3

plantapotedolarp

4. Plantinha desenhada por observação, a lápis e aquarela

plantapotepratop2

5. Plantinha desenhada por observação, com caneta nanquim e aquarela

plantapoteaguap

6. Plantinha desenhada de memória; objetos desenhados por observação, ambos com nanquim e aquarela

Então, qual vocês preferem? Escolham uma das opções abaixo:

♥ Bônus para as férias: dica de série divertida, mas com temas legais, para se distrair e dar risada, com ou sem crianças (acima de 12 anos): Drop Dead Diva! (tem no Now e na Netflix)

Sobre os desenhos: As plantinhas foram pintadas em bloco Canson Mix Media A4 (capa azul escuro), sempre no verso da folha (que eu prefiro porque é mais liso). Os materiais restantes foram os de sempre: lápis HB (para os sem contorno), canetinhas Pigma Micron 0,1 e 0,05 (para os com contorno), aquarelas e pincéis diversos (mais detalhes sobre meus materiais aqui).


Deixe um comentário

Materiais – Canetinhas coloridas

canetasvermp

Como prometi, aí vai o desenho das canetinhas vermelhas e rosas que utilizei para fazer o calendário de janeiro. Esse tipo de desenho é um dos que mais gosto de fazer: traço os objetos com caneta preta, sem rascunho e sem me preocupar muito com retas e proporções exatas. Depois vou fazendo as camadas de aquarela devagar, tentando manter a luz (partes em que o papel fica à mostra) e criando volumes com sombras.

Acrescentei algumas descrições no final para dar mais autonomia à imagem. Assim, quem vê o desenho não precisa ler o post para saber quais são as canetas. O problema é que não planejei antes e não deu para escrever sobre todas. Então aí vão as legendas para quem tiver curiosidade, da esquerda para direita:

Staedtler triplus color rosa (tampa azul) – canetinha mais grossa, de criança.
Pigma Micron 0.1 roxa, Sakura – ótima porque é à prova d’água
Compactor microline 0.4 rosa – antiguinha, presente avulso de uma amiga
Staedtler triplus fineliner vermelha – maravilhosa para escrever
Tombow ABT n.772 rosa claro – ponta normal e pincel
Stabilo point 88 mini 0.4 vermelha – boa para escrever a cores mas dura pouco
Staedtler triplus fineliner marrom
Stabilo point 88 mini 0.4 magenta
Faber-Castell grip finepen 0.4 – ótima opção mais baratinha do que as Stabilos
Staedtler triplus color vermelha (tampa azul)
Staedtler triplus color rosa escuro
Lápis de cor Prismacolor Crimsom Lake pc 925 – não aquarelável
Staedtler triplus fineliner rosa
Pigma Micron 0.1 rosa, Sakura
Koi coloring brush pen vermilion
Pigma Micron 0.1 vermelha, Sakura

Meus comentários sobre cada tipo, caso vocês tenham interesse:

Pigma Micron Sakura colorida – são as minhas preferidas, porque são gostosas de escrever e desenhar, além de serem à prova d’água, ideais para quem quer utilizar aquarela junto. O problema é o custo (cerca de 14,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar no Brasil.

Tombow ponta dupla (normal e pincel) – atualmente é o meu marcador preferido, por ser leve e gostoso de utilizar, sem borrar no papel nem vazar para o outro lado da folha. O único problema também é o custo (cerca de 22,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar a variedade de cores no Brasil. A outra caneta pincel do desenho é a Koi coloring brush, que é considerada uma linha popular no Japão e nos EUA. Comprei um kit de 12 cores e não achei que valeu à pena. As pontas ficaram velhas rapidamente e várias já estão falhando.

Staedtler triplus fineliner – adoro essas canetinhas, até porque eram as únicas coloridas finas que eu conhecia até poucos anos atrás. Ganhei dois kits de um amigo da Alemanha, o fineliner e o triplus color, com a versão mais grossa, que uso menos. Ambas são bonitinhas, com o corpo triangular, cores intensas e escorregam super bem no papel. Só não são à prova d’água. A Faber-Castell grip finepen 0.4 é um imitação da Staedtler triplus fineliner. A ponta não é tão fina e as cores são mais aguadinhas. Ganhei um kit de presente e uso bastante porque não fico com pena de gastar!

