Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Amor, necessidades especiais e 4 anos do blog

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Essa semana observei uma cena que me tocou. Fui levar a Alice na dentista do aparelho que fica num prédio cheio de consultórios médicos. Enquanto estávamos na fila do elevador, veio chegando uma família: um rapaz bem alto, grande e forte, com expressão de criança apesar do tamanho, falava repetidamente. A voz era grossa, mas um pouco atrapalhada. Era como um filho de 5 anos ansioso pedindo para a mãe comprar bala. Junto dele, dois adultos (na minha visão, os pais) com um ar sereno, sorridente, sem se incomodar com a atenção provocada. A mãe, bem mais baixa, segurava o rapaz com uma mão e fazia festinhas em sua barriga com a outra. De vez em quando também aproximava a cabeça do seu peito, como quem dá um abracinho. Na sua resposta à cantilena do filho, parecia entoar acalantos assim: “já vai, já vai, já vai…”, “tá tudo bem; tá tudo bem…”

Por um instante, achei que os três entrariam no elevador conosco, mas a porta se fechou. Fiquei com a imagem daquela cena, a voz da mãe se sobrepondo suavemente aos pedidos do filho, o corpo dela tocando o dele, um imenso carinho embrulhando tudo.

Já estava abraçada com a Alice no elevador, mas apertei-a contra mim mais forte, conseguindo sentir a felicidade daquele momento.

Pensei no rapaz e no aprendizado de sua família para amá-lo. E me veio a ideia de que todos nós, com as devidas proporções, temos necessidades especiais que exigem paciência, esforço e aceitação de quem nos ama e de nós mesmos.

Queria comemorar os quatro anos do blog (6/novembro) mandando uma festinha na barriga e um afago virtual sussurrado para vocês:  “já vai, já vai, já vai…”, “tá tudo bem; tá tudo bem…”

Obrigada por me acompanharem nessa jornada. Só enxergamos um post de cada vez, mas olhem o quanto a gente andou!!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota sobre amor e necessidades especiais:

♥ Para criar um coraçãozinho (como esse à esquerda) em qualquer aplicativo no computador, basta apertar Alt-3. Se vocês também são fãs de atalhos de teclado (eu amo!), vejam todos os códigos Alt possíveis aqui.

♥ Um livro maravilhoso sobre o assunto é “O filho eterno”, do Cristóvão Tezza. Falei um pouco sobre o autor aqui, mas nem de longe esgotei o quanto gosto dessa obra e de “O espírito da prosa”.

♥ Outro livro que me emocionou foi Brilhante, de Kristine Barnett, da editora Zahar. Uma marca dessa narrativa é o entrelaçamento de crise familiar e econômica (contexto de classe média baixa em 2008 nos EUA) com uma mãe porreta de criativa! Poderia render um post, mas está emprestado há tempos e ainda não voltou — quem sabe a pessoa capta essa indireta aqui! ;-).

♥ Uma referência que releio, indico e compro de presente para pais (mas que serve para qualquer tipo de relacionamento afetivo) é o “Comunicação entre pais e filhos”, da Maria Tereza Maldonado (ed. Saraiva). Tem dezenas de edições e sai baratinho na Estante Virtual. Se eu tivesse que escolher apenas um livro que me ajudou emocionalmente a ser mãe e me apoiou na busca da segurança afetiva dos meus filhos, seria esse.

♥ Para se emocionar e se deliciar com imagens incríveis, a animação A viagem de Maria  do artista espanhol Miguel Gallardo, sobre sua filha. Conheci o autor num evento dos Urban Sketchers em Barcelona e me apaixonei pela sua forma de desenhar e enxergar o mundo. Tenho também o livro Maria e eu, que inspirou o filme, e é um dos meus quadrinhos preferidos de todos os tempos.

♥ Ainda do Miguel Gallardo, o vídeo Academia de Especialistas, um jeito inovador de falar sobre as crianças e seus potenciais tão singulares.

♥ Para fechar a listinha: lembro que a campanha de doações de fraldas para crianças com necessidades especiais da obra social Dona Meca continua acontecendo! Já temos 800 pacotes, mas a meta é conseguir 1000 — quantidade que eles precisam para o ano de 2018. As informações para doar, com depósito em conta ou cartão de crédito, estão aqui.

