Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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A antropologia pelo desenho

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Na vida acadêmica, são muitos os dias em que parecemos fazer nada. Estamos a pensar, a ler e a escrever. É um trabalho lento e silencioso mas que nos enche de barulhos internos. Estará bom? Estará compreensível? Será uma contribuição relevante? Serão sinceros os editores que nos aprovam? Só há um jeito de saber: publicar, se expor, dar a ver.

Taí nosso esforço coletivo de colaborar para o diálogo da antropologia com o desenho. Agradeço o convite para escrever o texto inicial a Ricardo Campos e Peter Zoettl, editores da revista e organizadores desse número. E envio um imenso obrigada a todos os autores que ampliaram meus horizontes. Agora é com vocês, leitores!

capadossie

Desenho de Laura Lino M. Cruz

 

Dossiê “Antropologia e desenho” – Revista Cadernos de Arte e Antropologia, v.5, n.2 (2016)

Outros artigos:
Fabiene Gama e Soraya Fleischer
Marina Hervás Muñoz
Sobre o desenho: Desenho de 2008 feito com uma caneta tinteiro Lamy num caderno de papel comum. A caneta entupiu e nunca mais consegui limpar… Os sentidos para a imagem estão no texto publicado.

 

 

 


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25 dicas para revisar textos acadêmicos (de trás pra frente)

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Pessoal, um post útil pra variar! Reuni as 25 dicas de revisão que mais utilizo. Servem para resenha, livro, artigo, blog, dissertação ou tese de doutorado. São simples, mas funcionam, com a vantagem que você não precisa ser nenhum gênio do português para executar. O segredo é não pular nenhuma, por mais boba que seja. Estão divididas em três blocos, seguindo de trás para frente.

Revisando as Referências Bibliográficas – Como sempre começo a ler um texto acadêmico pela bibliografia, é a partir dela que inicio a revisão também. (Se o texto que você está revendo não tem bibliografia, pule para o item 11.)

1) Ordem alfabética – Verifico se os autores estão em ordem alfabética por sobrenome.

2) Ordem cronológica – Coloco as obras do mesmo autor em ordem de ano (do mais antigo ao mais recente).

3) Repetições – Se há várias obras do mesmo autor, substituo os sobrenomes e nomes repetidos por uma pequena linha (6 traços sublinhados).*

4) Conteúdos – Verifico se todas as referências contém data, título, cidade e editora.

5) Paginação – Volto ao início procurando itens com artigos e capítulos para ver se coloquei o intervalo de páginas específicas de cada um.

6) Links –  Em caso de links, costumo substituir urls imensas por versões reduzidas por um encurtador (tipo Google Shortener).

7) Formato – Releio tudo mais uma vez verificando se todas as informações estão no formato pedido pelo local de publicação (e isso varia muito, tipo modelo Chicago, ABNT etc.).

8) Alinhamentos –  Por último, seleciono tudo e padronizo os espaços entre linhas (1,0), os espaços entre parágrafos (12pt) e os recuos (primeira linha: 1,25).

9) Citações no texto –  Vou ao início do arquivo e faço uma busca por parênteses, isto é, aperto Ctrl-L e digito ( . Isso me ajuda a localizar citações pelo ano. A cada referência encontrada, vejo se a obra está na lista bibliográfica. É útil trabalhar com duas janelas de arquivos lado a lado, uma com o texto, outra com a bibliografia. Dá bastante trabalho, mas compensa. Evito esquecer obras inteiras nas referências e corrijo errinhos de datas (por exemplo, obras citadas como 1996 no texto e como 1997 na bibliografia). Caso existam referências em notas de rodapé ou notas de fim de texto, verifico os autores citados lá também.

10) Referências não citadas – Se for um trabalho grande, verifico tudo ao inverso, isto é, se todas as obras listadas nas referências bibliográficas estão referidas no texto. É um pouco de exagero, eu sei. Mas imaginem que só durante a impressão da minha dissertação de mestrado é que descobri que não se podia colocar autores na bibliografia que não estivessem citados na tese! Foram horas de estresse editando a lista.

Revisando o Texto

11) Limpar excessos – Começo eliminando as palavras-daninhas, aquelas que mais uso sem necessidade, tipo: eu (como em “eu vi”, por exemplo), muito, mas, mesmo, que, também, bastante, meu, minha, sempre, ou seja etc. Tento jogar fora também generalizações sem fundamento, coloquialismos, jargões, chavões e clichês (alguns exemplos aqui).