Stabilo point 88 mini – esta mini é igual à versão grande dessas canetinhas vendidas (bem caras por sinal) nas papelarias brasileiras. As minhas são bem antigas e estão quase todas ficando secas… dá muita peninha de jogar fora. Acho que a Compactor microline é uma imitação dessas canetinhas, com um jeito retrô muito legal. Nunca vi à venda.

Lápis de cor Prismacolor – tenho uma caixa desses lápis que encomendei quando meu sobrinho viajou para os EUA. Não uso muito pois achei a textura parecida com lápis de cera. Eu tinha ouvido falar super bem desses lápis, mas na prática não funcionaram para mim. Devia ter prestado atenção no que diz um dos artistas de lápis-de-cor que mais admiro, o Florent Chavouet. Ele faz livros fantásticos com lápis comum de papelaria, de qualquer marca, os mais baratinhos [suspiros…].

Sobre o desenho: para fazer o desenho, não utilizei nenhuma dessas canetinhas! As linhas das canetas e do texto escrito foram feitas com um Pigma Micron 0.05 preta. As cores foram pintadas com aquarelas de diversas marcas (principalmente Winsor & Newton, algumas Schmincke e uma da New Holland). A escrita em branco foi feita com pincel fininho e tinta guache branca Talens Plakkaatverf Gouache Opaque White (só tenho esse tubinho dessa marca, comprado numa viagem por dica de um amigo artista).

A escrita no lápis de cor foi feita com pincel fino e um pouco da guache branca misturada com um Iridescent Medium da Winsor & Newton, que deixa as tintas com um ar prateado (veio num kit com quatro potinhos que comprei em Portugal ano passado).

O mais difícil foi o tom do plástico bege acinzentado das Pigma Micron. Nenhuma das três canetinhas ficou no tom certo, que acho que consegui um pouco melhor aqui. Não sei como chegar nessa cor! Os cinzas das sombras foram feitos com uma mistura de Grey Violet (New Holland), que ganhei ano passado, com um pouco de Payne’s Grey (Winsor & Newton).

canetaverm_id

É isso, pessoal! O post de hoje foi para os nerds do desenho. Estou tentando pegar leve nas férias… Alguns assuntos que vou tentar abordar até fevereiro, que foram pedidos em mensagens e e-mails: como escrever para provas de seleção de mestrado/doutorado e como estudar para concurso de professor universitário. Vou tentar contar minhas experiências nessas duas áreas. Por falar nisso, saiu o edital de concursos da UFRJ — vejam lá pois tem muitas vagas!!

Bom início de ano para todos vocês. Para quem estiver no hemisfério sul: não deixem de aproveitar o sol! ☼ (Alt-15)

Você acabou de ler “Materiais – Canetinhas coloridas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Materiais – Canetinhas coloridas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


7 Comentários

Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo

jan2018p

“Então, com cuidado,
Gentil, todo delicado,
De galho em galho ele foi subindo
Até o ninho, onde o ovo estava dormindo.”
(Dr. Seuss, Tonho choca ovo)

A citação é de um dos meus livros infantis preferidos, que conta a história de um elefante que aceita chocar o ovo de uma ave preguiçosa. Louca por sol e férias, ela deixa Tonho em seu ninho e vai curtir a vida, sem planos de voltar. Até que… (Não posso estragar contando o final!)

Lembrei dessa história porque conheci essa semana um jogo de amigo-oculto novo, baseado na ideia de cuidar e ser cuidado. Achei lindo e queria compartilhar com vocês.

Um grupo de pessoas que convive bastante sorteia seus amigos ocultos. Durante três dias, a pessoa tem de bajular o seu amigo-oculto sem que ele saiba quem está por trás dos agrados. Podem ser presentinhos, comidas gostosas, organizar algo, fazer a cama, enviar flores etc. Para que dê certo, os envolvidos utilizam intermediários, de modo a disfarçar quem está oferecendo as prendas. Quando os nomes são revelados, é a vez do amigo-oculto que vinha sendo paparicado presentear quem estava por trás das surpresas e falar algumas palavras bonitas sobre a pessoa.

