Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Agosto/2019 – Pedacinhos de memória e afeto

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Calendário de Agosto de 2019 e .PDF para imprimir feitos!

Tentei caprichar pra vocês, gostaram? As imagens são todas inspiradas em bolsinhas, sacolas e estojos que tenho de verdade. Esse é mais ou menos o meu acervo inteiro, fora uma bolsa preta que uso todos os dias.

Os tamanhos estão fora de escala porque tive que adaptar aos espaços do desenho. Cada uma tem sua história, bem no espírito de uma aula lúdica que expliquei aqui.

Das 22 peças, só 5 não foram presentes! Minhas preferidas são as herdadas da minha avó: a mini mochilinha Kipling verde e a mini bolsinha amarela eram de uso dela, até os seus 98 anos. A bolsa rosa de alça bem comprida ela me deu há muitos anos. É de feltro, com umas flores bordadas, uma coisa que eu nunca compraria mas que aprendi a adorar.

A bolsinha porta-moedas com um símbolo da Suiça foi presente da minha tia-avó, para quem comecei a escrever cartas desde que me entendi por gente, um amor gigante. A necessaire em formato de xícara de chá veio da amizade mais antiga, desde os 14 anos, uma amiga com quem venho trocando cartas infinitas a vida inteira.

As duas bolsas coloridas de alça curta à direita são do Nepal, presente da minha ex-sogra.  São como colchas quilt, de tecidos emendados, com bordados por cima. Pequenas obras de arte! O lápis-estojo veio de Portugal, esse lugar da saudade do Ju e que sintetiza tanto nosso amor mútuo e pela escrita. Os panos enroladinhos são guarda-pincéis, ambos presentes de amigas queridas. Como a bolsinha transparente (que veio numa compra de materiais da Winsor & Newton), remetem à paz da pintura. 

A antropologia está na sacolinha da Reunião da ABA de 2006, em Goiânia. Veio com um tecido de grafismo indígena e é o meu brinde de congresso favorito até hoje. Por estranho que pareça, tem vida acadêmica também na bolsa roxa, presente de uma amiga guru que ficava hospedada na nossa casa quando vinha ao Rio se enfurnar nas bibliotecas e no mundo do século XIX. 

E por aí vai… São pedacinhos de memória e afeto.

A maioria está bem usada e gasta, mas minha vontade de comprar coisas novas é zero. Podem me bombardear de anúncios. Estou vacinada. Já tenho mais do que o suficiente para viver (embora as camisetas estejam furando cada vez mais rápido, como já conversamos, socorro!).

Nossos vazios interiores não vão ser preenchidos por coisas, nunca. Cantar com a Alice, desenhar com o Antônio, trocar com os amores e amigos, viver com os livros, as tintas e os alunos por inteiro. Reconhecer a beleza das nossas memórias, mesmo as rasgadinhas e doídas, cuidar das plantas, dos bichos e das pessoas. É nisso que tenho me apegado.

Li essa semana que, na véspera da Segunda Guerra Mundial, Virginia Woolf se desesperava ao ouvir os discursos racistas e fascistas de Hitler no rádio. Seu marido a acompanhava, horrizado. Até que um dia, Leonard Woolf se recusou a escutar. Preferiu ficar no jardim, plantando suas flores, com esperança de que iriam florescer por muitos anos e, até lá, Hitler já estaria morto.

Plantemos flores, conhecimentos, redes solidárias feitas de gentes. Sobreviveremos aos facínoras do nosso tempo.

Fonte: A historinha do casal Woolf está na página 197 do livrinho “Keep Going”, de Austin Kleon, e foram originalmente contadas nas memórias de Leonard Woof, “Downhill All the Way”. Acabei não resistindo comprar esse livro porque tenho ouvido entrevistas com o autor que é um produtor incansável de diários, prática que retomei nas últimas semanas. Recomendo esperar a tradução, que com certeza virá pois é um desses best-sellers de auto-ajuda para artistas. O primeiro dele, “Roube como um artista”, foi publicado no Brasil pela Rocco. Gostei mais desse último, mas por favor, gente, não saiam esperando grandes profundidades: é uma obra bem modesta, que se lê em poucas horas.