 

Sobre o desenho — Aquarela com misturas de tintas rosas e amarelas, sobre um papel de algodão antigo (não sei a marca). Achei que combinavam com a ideia de flores, no clima de aniversário do blog. Andei pintando essas transparências como uma forma de me distrair na recuperação da cirurgia. É um bom treino de paciência pintar a primeira camada, esperar secar bem e só depois voltar a pintar por cima. É assim que surge o efeito de transposição. O original é bem mais sutil do que o digital, mas não tive domínio de edição de imagem suficiente para equiparar os dois. Aliás, se alguém souber de uma aula de digitalização voltada para pintura especificamente, estou aceitando indicações!

Minhas desculpas pelos atrasos dos posts, mas a culpa é da NET. Todos os dias a minha internet cai ou fica instável depois das 16:00 horas. Haja meditação. O blog fica super prejudicado. Apesar de adorar ler e pintar (coisas que posso fazer sem internet), é enervante não poder decidir quando ficar offline. Sei que vocês me entendem… Durante a escrita desse post, a internet caiu umas 37 vezes.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Amor, necessidades especiais e 4 anos do blog”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/s42zgF-amor. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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Saber esperar

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Semaninha difícil,  em que precisei de elevadas doses de paciência e compaixão. Sabem aqueles dias em que você se culpa por tudo, e faz até a burrice de atravessar a cidade sem levar o que precisava entregar do outro lado? Pois é. Tudo isso junto e o pior: duas pessoas amadas sofrendo, sem que eu pudesse fazer nada.

A cada final de dia, porém, conversando com as crianças, chegávamos à conclusão de que os piores momentos trouxeram também alguns dos melhores. (Para quem não conhece, todas as noites fazemos aqui em casa o jogo do melhor e do pior.) E sabemos que nossas dificuldades ficam pequenas frente a tantas outras.

Fiquei em muitas filas e acabei conhecendo mulheres incríveis: uma fisioterapeuta surda (primeira à esquerda, na imagem acima), uma senhora com artroses graves que conseguiu se desaposentar por invalidez (a primeira à direita, no desenho acima).

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Num outro dia, conheci essa senhora da imagem acima, com um cabelo todo cinza claro, de uma cor natural tão bonita, que não pude deixar de elogiar. Vaidosa, ela foi me contando sua história de mansinho… era sobrevivente de uma leucemia.

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Num outro dia, ajudei a senhora (acima), dessa vez, a encontrar o Centro Médico onde iria acompanhar a ultrassonografia da filha, a espera de seu primeiro neto, ou neta! Eu tinha acabado de ter uma notícia pessoal tão ruim… mas, ao conversar com a senhora Regina, me dei conta de que estávamos indo para o mesmo local onde há 17 anos fiz a primeira ultra da gravidez do Antônio, acompanhada pelo seu avô, ansioso por ouvir bater o coração do primeiro neto. Deixei-a tão agradecida na porta do prédio, por eu tê-la acompanhado. Mas senti meus olhos marejarem, certos de que foi ela quem me ajudou.

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Outra imagem da semana veio do livro que estou lendo e amando: Testemunha ocular, de Peter Burke. Não sei se já contei aqui, mas foi uma sorte ter comprado essa preciosidade antes que se esgotasse. Prometo que faço um post quando terminar. Essa moça estava na foto de um quadro analisado no livro. Achei-a com uma pose de “espera”, com as outras tantas mulheres que encontrei nesses dias de clínicas e filas.

Fiquem com meu desejo de boas férias, com muitos encontros e histórias bonitas para contar. Que possamos saber esperar, tendo esperança, como a Alice me ensinou outro dia. — Esperar não é ficar parada, mãe. É muitas coisas: ter esperança, contar com, não desistir.

Sobre os desenhos: Comecei um pequeno caderninho vermelho e resolvi que todos os desenhos nele seriam com uma canetinha vermelha 0.5 da Muji. As sombras em rosa foram feitas com uma caneta pincel Tombow e outra da Koi brush Sakura. As duas mulheres que me contaram um pouquinho de suas vidas foram desenhadas depois, de memória. Na imagem destacada do post (abaixo), alguns itens que adoro e que sempre ajudam a esperar! As cores são também uma homenagem a Fran Meneses, uma ilustradora chilena (vivendo na Inglaterra, atualmente) que admiro e acompanho no Youtube e no Instagram.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Saber esperar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2wt. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Na volta de Lisboa

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Tenho um problema sério com viagens. Sabe criança de 7 anos na hora do banho? Fico igual. Entro no modo procrastinação, esqueço da mala, me xingo, me arrependo, me saboto. Não sei onde foi parar dentro de mim a pessoa que aceitou a ideia de viajar. Achar um motivo para cancelar o embarque passa a ser meu objetivo de vida.  Mas, como a criança de 7 anos, que também chora para não sair do chuveiro, depois que estou viajando, não quero voltar.