Soube de tudo isso por uma amiga querida, que fez o jogo nesse Natal com sete pessoas de sua família, inclusive crianças. O mais bonitinho, ela contou, foi ver como cada um teve que observar o outro para descobrir modos criativos de agradar e presentear. Os pequenos precisaram de ajuda para realizar suas surpresas, mas tiveram a ideia de auxiliar seus amigos-ocultos colocando na geladeira listas dos “agrados” que queriam. Assim, mesmo sem muito segredo, o jogo criou uma experiência de carinho, de tratar bem uns dos outros; às vezes mostrando as coisinhas básicas que agradam aqueles com quem convivemos e amamos: arrumação, respeito pelo descanso do outro, ofertas de ajuda, sorrisos, músicas, gentilezas do dia-a-dia.

Então, pessoas queridas, é isso que desejo para nosso 2018: delicadeza, calma, respeito, carinho, alegrias, surpresas e amor! Que todos possamos nos cuidar e sermos cuidados, aceitando ajuda e ajudando, respeitando nossos tempos internos e os daqueles que amamos. Nunca participei desse tipo de amigo oculto, mas sei que agradar, amar e fazer o bem é o que realmente nos traz felicidade. Feliz ano novo!

6 coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota (incluindo o calendário de janeiro e uma surpresa para vocês):

♥ A citação que abre o post é do livro “Tonho choca o ovo”, de Dr. Seuss (tradução incrível de Mônica Rodrigues da Costa, Lavínia Fávero e Gisela Moreau, em edição bilíngue da Companhia das Letrinhas; a minha é de 2001, ano em que o Antônio nasceu). Atualmente, por causa do filme (não vi), o título do livro virou “Horton choca o ovo”.

♥ Desenhei o calendário de janeiro inspirada numa estátua de Ganesh, deus hindu, que o Antônio tem na estante. Segundo a Wikipedia, esse deus-elefante remove obstáculos, traz sucesso e fartura, é o mestre do intelecto e da sabedoria, além de ser o protetor de templos e casas. Não entendo nada de religião, mas acho que é o deus perfeito para fazer companhia para as deusas escritoras aqui do blog!

♥ Como o Ganesh seria muito complicado de desenhar repetidamente, fiz os elefantinhos simplificados a partir de uma imagem (sem autor conhecido) que pesquisei no Pinterest.

♥ Se vocês não querem esperar o próximo Natal, lembrei de um dos meus posts preferidos, contando como é o jogo que fazemos aqui em casa quase todas as noites. É uma brincadeira simples que facilita a comunicação e a conversa amorosa em família.

jan2018_id

♥ Para terminar, meus presentes para vocês: além do calendário de janeiro/2018 para imprimir em .pdf (resolução maior), vou colocar aqui para download também o calendário anual que faço para mim mesma. Uso para ter uma visão geral do ano e dos feriados ☺, mas também imprimo para as crianças marcarem coisas ou contarem quantos dias faltam para as férias. Apesar de todos os aplicativos do mundo, nada como visualizar no papel, né? A ideia de diferenciar os meses por cores foi do Antônio.

ano2018

♥ Ano 2018 — Deixo aqui para download tanto o arquivo em .pdf quanto a planilha do Excel, arquivo em .xlsx (acho que dá para abrir esse no Google Drive também). Fiquem à vontade para modificar, editar etc. Indiquei todos os feriados nacionais, além de dois do Rio de Janeiro (23/abril- São Jorge e 20/novembro-Zumbi/consciência negra).

Sobre o desenho: Para facilitar o desenho de uma figura tão complexa, imprimi a imagem em quatro tamanhos pequeninos. Depois recortei e fiz moldes em papel mais firme (sobras de embalagem de Natal). Por isso, todos os elefantinhos são (quase) iguais e pude fazer as linhas iniciais com uma certa rapidez, utilizando a caneta de sempre (nanquim permanente Pigma Micron 0.1, da Sakura). O problema foi na hora de “decorar” individualmente os bichinhos! Foram horas para terminar as pequenas florezinhas, listras, corações etc. Na semana que vem vou mostrar uma ilustração com as canetinhas rosas e vermelhas que utilizei, além de um lápis de cor. Acabei me empolgando nos detalhes e acho que, no final, o resultado ficou um pouco confuso. Mas taí: que janeiro de 2018 seja um mês colorido para vocês!

Você acabou de ler “Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zF. Acesso em [dd/mm/aaaa].

