Karina Kuschnir

desenhos, textos, coisas


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Expirar, escrever, desenhar

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Há muitos anos atrás, aprendi que uma crise respiratória pode ser por “excesso de ar” nos pulmões, e não falta. A aflição nos faz de tentar inspirar, quando na verdade precisamos expirar, de preferência bem devagarinho.

Descobri que existe também a “aerofagia”, dor e enjôo causados quando se respira muito pela boca, deixando o estômago cheio de ar. Sintoma típico de ansiedade. Até ar em excesso nos adoece.

Imaginem o nosso nível de intoxicação atual… Preocupação extrema, stress, tristeza, sensação de impotência… Quem não está sentindo tudo isso com o nível obsceno das ações governamentais no Brasil? Acrescentem uma dose extra se vocês moram no Rio de Janeiro…

Não tenho soluções, só tentativa de sobrevivência. É a minha versão de receita tipo-bela-gil: “você poderia trocar o consumo de notícias,  vídeos e posts horríveis por…escrever e desenhar”.

Voltei a escrever um diário em papel, no mínimo três páginas A5 por dia. Achei um caderninho usado aqui em casa, pautado, daqueles bem baratinhos da Tilibra. Ando com o telefone grudado nele e na minha caneta de escrita preferida, uma bic azul cristal ultra fine. Toda vez que sinto um impulso de pegar no celular, olho os dois objetos e penso: abro a tela e vejo mais uma atrocidade, ou abro o caderno e escrevo sobre uma ideia, um sonho, qualquer coisa? O caderno, gente. Escrever está sendo como expirar as toxinas… Às vezes estou num dia tão difícil que sigo acrescentando parágrafos em vários momentos. Está sendo uma auto-terapia.

Voltei também a desenhar no metrô, observando as pessoas com a compaixão que o registro gráfico exige. Registrar o corpo de alguém no caderno é uma forma de expirar o que vejo, um pequeno traço por vez. Além das imagens no início do post, seguem algumas cabeças… Parecem cansadas, como eu. Sinto-me menos só.

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Para quem acha que não sabe desenhar (desde já, discordo!): vale recortar e colar, contornar, colorir mandalas. Qualquer coisa analógica serve: tricotar, bordar, cozinhar, pintar, brincar de massinha ou cerâmica. A ideia é fazer “algo para fora”, ao invés de colocar mais coisas para dentro.

Boa semana! ♥

2 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-e-dignas-de-nota dos próximos dias:

solvermelho• Estreia amanhã, 19/08/2019, a exposição “O nosso sol é vermelho”, do Antônio Kuschnir! (Meu filho, para quem não sabe!) Será na Galeria Macunaíma, na Escola de Belas Artes da UFRJ (1º andar do Prédio da Reitoria, na Cidade Universitária), onde ele estuda. Vai ser incrível!

Para quem não conhece o trabalho dele, vocês podem ter uma amostra no Instagram ou no Facebook, mas nada como ver ao vivo — é lindo demais:

https://www.facebook.com/antonio.castro.9231712

https://www.instagram.com/antoniokuschnir/

• Está aberta até o dia 30/08/2019 a campanha de financiamento coletivo para a reconstrução da Biblioteca Francisca Keller, do PPPGAS/Museu Nacional, uma das preciosidades perdidas no incêndio do prédio. Qualquer valor é importante: https://www.bfkmuseunacional.org/

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Sobre os desenhos: Pessoas desenhadas com canetinha de nanquim permanente Staedtler 0.5, num caderninho Hahnemühle A6. Acrescentei a aquarela em casa, com toda calma, deixando secar uma camada antes de pintar a próxima. Em quase todas as cores, acrescentei um fiapinho de Lunar Black, uma tinta nova na minha paleta, que uma amiga me trouxe dos EUA em janeiro. Estou amando, pois ela cria um granulado lindo por onde passa. Depois conto mais sobre alguns materiais novos porque o objetivo de hoje é fechar a semana com o post publicado! Abraço apertado, pessoal. Tirem o pó dos cadernos, das tintas e dos pincéis. Recomendo. ☼

Você acabou de ler “Expirar, escrever, desenhar“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2019. “Expirar, escrever, desenhar”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Mf. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Outubro/2018 — #δενπρέπειναυπάρχει

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#δενπρέπειναυπάρχει — Porque lutar contra a violência, o racismo, a homofobia e a misoginia não é uma opção — é um dever, uma questão de justiça contra crimes hediondos.

