Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella

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“…não persigas o êxito. O êxito acabou com Cervantes, tão bom novelista até ao Quixote. Ainda que o êxito seja sempre inevitável, procura um bom fracasso de vez em quando para que os teus amigos se entristeçam. (…) Décimo: tenta dizer as coisas de modo que o leitor sinta sempre que no fundo é tanto ou mais inteligente do que tu. De vez em quando tenta que efetivamente o seja; mas para conseguir isso terás de ser mais inteligente do que ele.” (Augusto Monterroso, da biblioteca de Juva Batella)

A vantagem de ter um namorado poeta é voar. Não é preciso ler Murakami nem Arthur Clarke. Um dia, ele vai te beijar e te convidar para ser o sol. E tudo que você achava impossível, acontecerá.

Quando alguém bem enraizado, planejado, controlado e sabedor de todas as coisas do universo te disser que gente não voa, teu coração vai parar de bater um pouco. Mas, lá no fundo, uma voz de dentro vai sussurrar: não acredita. Lembra do vôo do sonho de ontem!

Quando você não conseguir dormir, leve um poeta contigo, deixe a vida lá fora e aguarde os seus efeitos mágicos. Só estar ali. Adormecer, flutuar ou voar. Tudo pode, tudo é bom, tudo é possível.

Sim, este ser existe! Ele veio ao mundo chamado Juvenal, nome antigo, igual ao do pai, mas um dia encheu e passou a se chamar Juva. Ele sabe, é um apelido esquisito, difícil na hora de se apresentar, mas impossível de esquecer quando se conhece a pessoa-em-si.

Depois de doze livros, duas filhas, dois empregos, muita disciplina e café, o Juva voltou a escrever na internet, agora semanalmente, reanimando seu blog. Já tem centenas de textos maravilhosos lá dentro, mas é um recomeço e tá diferente. Vai ter ficção, não-ficção, referências, livros, técnicas de escrita, cursos, maluquices e… desenhos!

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ilustração de K. Kuschnir para o post “Os desconectados”, de J. Batella

Logo eu, que sou medrosa feito a peste, mas um pouquinho corajosa também, resolvi me enturmar. Primeiro, fiz apenas o novo topo do blog, que é a imagem que abre esse post, aquele amontoado gostoso de livros, lápis e materiais de quem ama escrever.

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ilustração de K. Kuschnir para o post “Inferno astral”, de J. Batella

Depois pedi para continuar… Cada um desses desenhos menores é uma ilustração para os posts novos. Como fazer desenhos para outra pessoa me traz uma enorme ansiedade, decidi que me concentraria nas ideias visuais e utilizaria uma técnica bem fácil (explicada no final).

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ilustração de K. Kuschnir para o post “O instante de Sisifo no tempo de Cecília Meireles”, de J. Batella

O Juva é super disciplinado, escreve tudo com capricho e antecedência, coisa que eu nunca consigo, vocês sabem. Ele é do tipo que termina os posts no domingo para publicar na quarta! Daí chega a minha vez de desenhar. O mais difícil foi este (acima), que chamamos de “Sísifo calmo”. A primeira versão estava óbvia, com o homem empurrando a pedra morro acima. Por sugestão do Juva, mudei a figura para um Sísifo descendo calmamente a montanha, na bonita inversão que o texto sugere. Há dois detalhes que ficaram imperceptíveis na escala da imagem no computador: a “pedra” é feita de um emaranhado de letras, que são também as “pedrinhas” vermelhas que vão sobrando na parte baixa da montanha, como cascalhos que se soltam ao longo desse perpétuo trabalho.

Nessa empreitada mais ou menos conjunta (minha parte é uns 16%?) estamos nos desafiando a voar juntos. Já temos quase oito anos de milhas aéreas, que se somam aos vinte da amizade terrestre, de antes. Os pessimistas dizem que um amor assim não existe, mas eu digo: existe sim.

Vendo esse projeto, lembro-me dos versos do próprio Juva na história do nosso gato Ulisses:

“queria a proposta de uma vida só sua, e procurou a resposta miando para a lua. A lua, miando para o gato, iluminou as águas do mar, e Ulisses pensou de imediato que era hora de voltar a navegar.”

Além dos posts novos, o blog tem centenas (ou milhares, não sei!) de outros textos, contos, crônicas sobre a paternidade (das minhas preferidas), palestras, resenhas, artigos, livros, entrevistascitações, além de duas seções específicas, com fontes literárias sobre os autores brasileiros Campos de Carvalho e João Ubaldo Ribeiro. O blog já teve mais de 50 mil visualizações, e agora será também um ponto de encontro para quem fizer um dos cursos livres de escrita, revisão e literatura que o Juva está oferecendo. Em breve, ele dará notícias das inscrições para a turma que abrirá no segundo semestre (no Rio de Janeiro), mas quem tiver interesse nas aulas pode entrar em contato por e-mail (juvabatella@gmail.com) e/ou adicionar seu e-mail no blog www.juvabatella.com/ para receber novos posts de lá.

Sobre as citações: A primeira, de Augusto Monterroso, está na seção Bibliotequinha do blog, com citações de vários autores. As frases estão nas páginas 115 e 116 do texto “Decálogo do escritor”, de Augusto Monterroso, publicado no livro O resto é silêncio (Lisboa, Oficina do Livro, 2007).

