Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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A vida simbólica dos objetos – ideia para aula lúdica (2)

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Hoje compartilho um outro plano de aula lúdica com vocês, inspirada pelo retorno tão positivo que venho recebendo do post anterior. É um exercício simples que junta afeto e aprendizado coletivo, as duas coisas que mais prezo dentro de uma sala de aula.

Tive a ideia dessa proposta numa oficina noturna de Antropologia e Desenho, mas tenho experimentado e dá muito certo nas turmas de teoria antropológica também. Os objetos e o tempo dispendido podem ser adaptados conforme a situação e o público (que pode ser de pessoas de qualquer escolaridade, de 9 a 99 anos).☺

Objetivos da aula:

. Criar um ambiente de curiosidade e desafio na sala de aula, que fuja da rotina e estimule a criatividade. (Ou, como já escrevi:  Mostrar que uma pesquisa pode ser divertida e interessante; pode ser vivida como um enigma, um quebra-cabeça que desvendamos.)

. Exercitar a paciência e o foco no processo de observação, com objetivo de “treinar” o rendimento do olhar para o trabalho de campo etnográfico.

. Explorar a capacidade de imaginação e interpretação dos aspectos materiais, visuais e sociais dos objetos.

. Perceber que aprendemos a partir de uma pesquisa, pois há camadas de sentido na vida social que exigem tempo e convívio para serem compreendidas, isto é, não estão acessíveis num contato superficial.

. Compreender que os objetos são carregados de valores simbólicos, socialmente construídos, como escreveu Marshall Sahlins*: “Nenhum objeto, nenhuma coisa é ou tem movimento na sociedade humana, exceto pela significação que as pessoas lhe atribuem.”

. Promover um ambiente descontraído de trocas, afetos e risadas, gerando aproximações e conexões entre os participantes.

. Fortalecer a autonomia: mostrar que podemos e devemos pensar a partir dos nossos dados, classificá-los e interpretá-los.

Material necessário:

. Folha de caderno comum e caneta. (Ou folha de papel A4 liso e material de desenho, se for uma aula com interesse na produção gráfica.)

. Objetos comuns presentes na sala de aula (Ou objetos trazidos de casa, se quiserem explorar histórias mais pessoais.)

Dinâmica – Como conduzir a oficina:

Preparação:

. Pedir para os alunos saírem da sala levando apenas um caderno (ou folha de papel) e uma caneta (ou material de desenho).

. Com os alunos ausentes da sala, o professor coloca objetos que estejam no ambiente perto do quadro da sala, no tablado (se houver) ou no centro da sala (a depender do tamanho da turma, da sala etc.). No caso de objetos pequenos ou trazidos de casa, é bom apoiá-los em folhas de papel Kraft grandes ou em cartolina branca. As mochilas e bolsas dos alunos são ótimos objetos para esse exercício (ver imagem abaixo). É importante selecionar menos objetos do que estudantes (por exemplo, 10 objetos para 30 alunos).

mochilas

Parte 1 – Observação:

. Chamar os alunos de volta à sala, avisando que eles não devem identificar se o seu objeto foi selecionado. (Lembrar também que  o trabalho não é para nota e não tem certo ou errado.)

. Pedir que os alunos se sentem de modo que possam escolher um objeto para observar, em silêncio, por cinco minutos. A escolha é livre e não deve ser compartilhada em voz alta. Ao final do tempo, explicar as tarefas abaixo que devem ser feitas na mesma folha.

. Desenho: cada aluno deve fazer um esboço do objeto escolhido com toda calma, prestando o máximo de atenção possível tanto à forma geral quanto aos pequenos detalhes.

. Texto: cada aluno deve inventar um nome próprio para o objeto escolhido (Maria, João, Ariel etc.) e escrever uma pequena história como se este objeto fosse o personagem nomeado, usando a primeira pessoa do singular (exemplo abaixo).

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Parte 2 – Compartilhando as histórias

. Selecionar um objeto e chamar os alunos que o escolheram para dizer o nome, contar a história e mostrar o desenho. Eles podem ir pra frente da turma ou compartilhar na roda no chão, dependendo de como vocês estiverem organizados. Se a turma for pequena, cada aluno pode ler toda a sua história mas, se o grupo for grande, é melhor que leiam apenas uma ou duas frases. Esse é um momento para deixar todos à vontade, curtindo as histórias criadas; por isso, é bom pedir a um aluno mais extrovertido que comece. (À medida que o exercício avança, os demais vão se tranquilizando e se divertindo.)

. Depois que as histórias do primeiro objeto escolhido são compartilhadas, é o momento de trocar ideias. Quais foram os nomes atribuídos? Houve um gênero? Quais foram os pontos em comum das histórias? E os diferentes? Quais aspectos do objeto (ou do observador) levaram às narrativas e interpretações?

. Para continuar, peço que o dono do objeto se identifique. É sempre com um sorriso que a pessoa levanta a mão! Acho que é um momento em que eles se sentem presentes, para além do seu papel de alunos. Perguntamos então o que ele/ela achou dos nomes e das histórias; e se pode contar um pouco da vida do objeto, se tem um nome, de onde veio, por onde andou etc.

