Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Permissão para descansar

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Pessoas queridas, obrigada pelas leituras e comentários generosos dos últimos posts. Fico sinceramente agradecida! Esses milhares de acessos aqui no blog me deixam super envergonhada e tímida, como se vocês tivessem aparecido na janela da minha casa e me flagrado escrevendo bobagens ao invés de trabalhando “de verdade”.

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Resolvi postar os desenhos que fiz durante o Carnaval, quando me permiti ficar lendo bastante. Misturei algumas plantas que observei com imagens da minha imaginação. Minha ideia de paraíso é mais ou menos essa: estar num jardim, com um livro e o Charlie, meu gatinho gordo.

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A Lola, meus filhotes e meu namorado também contam, coitados. É que às vezes um longo feriado como o Carnaval nos lembra de que precisamos descansar uns dos outros!

Mentira minha, eu é que fiquei com preguiça de desenhar tanta gente junta. Eles moram no meu jardim imaginário também. A verdade é que passei a semana escrevendo o fichamento do livro que li (no Carnaval) e não deu tempo de bolar um post decente, desculpem. Para quem estiver com saudades dos textos acadêmicos, leiam os comentários super legais dos últimos dois posts, ou cliquem nos links dos mais lidos na lateral (ou no rodapé, se estiver no celular) do blog.

Que vocês tenham um bom final de semana, com boas escritas, defesas, qualificações, leituras, ideias!!

Nos vemos semana que vem!

Sobre os desenhos: Estou usando um bloquinho de desenho (espiral) que achei perdido aqui em casa: XL Extra White, A5, Canson, papel 90 gr. As linhas foram feitas com uma canetinha japonesa azul marinho (Muji hexagonal gel ink 0,25). Amei essa canetinha mas desenhei tanto com ela que já acabou — não admira que foram tão baratinhas… Muito chato!

Você acabou de ler “Permissão para descansar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Permissão para descansar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Dc. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)

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Calendário antecipado aqui no blog significa que estou torcendo para o mês acabar. Quem já enjoou de janeiro levanta a mão!

Para imprimir, cliquem no .pdf.

O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!

Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!

Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.

Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!

Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube  explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3C7. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)

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Há um ano atrás, eu estava em Portugal nessa época do ano. Foi uma viagem cheia de atividades e encontros com pessoas maravilhosas, como já contei em alguns posts (aquiaqui, aqui e aqui). Acreditam que até hoje não terminei de escanear o caderno que desenhei por lá? Achei que vocês podiam gostar dessa página com os personagens que vi no aeroporto, pois combinam com o espírito de férias que estou tentando manter na escrita do blog nesse mês de janeiro.

Sobre a votação do post da semana passada: muito obrigada pela participação! Recebi mais respostas do que imaginava: 136 votantes e 163 votos (algumas pessoas votaram em mais de uma opção). No final, o resultado foi quase um empate geral, com ligeira preferência pelas plantinhas 1 e 5, conforme vocês podem conferir abaixo:

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O sistema de formulário do WordPress ajudou, mas não é nada prático! Contei os votos no Excel — até parece que não tenho nada mais importante pra fazer — e a verdade é que as diferenças não foram significativas:

grafico

A qual conclusão chegamos? Que vocês são muito bonzinhos ou que eu desenho muito bem? 😉

O exercício valeu pela brincadeira e para me mostrar que todas as formas de explorar o desenho e a aquarela são válidas. Muito obrigada pela companhia nessa jornada. ♥

Sobre o desenho inicial: Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.05 e 0.1 em um caderno Stillman & Birn, Delta series, 8 x 10 polegadas, presente que ganhei da minha irmã. Todas as imagens foram coloridas com aquarela (Winsor&Newton e outras marcas). À esquerda, recortei e colei algumas etiquetas de bagagem da TAP. Minha mala voltou super pesada por conta dos muitos livros que ganhei ou comprei por lá, além de alguns que trouxe para as amigas!

Na próxima semana (ou na outra), volto com os posts sobre a vida acadêmica, dessa vez com a colaboração de ideias e citações de colegas da área.

Bom descanso a todos que estejam precisando e boa escrita a todos que estejam escrevendo!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3BT. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Verdes em busca de um estilo (para votar)

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1. Plantinha imaginária 1

Olá! Continuando no clima férias-assuntos-de-desenho, trouxe para cá seis dos muitos experimentos que tenho feito com plantas. Fiz algumas tentativas de pintar por imaginação e por observação. Queria tentar avançar em ter um estilo próprio para, quem sabe, quando eu deixar de ser professora, conseguir viver de desenhar e escrever. Segue o mini-questionário no final do post! Obrigada desde já por votarem. ♥

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2. Plantinha imaginária 2

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3. Plantinha imaginária 3

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4. Plantinha desenhada por observação, a lápis e aquarela

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5. Plantinha desenhada por observação, com caneta nanquim e aquarela

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6. Plantinha desenhada de memória; objetos desenhados por observação, ambos com nanquim e aquarela

Então, qual vocês preferem? Escolham uma das opções abaixo:

Atualização em 19/01/2018: contei os votos e o resultado está aqui. Obrigada a todos que participaram!

