Karina Kuschnir

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A importância de não ser perfeito

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Bom dia! Meu desejo para todos nós hoje é simples: ânimo! Um monte de cor para quem acordou melancólico e para quem acordou alegre e bem disposto. A humanidade, apesar de tudo, está vivendo mais e melhor.* Não podemos nos esquecer disso. Força para todos que estão aflitos com qualquer coisa — da vida cotidiana e das injustiças sociais, aos prazos para escrever trabalhos, projetos, dissertações, teses e artigos. Estou nesse barco também.

Nunca é demais lembrar que muita perfeição atrapalha. Como escreveu Oscar Wilde nesse diálogo:

— A senhorita é absolutamente perfeita, senhorita Fairfax.
— Ah, Espero não ser. Assim não haveria espaço para desenvolvimento, e eu pretendo me desenvolver em muitas direções.

E nada como rir de si mesmo, como nos lembram as frases de Lorde Goring, outro personagem de Wilde:

— Que pena que não me atrasei mais então. Gosto que sintam minha falta.
— [Meus defeitos] são terríveis! Quando penso neles à noite, durmo na mesma hora.
— Eu adoro falar sobre coisa nenhuma, meu pai. É o único assunto sobre o qual sei alguma coisa.
— Sempre distribuo bons conselhos. É a única coisa que se pode fazer com eles. Nunca têm serventia alguma para nós próprios.
— Tudo é perigoso, meu caro amigo. Se não fosse assim, a vida não valeria a pena…
— A vida nunca é justa, Robert.
— Sempre vale a pena perguntar, embora nem sempre valha a pena responder.
— …existe uma moda para passados, assim como existe uma moda para vestidos.
— Ah, a verdade é uma coisa da qual eu me livro assim que possível. O que é um péssimo hábito, aliás.
— É o amor, e não a filosofia alemã, a verdadeira explicação para este mundo, qualquer que seja a explicação para o outro. […] Mas já passa das sete, meu pai, e o médico diz que não posso ter nenhuma conversa série depois das sete.

Bom trabalho para todos nós!

3 Coisas impossivelmente-animadoras-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Hans Rosling mostra os avanços na vida humana em 200 países, por 200 anos, em 4 minutos: https://youtu.be/jbkSRLYSojo

* A artista Eva Furnari tem um site maravilhoso e fala de sua carreira e dos seus desenhos nesse mini-doc (20min.) produzido pelo site Esconderijos do Tempo: https://youtu.be/Fwv3zaDhpNc. Eu estava guardando esse link para fazer um post inteiro sobre ela, mas não resisto a compartilhar logo essa lindeza com vocês. Os personagens de Eva são perfeitamente imperfeitos!

* E para quem acompanha a carreira musical da Alice: já temos uma violonista tocando Bob Dylan em casa! 🙂

Sobre os trechos de Oscar Wilde: O primeiro diálogo é entre Jack e Gwendolen, personagens da peça “A importância de ser prudente”. As falas de Lorde Goring estão na peça “Um marido ideal”. Os trechos foram tirados de “Oscar Wilde — A importância de ser prudente e outras peças”, traduzido por Sônia Moreira, com introdução e notas de Richard Allen Cave, para a editora Penguin/Companhia das Letras. Esse volume é uma pequena joia para qualquer biblioteca. Merece ser lido da introdução até a última notinha na página 415. Lá, o editor cita um trecho excluído por Wilde: Jack perguntando ao seu interlocutor se seu nome é Grubsby ou Parker. E ouve: “– Sou ambos, senhor. Sou Gribsby quando estou tratando de assuntos desagradáveis e Parker em ocasiões de natureza menos grave.” Jack responde: “– Na próxima vez que o encontrar, espero que o senhor seja Parker.”

Acho que todos nós temos esses lados, concordam? Espero na próxima semana voltar aqui mais Karina e menos Kuschnir!

Sobre o desenho: Brincadeira de aquarela com as misturas que fui encontrando no meu godê. Minha regra foi trabalhar cada bolinha com tons claros e escuros da mesma cor, tentando fugir das combinações que costumo utilizar. A ideia surgiu do aprendizado de desenhar o calendário de setembro, com nuances apenas em azul. O resultado, principalmente ao vivo, é cheio de imperfeições. As bolinhas não são bem redondas e os traços não estão uniformes… mas, como vocês já sabem, meu lema é o da vovó Trude e do vovô Steinbeck: “feito é melhor que o perfeito”.