Em janeiro/2017, passei por uma dessas experiências. Foi dificílimo partir, e pior ainda regressar. Exceto pelos problemas de retina (que arranjei no stress pré-viagem), os quinze dias que passei em Lisboa, só desenhando e conversando sobre desenho, foram tão maravilhosos que ainda não consegui processar. Tenho um caderno cheio de desenhos que não escaneei, e um monte de experiências sobre as quais também não escrevi!

Imagino que vocês já sentiram essa paralisia. Quando estamos diante de algo grande demais, e parece mais fácil abandonar do que dar conta. Opa, claro que vocês me entendem. É igualzinho a projeto de mestrado, dissertação, tese, diário de campo e até trabalho de curso!

Então, mesmo depois de enrolar quase dois meses, resolvi que já estava na hora de falar dessa viagem aqui no blog.  Iniciando pelo fim, escaneei o último desenho que fiz, com as coisinhas familiares da casa que me receberam bem: a cama, o alto verão, o telefone de Minion que comprei com a Alice nas Lojas Americanas logo na chegada, o cartão da clínica onde tratei do olho, o sketchbook onde me refugiei nos primeiros dez dias, sem enxergar direito. Tudo isso aconteceu no tumulto da volta às aulas das crianças, todos nós nos acostumando a acordar às 6:15 da manhã pra sempre. Os objetos estão desproporcionais, a cola gigante, o caderno menor do que a tesoura. Minha parte preferida foi desenhar a capa da colcha que — só agora me dou conta — veio também de Portugal, de presente, há uns anos atrás. É um dos objetos que mais amo da minha casa.

Ufa. Agora que já comecei, prometo escrever em breve sobre os encontros e as atividades mais interessantes da viagem.

3 Felicidades possíveis:

♥ Vida prática: Alice me ensinou a usar o Whatsapp pelo computador e também a enviar a minha localização por Whatsapp do celular (está entre as opções de anexar, no símbolo de clipe).

♥ As crianças descobriram um jogo interessante, o GeoGuesser. O computador te coloca num local do mundo e você tem que adivinhar onde está, andando pelas ruas, como no modo 3D do Google maps.

♥ Alice apaixonada por fazer mágica com cartas, anda aprendendo um monte no Youtube. Distração saudável para quem tem pequenos em casa.

Sobre o desenho: Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.05 e 0.1 em um caderno Stillman & Birn, Delta series, 8 x 10 polegadas, presente que ganhei da minha irmã ano passado. Todas as imagens foram coloridas com aquarela (Winsor&Newton e outras marcas), exceto pelo adesivo de Mentos, colado na página direto da embalagem. O celular de Minion é um dual chip, custou 99 reais, e está funcionando perfeitamente até agora! Virou o telefone fixo da casa, pré pago e baratinho.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Na volta de Lisboa”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-1Xi. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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5 razões para dizer sim e Maio/2017

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Certa vez, minha amiga Claudia contou que sua neta mais velha era o oposto dela: adorava colocar salto alto, usar frufrus e passar maquiagem. Quando a avó hippie lhe perguntou porque ela fazia isso, a resposta foi curta e direta: “Porque sim, porque eu gosto, vó!”

Que simples. Isso de agradar a todo mundo é uma areia movediça que engole o nosso cérebro. No cotidiano, no mundo acadêmico, na vida. Com minha mania de querer justificar o que faço com base nos Valores Maiores do Mundo, vivo atormentada. Tocar violão com a Alice, comprar presentinho para os amigos, ir para a academia, desenhar e escrever para o blog — tudo que não se encaixa na categoria “útil/obrigatório” na minha agenda vira um debate interno: por que, por que, por que? Ainda estou aprendendo a dizer: “porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem”. Meninas que me leem: vamos treinar dizer essa frase em voz alta? Aí vai em destaque:

“Porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.”

