Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Desenho Etnográfico – I Mostra da ABA e imagens de uma aula lúdica

miria_pEstá acontecendo! O desenho entrou para valer na agenda da antropologia — viva!

Na 32ª Reunião Brasileira de Antropologia de 2020 haverá a I Mostra de Desenho Etnográfico, com trabalhos que utilizem desenhos relacionados à pesquisa antropológica. 2020 RBA I Mostra Desenhos EtnograficosEstou torcendo para chegarem muitas incrições! O prazo para envio foi prorrogado para 29/02/2020.

A página de eventos da RBA está aqui: https://bit.ly/35wb6CE. E o edital completo pode ser acessado aqui: https://bit.ly/2up651M

Para completar minha alegria, a imagem de Miriã Cruz, aluna do meu curso de Antropologia e Desenho no IFCS/UFRJ, foi selecionada para o cartaz de chamada do edital.

A ideia da equipe era ter um registro em que o próprio pesquisador-desenhador estivesse inserido na cena. Essa é uma estratégia gráfica que procuro trazer para as aulas, pois um dos efeitos de desenhar no trabalho de campo é colocar em evidência a presença do etnógrafo na narrativa. Como escreveu uma aluna em sua reflexão:

“Uma das principais lições desse exercício é que o pesquisador não é um mero observador, mas uma parte integrande da pesquisa. Quando pesquisamos, estamos envolvidos corporalmente e psicologicamente com o objeto e os sujeitos pesquisados. A neutralidade científica é um mito.” (Luana Fontel)

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Miriã fez o desenho que abre esse post na penúltima aula do semestre. A turma de 2018-2 do curso noturno de Antropologia e Imagem foi inesquecível. Apesar de serem quase 60 pessoas — o que é muito numa aula normal, imaginem numa aula prática –, acho que tivemos uma conexão especial.

Vendo a empolgação de todos, e querendo proporcionar uma experiência diferente, resolvi levá-los para desenhar numa biblioteca reservada do IFCS, onde só se entra com hora marcada. É a nossa “mini Hogwarts” — um pequeno labirinto de três andares de estantes, escadas e passarelas, tudo de madeira. Um lugar incrível de um prédio cuja fundação começa no século XVIII, se constrói no XIX e se modifica ao longo do XX.

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A emoção foi coletiva, como escreveu um Fernando:

“Enquanto desenhava, pensava sobre as gerações de pessoas anteriores a mim que passaram por aquele local, desde as que construíram o prédio até as que circulavam por ali. (…) Esperanças, medos, deslumbramentos e o sentimento de vida em movimento me inspiraram a traçar as linhas para meu desenho. Nunca tive um aula assim.” (Fernando Lima)

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Fui compartilhando ao longo do post alguns dos desenhos que os alunos fizeram nesse dia. A única orientação era para que incorporassem a si mesmos desenhando e, se possível, algum dos colegas de turma desenhando também. Foi difícil selecionar apenas nove imagens para o post, porque amei todas! Adorei que a Thais escreveu no desenho dela:

“Ouço bem de longe a professora dizer que o ato de desenhar é também de fazer escolhas. Desisto da ideia de abraçar o mundo com as pernas, como sempre diz meu pai. Escolho a ideia do labirinto de escadas cruzadas (…).” (Thais Vilar)

Ah, e não custa lembrar: os artistas são alunos de Ciências Sociais. A maioria não tinha experiência intensiva com artes. Sobre a proposta nesse dia, a Luna escreveu:

“[primeiro] pensei: impossível. (…) no fim, fiquei bem impressionada e bem feliz com meu desenho; e levei pra vida a discussão em aula sobre não olhar apenas para todas as dificuldades que nos fazem sentir pequenos, mas olhar para cada passo, para cada gesto e, assim, enfrentar o que nos paralisa.” (Luna Mendes)

Qualquer pessoa pode desenhar, gente.

Agradeço até hoje por esse dia tão mágico. Obrigada turma de 2018-2! ♥

Vocês podem ler sobre os fundamentos que utilizo nessas aulas no artigo “Ensinando antropólogos a desenhar” que está na página de referências Antropologia e Desenho.

Os planos de aulas lúdicas mais elaborados estão na página Vida Acadêmica e Aulas.

♥ 2 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

. Novo número da Revista Tessituras – Revista de Antropologia e Arqueologia, com o dossiê Antropoéticas: outras (etno)grafias, editado por Patrícia dos Santos Pinheiro, Cláudia Turra Magni e Marília Floôr Kosby. Sumário fantástico, com textos de Ana Lúcia Ferraz, Fabiana Bruno, Ana Luiza Carvalho da Rocha, Matheus Cervo,
Aina Azevedo, Daniela Feriani, pra citar apenas alguns nomes que acompanho mais de perto. A vontade é de ler o número inteiro! Já comecei a imprimir pelo PDF da Aina.

. Aproveitando o tema, divulgo uma chamada linda que recebi da revista Fotocronografias — link aqui. O desenho maravilhoso da imagem abaixo é da Thay Freitas (ig: @thay_petit). O prazo para envio de contribuições é 31/03/2020.Chamada revista 1

Sobre os desenhos: Os alunos receberam uma folha branca de papel A4, 75 gr, para desenhar. Todos fizeram o desenho por observação direta no local , utilizando caneta (esferográfica preta ou canetinha de nanquim descartável). As cores foram acrescentadas em casa. A Miriã ficou com medo de estragar o desenho original e tirou uma xerox, colorindo com aquarela a cópia. O resultado foi incrível para um papel tão simples! Os demais coloridos foram feitos com lápis de cor e um pouco de aquarela também. 

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Desenho Etnográfico – I Mostra da ABA e imagens de uma aula lúdica”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ov. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Calendários 2020 de Janeiro a Dezembro

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Para quem gosta de imprimir os calendários, seguem abaixo os PDFs de todos os meses de 2020 para download:

Janeiro, Fevereiro, Março, Abril, Maio, Junho, Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro, Dezembro.

Utilizei imagens anteriores, aproveitando o Photoshop para acertar as cores, ocupar melhor os espaços e clarear o branco do papel. Também marquei com desenhos os principais feriados de 2020 no Brasil. Espero que gostem!

Quem sabe agora vou começando a desenhar 2021 no ritmo certo: com calma. ♥

Muito obrigada pelas mensagens tão positivas pelo post de ontem. Continuar a desenhar e escrever voluntariamente aqui no blog é um dos meus focos de 2020.