. Nesse processo, todas as pessoas envolvidas vão se conectando por meio das narrativas e dos significados que os objetos suscitaram. Vamos aprendendo sobre os laços afetivos, as redes de sociabilidade, as singularidades individuais e os comportamentos compartilhados (ou não).

. O exercício vai se repetindo com os demais objetos, até que todos os alunos tenham participado.

. Um aspecto relevante numa turma com jovens universitários é que a grande maioria dos objetos foi presente de alguém afetivamente próximo. Essa constatação abre para um debate mais amplo sobre como os objetos “falam” de valores (padrões de gostos, visões de mundo etc.) e indicadores sociais (ocupação, geração, gênero, nacionalidade etc.) das pessoas envolvidas.

Desdobramentos

. Para além dos objetivos da aula, listados acima, já propus dois tipos de exercícios decorrentes dessa experiência, em ambos retirando o lado ficcional da narrativa:

. Um deles é repetir em casa o trio “observação, desenho e escrita” com um objeto que o aluno considere especial na sua história de vida. Na aula de entrega desse material, colocamos todos os trabalhos no quadro para a turma observar e debater. (Geralmente, só faço essa proposta em oficinas de antropologia e desenho.)

. O segundo exercício é levar essa experiência para o trabalho de campo. O objetivo é explorar a habilidade para detectar objetos significativos para o campo escolhido, exercitando a análise de seus aspectos simbólico-sociais. Geralmente, em turmas de pesquisa etnográfica, peço que façam isso com dez objetos (imagens e textos) para depois selecionarem alguns para uma análise mais aprofundada.

Eu poderia passar a noite contando mil histórias que surgiram desse exercício, mas o post já está muito longo. Tivemos choros, risadas, abraços, descobertas, análises filosóficas e antropológicas intermináveis… Muita coisa pode surgir dessa dinâmica, das acadêmicas até as inusitadas: uma vez, sem combinar, três pessoas que nunca tinham se visto antes nomearam uma bolsa com o mesmo nome: Matilde!

Deixo agora por conta de vocês: experimentem e me digam como foi, tá?

* O trecho citado está em SAHLINS, Marshall. “La pensée bourgeoise: a sociedade ocidental como cultura”, In: Cultura e razão prática. Rio de Janeiro, Jorge Zahar, 2003 [1976], p.170.

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts com meu último artigo sobre antropologia e desenhodicas de escrita da Natalie Goldberg,  25 dicas de edição de textos, sobre brincar de pesquisar, sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

Sobre os desenhos: Objetos que são parte da minha história, da esquerda para a direita: chocalho marajoara que foi do Antônio bebê (ganho em Belém-PA), porta-coisinhas de louça que foi da minha avó Lydia, minha caneca preferida (de Oxford, UK), bonequinha de pano que a Alice mais amava quando era pequena. Todos foram desenhados para um projeto de troca de desenhos num caderninho Laloran com canetinhas de nanquim e coloridos com aquarela. Depois conto mais sobre o projeto!

Agradeço aos alunos pela cessão dos desenhos das bolsas e mochilas!

 

 


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A antropologia pelo desenho

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Na vida acadêmica, são muitos os dias em que parecemos fazer nada. Estamos a pensar, a ler e a escrever. É um trabalho lento e silencioso mas que nos enche de barulhos internos. Estará bom? Estará compreensível? Será uma contribuição relevante? Serão sinceros os editores que nos aprovam? Só há um jeito de saber: publicar, se expor, dar a ver.

Taí nosso esforço coletivo de colaborar para o diálogo da antropologia com o desenho. Agradeço o convite para escrever o texto inicial a Ricardo Campos e Peter Zoettl, editores da revista e organizadores desse número. E envio um imenso obrigada a todos os autores que ampliaram meus horizontes. Agora é com vocês, leitores!

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Desenho de Laura Lino M. Cruz

 

Dossiê “Antropologia e desenho” – Revista Cadernos de Arte e Antropologia, v.5, n.2 (2016)

Outros artigos:
Fabiene Gama e Soraya Fleischer
Marina Hervás Muñoz
Sobre o desenho: Desenho de 2008 feito com uma caneta tinteiro Lamy num caderno de papel comum. A caneta entupiu e nunca mais consegui limpar… Os sentidos para a imagem estão no texto publicado.

 

 

 


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Mente selvagem: dicas de escrita de Natalie Goldberg

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“A vida não é ordeira. Por mais que tentemos pô-la em ordem, bem no meio dela morremos, perdemos uma perna, nos apaixonamos, derrubamos um pote de geléia.”

Assim Natalie Goldberg começa seu Mente selvagem. O dragão da imagem me fez puxar esse livro da estante. Estou assustada com a falta de confiança dos meus alunos em escrever. Não se reconhecem como autores. Repetem as frases que os professores querem ler nas provas. É um bom truque aprender a escrever aquilo que seus avaliadores desejam, mas é também uma armadilha.

