Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Dezembro/2017

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Pessoas queridas, aí vai o calendário de dezembro/2017. Nem acredito que é o quinto mês de dezembro desde que comecei a postar!

A inspiração veio da chuvinha que começou a cair aqui no Rio de Janeiro. Minhas memórias de infância também são de tempo molhado na época do Natal. Como tenho saudades da casa da minha vó, que tinha um jardinzinho na frente, onde eu e meus primos brincávamos na chuva.

As cores não estão muito natalinas. A culpa é do meu caderninho atual. Posto mais imagens dele na semana que vem (e prometo aumentar as anteriores). Eu estava tão preocupada em terminar o desenho hoje que esqueci de colocar alguma imagem nos dias de Natal e Ano Novo. Só depois de escanear é que me dei conta. Daí fiz os presentinhos e os fogos num papel à parte e acrescentei no Photoshop.

Para imprimir, abram o calendário em tamanho grande em .pdf ou cliquem na imagem acima.

Bom final de semana! ☼

Sobre o desenho: As linhas do desenho do calendário foram feitas com caneta Pigma Micron azul 0,2, depois coloridas com canetas pincel Tombow (azuis) e Faber-Castell pitt brush (amarelo). Foi bem difícil chegar aos tons próximos do original porque o scanner acaba com os azuis claros e escurece os amarelos. Nessas horas eu penso “ainda bem que não sou designer”! Ou não, né? Se eu fosse, talvez não sofresse tanto com o Photoshop. Eu posso dar o passo-a-passo de como escaneio e limpo as imagens se vocês tiverem interesse. Sei que a maioria dos leitores vem aqui para os temas acadêmicos, mas se tiver alguém curioso em Photoshop-amador me avise!


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Janeiro/2017!

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Queridos, fico feliz de vir aqui no último dia do ano desejar um “Bom 2017” para todos! Não, não esqueci de escrever “Feliz 2017”. Desejo a vocês e a mim mesma:

Que 2017 seja um ano bom, com momentos felizes;
que tenhamos força para sobreviver aos dias difíceis;
que a calma prevaleça para enfrentar as situações estressantes;
que doses de energia nos ajudem a criar, cantar, tocar, desenhar, ler, escrever, suar;
que possamos sentar no chão e montar uma cabana com as crianças;
que as frutas, os legumes e as folhas coloram nossas geladeiras;
que o amor seja potente e suave;
que o sol brilhe, que a chuva refresque;
que a solidariedade e o afeto sejam maiores;
que tenhamos sabedoria para dar um passinho, que seja,
em direção a um Brasil menos injusto;
que todos vocês-que-estão-escrevendo-teses encontrem concentração e fôlego para continuar até o feliz dia de escrever os agradecimentos!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração da Alice e do Antônio:

* Abolimos os presentes de Natal na minha família, exceto para as crianças. Não fazemos nem mais amigo oculto. Esse ano, no entanto, agradecida por ter um emprego e um 13○, resolvi incentivar a leitura. Comprei livros de presente para todos (um por casal em alguns casos), aproveitando que tenho 40% de desconto nas editoras Companhia das Letras e Zahar. A listinha foi: A elefantinha que queria dormir (C. Ehrlin), Você conhece a Píppi Meialonga? (Astrid Lindgren), Segredo de família (Eric Heuvel), O livro das ignorãças (Manoel de Barros), O  livro sobre nada (Manoel de Barros), A resistência (Julián Fuks), Mansfield Park (Jane Austen), Galveias (José Luís Peixoto), O frango ensopado da minha mãe (Nina Horta), Percatempos (Gregorio Duvivier), Alucinações musicais (Oliver Sacks), Trinta e poucos (Antonio Prata), Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie), A utilidade do inútil (Nuccio Ordine), Escritos de Artistas (G. Ferreira e C. Cotrim, orgs.). Gastei cerca de 400,00 reais com tudo. (Em 2015 gastei um pouco menos comprando — também livros — no sebo Luzes da Cidade; mas só para as crianças e jovens.)