Minha palavra-chave nos últimos anos têm sido “força”, mas estou cansada de tentar ser forte o tempo todo. Pra 2020, estou querendo liberdade e leveza.

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Revendo os calendários, amei os passarinhos que ficaram no mês de abril. Essa duplinha fofa (acima) parece que tá conspirando: — Bora voar?

Seguem todos os meses em imagens para vocês verem melhor:

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Sobre os desenhos: Quase todos os desenhos foram feitos com canetinha nanquim à prova d’água 0.05 (Pigma Micron ou Unipin) e coloridos com lápis de cor em papel A4 90gr comum. O único mês feito com marcadores é o de maio (tema Matisse), pois as cores tinham que ser bem fortes e sem textura.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Calendários 2020 de Janeiro a Dezembro”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3NC. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Vergonha de quê? Feliz 2020!

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Pessoas queridas, que saudades de vocês, de compartilhar, desenhar e escrever! ♥

2019 foi um dos piores anos da minha vida, não vou mentir. Por pouco não quebrei as regras do blog e vim me desesperar em público. (Deixa passar a tempestade que darei um jeito de rir das desgraças, como no post dos 300 dias em obras, e ter forças pra contar.)

Primeiro, vamos falar de vergonha? Sabem aquela aula que a gente falta muito e morre de medo de voltar? E aquela ansiedade pra responder a mensagem da amiga que está há meses aguardando no zap ou no e-mail? E a vontade de sumir depois de pagar uma fortuna na academia de ginástica e não frequentar? E a coleção de cadernos em branco, as tintas na embalagem, a ida ao parque adiada, aquele almoço com o colega de faculdade que não sai nunca, a tia idosa esperando a visita, o artigo da prima que não deu pra ler…

Quanto mais o tempo passa, mais vergonha! E junto vem a preguiça… Vocês também se sentem assim?

Na teoria, o antídoto é fácil. Recito sempre para os meus filhos quando eles alegam vergonha por algo que aconteceu na escola, por um erro na prova, um mal entendido com os amigos, um compromisso esquecido, uma espinha na bochecha:

“Vergonha? Vergonha a gente só deve ter de matar, roubar ou fazer mal a alguém.”

Nunca esqueci dessa frase, que ouvi do recém-falecido ator e diretor Jorge Fernando. Foi no final dos anos 1980. Eu tinha 20 anos e andava no mundo do teatro. “Jorginho”, como era chamado, tinha mania de cumprimentar os amigos com um selinho na boca. Saía tascando beijo em todo mundo. Uma dia, um homem reclamou, num tom carinhoso: — Você não tem vergonha, Jorginho?

Ele respondeu: “– Vergonha? De beijo, de amor, carinho? Nunca! Vergonha a gente tem de matar, roubar ou fazer mal a alguém.”

Achei tão bonito, tão simples. Lembrando: estávamos no final dos anos 1980, a epidemia da Aids no auge da fatalidade, e o Jorginho beijando inclusive os amigos com HIV.

Hoje, pra ser sincera, acho que até as vergonhas do Jorginho são relativas. Andei lendo livros abolicionistas e entendendo que vergonha é uma sociedade que tem como projeto o extermínio e a prisão dos pobres, onde uns têm tanto e outros sentem fome, onde há os que pagam plano de saúde e os que morrem na fila do hospital. Vergonha é não lutar por um mundo melhor para todos e não apenas para si. Vergonha é não saber amar e não querer aprender; é dizer “te amo”, “estou com saudades”, e agir para machucar.

Então, chega de drama. Todo esse post era só para dizer que estou de volta, sem vergonha de admitir que estive mal, e ainda estou capenga, mas de pé. Algumas coisas pra finalizar:

♥ Muito, muito obrigada, por todas as mensagens carinhosas, de força e incentivo para a volta. Mesmo quem não me conhece pessoalmente escreveu sentindo que havia algo errado e me desejou sorte. Que todo esse afeto volte em dobro pra vocês! Obrigada.

♥ Os calendários do mês completaram 6 anos sendo publicados sem interrupção em outubro/2019. 6 anos x 12 = 72 meses! Foi um desafio incrível que, por ora, resolvi parar, pelo menos com desenhos novos. Além do trabalho enorme, cada vez estávamos utilizando menos os nossos, pois as “crianças” aqui de casa cresceram. Talvez me dê saudades, não sei…  Minha ideia é fazer todos do ano de 2020 reaproveitando edições anteriores. Posto em breve!

♥ Há muito tempo, tenho vontade de fazer outras coisas para vocês imprimirem, como marcadores de livros e cartões. Vou tentar publicar pelo menos uma dessas por mês pra compensar a falta dos calendários. O que acham?

♥ Resolvi abolir a periodicidade semanal, publicando mais quando tiver vontade e assunto. Li 35 livros e dei mais de 250* horas de aulas em 2019 — tenho tanta coisa para compartilhar e escrever! O maior desafio é ilustrar tudo isso.
(* Corrigido pois tinha escrito 2500! 😉

♥  Para ajudar nos desenhos, consegui finalmente comprar um Ipad com a canetinha Pencil. O melhor é que foi do jeito que eu queria e podia: de segunda mão, vindos de uma amiga querida, por um preço das deusas. Uma das alegrias desse início de ano em recuperação. Obrigada, Bia!!

♥ Que em 2020 possamos:

• Encontrar e viver “todo amor que houver nessa vida”, como escreveu Cazuza.

• Descansar sem culpa, como essas moças que observei na praia. Que dificuldade eu tenho de parar de trabalhar ou de fazer tarefas em casa. Nesse dia, acabei feliz depois de ser arrastada pra areia pela Alice, linda e muito mais sábia do que eu.

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• Desenhar, criar, ler e escrever mais; ficar menos tempo nas telas. Que diferença o corpo das pessoas ao sol e o das que estão grudadas no celular, mesmo na praia. Os olhos vidrados, os ombros tensos, a necessidade de pouca luz. Viramos vampiros, gente, eu incluída.

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• Compartilhar, cantar, lutar, sorrir. Consumir menos, sermos mais solidários.

