Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Doze dicas de cursos de desenho e aquarela que já fiz (presenciais e online)

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Aquarela feita por mim a partir de tutorial da Anna Mason

Um dos desafios de quem gosta de arte, desenho e aquarela é encontrar um bom curso. Como já passei por vários, resolvi fazer uma listinha de referências. Há muita coisa legal para experimentar, mesmo se você não se acha artista. É uma boa ideia também para curtir nas férias.

Cursos presenciais — Vou iniciar pelos cursos presenciais, pois são os mais legais e significativos para mim. Foi por onde comecei, onde fiz amigos que me incentivaram e onde encontrei professores e colegas que me ensinaram muito.

Aqui no Rio de Janeiro há poucas opções. Os lugares por onde passei (ou que conheço) são os seguintes:

Chiaroscuro Ateliê de Pintura — Fui aluna do curso de aquarela da professora Chiara Bozzetti por dois anos (2015-16), como já escrevi aqui e aqui. É o lugar que mais recomendo a todos que me pedem indicações de onde começar. Pretendo voltar em breve, pois é um ambiente maravilhoso, alegre, criativo, acolhedor, com professores habilidosos, técnicos e dedicados. Além disso, os preços são mega acessíveis, o que gera um ambiente de alunos diverso, com anos de convívio. A Chiara é de uma delicadeza incrível, com um modo de trabalhar baseado na confiança e na capacidade de estimular o que cada um tem de melhor. Além do site, o ateliê tem um Instagram super ativo.

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aquarela que fiz com ajuda da Chiara

Escola de Artes Visuais do Parque Lage – EAV — Entre 2008-2009, fiz aulas de modelo-vivo durante um ano com o professor Manoel Fernandes — um mestre e artista que me marcou muito! Infelizmente, ele não está mais na escola (voltou para São Paulo, sua terra natal). Tentei outros cursos na EAV, mas não deram certo. O lugar é maravilhoso, as opções de aulas são interessantes — só que agora estão bem caras. Comecei no Parque Lage porque o Antônio (meu filho) fez a escolinha de artes de lá por 4 anos, e todas as professoras são excelentes. Tenho um enorme carinho por elas!

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modelo-vivo, meu caderno na época da EAV-Parque Lage

Ilustração Botânica – Jardim Botânico do Rio de Janeiro — Frequentei um curso de aquarela de oito semanas, ministrado por Paulo Ormindo e Malena Barretto, dois mestres da ilustração botânica. O programa completo é bem mais longo, e vale muito a pena para quem quer seguir no caminho da ilustração científica. Além do acesso a dois artistas fantásticos, o Solar da Imperatriz é um local lindo e os preços, na época em que fiz, eram bem acessíveis. Nessa área, uma outra referência importante é a professora Maria Alice Rezende, com quem já tive algumas aulas avulsas. Gostei de ambas as experiências, mas percebi que não queria seguir na ilustração botânica.

Renato Alarcão — Existe também no Rio de Janeiro o ateliê do professor Renato Alarcão, com oficinas de aquarela, diários gráficos e outras. É um artista experiente e talentoso. Já fiz uma aula avulsa lá. Hoje em dia, sigo as páginas dele no Facebook, em especial a do Diário Gráfico, que tem links ótimos.

Nathalia Sá Cavalcante — Outra sugestão é acompanhar o trabalho da Nathalia Sá Cavalcante, ilustradora e professora de design da PUC-Rio. De vez em quando, ela oferece workshops de desenhos do cotidiano, além de promover oficinas ao ar livre, reunindo propostas e pessoas maravilhosas. Conheci a Nathália na EAV-Parque Lage e tenho uma gratidão imensa pelo incentivo que ela sempre me deu para desenhar. Fico super feliz de acompanhar o trabalho lindo que ela está fazendo atualmente.