A citação final está na página 66 do livro Do gato Ulisses as sete histórias, de Juva Batella (ilustrações Karina Kuschnir, editora Vieira & Lent, 2015.)

Sobre os desenhos: Tecnicamente, são desenhos simples de fazer. Começo organizando uma imagem a partir de uma ou mais fotografias no Photoshop (no primeiro desenho, foi uma foto panorâmica que tiramos aqui em casa). A seguir, exporto essa imagem .jpg para o Ipad e abro no Procreate. Coloco a transparência da camada em cerca de 70%. Crio então uma nova camada (layer) e passo a desenhar tendo a foto como referência de fundo, mas acabo inventando ou recriando algumas coisas nessa hora.

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Não tenho “pencil” nem Ipad pro, infelizmente. Utilizo meu Ipad velhinho (acho que é um 2) e uma canetinha com ponta de borracha gorducha, dessas chinesas que custam 10 reais na lojinha de capas de celular. Para ter uma certa identidade, estabeleci o padrão de fazer as linhas principais sempre com pincel “marcador redondo” preto, com espessuras que variam de 12 a 4 aproximadamente. Para o cinza, crio uma nova camada e desenho com marcador “caneta pincel” (com uns 30% de transparência). Propus que todos os desenhos fossem nessas cores, com uma pitada de outra cor aqui e ali. É algo levemente inspirado nos cartoons que adoro da revista New Yorker. A grande vantagem desse tipo de ilustração é a rapidez! Dá para desenhar sem pensar muito, testando algumas ideias e variações, além de não ter pós-produção (escanear, limpar, editar etc.).

Você acabou de ler “Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Voando junto – Minhas ilustrações para o blog do Juva Batella”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3FR. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2018 e Bastidores do blog (2)

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Bem-vindos ao mês de junho/2018! Aqui vai o calendário em .pdf para imprimir.

Há alguns dias, o blog ultrapassou a marca das 500 mil visualizações e 300 mil visitantes. São números pequenos para o tamanho da internet, mas gigantes para mim! 😀 Para comemorar esse meio milhão de cliques, resolvi retomar alguns temas do post Bastidores do blog escrito em maio/2017, e acrescentar outros, que chegaram em comentários, em perguntas de amigos queridos ou na minha cabeça mesmo:

Quanto custa manter o blog? Tenho duas despesas anuais fixas com o blog. Desde a sua criação, pago o tema/template Yoko do WordPress (30 dólares por ano), que permite escolher fontes e cores, widgets (códigos html pré-formatados para serem utilizados na lateral) e faz ajustes automáticos para diferentes telas (celular, tablet e computador). Em janeiro/2018, passei a pagar um plano Pessoal do WordPress (48 dólares por ano) para que parassem de aparecer anúncios no rodapé dos posts.

Por que você não utiliza o endereço karinakuschnir.com? O plano Pessoal do WordPress dá direito a um domínio .com mas, por enquanto, não me sinto bem associando meu nome a um domínio comercial.

O blog está hospedado em algum servidor? Não. Utilizo a hospedagem virtual do WordPress. No ano passado, me dei conta que não tinha backup! Com ajuda da minha sobrinha, passamos todos os posts para arquivos de Word, um conjunto para cada ano. Um dia ainda pretendo imprimir tudo… mas esse dia nunca chega.

Esse é o seu primeiro blog? Sim e não… Uso a internet desde 1991. Em 1994, criei uma disciplina eletiva na PUC-Rio chamada “Comunicação e novas tecnologias”. Adorava dar esse curso que teve o apoio do RDC (prédio da informática da PUC, onde trabalhei de 1992 a 2006) para termos acesso aos laboratórios conectados à internet. Criei blogs para dar suporte a vários cursos, mas foi nos anos 2000 que ajudei a montar um blog mais complexo para a Ong Amigas do Peito. O trabalho estrutural foi feito pelo webdesigner Marcelo Torrico com quem aprendi muito. Depois disso, fiz um blog institucional e vários de apoio a projetos. Este karinakuschnir.wordpress.com foi criado em 6/11/2013 e é meu primeiro blog pessoal de verdade.

Você ganha algo com o blog? Nada, em termos financeiros. Mas posso dizer que ganho muito em termos pessoais, afetivos e profissionais. Explico. Criei o blog inspirada numa página que fiz para o caderno Prosa do jornal O Globo, a convite da editora Mànya Millen, conforme já expliquei aqui. O objetivo era simples: me obrigar a publicar um desenho e um texto uma vez por semana, com o desafio de ser algo lúdico, útil e positivo. Essa regularidade me permitiu estreitar laços com pessoas conhecidas e desconhecidas, além de trazer leitores para os meus trabalhos acadêmicos, alimentando uma rede afetiva e intelectual. Como não sou muito enturmada na vida (sou aquela que ama estar nos bastidores), o blog vem me trazendo uma sensação boa, de pertencimento. O único momento embaraçoso é quando percebo (na vida real) que as pessoas sabem detalhes da minha vida e eu não estou sabendo nada da delas!