#δενπρέπειναυπάρχει — Porque é preciso rejeitar um candidato e seus apoiadores que glorificam as armas, a tortura, o estupro e o extermínio de pessoas, manifestando seu ódio a negros, gays, lgbtis, mulheres e indígenas.

#δενπρέπειναυπάρχει — Para que a democracia não volte a ser ditatura; para que o holocausto e os crimes contra a vida não sejam negados; para que o jornalismo resista; para que as parcas conquistas dos direitos humanos no Brasil não retrocedam.

Na minha opinião, todas as escolhas nessa eleição são legítimas exceto quando o candidato apregoa as ideias acima. Basta uma pesquisa rápida para comprovar, através de vídeos, documentos e declarações oficiais, que temos um caso assim nas eleições presidenciais. Há um candidato com discurso criminoso, que deseja a morte (até de seu próprio filho, caso se torne gay ou case com uma mulher negra; e de sua ex-mulher), que apregoa o estupro e o extermínio de pessoas e de direitos.

Sei que a maioria das pessoas queridas que lêem esse blog concordam comigo. Obrigada por vocês existirem! ♥

Meu manifesto é para sensibilizar aquelas que estão indecisas. Não há dúvida possível nesse caso. Escolha qualquer candidato, mesmo que não tenha chances. Isso é legítimo. Deixe de votar, anule seu voto, vote em branco. Qualquer opção é melhor do que entregar sua representação cívica a um sujeito que defende tamanhas atrocidades em público — imaginem o que ele diz quando não está sendo gravado ou filmado!

Que as deusas nos protejam.

Para imprimir o calendário de outubro, aqui vai o .pdf em tamanho A4.

Para compartilhar o manifesto no Instagram:

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7 Coisas impossivelmente-sérias-relevantes-interessantes-e-dignas-de-nota sobre os assuntos em pauta:

♥ A frase que abre esse post foi inspirada numa citação de Nelson Mandela: “Superar a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça”. (Discurso na Praça Mary Fitzgerald de Johanesburgo, em 2 de julho de 2005). No original: “Overcoming poverty is not a gesture of charity. It is an act of justice“.

♥ Em 2000, a Unesco e vários ganhadores do prêmio Nobel da Paz divulgaram um  manifesto reforçando seu compromisso em: 1) Respeitar a vida; 2) Rejeitar a violência; 3) Ser generoso; 4) Ouvir para compreender; 5) Preservar o planeta; 6) Redescobrir a solidariedade. Estamos num bom momento para reler o texto completo.

♥ Para entender a profundidade do racismo no Brasil, recomendo navegar pelo site Geledés. Entre as recentes estatísticas divulgadas, fica claro que a população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência. Os negros são os que têm mais chances de serem asssassinados e presos; os que ganham os menores salários; a maioria dos desempregados; e a população mais subrepresentada politica e culturalmente. As mulheres negras são as maiores vítimas do feminicídio, da violência doméstica e obstétrica; do isolamento social e afetivo.

♥ No Brasil, a cada 19 horas, um LGBTI é assassinado ou se suicida devido à homotransfobia. Há um trabalho importantíssimo sendo feito e divulgado pelo site Homofobia Mata. Já são vários registros de ataques a gays realizados nessas eleições por apoiadores contrários ao #elenão.

♥ Somos o quinto país em número de assassinatos de mulheres no mundo. O Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Rosa Luxemburgo lançaram em 2017 o livro Feminicídio #InvisibilidadeMata que pode ser baixado na íntegra. O site também disponibiliza um Dossiê sobre Feminicídio online. Também se multiplicam perseguições, ameaças e ataques a mulheres organizadoras de manifestos e marchas pelo #elenão.

♥ Por tudo isso, dia 29/09, milhões de pessoas sairão às ruas para gritar #elenão — veja aqui a lista de eventos em mais de 78 cidades brasileiras.

♥ Sobre os símbolos utilizados nesse calendário de Outubro/2018: as cores, as bandeiras e as setas são inspiradas no movimento Lgbti. Desenhei também signos do feminismo, da paz, assim como adaptações de símbolos dos direitos humanos (mãozinha) e dos animais (pegadas de patas).