Normalmente, numa revisão de texto bem-feita, eu cortaria o pronome “eu” dessa frase, já que há uma redundância em escrever “eu gosto”. No entanto, resolvi deixar redundante mesmo. Afinal, na contramão do mundo narcisista e egocêntrico, aqui no blog somos uma turma de problemáticos que precisa aprender a se aceitar.

Portanto, vamos treinar dizer, em várias situações:

  1. Vou fazer [tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  2. Desejo [isso e isso] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  3. Vou me empenhar [em tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  4. Vou me doar [para essa causa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  5. Gosto [dessa pessoa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.

E aí, conseguiram? É simples, é bobo, mas é forte, né? Notem que acrescentei na frase da neta da minha amiga a expressão final “porque me faz bem”. Sem esse detalhe, nosso eu destrambelhado correria o risco de sair por aí fazendo muitas, muitas besteiras. Não sei o de vocês, mas o meu com certeza. Por isso adicionei esse lembrete; para não me esquecer de que nem tudo que gosto, ou acho que gosto, me faz bem; e, para essas situações, talvez seja melhor dizer um singelo “não”.

O calendário de maio — esse mês que é o preferido de tantas pessoas e também um dos meus — foi inspirado num acontecimento das últimas semanas. Ajudando a Alice a arrumar as coisas da escola, percebemos que o lápis-de-cor vermelho dela estava no finzinho. Fui espiar na lata em formato de Bob Esponja onde guardamos lápis-de-cor usados. Ao procurar algum da cor vermelha, só achei cotoquinhos antigos, pequenos pedaços de memórias da vida das crianças. Fiz até uma foto para mostrar pra vocês.

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Ainda bem que aquela Marie Kondo não faz sucesso aqui em casa. Ela jogaria tudo isso no lixo. Nós não conseguimos. Não foi à toa que outro dia a Alice tirou dez no trabalho autobiográfico para a aula de história. Um dos critérios de avaliação era a diversidade de fontes. Nem preciso dizer que tínhamos ticket de teatro infantil, ingresso de museu e até xerox do passaporte português do Ulisses. Imagina a felicidade do professor! E da mãe! Quanto ao lápis vermelho: consegui comprar um avulso na papelaria JLM, no Largo do Machado.

Sobre o desenho: Para o desenho no calendário, fiz os mini-lápis com uma canetinha preta de nanquim permanente Pigma Micron 0.2. Depois o Antônio me ajudou a escolher as cores e colorir. Tentamos sair do óbvio, explorando a caixa de Polychromos da Faber-Castell, utilizando ocres, sépias, sanguínea, turquesa, verde cobalto, entre outras. No final, fiz as sombras com uma caneta pincel Tombow cinza n.79.

Para imprimir o calendário, cliquem no .pdf ou na imagem acima (em .jpg).

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota das últimas semanas:

♥ Adorei o post Coordenando, escrito pelo João Marcelo Maia, avaliando o aprendizado positivo na sua gestão como coordenador do curso de Ciências Sociais da FGV do Rio. Acho importantíssimo valorizar o trabalho administrativo feito por professores, num campo que o torna invisível pelos critérios de agências e fóruns científicos. Li uma parte para minha turma no IFCS e tivemos uma boa conversa sobre o tema da saúde mental no mundo universitário. Em breve, conto aqui.

♥ Continuo na “dieta” de abstinência do Facebook e Instagram. Eu já tinha um uso parcimonioso, mas ando numa de escrever e ler mais, com menos interrupções. Também gosto da ideia de parar de enriquecer Zuckerberg e cia. Confesso que não sinto saudades dos feeds, mas sim dos amigos que fiz por lá… ainda estou na dúvida se devo (e como) voltar.

♥ Por falar em escrever mais, retomei a prática de escrever pelo menos 300 palavras todos os dias (de semana!). Utilizei um método assim na época em que escrevi as teses de mestrado e doutorado. É impressionante como dá para cumprir esse hábito, às vezes, em apenas 15 minutos! Além do prazer de “ter escrito”, acabo dando conta de registrar logo algum acontecimento do dia anterior que pode ser útil depois, como resumo de aulas dadas, ideias para o blog, aulas e planos futuros etc. Claro que, em alguns dias, fico empacada, digitando bobagens e tudo bem.