• Nos inspirar com e pela arte, apesar de tudo, como nos diz Toni Morrison:

“This is precisely the time when artists go to work. (…) I know the world is bruised and bleeding, and though it is important not to ignore its pain, it is also critical to refuse to succumb to its malevolence. Like failure, chaos contains information that can lead to knowledge, even wisdom. Like art.” (Toni Morrison*)

[Tradução aprox.: “Este é exatamente o momento em que os artistas precisam trabalhar. (…) Sei que o mundo está machucado e sangrando e, embora seja importante não ignorar sua dor, também é fundamental se recusar a sucumbir à sua malevolência. O caos, como o fracasso, contém informações que podem levar ao conhecimento e até à sabedoria. Como a arte.”]

• Feliz 2020 pra todos nós! ♥

Sobre a citação: Li a citação da Toni Morrison pela primeira vez no livro Keep Going, de Austin Kleon. Depois localizei a fonte completa, um artigo de 2015, disponível aqui [em inglês].

Sobre os desenhos: Linhas feitas por observação direta na praia do Leblon, perto do Baixo Bebê. A canetinha utilizada foi uma Muji preta 0.25, que esqueci que não era à prova d’água (daí as manchas nas cores mais claras). O caderno foi um bloquinho Hahnemühle como esses aqui. Adicionei as cores em casa, com as aquarelas que estão nessa paleta. Depois escaneei e limpei as manchas do papel no Photoshop. Minha preferida foi a primeira, não tanto pelo desenho, mas pela alegria da jovem que abriu um sorriso ao ver que o namorado se aproximava. O amor vivido, lindo! ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Vergonha de quê? Feliz 2020!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Nj. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Outubro/2019 reciclado

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Pessoal, aí vai o calendário de outubro/2019 em .PDF para imprimir.

Está super atrasado e é a primeira vez que aproveito imagens anteriores. Foi o possível, num mês cheio de compromissos e imprevistos… Fico um pouco envergonhada de trazer um tema de tanta opulência em plena crise de 2019. Mas escolhi esse porque as semanas coincidiam e gosto dos desenhos repletos de detalhes.

Espero que ainda seja útil para algumas pessoas.

Obrigada a todos que me escreveram perguntando se haveria calendário em outubro. Eu tinha até um tema planejado, mas não consegui fazer a tempo, desculpem! Foi um mês de muito trabalho extra e estresses desnecessários. Tenho precisado descansar. Abraço apertado em todos.  ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Outubro/2019 reciclado”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ne. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Setembro/2019 com luz

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Calendário de Setembro de 2019 e .PDF para imprimir prontos!

Esse mês, o tema surgiu da minha dificuldade de encontrar uma luz boa para ler em casa à noite. Ainda não tenho uma maravilhosa, mas tá na lista de “um dia, talvez”.

Quem ama ler, adora uma boa iluminação. O melhor dos mundos é ter luz natural, mas meu quarto não é muito privilegiado nesse ponto. Na cabeceira, tenho uma lâmpada de pé (igual àquela grande e vermelha, no lado esquerdo do calendário, só que é preta, herdada de uma amiga). Na sala, minha fonte é um abajur dourado-descascado (no canto superior direito da imagem). Herdei essa peça da minha mãe e, apesar dos defeitos, é minha queridinha.

No mais, temos a lampada de cúpula vermelha simples (à esquerda do cacto) e a luminária preta (à direita do cacto, que fica na minha mesa de desenho, herdada da minha prima). As demais imagens foram inspiradas em achados na internet.

E o que estou lendo com essa luz toda? Essa semana li uma dissertação de mestrado (ótima, do querido Vinícius Moraes de Azevedo) e continuei a ler quatro livros ao mesmo tempo: “Beatrix Potter: a life in nature”, “Reportagem ilustrada”, “Find your artistic voice” e “A interpretação dos sonhos”. Sigo relendo devagarinho “O caminho do artista”. (Artigos e trabalhos de alunos não contam, né?)

Preciso de luz também porque continuo apaixonada por escrever à mão. Desde julho, voltei a ter um caderno simples onde escrevo pelo menos três páginas por dia. Está sendo um espaço para relaxar, refletir, registrar, planejar, anotar ideias, desabafar e desplugar.

Desejo a todos que Setembro seja um mês de encontros: com pessoas queridas e consigo mesmo. Para mim, o caderno está sendo essa fonte: um refúgio que me alimenta para voltar ao mundo tentando ter lucidez, calma e força, um dia de cada vez.

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Vida acadêmica – Novidade no blog! – Um grande passo que consegui dar essa semana foi criar uma página só para organizar os posts sobre vida acadêmica aqui no blog. Espero que gostem! Ainda estou reunindo os posts por assunto, mas já tem muita coisa lá.

Sobre o desenho: Apesar da ideia antecipada, só estou postando hoje, 1/09, porque levo muito tempo para rascunhar, finalizar, colorir, escanear e editar um desenho desses. Às vezes consigo trabalhar em várias etapas, mas quase sempre dedico um dia inteiro (sábado ou domingo) para isso. Além das quatro luminárias de casa (descritas acima), peguei inspiração em imagens da internet para as demais. Fiz uma versão a lápis primeiro, depois passei canetinhas 0.1 e 0.05 Pigma Micron de nanquim permanente. É importante deixar secar bem antes de apagar o lápis do rascunho ou de colorir com cores claras sobre elas. A qualidade das canetinhas também se mede por esse tempo de secagem. Na minha experiência, a Unipin é a mais rápida (só que a tinta acaba logo) e a Staedtler é a mais demorada, com a Pigma Micron no meio termo. Depois de tudo seco, colori com lápis de cor Polychromos da Faber-Castell. Confesso que fiquei um poquinho em dúvida se gostei das manchas amarelas para indicar luz, mas agora já foi. A minha luminária preferida foi a de madeira com a cúpula vermelha redondinha. E adorei lembrar de fazer a palava “luz”, enfeite típico dos anos 1980, que eu achava lindo. Outro momento nostalgia foram as mini-luminárias de conectar na parede em quartos de bebê. A do ovinho, do cacto e da estrela são desse tipo. E as de vocês, quais são as preferidas?

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Setembro/2019 com luz”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3MV. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Expirar, escrever, desenhar

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Há muitos anos atrás, aprendi que uma crise respiratória pode ser por “excesso de ar” nos pulmões, e não falta. A aflição nos faz de tentar inspirar, quando na verdade precisamos expirar, de preferência bem devagarinho.

Descobri que existe também a “aerofagia”, dor e enjôo causados quando se respira muito pela boca, deixando o estômago cheio de ar. Sintoma típico de ansiedade. Até ar em excesso nos adoece.