 


5 Comentários

Ler muda o mundo – sobre “O sol e o peixe” de Virginia Woolf

solpeixesp

“Ler mudou, muda e continuará mudando o mundo.” (Virginia Woolf)

É difícil  começar a escrever sobre o livro “O sol e o peixe: prosas poéticas”, de Virginia Woolf: são tantas frases que dariam boas epígrafes! Como diz o subtítulo, é ensaio mas parece verso. Aí vão, por capítulos (fora de ordem), algumas ideias desse linda obra.

Em “A paixão pela leitura”, a autora celebra os livros como a grande criação da humanidade, nos provocando para sermos leitores mais generosos. Seu alerta é atual:

“(…) nossa primeira obrigação para com um livro é que devemos lê-lo pela primeira vez como se o tivéssemos escrevendo. Para começar, devemos nos sentar no banco dos réus e não na poltrona do juiz. Devemos, nesse ato de criação, não importa se bom ou ruim, ser cúmplices do escritor. Pois cada um desses livros (…) representa um esforço para criar algo.” (p.35)

O mesmo poderia ser dito para a escrita ou leitura de uma tese! Deveríamos tentar entender um texto pelos olhos de quem o escreve. Assim, diz Virginia, aprendemos, inclusive com aqueles que mais “violentam nossos preconceitos”. (p.36) Um livro nos ensina quando deixa impressões “penduradas no armário da mente”, como “roupas que tiramos e penduramos à espera da estação adequada”. (p.38)

No ensaio “Montaigne”, a autora aproveita para nos falar da escrita de si:

“Dizer a verdade sobre si mesmo, descobrir a si mesmo de tão perto, não é coisa fácil. (…) aquilo que pensamos, quão pouco, então, somos capazes de transmitir!” (p.14)

Admirada pelo escritor-filósofo, pelo esforço de escrever dizendo a verdade, Virginia afirma:

“Pois, para além da dificuldade de comunicar aquilo que se é, há a suprema dificuldade de ser aquilo que se é. Esta alma, ou a vida dentro de nós, não combina absolutamente com a vida fora de nós.” (p.15)

Haverá um segredo para uma existência coerente, por dentro e por fora? O escritor deve se recolher ou seguir para o mundo?

“Observe a si próprio: num momento, você está todo animado; no seguinte, um copo quebrado deixa-o à beira de um ataque de nervos. Todos os extremos são perigosos. É melhor ficar no meio da estrada, nas trilhas costumeiras, por mais lamacentas que sejam. Ao escrever, escolha as palavras comuns; (…)” (p.18)

Uma vida flexível, disposta ao movimento e às mudanças é uma vida mais real e feliz, sem a rigidez das convenções e da morte, escreve Virginia. “Talvez” é sua palavra favorita. “É preciso viver entre os vivos” (Montaigne, III, 8), buscando nos comunicar com nossos semelhantes.

“Comunicação é saúde; comunicação é verdade; comunicação é felicidade. Compartilhar é nosso dever; mergulhar energicamente e trazer à luz aqueles pensamentos ocultos que são os mais mórbidos; não esconder nada, não fingir nada; se somos ignorantes, dizê-lo; se gostamos de nossos amigos, fazer com que o saibam.” (p.22)

Como não concordar com esse lindo trecho?

A autora segue, falando do prazer de viajar, seja para longe, seja para dentro de um singelo sonho.

“A beleza está por toda parte, e a beleza está a apenas dois dedos de distância da bondade.” (p.23)

A lição que Montaigne lhe deixa é a de um “grande mestre da arte da vida”, a de alguém que “agarrou a beleza do mundo com todos os dedos”, atingindo a felicidade. (Algo que, infelizmente, sabemos que Virginia não conseguiu fazer; o que torna esse ensaio doloroso para quem ama sua obra, como eu.)

