Karina Kuschnir

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Materiais – Canetinhas coloridas

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Como prometi, aí vai o desenho das canetinhas vermelhas e rosas que utilizei para fazer o calendário de janeiro. Esse tipo de desenho é um dos que mais gosto de fazer: traço os objetos com caneta preta, sem rascunho e sem me preocupar muito com retas e proporções exatas. Depois vou fazendo as camadas de aquarela devagar, tentando manter a luz (partes em que o papel fica à mostra) e criando volumes com sombras.

Acrescentei algumas descrições no final para dar mais autonomia à imagem. Assim, quem vê o desenho não precisa ler o post para saber quais são as canetas. O problema é que não planejei antes e não deu para escrever sobre todas. Então aí vão as legendas para quem tiver curiosidade, da esquerda para direita:

Staedtler triplus color rosa (tampa azul) – canetinha mais grossa, de criança.
Pigma Micron 0.1 roxa, Sakura – ótima porque é à prova d’água
Compactor microline 0.4 rosa – antiguinha, presente avulso de uma amiga
Staedtler triplus fineliner vermelha – maravilhosa para escrever
Tombow ABT n.772 rosa claro – ponta normal e pincel
Stabilo point 88 mini 0.4 vermelha – boa para escrever a cores mas dura pouco
Staedtler triplus fineliner marrom
Stabilo point 88 mini 0.4 magenta
Faber-Castell grip finepen 0.4 – ótima opção mais baratinha do que as Stabilos
Staedtler triplus color vermelha (tampa azul)
Staedtler triplus color rosa escuro
Lápis de cor Prismacolor Crimsom Lake pc 925 – não aquarelável
Staedtler triplus fineliner rosa
Pigma Micron 0.1 rosa, Sakura
Koi coloring brush pen vermilion
Pigma Micron 0.1 vermelha, Sakura

Meus comentários sobre cada tipo, caso vocês tenham interesse:

Pigma Micron Sakura colorida – são as minhas preferidas, porque são gostosas de escrever e desenhar, além de serem à prova d’água, ideais para quem quer utilizar aquarela junto. O problema é o custo (cerca de 14,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar no Brasil.

Tombow ponta dupla (normal e pincel) – atualmente é o meu marcador preferido, por ser leve e gostoso de utilizar, sem borrar no papel nem vazar para o outro lado da folha. O único problema também é o custo (cerca de 22,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar a variedade de cores no Brasil. A outra caneta pincel do desenho é a Koi coloring brush, que é considerada uma linha popular no Japão e nos EUA. Comprei um kit de 12 cores e não achei que valeu à pena. As pontas ficaram velhas rapidamente e várias já estão falhando.

Staedtler triplus fineliner – adoro essas canetinhas, até porque eram as únicas coloridas finas que eu conhecia até poucos anos atrás. Ganhei dois kits de um amigo da Alemanha, o fineliner e o triplus color, com a versão mais grossa, que uso menos. Ambas são bonitinhas, com o corpo triangular, cores intensas e escorregam super bem no papel. Só não são à prova d’água. A Faber-Castell grip finepen 0.4 é um imitação da Staedtler triplus fineliner. A ponta não é tão fina e as cores são mais aguadinhas. Ganhei um kit de presente e uso bastante porque não fico com pena de gastar!

Stabilo point 88 mini – esta mini é igual à versão grande dessas canetinhas vendidas (bem caras por sinal) nas papelarias brasileiras. As minhas são bem antigas e estão quase todas ficando secas… dá muita peninha de jogar fora. Acho que a Compactor microline é uma imitação dessas canetinhas, com um jeito retrô muito legal. Nunca vi à venda.

Lápis de cor Prismacolor – tenho uma caixa desses lápis que encomendei quando meu sobrinho viajou para os EUA. Não uso muito pois achei a textura parecida com lápis de cera. Eu tinha ouvido falar super bem desses lápis, mas na prática não funcionaram para mim. Devia ter prestado atenção no que diz um dos artistas de lápis-de-cor que mais admiro, o Florent Chavouet. Ele faz livros fantásticos com lápis comum de papelaria, de qualquer marca, os mais baratinhos [suspiros…].