“Confiar em nossa mente é essencial para escrever”, diz Natalie, antes de apresentar seus 7 conselhos para o ofício:

  1. “Mantenha sua mão em movimento.” Estabeleça um tempo e não pare. Deixe que a mão criativa assuma o controle, impedindo a mão editora-crítica de interferir.
  2. “Descontrole-se. Diga o quer dizer.”
  3. “Especifique-se. Não carro, mas Cadillac. Não fruta, maçã.”
  4. “Não pense. (…) Limite-se a treinar e esqueça todo o resto.”
  5. “Não se preocupe com pontuação, ortografia e gramática.”
  6. “Esteja livre para escrever o pior lixo das Américas.”
  7. “Ataque a jugular. Se alguma coisa apavorante surgir, vá em frente. É ali que está a energia.”

“Estamos sempre recomeçando”, ela escreve. “É como beber água. Não bebemos um copo uma vez e nunca mais temos de tornar a beber. Não terminamos um poema ou um romance e nunca mais temos de escrever outro. Estamos sempre recomeçando. Isso é bom. É bondade.”

“Mantenha-se simples”, afunde-se em si mesmo e escreva naquele lugar tranquilo de igualdade e verdade, segue Natalie.

“Somos lentos em nos dar conta da grandeza que há em nós.”

“Escrever é a brecha pela qual podemos nos esgueirar para um mundo maior, para nossa mente selvagem.”

“Se quer escrever, escreva. Essa é sua vida. Você é responsável por ela e não vai viver para sempre. Não espere. Arranje tempo agora, mesmo que dez minutos por semana.”

“Muitas vezes, quando está sendo difícil escrever, digo a mim mesma: ‘não existe fracasso’. O único fracasso de quem escreve é parar de escrever. (…) Não faça isso. Deixe que o mundo lá fora grite com você. Crie um mundo íntimo de determinação.”

“É bom experimentar coisas diferentes, mas eventualmente temos que escolher uma coisa e assumir um compromisso. Do contrário estaremos sempre à deriva e não teremos paz. (…) a capacidade de se concentrar é de onde vêm o contentamento e o amor.”

Adorei reler essas frases que sublinhei na época da leitura, nos anos 1990. Quem sabe ressoem em vocês.

Sobre o livro: Goldberg, Natalie. Mente Selvagem: como se tornar um escritor. Rio de Janeiro: Gryphus, 1994. (Tradução de Tati Moraes.) Da mesma autora, recomendo Writing Down the Bones, que não sei se tem em português.

Revistas acadêmicas! A seguir um presentinho preparado pela querida Daniela Manica (obrigada! ♥) a partir de um post que publiquei no Facebook pedindo sugestões de revistas que aceitam trabalhos de alunos de graduação. A Dani também é professora de oficinas de escrita no IFCS e faz um trabalho incrível com os alunos, de pesquisa e preparação de textos para publicação. Aí vai a listinha completa das revistas indicadas:

Revista Habitus (IFCS/UFRJ)
http://www.habitus.ifcs.ufrj.br/index.php/ojs

Cadernos de Campo (FFLCH/USP)
http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/index

Ponto Urbe (FFLCH/USP)
https://pontourbe.revues.org/

Revista Três Pontos (FAFICH/UFMG)
https://seer.ufmg.br/index.php/revistatrespontos/index

Revista Ensaios (UFF)
http://www.uff.br/periodicoshumanas/index.php/ensaios

Revista Todavia (UFRGS)
http://www.ufrgs.br/revistatodavia/

Revista Florestan (UFSCAR)
http://www.revistaflorestan.ufscar.br/index.php/Florestan/index

Revista Textos Graduados (UNB)
http://periodicos.unb.br/index.php/tg

Revista Primeiros Estudos (USP)
http://www.revistas.usp.br/primeirosestudos/index

Revista Pensata (Unifesp)
http://www2.unifesp.br/revistas/pensata/

Revista Escrita da História – REH
http://www.escritadahistoria.com/

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts com 25 dicas de edição de textos, sobre brincar de pesquisar, sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

Sobre o desenho: Dragão feito por observação na Livraria Cultura do Conjunto Nacional, de São Paulo, durante uma aula de desenho da Fernanda Vaz Campos, que gentilmente me convidou para participar. Foi uma festa estar na terra da garoa por quatro dias, mas sobre isso escrevo mais em outro post. O desenho foi feito num moleskine pequeno com canetinha Unipin 0.2 e  aquarelado no local, do jeito que deu. Passei um pouquinho de lápis-de-cor branco antes de escanear para tentar marcar os brilhos na fórmica preta, mas acho que não deu muito certo.


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25 dicas para revisar textos acadêmicos (de trás pra frente)

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Pessoal, um post útil pra variar! Reuni as 25 dicas de revisão que mais utilizo. Servem para resenha, livro, artigo, blog, dissertação ou tese de doutorado. São simples, mas funcionam, com a vantagem que você não precisa ser nenhum gênio do português para executar. O segredo é não pular nenhuma, por mais boba que seja. Estão divididas em três blocos, seguindo de trás para frente.

Revisando as Referências Bibliográficas – Como sempre começo a ler um texto acadêmico pela bibliografia, é a partir dela que inicio a revisão também. (Se o texto que você está revendo não tem bibliografia, pule para o item 11.)

1) Ordem alfabética – Verifico se os autores estão em ordem alfabética por sobrenome.

