Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Continua, Nora!

Norab

Noralóide querida,

bons ventos trouxeram teu livro às minhas mãos na semana passada. E já vou dizendo que adorei, amei, casei! Todos os livros autobiográficos deveriam ser assim: com história, humor, emoção, aventura e um bem-vindo bom-senso. Concordo com tudo, Nora. Você me devolveu a esperança de que o humanismo faz sim muito sentido.

Meu avô também achava a maior bobagem esse papo de ser melhor do que os outros porque nasceu na Europa. Como você bem escreveu: por que se orgulhar de algo que “não passa de um acidente biológico-geográfico”? Ele adorava mesmo era ser brasileiro.

Quando eu era pequena, mas já grande o suficiente para saber do Holocausto, não entendia porque as famílias judias (ou apontadas como judias) não tinham simplesmente ido embora. Levou um tempo para o meu avô me contar que teve que fugir deixando para trás seus pais, seu irmão e muitas pessoas queridas. No caso dele, foi a única fuga possível. Não havia rota, transporte nem vistos, como você contou tão bem. Fugiram apenas os que tiveram sorte e, mais raramente, algum dinheiro.

Foi com muita emoção que li sobre a sua chegada solitária em Lisboa. Que linda imagem a das calçadas de pedras portuguesas iluminadas pelos candeeiros em contraste com o mundo escuro e bombardeado que ficou pra trás. E foi com mais emoção ainda que imaginei o navio te trazendo para a Baía de Guanabara, onde meu avô aportava dois anos antes. Quando vocês chegaram, em 1941, veja só, ele já tinha arranjado uma namorada brasileira e casado! Pode ser que, no caminho para a pensão, vocês tenham cruzado com minha vó passeando grávida da minha mãe.

Adorei cada pedacinho do seu texto — dos primeiros tempos às terras cariocas. Vi um toque gostoso de Mário de Andrade, um não-sei-o-quê que escreve rindo, sem medo das próprias fraquezas e forças. A cena da estufa explodindo é quase uma versão feliz de “O Peru de Natal”:

“Mamãe trouxe a sopa, serviu e, de repente, pum! A estufa caprichou mesmo. Lá estávamos nós que nem fantasmas após a erupção do Vesúvio de Pompéia, todos cobertos de cinzas. As sopas e o resto da mesa também, tudo em volta era um cinzume só. // Pela primeira vez, mamãe desandou a rir toda contente porque finalmente papai havia tido uma demonstração prática do que vinha acontecendo há tempos.”

E seguimos com vocês, do riso ao choro… Mesmo no meio da tragédia, nos encantamos com suas dúvidas sobre estar ou não “autorizada a se considerar adulta”. E veja a coincidência: enquanto você escrevia para a Rainha da Inglaterra pedindo ajuda, minha avó escrevia para o Getúlio Vargas para salvar a família do seu marido que não conseguia sair de Berlim. Ela até subiu de joelhos a escadaria do Palácio do Catete para pedir uma audiência! Minha bisavó alemã era como você: obstinada. Rapidinho aprendeu português, a ponto de escrever cartas lindas que hoje são um tesouro na nossa família. Infelizmente eles não conseguiram dinheiro suficiente para os vistos e “tudo-o-mais”, como você explicou tão bem.

Termino esta carta te dizendo, Nora: foi pouco! Vamos lá, você mesma admitiu no final. Tem muito mais história para escrever. Em nome de todos os seus leitores, te imploro que continue! A Zélia Gattai começou assim, lembra? Do divertido “Anarquistas Graças a Deus” para uma prateleira cheia.

Um abraço muito abraçado,

Karina

Sobre o livro: Lindo volume, numa edição caprichada, com muitas fotos e delicados desenhos da autora, além de posfácios escritos por suas filhas Laura e Cora. E tudo isso impresso em papéis criativos e fonte legível! Corram pra ler: Memórias de um lugar chamado onde, de Nora Rónai, ed. Casa da Palavra, 2014. A citação do caso da estufa está na página 85. A abertura e o final desta carta foram copiadas do Mário, claro, de Andrade, por causa de um volume que me caiu nas mãos há poucos dias: Cartas a Murilo Miranda (1934-1945), ed. Nova Fronteira, 1981. Como disse-me um amigo, ser fã de Mário exige cuidado. É um vício e não há estante que chegue… “O Peru de Natal” é um conto de Mário incluído no livro Contos Novos, de 1946. Eu ia escrever que o livro é maravilhoso e tal. Mas fica desde já definido nesse blog que Mário-de-Andrade e maravilhoso são sinônimos.

