Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Domingo no parque

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Quando o Antônio era pequeno, eu vivia fazendo planos de programas ao ar livre.

Eu dizia: “Filho, o que você prefere: praia ou parque? Vamos sair, está um dia lindo!”

E ele, sempre: “Livraria!”

Quando a Alice nasceu, renovei minhas disposições e até ficamos sócios de um clube. Logo estávamos numa loja comprando raquetes e bolas de tênis. Vamos nos mexer, vamos jogar! Compadecido de mim, o agora filho-mais-velho, aos seis anos, vaticinou:

— Mãe, nós nunca vamos ser um família esportiva.

E eu toda animada, dizendo deixa disso, filho, o importante é se reinventar.

Mas onde estão mesmo aquelas raquetes? Ai, mofaram junto com os pés-de-pato… Quem mandou ser aquela que sobrava na escolha dos times de volei do colégio, da perna fina, se escondendo quando a bola vinha e ouvindo a professora de educação física dizer mentalmente “porque-você-não-é-igual-à-sua-super-atlética-irmã”?

Como a verdade dita na hora certa, a frase do Antônio virou um bordão cômico no nosso repertório familiar:

— Mãe, nós nunca vamos ser uma família esportiva.

A Alice chegou para energizar bastante, é verdade. Mas a preguiça matinal dela não é, digamos, muito compatível com um futuro atlético. A ver. Antônio agora faz pilates e eu, que até aprendi a correr em 2011, tenho tentando caminhar várias vezes na semana (e não vou dizer quantas porque não me iludo — Vovó Trude já dizia: “só se desilude quem se ilude”, o que vale para muita coisa!).

Essa introdução toda foi para vocês entenderem o sacrifício de estar domingo às 9:30h num parque! Só mesmo a combinação jardim, livro, aula e material de pintura! Nada esportivo…

A boa causa era comemorar os cinco anos do Atelier Chiaroscuro (onde faço curso de aquarela) e, de brinde, assistir a uma aula de história da paisagem, com a professora Chiara Bozzetti — além de comer, desenhar e pintar. Foi uma conversa ótima sobre percepção visual, história e arte.

Desafio mesmo era a segunda parte. A professora dizendo: agora vamos olhar à nossa volta e pintar uma paisagem!

Oops, essa parte eu posso pular? Já me deu uma preguiça dos tempos da aula de volei… E fugi para perto dos patos, gansos ou sei lá que aves barulhentas eram aquelas.

Eu sempre posso dizer que sou míope, né? E não tem lente que corrija direito cinco graus de miopia… Quem diz o contrário está querendo te vender óculos mais caros!

Enfim, os patos foram a minha não-paisagem. (Eu me daria 4,0 por incompetência e por fugir do tema.)

Nova página com o materiais! – Já está no blog a nova página em que vou juntar os materiais que utilizo. Segue a contribuição dessa semana!

waterbrush mini

Pincél de água (waterbrush) Kuretake – Comecei a namorar esses pincéis de aquarela por causa dos livros e vídeos do Danny Gregory. Já tive vários, mas os da marca Kuretake são os meus preferidos. Além das pontas em vários tamanhos (firmes e macias na medida certa), eles têm uma válvula que faz com que a água escorra devargazinho para o pincel. Infelizmente, as cerdas se desgastam (principalmente a pequena, minha preferida). Por isso, estou sempre precisando de um novo… [Para este desenho, insisti em usar o papel Arches cold press. Foi uma tragédia de difícil, porque é um papel rugoso, que gruda no pincel. Além disso, fica cinza quando escaneado… Definitivamente não é papel para mim.]

* 5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

* Ganhamos uma letra B gigante feita de papel-machê pela super-plus-fox-english-teatcher Roberta Ferro. Está no meio da sala fazendo a festa dos gatos.

* A exposição Álbum de Família, no Centro Municipal de Arte Helio Oiticica tem muitas coisas legais, mas os quadros da Leonora Weissmann me impactaram: lindos, técnicos, inteligentes, bem-humorados. Depois fui ao site dela e fiquei mais maravilhada ainda.

* Um trabalho que fiz nas férias está começando a aparecer, devagarinho… Não vejo a hora de compartilhar com vocês o projeto inteiro! Que felicidade ser parceira da Genifer Gerhardt. Foi transformador para mim.

* Inauguração da exposição No caminho da miçanga, no Museu do Indio, sob curadoria da antropóloga Els Lagrou, minha colega de departamento no IFCS/UFRJ. Que lindeza sem tamanho ver todas as peças juntas, cada uma mais delicada do que a outra. Vou voltar para ler direito as explicações, assistir aos vídeos e estudar as formas e cores.

* Alice começou a fazer aula de violão! Difícil é não esmagá-la de tanta fofura quando ela treina as escalas…

Sobre os desenhos – Do topo do post, desenhos feitos no caderninho Laloran. Na página dos patos, desenhei direto com pincel e aquarela Winsor & Newton, tentando captar os bichos em movimento mesmo. Depois, em casa, acrescentei algumas linhas com caneta nanquim descartável (Unipin 0.2) e repintei algumas áreas do fundo e de sombras. Na página seguinte, minhas anotações da aula no parque feitas com a mesma caneta e coloridas no local com aquarela. As sombras e o estojo do Durval foram feitos já em casa… é muito detalhe para fazer no desconforto do parque!