2) Ordem cronológica – Coloco as obras do mesmo autor em ordem de ano (do mais antigo ao mais recente).

3) Repetições – Se há várias obras do mesmo autor, substituo os sobrenomes e nomes repetidos por uma pequena linha (6 traços sublinhados).*

4) Conteúdos – Verifico se todas as referências contém data, título, cidade e editora.

5) Paginação – Volto ao início procurando itens com artigos e capítulos para ver se coloquei o intervalo de páginas específicas de cada um.

6) Links –  Em caso de links, costumo substituir urls imensas por versões reduzidas por um encurtador (tipo Google Shortener).

7) Formato – Releio tudo mais uma vez verificando se todas as informações estão no formato pedido pelo local de publicação (e isso varia muito, tipo modelo Chicago, ABNT etc.).

8) Alinhamentos –  Por último, seleciono tudo e padronizo os espaços entre linhas (1,0), os espaços entre parágrafos (12pt) e os recuos (primeira linha: 1,25).

9) Citações no texto –  Vou ao início do arquivo e faço uma busca por parênteses, isto é, aperto Ctrl-L e digito ( . Isso me ajuda a localizar citações pelo ano. A cada referência encontrada, vejo se a obra está na lista bibliográfica. É útil trabalhar com duas janelas de arquivos lado a lado, uma com o texto, outra com a bibliografia. Dá bastante trabalho, mas compensa. Evito esquecer obras inteiras nas referências e corrijo errinhos de datas (por exemplo, obras citadas como 1996 no texto e como 1997 na bibliografia). Caso existam referências em notas de rodapé ou notas de fim de texto, verifico os autores citados lá também.

10) Referências não citadas – Se for um trabalho grande, verifico tudo ao inverso, isto é, se todas as obras listadas nas referências bibliográficas estão referidas no texto. É um pouco de exagero, eu sei. Mas imaginem que só durante a impressão da minha dissertação de mestrado é que descobri que não se podia colocar autores na bibliografia que não estivessem citados na tese! Foram horas de estresse editando a lista.

Revisando o Texto

11) Limpar excessos – Começo eliminando as palavras-daninhas, aquelas que mais uso sem necessidade, tipo: eu (como em “eu vi”, por exemplo), muito, mas, mesmo, que, também, bastante, meu, minha, sempre, ou seja etc. Tento jogar fora também generalizações sem fundamento, coloquialismos, jargões, chavões e clichês (alguns exemplos aqui).

12) Eliminar repetições – Nessa primeira limpeza, busco também cortar ou substituir palavras repetidas (ou similares) muito próximas. É um desafio escrever um texto sobre objetos, por exemplo, e não escrever “objetos” a cada duas linhas! Haja criatividade. A providência seguinte é reduzir o uso de vocábulos-muleta típicos do texto acadêmico como “questão”, “crucial”, “importante”, “relevante” “etc.” etc. 😉

13) Evitar adjetivos e advérbios – Tento eliminar ao máximo o uso de adjetivos (ótimo, excelente, instigante) e advérbios (justamente, claramente, obviamente, desnecessariamente…). Deixo passar alguns quando escrevo resenhas ou comentários mais opinativos.

14) Reduzir frases longas – Outro dia sugeri aos meus alunos que revisassem seus textos com um critério bem simples: todas as frases com mais de 3 linhas deveriam ser redivididas. Foi ótimo! A chance de se enrolar com uma frase longa é bem maior do que com uma frase curta.

15) Rever citações longas – Evito ao máximo incluir extensas citações de autores nos meus textos. Sempre que consigo, traduzo suas ideias em paráfrases (ou seja, explicando o que eles querem dizer com as minhas palavras) ou utilizo citações curtas e conceitos essenciais. É uma preferência minha como leitora. Acho mais agradável ler um texto com um narrador só e não cheio de colagens.

16) Eliminar voz passiva – Frases com sujeito oculto ou indeterminado quase sempre são reflexo de um argumento ou situação de pesquisa mal esclarecidos. Nunca é demais perguntar quem faz o quê, onde, quando e como.

17) Melhorar a precisão – Reviso buscando trocar afirmações vagas, imprecisas e  relativas (como “em geral”, pouco, grande, longo, menor etc.) por informações precisas e, sempre que possível, comparativas.

18) Indicar fontes, datas e locais  – Sempre releio um texto avaliando se citei todas as fontes necessárias. Como leitora, gosto de dados específicos e de saber de onde vieram as informações, frases, imagens etc. Acho tudo mais interessante quando conheço o contexto, as condições de produção, tempo e lugar.

19) Sintetizar a argumentação – Um dos problemas mais comuns nos textos que reviso (e nos meus!) é a repetição de ideias. Já repararam? A gente se apega num argumento e fica repetindo, repetindo, de diferentes maneiras, nem sempre criativas. Pra mim, esse é um dos momentos mais difíceis da revisão: avaliar se realmente estou avançando ou apenas repisando uma ideia já apresentada ao leitor – essa pessoa enjoada e preguiçosa que nos abandona ao primeiro enfado!

20) Assumir as próprias falhas – Nem sempre dá para consertar tudo numa revisão. Aliás, nunca dá para consertar tudo numa revisão! Prefiro deixar claro as falhas que consegui identificar e suas justificativas. Mil vezes um autor consciente de seus problemas do que o arrogante-profeta-sabe-tudo.

