Karina Kuschnir

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Meu TCC mudou minha vida

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“O difícil não é ser complicado; o difícil é ser simples. Quanto mais você conhece algo, mais clara deve ser sua explicação.” (Citando de memória minha orientadora de TCC, Angeluccia Habert)

Até o último ano da faculdade de jornalismo, eu não tinha ideia de como fazer uma pesquisa, apesar de quase metade do meu curso ser composta de disciplinas como história, antropologia e sociologia… Para minha sorte, no último ano era obrigatório fazer um semestre de Metodologia de Pesquisa e outro de Monografia (mais conhecida como TCC,  Trabalho de Conclusão de Curso).

Cheguei na aula de Metodologia de pé atrás, porque a professora Angeluccia Habert tinha fama de durona. Como eu trabalhava e fazia faculdade à noite, precisava escolher as matérias para me dedicar enquanto ia levando as outras. Achei que Metodologia cairia nesse limbo, mas me apaixonei!

O segredo desse amor foi que aprendi a fazer uma pesquisa aprofundada. O principal livro da disciplina era Comunicação de Massa: Análise de Conteúdo, de Albert Kientz. Não tenho referências atuais sobre o autor, mas me marcou demais como ele e a Angeluccia me ensinaram de forma didática que era preciso decupar um material e analisar cada pedacinho, para só depois tentar interpretações mais amplas. Fiquei fascinada por existir um método passo a passo.

Para Metodologia, fiz um trabalho final sobre o conceito de indivíduo em obras teatrais de Mauro Rasi. Através de amigos em comum, consegui os roteiros de três peças que giravam em torno do tema família. Pesquei algumas referências teóricas sobre individualismo e fui. Lembro de suar muito para escrever um texto corrido que juntasse os trechos das peças e as questões dos autores, mas acabei tirando 9,0 — uma nota fantástica para a Angeluccia. Esse trabalho, inclusive, foi crucial para que eu passasse no mestrado em antropologia, pois era a única pesquisa que eu tinha para mencionar na entrevista.

No semestre seguinte, pedi à Angeluccia para ser minha orientadora de TCC. Se lembro bem, por ser super exigente, ela não tinha filas. Faltavam só cinco meses para colar grau quando tive a primeira melhor notícia da minha vida, que foi passar no mestrado para o PPGAS, no Museu Nacional/UFRJ. Agora é que a monografia tinha que sair decente.

Nessa época, eu trabalhava na antiga Rádio JB AM, só de notícias. O sistema Jornal do Brasil tinha um setor de pesquisas incrível. Como estagiária e depois repórter, eu amava vasculhar esse material, que abrangia não apenas o JB mas dezenas de veículos de imprensa, por décadas. A primeira coisa que decidi foi fazer meu TCC trabalhando com cinco jornais impressos. Depois, resolvi focar em como esses veículos retratavam as empregadas domésticas durante um recorte temporal específico.

Não tenho mais o material da pesquisa empírica: eram quase 70 reportagens com suas respectivas fichas de decupagem e uma grande tabela de análise feita à mão em duas cartolinas brancas grudadas (que eu precisava enrolar para transportar). Entrevistei também uma pesquisadora que trabalhava na área. Feita essa parte, restava escrever… Haja coca-cola diet (era novidade) para me manter animada a terminar. O cenário dessa fase está na ilustração acima: um computador dos anos 1980, muitos jornais velhos, disquetes, lápis, caneta, a tabela de análise enrolada  e algumas cópias de textos.

Mas por que o título dramático desse post — “Meu TCC mudou a minha vida”?

• Porque eu nunca teria me tornado pesquisadora e professora se as disciplinas de Metodologia e de TCC não fossem obrigatórias no curso de Comunicação.

• Porque, às vezes, as coisas que a vida te obriga a passar são justamente as que te abrem os caminhos mais interessantes.

• Porque até na minha banca de doutorado, um dos meus ídolos da antropologia afirmou que um dos pontos altos da tese eram os trechos de análise de discurso dos meus interlocutores.

• Porque ainda hoje, quando oriento meus alunos, volto ao básico que aprendi com a Angeluccia e com o Kientz: uma boa investigação parte de um recorte preciso e de uma análise minuciosa das fontes.

• Porque tudo isso reafirma que não precisamos apelar para conceitos mirabolantes para fazermos bem feito.

• Porque criar algo por meio de uma pesquisa nos faz um bem danado.