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Oficina da Nathalia Sá Cavalcante no Parque do Martelo – Humaitá/RJ

Urban Sketchers Rio de Janeiro — Uma opção gratuita é participar do grupo Urban Sketchers Rio de Janeiro que organiza encontros mensais abertos. Não precisa ter nenhuma experiência. O espírito é acolhedor, com compartilhamento de dicas, cadernos e técnicas, que se estendem depois para conversas no Facebook. Pessoalmente, nunca participei do grupo no Rio (muito devido à minha avassaladora preguiça de final de semana!) mas quis deixar aqui a indicação.

Urban Sketchers – Encontros internacionais — Foram nesses eventos que minha visão de desenho, arte e aquarela realmente mudou! Se eu tivesse que eleger uma só dica, seria: participe de um encontro internacional dos Urban Sketchers! Tive a sorte de ir a quatro edições — 2011 (Lisboa), 2013 (Barcelona), 2014 (Parati), 2016 (Manchester) — sendo os dois primeiros como aluna e os dois últimos como palestrante. Em todos tive subsídios de custo devido a eventos acadêmicos paralelos (nos dois primeiros) ou por ter sido selecionada para falar. Como já contei em alguns posts (aqui, aqui e aqui) além de oficinas, demostrações e palestras, os Encontros USK criam um espaço mágico, onde tudo gira em torno de arte, com uma atmosfera super generosa de aprendizado coletivo. Mais do que produzir desenhos e pinturas em si, fiz grandes amizades, conheci projetos e artistas incríveis. Pela primeira vez, percebi que era possível existir um ambiente de criatividade franco, onde a maioria das pessoas não está nem aí para competitividade e egocentrismo.

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Desenho feito por mim no final do USK-Barcelona (2013)

Cursos online de desenho e aquarela — Existem muitos!! Compartilho uma listinha dos que realmente fiz, paguei, experimentei, e gostei. Há basicamente dois modelos de escolas na internet: aquelas onde se compra um curso específico e aquelas onde se faz uma assinatura mensal, com direito a assistir quantos cursos quiser (tipo Netflix). Vou dar alguns exemplos dos dois tipos. (São todos em inglês, pois não conheço em outras línguas, nem no Brasil; mas se vocês souberem de algum legal, me contem nos comentários!)

Anna Mason Art — A escola online da inglesa Anna Mason é voltada para quem ama aquarela de precisão, com tutoriais de botânica, pequenos animais e alguns de temas diversos. Foi onde aprendi a fazer a abelha que ilustra esse post! Parece uma coisa dificílima, mas na verdade requer apenas paciência de seguir os passos dos vídeos, tudo super explicadinho pela simpática Anna. Já entrei e voltei duas vezes, pois é por assinatura mensal (só tem acesso se estiver pagando). Da última vez, optei por um pacote de 6 meses, mas pedi um desconto dizendo que era brasileira e que a libra estava muito cara. Eles me deram 20% de abatimento, resultando num custo de aproximadamente 60 reais por mês. Gosto muito do jeito como ela ensina, das mensagens que ela escreve, das misturas de cores, das técnicas e truques de aquarela. Já os temas das pinturas não me interessam tanto.

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Flor (magnólia) feita por mim a partir de tutorial Anna Mason

Creative Bug — Outra escola de assinatura mensal, voltada para desenho, aquarela, artes e artesanatos em geral. Tem a vantagem de ser baratinha: menos de 20 reais mensais da última vez que assinei (4,99 dólares). Além disso, os vídeos são lindos, as filmagens bem detalhadas e nítidas, com aulas estruturadas de forma simples e rápida. Conheci o site pelos cursos de desenho e aquarela da Lisa Congdon, mas depois assisti também as aulas de Lindsay StriplingYao Cheng e Jennifer Orkin Lewis, além de outras sobre encadernação. Um bônus é que as mensalidades se transformam em créditos que permitem você guardar os cursos na sua biblioteca pessoal. Assim, mesmo interrompendo o pagamento, o acesso a essa lista é garantido pra sempre. Também oferecem mini-cursos gratuitos no site e no Facebook.