Suas lembranças do pai estão em “Memórias de uma filha: Leslie Stephen, o filósofo em casa”, segundo capítulo do livro. É bonito ler suas recordações de carinho, sabedoria, cachorros e caminhadas. Apesar de rígido quanto aos comportamentos, seu pai lhe dava o principal:

“se liberdade significa o direito de ter os seus próprios pensamentos e seguir suas próprias metas, então ninguém respeitava a liberdade — na verdade, insistia nela — mais completamente do que ele.” (p.32-3)

Na filosofia paterna, o lema era “leia o que quiser”! Aos 15 anos, Virginia tinha total liberdade para vasculhar a biblioteca de casa. Para ele, leitura e escrita eram simples: goste dos livros que gostar; e escreva “com o mínimo de palavras”, com clareza, dizendo o que quiser dizer. (p.33)

Escrevi apenas sobre os três capítulos iniciais, embora o restante do livro merecesse igual atenção. O caso é que o post já ficou muito longo, e logo nessa semana de Natal, que ninguém tem tempo de ler. Ou seria o contrário? Que melhor lugar para se refugiar nessa época do ano do que nas leituras, nos livros, ensaios, contos ou poemas?

Minha sugestão para essa próxima semana: desliguem os celulares e mergulhem num livro! É simples, é bom, e ainda nos recarrega, sem fio.

Muito obrigada por todos os comentários inteligentes e gentis que vocês escreveram nos últimos posts, de verdade! Até semana que vem. ☼

Sobre o livro: “O sol e o peixe: prosas poéticas”, de Virginia Woolf. Seleção e tradução Tomaz Tadeu. Belo Horizonte: Autêntica, 2015.  Vejam que linda é a capa original (abaixo), projeto de Diogo Droschi. Pena que não deram o crédito da origem desses peixes, que devem vir de alguma coleção de ilustração científica antiga. Aproveito para agradecer mais uma vez à leitora do blog que me indicou esse livro. ♥

solpeixe_capa.jpg

4 coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Para quem lê inglês: fui uma das milhares de pessoas que se emocionaram e se divertiram com o conto Cat person, de Kristen Roupenian, da New Yorker. (Em breve sairá em português pela Companhia das Letras.)

♥ Para quem tem filhos entediados: essa semana nos divertimos jogando Banco Imobiliário Júnior. Era daqueles brinquedos de tabuleiro velhos, que já estava quase indo para doação, mas reviveu por insistência da Alice. Derrubamos algumas regras, criamos outras, fizemos doações generalizadas e falimos! Tudo sem precisar de internet.

♥ Uma notícia maravilhosa: nosso livro “Do gato Ulisses as sete histórias” foi selecionado como leitura recomendada para os alunos das escolas municipais de Belo Horizonte. Meu agradecimento à nossa querida editora Cilene Vieira, pelo empenho em divulgar essa obra. (Uma seleção de trechos do livro aqui.)

♥ Por falar em livros, estou lendo “Azul: história de uma cor”, de Michel Pastoureau, edição portuguesa da Orfeu Negro, com tradução de Anabela Carvalho Caldeira e José Alfaro (2016). Do mesmo autor, já li “Preto: história de uma cor”. Quando acabar, prometo que faço um post sobre os dois.

 

Sobre o desenho que abre o post: Peixes inspirados nos desenhos da capa do livro, feitos com as limitações de cores que tenho trabalhado no meu caderno atual Laloran, como expliquei aqui. Canetinhas azuis Muji 0,38, Pigma Micron 0,2, Tombow Brush (números 451 e 526); e uma amarela da Faber-Castell Pitt brush. Não vejo a hora de acabar esse caderno, mas sinto que aprendo com o desafio das cores restritas. E, aqui, nesse cantinho onde só chegam os artistas que lêem o blog, meu desejo para as férias: bons desenhos e pinturas! Quem tem um sketchbook nas mãos, nunca está só. ♥

 


8 Comentários

Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? (Parte 2)

abracocasalp

“Há, em cada um de nós, uma floresta virgem, emaranhada, inexplorada; um campo nevado onde não se veem nem pegadas de pássaros.” (Virgina Woolf)

Quando meu filho começou a comer frutas e legumes, depois de seis meses de amamentação exclusiva, fiquei insegura. Bora ligar para o médico: devo dar uma banana ou meia banana? Tempos depois, um primo pediatra me contou como os colegas fazem para responder as perguntas das mães aflitas: “basta dizer dois sim e um não, para a mãe não te achar nem rígido nem desatento demais”. Fica um diálogo assim: “– Meia banana? — Sim! — Um mamão? — Sim. — Morango? — Não, morango é melhor não.”

É brincadeira, mas é verdade!

O que isso tem a ver com o sofrimento na hora de escrever uma tese?