* Alice e Antônio me ajudaram a fazer os embrulhos, já que os livros vêm pelo entregador da editora, sem embalagem. Compramos envelopes de papel pardo, 50 cm de papel adesivo vermelho (tipo Contact) e um pacotinho de etiquetas brancas A4 para computador. Encomendei para o Antonio desenhos de leitores. Em meia hora ele me veio com essas (abaixo) quatro criaturinhas lindas!

antonio_leitores

Imprimimos nas folhas de etiquetas e colamos para enfeitar os envelopes. Alice coloriu alguns detalhes feitos pelo Antonio na hora. O Contact vermelho serviu de fita para fechar. Há muito tempo eu não me divertia tanto fazendo presentes de Natal.

* A prova de que não precisamos gastar muito para agradar: minhas prendadas sobrinhas nos brindaram com lembrancinhas feitas por elas (ganhei dois mini-caderninhos) e foram super criativas nos presentes para as crianças maiores: miçangas e fios comprados na Saara para brincar de fazer bijuterias.

* Meu último compromisso no IFCS foi 22/12. No mesmo dia comecei a ler o meu próprio presente de Natal: Mansfield Park, de Jane Austen (ed. Companhia das Letras/Peguin). Que delícia mergulhar num romance! Pena que já acabou… Agora estou curtindo o Prefácio e a Introdução que, sabiamente, deixei para ler por último, pois ambos estragariam o suspense da história.

* Nesses mesmos dias, Antônio pintou um quadro, terminou a biografia da Marina Abramovic e começou a do Matisse. Comemoro secretamente: uma pessoa nunca estará sozinha em meio à arte e aos livros.

* No dia 25 lemos o presente da Alice: Segredo de família (Eric Heuvel), uma publicação em quadrinhos apoiada pela Casa Anne Frank. É uma história difícil, do tempo da segunda guerra mundial, contada pelos olhos de uma menina holandesa. Agora vamos encomendar A fuga, outro volume da mesma série.

* Aflita por decidir seus presentes, minha mãe aceitou a sugestão do professor de violão da Alice. A missão era comprar um Songbook, desses com letras, cifras e acordes. Mas quem disse que as livrarias comuns vendem esse tipo de livro? Felizmente, pergunta daqui, pergunta dali, a intrépida avó descobriu uma ilha musical na nossa cidade: Livraria Bossa Nova & Companhia, em Copacabana. Saiu de lá com o Songbook Bossa Nova vol.2, que já está sendo devidamente estudado e tocado. Fico quietinha, me beliscando para aceitar que não estou num sonho: minha filha tocando, cantando e se maravilhando com Tom Jobim! É muita felicidade. Nesse exato momento, enquanto escrevo, ela ensaia Águas de Março para cantarmos hoje à noite.

Até semana que vem!

Sobre o desenho: O emoji de sol é um dos meus preferidos do Whatsapp. Daí tive a ideia de fazer esse calendário só com sóis de variadas intensidades. Minha meta em 2017 é estar mais ao ar livre, andar e correr mais, levando as crianças para esse caminho. Cada solzinho foi feito com caneta Pigma Micron 0,05 e depois colorido com vários tons de amarelo, laranja e vermelho de lápis decor aquarelável Caran D’Ache.

Para imprimir: versão em pdf (ou clique na imagem no início do post em .jpg).


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Passos suaves, minúsculas promessas

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“Meus avós tiveram a sabedoria de me ensinar o seguinte: a gente não faz festa porque a vida é fácil. A gente faz festa exatamente pela razão contrária. (…) Não se samba porque a vida é mole. Se samba porque a vida é dura. O sentido das celebrações, ao menos para mim, é esse. Festa e fresta são quase a mesma coisa e não concebo uma sem a outra.” (Luiz Antonio Simas*)

Fresta e festa… Quando penso nas dificuldades coletivas de 2015, lembro que bebês nasceram, animais dormiram, livros se escreveram, artes e músicas ecoaram, abraços se apertaram. É como jogar o “o pior e o melhor” numa grande escala. (E agradeço comovida as mensagens sobre o nosso joguinho caseiro ter feito tanto sentido para vocês.)