Quanto tempo você leva para escrever e desenhar um post? Atualmente, levo cerca de 6 horas para escrever e revisar o texto de um post normal. Se for um post sobre livros ou mundo acadêmico, preciso de o dobro de tempo. Para os desenhos, depende muito. Posso levar 4 horas ou mais. Venho melhorando um pouco nessa área: já consigo começar um desenho num dia e continuar em dias diferentes. Fico feliz quando isso acontece, já que nunca tenho tantas horas livres em sequência. No mais, o que escrevi no primeiro bastidores do blog continua valendo: não tenho pauta, nem consigo produzir com antecedência, mas adoro a sensação de ter feito!

Qual é a parte mais difícil de fazer o blog? Em termos práticos, o mais difícil (e frustrante) para mim é a preparação das imagens: escanear e editar os desenhos e aquarelas. Sou autodidata. Já melhorei depois de alguns cursinhos online, mas ainda sofro. Outros desafios constantes são: inventar ilustrações para os calendários e para posts acadêmicos, encontrar assuntos novos, ter tempo para escrever e desenhar com calma, ser engraçada e manter o tom positivo diante de tanta tragédia que acontece no Brasil (nem sempre consigo). Em termos pessoais, porém, o mais difícil é encontrar um equilíbrio entre dizer a verdade e me proteger da exposição excessiva. Acho super importante falar de vulnerabilidades, mas não consigo imaginar a vida sem um pouco de privacidade.

Como você escolhe os temas dos posts? O que vem primeiro: o desenho ou o texto? A graça de fazer o blog é alternar entre esses dois pontos de partida. Às vezes, o post surge de um desenho, às vezes de uma ideia. O que mais gosto de fazer são posts sobre livros que adorei ter lido ou de aulas lúdicas que deram certo (embora ambos sejam trabalhosos). Na última semana do mês, sinto um alívio por saber que não preciso pensar num tema, já que é a época de postar o calendário. Passo 30 dias buscando ideias para ilustrar o calendário do mês seguinte. Quando leio um livro, fico na espreita, avaliando se daria um post.

Quais posts você acaba não escrevendo? Às vezes tenho ideias mirabolantes para futuros posts que, pouco depois, murcham e perdem o sentido. Tem posts que desejo muito escrever, mas não posso, seja porque ferem o objetivo do blog — falar mal da vida e de certas pessoas, por exemplo! 😉 –, seja porque são sobre assuntos que preciso guardar para publicar em forma de artigos de pesquisa. Por mais que eu já tenha me libertado, ainda preciso produzir coisas que possam ser incluídas no Lattes.

Que novidades você gostaria de trazer para o blog? Uma das coisas que está nos meus planos a curto prazo é fazer um sumário que abranja todos os posts do blog (este é o 197º). A longo prazo, adoraria publicar os posts em português e inglês, para poder ser lida pelos amigos da área do desenho de outros lugares do mundo. Isso ainda não dá, pois teria que investir um tempo enorme para melhorar meu inglês escrito e para as traduções em si.

Qual é o balanço desse último ano do blog? Minha maior conquista nesse período foi ser mais assídua nas respostas aos comentários e ter publicado quase todas as postagens semanais. Adorei ter feito dois posts pela primeira vez com a ajuda dos amigos acadêmicos de carne e osso (e não apenas de bibliografia) que foram o Doze lições para ajudar a terminar TCC, dissertação e tese… Parte 1 e Parte 2.  Além desses, meus preferidos foram o Memória visual, espaços e cotidiano – Ideia para aula lúdica (4), o Sete coisas invisíveis na vida de uma professora, o Lições de escrita com Agatha Christie – Parte 1 e Parte 2, Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? – Parte 1 e Parte 2.

Os posts mais pessoais  foram o Não Passei (2) – Janeiro foi fork! e Querido Diário. O post que mais me emocionou foi Desistindo de (quase) tudo, em função da repercussão afetiva que gerou nas pessoas e em mim (ainda não consegui responder os comentários desse, desculpem). Um dos posts mais leves e úteis, que me surpreendeu pela reação positiva, foi o Caderninho bom, bonito e barato. Além de todos os já citados, dois dos meus desenhos preferidos dos últimos meses são os dos posts Escrita Diária e Materiais – Canetinhas coloridas.

Qual o conselho você daria para quem pensa em começar um blog? Comecem! Estabeleçam alguns princípios e tentem seguir em frente. Acho que a ideia de postar semanalmente é perfeita, pois não é frequente nem espaçado demais. Se você não desenha ou produz as próprias imagens: invista nisso, tire fotos, se associe a um banco de imagens de qualidade ou utilize imagens de bases públicas, sempre dando os créditos. Por mais conteúdo que exista na internet, tem espaço para todo mundo. Vivo à procura de blogs legais para ler — mandem seus links! ♥

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Sobre o desenho: Para o calendário de junho, quis começar de um jeito que não precisasse me esforçar muito, já que semana passada fiz um desenho trabalhoso. Fiz as bolinhas com a ajuda de duas réguas de desenho geométrico, como essa que desenhei (imagem acima). Desde pequena, adoro essas réguas! Depois de fazer os círculos em tamanhos variados, com canetinha de nanquim permanente 0.2, fiz os traços internos com a mesma caneta, só que 0.05. A seguir, colori com as mesmas cores que utilizei na semana passada, com os lápis-de-cor Polychromos da Faber-Castell. O mais legal foi que a Alice me ajudou! Quando ficou pronto, vimos esse monte de “rodas” e pensamos que nosso subconsciente captou o tema do momento: caminhões, carros, gasolinas, estradas e bicicletas… ♥

ps: As rodas invadiram o dia 30 porque inicialmente eu tinha desenhado no calendário de Julho! Por sorte uma leitora querida do blog me avisou do erro. Troquei a parte interna do mês no Photoshop.