Sobre o desenho: Desenhei observando com canetinha de nanquim permanente Unipin 0,2. Depois colori com vários lápis de cor e fiz alguns detalhes com canetinhas Pigma Micron coloridas. Acho que a base do calendário ficou mais nítida porque venho utilizando um scanner-impressora novo! Tinha comprado em fevereiro (!) mas só em junho tive fôlego para instalar, acreditam? É uma multifuncional Epson L396, sugestão da minha professora de Photoshop. O scanner é mil vezes melhor do que o da minha antiga e basiquinha HP. A impressão ainda não testei muito. É com EcoTank, ou seja, com quatro cores separadas, o que supostamente será uma economia a longo prazo. Mas achei a impressão rápida em preto bem fraquinha e um tanto lenta. Só fica boa se colocar o setup na qualidade normal ou ótima. Enfim, só testando mais. Depois conto aqui.

Boa semana! ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Agosto/2019 – Pedacinhos de memória e afeto”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Lb. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Julho/2019 – Em pausa

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Aí vai o calendário de Julho de 2019 e a versão em .PDF para imprimir.

A publicação chega com vários dias de atraso e ainda por cima com desenho antigo… Não sei direito o que está acontecendo comigo em relação ao blog. Seria fácil colocar a culpa no excesso de trabalho, mas desde a década de 1990 o que mais faço é trabalhar, com apenas duas pausas para cuidar dos filhos. Não é isso. De alguma forma, esse ambiente político tóxico em que estamos vivendo bloqueou minha criatividade de um jeito que está difícil de destravar.

Peço paciência a vocês e a mim mesma. Seguirei pensando em caminhos para voltar a produzir conteúdo inédito aqui. Por hoje, deixo duas lindas reflexões que me chegaram.

• O artigo da Ana Paula Lisboa inspirado na música Cajuína, essa maravilha de Caetano Veloso, cuja letra tem suas histórias contadas aqui (rolem a tela pois as melhores explicações estão mais pro final). A canção segue abaixo, mas não deixem de ouvir no Youtube ou no Spotify:

CAJUÍNA – Caetano Veloso

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

• A outra lindeza foi um post da Ellen Rosa, doutoranda em Filosofia do PPGF/IFCS, sobre como enfrentar os desafios de final de período, seja qual for a sua etapa de escolaridade:

AOS DESESPERADOS DO FINAL DO PERÍODO – Ellen Rosa – 3/7/2019
Quando eu precisei de orientação pra fazer a monografia do final da graduação, não tinha ninguém que eu visse que podia me ajudar. Eu não desenvolvia pesquisa com ninguém. Já tinha arrumado treta com vários profes. O ilustríssimo Renato Noguera veio de outro campus e me salvou, me incentivou. Eu entrei no mestrado. Terminei com dificuldades, mas auxiliei quem eu podia no caminho. Porque eu precisei de auxílio, achei justo tomar essa postura. Entrei no doutorado e a sorte meio que mudou. Eu tropeço em professor pedindo artigo pra publicar, colunista do Le Monde perguntando quem me orienta e pedindo pra ser coorientador, professor trocando ideia comigo antes de entrar pra me dar aula pra saber o que achei do texto. Teve uma vez que eu não consegui ler o texto à tempo, a professora me pegou pelo braço e disse “deixe de besteira” e me sentou do lado dela pra darmos a aula juntas. De pouco as pessoas começam a considerar nossas pontuações, levar elas à sério. Te chamar pros espaços de discussão. Chega uma hora que tu nem dá conta de tudo. Existe um lugar confortável, ele chega. Persevere!
Mas não é fácil. Na minha última aula do doutorado eu tive uma crise de ansiedade lendo um texto MEU. Era uma teoria minha e eu não consegui explicar. Comecei a falar tremendo, saí chorando e correndo antes de conseguir terminar. Era minha última aula do doutorado, o professor foi correndo atrás de mim porque não entendeu como alguém que ia tão bem estava insegura. A teoria é boa, a tese vai ficar show. Falta só qualificar e defender. Eu já a discuti com meus pares. Mas eu tô insegura.
É isso! A insegurança nunca vai passar. Até a zona de conforto tem insegurança. E eu achei que se você que tá embolado aí com artigo de final de período como eu estive muitas vezes, lesse alguém que passou por isso, ia ficar mais tranquilo. Na minha vez, eu não li ninguém que tivesse passando por isso e passei fodida. NÃO SE FODA! Nunca vai estar perfeito, você não vai tirar 10 sempre. Mas cê vai conseguir. Eu cheguei até aqui suando frio, tremendo, chorando e correndo pelos corredores com a bolsa nas mãos. Você não precisa passar pelo mesmo. Senta pra ler, separa os trechos que você gosta. Conta uma historia que entrelace os trechos, escreva uma conclusão. Releia tudo, faça dois parágrafos e cole antes do texto para a introdução. Transforme os dois parágrafos em um, traduza noutro idioma e está pronto o resumo. Você tem um artigo pronto. Sem suar, sem tremer.
Em 10 anos nessa, foi isso que aprendi. Espero que sirva pra você também. Jogue duro!