Sobre o desenho: Fiz os símbolos primeiro com uma lapiseira grafite 0,5 (Pentel). Depois colori com várias canetinhas da Staedtler (triplus color e triplus fineliner) e da Sakura (Koi brush e Soufflé). Sobre as canetas, desenhei a maioria nesse post e lembrei de um desenho de 2015 com todas as cores das Sakuras:

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Outubro/2018 — #δενπρέπειναυπάρχει”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ia. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Materiais – Canetinhas coloridas

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Como prometi, aí vai o desenho das canetinhas vermelhas e rosas que utilizei para fazer o calendário de janeiro. Esse tipo de desenho é um dos que mais gosto de fazer: traço os objetos com caneta preta, sem rascunho e sem me preocupar muito com retas e proporções exatas. Depois vou fazendo as camadas de aquarela devagar, tentando manter a luz (partes em que o papel fica à mostra) e criando volumes com sombras.

Acrescentei algumas descrições no final para dar mais autonomia à imagem. Assim, quem vê o desenho não precisa ler o post para saber quais são as canetas. O problema é que não planejei antes e não deu para escrever sobre todas. Então aí vão as legendas para quem tiver curiosidade, da esquerda para direita:

Staedtler triplus color rosa (tampa azul) – canetinha mais grossa, de criança.
Pigma Micron 0.1 roxa, Sakura – ótima porque é à prova d’água
Compactor microline 0.4 rosa – antiguinha, presente avulso de uma amiga
Staedtler triplus fineliner vermelha – maravilhosa para escrever
Tombow ABT n.772 rosa claro – ponta normal e pincel
Stabilo point 88 mini 0.4 vermelha – boa para escrever a cores mas dura pouco
Staedtler triplus fineliner marrom
Stabilo point 88 mini 0.4 magenta
Faber-Castell grip finepen 0.4 – ótima opção mais baratinha do que as Stabilos
Staedtler triplus color vermelha (tampa azul)
Staedtler triplus color rosa escuro
Lápis de cor Prismacolor Crimsom Lake pc 925 – não aquarelável
Staedtler triplus fineliner rosa
Pigma Micron 0.1 rosa, Sakura
Koi coloring brush pen vermilion
Pigma Micron 0.1 vermelha, Sakura

Meus comentários sobre cada tipo, caso vocês tenham interesse:

Pigma Micron Sakura colorida – são as minhas preferidas, porque são gostosas de escrever e desenhar, além de serem à prova d’água, ideais para quem quer utilizar aquarela junto. O problema é o custo (cerca de 14,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar no Brasil.

Tombow ponta dupla (normal e pincel) – atualmente é o meu marcador preferido, por ser leve e gostoso de utilizar, sem borrar no papel nem vazar para o outro lado da folha. O único problema também é o custo (cerca de 22,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar a variedade de cores no Brasil. A outra caneta pincel do desenho é a Koi coloring brush, que é considerada uma linha popular no Japão e nos EUA. Comprei um kit de 12 cores e não achei que valeu à pena. As pontas ficaram velhas rapidamente e várias já estão falhando.

Staedtler triplus fineliner – adoro essas canetinhas, até porque eram as únicas coloridas finas que eu conhecia até poucos anos atrás. Ganhei dois kits de um amigo da Alemanha, o fineliner e o triplus color, com a versão mais grossa, que uso menos. Ambas são bonitinhas, com o corpo triangular, cores intensas e escorregam super bem no papel. Só não são à prova d’água. A Faber-Castell grip finepen 0.4 é um imitação da Staedtler triplus fineliner. A ponta não é tão fina e as cores são mais aguadinhas. Ganhei um kit de presente e uso bastante porque não fico com pena de gastar!

Stabilo point 88 mini – esta mini é igual à versão grande dessas canetinhas vendidas (bem caras por sinal) nas papelarias brasileiras. As minhas são bem antigas e estão quase todas ficando secas… dá muita peninha de jogar fora. Acho que a Compactor microline é uma imitação dessas canetinhas, com um jeito retrô muito legal. Nunca vi à venda.

Lápis de cor Prismacolor – tenho uma caixa desses lápis que encomendei quando meu sobrinho viajou para os EUA. Não uso muito pois achei a textura parecida com lápis de cera. Eu tinha ouvido falar super bem desses lápis, mas na prática não funcionaram para mim. Devia ter prestado atenção no que diz um dos artistas de lápis-de-cor que mais admiro, o Florent Chavouet. Ele faz livros fantásticos com lápis comum de papelaria, de qualquer marca, os mais baratinhos [suspiros…].

