Karina Kuschnir

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Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas

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Pessoas queridas, bom dia! Aí vai o calendário de agosto, uma homenagem ao nosso amor pela leitura. Não sou de ligar tanto para aniversário (dia 21), mas dessa vez resolvi desenhar algo que amo para comemorar.

Antes que eu esqueça: o .pdf para imprimir!

Os desenhos foram inspirados no livro Women who read are dangerous, que ganhei de uma amiga super generosa. ♥ A capa já apareceu aqui no blog num post anterior. As imagens internas são pinturas, desenhos e fotografias.

Não há tantas figuras de corpo inteiro, como a Marilyn Monroe lendo de biquíni, que no calendário ganhou um vestidinho (é a segunda, da esquerda pra direita, na parte de baixo). Várias pinturas de mulheres nuas aparecem no meu desenho em versões vestidas. Para a grande maioria, tive que inventar o corpo, as roupas e os bancos, cadeiras e sofás em que elas se apoiam. Também só me inspirei nas imagens em que as mulheres estavam efetivamente lendo, e não apenas com um livro nas mãos (entre essas, uma das mais lindas, é do Van Gogh). Outra adaptação foi fazer mulheres negras, que, assim como as mulheres-artistas, estão quase ausentes da obra.

Aqui vai a listinha completa das imagens que me ajudaram — para vocês poderem comparar com a versão desenhada no calendário:

Pieter Janssens Elinga – Woman Reading (1668-70)
Jean Raoux – The letter (1720)
Jean-Etienne Liotard – Marie Adelaide of France (1753)
Gustav Adolph Hennig – Girl Reading (1828)
Carl Christian Constantin Hansen – The Artist’s Sister (1826)
Sir Edward Burne-Jones – Portrait of Katie Lewis (1882-86)
Jean-Jacques Henner – Woman Reading (c.1880)
James Tissot – Stillness (s/d)
Peder Severin Kroyer – Rose Garden (1893)
Carl Larsson – Karin Reading (1904)
Vilhelm Hammershoi – Interior with a Woman Reading a Letter (1899)
Albert Marquet – Standing Female Nude (1910)
Robert Breyer – Woman Reading (1909)
Félix Vallotton – Woman with Yellow Necklace Reading (1912)
Gabriele Münter – Woman Reading (1927)
Duncan Grant – The Stove [Angelica Bell] (1936)
Vanessa Bell – Amaryllis and Henrietta (1952)
Cagnaccio di San Pietro – Portrait of Signora Vighi (1930)
Aleksandr Aleksandrovich Deineka – Young Woman with Book (1934)
Edward Hopper – Hotel Room (1931)
Theodore Miller – Lee Miller and Tanja Ramm (s/d)
Eve Arnold – Marilyn Reading Ulysses (1952)

Desses originais, minhas preferidas são as de Ducan Grant e Vanessa Bell, casal de artistas, ela irmã de Virginia Woolf. Também amei a obra de A. A. Deineka e o desenho da Gabriele Münter.

Desculpem o excesso de links! É para vocês terem um gostinho do livro… Ainda não li a introdução de Karen Joy Fowler, mas em breve conto aqui.

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Li recentemente e adorei: Mamãe & Eu & Mamãe, da Maya Angelou (Rosa dos Tempos, 2018).

♥ O que estou lendo: J-B, Debret, historiador e pintor, de Valéria Lima (Ed.Unicamp, 2007). Achei por acaso na Livraria da Travessa e estou amando. Que maravilha de trabalho! Na próxima vida quero ser historiadora da arte.

♥ Acompanhando: a ótima série no blog da Sarah Toledo sobre livros escritos por mulheres.

♥ Li no celular e adorei: a bem-humorada história do casal Kana e Mateusz Urbanowicz, artistas vivendo no Japão, ela japonesa, ele polonês: 47 mini episódios em quadradinhos, por Kana Urbanowicz.

♥ Onde tenho navegado: Public Domain Review, que manda uma simpática newsletter. Outro dia publicaram essa lindeza de obra botânica.

♥ O que amaria ganhar de aniversário: But I Really Wanted to Be an Anthropologist, da divertida Margaux Motin!