Ana e Ellen, meu muito obrigada por hoje! ♥

Sobre o desenho: Aproveitei as imagens que venho produzindo para a página Materiais aqui do blog e editei no Photoshop!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Julho/2019 – Em pausa”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Kw. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2019 – Primárias

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Aí vai o calendário de Junho de 2019 e a versão em .PDF para imprimir.

A inspiração foram os desenhos de dois pratos de artesanato peruano que vi na casa de amigos. Ao estudar as imagens para fazer os desenhos, reparei que, apesar de alegres e aparentemente multi-coloridos, tinham apenas variações de saturação nas três cores primárias: azul, amarelo e vermelho.

Achei um bom tema para o mês de junho. Diante do caos que estamos vivendo, tenho tentado controlar meus momentos de ansiedade voltando ao básico: manter a saúde, o afeto em família, a dedicação aos alunos, à UFRJ e à luta por um país mais justo.

Outra coisa que só reparei na hora de desenhar: em várias padronagens surgem bandeirinhas que me lembraram das festas juninas. Que nos dêem sorte nesse próximo mês. Bom junho!

Sobre o desenho: Calendário (feito por um software antigo chamado Above&Beyond) impresso em papel A4 90gr, depois desenhado com canetinha de nanquim permanente descartável Pigma Micron 0,1 e colorido com lápis-de-cor Polychromos da Faber-Castell. No final, escaneei e editei no Photoshop para ficar parecido com o original.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Junho/2019 – Primárias”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Kn. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Maio/2019 – Nuvens

mai2019_pEssa semana minha grande inspiração foi o maravilhoso filme Pimenta nos Olhos da Andréa Barbosa e da Fernanda Matos sobre a região dos Pimentas, em Guarulhos-SP. É sobre jovens, redes, cidade, arte e conexões entre pessoas que acreditam no conhecimento. Fruto de um trabalho fantástico de ensino, pesquisa e extensão, coordenado pela Andréa e seu Visurb (Grupo de Pesquisas Visuais e Urbanas/UNIFESP) em parceria com o Lisa (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia/USP). Que orgulho da vida universitária e das Ciências Sociais!

Como diz o Fabinho, um dos personagens do filme:

“quando eu terminar minha faculdade (…) eu vou sair pelo Brasil todo (…) passando tudo que eu sei para todo mundo, sem distinguir cor, raça, etnia. Eu tenho essa visão. Antes, o meu objetivo era conquistar algo — ter uma casa, um carro bom. Hoje, não mais. Hoje, meu objetivo, que vi [aprendi] através de professores e artistas, é passar conhecimento. Eu acho que esse é um bem que ninguém pode tirar de você.”

Quando eu tinha 19 anos, tive uma fase de sonhar que voava! Eram sonhos mágicos, de liberdade, de fazer planos e de ter esperança. Tenho saudades.

Mas o filme sobre o Pimentas me renovou esse espaço de imaginação, sensibilidade e criatividade. Espero que seja uma inspiração para vocês também.

Força a todos que estão precisando. Que possamos ter mais descanso, água, sonho, saúde, comida, amigos, bichos, plantas, livros, escritas, desenhos, música, arte, amor.

E que no meio de tudo isso não esqueçamos nem por um momento do que hoje nos parece mais distante e difícil de alcançar: Justiça.

Maio/2019 para imprimir aqui: arquivo em .pdf!

Sobre o desenho: Calendário padrão do mês impresso e depois colorido com vários tons de azul do lápis de cor Polychromos da Faber-Castell.

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Abril/2019 colorido, apesar de

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“Enfim, conservemos a coragem e não desesperemos.” (Van Gogh)

Aqui vai o calendário de abril em .PDF para imprimir!

Diante do luto pelo dia de hoje, minha vontade de colorir e enfeitar um calendário estava em -10 graus negativos. Apesar de toda a dor por nossa situação política, resolvi deixar as notícias de lado e me dedicar ao próximo mês. É uma forma de honrar o compromisso comigo mesma e com vocês que me incentivam tanto.

