Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Dezembro/2017

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Pessoas queridas, aí vai o calendário de dezembro/2017. Nem acredito que é o quinto mês de dezembro desde que comecei a postar!

A inspiração veio da chuvinha que começou a cair aqui no Rio de Janeiro. Minhas memórias de infância também são de tempo molhado na época do Natal. Como tenho saudades da casa da minha vó, que tinha um jardinzinho na frente, onde eu e meus primos brincávamos na chuva.

As cores não estão muito natalinas. A culpa é do meu caderninho atual. Posto mais imagens dele na semana que vem (e prometo aumentar as anteriores). Eu estava tão preocupada em terminar o desenho hoje que esqueci de colocar alguma imagem nos dias de Natal e Ano Novo. Só depois de escanear é que me dei conta. Daí fiz os presentinhos e os fogos num papel à parte e acrescentei no Photoshop.

Para imprimir, abram o calendário em tamanho grande em .pdf ou cliquem na imagem acima.

Bom final de semana! ☼

Sobre o desenho: As linhas do desenho do calendário foram feitas com caneta Pigma Micron azul 0,2, depois coloridas com canetas pincel Tombow (azuis) e Faber-Castell pitt brush (amarelo). Foi bem difícil chegar aos tons próximos do original porque o scanner acaba com os azuis claros e escurece os amarelos. Nessas horas eu penso “ainda bem que não sou designer”! Ou não, né? Se eu fosse, talvez não sofresse tanto com o Photoshop. Eu posso dar o passo-a-passo de como escaneio e limpo as imagens se vocês tiverem interesse. Sei que a maioria dos leitores vem aqui para os temas acadêmicos, mas se tiver alguém curioso em Photoshop-amador me avise!


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Últimas Saudades de Oxford

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** O Humor Britânico **
 Ao iniciar uma refeição, os bons hábitos mandam: na França: “Bon appetit!”; na Alemanha: “Guten appetit!”; na Itália: “Buon appetito!”; na Inglaterra: “Never mind…”

** Atendentes, garçons e que tais **
Como vocês sabem, já quase me expulsaram de um restaurante porque eu pedi “water” com sotaque americano. Agora descobri (em 2005!) um crime ainda mais hediondo: pedir “olive oil”!
— O-li-ve-oiiiil? No, I am afraid we don’t have. (resposta simpática)
— O-li-ve-oiiiil? humpf. (resposta tradicional)
Mesmo com um prato de salada verde na frente, o máximo que você vai conseguir é um pouco de sal.

** A contribuição dos fast-foods para a humanidade **
Banheiros limpos no terceiro andar!

** Palavras que vocês não vão achar no dicionário **
“Top up” – Depois de horas tentando entender a voz eletrônica do outro lado da linha, finalmente compreendi. “Top up” é colocar dinheiro via cartão de crédito na conta do telefone celular, no cartão de ligações interurbanas, na máquina de xerox etc. Coisas da vida eletrônica.
“Engaged” – Se diz também quando a linha de telefone está ocupada.

** “I thought you were a student” **
Coisa boa: pelo menos umas cinco vezes fui barrada aqui nos lugares onde só entram pesquisadores e professores porque me confundiram com uma estudante de graduação! (Bem, vá lá, só “estudante”. Graduação já é fantasia minha.) Mas depois que me dei conta disso, resolvi assumir. Nunca mais paguei ingresso de “adulto” em cinema, museu ou teatro!

** Lavando roupa em oito etapas (ou em apenas 130 minutos) **
Você logo percebe os padrões locais de limpeza quando descobre que o seu College tem uma única lavanderia comunitária de 9 metros quadrados para centenas de moradores.