12) Eliminar repetições – Nessa primeira limpeza, busco também cortar ou substituir palavras repetidas (ou similares) muito próximas. É um desafio escrever um texto sobre objetos, por exemplo, e não escrever “objetos” a cada duas linhas! Haja criatividade. A providência seguinte é reduzir o uso de vocábulos-muleta típicos do texto acadêmico como “questão”, “crucial”, “importante”, “relevante” “etc.” etc. 😉

13) Evitar adjetivos e advérbios – Tento eliminar ao máximo o uso de adjetivos (ótimo, excelente, instigante) e advérbios (justamente, claramente, obviamente, desnecessariamente…). Deixo passar alguns quando escrevo resenhas ou comentários mais opinativos.

14) Reduzir frases longas – Outro dia sugeri aos meus alunos que revisassem seus textos com um critério bem simples: todas as frases com mais de 3 linhas deveriam ser redivididas. Foi ótimo! A chance de se enrolar com uma frase longa é bem maior do que com uma frase curta.

15) Rever citações longas – Evito ao máximo incluir extensas citações de autores nos meus textos. Sempre que consigo, traduzo suas ideias em paráfrases (ou seja, explicando o que eles querem dizer com as minhas palavras) ou utilizo citações curtas e conceitos essenciais. É uma preferência minha como leitora. Acho mais agradável ler um texto com um narrador só e não cheio de colagens.

16) Eliminar voz passiva – Frases com sujeito oculto ou indeterminado quase sempre são reflexo de um argumento ou situação de pesquisa mal esclarecidos. Nunca é demais perguntar quem faz o quê, onde, quando e como.

17) Melhorar a precisão – Reviso buscando trocar afirmações vagas, imprecisas e  relativas (como “em geral”, pouco, grande, longo, menor etc.) por informações precisas e, sempre que possível, comparativas.

18) Indicar fontes, datas e locais  – Sempre releio um texto avaliando se citei todas as fontes necessárias. Como leitora, gosto de dados específicos e de saber de onde vieram as informações, frases, imagens etc. Acho tudo mais interessante quando conheço o contexto, as condições de produção, tempo e lugar.

19) Sintetizar a argumentação – Um dos problemas mais comuns nos textos que reviso (e nos meus!) é a repetição de ideias. Já repararam? A gente se apega num argumento e fica repetindo, repetindo, de diferentes maneiras, nem sempre criativas. Pra mim, esse é um dos momentos mais difíceis da revisão: avaliar se realmente estou avançando ou apenas repisando uma ideia já apresentada ao leitor – essa pessoa enjoada e preguiçosa que nos abandona ao primeiro enfado!

20) Assumir as próprias falhas – Nem sempre dá para consertar tudo numa revisão. Aliás, nunca dá para consertar tudo numa revisão! Prefiro deixar claro as falhas que consegui identificar e suas justificativas. Mil vezes um autor consciente de seus problemas do que o arrogante-profeta-sabe-tudo.

21) Apontar caminhos – Uma das falhas de todo bom texto é que ele acaba! Por isso, dar um fechamento é tão difícil quanto começar. Criei uma formulazinha para mim mesma: procuro terminar apontando desdobramentos possíveis, numa espécie de promessa do que eu faria se pudesse pesquisar e escrever mais.

22) Rever a abertura – Depois de todo esse trabalho, ainda falta uma revisão essencial: a do primeiro parágrafo. Nada mais chato do que começar lendo: “esta tese é sobre um assunto que surgiu no tempo em que eu estudava no lugar tal da vila tal da região remota tal onde um dia nasceu a nossa senhora dos começos”.  Um pouco de criatividade, uma epígrafe, uma pergunta, uma imagem… procuro achar algo para começar que não se pareça com um formulário carimbado em três vias.

Revisando Autoria, Título e Resumo

23) Dados biográficos – Erro no nosso próprio nome é uma das piores coisas que podem acontecer numa publicação! Mas acontecem; e com frequência, porque essas informações costumam ser redigitadas. Nas provas de um artigo que publiquei recentemente, meu nome inteiro estava trocado por outro! A mini-biografia veio correta mas eu me chamava Xan-Xin-Ling!  Essa é a parte da revisão que requer maior atenção pois somos mais desatentos com o que é familiar.

24) Revisar o resumo – Taí a melhor coisa que você pode fazer para a vida de seus futuros leitores. Tem que revisar em português e em inglês. Mesmo sem dominar bem a língua estrangeira, já ajuda passar um revisor automático ou usar o tradutor do Google pra verificar errinhos de ortografia.