Sobre o desenho: Ilustração feita a partir de fotos do livro, com canetinha Bamboo na App Procreate no Ipad. Depois organizei no Photoshop. Quando já estava quase pronto, senti falta de algo branco. Daí surgiu a ideia do barco se sobrepondo na imagem. Achei que encaixava na travessia oceânica narrada no livro e no intenso amor da Nora pela água… (As cores foram inspiradas numa imagem que achei há tempos no Pinterest, mas, infelizmente, perdi a referência à fonte original.)


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Aprendendo a desescrever

 Sorelle

A pessoa nascida com uma autoestima mais ou menos leva uma baita vantagem na hora de escrever. Não que eu seja desse tipo, imagina! Mas aprendi com uma amiga escritora que me contou tudo o que agora relato para vocês:

1) Escrever é um pouco como morrer, desapegar. Precisa esquecer do telefone, da porta, do gato miando, da conta de luz, do almoço de amanhã. Coisa fácil para quem já tem pensamentos negativos e vontade de ficar na cama o dia inteiro… Para afastar esses devaneios, minha amiga tem um segredo: “Anoto em um caderninho e esqueço; com o tempo, aprendi a pensar menos”.

2) Quando tiver que escrever algo grande, de fôlego, minha amiga aconselha: “Deixe o resto da vida o mais sem graça possível”. É muito mais fácil abrir mão de uma vidinha insossa e pensar que tudo-será-melhor-no-texto (ou depois-do-texto). Imaginem se os “populares” têm tempo de administrar a beleza, o telefone, os convites, os amigos e ainda as próprias produções literárias?

3) “É natural para o cabeça-baixa ser um pouco cruel consigo mesmo”, afirma minha amiga escritora. Daí advém a sua facilidade de praticar um ato que costuma melhorar qualquer texto: cortar, cortar, cortar! “Atacar sem dó os advérbios e os adjetivos já te leva para lá da metade do caminho para escrever bem”, ela diz. Se forem excluídos e não fizerem falta, que descansem em paz. Se deixarem alguma lacuna, é porque falta informação; nada que um substantivo não resolva.

4) Outro corte que sempre alegra o escritor tristonho é o das palavras-muletas, aquelas que a pessoa tem mania. Minha amiga explica: “Tive um aluno que escrevia ‘destarte’ a cada três parágrafos. Quando encontrei o quinto, dei um ataque: des-car-te todos ou não te oriento mais!” A maioria das pessoas tem mania de “muito”, “mas” (eu!), “mesmo”, “bastante”, “sendo assim”, “sempre”, “nunca”…

5) O derrotado geralmente se acha comum demais, sem destaque, sem personalidade. Outra vantagem! Já imaginaram se cedesse aos chavões e aos jargões? Já basta ser joão-ninguém nessa vida, não dá para escrever igual ao que todo mundo já escreveu… Essas pragas grudam na mente e se escondem até nas linhas das melhores famílias… (Viram? Já se infiltrou um chavão aqui!)

6) Outra característica da pessoa com dificuldade na vida social é o medo de se tornar invisível. Resultado: nunca esquece de colocar um sujeito nas suas frases! Minha amiga concorda. Não aguenta ler que “essas questões não são tratadas de forma crítica…” Opa? Por quem? Pela tia Noquinha ou pelo Otavio Paz?

7) Por não se achar o tal, o escritor caidinho também nunca imagina que alguém vá concordar com ele. Então, nada de usar aquele “nós” majestático dos textos acadêmicos de antigamente. Minha amiga exemplifica: “Nosso cotidiano” não é o mesmo, “nosso ponto de vista” nunca foi, “nosso futuro” não será. O texto tem que destrinchar quem é quem nessa salada. Se houver um “nós”, que se diga direitinho quem faz parte dele.

8) E para minha amiga com baixa autoestima aprender tudo isso, como foi? “Foi sofrido”, ela diz. “Mas essa é outra vantagem de não ser o tal: sempre achamos que podemos revisar mais uma vez. E é nessas muitas revisões que os problemas do texto vão embora.”

Ah, preciso parar por aqui… Minha amiga ficou cansada da conversa. Como eu, ela passou boa parte da vida lendo livros de entrevistas com escritores. Todos os volumes famosos que saíram em português; e também a deliciosa trilogia com escritores brasileiros editada pela Edla Van Steen, uma raridade nesse meio tão masculino. E nós duas chegamos à mesma conclusão: ser meio fracassado é uma baita vantagem para aprender a limpar o seu texto, a tirar da frente tudo que atrapalha, dos pensamentos erráticos às palavras e ideias sem sentido. Ou, como disse melhor a minha amiga, é uma baita vantagem para aprender a desescrever.

Sobre o desenho: Eu queria ter colocado os novos desenhos do Antônio nesse post, mas não deu porque ele esqueceu o caderno em algum lugar… Resolvi então postar esse, feito no café Sorelle e inacabado… Como acabei gostando mais das partes incompletas (sempre desconfie de assuntos marrons!), achei que combinava com a ideia desse post, uma especie de “menos é mais” da escrita. Os materiais utilizados: canetinha Unipin 0.1, aquarela, lápis de cor e caneta branca Gelly Roll Sakura.


