Karina Kuschnir

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Modelo viva

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Um momento especial da viagem a Lisboa, em janeiro, foi participar da sessão de modelo-vivo na Casa Atelier Arpad Szenes Vieira da Silva, coordenada pela Cathy Douzil. Nesse dia, a modelo foi a vivíssima Catarina Oliveira, com seus óculos vermelhos e poses bueda giras (muito legais, na gíria local). Na imagem acima, as posturas mais longas, onde arrisquei trabalhar com aquarela (ainda que sem tempo de secagem). Abaixo, as poses rápidas iniciais (30′ a 60′ segundos), onde utilizei apenas lápis-de-cor.

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Uma das dificuldades de postar mais sobre a viagem tem sido escanear o caderno que levei, pois as páginas grandes (quase A4) e as folhas marfim não são nada fáceis de captar no scanner. Mas prometo que, aos poucos, vou trazendo pra cá!

Post curtinho hoje, terminando nos links que ando acumulando para vocês. Bom final de semana a todos!

6 Coisas impossivelmente-legais-lindas-interessantes-e-bueda-giras da semana sobre desenho:

* Sobre a Casa-Atelier mantida pela Fundação Arpad Szenes Vieira da Silva: tem um mundo de coisas interessantes acontecendo lá, inclusive uma exposição sobre cartas e desenhos! Que saudades de estar pertinho…

* Um dia na vida dos americanos — pesquisa com interface gráfica em movimento, bem bacana! Dica do canal Meio.

* O Danny Gregory tem postado vídeos sobre livros de desenho. Achei incrível o do ilustrador David Gentleman sobre Londres. Já indico aqui o link a partir do minuto 6, quando de fato começa o assunto.

* A Maria Popova, do site Brain Pickings, fez um post lindíssimo sobre as coleções de flores da poeta Emily Dickinson.

* A Lisa Congdon, uma das artistas que adoro acompanhar, escreveu um post muito bom sobre a superação da síndrome de burnout (ou “estafa profissional”, como sugere o Google). Aliás, para quem gosta de desenho, arte e ativismo feminista & lgbt: sigam o blog  (ou o Instagram) dela. Estou há tempos para colocar na minha listinha de inspirações.

* O volume da revista Visual Ethnography sobre desenho em que colaborei no ano passado foi liberado para acesso livre. Tem aquela chatice de fazer um cadastro antes, mas é grátis.

Sobre o desenho: Primeira imagem feita com aquarelas (Winsor & Newton e outras marcas) e caneta pincel Kuretake grande (eu acho!, já não me lembro direito). Na segunda imagem, utilizei apenas lápis de cor aquarelável Faber-Castell. Ambas foram feitas no caderno Stillman & Birman, Delta Series 8 x 10 polegadas, cold press, marfim.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Modelo viva”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-29u. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Modelos vivos ou mortos?

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Sobre o desenho: Redesenhei hoje algumas poses de uma sessão de modelo-vivo que fiz em janeiro/2104, aproveitando a vinda (infelizmente rápida) do maravilhoso artista e professor Manoel Fernandes para a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Os materiais foram aquarela e lápis de cor em um bloco Canson escolar que definitivamente não suporta água! Depois de pronto, passei o verso a ferro para desenrugar. Pena que ainda ficaram algumas ondas bem chatas… A modelo era uma bailarina simpática porém tensa quando entrava numa pose. São cinco corpos misturados. Está dando para desvendar? Adoro aulas de modelo-vivo, apesar de nem sempre os modelos estarem vivos mesmo. Como qualquer pessoa, aliás… Quantas vezes andamos por aí no piloto-automático mental ou corporal, cumprindo nossas tarefas roboticamente? (Infelizmente, foi só um sessãozinha nesse dia; meu sonho era voltar a fazer esse tipo de aula, mas no momento os recursos estão em baixa… Tenho que me contentar com as poses de alguns segundos ou minutos que os passageiros do metrô fazem de graça todos os dias para mim! O problema é que a atmosfera do metrô está me parecendo cada dia mais triste; cada dia com passageiros mais cansados e quietos, mesmo na Linha 1, supostamente ocupada pelos cariocas privilegiados. Ou talvez ninguém possa ter uma aparência realmente viva andando no transporte nessa cidade.) A história da arte está cheia de histórias interessantes sobre relação entre artistas e modelos; da prostituta que virou esposa de Van Gogh aos trabalhadores marroquinos de Matisse… Mas o que mais me surpreendeu nos últimos tempos foram os diálogos incríveis que meus alunos de desenho e antropologia tiveram com as pessoas que desenharam durante uma pesquisa de campo no ano passado. Travestis, barbeiros, donas-de-casa, atendentes de lojas, vizinhos, idosos, motoristas de caminhão — um monte de gente interessante falando da vida e levando numa boa o papel de personagem-que-se-deixa-desenhar. Este talvez seja o melhor caminho para desenhar mais e melhor em 2014: encontrar modelos vivos vivendo por aí.