Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Junho/2018 e Bastidores do blog (2)

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Bem-vindos ao mês de junho/2018! Aqui vai o calendário em .pdf para imprimir.

Há alguns dias, o blog ultrapassou a marca das 500 mil visualizações e 300 mil visitantes. São números pequenos para o tamanho da internet, mas gigantes para mim! 😀 Para comemorar esse meio milhão de cliques, resolvi retomar alguns temas do post Bastidores do blog escrito em maio/2017, e acrescentar outros, que chegaram em comentários, em perguntas de amigos queridos ou na minha cabeça mesmo:

Quanto custa manter o blog? Tenho duas despesas anuais fixas com o blog. Desde a sua criação, pago o tema/template Yoko do WordPress (30 dólares por ano), que permite escolher fontes e cores, widgets (códigos html pré-formatados para serem utilizados na lateral) e faz ajustes automáticos para diferentes telas (celular, tablet e computador). Em janeiro/2018, passei a pagar um plano Pessoal do WordPress (48 dólares por ano) para que parassem de aparecer anúncios no rodapé dos posts.

Por que você não utiliza o endereço karinakuschnir.com? O plano Pessoal do WordPress dá direito a um domínio .com mas, por enquanto, não me sinto bem associando meu nome a um domínio comercial.

O blog está hospedado em algum servidor? Não. Utilizo a hospedagem virtual do WordPress. No ano passado, me dei conta que não tinha backup! Com ajuda da minha sobrinha, passamos todos os posts para arquivos de Word, um conjunto para cada ano. Um dia ainda pretendo imprimir tudo… mas esse dia nunca chega.

Esse é o seu primeiro blog? Sim e não… Uso a internet desde 1991. Em 1994, criei uma disciplina eletiva na PUC-Rio chamada “Comunicação e novas tecnologias”. Adorava dar esse curso que teve o apoio do RDC (prédio da informática da PUC, onde trabalhei de 1992 a 2006) para termos acesso aos laboratórios conectados à internet. Criei blogs para dar suporte a vários cursos, mas foi nos anos 2000 que ajudei a montar um blog mais complexo para a Ong Amigas do Peito. O trabalho estrutural foi feito pelo webdesigner Marcelo Torrico com quem aprendi muito. Depois disso, fiz um blog institucional e vários de apoio a projetos. Este karinakuschnir.wordpress.com foi criado em 6/11/2013 e é meu primeiro blog pessoal de verdade.

Você ganha algo com o blog? Nada, em termos financeiros. Mas posso dizer que ganho muito em termos pessoais, afetivos e profissionais. Explico. Criei o blog inspirada numa página que fiz para o caderno Prosa do jornal O Globo, a convite da editora Mànya Millen, conforme já expliquei aqui. O objetivo era simples: me obrigar a publicar um desenho e um texto uma vez por semana, com o desafio de ser algo lúdico, útil e positivo. Essa regularidade me permitiu estreitar laços com pessoas conhecidas e desconhecidas, além de trazer leitores para os meus trabalhos acadêmicos, alimentando uma rede afetiva e intelectual. Como não sou muito enturmada na vida (sou aquela que ama estar nos bastidores), o blog vem me trazendo uma sensação boa, de pertencimento. O único momento embaraçoso é quando percebo (na vida real) que as pessoas sabem detalhes da minha vida e eu não estou sabendo nada da delas!

Quanto tempo você leva para escrever e desenhar um post? Atualmente, levo cerca de 6 horas para escrever e revisar o texto de um post normal. Se for um post sobre livros ou mundo acadêmico, preciso de o dobro de tempo. Para os desenhos, depende muito. Posso levar 4 horas ou mais. Venho melhorando um pouco nessa área: já consigo começar um desenho num dia e continuar em dias diferentes. Fico feliz quando isso acontece, já que nunca tenho tantas horas livres em sequência. No mais, o que escrevi no primeiro bastidores do blog continua valendo: não tenho pauta, nem consigo produzir com antecedência, mas adoro a sensação de ter feito!