Ter que ligar para o pediatra para pedir autorização para dar uma fruta a um bebê de seis meses é só um sintoma. Mostra como eu estava vivendo a maternidade de forma isolada, sem contar com família extensa, vizinhos, comunidade. No meu caso, até que foram poucos momentos assim. Tive apoio, avós participativos, Amigas do Peito e amigas com bebês.

Quando a gente está na gestação do bebê-tese, porém, os sintomas de isolamento podem ser bem piores. No evento sobre saúde mental (que motivou a primeira parte desse post), ouvi depoimentos sobre depressão aguda, gastrite, angústia, anorexia, excesso de entorpecentes ou remédios, tentativas de suicídio, inseguranças profundas, término de relacionamentos, falência, sensação de estar permanentemente em dívida, exaustão, vergonha, falta de apoio, desistência. Além de todos esses sintomas, recebi comentários no Facebook dos que sofreram (e até desistiram da pós-graduação) pela falta de apoio por engravidar, ser vítima de estupro ou perder os pais com câncer.

Para qual pediatra essas pessoas podem telefonar? Quantos telefonemas seriam suficientes?

Escrevi no post anterior que não sou o meu trabalho, currículo ou diplomas. Acredito nisso, mas quem disse que consigo pensar sempre assim, super saudável, sem me definir por avaliações externas? Bem que eu queria ser esse tipo de pessoa: focada, vivendo meu caminho, sabendo que o processo é mais importante do que o fim etc. O problema é que em 89% do tempo eu não consigo! Vivo me comparando e sofrendo, com sintomas bem parecidos com os que os alunos relataram, apenas em doses menores.

Acho que tenho dificuldade de me distanciar porque o trabalho acadêmico não é apenas um trabalho. É algo muito íntimo.  Nós, nossos dados e autores protagonizamos uma história intensa de amor, descoberta e decepção.

Por que sofreríamos tanto se não estivéssemos tão investidos emocionalmente?

Talvez uma parte desse sofrimento venha de nos depararmos com nossa “floresta virgem, emaranhada, inexplorada”, nosso “campo nevado” particular, onde nenhum pássaro pisou ainda, como escreveu Virgínia Woolf. A cada texto, ao invés de decidir a comida do bebê, preciso me perguntar:

O que penso sobre o mundo? O que tenho a dizer? Como posso contribuir para o conhecimento humano?

Parágrafo a parágrafo, duvido da minha capacidade de desemaranhar os pensamentos.

Ao longo da minha formação, as disciplinas eram super teóricas. O objetivo era demonstrar o “domínio da bibliografia”. Aprendi a salpicar meus textos com Weber, Bourdieu e seja-qual-for-o-nome-da-autora-da-moda. Me iludia que isso era fazer jus à história do pensamento — afinal, não se pode inventar a roda a cada texto.

No entanto, hoje, me pergunto: em que momento a repetição do que os outros autores dizem se torna tão automática que já não consigo mais saber o que penso? O que tenho para dizer por escrito? Ou seja: qual pedaço de mim estará no meu trabalho?

Não tenho respostas… Lembro que a escrita da minha tese se tornava menos sofrida quando eu percebia que estava escrevendo algo que fazia sentido no meu íntimo. Eram momentos raros, que faziam o esforço valer a pena. Nos demais, eu estava como no post anterior, perdida de mim, pensando que eu própria era quem ia “deixar de me amar se eu não acabasse a tese”.

A academia, como a maternidade, é transitória. O tempo passa, os alunos se renovam, viram a página. A memória do sofrimento não é passada adiante.

Seria muito bom se pessoas que passaram por situações dolorosas na pós-graduação compartilhassem suas experiências. Acho que precisamos de grupos de apoio que, além de abraços, nos permitam manter essas memórias circulando, de modo a acolher quem esteja passando por dificuldades. (Acolher não é resolver, mas escutar, reconhecer — primeiro passo para ajudar qualquer que seja a situação. Não podemos tratar de algo que não enxergamos.)

Tenho conversado com algumas amigas. Fico sonhando em pensarmos juntas sobre espaços de apoio coletivos no mundo acadêmico. Alguém conhece experiências desse tipo?

Nessas conversas, esclareci algumas coisas que talvez tenham ficado nebulosas na primeira parte do post:

* Para as orientadoras maravilhosas, atenciosas e dedicadas: sim, vocês existem!