♥ Descobri um guia de Emojis fofo para usar no Todoist, o aplicativo que uso para anotar tarefas. Para quem gosta desse tipo de utilidade inútil, também existem guias de códigos-Alt para digitar símbolos em teclados comuns (como os coraçõezinhos — Alt-3 — dessa lista).

♥ Consegui convencer as crianças a dar uma chance à série Abstract: the art of design do Netflix. Muito simpática, pelo menos o primeiro episódio, com momentos que misturam documentário e animação.

♥ Pesquisando para dar uma aula, acabei assistindo a divertida palestra “Sua linguagem corporal molda quem você é“, da Amy Cuddy no TED Talks. Impossível não terminar sorrindo! ☺

Você acabou de ler “5 razões para dizer sim e Maio/2017“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “5 razões para dizer sim e Maio/2017”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-lapis. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Janeiro/2017!

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Queridos, fico feliz de vir aqui no último dia do ano desejar um “Bom 2017” para todos! Não, não esqueci de escrever “Feliz 2017”. Desejo a vocês e a mim mesma:

Que 2017 seja um ano bom, com momentos felizes;
que tenhamos força para sobreviver aos dias difíceis;
que a calma prevaleça para enfrentar as situações estressantes;
que doses de energia nos ajudem a criar, cantar, tocar, desenhar, ler, escrever, suar;
que possamos sentar no chão e montar uma cabana com as crianças;
que as frutas, os legumes e as folhas coloram nossas geladeiras;
que o amor seja potente e suave;
que o sol brilhe, que a chuva refresque;
que a solidariedade e o afeto sejam maiores;
que tenhamos sabedoria para dar um passinho, que seja,
em direção a um Brasil menos injusto;
que todos vocês-que-estão-escrevendo-teses encontrem concentração e fôlego para continuar até o feliz dia de escrever os agradecimentos!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração da Alice e do Antônio:

* Abolimos os presentes de Natal na minha família, exceto para as crianças. Não fazemos nem mais amigo oculto. Esse ano, no entanto, agradecida por ter um emprego e um 13○, resolvi incentivar a leitura. Comprei livros de presente para todos (um por casal em alguns casos), aproveitando que tenho 40% de desconto nas editoras Companhia das Letras e Zahar. A listinha foi: A elefantinha que queria dormir (C. Ehrlin), Você conhece a Píppi Meialonga? (Astrid Lindgren), Segredo de família (Eric Heuvel), O livro das ignorãças (Manoel de Barros), O  livro sobre nada (Manoel de Barros), A resistência (Julián Fuks), Mansfield Park (Jane Austen), Galveias (José Luís Peixoto), O frango ensopado da minha mãe (Nina Horta), Percatempos (Gregorio Duvivier), Alucinações musicais (Oliver Sacks), Trinta e poucos (Antonio Prata), Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie), A utilidade do inútil (Nuccio Ordine), Escritos de Artistas (G. Ferreira e C. Cotrim, orgs.). Gastei cerca de 400,00 reais com tudo. (Em 2015 gastei um pouco menos comprando — também livros — no sebo Luzes da Cidade; mas só para as crianças e jovens.)

* Alice e Antônio me ajudaram a fazer os embrulhos, já que os livros vêm pelo entregador da editora, sem embalagem. Compramos envelopes de papel pardo, 50 cm de papel adesivo vermelho (tipo Contact) e um pacotinho de etiquetas brancas A4 para computador. Encomendei para o Antonio desenhos de leitores. Em meia hora ele me veio com essas (abaixo) quatro criaturinhas lindas!

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Imprimimos nas folhas de etiquetas e colamos para enfeitar os envelopes. Alice coloriu alguns detalhes feitos pelo Antonio na hora. O Contact vermelho serviu de fita para fechar. Há muito tempo eu não me divertia tanto fazendo presentes de Natal.

* A prova de que não precisamos gastar muito para agradar: minhas prendadas sobrinhas nos brindaram com lembrancinhas feitas por elas (ganhei dois mini-caderninhos) e foram super criativas nos presentes para as crianças maiores: miçangas e fios comprados na Saara para brincar de fazer bijuterias.