Imaginem o nosso nível de intoxicação atual… Preocupação extrema, stress, tristeza, sensação de impotência… Quem não está sentindo tudo isso com o nível obsceno das ações governamentais no Brasil? Acrescentem uma dose extra se vocês moram no Rio de Janeiro…

Não tenho soluções, só tentativa de sobrevivência. É a minha versão de receita tipo-bela-gil: “você poderia trocar o consumo de notícias,  vídeos e posts horríveis por…escrever e desenhar”.

Voltei a escrever um diário em papel, no mínimo três páginas A5 por dia. Achei um caderninho usado aqui em casa, pautado, daqueles bem baratinhos da Tilibra. Ando com o telefone grudado nele e na minha caneta de escrita preferida, uma bic azul cristal ultra fine. Toda vez que sinto um impulso de pegar no celular, olho os dois objetos e penso: abro a tela e vejo mais uma atrocidade, ou abro o caderno e escrevo sobre uma ideia, um sonho, qualquer coisa? O caderno, gente. Escrever está sendo como expirar as toxinas… Às vezes estou num dia tão difícil que sigo acrescentando parágrafos em vários momentos. Está sendo uma auto-terapia.

Voltei também a desenhar no metrô, observando as pessoas com a compaixão que o registro gráfico exige. Registrar o corpo de alguém no caderno é uma forma de expirar o que vejo, um pequeno traço por vez. Além das imagens no início do post, seguem algumas cabeças… Parecem cansadas, como eu. Sinto-me menos só.

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Para quem acha que não sabe desenhar (desde já, discordo!): vale recortar e colar, contornar, colorir mandalas. Qualquer coisa analógica serve: tricotar, bordar, cozinhar, pintar, brincar de massinha ou cerâmica. A ideia é fazer “algo para fora”, ao invés de colocar mais coisas para dentro.

Boa semana! ♥

2 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-e-dignas-de-nota dos próximos dias:

solvermelho• Estreia amanhã, 19/08/2019, a exposição “O nosso sol é vermelho”, do Antônio Kuschnir! (Meu filho, para quem não sabe!) Será na Galeria Macunaíma, na Escola de Belas Artes da UFRJ (1º andar do Prédio da Reitoria, na Cidade Universitária), onde ele estuda. Vai ser incrível!

Para quem não conhece o trabalho dele, vocês podem ter uma amostra no Instagram ou no Facebook, mas nada como ver ao vivo — é lindo demais:

https://www.facebook.com/antonio.castro.9231712

https://www.instagram.com/antoniokuschnir/

• Está aberta até o dia 30/08/2019 a campanha de financiamento coletivo para a reconstrução da Biblioteca Francisca Keller, do PPPGAS/Museu Nacional, uma das preciosidades perdidas no incêndio do prédio. Qualquer valor é importante: https://www.bfkmuseunacional.org/

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Sobre os desenhos: Pessoas desenhadas com canetinha de nanquim permanente Staedtler 0.5, num caderninho Hahnemühle A6. Acrescentei a aquarela em casa, com toda calma, deixando secar uma camada antes de pintar a próxima. Em quase todas as cores, acrescentei um fiapinho de Lunar Black, uma tinta nova na minha paleta, que uma amiga me trouxe dos EUA em janeiro. Estou amando, pois ela cria um granulado lindo por onde passa. Depois conto mais sobre alguns materiais novos porque o objetivo de hoje é fechar a semana com o post publicado! Abraço apertado, pessoal. Tirem o pó dos cadernos, das tintas e dos pincéis. Recomendo. ☼

Você acabou de ler “Expirar, escrever, desenhar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Expirar, escrever, desenhar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Mf. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Caderninho de consumo para pensar Cultura e Razão Prática de Sahlins – Ideia para aula lúdica (5)

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“Nenhum objeto, nenhuma coisa é ou tem movimento na sociedade humana, exceto pela signficação que as pessoas lhe atribuem.” (M. Sahlins)

Pessoas queridas, aí vai uma nova ideia para aula lúdica. A base é o texto  “La pensée bourgeoise: a sociedade ocidental como cultura”, de Marshall Sahlins, um dos capítulos do livro Cultura e razão prática (Ed. Zahar). Eu já tinha uma apresentação com imagens e citações para essa aula, mas em 2019-1 inventei um “Caderninho de Consumo”, feito pelos próprios alunos, cujo conteúdo depois é debatido em sala e por escrito. A proposta dessas aulas lúdicas é compreender conceitos antropológicos por meio de atividades divertidas, que valorizem a autonomia de criação e reflexão dos estudantes.

Segue o “plano de aula” que prevê dois encontros e um trabalho escrito. Os arquivos de apoio também estão abaixo. Fiquei feliz de fazer um post útil, pra variar. Dá trabalho, mas é um dos meus objetivos de vida e do blog. 😉

Objetivos da proposta:

. Produzir manualmente um “Caderninho de Consumo” para o registro de todos os itens consumidos pelos estudantes durante uma semana.

. Refletir (através dessa prática) sobre como e quais tipos de coisas ou situações consumimos, prestando atenção em seus significados, classificações e regularidades nos espaços e tempos do cotidiano.

. Perceber que existem diferentes tipos de consumo individual, mas também padrões coletivos. Buscar entender esse ponto através do compartilhamento das experiências da turma primeiro; e depois pelos argumentos do texto.

. Empreender uma experiência de aula que gere conhecimento e transforme, nos fazendo sentir que aprendemos algo, ou seja, realizar uma prática associada à reflexão.

. Lembrar que uma atividade de pesquisa pode ser divertida e interessante; pode ser vivida como um enigma, um quebra-cabeça que desvendamos.

. Fortalecer a autonomia: mostrar que podemos e devemos pensar a partir dos nossos dados, classificá-los e interpretá-los.

Preparação antecipada:

. É bom a professora treinar fazer o caderninho antes, seguindo o tutorial e/o os vídeos indicados abaixo.

. Caso seja possível, treine um estudante para ser monitor nessa aula, pois ajuda ter apoio para orientar os alunos e fazer os cortes.

Material necessário para a Aula 1:

. Papeis A4 brancos (1 folha por estudante, mais algumas extras).

. Algumas tesouras

Material necessário para a Aula 2 (que deve ocorrer 7 dias depois):

. Notebook e Projetor de datashow, além de um pen drive com o PDF indicado abaixo.

