Karina Kuschnir

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Entre o inofensivo e o mortífero: a delicadeza e o talento de Bel Franke

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Era uma vez uma jovem, Isabel Franke, que tinha uma página no Facebook sobre fotografia e antropologia. Cada semana publicava um texto melhor que o outro. Um dia, de tanto receber meus elogios, ela respondeu perguntando se eu poderia ler seu projeto para o mestrado. Era uma ideia linda e desafiadora. Conversa vai, conversa vem, ajusta daqui e dali: vaga conquistada. Que alegria! Moramos em cidades diferentes mas nos acompanhamos de longe.

Para minha surpresa, meses depois recebi uma mensagem do Chris Tambascia, amigo querido, dizendo que precisava de mim numa qualificação. Logo eu? Não tenho mais nada pra dizer… “Essa você vai aceitar”, ele respondeu: é da Bel Franke.

E aceitei mesmo, e me maravilhei como estava tudo mudado. Só que era a mesma Bel: forte, delicada, inteligente, entregue ao exercício de pensar. Tempos depois nos conhecemos pessoalmente e, há poucos meses, depois de lutas internas intensas, estive no festejado dia da defesa. Ela não acha, mas eu sim: já nasceu mestra. A diferença foi só o diploma.

Quem vê de longe, pensa que a vida pra Bel foi fácil. Só sei da pontinha do iceberg, mas dá pra ver que o mar é profundo. Só uma pessoa com um oceano dentro de si é capaz de fazer uma dissertação sobre fotografia, ilustração, morte, guerra e máscara de gás nos deixando maravilhados. Onde ela se debruça surgem novas camadas.

A Bel é casada, tem bichos e trabalha com educação infantil num museu. Agora, faz parte de um projeto sobre história das roupas e dos tecidos, o Traje Brasilis: vestindo a história do Brasil, além de escrever seu próprio blog: belfranke.com.

Foi do blog da Bel que retirei as imagens para pintar as aquarelas que ilustram esse post. O estojinho preto com fita dourada foi feito por ela à mão, inspirada em um hussif, kit de costura popular nos séculos XVIII e XIX. O estojo antigo, à direita, foi pintado por mim a partir de uma foto de um hussif e um kit de linhas utilizado por um soldado neozelandês na Primeira Guerra Mundial, acervo do Auckland Museum. Para ler sobre a conversa entre esses dois objetos, leiam o post original “O hussif: ou quando a costura histórica e a dissertação se encontram“. Ali vocês terão uma amostra do talento dessa escritora, antropóloga, artista, costureira, historiadora e contadora de histórias. Há na sua arte uma tensão que remete ao sentido da vida, entre o “inofensivo e o mortífero”, como em sua análise de uma imagem de 1919:

“Costurar parece a única ação realmente humana, e por isso chama a atenção como esse personagem [um soldado] está despido de seu equipamento: o capacete que está aos seus pés e a bolsa que deixa entrever o tubo sanfonado de sua máscara de gás. Retratado em pleno ato de puxar a linha, é ele que tensiona toda a pintura, como se sintomatizasse a inutilidade e o absurdo da guerra.” (Bel Franke)

Não podia deixar de compartilhar com vocês esse duplo “pensar e fazer” que a Bel evoca. Tenho sentido em muitos jovens com quem converso a vontade de agir, de produzir concretudes. Concordo, apoio, preciso!

Entre a inocência e a morte, há um fio tênue —  entre a potência de uma criança feliz e a queda no precipício da decepção. De que lado queremos estar?

Não tenho muitas certezas, mas essa sim: estou do lado das crianças e dos sorrisos, da Bel e das costuras, da vida e não da máscara.

Para todos que vão entregar qualificações, dissertações e teses agora em março: meu abraço apertado e um lembrete: “quando não precisamos mais ser perfeitos, podemos ser bons” [And now that you don’t have to be perfect, you can be good. John Steinbeck, East of Eden], epígrafe desse post.