Começar esse post com uma citação do mural do *Luiz Antonio Simas, cujos textos conheci através da querida Barbara Copque, é também uma forma de homenagear o mundo virtual, em especial o Facebook. É de lá que recebo a maioria dos visitantes desse blog, e é por lá que chego aos textos e imagens de amigos, ativistas e artistas que tanto admiro ou passei a admirar. É um lugar de ruídos, excessos e gritaria? Sim. Mas prefiro ver que é também um imenso espaço para trocas, mensagens, descobertas, aprendizados e encontros, com potência, intensidade e afeto.

Renovo minhas palavras do final do ano passado: “Que todas as listas de inutilidades fiquem pra depois; e que possamos escutar nossos desejos mais íntimos, assim como respeitar os desejos daqueles que amamos; e também daqueles mais distantes com quem compartilhamos a vida coletiva.” E acrescento:

Diante dos excessos, muitos de nós temos dificuldade de filtrar, focar, realizar. Por isso, nos desejo um 2016 de pequenas coisas: passos suaves, minúsculas promessas, algumas conquistas. Como disse o Danny Gregory, se prometermos pouco, alcançaremos muito. E que não esqueçamos de jogar o jogo, reconhecendo e chorando as dores, mas valorizando e vivendo os amores!

Boa sorte e momentos presentes em 2016!

Danny Gregory: Adorei a expressão “underpromise, overdeliver” nas resoluções de ano novo dele.

Sobre o desenho: Calendário de janeiro/2016 com o tema dos recortes de Matisse (abaixo a imagem completa). Esse mês foi sofrido, e pela primeira vez fiz um calendário que não aproveitei. Comecei tudo de novo, usando as formas do Matisse como apoio para seguir em frente; e contando com a ajuda do filhote Antônio na consultoria das cores. Fiz primeiro as formas com canetinha preta Pitt Faber-Castell S (0.3mm). Depois colori com hidrocor Staedtler triplus color e algumas com Koy Coloring Brush Pen da Sakura. (São estojos de criança, baratinhos lá fora, mas cada vez mais impossíveis de caros aqui.)

Janeiro/2016 – clique abaixo para imprimir ou abra esse PDF!

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Pra se molhar

jan2015“A solução para escrever […] é escrever mesmo assim e, ao terminar, descobrir que o mundo não se acabou. […] A única maneira de começar a nadar é entrando na água.”

O trecho acima é do livro Writing for Social Scientists, de Howard S. Becker, que em breve será publicado em português pela editora Zahar. O livro todo é uma delícia, cheio de humor e daquele tipo de saber complexo, mas dito de modo simples, com desejo de ser compartilhado.

É inspirada no Howie (como ele prefere ser chamado), que resumo meus votos para o nosso novo ano:

que a gente entre na chuva pra se molhar. E que rabisque quem quer rabiscar, que corra quem quer correr, que dance quem quer dançar, que desenhe quem quer desenhar… Que todas as listas de inutilidades fiquem pra depois; e que possamos escutar nossos desejos mais íntimos, assim como respeitar os desejos daqueles que amamos; e também daqueles mais distantes com quem compartilhamos a vida coletiva.

Como disseram, de formas diferentes, meus dois colunistas preferidos (aqui e aqui), que tenhamos boa sorte e muitos momentos felizes em 2015! Vamos precisar.

Sobre o desenho: Para entrar bem na água, pranchinhas de surf no calendário de janeiro de 2015, feitas com uma caneta Pigma Micron 0.05 e depois coloridas com os tesouros da casa: 152 lápis de cor Caran D’Ache e Prismacolor. Fiz algumas sombras também com caneta Pitt brush Faber-Castell (cor 272, cinza bem claro). Primeiro fiz só as pranchas, mas depois achei estranho vê-las voando… então fiz os banquinhos de areia, o que não impediu que algumas continuassem meio desengonçadas, prestes a cair. Porém… taí: cumpri desde já uma meta para 2015: resistir bravamente ao perfeccionismo e ao Photoshop.