Qual é a parte mais difícil de fazer o blog? Em termos práticos, o mais difícil (e frustrante) para mim é a preparação das imagens: escanear e editar os desenhos e aquarelas. Sou autodidata. Já melhorei depois de alguns cursinhos online, mas ainda sofro. Outros desafios constantes são: inventar ilustrações para os calendários e para posts acadêmicos, encontrar assuntos novos, ter tempo para escrever e desenhar com calma, ser engraçada e manter o tom positivo diante de tanta tragédia que acontece no Brasil (nem sempre consigo). Em termos pessoais, porém, o mais difícil é encontrar um equilíbrio entre dizer a verdade e me proteger da exposição excessiva. Acho super importante falar de vulnerabilidades, mas não consigo imaginar a vida sem um pouco de privacidade.

Como você escolhe os temas dos posts? O que vem primeiro: o desenho ou o texto? A graça de fazer o blog é alternar entre esses dois pontos de partida. Às vezes, o post surge de um desenho, às vezes de uma ideia. O que mais gosto de fazer são posts sobre livros que adorei ter lido ou de aulas lúdicas que deram certo (embora ambos sejam trabalhosos). Na última semana do mês, sinto um alívio por saber que não preciso pensar num tema, já que é a época de postar o calendário. Passo 30 dias buscando ideias para ilustrar o calendário do mês seguinte. Quando leio um livro, fico na espreita, avaliando se daria um post.

Quais posts você acaba não escrevendo? Às vezes tenho ideias mirabolantes para futuros posts que, pouco depois, murcham e perdem o sentido. Tem posts que desejo muito escrever, mas não posso, seja porque ferem o objetivo do blog — falar mal da vida e de certas pessoas, por exemplo! 😉 –, seja porque são sobre assuntos que preciso guardar para publicar em forma de artigos de pesquisa. Por mais que eu já tenha me libertado, ainda preciso produzir coisas que possam ser incluídas no Lattes.

Que novidades você gostaria de trazer para o blog? Uma das coisas que está nos meus planos a curto prazo é fazer um sumário que abranja todos os posts do blog (este é o 197º). A longo prazo, adoraria publicar os posts em português e inglês, para poder ser lida pelos amigos da área do desenho de outros lugares do mundo. Isso ainda não dá, pois teria que investir um tempo enorme para melhorar meu inglês escrito e para as traduções em si.

Qual é o balanço desse último ano do blog? Minha maior conquista nesse período foi ser mais assídua nas respostas aos comentários e ter publicado quase todas as postagens semanais. Adorei ter feito dois posts pela primeira vez com a ajuda dos amigos acadêmicos de carne e osso (e não apenas de bibliografia) que foram o Doze lições para ajudar a terminar TCC, dissertação e tese… Parte 1 e Parte 2.  Além desses, meus preferidos foram o Memória visual, espaços e cotidiano – Ideia para aula lúdica (4), o Sete coisas invisíveis na vida de uma professora, o Lições de escrita com Agatha Christie – Parte 1 e Parte 2, Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese? – Parte 1 e Parte 2.

Os posts mais pessoais  foram o Não Passei (2) – Janeiro foi fork! e Querido Diário. O post que mais me emocionou foi Desistindo de (quase) tudo, em função da repercussão afetiva que gerou nas pessoas e em mim (ainda não consegui responder os comentários desse, desculpem). Um dos posts mais leves e úteis, que me surpreendeu pela reação positiva, foi o Caderninho bom, bonito e barato. Além de todos os já citados, dois dos meus desenhos preferidos dos últimos meses são os dos posts Escrita Diária e Materiais – Canetinhas coloridas.

Qual o conselho você daria para quem pensa em começar um blog? Comecem! Estabeleçam alguns princípios e tentem seguir em frente. Acho que a ideia de postar semanalmente é perfeita, pois não é frequente nem espaçado demais. Se você não desenha ou produz as próprias imagens: invista nisso, tire fotos, se associe a um banco de imagens de qualidade ou utilize imagens de bases públicas, sempre dando os créditos. Por mais conteúdo que exista na internet, tem espaço para todo mundo. Vivo à procura de blogs legais para ler — mandem seus links! ♥

