Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Setembro/2018 e Nossas histórias

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“Quero que minha história seja ouvida porque acredito
que podemos criar um mundo melhor se aprendermos
a vê-lo sob diferentes perspectivas.
Diversidade é força; a diferença nos ensina.
A minha história é a sua história.
Esse é o foco que precisamos: conexão.”
(trechos de Hannah Gadsby: Nanette)

Sempre que publico um texto sinto-me num certo limbo, misto de vazio e carne-viva. Terminar artigo, tese, capítulo, até trabalho de curso… Vocês já passaram por isso, né? É como se largássemos uma parte nossa no mundo, que não nos pertence mais. Dá um medo. Na semana passada, essa sensação foi forte.

Então vieram as palavras de vocês. Fiquei emocionada e não consegui responder… Talvez aqueles choros não fossem apenas dos seus donos, mas também meus, de todos nós. No sábado, cada comentário que chegava me fazia chorar um pouco também, aquele tipo de lágrima que não sabemos se é triste, se é feliz, se é o quê. Mas a Hannah explica: é conexão.

Sentir que nossas histórias são ouvidas é o que nos motiva, comove, emociona.

Desculpem o silêncio…

Espero que continuar escrevendo e desenhando seja uma forma de retribuir tantos carinhos e gentilezas que recebo de vocês.

Aí vai Setembro e aqui está o .pdf em alta resolução para imprimir.

Precisei fazer um desenho mais simples esse mês, apesar de ser um dos meus preferidos do calendário. Eu queria ter nascido em Setembro para não ter tanta crise de identidade — sou leonina mas me sinto uma virginiana convicta! (E ainda é o mês da minha avó querida, que dia dez faria 104 anos.)

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Assistimos e amamos: Hannah Gadsby: Nanette, disponível na Netflix. Sem palavras para elogiar o suficiente. Fun fact (como diz a Alice): quando eu era pequena, e já tinha desistido de ser menino, meu sonho era me chamar Hannah.

♥ Para ouvir enquanto desenha: o podcast Art for All dessa semana, com o Danny Gregory falando sobre as delícias e dificuldades de se fazer um diário de viagem com desenhos, aquarelas e mapas.

♥ Para quem está começando na aquarela: uma listinha de vídeos no YouTube com tutoriais bem fáceis de acompanhar.

♥ Li numa newsletter simpática que assino, do blog Vida Organizada: “ninguém disse que eu preciso ser perfeita. Falho como todo mundo. O que estou me permitindo é me sentir menos culpada e aceitando mais que as coisas simplesmente são como são, no momento, e está tudo bem.” (Thais Godinho)

♥ Comecei a seguir no Instagram: a ilustradora polonesa Gosia Herba. Adorei a paleta de cores dela e suas várias ilustrações divertidas (muitas com meu tema favorito: livros).

♥ Para quem quiser acompanhar: estou postando no meu stories do Instagram as imagens do projeto de pintar todos os dias que estou fazendo com base no livro “Learn to Paint in Watercolor with 50 Paitings”, de Wil Freeborn.

♥ Ah, esqueci de divulgar aqui o resultado da doação do livro da Cleonice: apenas três pessoas se inscreveram e o escolhido foi o Pablo Rodrigues! Vou combinar com ele a entrega; e semana que vem anuncio mais um livro!

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Sobre o desenho: Paleta de cores inspirada numa bolsinha (tipo necessaire) que ganhei há muitos anos da minha tia Hanny, que usa uma igual (sinto que estamos sempre conectadas por isso!). Adoro como a combinação de cores estranhas (cinza, bege, rosa, laranja e verde escuro) produz uma coisinha tão gostosa de se ver (foto abaixo).

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Tentei achar os tons certos, mas meu desenho ficou muito mais vermelho do que o original (e acabei acrescentando um azul para não ficar natalino!). Fiz as linhas com uma Pigma Micron preta 0.2, e colori com lápis-de-cor.

Ah, um alerta para quem estiver pensando em investir em lápis-de-cor de qualidade: não comprem os Prismacolors! São macios e com cores intensas, mas a maioria dos meus está toda quebrada por dentro. A embalagem não protege cada lápis individualmente… não sei se os meus quebraram na viagem da compra (há muitos anos). Cada vez que vou usar me irrito de vê-los desaparecer no apontador! Recomendo os Polychromos, da Faber-Castell.

Até semana que vem, amores. ♥

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Setembro/2018 e Nossas histórias
“”, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “”
Setembro/2018 e Nossas histórias””, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Hz. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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5 razões para dizer sim e Maio/2017

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Certa vez, minha amiga Claudia contou que sua neta mais velha era o oposto dela: adorava colocar salto alto, usar frufrus e passar maquiagem. Quando a avó hippie lhe perguntou porque ela fazia isso, a resposta foi curta e direta: “Porque sim, porque eu gosto, vó!”

Que simples. Isso de agradar a todo mundo é uma areia movediça que engole o nosso cérebro. No cotidiano, no mundo acadêmico, na vida. Com minha mania de querer justificar o que faço com base nos Valores Maiores do Mundo, vivo atormentada. Tocar violão com a Alice, comprar presentinho para os amigos, ir para a academia, desenhar e escrever para o blog — tudo que não se encaixa na categoria “útil/obrigatório” na minha agenda vira um debate interno: por que, por que, por que? Ainda estou aprendendo a dizer: “porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem”. Meninas que me leem: vamos treinar dizer essa frase em voz alta? Aí vai em destaque:

“Porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.”