21) Apontar caminhos – Uma das falhas de todo bom texto é que ele acaba! Por isso, dar um fechamento é tão difícil quanto começar. Criei uma formulazinha para mim mesma: procuro terminar apontando desdobramentos possíveis, numa espécie de promessa do que eu faria se pudesse pesquisar e escrever mais.

22) Rever a abertura – Depois de todo esse trabalho, ainda falta uma revisão essencial: a do primeiro parágrafo. Nada mais chato do que começar lendo: “esta tese é sobre um assunto que surgiu no tempo em que eu estudava no lugar tal da vila tal da região remota tal onde um dia nasceu a nossa senhora dos começos”.  Um pouco de criatividade, uma epígrafe, uma pergunta, uma imagem… procuro achar algo para começar que não se pareça com um formulário carimbado em três vias.

Revisando Autoria, Título e Resumo

23) Dados biográficos – Erro no nosso próprio nome é uma das piores coisas que podem acontecer numa publicação! Mas acontecem; e com frequência, porque essas informações costumam ser redigitadas. Nas provas de um artigo que publiquei recentemente, meu nome inteiro estava trocado por outro! A mini-biografia veio correta mas eu me chamava Xan-Xin-Ling!  Essa é a parte da revisão que requer maior atenção pois somos mais desatentos com o que é familiar.

24) Revisar o resumo – Taí a melhor coisa que você pode fazer para a vida de seus futuros leitores. Tem que revisar em português e em inglês. Mesmo sem dominar bem a língua estrangeira, já ajuda passar um revisor automático ou usar o tradutor do Google pra verificar errinhos de ortografia.

25) Título – Escolher um título é pra mim a pior parte de todas! Sempre deixo por último para tentar melhorar e para evitar de vir errado. Já vi acontecer até em grandes editoras.

PS1: Faltou dizer que costumo terminar padronizando fontes, espaçamentos e outros detalhes formais, mas achei que “25 dicas” soaria melhor do que 26. Espero que sejam úteis!

PS2:  Nunca é demais lembrar: ao final da revisão, procuro enviar meu texto para um leitor(a) qualificado fazer críticas – e peço que sejam sem piedade! Quando chegam as correções e sugestões, descubro duas coisas: 1) tenho uma amizade verdadeira nesse mundo (só amigo pra fazer isso nos tempos de hoje); e 2) haja força para encarar mais uma – necessária – revisão! (E isso se provou verdadeiro aqui nesse post, conforme vocês podem ler abaixo.)

* Agradeço à Eva Scheliga por avisar que o correto, pela ABNT, é substituir o nome dos autores por 6 traços sublinhados. Agradeço ao Mário Magalhães por me ensinar que a expressão “de trás pra frente” está tecnicamente incorreta. Agradeço à Franciely Ribeiro por me alertar que “junto com” é pleonasmo! (Estava no início do item 12. Agora já está corrigido.)

PS3: Esqueci de escrever aqui (na versão inicial) que o post também é para comemorar duas marcas redondas do blog: 170 mil visitas e 100 mil visitantes \o/

PS4: Listinha de livros para quem gosta do tema da escrita e de ver como os escritores profissionais lidam com as próprias dificuldades:
– “Truques da Escrita”, de Howard S. Becker (ed. Zahar) – mais nesse post.
– “O espírito da prosa”, de Cristovão Tezza (ed. Record) – mais nesse post.
– “Sobre a escrita”, de Stephen King (ed.Suma)
– “Palavra por Palavra”, de Anne Lamott (ed. Sextante)
(Tentando citar apenas quatro para não exagerar nas referências… assim vocês não percebem que sou obcecada pelo tema.)

 

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts sobre brincar de pesquisar, sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

Sobre a imagem: Desenho de uma canetinha Derwent (e de seu estojo, que ficou pequeno) que ganhei no encontro dos Urban Sketchers em Manchester. Usei a própria caneta desenhada para fazer as linhas pretas. O papel é a folha de rosto cinza de um caderninho Fabriano que comprei no evento. A parte branca foi feita com lápis de cor e caneta posca. O desenho veio a calhar, pois já estava pronto quando resolvi escrever o post. Nada como uma canetinha preferida na hora de fazer uma revisão, pois sempre que posso trabalho com papel à mão.


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Passageiros do metrô (2)

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Quando estou meio confusa, aprendi que a melhor coisa é voltar ao básico, às coisas simples que me fazem bem. Desenhar é uma delas, vocês sabem. Então, hoje é post de volta aos personagens que me fizeram entrar no caminho da observação gráfica. Eles estão na origem do blog (posts 1, 2, 3 e 4; e que expliquei aqui). Mas o melhor que eu poderia dizer sobre eles, escrevi no post Irmãos e irmãs de Shakespeare, um dos meus preferidos até hoje.