♥ Onde tenho postado — Uma das melhores coisas de julho foi ter feito a mudança de duas estantes de livros do trabalho para casa. Eram obras que há muito tempo eu queria ter mais perto. Com a ajuda do Antônio, fizemos uma enorme reorganização e separamos bastante coisa para doar. Vou postar essas doações lá no Stories do Instagram (onde também venho mostrando as prateleiras reorganizadas — vou mostrar a de mulheres em breve). Meu perfil para quem quiser acompanhar: https://www.instagram.com/karinakuschnir/

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Sobre os desenhos: Primeiro fiz um rápido esboço a lápis de todas as mulheres e livros. Depois passei canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.05 e colori com lápis-de-cor Polychromos, da Faber-Castell. Tentei usar uma paleta com poucas cores. Alguns pequenos detalhes fiz com canetinhas Pigma Micron de cores diversas. No final, sombreei com lápis-de-cor cinza e azul claro. Minhas preferidas são essas duas deitadinhas. A de cima é totalmente inventada e baseada no meu jeito de ler antes de dormir, vestindo uma calça de pijama bem velhinha que amo. A de baixo é inspirada na pose da imagem de Henner (link acima).

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Há algum tempo venho pensando no que eu poderia fazer com esses desenhos dos calendários mensais. Cheguei a pensar em redesenhá-los e imprimi-los na forma de cartões, mas quem ainda usa cartões de papel, além da minha mãezinha? O que vocês acham? Alguém gostaria de prints dessas imagens em resolução melhor? Se tiverem alguma ideia, me escrevam nos comentários ou em e-mails ou DM no Instagram.

Boa volta às aulas a tod@s!!

Você acabou de ler “Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Agosto/2018 – Mulheres que lêem são perigosas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Gx. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Julho/2018 com tintas!

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Pessoas queridas, nada como uma tarde desenhando, somada às mensagens de carinho de vocês, para restaurar meu ânimo — muito obrigada!

Aí vai o calendário de Julho/2018 e o .pdf para imprimir.

ps: Acabei de descobrir que esse é o post nº 200 do blog! ☺

Sobre o desenho: Fiz o contorno dessas caixinhas de tinta com duas canetinhas (de nanquim descartável) Pigma Micron 0.2 e 0.05. Depois pintei com lápis de cor Prismacolor, começando com uma cor simples e adicionando o número na lateral. A seguir fiz manchinhas das cores adjacentes e alguns reforços mais escuros na parte interna para transmitir profundidade. (Só pessoas obsessivas com imagens perfeitas de aquarela conseguem manter suas caixinhas limpas depois de usadas. Tem muitas no Youtube e no Instagram. Me dá a maior aflição de ver! Parece material comprado para foto…) No final, acrescentei uma pequena sombra misturando um cinza quente com azul ultramarino. Espero que imprima bem!

Tem algumas etapas do ‘making of’ no meu Instagram. Morro de preguiça de postar lá, mas a Alice me ajudou filmando. Um bom final de semana pra vocês! ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Julho/2018 com tintas!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3FF. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Junho/2018 e Bastidores do blog (2)

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Bem-vindos ao mês de junho/2018! Aqui vai o calendário em .pdf para imprimir.

Há alguns dias, o blog ultrapassou a marca das 500 mil visualizações e 300 mil visitantes. São números pequenos para o tamanho da internet, mas gigantes para mim! 😀 Para comemorar esse meio milhão de cliques, resolvi retomar alguns temas do post Bastidores do blog escrito em maio/2017, e acrescentar outros, que chegaram em comentários, em perguntas de amigos queridos ou na minha cabeça mesmo:

Quanto custa manter o blog? Tenho duas despesas anuais fixas com o blog. Desde a sua criação, pago o tema/template Yoko do WordPress (30 dólares por ano), que permite escolher fontes e cores, widgets (códigos html pré-formatados para serem utilizados na lateral) e faz ajustes automáticos para diferentes telas (celular, tablet e computador). Em janeiro/2018, passei a pagar um plano Pessoal do WordPress (48 dólares por ano) para que parassem de aparecer anúncios no rodapé dos posts.

Por que você não utiliza o endereço karinakuschnir.com? O plano Pessoal do WordPress dá direito a um domínio .com mas, por enquanto, não me sinto bem associando meu nome a um domínio comercial.