Sobre o desenho: para fazer o desenho, não utilizei nenhuma dessas canetinhas! As linhas das canetas e do texto escrito foram feitas com um Pigma Micron 0.05 preta. As cores foram pintadas com aquarelas de diversas marcas (principalmente Winsor & Newton, algumas Schmincke e uma da New Holland). A escrita em branco foi feita com pincel fininho e tinta guache branca Talens Plakkaatverf Gouache Opaque White (só tenho esse tubinho dessa marca, comprado numa viagem por dica de um amigo artista).

A escrita no lápis de cor foi feita com pincel fino e um pouco da guache branca misturada com um Iridescent Medium da Winsor & Newton, que deixa as tintas com um ar prateado (veio num kit com quatro potinhos que comprei em Portugal ano passado).

O mais difícil foi o tom do plástico bege acinzentado das Pigma Micron. Nenhuma das três canetinhas ficou no tom certo, que acho que consegui um pouco melhor aqui. Não sei como chegar nessa cor! Os cinzas das sombras foram feitos com uma mistura de Grey Violet (New Holland), que ganhei ano passado, com um pouco de Payne’s Grey (Winsor & Newton).

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É isso, pessoal! O post de hoje foi para os nerds do desenho. Estou tentando pegar leve nas férias… Alguns assuntos que vou tentar abordar até fevereiro, que foram pedidos em mensagens e e-mails: como escrever para provas de seleção de mestrado/doutorado e como estudar para concurso de professor universitário. Vou tentar contar minhas experiências nessas duas áreas. Por falar nisso, saiu o edital de concursos da UFRJ — vejam lá pois tem muitas vagas!!

Bom início de ano para todos vocês. Para quem estiver no hemisfério sul: não deixem de aproveitar o sol! ☼ (Alt-15)

Você acabou de ler “Materiais – Canetinhas coloridas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Materiais – Canetinhas coloridas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Canetinhas, pra que te quero!

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Não me lembro quando descobri essas belezinhas Pigma Micron (da marca japonesa Sakura). Só sei que me apaixonei. São canetas de naquim à prova d’água (isto é, não borram quando você pinta com aquarela por cima), disponíveis em várias cores,  espessuras e até em ponta pincel (BR, de brush). Infelizmente, são descartáveis e, se usadas todos os dias, acabam rapidamente. As que eu mais utilizo (005, 0,1 e 0,2 pretas) duram cerca de um mês. Mas no dia do lançamento do Ulisses, gastei duas numa noite só, fazendo quase 150 dedicatórias! As coloridas eu economizo porque são lindas e difíceis de achar. Atualmente, estou comprando a Unipin (da marca Mitsubishi, também japonesa) porque tem em qualquer papelaria e está mais barata (cerca de R$11,00). A versão da Staedtler (alemã) é excelente, mas difícil de comprar aqui no Rio. Esse ano testei também a Copic Multiliner SP (mais uma japonesa) que permite o uso de refil.

Comparando as quatro marcas: a Pigma Micron é a minha preferida segundo quatro critérios: cores intensas (linha bem preta ou na cor escolhida); macia de desenhar, secagem rápida e embalagem bonita — além da cor bege pouco usual, tem a florzinha (símbolo da marca Sakura) e detalhes em violeta. Vejam que sonhos de consumo esse estojinho básico e essas cores!

A Staedtler fica em segundo lugar: empata na cor intensa e na secagem, mas a ponta é menos macia e a embalagem é sem graça. A Unipin vem em terceiro em todos os critérios. E a Copic ficou em último na minha lista pela decepção. O  atendimento no site brasileiro é impecável e preço parece valer a pena para um produto reutilizável (e portanto, mais ecológico). Apesar de bonitinha, a caneta é pesada, a ponta é áspera e o refil dura poquíssimo, além de ficar se soltando do corpo principal, por mais que eu aperte.

(PS: Todas as quatro são à prova d’água! *obrigada ao Durval Amorim por me lembrar de escrever isso!)