♥ Bônus para as férias: dica de série divertida, mas com temas legais, para se distrair e dar risada, com ou sem crianças (acima de 12 anos): Drop Dead Diva! (tem no Now e na Netflix)

Sobre os desenhos: As plantinhas foram pintadas em bloco Canson Mix Media A4 (capa azul escuro), sempre no verso da folha (que eu prefiro porque é mais liso). Os materiais restantes foram os de sempre: lápis HB (para os sem contorno), canetinhas Pigma Micron 0,1 e 0,05 (para os com contorno), aquarelas e pincéis diversos (mais detalhes sobre meus materiais aqui).

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Verdes em busca de um estilo (para votar)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3A2. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Nos vemos semana que vem!

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A irmã de uma amiga é terapeuta, daquele tipo que interrompe a sessão no meio de uma conversa. Fiquei super curiosa para saber como é. Minha amiga, muito despachada, começou logo a simular uma análise comigo e com o meu namorado. “Como vão vocês?”, ela perguntou. E nós, blá blá blá… até que trocamos, sem querer, o nome de uma pessoa bem próxima sobre a qual estávamos falando. E ela, muito séria: “Então… [pausa], vamos falar sobre isso? [pausa] Nos vemos na semana que vem.”

E assim seguimos, tendo várias mini conversas terapêuticas, encerradas toda vez que esbarrávamos num deslize sobre um assunto importante. Ela nos interrompia rapidamente com um olhar penetrante e um “Nos vemos na semana que vem!”

Só de lembrar, morro de rir. Imagina você começar a falar sobre seus pais com sua irmã, que se esquece que não está no consultório e te corta com um “nos vemos na semana que vem.”

Claro que isso não é crítica a nenhum tipo de terapia. Foi só uma brincadeira (que explica as frases do desenho acima). Na mesa, vocês também podem ver o livro “Flupp Pensa – Narrativas 2016”, presentinho dessa amiga querida, que estou super curiosa para ler.

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Os desenhos acima fiz enquanto escutava o podcast da ilustradora @frannerd, para quem contribuo, via Patreon, com 5 dólares por mês. É uma diversão ouvir as aventuras dessa chilena, de 30 anos, radicada com o marido na cidade de Hastings, Inglaterra. Acompanho como se fosse uma série sobre desenho.

Tenho muita dificuldade de achar graça nas séries que vejo recomendadas por aí. Primeiro, porque não suporto a glamourização da violência (o que já exclui 50% das séries). Segundo porque, depois de anos dando aula de teoria da comunicação, adivinho a maioria dos roteiros nas primeiras cenas. Então, não sobra muita coisa.

Na imagem, incluí também os meus gatos, Charlie e Lola, assim como o livro gigante que consegui terminar no final de novembro. Não posso escrever sobre ele aqui no blog ainda, infelizmente!

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Essas plantinhas acima desenhei em Itaipava, para onde tive a felicidade de ir no final de semana passado, com Alice, Antônio, minha mãe e mais quatro amigas da Alice. Foi uma comemoração antecipada do aniversário de 12 anos dela, minha filhotinha crescida. Não  conto mais tantas histórias da Alice aqui no blog para proteger a intimidade dela… Mas nosso dia-a-dia tem sido muito feliz: nesse último ano, ela cresceu por dentro e por fora. Está tocando violão lindamente, cozinhando muito bem, escrevendo redações engraçadas e criativas, e continua querendo brincar de cosquinha e pique-esconde. Viva os 12!

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Para encerrar, o desenho de um objeto que eu já tinha quase esquecido que existia aqui em casa: uma caixinha de linhas coloridas. Ressurgiu de dentro da caixa de costura outro dia a pedido de uma amiga do Antônio. É muito bonito ver as novas gerações recuperando práticas manuais. ♥

Bom final de semana, pessoal!

PS para quem está escrevendo tese — Foi bem difícil escrever esse post — e olha que não era sobre nenhum assunto importante! Achei que não conseguiria, estava morrendo de preguiça só de pensar. Por isso, queria dizer: comecem, escrevam mesmo que não estejam com vontade de escrever. Vocês não estão sozinhos. Força aí. Prometo que na semana que vem eu volto com a segunda parte do post Você vai deixar de me amar se eu não acabar a tese?.