O blog está hospedado em algum servidor? Não. Utilizo a hospedagem virtual do WordPress. No ano passado, me dei conta que não tinha backup! Com ajuda da minha sobrinha, passamos todos os posts para arquivos de Word, um conjunto para cada ano. Um dia ainda pretendo imprimir tudo… mas esse dia nunca chega.

Esse é o seu primeiro blog? Sim e não… Uso a internet desde 1991. Em 1994, criei uma disciplina eletiva na PUC-Rio chamada “Comunicação e novas tecnologias”. Adorava dar esse curso que teve o apoio do RDC (prédio da informática da PUC, onde trabalhei de 1992 a 2006) para termos acesso aos laboratórios conectados à internet. Criei blogs para dar suporte a vários cursos, mas foi nos anos 2000 que ajudei a montar um blog mais complexo para a Ong Amigas do Peito. O trabalho estrutural foi feito pelo webdesigner Marcelo Torrico com quem aprendi muito. Depois disso, fiz um blog institucional e vários de apoio a projetos. Este karinakuschnir.wordpress.com foi criado em 6/11/2013 e é meu primeiro blog pessoal de verdade.

Você ganha algo com o blog? Nada, em termos financeiros. Mas posso dizer que ganho muito em termos pessoais, afetivos e profissionais. Explico. Criei o blog inspirada numa página que fiz para o caderno Prosa do jornal O Globo, a convite da editora Mànya Millen, conforme já expliquei aqui. O objetivo era simples: me obrigar a publicar um desenho e um texto uma vez por semana, com o desafio de ser algo lúdico, útil e positivo. Essa regularidade me permitiu estreitar laços com pessoas conhecidas e desconhecidas, além de trazer leitores para os meus trabalhos acadêmicos, alimentando uma rede afetiva e intelectual. Como não sou muito enturmada na vida (sou aquela que ama estar nos bastidores), o blog vem me trazendo uma sensação boa, de pertencimento. O único momento embaraçoso é quando percebo (na vida real) que as pessoas sabem detalhes da minha vida e eu não estou sabendo nada da delas!

Quanto tempo você leva para escrever e desenhar um post? Atualmente, levo cerca de 6 horas para escrever e revisar o texto de um post normal. Se for um post sobre livros ou mundo acadêmico, preciso de o dobro de tempo. Para os desenhos, depende muito. Posso levar 4 horas ou mais. Venho melhorando um pouco nessa área: já consigo começar um desenho num dia e continuar em dias diferentes. Fico feliz quando isso acontece, já que nunca tenho tantas horas livres em sequência. No mais, o que escrevi no primeiro bastidores do blog continua valendo: não tenho pauta, nem consigo produzir com antecedência, mas adoro a sensação de ter feito!

Qual é a parte mais difícil de fazer o blog? Em termos práticos, o mais difícil (e frustrante) para mim é a preparação das imagens: escanear e editar os desenhos e aquarelas. Sou autodidata. Já melhorei depois de alguns cursinhos online, mas ainda sofro. Outros desafios constantes são: inventar ilustrações para os calendários e para posts acadêmicos, encontrar assuntos novos, ter tempo para escrever e desenhar com calma, ser engraçada e manter o tom positivo diante de tanta tragédia que acontece no Brasil (nem sempre consigo). Em termos pessoais, porém, o mais difícil é encontrar um equilíbrio entre dizer a verdade e me proteger da exposição excessiva. Acho super importante falar de vulnerabilidades, mas não consigo imaginar a vida sem um pouco de privacidade.

Como você escolhe os temas dos posts? O que vem primeiro: o desenho ou o texto? A graça de fazer o blog é alternar entre esses dois pontos de partida. Às vezes, o post surge de um desenho, às vezes de uma ideia. O que mais gosto de fazer são posts sobre livros que adorei ter lido ou de aulas lúdicas que deram certo (embora ambos sejam trabalhosos). Na última semana do mês, sinto um alívio por saber que não preciso pensar num tema, já que é a época de postar o calendário. Passo 30 dias buscando ideias para ilustrar o calendário do mês seguinte. Quando leio um livro, fico na espreita, avaliando se daria um post.

Quais posts você acaba não escrevendo? Às vezes tenho ideias mirabolantes para futuros posts que, pouco depois, murcham e perdem o sentido. Tem posts que desejo muito escrever, mas não posso, seja porque ferem o objetivo do blog — falar mal da vida e de certas pessoas, por exemplo! 😉 –, seja porque são sobre assuntos que preciso guardar para publicar em forma de artigos de pesquisa. Por mais que eu já tenha me libertado, ainda preciso produzir coisas que possam ser incluídas no Lattes.