Para todos os professores que estão estreiando ou voltando às aulas: sorriam, sejam gentis, bebam água, descansem. A sociedade pode não nos valorizar como gostaríamos, mas nós somos a base de tudo. Muita transformação pode acontecer dentro da sala de aula — e quem sabe a primeira delas seja aprender tanto quanto ensinar. Dicas de volta às aulas nesse post, e sobre a importância do sorriso do professor, aqui.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-emocionantes-e-dignas-de-nota da semana:

♥ A vitrola da Alice continua a mil. Os hits atuais são “Tanto amar“, do Chico Buarque e “Baby“, na voz da Gal Costa. Ela não apenas ouve, mas canta e se acompanha no violão. Haja emoção.

♥ Antônio fez 19 anos! Quem me acompanha nas redes já sabe: compartilhei uma foto linda dele, com o sorriso maior que o mundo — uma imagem que toda pessoa que ama sonha em ver no rosto do filho.

♥ Um acontecimento inusitado. Minha mãe resolveu dar um tênis bonitinho de aniversário pro neto. (Por convicção, Antônio só tem um par de tênis e um de chinelos. Imagina o perrengue com essas chuvas.) Compra feita, presente dado, opa: “tem algo estranho, mãe”. Acreditam que o vendedor colocou na caixa um pé de cada tamanho? No dia seguinte tivemos que ir à loja trocar e ainda ouvimos um pedido de desculpas bem “mixuruca”, como dizia minha avó.

♥  Encontrei um ex-aluno que fez biscoitinhos pra nós, aprendi sobre o projeto para escolas do Permacultura Lab, da Unirio, telefonei para uma amiga que virou psicóloga, troquei mensagens com pessoas solidárias, recebi zaps de alunas com saudades das aulas. Muito obrigada, gente! Não sei realmente onde eu estaria sem vocês.

♥ Telefonei para um amigo que perdeu uma pessoa querida, mandei cartão com flores para outro que tá sofrendo. É difícil saber o que dizer nessas horas? É sim. Mas é importante. Não importa quão sem graça você fique — é mais digno dizer qualquer coisa do que ficar em silêncio.

♥ Na pintura, me dediquei ao desenho desse post e estou tocando também o projeto das 50 pessoas em aquarela (23/50). Preciso de dicas de lugares que sejam abrigados da chuva e bons para observar gente. Qualquer sugestão é válida. Agradecida.

♥ Uma leitora sugeriu um acréscimo na receitinha para lidar com desamor etc.: cuidar de plantas! ♣ Adorei a lembrança. Já tive uma varandinha repleta de vasos e flores. Minha planta preferida é o jasmin branco, desses que se enrosca nas coisas. Tem um cheiro maravilhoso e me lembra a casa da minha avó. Depois de ter gatos deixei de ter plantas, porque são perigosas pra eles; e talvez porque não tive como cuidar de tantos seres vivos ao mesmo tempo. Mas recomendo sim! Vou editar o post acrescentando essa dica. Obrigadíssima, Ana Valéria! ♥

Sobre o desenho: Desenhei a partir de fotos do post sobre os hussifs da Bel Franke. Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0,05 de nanquim permanente, em um papel Canson do bloco Aquarelle XL. Pintura feita com aquarelas dessa paleta. Depois escaneei e limpei as sombras do papel no Photoshop. Não deixem de ler o post original da Bel para acompanhar de perto a análise e outras imagens incríveis que ela publicou. Ah, já ia me esquecendo: a aquarela original será um presente para ela! ♥

Você acabou de ler “Entre o inofensivo e o mortífero: a delicadeza e o talento de Bel Franke“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Entre o inofensivo e o mortífero: a delicadeza e o talento de Bel Franke”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Qr. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Receita para superar desamor, traumas, perdas e teses

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No capítulo 2 de Mansfield Park, de Jane Austen, conhecemos Fanny Price, a personagem principal, aos 9 anos. Muito triste por ter sido separada de sua família para viver na casa de tios ricos, Fanny não consegue parar de chorar ou de ficar amuada.

A única pessoa que se preocupa de verdade com ela é seu primo Edmund. Ele insiste em saber o motivo de tanta tristeza, e acaba descobrindo que é saudade de casa, da mãe e, especialmente, de seu irmão William.