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desenho da minha gata Lola inspirado em L. Congdon

Sketchbook Skool — Essa foi a primeira escola online que frequentei, pois já admirava muito os livros e o blog do Danny Gregory, um de seus fundadores. O pagamento é por curso, que inclui 5 ou 6 instrutores, com as aulas liberadas semana a semana, como se fosse uma faculdade de arte. A lista de professores é maravilhosa e os vídeos costumam ser super bem feitos. A filosofia da SBS é inspirar, motivar, dar ideias, mostrar artistas trabalhando e falando sobre seus processos criativos. Há demonstrações de desenhos e pinturas sendo feitos, mas sem ênfase em técnicas passo-a-passo. Em compensação, eles mostram os estúdios, os sketchbooks e os livros preferidos dos artistas, e quase sempre saem para filmagens ao ar livre, enfatizando o desenho/pintura de observação direta. O preço garante acesso permanente aos cursos mas não é baratinho (99 dólares). Já fiz alguns desde que a escola começou e posso dizer que valeram muito à pena! Professores que me marcaram, além do próprio Danny Gregory (que dá aula em quase todos os cursos): Prashant Miranda, Tommy Kane, Roz Stendhal, Jill Weber, Feliz Scheinberger, Lynne Chapman. Algumas dessas aulas foram fundamentais para me encorajar a criar as oficinas dos cursos de antropologia e desenho que comecei a oferecer na UFRJ desde 2013. Vários dos professores da SBS também são pessoas que conheci nos encontros internacionais dos Urban Sketchers, como Miguel Herranz, Lapin, Veronica Lawlor, Nina Johansson, Jason Das… daí eu não destacar tanto as aulas deles online, pois tive a oportunidade de fazer workshops pessoalmente. Incluí a Lynne Chapman (com quem trabalhei em 2016) nos destaques pois acho que fizeram uma filmagem excepcional sobre ela e seus projetos na interface entre ilustração e ciência, que tanto admiro.

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pintura/colagem que fiz assistindo uma aula do J.Twingley na Sketchbook Skool

Craftsy — Escola de arte online que cobra por curso. Só fiz os dois da Shari Blaukopf, pois ganhei cupons de desconto dela, que conheci em 2013 e com quem fiz uma oficina em 2016. A Shari é uma pessoa gentilíssima, com um alto nível de conhecimento de aquarela, num estilo bem solto. Gostei de assistir e acho que aprendi bastante sobre cores, camadas e aguadas. As aulas na Craftsy são bem didáticas, tipo passo-a-passo — pena que o estúdio de filmagem seja tão sem graça! Eles têm feito cursos com vários instrutores ligados ao mundo da aquarela e do desenho urbano, como Suhita Shirodkar, James Richards, Marc Taro Holmes, Stephanie Bower, entre outros como vocês podem ver aqui. Recomendo para quem quer aprender o estilo de um artista específico. Ah, e uma dica bem legal é ver as resenhas do Parka Blogs sobre os cursos antes de decidir qual fazer.

Roubadas — Cuidado com cursos que são meras palestras filmadas por Skype! Uma vez cheguei a pagar por uma aula anunciada no Instagram com três ilustradoras que admirava. Na hora de assistir, eram vídeos super mal feitos de telas de computador. Pedi meu dinheiro de volta depois da meia hora. Reclamaram, mas devolveram. Por essas e outras é que costumo pagar tudo online com Paypal, inclusive livros, já que fica mais fácil estornar valores.

Curso milagroso x seu tempo — Assim como na vida acadêmica, no mundo da arte também procuramos pela fórmula mágica que vai nos transformar em artistas da noite para o dia. Isso não existe. Mesmo para pessoas que nascem com talento e criatividade excepcionais, é o trabalho diário, a persistência, a capacidade de recomeçar, enfrentando as dificuldades, que faz com que avancem.