* Não sei se orientação com tempo de escuta e paciência é exceção. Talvez a área das ciências humanas seja uma bolha melhorzinha até, pois recebo comentários de doutorandos de outras áreas com relatos punk.

* Aos orientadores em geral, acho importante ficarem atentos a sinais de alunos que têm muita vergonha de estar em sofrimento. É um ciclo vicioso: a pessoa entra em pânico/depressão e tem mais pânico/depressão por estar assim. Daí fica paralisada e não conta para o orientador(a). De vez em quando recebo relatos sobre isso também.

* Aos alunos: suas orientadoras e orientadores também sofrem, e muito.

* Sim, existem pessoas mimadas, preguiçosas, sem qualquer noção dos seus deveres. Mas não acho que a maioria dos alunos em sofrimento seja desse tipo. A pessoa sofre muito justamente porque valoriza sua vida acadêmica. Aliás, acho que alunos hiper exigentes e dedicados são dos que mais adoecem. Não sei a fórmula para identificar os casos do primeiro tipo, mas plágios costumam ser um dos sintomas.

* Prazos não são vilões em si mesmos. Como escreveu uma amiga: “Sem prazos nunca publicaríamos nada, já que todo artigo, por melhor que seja, sempre pode ficar melhor”. Trabalhar dá trabalho: exige foco e capacidade de priorizar, assim como de abrir mão de distrações. O segredo é conseguir equilibrar tudo isso, sem esquecer de se cuidar.

* Essa semana estive igual a vocês: digitando e apagando, digitando e apagando… Reescrevi esse post umas três vezes.  Quis deixar isso registrado para ninguém pensar que escrevo sem revisar ou sem medo.

* Um post singelo e bonito que estou há tempos para compartilhar: “Como libertar-se de seu falso-eu acadêmico?”, de David Berliner.

* Para terminar, indico o site maravilhoso da professora Eva Scheliga com referências, ferramentas, links, artigos e posts sobre escrita, editoração científica e desenvolvimento de projetos de graduação e pós-graduação, além de aplicativos e gadgets úteis para o trabalho acadêmico: https://evascheliga.wordpress.com/

Sobre a epígrafe: O trecho da Virgínia Woolf está em “O sol e o peixe”, livro de ensaios publicado pela editora Autêntica, indicado por uma leitora do blog super querida. Estou adorando; talvez vire um post.

Sobre o desenho: Desenhei essa dupla inspirada em diversas fotos sobre o tema abraço que procurei no banco de imagens Shutterstock. Utilizei canetas de nanquim permanente 0,2 e 0,05 Pigma Micron, num papel Canson (bloco azul escuro, para Mixed Media; prefiro o verso da folha, que é mais liso). Depois escaneei a imagem e resolvi colorir no Photoshop, coisa que raramente faço (só uma vez, aqui).

 

 


3 Comentários

Nos vemos semana que vem!

bluenotebook10p

A irmã de uma amiga é terapeuta, daquele tipo que interrompe a sessão no meio de uma conversa. Fiquei super curiosa para saber como é. Minha amiga, muito despachada, começou logo a simular uma análise comigo e com o meu namorado. “Como vão vocês?”, ela perguntou. E nós, blá blá blá… até que trocamos, sem querer, o nome de uma pessoa bem próxima sobre a qual estávamos falando. E ela, muito séria: “Então… [pausa], vamos falar sobre isso? [pausa] Nos vemos na semana que vem.”

E assim seguimos, tendo várias mini conversas terapêuticas, encerradas toda vez que esbarrávamos num deslize sobre um assunto importante. Ela nos interrompia rapidamente com um olhar penetrante e um “Nos vemos na semana que vem!”

Só de lembrar, morro de rir. Imagina você começar a falar sobre seus pais com sua irmã, que se esquece que não está no consultório e te corta com um “nos vemos na semana que vem.”

Claro que isso não é crítica a nenhum tipo de terapia. Foi só uma brincadeira (que explica as frases do desenho acima). Na mesa, vocês também podem ver o livro “Flupp Pensa – Narrativas 2016”, presentinho dessa amiga querida, que estou super curiosa para ler.

bluenotebook07p

Os desenhos acima fiz enquanto escutava o podcast da ilustradora @frannerd, para quem contribuo, via Patreon, com 5 dólares por mês. É uma diversão ouvir as aventuras dessa chilena, de 30 anos, radicada com o marido na cidade de Hastings, Inglaterra. Acompanho como se fosse uma série sobre desenho.