Numa época de difícil comunicação, Fanny desespera-se porque havia prometido escrever para o irmão, mas “não sabia; não tinha papel”. Edmund prontamente lhe diz:

“E — Se o problema é só esse, eu lhe arrumo papel e todo o material necessário, e você pode escrever quando quiser. Escrever para William vai deixá-la feliz?”
F — “Sim, muito.”
E — “Então vamos tratar disso agora mesmo. Venha comigo até a sala de desjejum; e lá encontraremos tudo que precisamos e ficaremos sozinhos.”

Ontem, comecei a reler esse livro, que li em 2016. Ao lado desses diálogos, descobri uma anotação antiga a lápis: “a escrita cura ♥”.

Estou precisando encontrar a Fanny Price dentro de mim. Fanny é uma heroína discreta, por vezes irritante de tão séria, mas encantadora, ética e amorosa. Apesar da extrema generosidade, Fanny desafia a todos não cedendo em seus princípios. Jane Austen quase nos faz ficar contra ela, nos envolvendo em tramas de caprichos e egoísmo dos demais personagens. Mas, ao final, é Fanny que estava certa.

Estar do lado certo é bom, mas exige força, calma e clareza interior imensas. No plano pessoal ou político, quem luta, sabe. Não é fácil. Sigamos.

Inspirada em Fanny, escrevi essa receitinha abaixo:

Receita para superar desamor, traumas, perdas e teses:
• Escreva, desenhe, pinte, medite, leia.
• Converse com as amigas, faça terapia.
• Dedique tempo a você, aos filhos e aos bichos.
• Pratique exercícios.
• Organize a casa; faça doações e trabalho voluntário.
• Corte o contato com a pessoa que te faz mal.
• Dê tempo ao tempo.
• Imagine-se no dia seguinte, no futuro.
• Lembre-se de que tudo passa. Isso também vai passar.

Achei que seria útil! Embora eu não esteja me referindo à vida acadêmica, ao fazer essa listinha, lembrei de mais um conselho maravilhoso que recebi da Maria Claudia Coelho, quando eu estava desesperada com os prazos de trabalhos de curso na pós-graduação. Ela sempre repetia: imagine-se no dia depois da entrega. Foque na sensação boa de dever cumprido e faça. Não precisa ficar perfeito, só feito.

Já nos meus 11 anos como voluntária das Amigas do Peito, a frase que mais dizíamos para as mães e famílias com dificuldades com seus bebês era a que repito agora, como um mantra: “vai passar”.

Coisa impossivelmente-legal-bonita-interessante-e-digna-de-nota:

heleEssa semana queria indicar uma coisa só: o currículo da minha amiga Helê Costa, que está disponível para criação de conteúdo e revisões de texto, daquelas bem aprofundadas, que ajudam a clarear a argumentação. Além de tudo, a Helê, junto com a Monix (Mônica Chaves), é autora de um blog que eu amo, o Duas Fridas.

Sobre o livro: Mansfield Park, de Jane Austen, editora Penguin/Companhia das Letras. A citação está na página 104.

Sobre a pintura: Hoje a ilustração do post é uma pintura a óleo do meu filho Antônio Kuschnir, da série “Choro” que ele tem produzido para uma futura exposição. A coleção está sendo mostrada no Instagram @antoniokuschnir e no Facebook. Só um detalhe: a moça da pintura tá chorando mas eu não. Tô mais na vibe Rainha de Copas: cortem as cabeças!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Receita para superar desamor, traumas, perdas e teses”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3PD. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Lola (2009-2019)

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“Vai, minha tristeza
E diz a ela que sem ela não pode ser
Diz-lhe numa prece
Que ela regresse
Porque eu não posso mais sofrer

Chega de saudade
A realidade é que sem ela não há paz
Não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai”
(Tom Jobim e Vinícius de Moraes)

No dia 27 de junho de 2019, saí da veterinária arrasada, com a suspeita de que minha gatinha Lola estava com um tumor grande no abdômen (daí não termos notado). No dia seguinte, uma ultrassonografia não apenas confirmou o diagnóstico como cessou nossas esperanças de cura devido à quantidade de órgãos atingidos. Foi tudo muito rápido: em fevereiro, ela foi examinada de rotina e estava bem.