Você acabou de ler “Junho/2018 e Bastidores do blog (2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Junho/2018 e Bastidores do blog (2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3F1. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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Amor, necessidades especiais e 4 anos do blog

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Essa semana observei uma cena que me tocou. Fui levar a Alice na dentista do aparelho que fica num prédio cheio de consultórios médicos. Enquanto estávamos na fila do elevador, veio chegando uma família: um rapaz bem alto, grande e forte, com expressão de criança apesar do tamanho, falava repetidamente. A voz era grossa, mas um pouco atrapalhada. Era como um filho de 5 anos ansioso pedindo para a mãe comprar bala. Junto dele, dois adultos (na minha visão, os pais) com um ar sereno, sorridente, sem se incomodar com a atenção provocada. A mãe, bem mais baixa, segurava o rapaz com uma mão e fazia festinhas em sua barriga com a outra. De vez em quando também aproximava a cabeça do seu peito, como quem dá um abracinho. Na sua resposta à cantilena do filho, parecia entoar acalantos assim: “já vai, já vai, já vai…”, “tá tudo bem; tá tudo bem…”

Por um instante, achei que os três entrariam no elevador conosco, mas a porta se fechou. Fiquei com a imagem daquela cena, a voz da mãe se sobrepondo suavemente aos pedidos do filho, o corpo dela tocando o dele, um imenso carinho embrulhando tudo.

Já estava abraçada com a Alice no elevador, mas apertei-a contra mim mais forte, conseguindo sentir a felicidade daquele momento.

Pensei no rapaz e no aprendizado de sua família para amá-lo. E me veio a ideia de que todos nós, com as devidas proporções, temos necessidades especiais que exigem paciência, esforço e aceitação de quem nos ama e de nós mesmos.

Queria comemorar os quatro anos do blog (6/novembro) mandando uma festinha na barriga e um afago virtual sussurrado para vocês:  “já vai, já vai, já vai…”, “tá tudo bem; tá tudo bem…”

Obrigada por me acompanharem nessa jornada. Só enxergamos um post de cada vez, mas olhem o quanto a gente andou!!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota sobre amor e necessidades especiais:

♥ Para criar um coraçãozinho (como esse à esquerda) em qualquer aplicativo no computador, basta apertar Alt-3. Se vocês também são fãs de atalhos de teclado (eu amo!), vejam todos os códigos Alt possíveis aqui.

♥ Um livro maravilhoso sobre o assunto é “O filho eterno”, do Cristóvão Tezza. Falei um pouco sobre o autor aqui, mas nem de longe esgotei o quanto gosto dessa obra e de “O espírito da prosa”.

♥ Outro livro que me emocionou foi Brilhante, de Kristine Barnett, da editora Zahar. Uma marca dessa narrativa é o entrelaçamento de crise familiar e econômica (contexto de classe média baixa em 2008 nos EUA) com uma mãe porreta de criativa! Poderia render um post, mas está emprestado há tempos e ainda não voltou — quem sabe a pessoa capta essa indireta aqui! ;-).

♥ Uma referência que releio, indico e compro de presente para pais (mas que serve para qualquer tipo de relacionamento afetivo) é o “Comunicação entre pais e filhos”, da Maria Tereza Maldonado (ed. Saraiva). Tem dezenas de edições e sai baratinho na Estante Virtual. Se eu tivesse que escolher apenas um livro que me ajudou emocionalmente a ser mãe e me apoiou na busca da segurança afetiva dos meus filhos, seria esse.

♥ Para se emocionar e se deliciar com imagens incríveis, a animação A viagem de Maria  do artista espanhol Miguel Gallardo, sobre sua filha. Conheci o autor num evento dos Urban Sketchers em Barcelona e me apaixonei pela sua forma de desenhar e enxergar o mundo. Tenho também o livro Maria e eu, que inspirou o filme, e é um dos meus quadrinhos preferidos de todos os tempos.

♥ Ainda do Miguel Gallardo, o vídeo Academia de Especialistas, um jeito inovador de falar sobre as crianças e seus potenciais tão singulares.

♥ Para fechar a listinha: lembro que a campanha de doações de fraldas para crianças com necessidades especiais da obra social Dona Meca continua acontecendo! Já temos 800 pacotes, mas a meta é conseguir 1000 — quantidade que eles precisam para o ano de 2018. As informações para doar, com depósito em conta ou cartão de crédito, estão aqui.

 

Sobre o desenho — Aquarela com misturas de tintas rosas e amarelas, sobre um papel de algodão antigo (não sei a marca). Achei que combinavam com a ideia de flores, no clima de aniversário do blog. Andei pintando essas transparências como uma forma de me distrair na recuperação da cirurgia. É um bom treino de paciência pintar a primeira camada, esperar secar bem e só depois voltar a pintar por cima. É assim que surge o efeito de transposição. O original é bem mais sutil do que o digital, mas não tive domínio de edição de imagem suficiente para equiparar os dois. Aliás, se alguém souber de uma aula de digitalização voltada para pintura especificamente, estou aceitando indicações!