Normalmente, numa revisão de texto bem-feita, eu cortaria o pronome “eu” dessa frase, já que há uma redundância em escrever “eu gosto”. No entanto, resolvi deixar redundante mesmo. Afinal, na contramão do mundo narcisista e egocêntrico, aqui no blog somos uma turma de problemáticos que precisa aprender a se aceitar.

Portanto, vamos treinar dizer, em várias situações:

  1. Vou fazer [tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  2. Desejo [isso e isso] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  3. Vou me empenhar [em tal e tal coisa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  4. Vou me doar [para essa causa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.
  5. Gosto [dessa pessoa] porque sim, porque eu gosto, porque me faz bem.

E aí, conseguiram? É simples, é bobo, mas é forte, né? Notem que acrescentei na frase da neta da minha amiga a expressão final “porque me faz bem”. Sem esse detalhe, nosso eu destrambelhado correria o risco de sair por aí fazendo muitas, muitas besteiras. Não sei o de vocês, mas o meu com certeza. Por isso adicionei esse lembrete; para não me esquecer de que nem tudo que gosto, ou acho que gosto, me faz bem; e, para essas situações, talvez seja melhor dizer um singelo “não”.

O calendário de maio — esse mês que é o preferido de tantas pessoas e também um dos meus — foi inspirado num acontecimento das últimas semanas. Ajudando a Alice a arrumar as coisas da escola, percebemos que o lápis-de-cor vermelho dela estava no finzinho. Fui espiar na lata em formato de Bob Esponja onde guardamos lápis-de-cor usados. Ao procurar algum da cor vermelha, só achei cotoquinhos antigos, pequenos pedaços de memórias da vida das crianças. Fiz até uma foto para mostrar pra vocês.

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Ainda bem que aquela Marie Kondo não faz sucesso aqui em casa. Ela jogaria tudo isso no lixo. Nós não conseguimos. Não foi à toa que outro dia a Alice tirou dez no trabalho autobiográfico para a aula de história. Um dos critérios de avaliação era a diversidade de fontes. Nem preciso dizer que tínhamos ticket de teatro infantil, ingresso de museu e até xerox do passaporte português do Ulisses. Imagina a felicidade do professor! E da mãe! Quanto ao lápis vermelho: consegui comprar um avulso na papelaria JLM, no Largo do Machado.

Sobre o desenho: Para o desenho no calendário, fiz os mini-lápis com uma canetinha preta de nanquim permanente Pigma Micron 0.2. Depois o Antônio me ajudou a escolher as cores e colorir. Tentamos sair do óbvio, explorando a caixa de Polychromos da Faber-Castell, utilizando ocres, sépias, sanguínea, turquesa, verde cobalto, entre outras. No final, fiz as sombras com uma caneta pincel Tombow cinza n.79.

Para imprimir o calendário, cliquem no .pdf ou na imagem acima (em .jpg).

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota das últimas semanas:

♥ Adorei o post Coordenando, escrito pelo João Marcelo Maia, avaliando o aprendizado positivo na sua gestão como coordenador do curso de Ciências Sociais da FGV do Rio. Acho importantíssimo valorizar o trabalho administrativo feito por professores, num campo que o torna invisível pelos critérios de agências e fóruns científicos. Li uma parte para minha turma no IFCS e tivemos uma boa conversa sobre o tema da saúde mental no mundo universitário. Em breve, conto aqui.

♥ Continuo na “dieta” de abstinência do Facebook e Instagram. Eu já tinha um uso parcimonioso, mas ando numa de escrever e ler mais, com menos interrupções. Também gosto da ideia de parar de enriquecer Zuckerberg e cia. Confesso que não sinto saudades dos feeds, mas sim dos amigos que fiz por lá… ainda estou na dúvida se devo (e como) voltar.

♥ Por falar em escrever mais, retomei a prática de escrever pelo menos 300 palavras todos os dias (de semana!). Utilizei um método assim na época em que escrevi as teses de mestrado e doutorado. É impressionante como dá para cumprir esse hábito, às vezes, em apenas 15 minutos! Além do prazer de “ter escrito”, acabo dando conta de registrar logo algum acontecimento do dia anterior que pode ser útil depois, como resumo de aulas dadas, ideias para o blog, aulas e planos futuros etc. Claro que, em alguns dias, fico empacada, digitando bobagens e tudo bem.

♥ Descobri um guia de Emojis fofo para usar no Todoist, o aplicativo que uso para anotar tarefas. Para quem gosta desse tipo de utilidade inútil, também existem guias de códigos-Alt para digitar símbolos em teclados comuns (como os coraçõezinhos — Alt-3 — dessa lista).

♥ Consegui convencer as crianças a dar uma chance à série Abstract: the art of design do Netflix. Muito simpática, pelo menos o primeiro episódio, com momentos que misturam documentário e animação.

♥ Pesquisando para dar uma aula, acabei assistindo a divertida palestra “Sua linguagem corporal molda quem você é“, da Amy Cuddy no TED Talks. Impossível não terminar sorrindo! ☺

Você acabou de ler “5 razões para dizer sim e Maio/2017“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “5 razões para dizer sim e Maio/2017”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/s42zgF-lapis. Acesso em [dd/mm/aaaa].