Dinâmica da Aula 1 – Como conduzo:

. Entrego uma folha de papel A4 para cada aluno e demonstro cada etapa das dobraduras bem devagar. Espero que todos completem uma etapa antes de ir para a próxima, e auxilio no corte do papel. Segue o tutorial abaixo em imagem e em formato .pdf para imprimir:

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. Sempre lembro que não precisa ficar perfeito, e ofereço uma folha nova se alguém fica se queixando que o seu está “muito ruim”.

. Solicito que deixem a capa em branco e escrevam (com letra pequena) nas 7 páginas seguintes as datas dos próximos 7 dias. (Por exemplo, o caderninho da Laís, que abre o post, foi feito numa aula no dia 26/03/19. Na segunda página, vocês podem ver que ela anotou 27/03, e foi seguindo nas demais: 28/03, 29/03, 30/03/ 31/03, 01/04 e 02/04). É importante preencher as datas ainda na aula para os alunos saberem exatamente os dias em que terão que registrar no caderno. Outro detalhe: colocar o nome na primeira ou na última página.

. Sobre os registros, tento criar um clima de brincadeira, sugerindo que anotem, colem coisas, guardem notas fiscais, usem cores, etiquetas etc. 

. Observo que consumir é diferente de comprar. Podemos consumir algo que nos foi dado de presente, ou feito por alguém da família por exemplo. É um diário sobre isso.

. Trocamos ideias sobre o que eles acham que vão consumir nos próximos dias: surgem comidas, remédios, passagens de transportes, impressão de pdfs ou xerox, e também presentes, roupas, bebidas, ingressos para eventos e até substâncias consideradas ilícitas. Vale também consumo de celular, aplicativos, Uber etc.

. Peço que leiam o capítulo do Sahlins durante a semana em que estiverem fazendo o diário.

Dinâmica da Aula 2 – Como conduzo:

. Mando uma mensagem para a turma lembrando que é imprescindível levar o caderninho e ler o texto do Sahlins para participar dessa segunda aula.

. Abaixo, vejam o exemplo do caderno da Laís Batista Passos, que cedeu suas imagens para esse post (obrigada!). A disciplina era Questões Antropológicas Contemporâneas para o curso de Licenciatura em Ciências Sociais do IFCS/UFRJ, mas a Laís é do curso de Design. Seu caderninho reflete uma familiaridade com a produção visual, a colagem e o desenho que a maioria da turma não tinha, claro. Essas imagens me ajudam a demonstrar a proposta aqui no blog, mas fazer um caderno “bonito” não é o objetivo principal da aula.

Lais Caderninho Consumo_p2

. Para começar, peço que os alunos falem sobre o que chamou sua atenção durante o processo. Solicito que leiam parte de suas anotações para a turma. Tivemos momentos bem divertidos sobre a diferença entre finais de semana e dias úteis, sobre gastar tudo num dia com os amigos e depois não ter dinheiro pro ônibus, sobre rotinas e vícios etc.

. Depois, sugiro que eles troquem caderninhos entre si. Geralmente, entre os amigos mais próximos, se as anotações forem muito pessoais.

. Em seguida, passo à apresentação do Power Point, que traz frases do Sahlins e imagens que busquei para dar visualidade aos argumentos do autor.

. Segue para download a minha sugestão de Apresentação do texto em aula.

. Não vou explicar aqui os principais pontos do texto, pois já estão na apresentação acima.

. Ao longo da aula, continuo conversando com os estudantes sobre as anotações de consumo deles. (Em semestres anteriores, já fiz nessa etapa uma análise das roupas na turma. É uma atividade bacana, mas exige um grupo menor, com uma certa confiança coletiva que nem sempre temos no ambiente universitário atual.)

Trabalho escrito:

. Para amarrar o debate, peço que eles façam um trabalho escrito em casa (mas poderia ser em uma 3ª aula, com consulta), analisando o próprio “caderninho de consumo” em diálogo com o texto do Sahlins. (Prefiro pedir para casa para poder ler o trabalho digitado e não à mão.)

. Alguns alunos pedem para refazer o caderno, pois não se dão conta da sua importância (muitas vezes porque não leram o texto a tempo). Sempre deixo. Acho um ganho enorme quando um estudante quer reelaborar um exercício. Mesmo que a motivação seja a nota, para mim, significa um investimento afetivo (tanto por ser fruto de uma auto-avaliação, quanto pelo tempo dispendido em pensar e refazer a proposta).

. Na aula seguinte, peço que me entreguem o caderninho e um trabalho escrito digitado de cerca de 2 páginas. (Lembrete: levar clipes extras para a aula de receber caderninhos e trabalhos porque eles esquecem de juntar!)

Avaliação:

. Procuro avaliar se eles conseguiram compreender a teoria relacionando-a com a prática, de preferência, sem ficar apenas no plano individual. Esse é o meu principal critério como docente, principalmente em aulas que envolvem atividades lúdicas.

. Em geral, atribuo uma pontuação pequena para esses exercícios: de 2,5 a 3,0 pontos na primeira nota. Procuro avaliar se o estudante compreendeu o argumento central do texto, e se se empenhou em refletir e realizar a tarefa, incorporando as sugestões de temas e composição da aula 1. Não faço avaliação estética.

Espero que tenham gostado e que seja útil. Experimentem, mandem comentários, sugestões e notícias das aulas de vocês. Bom começo de semestre a todos! ☼

Sobre o texto da aula:  SAHLINS, Marshall. 2003 [1976]. “La pensée bourgeoise: a sociedade ocidental como cultura”, In: Cultura e razão prática. Rio de Janeiro, Zahar, p.166-203.

Material para download feito por mim:
Tutorial sobre como fazer o caderninho: baixar PDF.
. Apresentação sobre o texto de Sahlins: baixar PDF.

Links para tutoriais de caderninhos no YouTube:
• Em português: https://youtu.be/uICW1MXNR1E?t=53
• Em inglês: https://youtu.be/ptT6ixIwJbU

Esse é o quinto post de uma série sobre aulas lúdicas:

E talvez vocês gostem de outros posts com a tag mundo acadêmico.

Sobre o caderno da Laís: O caderninho que abre o post foi feito pela aluna de graduação em Design da UFRJ, Laís Batista Passos. Ela seguiu o tutorial em aula e depois fez desenhos à mão livre e colagens (capa, contracapa, roupa amarela, pedaço de papel). Cliquem nas imagens para ver maior!