Etapa 1 – Você reserva uma manhã inteira e vai para a lavanderia ver quantas das quatro máquinas estão funcionando. Na chegada, você lembra que esqueceu o cartão magnético que abre a porta. (7 minutos) Não esqueça de novo: cartão, moedas, sabão, roupa suja e sacola. (5 minutos)

Etapa 2 – Você está com sorte hoje: três máquinas estão funcionando. Só um probleminha: todas estão lotadas. Você logo aprende que seus vizinhos gostam muito de colocar a roupa na máquina e sair para dar uma voltinha de 12 horas. Quando uma das luzes apaga, você tem o direito de usar a máquina. (Espera em torno de 13 minutos)

Etapa 3 – É seu trabalho tirar e jogar a roupa molhada do vizinho em cima da máquina. A tarefa não deixa de ser interessante. Você fica conhecendo o lado “íntimo” das pessoas: as russas e suas calcinhas de sex-shop, os adolescentes e suas bermudas rasgadas, o professor  inglês e suas camisas azuis de gola branca, a nova-iorquina e seus modelitos fashion… (5 minutos, se você não parar para examinar as roupas)

Etapa 4 – Colocar sua roupa, colocar a moeda, ler as instruções três vezes, girar o botão da temperatura (que você pensa que é o botão do tempo), apertar a pré-lavagem, ligar. Ah, não esquecer o sabão. (2 ou 5 minutos) Volte para casa e marque uns 40 minutos no relógio.

Etapa 5 – Duas opções: ou você chega antes do tempo, e tem que ficar esperando a lavagem acabar; ou você chega atrasada e todas as suas roupas estão jogadas em cima da máquina (pode contar que uma meia ficou perdida em algum lugar). (10 minutos)

Etapa 6 – Com sorte, uma máquina de secar está vazia. Esta é facil: colocar moedas (até acertar a quantidade de moedas com a quantidade de roupas, é outra história…), colocar a roupa, desistir de ler as instruções, girar o botão para qualquer lado, ligar. Ouvir o vizinho resmungando porque ele quer usar três máquinas, uma para cada tipo de roupa, “porque assim não amassam muito”, ele explica. Voltar para casa. (30 minutos)

Etapa 7 – De volta à lavanderia. Cenário ideal: sua roupa estará seca e te esperando no mesmo lugar. Cenário deprimente: sua roupa ainda está molhada e jogada num canto. Cenário terrível: suas roupas encolheram! Passei pelos três… (10 minutos)

Etapa 8 – Você chega em casa e descobre que esqueceu o sabão na lavanderia! 😦

** Táxi turbinado **
Desde que cheguei, já peguei taxista grosso, enrolão, simpático, estrangeiro-que-não-sabia-o-caminho, indiferente. Mas o auge foi o último: dirigia calmamente bebendo uma cerveja!

** Sinal de que está na hora de ir embora **
Conversando com um pesquisador novato:
Ele:  “Nossa, que bom, está o maior sol!”
Você: “Ah, nem adianta. Quando a gente terminar de colocar os casacos vai estar chovendo…”

Ele: “Oba, parece uma comida gostosa!”
Você: “Nem tente. Tem gosto de chili ou de leite-sem-sal.”

Ele: “Que máximo, vamos entrar nessa livraria?”
Você: “Nem adianta, o livro mais barato vai custar 24,99 pounds. Só uns 135 reais…”

Bem, relevem… Eu devia estar um pouquinho mau-humorada nesse dia!
Como diz um cartão-postal muito procurado aqui: 

“Apart from… the weather, the food, the acommodation, the countryside, the people and the language… I’m having a great time here!”

Sobre o desenho: A imagem desse post começou a surgir na minha cabeça há alguns dias, quando planejei que o calendário de março tinha que ser com o tema “queremos chuva”! Acabou sendo um dos desenhos mais divertidos e ao mesmo tempo trabalhosos de fazer. Como sou teimosa, usei o mesmo papel ruim do post Modelos vivos ou mortos?, mas dessa vez me preparei melhor. Prendi a folha com fita crepe na bancada da pia da cozinha antes de pintá-lo com água, lápis de cor aquarelável e aquarela. Esperei que secasse até ficar só um pouco úmida e passei a ferro. Dessa vez o papel ficou quase liso! Escaneei essa base pintada e fiz os desenhos no Ipad (app AdobeIdeas) com uma canetinha Bamboo que ganhei da minha mãe <3. Depois voltei tudo para o computador, aumentei o contraste (lembram que o azul sempre fica aguado?) e “recortei” as figuras com o Photoshop. Meu plano inicial era fazer toda essa parte à mão, mas deu preguiça quando percebi que teria que organizar cada pedacinho num outro papel e ainda voltar ao scanner… O calendário fica para amanhã — desculpem o atraso carnavalesco.