Foram quase 4 horas para fazer esse padrão bem simples. É preciso parar, sentar, pensar, desenhar, colorir, afastar os pensamentos de que não-está-bom o suficiente, escanear mesmo assim, preparar os arquivos no Photoshop, publicar.

Como escrevi há muito tempo no blog: “primeiro a gente faz, depois desiste”. (Lembrei dessa frase hoje porque estava nos agradecimentos a mim numa tese de doutorado de uma amiga querida. Parabéns, linda! ♥)

A todos que vieram aqui ler os posts sobre teses e TCCs (foram muitos, obrigada!), meu recado é inspirado na frase de Van Gogh: a despeito de todas as adversidades, lutem pela conclusão do curso de vocês. Façam, escrevam, peçam ajuda, terminem. Feito é melhor que perfeito, não canso de repetir (para vocês e para mim mesma).

Esse foi o meu possível hoje. Abraço apertado em todos que protestaram, que reconhecem o imenso luto por 21 anos de atrocidades da ditadura, que acreditam que precisamos protestar e agir contra a barbaridade dessa comemoração infame.

Sobre a citação A frase de Van Gogh está na página 249 de “Cartas a Théo” (Vincent Van Gogh, L&PM Pocket), uma edição lida e relida que amo muito.

Sobre o desenho: Essas bolinhas com três “perninhas” foram inspiradas na visão de cima de um grupo de canetinhas Sakura brush que amarrei com elástico para guardar numa gaveta. Tentei reproduzir o colorido gostoso de vê-las em conjunto. As linhas foram feitas com uma canetinha de nanquim permanente Uni Pin fine line 0.2, e as cores com diferentes marcas de lápis-de-cor.

Acho que não consegui acertar bem os tons, seja por culpa das minhas escolhas, seja porque o processo de digitalização muda as tonalidades. Mesmo assim, espero que seja algo a colorir a parede de vocês, o escritório ou a cozinha. Alento: teremos um (ou dois, dependendo da cidade) feriados nesse próximo mês!

Até semana que vem!

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Março/2019 – Brasil, o teu nome é Dandara

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Pessoas queridas, aí vai com muitíssimo atraso o calendário de março/2019. Cliquem no PDF (em alta resolução) para imprimir.

Minha homenagem ao lindo samba-enredo da Mangueira, cuja letra segue abaixo.

Mangueira 2019 – História para Ninar Gente Grande – Autoria de Deivid Domênico, Tomaz Miranda, Mama, Marcio Bola, Ronie Oliveira e Danilo Firmino Intérprete: Marquinhos Art’Samba.

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Mangueira, tira a poeira dos porões

Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa as multidões

Para ouvir a gravação oficial, clique aqui. Para uma sinopse, aqui.

♥ Para ver, com o início na voz de uma menina incrível, aqui. (Não consegui encontrar o nome dela, infelizmente.)

♥ Vale a pena ler o post do historiador Luiz Antonio Simas sobre como Leandro Vieira construiu o enredo da escola, em colaboração com muitos estudiosos e professores de história.

♥ Recomendo também o texto da jornalista Flavia Oliveira, no Globo de 8/03/2019, liberado na íntegra aqui. Rememora outros carnavais e destaca:

Necessária e alinhada ao nosso tempo, de cobrança por representatividade e protagonismo feminino, negro, indígena, popular, a narrativa da Mangueira de 2019 não é nem inédita nem suficiente. É o capítulo mais recente e, talvez, contundente de um ativismo que pavimentou longo caminho de reconhecimento a personagens e episódios menosprezados ou invisibilizados pela História. (…) Desfiles na Sapucaí ampliam visibilidade, escancaram polêmicas, provocam a opinião pública, despertam o interesse. Sozinhos, não transformam. Nem o carnaval nem o Brasil. O que traz mudança é batalha diária, ação incessante. O Rio de Janeiro e o Brasil dormiram mais felizes com a vitória da Mangueira, mas não acordaram diferentes. Como bem ensinou o espetacular samba-enredo de Manu da Cuíca e parceiros: “Na luta é que a gente se encontra”. (Flávia Oliveira)

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Sobre o desenho:  Fiz uma bandeirinha com as medidas padronizadas (0,64 x 0,45cm) a lápis, depois tracei à mão livre com canetinha Unipin 0,2, e escrevi a legenda “Índios, Negros e Pobres” com uma 0,05. Colori com lápis de cor Faber-Castell Polychromos. Escaneei e fui colando no calendário em vários tamanhos e inclinações, com ajuda do Photoshop. Fiz vários testes de impressão até conseguir que saísse realmente cor-de-rosa. (As primeiras versões ficaram avermelhadas.) Depois me digam se saiu bem na impressora de vocês.