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Irmãos e irmãs de Shakespeare

metro passageiros turp“A maior de todas as libertações é a liberdade de pensar nas coisas em si”, disse Virginia Woolf, em 1928, numa conferência para mulheres. Vamos imaginar, ela diz, o que aconteceria “se Shakespeare tivesse tido uma irmã maravilhosamente dotada, digamos, Judith”. O irmão aprende os clássicos, latim, álgebra, torna-se um grande autor, encena para a rainha da Inglaterra. Judith não vai à escola, mal chegam-lhe os livros, aprende a cozinhar e a remendar meias; seu pai almeja um marido rico. Ela se recusa, foge de casa; quer escrever, criar, atuar! Todos riem. Desprezam a ideia de que a irmã de Shakespeare possa ter sonhos e talentos. Judith por fim descobre-se grávida de um oportunista e se mata numa noite de inverno.

Mulheres não podiam ter a genialidade dos homens naquela época, como nem hoje podem trabalhadores, humildes ou operários — perguntem ao bispo!, ironiza Virginia. Mas ela não quer esse destino.

O talento é andrógino, escreve Virginia. O artista precisa da mente livre. E a liberdade, acreditem, é uma renda modesta e um quarto com chave na porta. É o poder de contemplar e de pensar por si mesma.

É por isso que me comovem e é por isso que desenho os passageiros andróginos do metrô. Penso que são todos parecidos com Judith. Irmãos e irmãs de Shakespeare, aprisionados em seus destinos de transporte e sobrevivência. Virgínia pergunta à sua platéia se está sendo injusta. “Podemos tagarelar sobre a democracia, mas, na verdade, uma criança pobre na Inglaterra tem pouco mais esperança do que tinha o filho de um escravo ateniense de emancipar-se até a liberdade intelectual de que nascem os grandes textos. (…) A liberdade intelectual depende das coisas materiais. E as mulheres sempre foram pobres, não apenas nos últimos duzentos anos, mas desde o começo dos tempos.”

Amo em Virgina seu gosto pelos aprisionados, pelas mulheres, pelo anonimato, pelo medo de escrever, pela inteireza. Ela lembra que os bilhões de seres humanos um dia foram gerados, alimentados e criados por suas mães. Ela chama de poetas todas as Judiths que não podem estar na sua platéia porque “estão em casa lavando a louça e pondo os filhos para dormir”. E nos convida a lutar, mesmo na pobreza e na obscuridade, para que um dia a irmã de Shakespeare nasça, viva e escreva sua poesia.

Foi pensando nesse texto de Virginia Woolf, que tanto impactou a minha vida de leitora, que trouxe esse desenho com os passageiros do metrô, os tranquilos e os cansados, os idosos e os leitores, os pais e as mães com seus filhos no colo. São mulheres que acordaram sem vontade de acordar, são funcionárias aflitas, professoras desanimadas, homens de olhar perdido, jovens entusiasmados ouvindo música. Eles me fazem companhia todos os dias; e me lembram de ser humilde, de que sou apenas mais uma nesse vagão.

Sobre o desenho: Fiz os passageiros a partir da observação direta, nos vagões do metrô entre as estações Botafogo e Uruguaiana, ao longo de seis páginas (uns dez dias) em um caderninho cinza, com caneta nanquim 0.1 mm ou 0.4 mm. Hoje escaneei as imagens e alinhei os diferentes tamanhos com a ajuda de um cut&paste no Photoshop (onde também joguei uma tinta meio cinza azulada em tudo). Tinha pensado em redesenhar cada uma das figurinhas para deixá-las uniformes e icônicas, mas depois resolvi que era mais congruente com o texto manter as imperfeições.

Sobre o texto citado: livro de Virginia Woolf, Um teto todo seu (ed. Nova Fronteira, 1985, tradução de Vera Ribeiro.) A publicação original é de 1929 e tem um título lindo: A room of one’s own. Li pela primeira vez esse livro em Belém (PA) numa versão xerox tirada na biblioteca da Uerj no início dos anos 1990. Em 2004, felizmente a Nova Fronteira lançou uma nova edição que comprei para dar de presente para todas as minhas amigas que ainda não tinham!


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A Bolsa Amarela

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“Minha semana de castigo foi ótima: escrevi à vontade – tudo que passava na minha cabeça, e tudo que acontecia na bolsa amarela.”

(Raquel, aos dez anos, heroína de “A Bolsa Amarela”, livro de Lygia Bojunga Nunes, publicado pela editora Agir em 1976, com ilustrações de Marie Louise Nery. Hoje o livro é editado pela Casa Lygia Bojunga.)