A todos nós, um final de semana com boas doses de descanso, tranquilidade, produção, energia e amor. ♥

E para a Fabiana (e todos os doutorandos desanimados), que me escreveu lá da Austrália uma mensagem linda, um abraço apertado de acolhimento, carinho e energias positivas. Sim, você disse tudo: para criar a gente precisa se cuidar. Acrescento, pensando alto: criar devia ser uma forma de se cuidar — no sentido de se cultivar — também, não acha? Então, quem sabe, fosse bom a gente se perguntar: para quem escrevo essa tese? Por que cheguei até aqui? E lembrar dos dias em que esse desejo era fresco e bom! Você tem sim o direito de botar sua palavra no imenso livro do mundo. Tem sim.

Sobre o desenho: Passageiros do metrô carioca, que tenho desenhado com caneta Pigma Micron 0.2 num caderno bem baratinho, de folha de jornal. Pintei com aquarela em casa, explorando aguadas bem finas e transparências, que é a habilidade que mais busco nos meus estudos de pintura atualmente. Respeitei os tamanhos das figuras conforme foram desenhadas, mas tirei as manchas e rugas das páginas no Photoshop, onde também montei essa imagem geral. O caderninho é tamanho A6 (metade da metade de uma folha A4).


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Brincando de pesquisar – ideia para aula lúdica

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Como prometi, hoje vou explicar a brincadeira que fiz com a turma de Antropologia II logo na primeira semana do semestre. Acho que o exercício vale para ensino médio, graduação ou até pós, por que não? Resolvi postar aqui no formato de “plano de aula”. Assim, fica mais fácil para quem quiser experimentar com seus alunos. Depois me contem!

Objetivos da aula:

. Compreender que os indivíduos são diferentes e levam essas diferenças consigo, para além das diferenças nos seus aspectos visuais, que impactam no nosso primeiro contato.

. Compreender que os indivíduos são semelhantes dentro de certas condições sociais; e isso fica claro quando os comparamos sob certos critérios.

. Compreender que precisamos levar em conta essas duas dimensões (acima) para conhecermos a nós mesmos e aos outros.

. Uma pesquisa deve gerar conhecimento e nos transformar. O papel começa em branco, mas deve ser preenchido por algum conteúdo. Precisamos aprender algo a partir de uma pesquisa.

. Uma pesquisa pode ser divertida e interessante; pode ser vivida como um enigma, um quebra-cabeça que desvendamos.

. Fortalecer a autonomia: mostrar que podemos e devemos pensar a partir dos nossos dados, classificá-los e interpretá-los.

Material necessário:

. Canetas para quadro branco

. Papeis A4 para cortar em 6 (É melhor o professor levar 1 folha para cada aluno)

. 6 pedaços de papel com números grandes de 1 a 6 para classificar as respostas sobre uma mesa

Dinâmica – Como foi feita a aula:

Avisar que: As respostas são anônimas; não é para nota; não tem resposta certa ou errada; conta como participação. Pedir que tentem ser bem específicos na resposta.

Preparação: Pedir para os alunos cortarem o papel em 6 pedaços e numerar. (Desenhei um papel com divisão em 6 no quadro)

Quadro: Escrevi as perguntas abaixo no quadro.

Alunos escrevendo: Pedi que os alunos respondessem nos pedaços de papel numerados (cada papel recebeu duas respostas, por ex., 1a. e 1b.), dando aproximadamente 1 minuto para resposta (sem precisar copiar as perguntas).

1) Desde que me entendo por gente, tenho…
a. dificuldade com..
b. facilidade com…

2) Na minha vida…
a. a maior tragédia é…
b. o maior privilégio é…

3) Meu traço mais marcante para…
a. os outros é…
b. para mim é…

4) Hoje em dia…
a. meu maior medo é…
b. minha maior coragem é…

5) Se eu pudesse, gostaria de…
a. aprender a…
b. viajar para …

6) O que me faz…
a. mais feliz é…
b. mais infeliz é…

Após as respostas:

. Cada aluno colocou suas respostas na mesa de acordo com o número correspondente. Ou seja, ficamos com pilhas de respostas 1, 2, 3 etc.

. Cinco alunos voluntários vieram, um de cada vez, ler 6 respostas aleatórias, uma para cada número, formando assim um  “personagem”. Foi emocionante, engraçado, estranho, surpreendente, interessante! Em muitos casos, percebemos repetições/padrões, mas também diferenças, distâncias e individualidades.

. Pedi para eles escolherem um número para eu ler todas as respostas. Eles escolheram o número 6 (Feliz/Infeliz). Achei bem significativo, pois foi nesse item que apareceram algumas imagens mais subjetivas. Li as respostas para a pergunta 6B (motivos de Infelicidade) e fui dividindo em dois grupos (em quantidades quase iguais). Perguntei: “Com qual critério eu dividi essas respostas?”. Eles responderam corretamente que foi “infelicidade social” (por ex. desigualdade social) ou “infelicidade individual” (por ex. terminar um romance). Peguei o grupo “social” e li as respostas da questão 6A (motivos de Felicidade). Muitos papéis foram parar na pilha “individual” nessa questão. Ao final, restaram apenas 4 papéis na resposta 6A do tipo “social”! A turma foi me ajudando a interpretar as respostas binariamente, mas acabamos decidindo criar uma categoria meio-termo para respostas com a palavra Arte e Amor em geral. O restante ficou no grupo “individual”. Todo o processo gerou bastante diversão geral, e também um material para debater sobre diferenças, semelhanças e possibilidades de classificação, como era o objetivo da aula desde o início.