Que novidades você gostaria de trazer para o blog? Uma das coisas que está nos meus planos a curto prazo é fazer um sumário que abranja todos os posts do blog (este é o 197º). A longo prazo, adoraria publicar os posts em português e inglês, para poder ser lida pelos amigos da área do desenho de outros lugares do mundo. Isso ainda não dá, pois teria que investir um tempo enorme para melhorar meu inglês escrito e para as traduções em si.

Qual é o balanço desse último ano do blog? Minha maior conquista nesse período foi ser mais assídua nas respostas aos comentários e ter publicado quase todas as postagens semanais. Adorei ter feito dois posts pela primeira vez com a ajuda dos amigos acadêmicos de carne e osso (e não apenas de bibliografia) que foram o Doze lições para ajudar a terminar TCC, dissertação e tese… Parte 1 e Parte 2.  Além desses, meus preferidos foram o Memória visual, espaços e cotidiano – Ideia para aula lúdica (4), o Sete coisas invisíveis na vida de uma professora, o Lições de escrita com Agatha Christie – Parte 1 e Parte 2, Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? – Parte 1 e Parte 2.

Os posts mais pessoais  foram o Não Passei (2) – Janeiro foi fork! e Querido Diário. O post que mais me emocionou foi Desistindo de (quase) tudo, em função da repercussão afetiva que gerou nas pessoas e em mim (ainda não consegui responder os comentários desse, desculpem). Um dos posts mais leves e úteis, que me surpreendeu pela reação positiva, foi o Caderninho bom, bonito e barato. Além de todos os já citados, dois dos meus desenhos preferidos dos últimos meses são os dos posts Escrita Diária e Materiais – Canetinhas coloridas.

Qual o conselho você daria para quem pensa em começar um blog? Comecem! Estabeleçam alguns princípios e tentem seguir em frente. Acho que a ideia de postar semanalmente é perfeita, pois não é frequente nem espaçado demais. Se você não desenha ou produz as próprias imagens: invista nisso, tire fotos, se associe a um banco de imagens de qualidade ou utilize imagens de bases públicas, sempre dando os créditos. Por mais conteúdo que exista na internet, tem espaço para todo mundo. Vivo à procura de blogs legais para ler — mandem seus links! ♥

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Sobre o desenho: Para o calendário de junho, quis começar de um jeito que não precisasse me esforçar muito, já que semana passada fiz um desenho trabalhoso. Fiz as bolinhas com a ajuda de duas réguas de desenho geométrico, como essa que desenhei (imagem acima). Desde pequena, adoro essas réguas! Depois de fazer os círculos em tamanhos variados, com canetinha de nanquim permanente 0.2, fiz os traços internos com a mesma caneta, só que 0.05. A seguir, colori com as mesmas cores que utilizei na semana passada, com os lápis-de-cor Polychromos da Faber-Castell. O mais legal foi que a Alice me ajudou! Quando ficou pronto, vimos esse monte de “rodas” e pensamos que nosso subconsciente captou o tema do momento: caminhões, carros, gasolinas, estradas e bicicletas… ♥

ps: As rodas invadiram o dia 30 porque inicialmente eu tinha desenhado no calendário de Julho! Por sorte uma leitora querida do blog me avisou do erro. Troquei a parte interna do mês no Photoshop.

Você acabou de ler “Junho/2018 e Bastidores do blog (2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Junho/2018 e Bastidores do blog (2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3F1. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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Maio/2018 — Burra ou teimosa?

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“O pensamento encontrou-se com a eternidade
E perguntou-lhe: de onde vens?
— Se eu soubesse não seria eterna.
— Para onde vais?
— Volto para de onde venho.”
(Murilo Mendes)

Vocês também têm a sensação de que o tempo nunca é suficiente? De que, por mais que nos dediquemos, há sempre algo a fazer, ler, escrever, resolver?

Bem-vindos ao clube.