Minhas desculpas pelos atrasos dos posts, mas a culpa é da NET. Todos os dias a minha internet cai ou fica instável depois das 16:00 horas. Haja meditação. O blog fica super prejudicado. Apesar de adorar ler e pintar (coisas que posso fazer sem internet), é enervante não poder decidir quando ficar offline. Sei que vocês me entendem… Durante a escrita desse post, a internet caiu umas 37 vezes.

Você acabou de ler “Amor, necessidades especiais e 4 anos do blog“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Amor, necessidades especiais e 4 anos do blog”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/s42zgF-amor. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Os bastidores do blog

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“Não compare os bastidores da sua vida com a fachada da vida dos outros.”

Taí uma frase que preciso colar na parede na frente do meu computador! Não é que a gente faz isso o tempo todo? Achei uma boa síntese do mundo atual o artigo do Seth Stephens-Davidowitz, no New York Times, sobre como as pessoas são diferentes nos posts no Facebook e nas perguntas que fazem ao Google. Na vitrine somos felizes, amorosos e alegres; no cantinho escondido da janela de buscas, somos doentes, confusos e melancólicos. É muito contraste, conclui o autor, citando o conselho dos Alcoólicos anônimos que destaquei acima (no original,  “Don’t compare your backstage to other people’s front stage”). Por coincidência, no mesmo dia, a artista Liz Steel escreveu sobre as dificuldades em montar um curso online começando com uma versão bem-humorada da máxima: “Don’t compare your insides to other people’s outsides” (algo como “não compare seu mundo interno com a aparência externa dos outros”).

Pensei em aproveitar o tema para responder uma dúvida que já ouvi de várias pessoas: como é o dia-a-dia de manter o blog?

1) Faz-de-conta  — “Várias” pessoas me escrevem…? Foram só *cinco* que me perguntaram sobre isso, duas por escrito e três pessoalmente, vai ver até por educação… Alguns autores (eu inclusive) inflam seus textos com esse tipo de palavra genérica sobre os seus leitores — muitos, vários, diversos, um monte! — deixando no ar uma aura de sucesso. Esse tipo de recurso é mais velho que a vovozinha, né? Não julgo, porque às vezes também caio nessa besteira. É uma forma de não desanimar por falta de torcida.

2) Apenas 3% ! —  Dos 149 posts já publicados aqui, apenas cinco (3%) têm uma visitação alta para os meus padrões (de 10 a 35 mil vistas), respondendo por quase 80% das estatísticas. Portanto, 97% do tempo escrevo consciente de não ter tantos leitores. São aproximadamente 200 a 1000 visualizações por post, atualmente. Segundo o que consigo ver com o meu vínculo gratuito no WordPress, as médias mensais foram subindo com os anos, de 1.500, 3000, 5000,  até as cerca de 6 mil vistas por mês atuais, exceto nos meses de posts mais lidos, com médias de 10 a 30 mil. Os números de visitantes são cerca de 30% menores que esses.

3) Zero centavos — Nunca ganhei um tostão com o blog e estou feliz assim. Não aconselho apostar a vida em “viver de blog”. Conheço autores super bem sucedidos, que aparecem em televisão, tem anunciantes e tudo, e mal conseguem pagar a conta de luz com os rendimentos gerados. O segredo para fazer dinheiro na internet é por outros caminhos.

4) Ganhos — Desenhar, escrever e publicar toda semana é um trabalho voluntário que me dá um retorno emocional e intelectual impossível de medir em números. Sei por outras experiências que trabalhos voluntários nos apaixonam e são o melhor investimento da vida. Abrir espaço na agenda da “vida real” para fazer esse tipo de coisa é difícil , cansativo, exigente, chato… mas compensa, demais.

5) Desafio — Desde pequena, eu gostava de escrever em diários, mas percebia que 99% dos meus textos eram reclamações e tristezas. É tão mais fácil registrar o que dá errado! A escrita alivia. (Aliás, uma dica paralela: quando estiver com raiva de algo ou de alguém, escreva uma longa mensagem e mande apenas para o seu próprio e-mail.) Quando meus filhos nasceram, comecei a fazer diários para eles, tentando escrever de uma forma positiva, como se dissesse: “crianças, bem vindas ao mundo, valeu a pena ter nascido!”  Esse foi e é um dos desafios que me faz manter o blog até hoje: falar da vida (e do mundo acadêmico) de uma forma positiva e bem-humorada, sem deixar de ser crítica. Haja criatividade!

6) Prática — Na real, o dia-a-dia de produzir o blog desde novembro de 2013 tem sido caótico. Não faço reunião de pauta comigo mesma, não escrevo com antecedência, não preparo tudo bonitinho no Word antes, não desenho com calma, não faço nada que mandam os manuais dos blogueiros profissionais. Sigo a intuição e reviso bastante depois. Já tentei encontrar um horário, um dia certo, um sistema, mas a vida atropela sempre. Essa semana, por exemplo, estou dando quase 20 horas de aulas presenciais (faltam 3 hoje à noite ainda). Continuo porque o processo me faz bem. Sabem a sensação de terminar uma atividade física boa? Ou a de terminar um artigo/capítulo da tese? É por aí.

Às cinco queridas leitoras que me estimularam a escrever esse post: espero ter ajudado nos planos bloguísticos de vocês! Faltaram alguns temas, mas já estou atrasada para um compromisso! Melhor feito do que perfeito, como diria a vovó Trude. Escrevam, desenhem, fotografem, publiquem, sim! O mundo agradece.