Para nós, simples mortais, o caminho é o mesmo. Considero que retomei essa estrada em 2004 (em cursos da faculdade de design, trancada depois). Continuo dando passinhos de formiga, muitos pra frente, outros pro lado, vários pra trás (meu momento atual!). Em 2008, quando senti que tive um certo desenvolvimento, meu professor Manoel Fernandes me disse: mais do que as aulas, o que está fazendo você se desenvolver é o uso diário do caderno, seus desenhos no metrô; não pare! Ou seja, não adianta frequentar o melhor curso do mundo se você não pratica, se não investe seu tempo e atenção nisso.

É isso, pessoal! Espero que essas dicas sejam úteis. ♥ Eu poderia falar do mundo Youtube, mas vou deixar para um outro dia, se vocês tiverem interesse.

Levei três semanas fazendo esse post porque foram muitos detalhes para lembrar e informações e imagens para organizar.

Nesse meio tempo, fiz uma cirurgia para retirar uma pedra na vesícula. Já passei pela primeira semana de repouso e está tudo indo bem! ☺ Bons desenhos!

Você acabou de ler “Doze dicas de cursos de desenho e aquarela que já fiz (presenciais e online)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Doze dicas de cursos de desenho e aquarela que já fiz (presenciais e online)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-39g. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Os bichos do meu pai e o talento de Roberto Negreiros

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Quando nasci, meu avô gritou pela janela de um prédio da Rua Buenos Aires: — É menina! Em frente trabalhava meu pai, já cansado de ter filhos e dos alarmes falsos do bebê. Eu estava dividida: será que valia a pena vir para esse mundo? Até que não pude hesitar mais, vocês sabem como é.

Minha primeira lembrança é a de morder a minha amiga Adriana e ficar de castigo, chorando e tentando fazer um som alto que pudesse ser ouvido tanto como “mãããe” ou “pãããe”: quem sabe um dos dois vinha? Graças a esse dia, aprendi que era melhor não gritar, não morder e ir cuidar da minha vida.

Não me lembro de brinquedos preferidos: o que eu mais gostava era de bicho. Tinha um cachorro maior do que eu no apartamento. O amor pelo cão era do meu pai, mas quem cuidava era minha mãe. Taí a metáfora do casamento patriarcal. Que bom que a minha mãe se separou. A culpa não era do animal, mas sua presença deixou sequelas: nunca mais minha mãe aceitou bicho em casa. Até hoje tenho o sonho de ter um cachorro grande. Em 2009, aplaquei um pouco a vontade adotando dois gatos.

Depois de separado, meu pai continuou insistindo em ter bichos, e para isso precisava achar mulheres para cuidar deles. Ou era ao contrário? Foram vários: gatos estrangeiros, cachorros histéricos, gigantes, minúsculos, todos com problemas de comportamento vocês-sabem-porque. Minha favorita foi a gatinha Nívea, importada junto com a namorada americana que gostava de andar pelada pela casa (anos 1970, perdoem a moça). A falta de roupa era compensada por cílios postiços imensos (imaginem meu susto a primeira vez que vi a mulher puxando os olhos com uma pinça!) e o excesso de pelos da gatinha, uma persa que precisava ser escovada duas vezes por dia e cuja pelagem a dona usava para cobrir as partes.

Um dia, essa namorada foi embora e abandonou os gatos lá com meu pai, coitados. Caíam da janela (por sorte um segundo andar), passavam fome (acostumados com ração de primeira) e os pelos embolavam tanto que tinham que ser tosados por falta de escova. Decidido a mudar e ser responsável, meu pai arranjou outra namorada. Ela até gostava de bichos — disso não podemos acusá-la — mas cuidar dos gatos da americana plastificada? Aí já era demais.

Sabendo do coração mole do parceiro, a moça veio com um (ou dois?) cachorros a tiracolo, os “seus”, naturalmente — ou foram adotados como símbolo do enlace, sei lá. O caso é que os gatos passaram do semi-abandono ao purgatório. Nívea tentou fugir tanto que conseguiu e morreu atropelada. Fuzi, seu par lindo e gigante, vivia apavorado e escondido, ao ponto que não se notava mais sua existência. Acabou sendo doado para a moça da faxina, com certeza a melhor coisa que aconteceu na sua vidinha sofrida.