25) Título – Escolher um título é pra mim a pior parte de todas! Sempre deixo por último para tentar melhorar e para evitar de vir errado. Já vi acontecer até em grandes editoras.

PS1: Faltou dizer que costumo terminar padronizando fontes, espaçamentos e outros detalhes formais, mas achei que “25 dicas” soaria melhor do que 26. Espero que sejam úteis!

PS2:  Nunca é demais lembrar: ao final da revisão, procuro enviar meu texto para um leitor(a) qualificado fazer críticas – e peço que sejam sem piedade! Quando chegam as correções e sugestões, descubro duas coisas: 1) tenho uma amizade verdadeira nesse mundo (só amigo pra fazer isso nos tempos de hoje); e 2) haja força para encarar mais uma – necessária – revisão! (E isso se provou verdadeiro aqui nesse post, conforme vocês podem ler abaixo.)

* Agradeço à Eva Scheliga por avisar que o correto, pela ABNT, é substituir o nome dos autores por 6 traços sublinhados. Agradeço ao Mário Magalhães por me ensinar que a expressão “de trás pra frente” está tecnicamente incorreta. Agradeço à Franciely Ribeiro por me alertar que “junto com” é pleonasmo! (Estava no início do item 12. Agora já está corrigido.)

PS3: Esqueci de escrever aqui (na versão inicial) que o post também é para comemorar duas marcas redondas do blog: 170 mil visitas e 100 mil visitantes \o/

PS4: Listinha de livros para quem gosta do tema da escrita e de ver como os escritores profissionais lidam com as próprias dificuldades:
– “Truques da Escrita”, de Howard S. Becker (ed. Zahar) – mais nesse post.
– “O espírito da prosa”, de Cristovão Tezza (ed. Record) – mais nesse post.
– “Sobre a escrita”, de Stephen King (ed.Suma)
– “Palavra por Palavra”, de Anne Lamott (ed. Sextante)
(Tentando citar apenas quatro para não exagerar nas referências… assim vocês não percebem que sou obcecada pelo tema.)

 

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts sobre brincar de pesquisar, sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

Sobre a imagem: Desenho de uma canetinha Derwent (e de seu estojo, que ficou pequeno) que ganhei no encontro dos Urban Sketchers em Manchester. Usei a própria caneta desenhada para fazer as linhas pretas. O papel é a folha de rosto cinza de um caderninho Fabriano que comprei no evento. A parte branca foi feita com lápis de cor e caneta posca. O desenho veio a calhar, pois já estava pronto quando resolvi escrever o post. Nada como uma canetinha preferida na hora de fazer uma revisão, pois sempre que posso trabalho com papel à mão.

Você acabou de ler “25 dicas para revisar textos acadêmicos (de trás pra frente)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2016. “25 dicas para revisar textos acadêmicos (de trás pra frente)”, Publicado em https://karinakuschnir.wordpress.com/2016/09/23/25dicas. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Empurrão de Flor

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Muitas vezes na vida precisei de um empurrão. Não que me falte energia ou interesse pelas coisas. Adoro aprender, me envolver e fazer, mas… a coragem de mostrar pro mundo… essa é escassa na minha receita interna. Por isso gosto e dependo tanto das pessoas que me dão um tranco, e dos bem fortes, tipo me-jogar-na-piscina-com-roupa-e-tudo.

Um dia eu estava quieta no meu canto, feliz de desenhar em caderninhos para o resto da vida, quando ela me ligou. “Quero que você escreva um artigo para o Prosa sobre desenho e antropologia. Vamos publicar uma página com seus textos e desenhos?” Fiquei super lijongeada com o convite — era elogio, né? — mas totalmente descrente da minha possibilidade de atendê-lo. Eu só consegui responder: “Não, imagina, você está confundindo. Desenho é uma coisa, antropologia é outra.” E ela, que é muito mais inteligente e esperta do que eu: “Não é não, frô. Mistura que dá certo! Bora, faz aí.” [E ela não escreveu assim, curtinho, não. Gastou um tempão me dando coragem, pessoalmente e por escrito.]

E foi esse empurrão da querida Mànya Millen, então editora do caderno literário Prosa, do jornal O Globo, que mudou a minha vida de 2011 pra cá. Fiquei quase um ano enrolando para entregar o material. Mas foi ao longo desse ano que tomei o rumo apontado por ela, juntando meu mundo acadêmico e criativo num só. Em janeiro de 2012, a página com textos e desenhos foi finalmente publicada e, não por acaso, foi também esse material que, algum tempo depois, gerou a ideia de criar este blog (como vocês podem ler aqui).