Sobre o tutorial de como fazer o caderno: Desenhos feitos por mim, primeiro a lápis, depois passados a limpo com uma caneta de naquim descartável 0.5 da Derwent. Tracejado das dobras feito com canetinha Pigma Micron 0.2, setinhas azuis e corte vermelho com Pigma Micron 0.2, sombras internas e na tesoura com caneta pincel Tombow. Depois escaneei na Epson L396 e ajustei tudo no Photoshop, onde também fiz as legendas e o título. Espero que esteja fácil de seguir. Se não, escrevam as dúvidas nos comentários por favor.

Você acabou de ler “Caderninho de consumo para pensar Cultura e Razão Prática Sahlins – Ideia para aula lúdica (5)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Caderninho de consumo para pensar Cultura e Razão Prática Sahlins – Ideia para aula lúdica (5)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Lj. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Agosto/2019 – Pedacinhos de memória e afeto

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Calendário de Agosto de 2019 e .PDF para imprimir feitos!

Tentei caprichar pra vocês, gostaram? As imagens são todas inspiradas em bolsinhas, sacolas e estojos que tenho de verdade. Esse é mais ou menos o meu acervo inteiro, fora uma bolsa preta que uso todos os dias.

Os tamanhos estão fora de escala porque tive que adaptar aos espaços do desenho. Cada uma tem sua história, bem no espírito de uma aula lúdica que expliquei aqui.

Das 22 peças, só 5 não foram presentes! Minhas preferidas são as herdadas da minha avó: a mini mochilinha Kipling verde e a mini bolsinha amarela eram de uso dela, até os seus 98 anos. A bolsa rosa de alça bem comprida ela me deu há muitos anos. É de feltro, com umas flores bordadas, uma coisa que eu nunca compraria mas que aprendi a adorar.

A bolsinha porta-moedas com um símbolo da Suiça foi presente da minha tia-avó, para quem comecei a escrever cartas desde que me entendi por gente, um amor gigante. A necessaire em formato de xícara de chá veio da amizade mais antiga, desde os 14 anos, uma amiga com quem venho trocando cartas infinitas a vida inteira.

As duas bolsas coloridas de alça curta à direita são do Nepal, presente da minha ex-sogra.  São como colchas quilt, de tecidos emendados, com bordados por cima. Pequenas obras de arte! O lápis-estojo veio de Portugal, esse lugar da saudade do Ju e que sintetiza tanto nosso amor mútuo e pela escrita. Os panos enroladinhos são guarda-pincéis, ambos presentes de amigas queridas. Como a bolsinha transparente (que veio numa compra de materiais da Winsor & Newton), remetem à paz da pintura. 

A antropologia está na sacolinha da Reunião da ABA de 2006, em Goiânia. Veio com um tecido de grafismo indígena e é o meu brinde de congresso favorito até hoje. Por estranho que pareça, tem vida acadêmica também na bolsa roxa, presente de uma amiga guru que ficava hospedada na nossa casa quando vinha ao Rio se enfurnar nas bibliotecas e no mundo do século XIX. 

E por aí vai… São pedacinhos de memória e afeto.

A maioria está bem usada e gasta, mas minha vontade de comprar coisas novas é zero. Podem me bombardear de anúncios. Estou vacinada. Já tenho mais do que o suficiente para viver (embora as camisetas estejam furando cada vez mais rápido, como já conversamos, socorro!).

Nossos vazios interiores não vão ser preenchidos por coisas, nunca. Cantar com a Alice, desenhar com o Antônio, trocar com os amores e amigos, viver com os livros, as tintas e os alunos por inteiro. Reconhecer a beleza das nossas memórias, mesmo as rasgadinhas e doídas, cuidar das plantas, dos bichos e das pessoas. É nisso que tenho me apegado.

Li essa semana que, na véspera da Segunda Guerra Mundial, Virginia Woolf se desesperava ao ouvir os discursos racistas e fascistas de Hitler no rádio. Seu marido a acompanhava, horrizado. Até que um dia, Leonard Woolf se recusou a escutar. Preferiu ficar no jardim, plantando suas flores, com esperança de que iriam florescer por muitos anos e, até lá, Hitler já estaria morto.

Plantemos flores, conhecimentos, redes solidárias feitas de gentes. Sobreviveremos aos facínoras do nosso tempo.

Fonte: A historinha do casal Woolf está na página 197 do livrinho “Keep Going”, de Austin Kleon, e foram originalmente contadas nas memórias de Leonard Woof, “Downhill All the Way”. Acabei não resistindo comprar esse livro porque tenho ouvido entrevistas com o autor que é um produtor incansável de diários, prática que retomei nas últimas semanas. Recomendo esperar a tradução, que com certeza virá pois é um desses best-sellers de auto-ajuda para artistas. O primeiro dele, “Roube como um artista”, foi publicado no Brasil pela Rocco. Gostei mais desse último, mas por favor, gente, não saiam esperando grandes profundidades: é uma obra bem modesta, que se lê em poucas horas.

Sobre o desenho: Desenhei observando com canetinha de nanquim permanente Unipin 0,2. Depois colori com vários lápis de cor e fiz alguns detalhes com canetinhas Pigma Micron coloridas. Acho que a base do calendário ficou mais nítida porque venho utilizando um scanner-impressora novo! Tinha comprado em fevereiro (!) mas só em junho tive fôlego para instalar, acreditam? É uma multifuncional Epson L396, sugestão da minha professora de Photoshop. O scanner é mil vezes melhor do que o da minha antiga e basiquinha HP. A impressão ainda não testei muito. É com EcoTank, ou seja, com quatro cores separadas, o que supostamente será uma economia a longo prazo. Mas achei a impressão rápida em preto bem fraquinha e um tanto lenta. Só fica boa se colocar o setup na qualidade normal ou ótima. Enfim, só testando mais. Depois conto aqui.

Boa semana! ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Agosto/2019 – Pedacinhos de memória e afeto”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Lb. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Férias de professora

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Quem reconhece uma sacolinha lotada assim, levanta a mão! Taí a imagem que sintetiza as minhas “férias” e a de quase todos os professores que conheço. Pilhas de trabalhos pra corrigir em casa, e a ilusão de que vamos terminar artigos, entregar pareceres, enviar relatórios, marcar orientações e, quem sabe, dar um gás na pesquisa e até uma arrumada nos programas de curso do semestre que vem. [Pausa para suspirar.] Alguém se identifica?

