Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


5 Comentários

Dezembro/2016!

dezembro2016p

Pessoal, aí vai o calendário de dezembro/2016, no último minuto! Podem clicar na imagem acima para o arquivo em .jpg ou cliquem no pdf.

Instrumentos musicais: a pedido da Alice, aniversariante amada do dia 9 deste mês! Perto do nome do mês fiz os instrumentos que ela foi ganhando e praticando desde pequenininha: xilofone, gaita, flauta, bongô e o amado violão. Para o restante me inspirei em livros sobre música que temos aqui em casa e algumas imagens da internet.

Sugestão para as crianças que gostam do calendário: desenhem nos dias das festas! Estou tão sem noção que me esqueci completamente do Natal e do Ano Novo… 8-/

Sobre o desenho:  Desenhei direto as linhas dos instrumentos com canetinha 0,05 Pigma Micron. Depois colori com lápis de cor Faber-Castell e, ao final, adicionei os símbolos de notações musicais, por sugestão do Antônio, com canetinha 0,2.


3 Comentários

Mulheres que dizem Não!

dez2015p

Está acontecendo na internet (principalmente no Facebook, mas não só) uma campanha chamada #meuamigosecreto ou #meuamigooculto. É uma hashtag que reúne depoimentos, histórias, desabafos e denúncias de mulheres sobre o machismo do dia-a-dia, principalmente sobre aquele mais sutil, que não te leva para a delegacia, mas te fere constantemente, derrubando a sua autopercepção e a sua autonomia de pensamento, ação e desejo.

Tenho compartilhado, lido e curtido as postagens, pois minha vida mudou quando finalmente entendi a violência por detrás de alguém que se recusa a aceitar o meu “não”: não quero, não posso, não sinto; simplesmente, “minha resposta para você é não”. Acredito que essa e muitas outras lutas feministas são fundamentais para que minha filha e todas as mulheres não precisem aprender a dizer não da pior forma, na marra, sofrendo, sozinhas.

Minha visão do mundo mudou quando conheci o grupo de mães Amigas do Peito. Foram mulheres pioneiras que, em 1980, fundaram um espaço de trocas e apoio mútuo, onde recusavam o controle dos médicos sobre seus corpos e afetos. Tive a sorte de ser ativa no grupo por 11 anos, aprendendo, a cada reunião, que juntas somos mais fortes, mais solidárias e mais inteligentes também, por que não? Eram bem-vindas todas as pessoas, de todos os tipos, gêneros etc., desde que não viessem para mandar nem esfregar diplomas ou quaisquer outros símbolos de sua sapiência. Foi um enorme aprendizado, a cada reunião de apoio, lembrar de exercer a palavra de forma horizontal e dialógica, aceitando as narrativas, os silêncios, os sins e os nãos.

Pode parecer óbvio, mas não é: o direito das mulheres de falar, e principalmente de dizer “não”. Parabéns a todas que estão por trás dessas iniciativas (e não cito aqui os nomes porque não saberia ser precisa), e a todas que estão escrevendo, falando, conversando sobre isso.

Ah, e quase ia me esquecendo de recomendar a leitura do depoimento da Mariana Cavalcanti no blog sempre ótimo A vida pública da sociologia, do João Marcelo Maia!

Sobre o desenho: Caixa é bom demais, né? Me sinto criança de novo! O que será que tem dentro? Presente, livro, chocolate, bilhete, caderno, notícia boa, notícia ruim? Foi pensando nisso que escolhi o tema do calendário de dezembro (pdf). Queria encantar as crianças que imprimem o calendário, como o Henrique, que todo mês anota os dias da mãe e do pai nos quadradinhos em branco. Fui visitá-lo outro dia e me emocionei vendo meus desenhos misturados com a letrinha dele, num plano carinhosamente pensado pela Dani, sua atenta e amorosa mãe. Queria também caprichar no mês que é o aniversário da Alice (10 anos dia 9!) e de uma amiga muito querida! Segue a imagem para o dia (abaixo, que pode ser impressa por esse pdf) para todos os aniversariantes desse mês.

dez2015anivmini

O desenho foi feito com canetinha Pigma Micron 0.05 e colorido com lápis de cor. Me inspirei em caixinhas daqui de casa, inventei algumas, e pesquisei outras no acervo do Victoria & Albert Museum na internet. O tema das cores vermelho e rosa foi inspirado no desenho infantil Charlie & Lola, que amo!

Agradecimentos: Não estou dando conta de responder aos comentários aqui no blog, mas queria dizer o quanto me emocionam e incentivam a continuar. Muito obrigada!