. Fui ao quadro novamente e tentamos classificar as perguntas (da 6ª para 1ª) em tipos de informação. Com a ajuda dos alunos, decidimos que cada dupla de perguntas correspondeu aos seguintes recortes mais gerais: 1-Aptidão/Personalidade; 2-Realidade/Sociedade; 3-Personalidade/Identidade; 4-O que nos move/Atitude; 5-Desejos/Sonhos/Futuro; 6-Gostos/Sentimentos/Aspectos sociais vs. psicológicos. (Os termos são deles!)

. Fiz uma observação de que não coloquei nenhuma pergunta relacionada a aspectos visuais das pessoas de propósito, para não criar constrangimentos (por ex. risos da turma diante de alguma resposta), mas que eles precisariam ser levados em conta também. Expliquei que as perguntas foram apenas pretextos para mostrar como é interessante conhecer as pessoas e seus projetos… Falei da importância de sairmos do piloto automático (na vida e no pensamento) para podermos aprender e gerar conhecimento.

Nossa avaliação:

. A turma riu em vários momentos (de leituras das respostas, especialmente). Achei que criamos um ambiente de atenção, respeitoso e divertido, bem favorável à proposta. Notei um sinal positivo nos tempos de hoje: ninguém saiu mais cedo ou pareceu estar no celular!

. Fiquei com vontade de reproduzir aqui um monte de respostas legais, mas o post ficaria ainda mais enorme… Se ficaram curiosos, façam a experiência e vejam o que acontece.

. A monitora Aimée Weiss fez uma avaliação por escrito que me deixou muito feliz (obrigada, Aimée!). Um trechinho para vocês:

“O exercício foi bastante interessante justamente pela necessidade de autoanálise dos alunos em relação a sentimentos, personalidade, isto é, aspectos interiores, não externos, e que, por isso, precisam de maior reflexão para serem constatados. Não se trata de características dadas, evidentes/visíveis, mas sim que, para percebemos, faz-se necessário olhar e observar a nossa vivência pessoal. Foi muito interessante perceber a grande quantidade de pessoas que se diziam tímidas ou com dificuldades de contato social. Acho que as tarefas desenvolvidas durante a aula incentivam uma participação e construção coletivas. Este aspecto, juntamente com o exercício de etnografia, será muito importante como desafio para essas pessoas, de maneira a sair de suas zonas de conforto para se comunicar. Ao mesmo tempo, os alunos mais extrovertidos vão precisar de mais cautela para a atividade de observação, contemplação, sem necessariamente recorrer à imediata comunicação verbal. […] A atividade também comprovou a importância da nossa autonomia, da colocação das nossas impressões e observações para alcançarmos conclusões numa pesquisa. Mostrou também aos alunos que qualquer tema pode ser usado para pesquisa, desde que demonstremos que temos algo a conseguir captar, uma descoberta a fazer. […]  Pude observar um grande interesse e concentração dos alunos com a atividade, justamente por ela sair do padrão acadêmico. Esses exercícios tornam a aula muito mais leve, prazerosa e divertida. Também notei que eles não ficaram vidrados no celular. :-)”

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico: o blog tem posts sobre o tempo pra fazer a tese – parte 1 e parte 2como explicar sua tese, dicas para aproveitar a defesa de doutorado e outros textos sobre minhas experiência na importância de escutar, nos truques da escrita, na elaboração de uma carta para a seleção de mestrado, na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender adesescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica, na importância de não ser perfeito e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-ou-dignas-de-nota da semana passada:

. Agruras de hospital: caí na mão de um técnico de enfermagem que mais pareceria um carcereiro! Ele me examinou (39,3 graus de febre, pressão baixa, desidratada) e, ao invés de ajudar, começou a me dar bronca: “bota a máscara porque tá dando muito H1N1” (a máscara me sufocando), “por que você não tomou remédio pra febre?” (eu tomei, moço); e depois de me furar várias vezes, ele não desistia: “a culpa é da sua veia que não tá aparecendo”! Ainda bem que minha sobrinha surgiu com a Wilma (outra técnica de enfermagem) e me salvou!

. Alice se recuperou das contusões e está apaixonada por tocar Lisbela no violão. Sei que elogio de mãe não vale, mas está lindinha demais! Pena que essa semana foi a vez dela ficar resfriada…

. Começamos maio com um plano familiar bem modesto: ler uma página de “Viagem ao centro da terra”, de Julio Verne, todos os dias. É o mesmo exemplar que li quando tinha a idade deles.

. Antônio, apesar da exaustão do ensino médio, está pintando e desenhando muito!

. Descoberta culinária da semana, nessa vida pós-açúcar: nibs de cacau orgânico. Uma delícia pra jogar em cima de qualquer fruta! Tem em qualquer loja de produtos naturais.

. Assisti a palestra TED “Uma história visual do conhecimento humano“, do pesquisador Manuel Lima. Além do conteúdo lindo e interessante, olha a coincidência: ao mandar o link para um amigo querido, ele me responde que tem o livro do autor sobre o tema! Peguei emprestado, claro. 🙂

. E outra palestra TED, essa para se divertir, sobre procrastinação, com o Tim Urban.