Sobre os desenhos: Desenhos feitos num caderninho Laloran com uma capa azul escura, com borda de tecido em padronagem que lembra azulejos portugueses azuis e amarelos. Assim, resolvi utilizar apenas essas cores nos desenhos internos. As canetas utilizadas estão na imagem que abre esse post.

 


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Julho/2017 e as fascinantes histórias da etnobotânica

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“Plantas e civilização: as fascinantes histórias da etnobotânica” foi o melhor livro de não-ficção que li em 2017! O Luiz Mors Cabral é um narrador fantástico, sedutor, bem humorado, daqueles que incluem detalhes incríveis na medida perfeita. Seu objetivo é a prosa científica clara e precisa, sem ser simplista. São 18 capítulos que misturam sua vida pessoal e acadêmica com as aventuras das plantas mundo afora, numa viagem pelo tempo e por dezenas de países, populações e bibliotecas.

Para quem, como eu, ama aprender, o livro é um achado! Não é todo dia que podemos dizer: aprendi novas formas de olhar o mundo. Ir à feira nunca mais será a mesma coisa! As maçãs, hoje tão inocentes e docinhas, quem diria, têm todo um passado a esconder. Muito azedas e próprias para fabricar bebidas alcóolicas, desceram tão baixo na reputação das frutas, que tiveram que passar por um banho de marketing, para se livrar da fama de degeneradoras de lares nos Estados Unidos.

E desenhar um coração, nosso emoji-master ♥? O Luiz nos conta que tudo começou com o laserpício, uma erva medicinal utilizada no século V a.c., na região de Cyrene (atual Oriente Médio). Era tão famosa por suas propriedades contraceptivas, que cunharam-se moedas em sua homenagem utilizando uma marca gráfica que simbolizava a vagem dessa planta, num formato que, aos olhos de hoje, perceberíamos como um “coração”. Vegetal, sexo, amor, coração — taí a história da “maior contribuição de uma planta ao imaginário humano”!

Um aspecto adorável da narrativa é o entrelaçamento da vida do autor com as pessoas e situações que levam às suas buscas na etnobotânica. Seu avô, sua família, seus amigos, suas aventuras de infância e adolescência — tudo isso vai se transformando em história, daquelas que nos levam a virar as páginas, sem esforço. Assim, por exemplo, entramos no Museu Van Gogh, e descobrimos uma planta na mão do Dr. Garchet (várias vezes retratado pelo amigo pintor). Era um tipo de digitalis, na época muito utilizada para tratar distúrbios psiquiátricos, mas com efeito colateral de provocar alterações na percepção visual, da intensidade extrema à criação de halos, além de uma possível intoxicação que pode ter exacerbado a depressão de Van Gogh.

Nada disso é contado no tom de um funcionalismo rasteiro. Ao contrário, o autor é cuidadoso ao extremo, sempre citando suas fontes e ponderando sobre seus aspectos especulativos e delicados, face ao contexto de hoje. Felizmente, para mim, ele também é fascinado por histórias de tintas e cores, não só as de Van Gogh. Aprendi que o amarelo indiano, que tanto amo, já foi feito um dia com a urina de vacas condenadas a só comer folhas de mangas! Graças à reação dos artistas ao forte cheiro do pigmento, as bichinhas foram poupadas dessa dieta e as sociedades de proteção às vacas ajudaram na luta contra o poder colonial britânico. Também vieram das árvores os taninos que se usavam para fazer tinta do tipo ferro-galha, material que está em manuscritos como os de Bach, Galileu e George Washington.

Fiquei comovida em todos os capítulos sobre seu avô, químico que ajudou a fundar o Núcleo de Pesquisas de Produtos Naturais, da UFRJ. Como muitos da minha família, ele também foi um refugiado de guerra, que depois se apaixonou pelo Brasil. Se envolveu em pesquisas sobre a borracha e sobre medicamentos naturais, trabalhando até muito idoso em seu laboratório e na orientação de alunos. Sua biblioteca deve ter sido uma enorme fonte de inspiração para o neto, assim como as narrativas dos navegadores e exploradores, abundantes no livro.

Ao contrário de nós, pessoas comuns, Luiz Mors Cabral cruza com uns tipos incríveis, como o seu colega de quarto em Bruxelas, mexicano e neto do agricultor que descobriu o Bloco Cascajal! Pois é, por mim, passaria batido… mas Luiz nos conta: trata-se nada mais nada menos do que uma pedra olmeca, com 62 símbolos que são o registro mais antigo de escrita das Américas (900 a.c.)!