* Meu último compromisso no IFCS foi 22/12. No mesmo dia comecei a ler o meu próprio presente de Natal: Mansfield Park, de Jane Austen (ed. Companhia das Letras/Peguin). Que delícia mergulhar num romance! Pena que já acabou… Agora estou curtindo o Prefácio e a Introdução que, sabiamente, deixei para ler por último, pois ambos estragariam o suspense da história.

* Nesses mesmos dias, Antônio pintou um quadro, terminou a biografia da Marina Abramovic e começou a do Matisse. Comemoro secretamente: uma pessoa nunca estará sozinha em meio à arte e aos livros.

* No dia 25 lemos o presente da Alice: Segredo de família (Eric Heuvel), uma publicação em quadrinhos apoiada pela Casa Anne Frank. É uma história difícil, do tempo da segunda guerra mundial, contada pelos olhos de uma menina holandesa. Agora vamos encomendar A fuga, outro volume da mesma série.

* Aflita por decidir seus presentes, minha mãe aceitou a sugestão do professor de violão da Alice. A missão era comprar um Songbook, desses com letras, cifras e acordes. Mas quem disse que as livrarias comuns vendem esse tipo de livro? Felizmente, pergunta daqui, pergunta dali, a intrépida avó descobriu uma ilha musical na nossa cidade: Livraria Bossa Nova & Companhia, em Copacabana. Saiu de lá com o Songbook Bossa Nova vol.2, que já está sendo devidamente estudado e tocado. Fico quietinha, me beliscando para aceitar que não estou num sonho: minha filha tocando, cantando e se maravilhando com Tom Jobim! É muita felicidade. Nesse exato momento, enquanto escrevo, ela ensaia Águas de Março para cantarmos hoje à noite.

Até semana que vem!

Sobre o desenho: O emoji de sol é um dos meus preferidos do Whatsapp. Daí tive a ideia de fazer esse calendário só com sóis de variadas intensidades. Minha meta em 2017 é estar mais ao ar livre, andar e correr mais, levando as crianças para esse caminho. Cada solzinho foi feito com caneta Pigma Micron 0,05 e depois colorido com vários tons de amarelo, laranja e vermelho de lápis decor aquarelável Caran D’Ache.

Para imprimir: versão em pdf (ou clique na imagem no início do post em .jpg).


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Três anos e sete coisas impossíveis

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O blog fez três anos no dia 6 de novembro. Sempre que chego nessa época de aniversário, entro em crise com a vida pública que levo aqui. Escrever e desenhar não é a parte difícil — duro é fazer isso compartilhando com todo mundo! Fora o desafio de me manter fiel à proposta de tratar apenas de temas úteis e bem-humorados… Afinal, o blog é a minha auto-terapia, lembram?  Acho que nem preciso explicar a contradição desse princípio com a época em que estamos vivendo… Com certeza vocês me entendem.

Nessas horas, entro no meu modo-de-fuga básico, lendo compulsivamente. Nas últimas quatro semanas li biografia  artística, texto de não-ficção, qualificação de mestrado, livro em edição, dezenas de trabalhos de alunos, artigos baixados no celular (para ler no metrô cheio, quando não consigo desenhar) e já estou terminando um romance.

Para sanar um pouco a falta de posts, resolvi fazer uma listinha das 7 coisas-impossíveis, que os leitores antigos do blog já conhecem e que nunca mais apareceram por aqui. (A origem dessa seção está explicada nesse post.)

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração do gato Ulisses:

* Alice fez 11 anos! A comemoração teve amigos, bolo de cenoura com chocolate, piscina, basquete e uma etapa final, só nossa: duas horas na cama vendo filme no computador com os três gatos enrolados em volta. A cena do desenho (acima à direita) foi feita há alguns meses, mas retrata bem como somos felizes juntos. Ulisses, é claro, no melhor lugar, sempre de olho para garantir que os irmãos felinos não se aproximem demais.

* Antônio (15) está aproveitando o tempo livre das férias desenhando muito e fazendo algumas experiências de imprimir adesivos e prints das suas pinturas. Na semana passada, ele montou uma barraquinha em um sarau com uma amiga e vendeu quase tudo! Precinhos de 1 a 5 reais, para se divertir, sem exploração. Consegui ganhar duas impressões que sobraram para colar na parede do meu canto de trabalho. As imagens se juntaram às outras que já tenho e são o alvo preferido das patadas do Ulisses quando ele fica indignado comigo pela falta de ração no seu potinho.