Você acabou de ler “Março/2019 – Brasil, o teu nome é Dandara“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Março/2019 – Brasil, o teu nome é Dandara”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3JG. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2019 – Enfrentando medos

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Pessoas queridas, aí vai o calendário de fevereiro, com o PDF para imprimir (em maior resolução).

Sei que estou publicando pouco aqui no blog, mas não foi dificuldade de escrever, desenhar ou de ter assunto… Foi medo.

Para muitas pessoas, sentir medo se traduz em raiva e autoritarismo — aposto que vocês conhecem gente assim… Pra mim não. Tenho pesadelos e vontade de ficar quietinha, remoendo as maldades do mundo. E são tantas!

Quero superar essa fase. Foi pra isso que criei esse blog. Foi pra criar coragem! É pra seguir em frente que venho desenhando e escrevendo há quatro anos, um clique de cada vez. Vambora?

Não se preocupem.

Quando escrevo sobre um sentimento, ele mais ou menos já está passando. A verdade é que, em janeiro, superei muitos medos! Vendi meu carrinho antigo sozinha, encarei uma descupinização dos armários da casa, fiquei firme numa fotocoagulação a laser na retina, fiz todos os exames anuais meus e das crianças, acompanhei as primeiras aulas de surf da Alice, aprendi a comprar ingresso pra São Januário, enfrentamos juntos os 50 graus na renovação (e no resgate) das novas carteiras de identidade, fiz minhas primeiras aulas de Photoshop profissional, terminei a revisão técnica da tradução de um livro, marquei uma biópsia, aprendi umas 269 siglas do sistema administrativo da UFRJ,  apertei forte a mão do meu filho no dia do resultado do Sisu e consegui deixar minha filha andar pela primeira vez de ônibus e metrô sozinha nessa cidade que mata Marielles, Douglas e Maria Eduardas…

Alguns foram medos grandes, outros bem pequenos, mas fomos nos encarando. De vez em quando, me pego pensando que são aflições tão idiotas perto das que passam as pessoas. Mas hoje não vou reforçar essa ladainha.

Queria dizer pra vocês (e pra mim): nossos medos são legítimos. Podem parecer bobos, porém não surgiram do nada. Tem uma parte imensa da sociedade que nos quer com medo, para que a gente tenha vontade de ficar em silêncio, num canto.

Tem dias de se esconder, sim, e tem dias de encarar. Que a gente possa se apoiar para que, cada um, na sua medida, no seu tamanho, no seu tempo, enfrente seus medos e tome as decisões que achar melhor. Que o respeito e a humildade prevaleçam.

Muita força para todos que estão nesse momento dando seus passinhos de formiga ou grandes pulos de canguru para enfrentar o que temem.

E meu abraço muito muito apertado para dois amigos queridos nesse mês que começa. Um deles acaba de perder a mãe para um câncer, e ainda lembra de ser doce e cuidadoso com todos; o outro acabou de contar aos pais (religiosos) que é gay — um imenso passo de aprender a se amar, amar e ser amado.

Obrigada a vocês dois por, mesmo sem saber, me ajudar tanto a lidar com os meus próprios medos.

eucalipto

Sobre o desenho: O calendário de fevereiro/2019 foi feito a partir de algumas aquarelas que, depois de escaneadas, viraram um “padrão” (pattern, no Photoshop). Os desenhos e o rapport (nome do conjunto básico de uma estampa) foram produzidos num Workshop que fiz em janeiro no Atelier Chiaroscuro (Chiara Bozzetti), em parceria com a Estampaholic (Patrícia Capella). Seriam páginas e páginas para explicar como faz — fica para um outro post. Estou aprendendo bastante (com aulas extras da Patrícia) e espero ir compartilhando com vocês em breve! Minha pintura preferida foi essa do galhinho de eucalipto, feita a partir da observação, no verso de um papel Canson Aquarelle, com rascunho a lápis, depois colorido com as tintas da minha paleta.

Você acabou de ler “Fevereiro/2019 – Enfrentando medos“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Fevereiro/2019 – Enfrentando medos”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Jv. Acesso em [dd/mm/aaaa].