Sobre o desenho: Paleta de cores que fiz em 2015, no início do meu curso de aquarela no Atelier Chiaroscuro, da professora Chiara Bozzetti. Achei que dava uma boa ilustração para essa aula em que produzimos um monte de papeizinhos. As manchas foram feitas a partir das três cores primárias (as primeiras à esquerda) com todas as outras cores da minha paleta na época. É sempre um exercício válido. Recomendo!


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Entrando em foco para Abril/2016

abril2016

Estou ficando uma pessoa insuportável que não come açúcar e acorda todos os dias às 6:00 da manhã, por motivo de idade e de colégio de filha. Quando o Antônio era pequeno, eu até levantava cedo, mas voltava pra cama correndo! (E a Alice me denunciava pra todo mundo, como já escrevi aqui.) Agora, às 7:15 já estou trabalhando e lendo sites tipo My Morning Routine, cheio de personagens horrivelmente certinhos. Escrevi para um amigo ontem: — Me ajuda, o máximo de rebeldia na minha vida está sendo acordar às 8:00 no sábado e entregar o calendário do blog atrasado!

Sem saber, a Andréa Cordeiro, que faz um trabalho lindo no grupo Bonequeiras sem Fronteiras, foi quem deu o empurrãozinho para essa vibe de produtividade. Ela me lembrou de  um blog que eu costumava ler há uns anos atrás chamado Vida Organizada, escrito pela Thais Godinho. Os assuntos são ótimos para quem está precisando de ajuda para gerenciar as mil demandas da vida.

Uma ideia simpática que importei de lá foi começar o mês fazendo uma listinha das coisas em que realmente preciso focar e me dedicar nos próximos 30 dias. Tento não escrever mais do que oito itens, pra ser uma lista de prioridades e não mais uma inbox abarrotada.

Comprei umas fichinhas na papelaria (5 reais o cento!), colei uns adesivos e comecei. Para vocês terem uma ideia, em março, listei sete objetivos: 3 pessoais, 1 do blog e 3 de trabalho. Depois acrescentei mais 3 de trabalho e os 4 aniversariantes do mês para quem eu queria comprar presentinhos. Ou seja, 14 itens. Parece pouco? Mas experimentem fazer… O resultado foi: completei 7, comecei 3, e ainda não cheguei em 4! Ou seja, para abril, vou tentar focar mais.

Para que serve tudo isso? Pra mim, essa listinha tem sido a bússola que me coloca de volta no caminho toda vez que as demandas externas me puxam pro lado (e isso vai desde navegar a esmo na internet até aceitar mais um parecer acadêmico). Fica mais fácil dizer “não” e, por mais paradoxal que pareça, também fica mais fácil dizer “sim” pra surpresas e boas oportunidades.

Bom final de semana, bom mês de abril!

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

* Sabe aquele dia em que você sai de casa certa de que vai enfrentar trânsito, filas e atendentes de má vontade? Pois na quarta-feira, tive uma manhã feliz: ruas livres, banco sem fila, funcionários públicos de bom humor e, para completar, gatinhos fofos sendo bem cuidados por uma idosa no jardim da prefeitura!

* Dica de Netflix da minha dentista e amiga Lúcia Deluiz: a série inglesa Bletchley Circle, toda protagonizada por mulheres que trabalharam como decifradoras de código na Segunda Guerra Mundial. São só três ou quatro capítulos por temporada. Vi a primeira e achei bem simpática.

* Da organização da biblioteca do Gilberto Velho, a qual estou me dedicando algumas horas por semana: achei uma pequena coleção da obra do antropólogo Thales de Azevedo, com todos os volumes dedicados e autografados, cada um mais bonitinho que o outro. (Link para uma bibliografia completa do autor.)

* Graças ao Mauro Ventura, descobri o Facebook do jornalista Tom Cardoso, com histórias de morrer de rir! (Link)

* Essa semana vi um filminho com a história do ponto de exclamação! Muita gente do mundo das letras desdenha desse sinal, mas eu amo e adorei a homenagem! (Link)

* Quinta-feira estive na banca de doutorado do Ricardo Barbieri, com colegas muito especiais. Foi um momento de aprendizado e cordialidade, daquelas ocasiões em que nos sentimos felizes por escolher a profissão. Para completar, ainda soube que o blog tinha ajudado o casal — sim, porque a Taynah foi fotógrafa oficial da pesquisa!– a atravessar a tese com um pouquinho menos de estresse. Viva vocês, leitores!

Sobre o desenho: Calendário de abril em .jpg  e em .pdf. As imagens desse mês são inspiradas em estampas da marca de tecidos inglesa Liberty, que acho lindas! Desenhei primeiro com canetinha de nanquim 0.05 Pigma Micron. Depois colori com lápis CaranD’ache aquarelável e, em algumas cores, com pincel hidrocor Tombow, uma delícia de usar! Andei estudando para melhorar a qualidade da imagem no Photoshop. Me digam se está imprimindo melhor (isto é, com fundo mais branco e linhas mais nítidas por favor)!