6 Coisas impossivelmente-legais-lindas-e-interessantes da semana (inclui as fontes citadas acima):

* A citação que abre o post está no artigo “Don’t Let Facebook Make You Miserable” do Seth Stephens-Davidowitz, no New York Times.

* Cheguei ao link acima através da newsletter Meio, enviada para assinantes por e-mail todos os dias às 7 da manhã (grátis).

* O texto da artista Liz Steel mencionado está aqui, aliás num blog ótimo para todos que se interessam por aquarela e diários gráficos.

* Li um artigo curtinho, com imagens lindas e interessantes, sobre a história da fotografia, na Revista da Fapesp. Vou atrás de todas as sugestões de leitura no final.

* Do antropólogo B. Malinowski, descobri na seção “reprints” da revista HAU, o simpático “Anthropology is the science of the sense of humour” (acesso gratuito).

♥ Para quem está com saudades da Alice: ela está fofa e manda beijos!

Sobre o desenho: Imagem mostrando os “bastidores” aqui de casa, feita com caneta-pincel Tombow (não sei o número porque descascou) num caderno de rascunho que deixo na sala para desenhar quando a TV está ligada.

Você acabou de ler “Os bastidores do blog“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Os bastidores do blog”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url:  http://wp.me/p42zgF-215. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Abril/2017!

Aí vai o calendário de abril/2017, com três dias de atraso, para vocês não acharem que sou certinha… Para imprimir, cliquem no .pdf ou na imagem acima (em .jpg).

Estou numa fase introspectiva, com dificuldade de levar a vida em público aqui no blog. É só um tempinho, até eu reencontrar o tom e os assuntos possíveis. Não que isso seja novidade. Desde o início, a ideia de ter um blog esbarrava na minha aversão a me expor. Já recebi perguntas engraçadas por causa disso. Um amigo virtual escreveu: “– Você existe mesmo? …porque não tem nenhuma foto sua no Facebook!” Em outra ocasião, recebi uma mensagem: “– É você que administra o seu perfil? Ou é uma assistente? Você é idosa?” Essa virou motivo de piadas até hoje aqui em casa. As crianças adoram me zoar.

Há um lado maravilhoso de receber mensagens fofas, comentários, sugestões, incentivos. Às vezes, de onde menos espero, vem alguém dizer que lê o blog: um caixa da livraria que reconhece meu nome, uma mesária na seção eleitoral do meu bairro, uma bibliotecária do outro lado da cidade. Com as pessoas mais próximas, porém, tem uma situação bem esquisita: elas estão sempre atualizadas sobre a minha vida; e eu não sei nada do que está acontecendo na delas. É muito desigual! Então, rola um momento estranho: às vezes vou contar algo, e a pessoa já sabe: “ah, eu vi no blog”. No próximo encontro, não falo nada, evitando ser repetitiva, e a pessoa vem se desculpar “ah, essa semana não tive tempo de ler o blog”!

Sim, é um probleminha de nada. Mas sou bem boa em transformar coisinhas em coisonas na minha cabeça. Quem conhece essa mania levanta a mão!

O tema do calendário de abril é uma homenagem às minhas crianças. Quase todos os dias faço pipoca na hora do lanche. Poder estar com elas, conversar, abraçar, brincar, ler, estudar, descansar, cuidar todos os dias é o que dá sentido e alegria na minha vida. Fico sem tempo para muitas outras pessoas e atividades? Sim. Mas não gostaria que fosse diferente. Eles são minha prioridade nesse momento aproveita-porque-passa-muito-rápido.

A falta de tempo só se torna um conflito quando não sabemos o que queremos. Quando fazemos algo pensando em outra coisa. Ao me ver na dúvida se “ajudo a Alice nos estudos ou escrevo o blog”, tenho tido clareza para responder: primeiro o que vem primeiro. Na minha listinha atual, a ordem é crianças, saúde/amor, trabalho, blog/desenho, outros. Nessa busca de foco, resolvi deixar as redes sociais no limbo. Por ora, ficarei conectada só aqui pelo WordPress mesmo.

Aos pós-graduandos que me lêem, aos professores e pesquisadores que estão tentando terminar “aquele artigo”, tese ou dissertação: escrever é a prioridade de vocês. Nossa energia e tempo são limitados: vale a pena fazer primeiro o que vem primeiro. O legal dessa regrinha simples é que compensa, muito.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: Pipocas feitas com caneta Pigma Micron 0,05 e coloridas com lápis de cor Faber-Castell Polychromos, de uma caixinha nova que comprei em Lisboa. São muito bons! As sombras foram feitas com caneta pincel Tombow cinza bem claro, n.95.

Update-Receita: Esqueci de deixar a receita das pipocas. Fazemos numa panela pipoqueira bem básica (daquelas que tem um mecanismo de rodar na tampa). Coloco 1 colher de sobremesa de óleo, 1 colher de sopa de manteiga, milho de pipoca até cobrir o fundo (e mais um pouquinho). Daí é só ligar o fogo alto e mexer bastante até estourar! Jogamos tudo num pote tipo bacia de cozinhar (em inox, pois os de plástico podem aquecer e soltar resíduos) e colocamos sal. Nossa bebida preferida é mate gelado — o meu puro, o deles com açúcar (por enquanto, espero).