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Sobre o desenho: Para o calendário de junho, quis começar de um jeito que não precisasse me esforçar muito, já que semana passada fiz um desenho trabalhoso. Fiz as bolinhas com a ajuda de duas réguas de desenho geométrico, como essa que desenhei (imagem acima). Desde pequena, adoro essas réguas! Depois de fazer os círculos em tamanhos variados, com canetinha de nanquim permanente 0.2, fiz os traços internos com a mesma caneta, só que 0.05. A seguir, colori com as mesmas cores que utilizei na semana passada, com os lápis-de-cor Polychromos da Faber-Castell. O mais legal foi que a Alice me ajudou! Quando ficou pronto, vimos esse monte de “rodas” e pensamos que nosso subconsciente captou o tema do momento: caminhões, carros, gasolinas, estradas e bicicletas… ♥

ps: As rodas invadiram o dia 30 porque inicialmente eu tinha desenhado no calendário de Julho! Por sorte uma leitora querida do blog me avisou do erro. Troquei a parte interna do mês no Photoshop.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Junho/2018 e Bastidores do blog (2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3F1. Acesso em [dd/mm/aaaa].

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Permissão para acreditar

saudecrianca_p.jpgSabe aquele desânimo com tudo? A sensação de que nadamos, nadamos e nada de bom acontece? Convido vocês a fazerem uma pausa. Podem acreditar: existem pessoas que pensam grande, que abraçam famílias inteiras em situação vulnerável, que têm projetos de aconchego e crescimento.

A Associação Saúde Criança é assim. Acredita que o mundo só será saudável quando todas as pessoas tiverem as mesmas oportunidades e direitos. Acredita que saúde se alcança dentro e fora do hospital, com tratamentos e tecnologia, mas também com famílias que possam se sustentar e ser socialmente felizes.

Conheci o projeto através da minha família, que apadrinhou duas crianças com doenças crônicas atendidas pelo Saúde Criança. Em 2015, tive a felicidade de ver de perto o apoio às famílias com filhos em tratamento oncológico. O desenho para a campanha “Câncer infantil tem cura: diagnóstico precoce salva vidas” foi uma ação voluntária que me trouxe muita alegria, emoção e, sobretudo, humildade. Minha contribuição era tão pequena perto do trabalho diário gigantesco dos que se envolvem no Saúde Criança para mudar a vida das famílias de quem passa por lá, do bebê aos irmãos, da mãe, do pai, dos cuidadores, da madrinha, do vô e da vó.

Convido vocês a conhecerem, se envolverem e doarem!

Aqui no Rio de Janeiro, estamos recolhendo doações de roupas de crianças de zero a 12 anos, além de cobertores, casacos e acessórios de inverno. Basta mandar uma mensagem para a Vera no (21) 98131-0108, por Whatsapp.

Quem preferir, pode doar diretamente na sede da Associação Saúde Criança, na Rua das Palmeiras, 65 – Botafogo, tel. (21) 2286-9988, ou em alguma das outras sedes (Gávea, Ilha do Governador e Petrópolis no RJ; e Porto Alegre-RS).

Para contribuir de outra forma, conheçam as histórias das famílias atendidas no projeto Transforme uma Realidade (com doações do tipo Benfeitoria), além de outras doações possíveis e do trabalho como voluntário(a).

Para saber mais sobre a Associação Saúde Criança: uma entrevista na revista Trip com sua fundadora Vera Cordeiro, um vídeo no Bom Dia Brasil e outro sobre os 20 anos da ong no programa Fátima Bernardes. As informações completas, sobre todas as esferas do projeto, estão na página Saudecrianca.org. Nas redes sociais, tem o perfil SaudeCriancaBrasil no Facebook e o @SaudeCriança no Instagram.

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Sobre o desenho: Juntei roupas que tinha aqui em casa para fazer um desenho de obervação. Tive que subir no armário de guardados e resgatar algumas peças das crianças. Achei um casaquinho e um gorro de tricô colorido (da marca brasileira PUC) que foi super usado pela Alice. Deu uma saudade imensa de quando ela era bebê!

Primeiro fiz um esboço com lápis grafite HB no verso de uma folha do bloco XL Canson Mix-Media. (Ufa, última folha desse bloco de que não gostei muito, mas que utilizei até o final.) Depois retracei os contornos principais com caneta de nanquim permanente descartável Pigma Micron Sakura 0.4. Os detalhes internos e as texturas de cada peça foram desenhadas com a mesma caneta, só que com espessura de ponta 0.05. Para os escritos laterais, utilizei uma 0.2. O contorno da palavra “Doações” foi feito com uma Pigma Micron 0.05 colorida (não achei número nem nome, mas é no tom “sanguínea”, que também se chama de “Sienna queimada” ou nossa velha e boa “cor de tijolo”). A palavra “Saúde” foi feita com várias Pigma Microns coloridas e uma esferográfica Pentel R.S.V.P. med. para a cor turquesa.