Lola azul amarela

Tivemos 17 dias em sua companhia desde então. Demos todas as comidas que ela mais adorava e o máximo de remédios paliativos possíveis. Instalamos um colchão na sala onde nos revezamos nos cuidados e na companhia. Alice era sua preferida para as sonecas, como registrei nesse desenho de 2013, quando Ulisses ainda estava conosco:

Alicegatosp

Adotamos a Lola em agosto de 2009, com uma cuidadora de gatinhos abandonados no Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro.  A bichinha era minúscula, com centenas de pulgas e olhos inflamados. Junto, adotamos seu “irmãozinho” Charlie.

Lola casaEla tinha outros planos: recusou a fraternidade e impôs que o Charlie seria sua MÃE. Por meses a fio, mamava com todas as suas forças tentando extrair algum leite da barriga dele. Temos vídeos dessa época: o pretinho gorducho todo ensopado, pacientemente se deixando ordenhar pela “filhinha” determinada.

À medida que iam crescendo, Lola se tornou a irmã mandona. Era a líder. Escolhia onde domir, miava reclamando que estava na hora do lanche, comia primeiro. Quando Charlie passou a noite na clínica para ser castrado, ela nem se abalou. Quando chegou a sua hora, o irmão ficou desesperado: para onde tínhamos levado sua Lolinha? Nunca miou tanto e tão sofrido. Na imagem abaixo, acho que consegui captar seu olhar mais típico de “eu que mando” (bem “I’m the boss”).

Lola psi

Era com esse olhar, acompanhado de uma levantadinha de queixo e miados curtos,  que ela vinha me cobrar atitude diante de algum filho doente ou triste. Parecia que falava: “– Anda, se mexe, sua filha está chorando, não tá vendo? Faz alguma coisa!” E virava o corpinho na direção em que eu deveria segui-la. Depois ficava ali supervisionando.

Lola pintura 2013

Ela própria era uma ótima enfermeira. Bastava alguém cair doente, e lá vinha a Lola postar-se em cima. Considerava uma grande honra para a pessoa que a recebia. Adorava nossa companhia, mas nunca foi grudenta. Chegou a ser noiva e casar com o Antônio, com cerimonial e tudo! Mas foi gata-feminista à frente do seu tempo, como se dissesse: “– Lambo quando quiser, entro e saio da sua cama quando me der na telha!” Mas foi um divórcio amigável.

Lola adorava jogos de cachorro. Aprendeu desde pequena a buscar bolinhas de borracha (daquelas que saem nas máquinas de um real). Tínhamos um corredor comprido no outro apartamento. Eu sentava numa ponta e quicava a bola para longe. Ela ficava agitadíssima, apoiando as patas de trás na parede mais próxima, para ganhar velocidade e trazer a bola de volta, prendendo em sua boquinha e soltando na minha mão.

Lola amarela

Depois de muitas rodadas, sinalizava a exaustão olhando a bola passar com enfado e me encarando com um jeito de quem diz: “não percebeu que não quero mais, humana?”. Ia dormir por horas. Tinha muitos jeitos bonitinhos de cochilar, mas o meu preferido era quando esticava as patinhas pra frente.

gardenreadingg 2015

Ainda bem pequena, ficava resfriada com frequência. Era um corre-corre de remédios, nebulização e alimentos especiais para fazê-la engordar. Sempre foi miúda. Nunca passou de 3,5 kg. Um dia, já sem saber como abrir seu apetite, ofereci atum. Foi um alvoroço. Ela se apaixonou e ficou viciada a ponto de não aceitar qualquer outro alimento. Haja persistência para vencer a turrice dela.

Um dos dias mais felizes de sua vida de gata-de-cidade foi durante uma viagem a Itaipava. Nao ia ser uma grande aventura, pois a ideia era mantê-la segura dentro da casa. De repente, descobriu uma lagartixa! Foi uma festa de corre-corre pra lá e pra cá com uma “bolinha” de verdade! Ficou tão feliz que nunca esquecemos desse dia. Felizmente, saíram ambas vivas.

lola 29-04 2011

Seu sono mais gostoso era quando estávamos todos na sala, conversando ou tocando violão, de preferência com visitas já conhecidas. Era apaixonada pela mochila da Roberta, nossa amiga e ex-professora de inglês do Antônio. Era muito asseada, lambia tudo que via pela frente. Charlie era seu brinquedinho particular, assim como nossos cabelos e seu próprio pêlo, mantido impecável. Se ganhasse um beijo de qualquer pessoa, imediatamente limpava a área “atacada” por humanos.