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Felicidades possíveis

janelaakcp

“You can’t do sketches enough. Sketch everything and keep your curiosity fresh.”*
John Singer Sargent (1856 – 1925) [traduzindo:”Desenhar nunca é demais  Desenhe tudo e mantenha a sua curiosidade sempre acesa.”]

O apartamento onde moro com as crianças é fofo e antigo, mas tem uma disposição esquisita. A melhor (e maior) janela da casa não é a da sala e sim a do quarto do Antônio. Num sábado de fevereiro, achamos uma caixa perdida de lápis de cera e começamos a desenhar juntos. Saiu essa imagem, que postei no Instagram e se tornou a mais curtida do meu perfil. Conclusão: por mais que eu me esforce, o Antônio é o verdadeiro artista plástico da casa! Desenhar com ele é um aprendizado enorme, pelas cores, pela forma de olhar, pela disposição livre das proporções, por ter as possibilidades sempre fluidas. É como se ele me abrisse novas janelas diante desta.

O que me motiva na vida é seguir descobrindo visões novas, aprendendo. Por isso amo tanto ser mãe e estudar: são duas áreas que exigem altas doses de paciência, curiosidade, flexibilidade e adaptação… A recompensa material é pequena, mas a interior é infinita. ♥

Sim, este post é singelo, como definiria um amigo querido. Quis apenas falar da alegria de fazer um desenho com meu filho. Escrever sobre isso é uma forma de reafirmar e ampliar esse tipo de felicidade — possível, cotidiana, gratuita, tranquila.

Outro dia, minha mãe se espantou ao ler no meu caderninho: “dia calmo e pacífico”:
— Quem hoje em dia tem um dia “calmo e pacífico”, filha?

Achei graça, ela tinha razão, mas expliquei que isso era uma forma de valorizar as partes calmas e pacíficas da vida. Não, minha rotina não é um mar de rosas. Nos primeiros dois meses do ano, tivemos aqui em casa: um problema sério no olho (rotura de retina por stress), um assalto de celular, um arrombamento, um diagnóstico de pedra na vesícula, um tombo feio no meio da rua, várias dores de cabeça, infiltrações nos dentes e listas de coisas-a-fazer e deveres-de-casa maiores que uma montanha. Ao longo disso tudo, porém, tivemos muitos momentos felizes, de risadas, abraços, música, arte e criação compartilhada. É nestes que estou tentando focar para começar o ano letivo com otimismo e motivação.

Espero inspirar vocês a seguir nesse caminho. Pra me ajudar, retomei a rotina de andar e pegar um pouquinho de sol odos os dias. Taí uma receitinha grátis de felicidade possível.

7 Felicidades possíveis legais-bonitas-interessantes-divertidas-ou-dignas-de-nota das últimas semanas:

* A única rede social que tenho frequentado é o Instagram, onde não publico muito mas vejo artistas e ilustradores que admiro. Três mulheres que sempre me trazem alegrias: Lisa Congdon (que também tem um blog com textos ótimos), Holly Exley (que também faz vlogs no Youtube) e Gemma Corell. Preciso colocá-las na lista de inspirações do blog.

* Desde o Natal venho lendo os romances da Jane Austen. Para contextualizar, li um pequeno livrinho sobre a vida dela que é uma graça, indicado pelo blog 1pedranocaminho.wordpress.com, outra leitura frequente.

* Apesar das confusões de saúde, consegui começar março me matriculando numa academia perto de casa. Graças à dica de uma amiga, fui parar numa aula de alongamento maravilhosa. Virou a recompensa ideal depois de suar na seção bicicleta-esteira-transport. Mesmo sem academia, quem quiser se animar pode fazer aulas gratuitas no Youtube. (Aqui uma busca de aulas com músicas legais, em inglês, porque os resultados em português foram um tédio.)

* Duas leituras que me tocaram especialmente nas últimas semanas: as colunas “Duas mulheres, dois tempos” da Dorrit Harazim e a “Restos de Carnaval“, da Ana Paula Lisboa. (Me avisem se não conseguirem abrir, pois o site do Globo é sempre imprevisível.)

* Uma alegria adorável que esqueci de registrar: este blog entrou na lista da Central do Textão, um portal de blogs em português onde sempre descubro ou reencontro maravilhas para ler, como as do pioneiro Duas Fridas.

* Pacotes de livros vindos pelo correio com selos! Amo essa figurinha rara hoje em dia, como já escrevi aqui, que acabou chegando na minha casa em duas entregas recentes: uma da Estante Virtual  e outra da Associação Brasileira de Antropologia (ABA). A ABA também publicou online o livro inteiro: Trajetórias antropológicas: encontros com Gilberto Velho, organizado por Cristina Patriota de Moura e Lisabete Coradini, disponível aqui.

* Desculpem-me por soterrar vocês de links. Na verdade, uma das melhores felicidades possíveis é não clicar em nenhum deles! 😉

*Sobre a citação inicial: A frase está numa compilação feita pelo blog Making a mark, que sigo no meu Feedly.

Sobre o desenho: Observação do quarto do Antônio feita por ele e por mim com pastel oleoso num caderno A4 fino da Canson. A foto postada no Instagram está aqui.