Meu plano inicial era pintar o desenho principal com aquarela. No entanto, diante da quantidade de detalhes, achei melhor utilizar os lápis de cor. Aproveitei para usar os Polychromos da Faber-Castell que comprei em janeiro/2017 — amo tanto que me arrependi de não ter investido em um conjunto com mais cores!.

Como o casaco da Alice seria o destaque no desenho, resolvi começar por ele e acabei utilizando a mesma paleta em todo o restante. A cor do título tem um nome lindo: “Pompeian Red”. O resultado ao vivo ficou, como sempre, bem mais leve e bonito do que o escaneado. Outro problema é que cada tipo de tela “aquece” ou “esfria” o desenho conforme sua vontade… No meu celular, está quente, no notebook, azulado… affe! (Definitivamente preciso fazer um curso de como tornar as versões digitais mais parecidas com as analógicas. Se alguém souber onde, me avisa, por favor! )

Minha inspiração para a imagem desse post (em termos de combinar título-desenho-e-texto) é o trabalho da artista Wendy Macnaughton. Admiro muito sua militância pelos direitos civis e lgbtx, assim como sua visão de arte e cidade em obras como o livro Meanwhile San Francisco e também no Instagram @wendymac.

E para todos que chegaram até aqui, obrigada pela companhia!
Aproveitem o domingo para separar suas doações. Aguardamos os contatos na segunda-feira!

Um ótimo final de final-de-semana! ☼

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Permissão para acreditar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3ER. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Maio/2018 — Burra ou teimosa?

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“O pensamento encontrou-se com a eternidade
E perguntou-lhe: de onde vens?
— Se eu soubesse não seria eterna.
— Para onde vais?
— Volto para de onde venho.”
(Murilo Mendes)

Vocês também têm a sensação de que o tempo nunca é suficiente? De que, por mais que nos dediquemos, há sempre algo a fazer, ler, escrever, resolver?

Bem-vindos ao clube.

Essa semana, fui tentar aplicar uma ideia dos livros de produtividade: “foque em resolver o trabalho mais importante primeiro”. Mas… e quando o seu “trabalho mais importante” é ler e entender um texto difícil, que não acaba nunca, cujo fichamento fica quase do tamanho do original, praticamente uma tradução de trechos inteiros com ajuda de três dicionários online?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

E se, nos intervalos, você ouve a voz dos gurus de auto-ajuda dizendo “vá lá, bastam 15 minutos de foco para esvaziar uma inbox!” Mas… ao invés de responder os e-mails urgentes, você resolve tentar baixar todos os artigos que o texto que você está lendo cita. E, assim, adicionando mais e mais “textos importantes” ao seu trabalho principal?

Você é burra ou teimosa?

Os dois…

Se você terminou a semana sem esvaziar sua caixa de entrada, sem responder as gentilezas que te escreveram, sem marcar aquela consulta necessária, sem voltar para a ginástica, sem escrever o post atrasado, sem fazer as compras do supermercado…

Você é burra E teimosa.

Pelo menos o texto está lido e fichado, me consolo.

Bem-vindos ao balanço desse domingo, pessoas queridas!

Se vocês estão lendo esse post, é porque chegamos juntos ao final de abril.  Aqui vai o calendário de maio para imprimir em .pdf.

Meu recado final é para as pessoas do mundo acadêmico que estão se preparando para os concursos de professor nas universidades federais: muita força para vocês, pessoal!

Uma das coisas mais difíceis que já fiz na vida foi me preparar para um concurso. Estudar é mais árduo do que ir lá fazer: é trabalhar todos os dias no vazio, sem garantia.

Mesmo assim, vale a pena. Tudo que vocês estão lendo será um patrimônio intelectual próprio, pra sempre. Parafraseando Murilo Mendes, estudar é quando o pensamento se encontra com a eternidade. É quando todas as palavras que os livros nos legaram voltam para conversar conosco.