 


4 Comentários

Novembro/2015

nov2015p

Aproveitem a coisa rara: eu entregando uma tarefa com antecedência! Até gosto de cumprir prazos, mas terminar antes é meio contra a minha religião… Acho que foi uma tentativa de fazer novembro — e o meu salário — chegarem mais rápido! (Para imprimir, cliquem na imagem acima ou nesse pdf.)

nov2015anivmini

Fiz também um pequeno desenho para os aniversariantes do mês colarem no seu dia. Para imprimir no tamanho certo, clique nesse pdf que já está no tamanho de uma folha A4.

A inspiração para o desenho veio de uma noite imersa em livros e obras do artista Paul Klee. No dia seguinte, deixei todas as imagens de lado e tentei explorar as cores que tinham ficado gravadas na minha memória. É pena que o resultado escaneado não tenha sido muito fiel às diferenças mais sutis, principalmente nos tons amarelos.

5 Coisas impossivelmente-animadoras-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota de outubro:

* Achei na arqueologia dos e-mails uma historinha de quando o Antônio tinha seis anos:
A — Mãe, o que você prefere: a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor?
K — Ah, filho, não sei… E você? (Achando que eles estava falando das estátuas…)
A — Eu prefiro a Estátua da Liberdade. Sabe por que? Por que o Cristo a gente não sabe se existe, mas a Liberdade existe sim.

* Esse mesmo filho chega da escola, agora aos 14 anos, muito animado para fazer um trabalho sobre a luta por direitos civis nos EUA nos anos 1960. E durante duas noites me ensina sobre Nina Simone, Rosa Parks, Malcom X., Panteras Negras e Martin Luther King. Fiquei feliz demais por ele e por sua professora de história. (E perdoem a notinha de mãe orgulhosa: o trabalho foi escolhido para virar painel na mostra anual da escola.)

* Alice segue aprendendo violão, indo de Cold Play, Cazuza e R5. É a minha trilha sonora particular.

* As capivaras na Lagoa estão cada vez mais numerosas e gordinhas. Espero que isso seja sinal de saúde — está sendo um privilégio poder dar bom dia a essas criaturas tão pacíficas. (E esse foi um jeito discreto de dizer que meu projeto verão está em curso!)

* A campanha de venda das camisetas “Câncer infantil tem cura!” vai indo muito bem! Expliquei o trabalho nesse post. Para comprar, é só clicar aqui. Qualquer dúvida, me encomendem diretamente por email ou mensagem de facebook! Faremos uma caminhada no dia 8/novembro, às 9 horas, na orla da praia do Leblon. Toda a renda obtida será revertida para as crianças e jovens com a doença. Abaixo, uma amostrinha de como ficou o desenho que fiz. Nesse próximo domingo (1/nov) a campanha estará no programa Esquenta!, da tv Globo.

camiseta

Sobre o desenho: O desenho do calendário desse mês é muito simples… Fiz os quadradinhos com caneta Pigma Micron 0.05 e colori com lápis de cor Prismacolor e Caran D’Ache.


8 Comentários

Canetinhas, pra que te quero!

pigmamicronp

Não me lembro quando descobri essas belezinhas Pigma Micron (da marca japonesa Sakura). Só sei que me apaixonei. São canetas de naquim à prova d’água (isto é, não borram quando você pinta com aquarela por cima), disponíveis em várias cores,  espessuras e até em ponta pincel (BR, de brush). Infelizmente, são descartáveis e, se usadas todos os dias, acabam rapidamente. As que eu mais utilizo (005, 0,1 e 0,2 pretas) duram cerca de um mês. Mas no dia do lançamento do Ulisses, gastei duas numa noite só, fazendo quase 150 dedicatórias! As coloridas eu economizo porque são lindas e difíceis de achar. Atualmente, estou comprando a Unipin (da marca Mitsubishi, também japonesa) porque tem em qualquer papelaria e está mais barata (cerca de R$11,00). A versão da Staedtler (alemã) é excelente, mas difícil de comprar aqui no Rio. Esse ano testei também a Copic Multiliner SP (mais uma japonesa) que permite o uso de refil.

Comparando as quatro marcas: a Pigma Micron é a minha preferida segundo quatro critérios: cores intensas (linha bem preta ou na cor escolhida); macia de desenhar, secagem rápida e embalagem bonita — além da cor bege pouco usual, tem a florzinha (símbolo da marca Sakura) e detalhes em violeta. Vejam que sonhos de consumo esse estojinho básico e essas cores!