Lolas dez 2014 b.jpg

Quando Ulisses chegou em 2011, passou um bom tempo trancado no quarto, em “quarentena”, esperando que a Lola o aceitasse. Acabaram se tornando bons amigos, ora respeitosos e lambitivos, ora trocando patadas para ver quem mandava. Era ela, claro, mas sabiamente deixava passar o atrevido, em nome do Charlie, agora assumido no papel de filhinho dos mandões.  Que saudades desse dia, em que desenhei os três juntos na posição que mais ficavam: Lola e Ulisses nas pontas, com Charlie no meio.

LolaUlissesCharlie

É isso, pessoas queridas. A vida. Dez aninhos de Lola em histórias e imagens. Parece que foi ontem. Parece muito; foi pouco. Alegria e tristeza juntas, dessas que a gente não sabe explicar, mas faria tudo de novo.

Obrigada por tudo, Lolinha. ♥

Sobre os nomes: Para quem não conhece, os nomes Charlie e Lola foram inspirados em dois personagens dos livros e desenhos animados da ilustradora e escritora inglesa Lauren Child. Não achei um bom site oficial, então deixo uma busca de imagens e filminhos. Foi um de nossos desenhos preferidos quando as crianças eram pequenas. Além disso, as ilustrações são lindas, misturando colagens e desenho.

Sobre os desenhos: Recolhi de vários caderninhos ao longo desses dez anos, mas devo ter muitos perdidos ainda. Ela foi o gatinho que menos desenhei, porque achava seu pêlo tricolor super difícil de registrar. Confesso que me surpreendi em ver como as imagens, mesmo de rascunhos super rápidos, conseguiram captar a vibração da nossa querida gatinha. Saudades infinitas já.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Lola (2009-2019)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3KI. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Dezembro/2018 em cubos

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Sempre fui apaixonada por quebra-cabeças — seja de peças recortadas, de labirinto, de lógica ou até lego. Por volta dos 13 ou 14 anos, ganhei um cubo mágico. Consegui fazer a primeira fileira, mas não avançava além disso. Um dia, de tanto pensar e tentar, sonhei com a solução para a camada do meio! Acordei de madrugada com o coração batendo: testei a sequência e deu certo!

Dali em diante, porém, não teve jeito. Acabei apelando para um manual que ensinava as etapas finais: fazer a cruz na base, colocar os cantos no lugar, rodar esses cantos e, quando menos se espera: o cubo fica pronto. Parece mágica!

Ao longo dos anos, nunca me esqueci das primeiras partes, mas sempre preciso da cola para terminar.

Antônio herdou meu amor pelos quebra-cabeças (imaginem que delícia ter filho pequeno que fica horas montando quadros de 300 a 1000 peças!). Quando cresceu, ficou fascinado pelo cubo. Como já estávamos na era da internet, aprendeu as séries finais no Youtube. Hoje em dia, faz tudo de olho fechado em 1 minuto e meio! Ao contrário de mim, o bichinho nunca esquece a série inteira.

Achei que o cubo embaralhado seria uma boa metáfora para a fase que estamos passando: um desafio que parece impossível de desvendar! Ao contrário do brinquedo, porém, ninguém tem o manual para os próximos movimentos.

Aí vai o calendário do mês de dezembro para imprimir em .pdf (em alta resolução).

Desculpem o atraso de alguns dias. Foi uma semana puxada no trabalho e a minha internet de casa anda uma verdadeira catástofre (assinatura NET cara e ruim… grrr).

O blog completou 5 anos em 6/11/2018 — portanto, estamos começando a 6ª sequência anual nesse mês de dezembro! Em 2019, vou tentar postar com mais antecedência (me cobrem).

Bom dezembro pra todos nós! Vamos tentar pensar em pequena escala? Que venham sonhos e soluções ao menos para a próxima fase.