Pensando bem, ter passado a semana lendo um texto grande e difícil não foi tão ruim assim, vocês concordam? Será que posso ficar só me achando teimosa e não tão burra?

Sobre a citação: Trecho de um poema de Murilo Mendes citado por Silviano Santiago na página 82 do artigo “A permanência do discurso da tradição no modernismo”, publicado no livro Ensaios Antológicos (Ed. Nova Alexandria). Agradeço ao Juva pela citação, ao me ouvir reclamar do tempo. ♥

Sobre o desenho: Flores com cores meio psicodélicas, tipo anos 1970, inspiradas no tecido de uma blusa que eu tenho. O scanner foi ingrato com o original, ora estourando, ora saturando alguns tons. Levei uma surra para chegar nesse resultado mais ou menos próximo do original. As linhas foram feitas com diversas canetinhas Pigma Micron coloridas e o restante foi colorido com lápis de cor Caran D’Ache e Prismacolor.

Você acabou de ler “Maio/2018 — Burra ou teimosa?“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Maio/2018 — Burra ou teimosa?”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ef. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Abril/2018, Frágil

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“Tem horas que é caco de vidro
Meses que é feito um grito
Tem horas que eu nem duvido
Tem dias que eu acredito.”
(Paulo Leminski)

Como criar nesse mar de sangue que vivemos no Brasil? Pensei na vida e lembrei do vidro, da beleza e da fragilidade desse material que vem da areia e vira tudo. Fiz o calendário e reencontrei o poema do Leminski. Caco, grito, dúvida, acredito.

Que dor esse país despedaçado, em que a vida da maioria da população não vale nada… Temos que seguir acreditando, protestando, achando um jeito de nos engajar, por todos que ainda estão vivos, pelas crianças que não pediram para nascer, pelos idosos que nos deram a vida, pela natureza, pelos animais, por nós. As lutas justas são muitas. Desdenhar dos que estão lutando ou ficar parado assistindo é que não dá.

Por falar nisso, hoje, dia 2/04/2018, tem o evento “Luzes para Marielle e Anderson”, às 19h. Onde você estiver, acenda uma vela ou luz, sinalizando às autoridades que não esqueceremos. Para confirmar ou se engajar em algum evento presencial, veja as opções na página Marielle Franco e compartilhe imagens e mensagens com a hashtag #LuzesParaMarielleEAnderson.

E para os pós-graduandos e professores que me escrevem, duvidando de suas escolhas: nosso trabalho tem valor sim. Fazer pesquisa, ensino e extensão com consciência, seriedade e ética para com seus interlocutores e a sociedade em geral é uma forma de contribuir para um mundo melhor, mesmo que os resultados sejam a longo prazo. Vamos continuar comparecendo, lendo, escrevendo, desenhando, pesquisando, publicando, produzindo, compartilhando — só não esqueçamos de respirar, nos abraçar e nos cuidar pelo caminho.

Força pra todos nós. Bom abril: tem feriado no Rio de Janeiro dias 21 e 23. ♥

Sobre o calendário:  Foi um desafio criar algo leve como vidro e ao mesmo tempo colorido o suficiente para escanear e imprimir. Espero que tenha dado certo. Para imprimir, abram o .pdf aqui. Desculpem o atraso!

Outros posts: Fiquei com vontade de indicar os posts “Um Matisse para Maria Eduarda” e “Mortos pelo Rio“, algumas das homenagens que escrevi às vítimas da violência na história do blog, tão atuais e antigas, sobre tudo isso.

Sobre o poema: O trecho citado é do poema “Passe a expressão“, do livro Distraídos venceremos, republicado na coletânea Toda Poesia — Paulo Leminski, pela Companhia das Letras, p.183.

Sobre o desenho: Desenhei as coisas de vidro com canetinha Pigma Micron 0,05; depois colori com lápis de cor Polychromos, da Faber-Castell e alguns Prismalo da Caran D’Ache; tudo em papel comum A4 90gr. Comecei com cores individuais, mas depois cheguei a essa mistura de verde, amarelo e rosa para dar uma certa unidade ao conjunto. No final, utilizei uma caneta pincel cinza quente (warm grey) Pitt Faber Castell para fazer as sombras embaixo dos objetos.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Abril/2018, Frágil”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3DN. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Março/2018 e a difícil arte de ter tempo

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Pessoas queridas, aí vai mais um calendário e o arquivo .pdf para imprimir.