* Por falar nesse gato-karma, cansados de ouvi-lo miar na porta de entrada do apartamento, resolvemos levá-lo para pegar um sol no terraço do prédio. Só pioraram as saudades que ele sente das ruas de Lisboa… Quem poderia culpá-lo? A coisa está tão feia que uma velhinha fofa do apartamento de baixo mandou a funcionária vir nos perguntar se o gato estava doente. Não, minha senhora… é drama mesmo, a vet garantiu! Prometi levar o Ulisses para visitá-la. Depois conto pra vocês como foi.

* Alunos e suas demandas impossíveis. Professora, me dá uma carta de recomendação? Claro, eu sempre respondo. Ah, que ótimo. Vão chegar umas mensagens para você das universidades! Uma, duas, três… dezessete mensagens depois, eu me pergunto: — O que mais faz uma professora na vida a não ser enviar cartas de recomendação? O Ulisses já está preparando um post sobre isso.

* Uma das minhas melhores ações de 2016 foi aderir ao projeto Ciclo Orgânico. Estamos reciclando todos os resíduos orgânicos da casa (restos de alimentos, café, guardanapos, palito de fósforo: tudo que pode virar adubo). A aprendizagem gera algumas situações inesperadas. Na primeira semana, descemos com os resíduos no saco apropriado para a coleta. Só que não era sacola de plástico e sim de casca de batata. O material se derreteu todo e fez a maior lambança. Mas ninguém ficou triste: que esperança ter um mundo todo de produtos biodegradáveis! O único chateado com tudo isso é o Ulisses: o lixo da casa acabou. Que afronta na vida de um verdadeiro vira-latas!

* A melhor parte da vida como professora nas últimas semanas foi dar duas aulas abertas na UERJ (uma no Maracanã e a outra em Caxias). Agora ninguém me chama para falar dos meus projetos. Os convites são sempre para conversar sobre os temas da vida acadêmica que trato aqui no blog! Ok, vou lá tentar ser útil. As plateias são diversas e simpáticas, cheias de perguntas interessantes. Tento ser divertida, mas a parte que o povo dá risada é sempre a mesma: quando mostro a foto do Ulisses jogado em cima do meu computador! Estão achando graça? Ele está aceitando convites para deitar (e pular!) no teclado do notebook de vocês também. Mandem seus pedidos.

* E a única coisa hilária da semana foi este vídeo aqui (na parte mais divertida tem legenda, mas infelizmente é tudo em inglês).

Bom final-de-semana, pessoal! Obrigada pelo carinho. ❤

Sobre os desenhos: No lado esquerdo, desenho que fiz do Antônio com seu próprio caderno de desenho (um Art Book da Canson) e um estojo vermelho que ele usa, já bem velhinho. Tenho um carinho enorme por esse objeto que um dia ganhei da antropóloga Lygia Sigaud, já falecida. Na imagem do meio, plantinhas que desenhamos juntos. As duas páginas foram desenhadas com canetinha 0.2 Unipin e coloridas com aquarela num caderninho A6. No desenho mais à direita, Alice rodeada dos gatos Charlie, Ulisses e Lola, feito com o mesmo material. Os mini-botões coloridos ao redor dela são uma colagem feita com pedaços do anúncio de um atelier de costura.

PS: Desculpem o erro: para os assinantes por e-mail, o post foi sem título. Já corrigi.


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Dezembro/2016!

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Pessoal, aí vai o calendário de dezembro/2016, no último minuto! Podem clicar na imagem acima para o arquivo em .jpg ou cliquem no pdf.

Instrumentos musicais: a pedido da Alice, aniversariante amada do dia 9 deste mês! Perto do nome do mês fiz os instrumentos que ela foi ganhando e praticando desde pequenininha: xilofone, gaita, flauta, bongô e o amado violão. Para o restante me inspirei em livros sobre música que temos aqui em casa e algumas imagens da internet.

Sugestão para as crianças que gostam do calendário: desenhem nos dias das festas! Estou tão sem noção que me esqueci completamente do Natal e do Ano Novo… 8-/

Sobre o desenho:  Desenhei direto as linhas dos instrumentos com canetinha 0,05 Pigma Micron. Depois colori com lápis de cor Faber-Castell e, ao final, adicionei os símbolos de notações musicais, por sugestão do Antônio, com canetinha 0,2.