Essa semana, fui tentar aplicar uma ideia dos livros de produtividade: “foque em resolver o trabalho mais importante primeiro”. Mas… e quando o seu “trabalho mais importante” é ler e entender um texto difícil, que não acaba nunca, cujo fichamento fica quase do tamanho do original, praticamente uma tradução de trechos inteiros com ajuda de três dicionários online?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

E se, nos intervalos, você ouve a voz dos gurus de auto-ajuda dizendo “vá lá, bastam 15 minutos de foco para esvaziar uma inbox!” Mas… ao invés de responder os e-mails urgentes, você resolve tentar baixar todos os artigos que o texto que você está lendo cita. E, assim, adicionando mais e mais “textos importantes” ao seu trabalho principal?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

Se você terminou a semana sem esvaziar sua caixa de entrada, sem responder as gentilezas que te escreveram, sem marcar aquela consulta necessária, sem voltar para a ginástica, sem escrever o post atrasado, sem fazer as compras do supermercado…

Você é burra E teimosa.

Pelo menos o texto está lido e fichado, me consolo.

Bem-vindos ao balanço desse domingo, pessoas queridas!

Se vocês estão lendo esse post, é porque chegamos juntos ao final de abril.  Aqui vai o calendário de maio para imprimir em .pdf.

Meu recado final é para as pessoas do mundo acadêmico que estão se preparando para os concursos de professor nas universidades federais: muita força para vocês, pessoal!

Uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida foi me preparar para um concurso. Estudar é mais árduo do que ir lá fazer: é trabalhar todos os dias no vazio, sem garantia.

Mesmo assim, vale a pena. Tudo que vocês estão lendo será um patrimônio intelectual próprio, pra sempre. Parafraseando Murilo Mendes, estudar é quando o pensamento se encontra com a eternidade. É quando todas as palavras que os livros nos legaram voltam para conversar conosco.

Pensando bem, ter passado a semana lendo um texto grande e difícil não foi tão ruim assim, vocês concordam? Será que posso ficar só me achando teimosa e não tão burra?

Sobre a citação: Trecho de um poema de Murilo Mendes citado por Silviano Santiago na página 82 do artigo “A permanência do discurso da tradição no modernismo”, publicado no livro Ensaios Antológicos (Ed. Nova Alexandria). Agradeço ao Juva pela citação, ao me ouvir reclamar do tempo. ♥

Sobre o desenho: Flores com cores meio psicodélicas, tipo anos 1970, inspiradas no tecido de uma blusa que eu tenho. O scanner foi ingrato com o original, ora estourando, ora saturando alguns tons. Levei uma surra para chegar nesse resultado mais ou menos próximo do original. As linhas foram feitas com diversas canetinhas Pigma Micron coloridas e o restante foi colorido com lápis de cor Caran D’Ache e Prismacolor.

Você acabou de ler “Maio/2018 — Burra ou teimosa?“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Maio/2018 — Burra ou teimosa?”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ef. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Abril/2018, Frágil

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“Tem horas que é caco de vidro
Meses que é feito um grito
Tem horas que eu nem duvido
Tem dias que eu acredito.”
(Paulo Leminski)

Como criar nesse mar de sangue que vivemos no Brasil? Pensei na vida e lembrei do vidro, da beleza e da fragilidade desse material que vem da areia e vira tudo. Fiz o calendário e reencontrei o poema do Leminski. Caco, grito, dúvida, acredito.

Que dor esse país despedaçado, em que a vida da maioria da população não vale nada… Temos que seguir acreditando, protestando, achando um jeito de nos engajar, por todos que ainda estão vivos, pelas crianças que não pediram para nascer, pelos idosos que nos deram a vida, pela natureza, pelos animais, por nós. As lutas justas são muitas. Desdenhar dos que estão lutando ou ficar parado assistindo é que não dá.

Por falar nisso, hoje, dia 2/04/2018, tem o evento “Luzes para Marielle e Anderson”, às 19h. Onde você estiver, acenda uma vela ou luz, sinalizando às autoridades que não esqueceremos. Para confirmar ou se engajar em algum evento presencial, veja as opções na página Marielle Franco e compartilhe imagens e mensagens com a hashtag #LuzesParaMarielleEAnderson.

E para os pós-graduandos e professores que me escrevem, duvidando de suas escolhas: nosso trabalho tem valor sim. Fazer pesquisa, ensino e extensão com consciência, seriedade e ética para com seus interlocutores e a sociedade em geral é uma forma de contribuir para um mundo melhor, mesmo que os resultados sejam a longo prazo. Vamos continuar comparecendo, lendo, escrevendo, desenhando, pesquisando, publicando, produzindo, compartilhando — só não esqueçamos de respirar, nos abraçar e nos cuidar pelo caminho.