Foi super difícil encontrar energia para finalizar hoje! Olhando de fora, talvez vocês pensem que faço as coisas com a maior tranquilidade… mas não! Vivo discutindo comigo mesma sobre qual trabalho priorizar, como dedicar meu tempo, como manter o blog sem atrapalhar a pesquisa, a vida em família, as leituras, os escritos e mais um monte de tarefas da vida de professora.

Meu tempo é finito, como o de vocês. A diferença é que, ao longo dos últimos anos, fui decidindo abrir mão de coisas pequenas (tipo fazer unha, ler revista e ver Tv) e de coisas grandes, como atuar numa pós-graduação. A morte do meu ex-orientador (Gilberto Velho) em 2012 foi o momento que me fez ver o quanto é crucial ter calma e dedicação para ler, escrever e preparar aulas, sem deixar de viver. Quando me sinto desolada e ansiosa (como ontem, por exemplo), agradeço meu lado cigarra — e toda a sorte que veio de graça na minha vida –, mas valorizo também o meu lado formiga e as pequenas suadas conquistas, como esse espaço aqui.

Obrigada pela companhia! Obrigada por ficarem clicando na página Calendários sempre que o mês tá acabando!! A pressão de vocês me ajuda a recarregar as baterias e encarar a folha do mês em branco. Que vocês recebam essa recarga em dobro!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Muji preta 0,25. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Caran D’Ache Swisscolor. Os potinhos são inspirados nos que tenho na minha mesa, com uma ou outra decoração extra para alegrar. Meus preferidos do desenho desse mês foram o verde água (no cantinho esquerdo), que é uma embalagem de café usada, o listradinho (que é um copo de louça portuguesa), o potinho de clipes (uma embalagem antiga de canetinhas de criança) e o estojo lilás de coraçõeszinhos, bem adolescente, mas super prático (amo embalagens transparentes). As várias canecas coloridas com frases escritas são de um projeto social da Natura e o desenho do gatinho branco (no pote verde, à direita) é da Alice! ♥

Você acabou de ler “Março/2018 e a difícil arte de ter tempo“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Março/2018 e a difícil arte de ter tempo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dn. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)

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Calendário antecipado aqui no blog significa que estou torcendo para o mês acabar. Quem já enjoou de janeiro levanta a mão!

Para imprimir, cliquem no .pdf.

O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!

Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!

Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.

Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!

Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube  explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).

Você acabou de ler “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3C7. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Materiais – Canetinhas coloridas

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Como prometi, aí vai o desenho das canetinhas vermelhas e rosas que utilizei para fazer o calendário de janeiro. Esse tipo de desenho é um dos que mais gosto de fazer: traço os objetos com caneta preta, sem rascunho e sem me preocupar muito com retas e proporções exatas. Depois vou fazendo as camadas de aquarela devagar, tentando manter a luz (partes em que o papel fica à mostra) e criando volumes com sombras.

Acrescentei algumas descrições no final para dar mais autonomia à imagem. Assim, quem vê o desenho não precisa ler o post para saber quais são as canetas. O problema é que não planejei antes e não deu para escrever sobre todas. Então aí vão as legendas para quem tiver curiosidade, da esquerda para direita:

Staedtler triplus color rosa (tampa azul) – canetinha mais grossa, de criança.
Pigma Micron 0.1 roxa, Sakura – ótima porque é à prova d’água
Compactor microline 0.4 rosa – antiguinha, presente avulso de uma amiga
Staedtler triplus fineliner vermelha – maravilhosa para escrever
Tombow ABT n.772 rosa claro – ponta normal e pincel
Stabilo point 88 mini 0.4 vermelha – boa para escrever a cores mas dura pouco
Staedtler triplus fineliner marrom
Stabilo point 88 mini 0.4 magenta
Faber-Castell grip finepen 0.4 – ótima opção mais baratinha do que as Stabilos
Staedtler triplus color vermelha (tampa azul)
Staedtler triplus color rosa escuro
Lápis de cor Prismacolor Crimsom Lake pc 925 – não aquarelável
Staedtler triplus fineliner rosa
Pigma Micron 0.1 rosa, Sakura
Koi coloring brush pen vermilion
Pigma Micron 0.1 vermelha, Sakura

Meus comentários sobre cada tipo, caso vocês tenham interesse:

Pigma Micron Sakura colorida – são as minhas preferidas, porque são gostosas de escrever e desenhar, além de serem à prova d’água, ideais para quem quer utilizar aquarela junto. O problema é o custo (cerca de 14,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar no Brasil.

