Karina Kuschnir

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Projeto 50 pessoas em aquarela e nanquim

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“A vida é imprevisível. Sei que não podemos controlar tudo… Mas, quando estamos com as pessoas que amamos, conseguimos lidar com qualquer coisa.” (Amy Santiago, Brooklyn 99*)

Querem começar o ano com uma distração leve, que emociona e faz gargalhar? Assistam à série “Brooklyn 99” na Netflix. Tem cinco temporadas lá. (A sexta só catando; a sétima está em produção.)

Não sou muito de série, mas fico feliz quando encontramos uma bem divertida para vermos juntos. Essa nos pegou de jeito. É super engraçada e melhora conforme as temporadas vão avançando. É visível o cuidado dos roteiristas em não fazer humor com zoações homofóbicas, sexistas, racistas etc. Tudo isso sem deixar de falar bobagem e fazer rir. Claro que titio Adorno não aprovaria rirmos de gracinhas sobre polícia norte-americana, mas ninguém é perfeito.

Eu me identifico demais com a Amy — uma caricatura de pessoa hiper organizada, apaixonada por fichários, post-its e materiais de papelaria, que vive tentando ser a queridinha do chefe. Ela é zoada por todos por ser previsível, sem graça, certinha demais. Mas a personagem também acaba rindo bastante de si mesma, ora salvando o dia com seus manuais de 500 páginas, ora deixando o controle de lado em prol do improviso e da diversão. Uma fofa, assim como todos os outros. ♥ Não conto mais para não dar spoiler.

Falei da Amy e de Brooklyn 99 porque a frase dela tem tudo a ver com o projeto que estou fazendo no momento: desenhar e aquarelar 50 pessoas de corpo inteiro.

A senhora que abre o post é a terceira da série, mas já estou na oitava. Vou mostrando a sequência conforme for escaneando:

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É difícil encontrar pesssoas que não estejam com celular na mão. No caso da senhora, porém, me alegrei com a presença de várias estampas (a saia era xadrex azul e a blusa de oncinha, detalhe que acabei não pintando). Amei o reflexo da luz da tela na sua mão, além dos vários pacotes aos seus pés, como se ela fosse um porto seguro.

Final de 2018 e 2019 foram períodos de ressentimento com muitas pessoas. Ainda é difícil lidar. Mas minha natureza é amar gente. Não foi à toa que abracei a antropologia. Antes, bem jovem, cheguei a ensaiar ser fotógrafa de retratos. Depois, me apaixonei por desenhar pessoas. Até hoje, minha primeira aula de modelo vivo é um dos momentos para o qual retorno quando preciso lembrar o que é felicidade. Foi um momento mágico.

O projeto é pra ficar próxima daquilo que me faz bem: acreditar e ter compaixão pelas pessoas. Quando se desenha um ser vivo, acho que acontece um elo, uma linha que busca conhecer, sem julgar. 

Meu ideal seria fazer todos os registros por observação direta. Mas nem sempre dá pra desenhar um corpo inteiro num espaço público. Então, quando faltam modelos, tiro fotos para ver depois. A aquarela deixo para casa, que é onde me sinto melhor pintando. Gosto de camadas que precisam de tempo para secar e da tranquilidade da minha mesa com os materiais à volta. 

Parafraseando a Amy: não podemos controlar tudo, mas, quando estamos com as pessoas certas, e fazendo o que amamos, conseguimos lidar com qualquer coisa.

7 Coisas impossivelmente-legais-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Tenho postado stories no meu Instagram mostrando alguns processos de pintura e tentando manter os posts atualizados por lá.

♥ O Twitter me angustia, mas sigo no meu perfil, avisando de novos posts e compartilhando coisas legais sobre arte e desenho, já que é uma boa rede para colocar links.

♥ O Facebook é onde tenho mais amigos. Acho o melhor espaço para receber e responder comentários, além de ser bom para compartilhar textos mais longos. Não podiam juntar as qualidades de todas as redes numa só?

♥ Conto tudo isso porque, na retomada do blog, depois de 3 meses parada, fiquei na dúvida se valia à pena replicar os posts nas três redes. Fiz uma pesquisa no Stories do Instagram perguntando se as pessoas se incomodavam com essas repetições de conteúdo. Resultado: os tolerantes ganharam (38 pessoas acham bom. 13 não gostam, sendo que eu sou uma delas, hahaha.)

♥ Sobre desenho de pessoas ao vivo, lembrei de alguns posts: Razões para sorrir, Modelo viva, Modelos vivos ou mortos, Uma cidade, duas cidades, Irmãos e Irmãs de Shakespeare e outros curtinhos que abrem o blog: Anjos do Metrô, Metrô, Sentido Zona Norte, Leitores no Parque. Não deu pra recuperar tudo, porque meu sistema de tags tá bem caótico.

♥ Na busca acima, achei esse post com o maravilhoso trabalho do Nelson Paciência, A liberdade de desenhar, sobre um projeto de desenho com pessoas encarceradas.

♥ Pra fechar, a dica de um vídeo bacaninha de 5min. sobre A complexa geometria do design islâmico, em inglês mas com legendas (Ted/YouTube).

Sobre a citação: A frase foi dita pela Amy Santiago, personagem da série Brooklyn 99, no último capítulo da 5ª temporada. Tem na Netflix as primeiras 5 temporadas. Depois, só pedindo ajuda pros universitários.

Sobre o desenho: Linhas feitas por observação direta no Metrô do Rio, Linha 1. A canetinha foi uma Pigma Micron 0,05 de nanquim permanente. O caderno foi um bloquinho Hahnemühle como esses aqui. Adicionei as cores em casa, com as aquarelas que estão nessa paleta. Depois escaneei e limpei as sombras geradas pelo scanner no Photoshop.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Projeto 50 pessoas em aquarela e nanquim”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3OL. Acesso em [dd/mm/aaaa].