Sobre o desenho: para fazer o desenho, não utilizei nenhuma dessas canetinhas! As linhas das canetas e do texto escrito foram feitas com um Pigma Micron 0.05 preta. As cores foram pintadas com aquarelas de diversas marcas (principalmente Winsor & Newton, algumas Schmincke e uma da New Holland). A escrita em branco foi feita com pincel fininho e tinta guache branca Talens Plakkaatverf Gouache Opaque White (só tenho esse tubinho dessa marca, comprado numa viagem por dica de um amigo artista).

A escrita no lápis de cor foi feita com pincel fino e um pouco da guache branca misturada com um Iridescent Medium da Winsor & Newton, que deixa as tintas com um ar prateado (veio num kit com quatro potinhos que comprei em Portugal ano passado).

O mais difícil foi o tom do plástico bege acinzentado das Pigma Micron. Nenhuma das três canetinhas ficou no tom certo, que acho que consegui um pouco melhor aqui. Não sei como chegar nessa cor! Os cinzas das sombras foram feitos com uma mistura de Grey Violet (New Holland), que ganhei ano passado, com um pouco de Payne’s Grey (Winsor & Newton).

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É isso, pessoal! O post de hoje foi para os nerds do desenho. Estou tentando pegar leve nas férias… Alguns assuntos que vou tentar abordar até fevereiro, que foram pedidos em mensagens e e-mails: como escrever para provas de seleção de mestrado/doutorado e como estudar para concurso de professor universitário. Vou tentar contar minhas experiências nessas duas áreas. Por falar nisso, saiu o edital de concursos da UFRJ — vejam lá pois tem muitas vagas!!

Bom início de ano para todos vocês. Para quem estiver no hemisfério sul: não deixem de aproveitar o sol! ☼ (Alt-15)

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Materiais – Canetinhas coloridas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Mini paleta de aquarela

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Alguns pesquisadores acreditam que a aquarela existe desde 800 a.c., quando os egípcios coloriam seus papiros com pigmentos naturais misturados com goma arábica, clara de ovo e água. É incrível pensar que essas tintas eram utilizadas nas miniaturas pintadas à mão em livros por gregos, romanos, sírios e bizantinos até o século 9 d.c. Quase todos os livros de história da aquarela dizem que o pintor alemão Albrecht Dürer (1471-1528) foi o primeiro artista (ocidental) a realizar pinturas em aquarela, embora naquele tempo esse material fosse considerado menor, sendo utilizado apenas para croquis, estudos e diários de viagem, por ser de fácil transporte e secagem rápida. Do século 19 em diante, os estojos de aquarela para amadores se tornaram cada vez mais populares e acho que agora, nos anos 2010, estamos vivendo uma valorização enorme dessa mídia.

Todo esse preâmbulo foi para apresentar a vocês o estojinho miniatura que comprei no ano passado no evento dos Urban Sketchers em Manchester, Inglaterra. Numa caixinha igual a um porta-cartão-de-visitas, a empresa Expeditionary Art conseguiu colocar uma base de ímã, uma base branca e 14 recipientes de metal para as tintas. Tive a sorte de ver uma pessoalmente, porque só vendo para acreditar em quão pequena é essa paleta. Não foi barata. Se não me engano, paguei 25 pounds (cerca de 100 reais) na versão vazia, e 35 numa versão já com as tintas, pois queria trazer uma de presente de aniversário para uma amiga.

Foi um investimento maravilhoso. Alguns colegas disseram que iria enferrujar, mas já tenho há quase um ano e não vejo o menor sinal de desgaste. A grande maravilha dessa paleta é poder levá-la para todos os lados sem aquela neura de ficar com a bolsa muito pesada.

Há tempos estava querendo atualizar a seção Materiais aqui do blog. Portanto, aí vai um dos meus itens preferidos!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Minha fonte para essa pequena historinha da aquarela foi o livro The big book of watercolor, do Jose M. Parramón. Gosto da parte histórica inicial, mas não recomendo para quem quer começar na técnica. É um daqueles volumes mais para olhar do que aprender, com um jeito meio tradicional de “como fazer” o céu, o mar etc. Para ver uma aquarela do Dürer de pertinho, achei esse vídeo da Kahn Academy.