Tombow ponta dupla (normal e pincel) – atualmente é o meu marcador preferido, por ser leve e gostoso de utilizar, sem borrar no papel nem vazar para o outro lado da folha. O único problema também é o custo (cerca de 22,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar a variedade de cores no Brasil. A outra caneta pincel do desenho é a Koi coloring brush, que é considerada uma linha popular no Japão e nos EUA. Comprei um kit de 12 cores e não achei que valeu à pena. As pontas ficaram velhas rapidamente e várias já estão falhando.

Staedtler triplus fineliner – adoro essas canetinhas, até porque eram as únicas coloridas finas que eu conhecia até poucos anos atrás. Ganhei dois kits de um amigo da Alemanha, o fineliner e o triplus color, com a versão mais grossa, que uso menos. Ambas são bonitinhas, com o corpo triangular, cores intensas e escorregam super bem no papel. Só não são à prova d’água. A Faber-Castell grip finepen 0.4 é um imitação da Staedtler triplus fineliner. A ponta não é tão fina e as cores são mais aguadinhas. Ganhei um kit de presente e uso bastante porque não fico com pena de gastar!

Stabilo point 88 mini – esta mini é igual à versão grande dessas canetinhas vendidas (bem caras por sinal) nas papelarias brasileiras. As minhas são bem antigas e estão quase todas ficando secas… dá muita peninha de jogar fora. Acho que a Compactor microline é uma imitação dessas canetinhas, com um jeito retrô muito legal. Nunca vi à venda.

Lápis de cor Prismacolor – tenho uma caixa desses lápis que encomendei quando meu sobrinho viajou para os EUA. Não uso muito pois achei a textura parecida com lápis de cera. Eu tinha ouvido falar super bem desses lápis, mas na prática não funcionaram para mim. Devia ter prestado atenção no que diz um dos artistas de lápis-de-cor que mais admiro, o Florent Chavouet. Ele faz livros fantásticos com lápis comum de papelaria, de qualquer marca, os mais baratinhos [suspiros…].

Sobre o desenho: para fazer o desenho, não utilizei nenhuma dessas canetinhas! As linhas das canetas e do texto escrito foram feitas com um Pigma Micron 0.05 preta. As cores foram pintadas com aquarelas de diversas marcas (principalmente Winsor & Newton, algumas Schmincke e uma da New Holland). A escrita em branco foi feita com pincel fininho e tinta guache branca Talens Plakkaatverf Gouache Opaque White (só tenho esse tubinho dessa marca, comprado numa viagem por dica de um amigo artista).

A escrita no lápis de cor foi feita com pincel fino e um pouco da guache branca misturada com um Iridescent Medium da Winsor & Newton, que deixa as tintas com um ar prateado (veio num kit com quatro potinhos que comprei em Portugal ano passado).

O mais difícil foi o tom do plástico bege acinzentado das Pigma Micron. Nenhuma das três canetinhas ficou no tom certo, que acho que consegui um pouco melhor aqui. Não sei como chegar nessa cor! Os cinzas das sombras foram feitos com uma mistura de Grey Violet (New Holland), que ganhei ano passado, com um pouco de Payne’s Grey (Winsor & Newton).

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É isso, pessoal! O post de hoje foi para os nerds do desenho. Estou tentando pegar leve nas férias… Alguns assuntos que vou tentar abordar até fevereiro, que foram pedidos em mensagens e e-mails: como escrever para provas de seleção de mestrado/doutorado e como estudar para concurso de professor universitário. Vou tentar contar minhas experiências nessas duas áreas. Por falar nisso, saiu o edital de concursos da UFRJ — vejam lá pois tem muitas vagas!!

Bom início de ano para todos vocês. Para quem estiver no hemisfério sul: não deixem de aproveitar o sol! ☼ (Alt-15)

Você acabou de ler “Materiais – Canetinhas coloridas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Materiais – Canetinhas coloridas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zU. Acesso em [dd/mm/aaaa].