Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Tese sem CEP. Será que dá tempo? (Parte 1/2)

paninho

“Não é preciso muita força para fazer coisas, mas é necessária uma grande dose de força para decidir o que fazer.” Elbert Hubbard

Volta e meia alguém me pergunta:

— Será que dá tempo de terminar minha tese até o final do ano? ou …de fazer uma pesquisa em 6 meses? ou …de escrever a qualificação de doutorado até julho?

Penso muito sobre esses tempos, de vocês e os meus. Tenho chegado à conclusão de que o primeiro passo para se ter tempo (e fazer as coisas no tempo que queremos) é decidir primeiro pra onde vamos caminhar, qual é o nosso destino — no sentido de ponto de chegada.

Gosto de começar os exercícios etnográficos com os alunos pedindo para eles me dizerem qual é o CEP do local de pesquisa. Cep é ótimo: é específico, é preciso, é um código, é um espaço onde se chega num certo tempo por algum meio.

O problema é que a gente decide, digamos, ir à casa da Maria, em Maricá. É longe e no meio do caminho vamos parando na padaria, onde encontramos um amigo querido; depois passamos na farmácia… Às vezes nos distraímos tanto que até esquecemos que estávamos indo pra casa da Maria.

Com a tese, ou com qualquer projeto de médio/longo prazo, acontece muito isso! A vida cotidiana vai entrando no meio do nosso mapa e, quando nos damos conta… Qual era mesmo o nosso destino? Como o tempo passou tão rápido?

Nossa tese não tem CEP, né? A minha pelo menos não tinha. Era um pontinho lá longe depois de quatro — que pareciam longos — anos. E de repente esses “longos” já não existiam. O prazo ficou apertado! Várias vezes eu peguei estradas laterais que saíam do roteiro.

É muito difícil se manter fiel a um destino que leva tanto tempo para chegar e que exige tanto empenho para acontecer. Hoje em dia não tenho mais tese para terminar, mas continuo achando um grande desafio saber para onde quero ir e me manter nesse caminho, isto é, investir meu tempo nesse projeto.

Por isso, concordo tanto com a frase que abre esse post: o segredo é decidir pra onde queremos ir. Essa decisão por si só é uma fonte geradora de tempo, que nos mantém na rota do nosso desejo, seja ele qual for.

[…continua!]

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico, o blog tem posts sobre como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiências… nos truques da escrita, na elaboração de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Aprendi uma comidinha nova: semente de girassol crua (ou pode ser torrada) para colocar na salada ou para comer de lanche. É uma delícia e saudável.

* Ainda com energia para organizar a casa: pendurei quadros que estavam há mais de um ano no chão e coloquei um monte de ganchinhos na parede, finalmente estreando a furadeira que ganhei em 2015 — um sonho antigo!

* Escrevi um parecer de um artigo ótimo! É tão raro isso.

* Li um artigo muito bacana sobre Checklists, publicado na New Yorker.

* Vi um vídeo super criativo sobre como posicionar pessoas num desenho.

* E a melhor de todas: hoje estou voltando a publicar um post no dia certo, quarta-feira!

Sobre o desenho: Há tempos eu queria mostrar aqui como ficam lindos os pedaços de papel toalha depois de servirem de apoio para limpar os pincéis durante uma pintura em aquarela. Esse é o que estou usando no momento! É um papel toalha especial, um pouco mais resistente, que parece um tecido e dura bastante. Só comprei uma vez, e tenho o mesmo rolo até hoje. Acho que essa imagem vai para a página de Materiais aqui do blog. Como diz o Becker, mesmo uma peça aparentemente insignificante é essencial para uma quebra-cabeça ficar completo. Sem um paninho, a pintura não existiria. Achei que era uma boa ilustração para esse tema do tempo e do caminho.

 

 


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Fevereiro/2016!

fev2016p

Aí vai o calendário de fevereiro, inspirado na combinação calor-chinelo-carnaval! (Para imprimir, segue o PDF aqui.)

Que seja de música, de dança, de trabalho ou de descanso — mas que seja um ótimo mês para todos nós!

Estou numa fase de estudar, ler e pensar sobre os caminhos a seguir. Nenhuma mudança drástica à vista; apenas a vontade de não deixar o piloto automático tomar conta da minha vida. Por coincidência li num livro essa semana:

“Não é preciso muita força para fazer coisas, mas é necessária uma grande dose de força para decidir o que fazer.” (Elbert Hubbard)

É isso que estou fazendo no momento: planos de como fazer tudo que eu quero em 2016!

 

2 Coisas impossivelmente-animadoras-maravilhosas-e-dignas-de-nota da semana passada:

* Alice está fazendo pesto para o nosso macarrão de domingo! Muito sabidinha, também está lendo O diário de Anne Frank.

* Fui selecionada como palestrante no próximo Urban Sketchers Symposium, que será em Manchester, em julho de 2016! Fiquei super feliz e honrada. Depois conto mais detalhes! Para vocês terem uma ideia sobre esse evento, escrevi sobre a edição de 2014 aquiaqui e aqui. E sobre o meu trabalho na área de antropologia e desenho, os textos estão logo no início do blog do LAU, do Laboratório de Antropologia Urbana que coordeno lá no IFCS/UFRJ.

Sobre o desenho: Para fazer os chinelinhos iguais, fiz um desenho num papel grosso (na verdade, fiz vários rascunhos até achar que um deles ficou com cara de chinelo). Daí recortei e usei de molde para riscar a lápis todos os chinelos distribuídos pelo calendário. Passei canetinha preta de nanquim tamanho S, da linha Pitt da Faber-Castell (equivalente à 0.03 das demais marcas). Pintei as litras com várias canetinhas hidrocor, seguindo a mesma sequência das cores da capa de um caderninho que tenho. Achei que o resultado ficou meio pesado, mas foi o possível hoje!

PS: Estou em busca de alguma pessoa que me ajude a melhorar o escaneamento desses calendários no Photoshop. Quem souber de algum expert que possa me dar uma aulinha particular, me avise, please, por e-mail ou por inbox no facebook! Obrigada desde já.