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Sobre o desenho: Fiz desenhos de cubos em três posições diferentes utilizando caneta de nanquim descartável preta (Pigma Micron 0.2). Depois escaneei, copiei e colei um monte deles no calendário ainda em preto e branco, variando as posições. Imprimi todo o conjunto e colori à mão com lápis de cor Polychromos. Ficou tão bonitinho… Pena que, ao escanear novamente (a versão colorida), o laranja quase não se diferenciou do vermelho! Ajustei um pouco as cores no Photoshop, mas ainda assim não ficou como no original. Espero que vocês gostem mesmo assim!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Dezembro/2018 em cubos”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3J2. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Não Passei (2) – Janeiro foi fork!

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. Perdi minha bolsa de produtividade do CNPq.

. Minha proposta de workshop para o evento Urban Sketchers em co-autoria com o Eduardo Salavisa não foi aceita.

. A obra que fiz no meu apartamento há apenas 3 anos está cheia de infiltrações.

. Meu ombro esquerdo não reage à fisioterapia; minha retina direita continua nublada, meus dentes dão problema desde quando eu tinha 8 anos.

Era só isso mesmo. Queria deixar registrado aqui, como uma atualização da primeira versão do Não Passei (1). A gente vê tanta comemoração nas redes sociais. E quem tá mal fica nos bastidores chorando; até a Fran Meneses fica mal, imagina a gente!

Estudar para concurso sem a menor certeza de que vai passar é fork, redigir proposta que não é aceita é fork, reprovar na prova é fork, se ferrar na escola, na entrevista de emprego… tudo holy shirt, como diz a Eleanor da série The Good Place. Já viram?

Por outro lado, tem o outro lado: estou feliz, bem feliz, para ser sincera. Meus amores estão com saúde, temos uma vida cansativa, mas também alegre, musical, artística, engraçada. Nossa onda é pegar sol, fazer mímica, cosquinha, macarrão, mate e pipoca. A gente se ajuda e se alegra tão fácil quanto tá junto.

Alice fez 12, Antônio fez 17, cada dia mais lindos. Os primos estão próximos, tem som de teclado o dia todo na casa, a temporada do TACA tá chegando, as mulheres e os amados lgbtxyw estão na rua, os estudantes norte-americanos estão reagindo; e para não dizer que sou imune à vaidade: os pareceres ad hoc do CNPq foram ótimos (o comitê é que me deu zero em tudo) e o trabalho que tenho desenvolvido na graduação foi citado e comentado num livro incrível sobre antropologia e desenho. E ainda tenho a companhia e o aconchego de vocês aqui: chegamos a mais de 450 mil visitas!

Eu tenho esperança, sempre.

Força para todos que estão precisando. Não vamos ficar nos comparando, nos julgando. A gente se ferra e acerta, tudo é aprendizado. Os cientistas do futuro serão vegetarianos, viverão em comunidades e terão amigos. Vão por mim.

Karina pb

Sobre os desenhos: Imagens que fiz para o projeto de workshop idealizado pelo meu ídolo do desenho, Eduardo Salavisa. As primeiras foram feitas por observação na PUC-Rio, direto com canetinha de nanquim permanente (Pigma Micro n.2, eu acho) e depois coloridas com aquarela em casa. Os desenhos embaixo foram feitos nos jardins do Museu da República, no Catete, no Rio.

Você acabou de ler “Não Passei (2) – Janeiro foi fork!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Não Passei (2) – Janeiro foi fork!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dy. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Saber esperar

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Semaninha difícil,  em que precisei de elevadas doses de paciência e compaixão. Sabem aqueles dias em que você se culpa por tudo, e faz até a burrice de atravessar a cidade sem levar o que precisava entregar do outro lado? Pois é. Tudo isso junto e o pior: duas pessoas amadas sofrendo, sem que eu pudesse fazer nada.

A cada final de dia, porém, conversando com as crianças, chegávamos à conclusão de que os piores momentos trouxeram também alguns dos melhores. (Para quem não conhece, todas as noites fazemos aqui em casa o jogo do melhor e do pior.) E sabemos que nossas dificuldades ficam pequenas frente a tantas outras.

Fiquei em muitas filas e acabei conhecendo mulheres incríveis: uma fisioterapeuta surda (primeira à esquerda, na imagem acima), uma senhora com artroses graves que conseguiu se desaposentar por invalidez (a primeira à direita, no desenho acima).