Força pra todos nós. Bom abril: tem feriado no Rio de Janeiro dias 21 e 23. ♥

Sobre o calendário:  Foi um desafio criar algo leve como vidro e ao mesmo tempo colorido o suficiente para escanear e imprimir. Espero que tenha dado certo. Para imprimir, abram o .pdf aqui. Desculpem o atraso!

Outros posts: Fiquei com vontade de indicar os posts “Um Matisse para Maria Eduarda” e “Mortos pelo Rio“, algumas das homenagens que escrevi às vítimas da violência na história do blog, tão atuais e antigas, sobre tudo isso.

Sobre o poema: O trecho citado é do poema “Passe a expressão“, do livro Distraídos venceremos, republicado na coletânea Toda Poesia — Paulo Leminski, pela Companhia das Letras, p.183.

Sobre o desenho: Desenhei as coisas de vidro com canetinha Pigma Micron 0,05; depois colori com lápis de cor Polychromos, da Faber-Castell e alguns Prismalo da Caran D’Ache; tudo em papel comum A4 90gr. Comecei com cores individuais, mas depois cheguei a essa mistura de verde, amarelo e rosa para dar uma certa unidade ao conjunto. No final, utilizei uma caneta pincel cinza quente (warm grey) Pitt Faber Castell para fazer as sombras embaixo dos objetos.

Você acabou de ler “Abril/2018, Frágil“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Abril/2018, Frágil”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3DN. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Março/2018 e a difícil arte de ter tempo

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Pessoas queridas, aí vai mais um calendário e o arquivo .pdf para imprimir.

Foi super difícil encontrar energia para finalizar hoje! Olhando de fora, talvez vocês pensem que faço as coisas com a maior tranquilidade… mas não! Vivo discutindo comigo mesma sobre qual trabalho priorizar, como dedicar meu tempo, como manter o blog sem atrapalhar a pesquisa, a vida em família, as leituras, os escritos e mais um monte de tarefas da vida de professora.

Meu tempo é finito, como o de vocês. A diferença é que, ao longo dos últimos anos, fui decidindo abrir mão de coisas pequenas (tipo fazer unha, ler revista e ver Tv) e de coisas grandes, como atuar numa pós-graduação. A morte do meu ex-orientador (Gilberto Velho) em 2012 foi o momento que me fez ver o quanto é crucial ter calma e dedicação para ler, escrever e preparar aulas, sem deixar de viver. Quando me sinto desolada e ansiosa (como ontem, por exemplo), agradeço meu lado cigarra — e toda a sorte que veio de graça na minha vida –, mas valorizo também o meu lado formiga e as pequenas suadas conquistas, como esse espaço aqui.

Obrigada pela companhia! Obrigada por ficarem clicando na página Calendários sempre que o mês tá acabando!! A pressão de vocês me ajuda a recarregar as baterias e encarar a folha do mês em branco. Que vocês recebam essa recarga em dobro!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Muji preta 0,25. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Caran D’Ache Swisscolor. Os potinhos são inspirados nos que tenho na minha mesa, com uma ou outra decoração extra para alegrar. Meus preferidos do desenho desse mês foram o verde água (no cantinho esquerdo), que é uma embalagem de café usada, o listradinho (que é um copo de louça portuguesa), o potinho de clipes (uma embalagem antiga de canetinhas de criança) e o estojo lilás de coraçõeszinhos, bem adolescente, mas super prático (amo embalagens transparentes). As várias canecas coloridas com frases escritas são de um projeto social da Natura e o desenho do gatinho branco (no pote verde, à direita) é da Alice! ♥

Você acabou de ler “Março/2018 e a difícil arte de ter tempo“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Março/2018 e a difícil arte de ter tempo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dn. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)

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Calendário antecipado aqui no blog significa que estou torcendo para o mês acabar. Quem já enjoou de janeiro levanta a mão!

Para imprimir, cliquem no .pdf.

O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!

Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!

Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.

Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!

Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube  explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).

Você acabou de ler “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3C7. Acesso em [dd/mm/aaaa].