Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Drawing Land

setembro2014fb

Imaginem um lugar onde todos andam a olhar para cima e para baixo ao mesmo tempo; onde as pessoas se sentam em banquinhos minúsculos, munidas de seus cadernos e de instrumentos delicados e coloridos. Um lugar onde se pode ficar horas a fio numa atividade silenciosa, sob o sol ou sob a chuva, na calçada, na mesa ou no chão, e ninguém acha estranho. Um lugar em que se pode estar só, mas também se comunicar com facilidade, ainda que não se fale a mesma língua. Um lugar onde cadernos, papéis e cartões passam de mão-em-mão; onde se compartilham técnicas, materiais e ferramentas.

Imaginem um lugar onde não importa a idade, a cor, a religião, o sexo, a renda ou a nacionalidade. Um lugar onde um caderno é o passaporte; onde todos são iguais, mas ao mesmo tempo únicos, com direito a expressar seu olhar íntimo sobre o mundo, com suas cores, sua voz, seu ritmo…

Vocês podem não acreditar, mas esse lugar existe: é a terra do desenho! E eu estive lá na semana passada. Nosso encontro foi em Paraty, cidade histórica do Rio de Janeiro, durante o 5o. Simpósio Internacional dos Urban Sketchers. Foi mágico passar seis dias nessa pequena “Drawing Land” com seus adoráveis 243 habitantes.

Vai demorar para eu processar tudo que aprendi nessa semana. E mais ainda para acreditar na incrível recepção que recebi ao apresentar o projeto sobre antropologia e desenho que venho desenvolvendo. Acho que nunca estive diante de uma platéia que compartilhasse tão intimamente das mesmas motivações.

Aos poucos, prometo que vou publicando aqui no blog mais desenhos e anotações que produzi antes, durante e depois do evento! Abaixo, as primeiras páginas de anotações da excelente atividade de mapeamento gráfico ministrada por Richard Alomar.

richardalomar

Novas da Alice

Eu [brincando de jornalista] — Alice, como você se sente tendo uma mãe que dá palestra em inglês em Paraty?

Alice — Ah, mãe, legal. Mas eu preferia que fosse em Nova Iorque!

E na terça à noite:

Alice — Mãe, preciso faltar a escola amanhã!

Eu — Por que, Alice?

Alice — Ah, porque sim!

Eu [naquele tom de conta-outra] — A-li-ce…

Alice — É o meu Neuer, mãe!!! Ele vai jogar contra a Argentina!

Sobre o desenho: Na parte de cima do calendário de setembro, redesenhei coisinhas que vi em Paraty durante a já mencionada atividade proposta por Richard Alomar. Para a parte de baixo do calendário, fui atrás das portinhas de Paraty que registrei em fotos e achei na internet. Tudo feito com canetinha Pigma Micron 0.05 e colorido com aquarela e lápis de cor Prismacolor.