Essas lembranças foram inspiradas num livrinho delicioso que li essa semana: “Com a palavra o ilustrador Roberto Negreiros” (editora Mandacaru, SP). É um pequeno volume (62 páginas) de uma coleção de três, com imagens e textos autobiográficos de ilustradores. Além dos traços leves e divertidos (a la Sempé), Roberto Negreiros é um narrador fantástico, desses que te levam, de sorriso em sorriso, até a última página, onde a única tristeza é que a história acabou…

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Da origem como “artista egípcio” aos domingos como “oficial arrancador de pelos das orelhas” do tio Ruy, o autor desfia uma coleção de personagens da sua infância, sempre com aquela mistura de humor e compaixão que tanta falta fazem na internet de hoje. Meu capítulo favorito é o da bicicleta que o menino não queria saber de aprender. Com a desculpa de embelezá-la, dava seguidas mãos de tinta na bichinha, alegando que precisavam de uma semana para secar bem.

De pintor de bicicletas a aluno do Externato Paulista, cujo lema ele diz que era “entra burro e sai artista”, o pequeno Roberto já se fazia admirado pelo talento com que desenhava em calçadas, murais e cadernos. Que bom que não se tornou farmacêutico, como seu pai queria. Sorte nossa e da arte! Sua obra pode não solucionar, mas certamente torna a realidade menos “rude, injusta e aborrecida”, como um dia ele a julgou, apaixonado diante de uma tela de cinema.

* Sobre a imagem inicial do post: Não tem muito a ver com o tema do texto, mas foi uma mistura de desenho, pintura e colagem que fiz nos últimos dias. Começou com dois passageiros observados no metrô (canetinha Pitt S Faber-Castell). Depois colei o pássaro, recortado de um folheto do Jardim Botânico. Por último, catei folhas no Parque Lage para inspirar as pinturas (contorno a lápis primeiro, seguido de água e aquarela). Estava melhor (e mais leve) com menos folhas, mas isso eu só descobri quando coloquei as outras! O suporte foi um caderninho novo (15 x 15 cm) que fiz com costura simples a partir de folhas de papel Fabriano antigas. Agora, pensando bem, o pombo olhando o casal separado até que se encaixa na primeira parte do post; as folhas parecem o tempo e, viajando um pouco, tudo lembra a vida rude e aborrecida da qual Roberto Negreiros nos ajuda a escapar.

* Links e coisas dignas-de-nota da semana:

. O livrinho mencionado vem numa caixinha chamada “Com a palavra, os ilustradores”. É difícil de achar, mas tem aqui e na estante virtual tinha também.

. Para ver um pouquinho do Roberto Negreiros, tem uma página no Facebook e um blog, (ambos sem atualização recente, já vou avisando).

. Para quem quer dar um passeio pela obra de Sempé, achei dois pequenos vídeos: um com o artista no seu estúdio desenhando; outro com uma coleção de imagens. É pena que não exista um site a altura da sua obra (se existe, não achei).

. Ainda para deixar a vida menos chata, um texto do Umberto Eco, “Por que as universidades?”, traduzido por Marco A. Nogueira. De 2014, é leitura indispensável nesses tempos difíceis por que passamos, não só os colegas professores das universidades estaduais do Rio de Janeiro, mas todos que acreditam que só a educação muda o mundo pra melhor.

. Sobre a promessa de dieta eletrônica do post da semana passada, me dou nota 6,0. O critério de autocorreção foi o seguinte: perdi quatro pontos porque, em vários momentos, peguei o celular (ou abri o notebook) achando que ia encontrar ali alguma resposta; mas ganhei seis pontos porque lembrei de ler, desenhar, escrever, conversar e até de tocar um pouco de violão com a Alice.

. Queria terminar agradecendo as mensagens de incentivo de vocês! Não estou dando conta de responder com calma, desculpem. Mas cada comentário e likes me alegram e me animam a continuar. Obrigada! ♥