A Staedtler fica em segundo lugar: empata na cor intensa e na secagem, mas a ponta é menos macia e a embalagem é sem graça. A Unipin vem em terceiro em todos os critérios. E a Copic ficou em último na minha lista pela decepção. O  atendimento no site brasileiro é impecável e preço parece valer a pena para um produto reutilizável (e portanto, mais ecológico). Apesar de bonitinha, a caneta é pesada, a ponta é áspera e o refil dura poquíssimo, além de ficar se soltando do corpo principal, por mais que eu aperte.

(PS: Todas as quatro são à prova d’água! *obrigada ao Durval Amorim por me lembrar de escrever isso!)

Há muito tempo atrás, meu avô me deu um estojo de canetas técnicas Rapidograph (marca Koh-i-Noor), que utilizam refil de nanquim. Infelizmente, acabei me afastando do desenho  e não fui cuidadosa o suficiente com suas peças delicadas. Acho que doei para alguém que me disse que sabia como limpá-las. Até hoje tenho dificuldade de usar caneta tinteiro. As poucas que ainda possuo estão encostadas, semi-entupidas ou com as pontas amassadas, aguardando o destino.

Esta foi mais uma contribuição para a nova seção do blog sobre materiais de desenho. O tema está sendo como brinquedo novo de criança: difícil de largar!

* 4 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-emocionantes-vertiginosas-ou-dignas-de-nota da semana:

* Pesquisando para o post, descobri que a Koh-I-Noor começou na Áustria, em 1790. E isso me lembrou que adorei o filme A dama dourada (Woman in gold), sobre a trajetória do quadro de Gustav Klimt, da sua origem ao enfrentamento do nazismo e do nacionalismo. (Não vou fazer link porque acho que os trailers estragam a experiência de assistir aos filmes.) Minha irmã disse que o livro é melhor (sempre, né?), mas muitas pessoas da minha família se emocionaram com a história. Há vários pontos em comum com a violência sofrida pelos meus bisavós de Berlim. Meu avô fugiu da Alemanha na mesma época em que a personagem principal fugia de Vienna, sabendo que provavelmente nunca mais veria seus pais, seu irmão, familiares e amigos, como de fato aconteceu.

* Uma amiga queridíssima trouxe de Londres um kit de cinco pincéis da coleção Anna Mason Art para a Rosemary & co. São específicos para aquarela, com pelo sintético bem macio e curto, nos tamanhos 5, 3, 1, 0 e 000. Estou adorando!

* E já que estamos falando tanto de materiais, deliciem-se com a tag Art Tools do Parka Blogs (já indicado na lista de inspirações aqui do blog). O site todo é vertiginosamente legal!

* Fiz esse cartãozinho para agradecer às dezenas de mensagens de feliz aniversário (21/08) que recebi na semana passada. Para todos que ainda não viram (no facebook), aí vai meu muito, muito obrigada!

florespq

Sobre os desenhos – O desenho da canetinha Pigma Micron foi feito no verso de um papel Canson Pintura escolar Bloco A3. Fiz tudo com lapiseira primeiro, depois passei o nanquim (por ironia: com canetinha Unipin! 0.05) e apaguei com um limpatipos Staedtler (adorei, aquisição recente!). Pintei com os pincéis novos e aquarela Winsor & Newton (usando principalmente Ochre, Burnt Siena, Payne’s Grey e Neutral Tint). Mas usei também uma cor emprestada pela Chiara chamada Amarelo Napoles (só vem em kits Pentel), que é meio fosca e perfeita para fazer esse bege de plástico. O desafio foi fazer as letrinhas em violeta. O “Pigma” foi escrito com uma Staedtler triplus fineliner, que era fina o suficiente, embora não da cor certa. O número “005” foi feito com uma Stabilo point 88 mini violeta. As duas canetinhas não são à prova d’água e borraram um pouco (principalmente a Stabilo). A linha horizontal foi pintada com tinta Cobal Violet (WN) e pincel 000 Winsor & Newton University (aquele vermelhinho que desenhei para a página de materiais, pois descobri que faz uma linha mais fina do que o mesmo número da Anna Mason). As tampinhas das canetas vistas de cima foram feitas com os materiais acima, mas coloridas com as próprias canetinhas, no caso da vermelha, da azul e da siena. Vejam como as cores são incríveis: super brilhantes, mesmo nessas miniaturas.

O desenho do cartão de agradecimento foi feito mais ou menos da mesma forma, a partir da observação de um buquê de cinco cores de astromelias (R$5,00 reais cada ramo na Cobal). Eu mesma comprei, mas não posso ter flor em casa porque os gatos ficam doidos de vontade de comer; e se comerem passam mal… Essas estão trancadas no banheiro, coitadas. (E logo depois que escrevi isso, o Ulisses deu um jeito de entrar no banheiro, comer algumas flores e vomitá-las no tapete do meu quarto!) Em relação ao desenho: achei que fiz linhas demais e o resultado saiu meio pesado. A inspiração foi o trabalho do artista Tommy Kane, mas não cheguei nem perto da mistura de precisão e leveza que ele consegue. A moldurinha do cartão foi feita de forma eletrônica no programa Picasa, um software de fotos grátis do Google, super fácil de usar.


