Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Maio/2019 – Nuvens

mai2019_pEssa semana minha grande inspiração foi o maravilhoso filme Pimenta nos Olhos da Andréa Barbosa e da Fernanda Matos sobre a região dos Pimentas, em Guarulhos-SP. É sobre jovens, redes, cidade, arte e conexões entre pessoas que acreditam no conhecimento. Fruto de um trabalho fantástico de ensino, pesquisa e extensão, coordenado pela Andréa e seu Visurb (Grupo de Pesquisas Visuais e Urbanas/UNIFESP) em parceria com o Lisa (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia/USP). Que orgulho da vida universitária e das Ciências Sociais!

Como diz o Fabinho, um dos personagens do filme:

“quando eu terminar minha faculdade (…) eu vou sair pelo Brasil todo (…) passando tudo que eu sei para todo mundo, sem distinguir cor, raça, etnia. Eu tenho essa visão. Antes, o meu objetivo era conquistar algo — ter uma casa, um carro bom. Hoje, não mais. Hoje, meu objetivo, que vi [aprendi] através de professores e artistas, é passar conhecimento. Eu acho que esse é um bem que ninguém pode tirar de você.”

Quando eu tinha 19 anos, tive uma fase de sonhar que voava! Eram sonhos mágicos, de liberdade, de fazer planos e de ter esperança. Tenho saudades.

Mas o filme sobre o Pimentas me renovou esse espaço de imaginação, sensibilidade e criatividade. Espero que seja uma inspiração para vocês também.

Força a todos que estão precisando. Que possamos ter mais descanso, água, sonho, saúde, comida, amigos, bichos, plantas, livros, escritas, desenhos, música, arte, amor.

E que no meio de tudo isso não esqueçamos nem por um momento do que hoje nos parece mais distante e difícil de alcançar: Justiça.

Maio/2019 para imprimir aqui: arquivo em .pdf!

Sobre o desenho: Calendário padrão do mês impresso e depois colorido com vários tons de azul do lápis de cor Polychromos da Faber-Castell.

Você acabou de ler “Maio/2019 – Nuvens“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Maio/2019 – Nuvens”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Kg. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Tem uma esperança ali

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“Aqui em casa pousou uma esperança.” (Clarice Lispector)

Já fiz 35 sessões de fisioterapia no ombro esse ano, o que significa ficar conectada em maquininhas com nomes de ficção científica: microondas, laser, ultrassom, corrente galvânica. Os fisioterapeutas apertam botões, colocam fios ou, no máximo, deslizam as ferramentas sobre o local afetado. Na sala de espera cheia, todos parecem conformados e até um pouquinho felizes, já que é o plano de saúde que paga.

Há duas semanas, me puseram pela primeira vez na “GAL”, apelido de corrente galvânica. Segundo me explicaram, faz um aquecimento tão profundo que “você não sente nada”. São vinte minutos da pessoa espremida numa cadeira pequena, com o ombro cheio de fita crepe, sentindo nada. Nada. Quando vem um pequeno choque, e você pensa “que bom, vou melhorar”, logo apertam um botão e tudo volta ao zero. Eu costumava ler, mas não dá nem para segurar um livro sem acotovelar a vizinha. As pessoas com dores são muitas.

Como diz o povo, “cabeça vazia, oficina do diabo”. Olhei pro lado. Logo à minha esquerda havia uma sala, mais reservada, onde os doentes estavam recebendo massagens. Massagens de verdade, com mãos humanas, óleos, cremes! Por que eu estava condenada àqueles fios? A inveja é horrível.

Essa semana, porém, o fisioterapeuta-chefe me disse: você vai para a “Cinesio”! Opa, Cinesioterapia? Será o paraíso-das-massagens?

No dia seguinte, chego às 7:45 da manhã, pronta pro sonho. Chamam meu nome e me indicam uma maca: “pode deitar”. Mal comecei e o fisioterapeuta me corrigiu: “é de barriga para cima”. Puxa… Pelo menos estou deitada. Já é um progresso depois de 33 dias em cadeiras duras. Ele manda eu levantar o braço até onde sinto dor, nas três direções. Depois aperta, puxa, sacode um pouquinho, solta. Repete. Manda eu mexer de novo. Repete. Fim. Duas macas à minha direita, uma senhora geme de prazer com os apertos nas costas; à esquerda, mais outra.

Já sem esperanças de massagem ou cura, puxo conversa com o fisioterapeuta que ama samba. Pergunto se na faculdade ensinam a lidar com as reclamações dos pacientes:

— Como vocês mantêm o espírito tão positivo em meio a tanta dor?

— A gente sabe que o mal-estar é passageiro; que a pessoa vai ficar bem.

— Quer dizer que você acredita que todo mundo vai melhorar?

— Sim. Quase sempre, sim. Mas a pessoa tem que acreditar também.

Como disse um amiga ontem: “tem uma esperança ali”. Ela falava sobre tudo que há de bom na universidade: ensino, relações positivas com os alunos, nossos amados livros, debates, aprendizados, trocas…

Talvez nesse ambiente possamos todos aprender com o fisioterapeuta simpático: bora acreditar, cuidar e curar. ♥

Sobre a citação: A epígrafe de Clarice Lispector é do conto “Uma esperança“. Os diários da semana passada me lembraram das leituras de escola.

Infinitas coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-esperança:
Não tenho colocado muitos links aqui no blog para não sobrecarregar vocês de informação, mas acho que esses valem a pena:

* Google Arts and Culture – Já conhecem? É uma página de arte e cultura que mostra conjuntos temáticos de imagens, textos e filmes, além de apresentar os Museus e Instituições culturais que permitem uma visita interna, tipo “Google street view” só que por dentro de um prédio de exposições. A pesquisa pode ser por palavra chave ou simplesmente por tipo de material (por exemplo, tecido), cor, suporte, técnica etc. Tudo isso sem anúncios! Essa página tem sido minha navegação preferida, ao invés das redes sociais. Há conteúdo em português também. Algumas sugestões para vocês:

* No mundo da miçanga – exposição do Museu do Índio, organizada por Els Lagrou e Marco Antônio Gonçalves.

* Panos e tapas – um fantástico conjunto dentro do Museu Afro Brasil

* Mulheres na Índia – histórias e imagens incríveis, com dezenas de links, como este.

* As aparências enganam – sobre o guarda-roupa de Frida Khalo, do Museu Frida Khalo.

* Civil Rights Photography e muitas histórias maravilhosas no tema Black History.

Sobre a imagem que abre o post: Verdes de aquarela, todos partindo de um amarelo da Schmincke que ganhei de brinde (por isso não sei exatamente qual é o nome), misturado com todos os azuis da minha paleta. Feitos no verso de um bloco de papel Canson XL Mix Media (de espiral e capa azul marinho).

Desculpem a demora pelo post da semana. Graças à Net, fiquei com uma internet intermitente (perto de zero) por vários dias essa semana…

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Tem uma esperança ali”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3E7. Acesso em [dd/mm/aaaa].