Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Novembro/2016

novembro2016p

Leitores queridos, aí vai o calendário de novembro/2016, a tempo de imprimir antes de o mês começar! Podem clicar na imagem acima para o arquivo em .jpg ou cliquem no .pdf .

Sobre o desenho: Tive a ajuda do Antônio para desenhar as folhas com canetinhas 0.2 Unipin e Pigma Micron. Depois colorimos com vários tons de verde, azul, laranja e vermelho. O scanner sempre rouba boa parte da graça… Dessa vez, deixou os verdes-claros amarelos! Para completar, meu computador está travando direto… então foi o possível de hoje.

Novidade no blog: Consegui finalmente incluir uma seção nova aqui no blog com todos os artigos que tenho publicado sobre Antropologia e Desenho desde 2011 — dois deles em parcerias com os queridos ex-alunos de iniciação científica Pedro Ferraz Gama e Vinícius de Moraes Azevedo. Fiquem à vontade para compartilhar!


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Artista, bicho, jardim

vangogh

“O artista é um bicho assim: a dor dá cor ao seu jardim…” (Juva Batella, em Do gato Ulisses as sete histórias, p.38)

Pela coragem de atravessar a cidade, pela paciência de encarar a fila, pelos sorrisos, pelos abraços, pelas flores, pelos carinhos, pelos compartilhamentos, pelas mensagens dos que não puderam ir, e pelos quase 150 Ulisses que vocês levaram para passear… muito obrigada!

Queria escrever sobre os livros que estou lendo, mas não terminei nenhum dos dois ainda… Também estou em crise de decidir o que quero desenhar, mas tanto os diários da Margaret Mee quanto as cartas do Van Gogh me levam em direção às plantas. Na falta de um jardim de verdade, fui para um imaginado (acima) e para um pequeno parque perto de casa (abaixo).

Sempre leio que o artista cria a partir das suas “referências de infância”. Tipo José Lins do Rego escrevendo sobre a vida no sítio do pai — história aliás lindamente transformada no livro “O menino que virou escritor” de Ana Maria Machado (ilustrada por Ciro Fernandes, ed. José Olympio).

Mas menina urbana tem lá referência?

Pensa daqui, pensa dali, chego à conclusão de que tenho umas memórias de coisa verde sim. As plantas da escola onde estudei até os 12 anos ocupavam a nossa falta-do-que-fazer nos anos 1970. Na hora do recreio, uma das minhas atividades preferidas era arrancar essa florzinha vermelha do pé, despetalar e sugar o miolo! É uma eca, eu sei… mas não tinha celular nem mp3 naquele tempo. E o ser humano gosta de fazer besteira.

hibiscos

Uma coisa divertida dessa busca pelo jardim perdido é usar o Google para descobrir o nome das plantas. Essa aí de cima é uma “Malvaviscus arboreus”, também chamada de hibisco-colibri pelos especialistas (porque não acredito em “nome popular” de planta).

* 7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:
* Uma amiga leu o post sobre os 3 Ps (paixão, paciência e prática) e me mandou de presente a linda ideia dos três Cs: Coragem, Coração e Consciência!

* Apesar da resistência, reli com a Alice “Os bichos que eu tive”, da Sylvia Orthof, e ela teve que admitir que achou muito engraçado.

* Um tio-cunhado leu o post sobre as críticas e me mandou de presente a história de quando ele entrou para a família. Depois de se hospedar na casa da minha tia-avó, ele ouviu-a ligar sorrateiramente para a futura sogra: — “Dida, tu sabes que ele tomou banho e deixou tudo impecável, como se o banheiro não tivesse sido usado!”

* A Cora Rónai fez uma foto incrível e escreveu um perfil muito simpático de um dos meus heróis no Rio de Janeiro: o Tony, que resgata, protege e doa animais abandonados, com a ajuda da Marluce, sua companheira.

* Participei a convite da Daniela Manica e da Marina Nucci de uma roda de conversa emocionante no IFCS com alunos e funcionários, sobre gênero, corpo e trabalho. Foi um momento marcante nesses quase dez anos de UFRJ, que me lembrou o amor por tudo que aprendi na escola das Amigas do Peito.

* Achei por acaso (e comprei por um preço ótimo!) o lindíssimo livro “Usos e circulação de plantas no Brasil”, organizado pela Lorelai Kury (ed. Andrea Jakobson).