 


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Três anos e sete coisas impossíveis

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O blog fez três anos no dia 6 de novembro. Sempre que chego nessa época de aniversário, entro em crise com a vida pública que levo aqui. Escrever e desenhar não é a parte difícil — duro é fazer isso compartilhando com todo mundo! Fora o desafio de me manter fiel à proposta de tratar apenas de temas úteis e bem-humorados… Afinal, o blog é a minha auto-terapia, lembram?  Acho que nem preciso explicar a contradição desse princípio com a época em que estamos vivendo… Com certeza vocês me entendem.

Nessas horas, entro no meu modo-de-fuga básico, lendo compulsivamente. Nas últimas quatro semanas li biografia  artística, texto de não-ficção, qualificação de mestrado, livro em edição, dezenas de trabalhos de alunos, artigos baixados no celular (para ler no metrô cheio, quando não consigo desenhar) e já estou terminando um romance.

Para sanar um pouco a falta de posts, resolvi fazer uma listinha das 7 coisas-impossíveis, que os leitores antigos do blog já conhecem e que nunca mais apareceram por aqui. (A origem dessa seção está explicada nesse post.)

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração do gato Ulisses:

* Alice fez 11 anos! A comemoração teve amigos, bolo de cenoura com chocolate, piscina, basquete e uma etapa final, só nossa: duas horas na cama vendo filme no computador com os três gatos enrolados em volta. A cena do desenho (acima à direita) foi feita há alguns meses, mas retrata bem como somos felizes juntos. Ulisses, é claro, no melhor lugar, sempre de olho para garantir que os irmãos felinos não se aproximem demais.

* Antônio (15) está aproveitando o tempo livre das férias desenhando muito e fazendo algumas experiências de imprimir adesivos e prints das suas pinturas. Na semana passada, ele montou uma barraquinha em um sarau com uma amiga e vendeu quase tudo! Precinhos de 1 a 5 reais, para se divertir, sem exploração. Consegui ganhar duas impressões que sobraram para colar na parede do meu canto de trabalho. As imagens se juntaram às outras que já tenho e são o alvo preferido das patadas do Ulisses quando ele fica indignado comigo pela falta de ração no seu potinho.

* Por falar nesse gato-karma, cansados de ouvi-lo miar na porta de entrada do apartamento, resolvemos levá-lo para pegar um sol no terraço do prédio. Só pioraram as saudades que ele sente das ruas de Lisboa… Quem poderia culpá-lo? A coisa está tão feia que uma velhinha fofa do apartamento de baixo mandou a funcionária vir nos perguntar se o gato estava doente. Não, minha senhora… é drama mesmo, a vet garantiu! Prometi levar o Ulisses para visitá-la. Depois conto pra vocês como foi.

* Alunos e suas demandas impossíveis. Professora, me dá uma carta de recomendação? Claro, eu sempre respondo. Ah, que ótimo. Vão chegar umas mensagens para você das universidades! Uma, duas, três… dezessete mensagens depois, eu me pergunto: — O que mais faz uma professora na vida a não ser enviar cartas de recomendação? O Ulisses já está preparando um post sobre isso.

* Uma das minhas melhores ações de 2016 foi aderir ao projeto Ciclo Orgânico. Estamos reciclando todos os resíduos orgânicos da casa (restos de alimentos, café, guardanapos, palito de fósforo: tudo que pode virar adubo). A aprendizagem gera algumas situações inesperadas. Na primeira semana, descemos com os resíduos no saco apropriado para a coleta. Só que não era sacola de plástico e sim de casca de batata. O material se derreteu todo e fez a maior lambança. Mas ninguém ficou triste: que esperança ter um mundo todo de produtos biodegradáveis! O único chateado com tudo isso é o Ulisses: o lixo da casa acabou. Que afronta na vida de um verdadeiro vira-latas!

* A melhor parte da vida como professora nas últimas semanas foi dar duas aulas abertas na UERJ (uma no Maracanã e a outra em Caxias). Agora ninguém me chama para falar dos meus projetos. Os convites são sempre para conversar sobre os temas da vida acadêmica que trato aqui no blog! Ok, vou lá tentar ser útil. As plateias são diversas e simpáticas, cheias de perguntas interessantes. Tento ser divertida, mas a parte que o povo dá risada é sempre a mesma: quando mostro a foto do Ulisses jogado em cima do meu computador! Estão achando graça? Ele está aceitando convites para deitar (e pular!) no teclado do notebook de vocês também. Mandem seus pedidos.

* E a única coisa hilária da semana foi este vídeo aqui (na parte mais divertida tem legenda, mas infelizmente é tudo em inglês).

Bom final-de-semana, pessoal! Obrigada pelo carinho. ❤

Sobre os desenhos: No lado esquerdo, desenho que fiz do Antônio com seu próprio caderno de desenho (um Art Book da Canson) e um estojo vermelho que ele usa, já bem velhinho. Tenho um carinho enorme por esse objeto que um dia ganhei da antropóloga Lygia Sigaud, já falecida. Na imagem do meio, plantinhas que desenhamos juntos. As duas páginas foram desenhadas com canetinha 0.2 Unipin e coloridas com aquarela num caderninho A6. No desenho mais à direita, Alice rodeada dos gatos Charlie, Ulisses e Lola, feito com o mesmo material. Os mini-botões coloridos ao redor dela são uma colagem feita com pedaços do anúncio de um atelier de costura.

PS: Desculpem o erro: para os assinantes por e-mail, o post foi sem título. Já corrigi.