3 Comentários

O quebra-cabeça do artista

agostopuzzle
Resolvi me dedicar ao calendário do mês porque estou numa semana de férias (com tempo!) e meu aniversário tá chegando (não que eu ligue, hehehe). Lembrei que amo quebra-cabeças e que tenho uma caixa de 250 peças de madeira com o tema da chuva na ponte do artista japonês Ando Hiroshige. O recorte das peças é uma lindeza, como vocês podem ver acima (ou na versão inteira, abaixo): todas são diferentes umas das outras e várias homenageiam as artes plásticas, como o potinho de pincéis, a paleta, o pincel e o vidro de nanquim… Adoro desenho e também adoro chuva: é uma combinação irresistível. Espero que vocês também gostem!

(No dia 21, coloquei a pecinha que traz o chapéu do barqueiro na chuva… É uma delicadeza infinita.)

* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Leitores do post da semana passada me escreveram mensagens super gentis, dando força, elogiando os desenhos e me incentivando. Mil vezes obrigada a tod@s!! Como expliquei no Facebook, não estou desanimada não! Só quis compartilhar a montanha russa negativa-positiva que povooa a nossa (ou a minha? rs) cabeça no processo de aprender uma atividade nova. Devia ter enfatizado que, apesar das dúvidas, é justamente o *desafio* que me motiva, e muito! Meu maior prazer é estar sempre aprendendo, não me acomodar! Obrigada por compartilharem comigo essa jornada.

Algumas frases legais que surgiram sobre o assunto:

* “A vida é um desenho feito de múltiplas camadas. Não importa a ordem!”, escreveu a querida Yoko Nishio.

* “Acho que a gente sempre acha que está aquém do que pensamos que deveríamos ser ou fazer, mas na verdade estamos sempre além quando conseguimos seguir em frente e tentar e fazer, superar as auto sabotagens.”, comentário muito bacana e bem-vindo da Isadora Zuza.

* “One day, in retrospect, the years of struggle will stryke you as the most beautiful.”, por Sigmund Freud — Citação que me chegou pelo blog da ultra-plus-simpática-e-talentosa Lisa Congdon.

* “O artista tem que se autorizar e partir, sem culpa.  Acreditar no caminho.” Assim disse a escultora Denise Milan, num documentário do canal Arte 1.

* Uma amiga me escreveu: “Para certas atividades, só a longo prazo conseguimos ver algum resultado. Mas isso é o máximo. E uma ótima notícia. Pode demorar, mas uma hora ele aparece. E quando ele aparece ele é seu para sempre.

* A mesma amiga contou que o Chico Buarque errou uma letra de música em pleno programa ao vivo na Rede Globo. Depois de um breve silêncio, olhou para a platéia e docemente disse: “Não sei porque eu insisto nessa profissão?”. O público derreteu literalmente e aplaudiu com vontade. Veja aqui(Muito obrigada à Suzana pelo envio do link.)

* Sobre o desenho, abaixo: Minha vida (de desenhadora) mudou depois que tomei coragem e comprei um bloco de papel Arches (300 g., Hot press, que em artês quer dizer um papel bem liso, sem textura). Além de ser uma delícia de pintar, a página “desaparece” no scanner, deixando que as imagens se sobressaiam. Para as pecinhas do quebra-cabeças, usei canetinhas Unipin (0.05, 0.1 e 0.2), tintas aquarela Winsor & Newton e pincéis WN da linha University 000, 0 e 1. Foi um desenho que levou horas para ficar pronto… Cada vez mais percebo a importância de pintar em camadas finas sobrepostas. E isso leva tempo. Cada pecinha foi feita a lápis primeiro, em seguida a nanquim (contorno e imagens internas) e depois ainda pintei de duas a cinco camadas de aquarela em cada uma. É isso que permite chegar nas cores sutis do Hiroshige com alguma segurança. Na hora de fazer a borda de madeira, eu já estava exausta… Então parti para a “ignorância” e fui de marcador Pitt-brush da Faber-Castell, em dois tons de marrom. Nas primeiras tentativas achei que tinha estragado o trabalho, mas até que não! A perspectiva não é meu forte, como vocês podem ver, mas as Pitts não fizeram feio e se misturaram bem. Aprendi mais essa!

puzzle peqjpg