* Três crianças disseram que leram de uma vez e adoraram o nosso “Do gato Ulisses as sete histórias”!

* Sobre os desenhos: Desenhos feitos no caderninho Laloran com aquarelas Winsor & Newton e lápis de cor Carand’Ache aquarelável. No primeiro, o jardim foi de imaginação, exceto pelo passarinho inspirado numa imagem do livro-fofo The Summer Book, da Susan Branch, que ganhei de presente há seculos da Dri. A frase à direita é de uma das cartas de Van Gogh para seu irmão Theo. Para o segundo desenho, colhi algumas flores de verdade caídas no chão, já bem murchas, coitadas, pois não tive coragem de arrancar do pé onde um beija-florzinho tomava seu café-da-manhã.


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Sem voz, de verdade

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O grande problema de escrever um blog é não poder se esconder direito na vida analógica. Não fica bem manter os posts em dia enquanto na vida real você está cheia de trabalhos atrasados, faltando aulas, fugindo da ginástica ou só doida para ficar quieta, sem vontade de fazer nada ou de falar com ninguém.

Na vida pré-digital, a coisa mais fácil do mundo era dizer pro chefe (ou pro orientador): “ah, não dá para ir hoje; estou com febre, dor de garganta, quase morrendo…” E pronto. Cama ou casa das amigas por um dia? Quem ia saber a diferença?

Agora, não basta ficar em casa doente; ainda tem o sacrifício de se desligar da internet. Imagina seu chefe (ou orientador, ou cliente, ou seus alunos!) lá do outro lado da telinha lendo seus posts ou comentários no instagram, twitter, facebook… Não pega nada bem…

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O pior é que a nossa personalidade eletrônica é sempre um tantinho (ou um tantão) mais bem-humorada, alegre e saudável do que a gente mesmo. Quem já não ficou de cama, mal-de-verdade, e mesmo assim conseguiu escrever um email, sms ou comentário super animado de feliz aniversário para um amigo querido?

Com o blog, é mais ou menos a mesma coisa. Como posso escrever e ainda desenhar quando digo para todo mundo que não estou bem? Ou super ocupada? Ou doente? Ou que não consegui terminar de corrigir provas, escrever pareceres, rever os trabalhos de orientação?

— “Ah, mas você postou no blog que eu vi!!”

— “Ah, blog é coisa de quem tem tempo, né? É super legal… mas eu não posso: tenho tantas obrigações-de-verdade!”

Só que nas últimas semanas fiquei malzinha sim; desmarquei reuniões e cheguei a faltar uma aula — coisa que é rara na minha vida de professora. A cabeça e os dedos estavam em forma mas, sabem como é… achei melhor deixar o blog de molho também. Vai que acham que estou inventando! (O pior é que na segunda-feira, dia 6, três horas de aula depois, fiquei sem voz de novo; de verdade.)

Sobre os desenhos: A minha semana santa foi curtinha (só 3 dias), mas deu para deixar a criançada aos cuidados da minha intrépida irmã, em Itaipava, aproveitando o restinho da dor de garganta para não poder cair em nenhuma água gelada e “só ficar desenhando”… Todas as imagens foram feitas lá no sítio, no caderninho Laloran de sempre. Os limões sicilianos foram roubados do Ronald, que acabou sem os drinques, de tanto que demorei no desenho… (Agora fiquei devendo uma versão grande para ele. Tá aqui registrada a dívida.)

Todas as linhas foram feitas com canetinhas Sakura Micron de 0.05, 0.2 e 0.4 (na imagem abaixo, fiz uma mistura: contornos com 0.4 e linhas internas com uma 0.05 quase seca). Apenas na primeira imagem, do jardim, não usei caneta. Foi uma tentativa, muito tosca, de captar as várias distâncias em diferentes camadas (céu, montanhas, árvores, moitas, grama…). Quase não postei aqui, de tanto que vi defeito; mas depois achei que tinha que publicar assim, feio mesmo. Afinal, não sou eu que vivo escrevendo que “só erra quem faz”? Pois. Quando eu crescer, vou ter a leveza da Shari Blaukopf, a graça da Marina Grechanik, o minimalismo do Prashant e a precisão da Geninne! Ou, talvez, nada disso: quando eu crescer, vou continuar sendo eu mesma, como um dia me disse a sábia Clarinha.

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