Quando eu era pequena, queria me chamar Karina Herrmann Kuschnir. Herrmann é o nome de família da minha mãe; a mesma mãe que quis me registrar só Karina Kuschnir porque “tinha trauma de nome grande”. Não acredito muito… acho que era coisa de querer agradar o meu pai.

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Lembrei dessa história porque só outro dia (2/11/2013) tive coragem de reler A Bolsa Amarela. E lá estava na guarda do livro: Karina H. Kuschnir, escrito com minha letra provavelmente aos nove ou dez anos. Era preciso “coragem” porque eu não queria perder a magia de pensar na Bolsa Amarela como o livro-que-marcou-a-minha-vida de criança.

Reli cada palavra e a sensação foi de pleno reencontro, com o livro e comigo mesma. Tudo estava no lugar. A Raquel e eu tendo as mesmas vontades, sofrendo com o peso do mundo, escrevendo cartas para amigos imaginários, inventando histórias, desejando ter nascido diferente. A história começa assim:

“Eu tenho que achar um lugar pra esconder as minhas vontades. Não digo vontade magra, pequenininha, que nem tomar sorvete a toda hora, dar sumiço da aula de matemática, comprar um sapato novo que não aguento mais ver o meu.  Vontade assim todo o mundo pode ver, não tô ligando a mínima. Mas as outras – as três que de repente vão crescendo e engordando toda a vida – ah, essas eu não quero mais mostrar. De jeito nenhum. Não sei qual das três me enrola mais. Às vezes acho que é a vontade de crescer de uma vez e deixar de ser criança. Outra hora acho que é a vontade de ter nascido garoto em vez de menina. Mas hoje tô achando que é a vontade de escrever.”

Vontade de crescer, de ser menino, de escrever. Na minha bolsa amarela, ainda tinha a vontade de desenhar, que não pesava muito, porque todo mundo acha normal criança ter esse tipo de vontade – só passou a ficar esquisita quando fui crescendo.gatinho

“O mundo dão voltas”, diz o meu namorado, fazendo graça ou citando a avó do Ed Motta, não sei bem. Trinta e seis anos depois, resolvi dar uma voltinha com A Bolsa Amarela, pensando no óbvio: “a vida é curta”. Tá na hora de ser mais inteira, mais em paz comigo mesma, de ter uma bolsa mais leve. Alguma coisa me dizia que a Raquel podia me ajudar. Ela conta que vontade não realizada fica gorda, pesada e dá uma vergonha danada na pessoa.

A mágica da Lygia Bojunga é nunca ter medo de levar essas perguntas a sério. As personagens dela – crianças, bichos, coisas e até adultos, às vezes – estão o tempo todo pensando, pensando, pensando pra valer. Sozinhas ou com os amigos, nascem com sede de se interrogar sobre o mundo, sobre si, sobre os outros, sempre. (Num contexto de ditadura militar, como o do Brasil da época, lutar por liberdade de pensamento não era fácil. Hoje, mesmo com inimigos menos óbvios, nem por isso a causa está ganha, vide tudo-o-que-está-acontecendo.) raquelgalo

Como muitas heroínas, a Raquel já nasce com um poder especial: ela sabe das suas vontades.  Isso não é pouco. A maioria de nós tem uma lista imensa de vontades na bolsa, e tem uma dificuldade enorme de escolher as que realmente importam. É difícil separar aquelas que tem a ver com os problemas graves do mundo – ai, um pouco menos de desigualdade por favor – e as que tem a ver com os problemas do nosso cotidiano – ai, um pouco mais de dinheiro no meu salário – daquelas que dizem respeito à nossa existência humana: “Quem eu sou? Por que viver? Para onde vou?”  

Crescer, ser menino, escrever: como a Raquel se entende com essas vontades? A paz com as duas primeiras chega aos poucos, conforme ela vai vendo que criança pode ser levada a sério, que menina pode gostar de jogar bola sem precisar deixar-de-ser-menina, que casa de família não precisa ter chefe mandando criança ficar quieta, que ser bonitinha não é objetivo de vida, que desamarrar pensamento é difícil, mas possível.

Ao vê-la soltar as vontades de crescer e de ser menino na praia, feito papel de pipa, bem fino e levinho, seu amigo Galo pergunta: “– E a tua vontade de escrever?” Ela diz: “–  Ah, essa eu não vou soltar. Mas sabe? Ela não pesa mais nada: agora eu escrevo tudo que eu quero, ela não tem tempo de engordar”.

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Sobre as ilustrações deste post: o livro foi desenhado por mim num caderno comum, com caneta de nanquim permanente 0.2, e depois colorido com lápis de cor. As demais ilustrações são cópias feitas à mão dos desenhos de Marie Louise Nery, com ajuda da app Adobe Ideas, no Ipad, com uma caneta eletrônica Bamboo.