Há muito tempo atrás, meu avô me deu um estojo de canetas técnicas Rapidograph (marca Koh-i-Noor), que utilizam refil de nanquim. Infelizmente, acabei me afastando do desenho  e não fui cuidadosa o suficiente com suas peças delicadas. Acho que doei para alguém que me disse que sabia como limpá-las. Até hoje tenho dificuldade de usar caneta tinteiro. As poucas que ainda possuo estão encostadas, semi-entupidas ou com as pontas amassadas, aguardando o destino.

Esta foi mais uma contribuição para a nova seção do blog sobre materiais de desenho. O tema está sendo como brinquedo novo de criança: difícil de largar!

* 4 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-emocionantes-vertiginosas-ou-dignas-de-nota da semana:

* Pesquisando para o post, descobri que a Koh-I-Noor começou na Áustria, em 1790. E isso me lembrou que adorei o filme A dama dourada (Woman in gold), sobre a trajetória do quadro de Gustav Klimt, da sua origem ao enfrentamento do nazismo e do nacionalismo. (Não vou fazer link porque acho que os trailers estragam a experiência de assistir aos filmes.) Minha irmã disse que o livro é melhor (sempre, né?), mas muitas pessoas da minha família se emocionaram com a história. Há vários pontos em comum com a violência sofrida pelos meus bisavós de Berlim. Meu avô fugiu da Alemanha na mesma época em que a personagem principal fugia de Vienna, sabendo que provavelmente nunca mais veria seus pais, seu irmão, familiares e amigos, como de fato aconteceu.

* Uma amiga queridíssima trouxe de Londres um kit de cinco pincéis da coleção Anna Mason Art para a Rosemary & co. São específicos para aquarela, com pelo sintético bem macio e curto, nos tamanhos 5, 3, 1, 0 e 000. Estou adorando!

* E já que estamos falando tanto de materiais, deliciem-se com a tag Art Tools do Parka Blogs (já indicado na lista de inspirações aqui do blog). O site todo é vertiginosamente legal!

* Fiz esse cartãozinho para agradecer às dezenas de mensagens de feliz aniversário (21/08) que recebi na semana passada. Para todos que ainda não viram (no facebook), aí vai meu muito, muito obrigada!

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Sobre os desenhos – O desenho da canetinha Pigma Micron foi feito no verso de um papel Canson Pintura escolar Bloco A3. Fiz tudo com lapiseira primeiro, depois passei o nanquim (por ironia: com canetinha Unipin! 0.05) e apaguei com um limpatipos Staedtler (adorei, aquisição recente!). Pintei com os pincéis novos e aquarela Winsor & Newton (usando principalmente Ochre, Burnt Siena, Payne’s Grey e Neutral Tint). Mas usei também uma cor emprestada pela Chiara chamada Amarelo Napoles (só vem em kits Pentel), que é meio fosca e perfeita para fazer esse bege de plástico. O desafio foi fazer as letrinhas em violeta. O “Pigma” foi escrito com uma Staedtler triplus fineliner, que era fina o suficiente, embora não da cor certa. O número “005” foi feito com uma Stabilo point 88 mini violeta. As duas canetinhas não são à prova d’água e borraram um pouco (principalmente a Stabilo). A linha horizontal foi pintada com tinta Cobal Violet (WN) e pincel 000 Winsor & Newton University (aquele vermelhinho que desenhei para a página de materiais, pois descobri que faz uma linha mais fina do que o mesmo número da Anna Mason). As tampinhas das canetas vistas de cima foram feitas com os materiais acima, mas coloridas com as próprias canetinhas, no caso da vermelha, da azul e da siena. Vejam como as cores são incríveis: super brilhantes, mesmo nessas miniaturas.

O desenho do cartão de agradecimento foi feito mais ou menos da mesma forma, a partir da observação de um buquê de cinco cores de astromelias (R$5,00 reais cada ramo na Cobal). Eu mesma comprei, mas não posso ter flor em casa porque os gatos ficam doidos de vontade de comer; e se comerem passam mal… Essas estão trancadas no banheiro, coitadas. (E logo depois que escrevi isso, o Ulisses deu um jeito de entrar no banheiro, comer algumas flores e vomitá-las no tapete do meu quarto!) Em relação ao desenho: achei que fiz linhas demais e o resultado saiu meio pesado. A inspiração foi o trabalho do artista Tommy Kane, mas não cheguei nem perto da mistura de precisão e leveza que ele consegue. A moldurinha do cartão foi feita de forma eletrônica no programa Picasa, um software de fotos grátis do Google, super fácil de usar.