* A mini-paleta de aquarela pode ser vista em mais detalhes no site da Expeditionary Art ou nessa resenha com filminho no final do Parka Blogs.

* Continuo lendo artigos ótimos no site da Revista da Fapesp e, embora eu seja super defensora da inbox mínima, recomendo muito que vocês assinem o boletim deles por e-mail.

* Foi justamente dessa fonte que descobri o excelente artigo Bororo na Tela, contando porque o filme “Rituais e festas Bororo”, do major Luiz Thomaz Reis (1879-1940), deve ser considerado o primeiro documentário etnográfico de que se tem conhecimento.

* Outra leitura interessante foi o artigo no blog do Instituto Moreira Salles sobre a fotografia de Antonio Luiz Ferreira, que registrou, em 17 de maio de 1888, a missa campal realizada no Rio de Janeiro para celebrar a Abolição da Escravatura. Só de saber que essa foto existe e que há uma coleção imensa de imagens dessa qualidade disponíveis online já é uma maravilha.

* Outra lindeza foi seguir a dica da Julia O’Donnell e revisitar a Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, onde se pode ler online milhares de páginas de jornais históricos brasileiros e de outros países. Só nos últimos 30 dias o site teve mais de 3 milhões e 800 mil páginas visitadas! Esse número nos dá esperança de que nem tudo está perdido , concordam?

* Finalmente, queria compartilhar com vocês que a melhor coisa dessa semana foi receber uma mensagem de uma ex-aluna agradecendo por minhas aulas. Eu que agradeço, querida. Inspirada em você, lembrei de sorrir mais, de me manter forte e determinada, sem esquecer da gentileza. Que seu caminho seja de aprendizado positivo e construtivo. Obrigada por existir, resistir e insistir!

Sobre o desenho: Aquarelinha feita em três etapas. Linhas com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron (0.1) e uma primeira mão de tinta com as próprias aquarelas do kit. No dia seguinte, pintei novamente para dar mais intensidade. E ainda num outro dia (esqueci de escrever a data), reforcei algumas áreas mais escuras e a sombra do objeto no papel. O caderninho é um Hahnemühle A6 chamado Sketch & Note, com um papel comum, mas de gramatura um pouco superior (125gr) à média, que aguenta uma aquarela leve. Descobri esse caderno na Casa do Artista em São Paulo e depois comprei novamente na estadia em Lisboa, na maravilhosa Ponto das Artes do Chiado. É super leve para ter na bolsa. Utilizei vários pincéis, pois fiz o desenho em casa, mas costumo ter no estojo da bolsa uma caneta pincel de água (waterbrush) da Kuretake.

Sobre as tintas: Como comprei o kit com algumas pecinhas já cheias de tinta e outras vazias, não sei todas as marcas, mas vou especificar os nomes, da direita para a esquerda, começando na fileira de cima: 1-Espremi duas cores: Vandyke Brown e Indigo, 2-Ultramarine, 3-Cobalt blue; 4-Violet; 5- Permanent magenta e Opera Rose; 6-Rose de Potter e Ruby Red; 7-Scarlet Red. Na segunda fileira: 8-Turquoise; 9-Cerulean; 10-Perylene Green e Terre verte; 11-Sap Green; 12-Burnt Sienna e Pure Orange; 13-Quinacridone Gold e Raw Sienna; 14-Pure yellow e Lemon yellon. A maioria é da marca Winsor & Newton (algumas artísticas, outras da linha estudante, da Cotman), mas o Pure yellow e o Ruby red são da Schmincke.  Se quiserem mais informações sobre as tintas e cores me avisem! Fico meio preguiçosa de escrever sobre esses detalhes porque acho que a maioria dos leitores que vêm aqui são do meio acadêmico e não estão nem ligando para os materiais de pintura! 😉

Espero que todos estejam aproveitando esse feriado prolongado para descansar ou produzir mais.

Até semana que vem!

Você acabou de ler “Mini paleta de aquarela“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Mini paleta de aquarela”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2gJ. Acesso em [dd/mm/aaaa].