Na semana passada, a Mànya e o Prosa saíram do Globo. Fiquei de luto como leitora do caderno literário. Aqui em casa temos pilhas de Prosas históricos, porque a Mànya nunca fez jornal de embrulhar peixe. Ela fez arte, opinião, reportagem, imagem. Fez todo esse universo mágico dos livros circular para um mundo com horizontes mais amplos e reflexões mais profundas — justamente o tipo de conteúdo de que mais precisamos nesse brasil tão depenado…

Para a Mànya, o meu desejo é que tudo isso seja um grande empurrão, igual ao que um dia ela me deu. Que seja um tranco, daqueles que nos levam para um lugar mais interessante, mais feliz, mais perto de nós mesmos e das pessoas que amamos.

Nos últimos dias, tanta gente escreveu coisas lindas sobre ela… Queria compartilhar especialmente as lindas palavras de sua filha, Julia Millen:

“Desde que me entendo por gente sabia que minha mãe era jornalista. Desde novinha eu sabia o que era pauta, lead, diagramação, subir matéria, fechamento de caderno, plantão -conhecido também como: “quinta feira mamãe chega de madrugada”, ou também: “mamãe trabalha esse fim de semana”. Desde muito pequena eu sabia que ela trabalhava no Globo. Desde sempre eu sabia que ela fazia parte do Prosa & Verso. Desde pequena eu sempre senti um orgulho inexplicável, mesmo quando ainda nem sabia ao certo o que ela fazia, mas só por saber que minha mãe era jornalista cultural e que trabalhava no Prosa. Desde pequena eu aprendi que esse orgulho surgia por saber o quanto ela amava aquilo. Desde pequena eu aprendi que o jornalismo é só para quem o ama loucamente. E desde muito pequena ela me ensinou a amar as palavras e os livros como ninguém. Desde não tão pequena, porém, ela me ensinou o quanto esse mesmo jornalismo era difícil, o quanto sobreviver de jornalismo era complicado, e o quão saturado e instável era o mercado do impresso, o jornalismo de discussões infinitas que rodavam pelo tema: “será que com a internet o jornal irá acabar? ”. Por muito tempo me forcei a acreditar que não. Hoje eu tenho certeza que sim. Hoje, após 20 anos, o Prosa vai deixar de existir. Hoje, o jornal perde o seu caderno mais bonito. Hoje, o Globo só perde. Os tempos estão difíceis para as palavras, mas o orgulho e a gratidão por compartilhar tanta informação, permanecem. Muito obrigada, mãe, Manya Millen. Dias mais bonitos virão.”

Muito obrigada, Mànya! Que muitas flores estejam no teu caminho, frô.

* 3 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-hilárias-difíceis-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Na sexta passada, eu e o Juva demos duas palestras para os alunos do 9o. ano do Colégio Andrews sobre “Processo criativo” (ou como fizemos o livro “Do gato Ulisses as sete histórias”). Fui com medo de decepcionar meu filhote, que estaria numa das turmas… Mas ele adorou e nos contou depois que seus amigos amaram, ufa!

* Até a véspera da palestra, passei dias trabalhando num artigo em co-autoria com o Vinícius Moraes de Azevedo, meu bolsista de iniciação científica no IFCS. E não foi nada chato, porque o material etnográfico da pesquisa dele é muito engraçado. As crianças vieram até ver porque eu estava rindo tanto. E agora preciso convencer a Alice de que ela não pode falar em “xarpi”!

* Mas a escrita acabou me afastando dos pincéis… Mesmo por poucos dias, fui ficando inquieta e desanimada. Felizmente, ontem consegui sentar e recomeçar. E registro aqui, para não esquecer: basta recomeçar. (Seja o que for que esteja nos fazendo bem: andar, escrever, pintar, desenhar, cantar, tocar, até o temido “terminar a tese”!)

Sobre os desenhos: Flores de uma árvore jasmim-manga que fica na Praça Nelson Mandela, na saída do metrô de Botafogo (zona sul do Rio). Fotografei com o celular e depois desenhei em casa. Na imagem à esquerda, fiz primeiro com lapiseira, depois pintei com aquarela, buscando dar volume (com várias camadas finas, sempre esperando secar entre elas). À direita, fiz direto o contorno com canetinha de nanquim, pintando depois só com algumas pinceladas. Ambas no caderninho Laloran de sempre. Os materiais são os mesmos registrados aqui.