Da descoberta da aspirina às pesquisas atuais sobre a malária, passando pela origem das galinhas, do fuso-horário, da cerveja e da batata-doce nas Américas: tudo se transforma em aventura nesse livro! Às vezes, é até difícil de acreditar.

Minha passagem preferida, no entanto, é uma singela lembrança da infância do autor:

“Meu gosto pelo estudo da origem das plantas tem muito a ver com o milho. Quando era pequeno, costumava brincar no milharal que havia no sítio do meu avô paterno. Ali, certa vez, encontrei um milho estranho, bem diferente dos demais (…). Ninguém soube me explicar que planta era aquela. A resposta só veio no final das férias, quando mostrei-a para meu avô materno, que era químico de produtos naturais. Ele analisou a haste com muito interesse e disse: ‘Isso é uma mutação atávica do milho! Por algum motivo esse milho voltou a ser parecido com o seu ancestral!’

Não se pode dizer que meu avô tenha resolvido o mistério. Antes, ele o substituiu por outro ainda maior e mais instigante. Este livro começou a nascer naquele momento, quando descobri que plantas tinham ancestrais e histórias.” (p.155)

Esse trecho me fez pensar no quanto devemos respeitar nossos primeiros encantos, aquilo que nos fascina desde pequenos. É aí que está o sentido que nos move!

Pensando naquela pergunta que fiz na semana passada — “como cheguei até aqui?” –lembro das professoras e professores maravilhosos que tive, dos livros que vi e li, e de como tudo isso se materializa hoje em dia nesse blog, um espaço de liberdade, em que posso dar asas ao meu fascínio infantil pelo conhecimento.

Às milhares de pessoas que visitaram o blog desde o post sobre a vida de professora, meu imenso obrigada. Agradeço comovida o carinho das mensagens, o apoio, a solidariedade e as contribuições e exemplos que vocês trouxeram nos comentários e e-mails. Sejam todos super bem-vindos!

Graças a vocês, batemos duas marcas: mais de 300 mil visitas e mais de 200 mil visitantes. Não que eu esteja contando! 😉

Se vocês gostam do assunto plantas e aventuras, um dos meus posts preferidos é o que escrevi sobre As quinze vidas de Margaret Mee.

Sobre o livro: CABRAL, Luiz Mors. 2016. Plantas e civilização: fascinantes histórias da etnobotânica. Rio de Janeiro: Edições de Janeiro. (Ilustrações Carolina Engel.) A edição é lindíssima, mas muitos capítulos podem ser lidos no blog do autor: oetnobotanico.wordpress.com

Sobre os desenhos: Todas as flores foram escolhidas a partir de pesquisas na internet sobre as plantas citadas no livro. Primeiro fiz uns rascunhos a lápis na abertura de cada capítulo, buscando simplificar as formas. Depois desenhei num papel separado com canetinha de nanquim permanente Pigma Micron 0.1., colorindo com lápis de cor (a maioria Polychromos, da Faber-Castell). Só depois tive a ideia de usar para o calendário de julho… Para não ter que desenhar tudo de novo, escaneei e editei no meu velho Photoshop (de 2007, presente de um aluno, que ainda funciona!). Prefiro desenhar direto na folha do calendário, mas foi o possível esse mês!

Para a imagem de Julho/2017 em .jpg, basta clicar no calendário no alto do post, ou aqui para imprimir em .pdf.

Para ver uma amostra de cada planta, aí vai a imagem original.

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Julho/2017 e as fascinantes histórias da etnobotânica”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: http://wp.me/p42zgF-2qq. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Novembro/2016

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Leitores queridos, aí vai o calendário de novembro/2016, a tempo de imprimir antes de o mês começar! Podem clicar na imagem acima para o arquivo em .jpg ou cliquem no .pdf .

Sobre o desenho: Tive a ajuda do Antônio para desenhar as folhas com canetinhas 0.2 Unipin e Pigma Micron. Depois colorimos com vários tons de verde, azul, laranja e vermelho. O scanner sempre rouba boa parte da graça… Dessa vez, deixou os verdes-claros amarelos! Para completar, meu computador está travando direto… então foi o possível de hoje.

Novidade no blog: Consegui finalmente incluir uma seção nova aqui no blog com todos os artigos que tenho publicado sobre Antropologia e Desenho desde 2011 — dois deles em parcerias com os queridos ex-alunos de iniciação científica Pedro Ferraz Gama e Vinícius de Moraes Azevedo. Fiquem à vontade para compartilhar!