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Num outro dia, conheci essa senhora da imagem acima, com um cabelo todo cinza claro, de uma cor natural tão bonita, que não pude deixar de elogiar. Vaidosa, ela foi me contando sua história de mansinho… era sobrevivente de uma leucemia.

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Num outro dia, ajudei a senhora (acima), dessa vez, a encontrar o Centro Médico onde iria acompanhar a ultrassonografia da filha, a espera de seu primeiro neto, ou neta! Eu tinha acabado de ter uma notícia pessoal tão ruim… mas, ao conversar com a senhora Regina, me dei conta de que estávamos indo para o mesmo local onde há 17 anos fiz a primeira ultra da gravidez do Antônio, acompanhada pelo seu avô, ansioso por ouvir bater o coração do primeiro neto. Deixei-a tão agradecida na porta do prédio, por eu tê-la acompanhado. Mas senti meus olhos marejarem, certos de que foi ela quem me ajudou.

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Outra imagem da semana veio do livro que estou lendo e amando: Testemunha ocular, de Peter Burke. Não sei se já contei aqui, mas foi uma sorte ter comprado essa preciosidade antes que se esgotasse. Prometo que faço um post quando terminar. Essa moça estava na foto de um quadro analisado no livro. Achei-a com uma pose de “espera”, com as outras tantas mulheres que encontrei nesses dias de clínicas e filas.

Fiquem com meu desejo de boas férias, com muitos encontros e histórias bonitas para contar. Que possamos saber esperar, tendo esperança, como a Alice me ensinou outro dia. — Esperar não é ficar parada, mãe. É muitas coisas: ter esperança, contar com, não desistir.

Sobre os desenhos: Comecei um pequeno caderninho vermelho e resolvi que todos os desenhos nele seriam com uma canetinha vermelha 0.5 da Muji. As sombras em rosa foram feitas com uma caneta pincel Tombow e outra da Koi brush Sakura. As duas mulheres que me contaram um pouquinho de suas vidas foram desenhadas depois, de memória. Na imagem destacada do post (abaixo), alguns itens que adoro e que sempre ajudam a esperar! As cores são também uma homenagem a Fran Meneses, uma ilustradora chilena (vivendo na Inglaterra, atualmente) que admiro e acompanho no Youtube e no Instagram.

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Você acabou de ler “Saber esperar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Saber esperar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2wt. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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5 razões para dizer sim e Maio/2017

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Certa vez, minha amiga Claudia contou que sua neta mais velha era o oposto dela: adorava colocar salto alto, usar frufrus e passar maquiagem. Quando a avó hippie lhe perguntou porque ela fazia isso, a resposta foi curta e direta: “Porque sim, porque eu gosto, vó!”

Que simples. Isso de agradar a todo mundo é uma areia movediça que engole o nosso cérebro. No cotidiano, no mundo acadêmico, na vida. Com minha mania de querer justificar o que faço com base nos Valores Maiores do Mundo, vivo atormentada. Tocar violão com a Alice, comprar presentinho para os amigos, ir para a academia, desenhar e escrever para o blog — tudo que não se encaixa na categoria “útil/obrigatório” na minha agenda vira um debate interno: por que, por que, por que? Ainda estou aprendendo a dizer: “porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem”. Meninas que me leem: vamos treinar dizer essa frase em voz alta? Aí vai em destaque:

“Porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.”

Normalmente, numa revisão de texto bem-feita, eu cortaria o pronome “eu” dessa frase, já que há uma redundância em escrever “eu gosto”. No entanto, resolvi deixar redundante mesmo. Afinal, na contramão do mundo narcisista e egocêntrico, aqui no blog somos uma turma de problemáticos que precisa aprender a se aceitar.

Portanto, vamos treinar dizer, em várias situações:

  1. Vou fazer [tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  2. Desejo [isso e isso] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  3. Vou me empenhar [em tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  4. Vou me doar [para essa causa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  5. Gosto [dessa pessoa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.

E aí, conseguiram? É simples, é bobo, mas é forte, né? Notem que acrescentei na frase da neta da minha amiga a expressão final “porque me faz bem”. Sem esse detalhe, nosso eu destrambelhado correria o risco de sair por aí fazendo muitas, muitas besteiras. Não sei o de vocês, mas o meu com certeza. Por isso adicionei esse lembrete; para não me esquecer de que nem tudo que gosto, ou acho que gosto, me faz bem; e, para essas situações, talvez seja melhor dizer um singelo “não”.