Confesso que pesquei essa listinha de um amigo querido, que me mandou um áudio comentando tudo que ele tinha pensado em fazer nesse recesso da universidade. Ri sozinha de nervoso ouvindo a mensagem no zap. Pessoa mais doida é professor… Não sabe fazer conta da imensidão do próprio trabalho, não sabe dizer não pros textos, pros alunos, pros amigos que pedem pareceres, nem pra si mesmo…

A maioria está assim por conta da precarização do trabalho, claro. O que mais tem é professor com 30 turmas em três empregos. Mas nem todos!

Muitos, como eu, se atolam porque lidam com assuntos e causas que os apaixonam. Só que a vida é como um grande barco de restaurante japonês: para comer as peças que mais gostamos, temos que entubar um monte de kani.

E olha que eu me acho super organizada. Tenho um sistema com todas as informações sobre o que preciso fazer, quando, onde e como. Sei quanto tempo levo nas tarefas e quais compromissos não posso ou não quero aceitar. Tenho clareza sobre as minhas prioridades — filhos, depois eu mesma (amor/saúde/arte incluídos), aulas e alunos, atividades da universidade em geral, a casa e o mundo.

Mas a vida e a antropologia estão aí pra nos lembrar que os laços obrigam. Se amamos nossos bichos, nos cabe cuidar. Se vamos publicar num livro da Routledge (sim, viva!), precisamos fazer o parecer que nos pedem. Se nos dedicamos às aulas, temos que corrigir os trabalhos à altura. A cada “sim”, temos uma dívida em potencial cozinhando. É preciso levar as obrigações a sério, já dizia a saudosa professora Lygia Sigaud.

A doença da Lola me impactou, alguns alunos atrasaram… e a sacolinha cheia de trabalhos foi ficando esquecida num canto. De repente, me pareceu tão bonita, recheada assim. Precisei desenhar e pintar antes de começar a corrigir. Justifiquei pra mim mesma que estava tudo bem, que o prazo ainda não chegou, que tem trabalhos vindo por e-mail ainda, porque foi pro brejo a minha rigidez de professora jovem e determinada. Como diria meu ex-terapeuta, “– É uma vitória quando você chega atrasada, Karina.” Taí o motivo do atraso, alunos queridos. Fiquei pintando os trabalhos de vocês e escrevendo post. Tudo em nome da arte, porque só a arte e os estudos nos salvam.

A pequena “natureza morta” que ilustra esse post une essas duas coisas: arte (a sacolinha preta foi presente do Simpósito anual dos Urban Sketchers em Manchester, de 2016, onde dei uma palestra); e estudos (os trabalhos de duas turmas maravilhosas de 2019-1, um semestre em que me dediquei a estudar e me renovar). Juntos, esses objetos me lembram do motivo de eu estar aqui pensando, escrevendo e desenhando em público, enfrentando a timidez e a preguiça. rs

Obrigada pela companhia, pessoal. Boa sorte e muita tranquilidade para todos que estão às vésperas das seleções de mestrado nesse final de julho. Meu coração está com vocês. ♥

PS: As notas de já foram lançadas, ufa! E pra quem gosta do tema #vidadeprofessora, tem esse post Sete coisas invisíveis na vida de uma professora e esse Quinze coisas para fazer na volta às aulas como professora, além de todos os marcados com a #mundoacademico.

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota — Amo blogs e newsletters. Aí vão algumas que são ótimas companhias para ler nos momentos em que vocês precisarem de bons conteúdos pra se distrair, sem precisar recorrer às redes sociais:

* Duas Fridas: newsletter do blog Duas Fridas da Helê e da Monix. Sempre com temas ótimos, bom humor e com lembranças maravilhosas de posts passados que me fazem sorrir e esquecer o caos dos tempos atuais.

Ainda não acabei de pensar nisso: newsletter do blog Papiro Papirus, da Rita Caré, portuguesa, artista, bióloga, comunicadora, cheia de humor e maravilhas a nos deliciar com suas descobertas e reflexões.

Eva-Lotta: newsletter do blog da ilustradora alemã Eva-Lotta Lamm que ama o mundo das anotações desenhadas, aprender novas habilidades, pensar o cotidiano de forma lúdica e ensinar. Uma lindeza! (em inglês)

Austin Kleon: newsletter semanal do blog do autor que descobri por meio da Rita Caré (acima) — obrigada, Rita! Traz sempre uma listinha de dez sugestões de leituras, links, imagens interessantes para o autor. Voltada para quem ama livros, arte, educação: ou seja, nós! (em inglês)

Viktorija Illustration: newsletter mensal do blog da ilustradora Viktorija, baseada em Londres. Traz propostas de exercícios, inspirações, dicas e sugestões de materiais de arte. É bem despretenciosa e bonitinha. (em inglês)

• E como faço para saber dessas coisas? Utilizo um app de blogs chamado Feedly, onde “assino” os blogs que gosto, separados por assuntos. Leio no notebook, mas é também o meu app de celular preferido, seguido do Kindle, cheio de amostras de livros que não vou comprar!

E vocês, quais newsletters me indicariam?

Sobre o desenho: Fiz primeiro um rascunho rápido com lapiseira observando a sacola cheia com os trabalhos de uma turma, apoiada na pilha de trabalhos da outra (o caderninho vermelho foi feito por uma aluna super querida da aula de antropologia e desenho desse semestre, uma graça).  Depois desenhei por cima com caneta de nanquim permanente Unipin 0,2, em verso de um papel do bloco Canson Aquarelle XL (capa turquesa). Depois apaguei o lápis e pintei com vários materiais: a sacola preta e o caderno vermelho foram pintados inicialmente com uma guache acrílica (Acryla Gouache, da Holbein, que ganhei ano passado e só agora comecei a experimentar); as letras brancas na sacola foram feitas no dia seguinte (para a base secar bem primeiro!) com caneta Gelly Roll 0,8 branca da Sakura. O restante foi colorido com lápis de cor (os detalhes dos trabalhos) e aquarela (especialmente as sombras).

Você acabou de ler “Férias de professora“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Férias de professora”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3L4. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Lola (2009-2019)

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“Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai”
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

No dia 27 de junho de 2019, saí da veterinária arrasada, com a suspeita de que minha gatinha Lola estava com um tumor grande no abdômen (daí não termos notado). No dia seguinte, uma ultrassonografia não apenas confirmou o diagnóstico como cessou nossas esperanças de cura devido à quantidade de órgãos atingidos. Foi tudo muito rápido: em fevereiro, ela foi examinada de rotina e estava bem.