Tenho muita dificuldade de achar graça nas séries que vejo recomendadas por aí. Primeiro, porque não suporto a glamourização da violência (o que já exclui 50% das séries). Segundo porque, depois de anos dando aula de teoria da comunicação, adivinho a maioria dos roteiros nas primeiras cenas. Então, não sobra muita coisa.

Na imagem, incluí também os meus gatos, Charlie e Lola, assim como o livro gigante que consegui terminar no final de novembro. Não posso escrever sobre ele aqui no blog ainda, infelizmente!

bluenotebook08p

Essas plantinhas acima desenhei em Itaipava, para onde tive a felicidade de ir no final de semana passado, com Alice, Antônio, minha mãe e mais quatro amigas da Alice. Foi uma comemoração antecipada do aniversário de 12 anos dela, minha filhotinha crescida. Não  conto mais tantas histórias da Alice aqui no blog para proteger a intimidade dela… Mas nosso dia-a-dia tem sido muito feliz: nesse último ano, ela cresceu por dentro e por fora. Está tocando violão lindamente, cozinhando muito bem, escrevendo redações engraçadas e criativas, e continua querendo brincar de cosquinha e pique-esconde. Viva os 12!

bluenotebook09p

Para encerrar, o desenho de um objeto que eu já tinha quase esquecido que existia aqui em casa: uma caixinha de linhas coloridas. Ressurgiu de dentro da caixa de costura outro dia a pedido de uma amiga do Antônio. É muito bonito ver as novas gerações recuperando práticas manuais. ♥

Bom final de semana, pessoal!

PS para quem está escrevendo tese — Foi bem difícil escrever esse post — e olha que não era sobre nenhum assunto importante! Achei que não conseguiria, estava morrendo de preguiça só de pensar. Por isso, queria dizer: comecem, escrevam mesmo que não estejam com vontade de escrever. Vocês não estão sozinhos. Força aí. Prometo que na semana que vem eu volto com a segunda parte do post Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese?.

Sobre os desenhos: Desenhos feitos num caderninho Laloran com uma capa azul escura, com borda de tecido em padronagem que lembra azulejos portugueses azuis e amarelos. Assim, resolvi utilizar apenas essas cores nos desenhos internos. As canetas utilizadas estão na imagem que abre esse post.

 


1 comentário

Dezembro/2017

dez2017p

Pessoas queridas, aí vai o calendário de dezembro/2017. Nem acredito que é o quinto mês de dezembro desde que comecei a postar!

A inspiração veio da chuvinha que começou a cair aqui no Rio de Janeiro. Minhas memórias de infância também são de tempo molhado na época do Natal. Como tenho saudades da casa da minha vó, que tinha um jardinzinho na frente, onde eu e meus primos brincávamos na chuva.

As cores não estão muito natalinas. A culpa é do meu caderninho atual. Posto mais imagens dele na semana que vem (e prometo aumentar as anteriores). Eu estava tão preocupada em terminar o desenho hoje que esqueci de colocar alguma imagem nos dias de Natal e Ano Novo. Só depois de escanear é que me dei conta. Daí fiz os presentinhos e os fogos num papel à parte e acrescentei no Photoshop.

Para imprimir, abram o calendário em tamanho grande em .pdf ou cliquem na imagem acima.

Bom final de semana! ☼

Sobre o desenho: As linhas do desenho do calendário foram feitas com caneta Pigma Micron azul 0,2, depois coloridas com canetas pincel Tombow (azuis) e Faber-Castell pitt brush (amarelo). Foi bem difícil chegar aos tons próximos do original porque o scanner acaba com os azuis claros e escurece os amarelos. Nessas horas eu penso “ainda bem que não sou designer”! Ou não, né? Se eu fosse, talvez não sofresse tanto com o Photoshop. Eu posso dar o passo-a-passo de como escaneio e limpo as imagens se vocês tiverem interesse. Sei que a maioria dos leitores vem aqui para os temas acadêmicos, mas se tiver alguém curioso em Photoshop-amador me avise!