O calendário de maio — esse mês que é o preferido de tantas pessoas e também um dos meus — foi inspirado num acontecimento das últimas semanas. Ajudando a Alice a arrumar as coisas da escola, percebemos que o lápis-de-cor vermelho dela estava no finzinho. Fui espiar na lata em formato de Bob Esponja onde guardamos lápis-de-cor usados. Ao procurar algum da cor vermelha, só achei cotoquinhos antigos, pequenos pedaços de memórias da vida das crianças. Fiz até uma foto para mostrar pra vocês.

mai2017 foto lapis akc 2017-04-28

Ainda bem que aquela Marie Kondo não faz sucesso aqui em casa. Ela jogaria tudo isso no lixo. Nós não conseguimos. Não foi à toa que outro dia a Alice tirou dez no trabalho autobiográfico para a aula de história. Um dos critérios de avaliação era a diversidade de fontes. Nem preciso dizer que tínhamos ticket de teatro infantil, ingresso de museu e até xerox do passaporte português do Ulisses. Imagina a felicidade do professor! E da mãe! Quanto ao lápis vermelho: consegui comprar um avulso na papelaria JLM, no Largo do Machado.

Sobre o desenho: Para o desenho no calendário, fiz os mini-lápis com uma canetinha preta de nanquim permanente Pigma Micron 0.2. Depois o Antônio me ajudou a escolher as cores e colorir. Tentamos sair do óbvio, explorando a caixa de Polychromos da Faber-Castell, utilizando ocres, sépias, sanguínea, turquesa, verde cobalto, entre outras. No final, fiz as sombras com uma caneta pincel Tombow cinza n.79.

Para imprimir o calendário, cliquem no .pdf ou na imagem acima (em .jpg).

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota das últimas semanas:

♥ Adorei o post Coordenando, escrito pelo João Marcelo Maia, avaliando o aprendizado positivo na sua gestão como coordenador do curso de Ciências Sociais da FGV do Rio. Acho importantíssimo valorizar o trabalho administrativo feito por professores, num campo que o torna invisível pelos critérios de agências e fóruns científicos. Li uma parte para minha turma no IFCS e tivemos uma boa conversa sobre o tema da saúde mental no mundo universitário. Em breve, conto aqui.

♥ Continuo na “dieta” de abstinência do Facebook e Instagram. Eu já tinha um uso parcimonioso, mas ando numa de escrever e ler mais, com menos interrupções. Também gosto da ideia de parar de enriquecer Zuckerberg e cia. Confesso que não sinto saudades dos feeds, mas sim dos amigos que fiz por lá… ainda estou na dúvida se devo (e como) voltar.

♥ Por falar em escrever mais, retomei a prática de escrever pelo menos 300 palavras todos os dias (de semana!). Utilizei um método assim na época em que escrevi as teses de mestrado e doutorado. É impressionante como dá para cumprir esse hábito, às vezes, em apenas 15 minutos! Além do prazer de “ter escrito”, acabo dando conta de registrar logo algum acontecimento do dia anterior que pode ser útil depois, como resumo de aulas dadas, ideias para o blog, aulas e planos futuros etc. Claro que, em alguns dias, fico empacada, digitando bobagens e tudo bem.

♥ Descobri um guia de Emojis fofo para usar no Todoist, o aplicativo que uso para anotar tarefas. Para quem gosta desse tipo de utilidade inútil, também existem guias de códigos-Alt para digitar símbolos em teclados comuns (como os coraçõezinhos — Alt-3 — dessa lista).

♥ Consegui convencer as crianças a dar uma chance à série Abstract: the art of design do Netflix. Muito simpática, pelo menos o primeiro episódio, com momentos que misturam documentário e animação.

♥ Pesquisando para dar uma aula, acabei assistindo a divertida palestra “Sua linguagem corporal molda quem você é“, da Amy Cuddy no TED Talks. Impossível não terminar sorrindo! ☺

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “5 razões para dizer sim e Maio/2017”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-lapis. Acesso em [dd/mm/aaaa].