Lola azul amarela

Tivemos 17 dias em sua companhia desde então. Demos todas as comidas que ela mais adorava e o máximo de remédios paliativos possíveis. Instalamos um colchão na sala onde nos revezamos nos cuidados e na companhia. Alice era sua preferida para as sonecas, como registrei nesse desenho de 2013, quando Ulisses ainda estava conosco:

Alicegatosp

Adotamos a Lola em agosto de 2009, com uma cuidadora de gatinhos abandonados no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.  A bichinha era minúscula, com centenas de pulgas e olhos inflamados. Junto, adotamos seu “irmãozinho” Charlie.

Lola casaEla tinha outros planos: recusou a fraternidade e impôs que o Charlie seria sua MÃE. Por meses a fio, mamava com todas as suas forças tentando extrair algum leite da barriga dele. Temos vídeos dessa época: o pretinho gorducho todo ensopado, pacientemente se deixando ordenhar pela “filhinha” determinada.

À medida que iam crescendo, Lola se tornou a irmã mandona. Era a líder. Escolhia onde domir, miava reclamando que estava na hora do lanche, comia primeiro. Quando Charlie passou a noite na clínica para ser castrado, ela nem se abalou. Quando chegou a sua hora, o irmão ficou desesperado: para onde tínhamos levado sua Lolinha? Nunca miou tanto e tão sofrido. Na imagem abaixo, acho que consegui captar seu olhar mais típico de “eu que mando” (bem “I’m the boss”).

Lola psi

Era com esse olhar, acompanhado de uma levantadinha de queixo e miados curtos,  que ela vinha me cobrar atitude diante de algum filho doente ou triste. Parecia que falava: “– Anda, se mexe, sua filha está chorando, não tá vendo? Faz alguma coisa!” E virava o corpinho na direção em que eu deveria segui-la. Depois ficava ali supervisionando.

Lola pintura 2013

Ela própria era uma ótima enfermeira. Bastava alguém cair doente, e lá vinha a Lola postar-se em cima. Considerava uma grande honra para a pessoa que a recebia. Adorava nossa companhia, mas nunca foi grudenta. Chegou a ser noiva e casar com o Antônio, com cerimonial e tudo! Mas foi gata-feminista à frente do seu tempo, como se dissesse: “– Lambo quando quiser, entro e saio da sua cama quando me der na telha!” Mas foi um divórcio amigável.

Lola adorava jogos de cachorro. Aprendeu desde pequena a buscar bolinhas de borracha (daquelas que saem nas máquinas de um real). Tínhamos um corredor comprido no outro apartamento. Eu sentava numa ponta e quicava a bola para longe. Ela ficava agitadíssima, apoiando as patas de trás na parede mais próxima, para ganhar velocidade e trazer a bola de volta, prendendo em sua boquinha e soltando na minha mão.

Lola amarela

Depois de muitas rodadas, sinalizava a exaustão olhando a bola passar com enfado e me encarando com um jeito de quem diz: “não percebeu que não quero mais, humana?”. Ia dormir por horas. Tinha muitos jeitos bonitinhos de cochilar, mas o meu preferido era quando esticava as patinhas pra frente.

gardenreadingg 2015

Ainda bem pequena, ficava resfriada com frequência. Era um corre-corre de remédios, nebulização e alimentos especiais para fazê-la engordar. Sempre foi miúda. Nunca passou de 3,5 kg. Um dia, já sem saber como abrir seu apetite, ofereci atum. Foi um alvoroço. Ela se apaixonou e ficou viciada a ponto de não aceitar qualquer outro alimento. Haja persistência para vencer a turrice dela.

Um dos dias mais felizes de sua vida de gata-de-cidade foi durante uma viagem a Itaipava. Nao ia ser uma grande aventura, pois a ideia era mantê-la segura dentro da casa. De repente, descobriu uma lagartixa! Foi uma festa de corre-corre pra lá e pra cá com uma “bolinha” de verdade! Ficou tão feliz que nunca esquecemos desse dia. Felizmente, saíram ambas vivas.

lola 29-04 2011

Seu sono mais gostoso era quando estávamos todos na sala, conversando ou tocando violão, de preferência com visitas já conhecidas. Era apaixonada pela mochila da Roberta, nossa amiga e ex-professora de inglês do Antônio. Era muito asseada, lambia tudo que via pela frente. Charlie era seu brinquedinho particular, assim como nossos cabelos e seu próprio pêlo, mantido impecável. Se ganhasse um beijo de qualquer pessoa, imediatamente limpava a área “atacada” por humanos.

Lolas dez 2014 b.jpg

Quando Ulisses chegou em 2011, passou um bom tempo trancado no quarto, em “quarentena”, esperando que a Lola o aceitasse. Acabaram se tornando bons amigos, ora respeitosos e lambitivos, ora trocando patadas para ver quem mandava. Era ela, claro, mas sabiamente deixava passar o atrevido, em nome do Charlie, agora assumido no papel de filhinho dos mandões.  Que saudades desse dia, em que desenhei os três juntos na posição que mais ficavam: Lola e Ulisses nas pontas, com Charlie no meio.

LolaUlissesCharlie

É isso, pessoas queridas. A vida. Dez aninhos de Lola em histórias e imagens. Parece que foi ontem. Parece muito; foi pouco. Alegria e tristeza juntas, dessas que a gente não sabe explicar, mas faria tudo de novo.

Obrigada por tudo, Lolinha. ♥

Sobre os nomes: Para quem não conhece, os nomes Charlie e Lola foram inspirados em dois personagens dos livros e desenhos animados da ilustradora e escritora inglesa Lauren Child. Não achei um bom site oficial, então deixo uma busca de imagens e filminhos. Foi um de nossos desenhos preferidos quando as crianças eram pequenas. Além disso, as ilustrações são lindas, misturando colagens e desenho.

Sobre os desenhos: Recolhi de vários caderninhos ao longo desses dez anos, mas devo ter muitos perdidos ainda. Ela foi o gatinho que menos desenhei, porque achava seu pêlo tricolor super difícil de registrar. Confesso que me surpreendi em ver como as imagens, mesmo de rascunhos super rápidos, conseguiram captar a vibração da nossa querida gatinha. Saudades infinitas já.

Você acabou de ler “Lola (2009-2019)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Lola (2009-2019)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3KI. Acesso em [dd/mm/aaaa].