• Porque o conhecimento contribui para um mundo melhor.

É simples.

Boa semana, com ótimas escritas, desenhos e pinturas, pessoal! ☼

Sobre o desenho: Uma novidade: o desenho desse post foi feito no papel e depois finalizado no Ipad. Estou assistindo um curso online só para aprender a mexer no Procreate. É um mundo de possibilidades. Nesse caso específico, comecei de forma tradicional: reuni fotos de objetos da época, depois fiz um desenho no verso de uma folha de papel A4 (bloco Canson Aquarelle) com canetinha Pigma Micron 0.2. Comecei a pintar com aquarela mas me deu uma preguiça enorme, por ser um tamanho grande (prefiro pintar A5 ou A6) e pelo mundo de detalhes da pilha de jornais… O original ficou largado na minha mesa por vários meses… Com o Ipad, resolvi testar adicionar as cores e sombras no Procreate. Vejam abaixo como estava no início do processo e como foram as camadas adicionais de sombras e cores (juntei todas para facilitar a visualização):

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Abaixo, o desenho final com as duas imagens acima reunidas, e o fundo do papel clareado depois no Photoshop:

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Adorei a experiência! Apesar de também ser bastante trabalhoso, colorir no Ipad tem o conforto de te permitir testar e desfazer, além de possibilitar coisas impossíveis em aquarela, como pintar letras verdes sobre um fundo escuro. No papel, eu teria que usar guache e mesmo assim seria bem difícil. Na maior parte do processo, utilizei o pincel Calligraphy – Water Pen, que já vem com o app.

Isso me lembra que preciso atualizar urgentemente o post sobre os 12 Cursos de Desenho, que está sempre entre os mais visitados do blog. Já fiz pelo menos outros 12 cursos desde então — amo ser aluna!

Se quiserem saber algum detalhe que esqueci de explicar, escrevam nos comentários por favor. ♥

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “Meu TCC mudou minha vida”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3PI. Acesso em [dd/mm/aaaa].


A antropologia como uma forma de olhar o mundo – minha entrevista a Diana Mello para a revista Kula

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Antropologia, inovação, trajetória acadêmica, desenho, saúde mental — esses foram alguns dos temas que falei em uma entrevista a Diana Mello para a revista Kula: Antropología y Ciencias Sociales. A Diana é uma ex-aluna querida (criativa, talentosa e sensível!), que esteve na primeira turma do curso de Antropologia e Desenho no IFCS, em 2013. De lá pra cá, criei esse blog e ela já está no doutorado na Argentina, sua terra natal.

Seguem alguns trechos da conversa para vocês (créditos e link para a publicação completa no final).

Sobre como podemos continuar gostando de antropologia, apesar de…:

KK — “…quando nos debruçamos sobre a vontade de conhecer as pessoas, [descobrimos] que muitas vezes elas são mais parecidas conosco do que a gente imaginava e, portanto, não são bem “outros”, são “interlocutores”. (…) Com todas as ressalvas, acho que sobrevive na antropologia um projeto de produção de conhecimento entre pessoas, e esse projeto continua sendo válido para mim. É isso que me faz continuar acreditando, sem negar que em toda área científica existem relações de poder que precisam ser reveladas e compreendidas.”

Sobre ser jornalista e virar antropóloga na primeira pesquisa de campo na Câmara Municipal do RJ:

KK — “…uma casa legislativa é um espaço extremamente restrito e o meu crachá [de jornalista] abriu portas. O difícil era dizer para as pessoas: ‘Olha, quero conversar com você, mas isso não vai sair em nenhum jornal’. Aí os vereadores respondiam que não tinham tempo para conversar comigo. Isso foi muito revelador. Hoje, entendo melhor que quem somos provoca uma série de situações no campo que são indissociáveis do conhecimento que produzimos.”

Comentei com a Diana como fui acolhida pelo professor Gilberto Velho no Museu Nacional, apesar da precariedade da minha formação. Além dele, devo demais a professores como Moacir Palmeira, Luiz Fernando Dias Duarte e Lygia Sigaud. Eu diria que todos, assim como a Maria Claudia Coelho (minha professora na graduação), me ensinaram que a antropologia é uma área conectada com a história, a sociologia, a política, a literatura, a arte etc. Essa perspectiva foi fundamental para que eu pudesse fazer a virada para o desenho:

KK — “Em 2011, fui a Portugal a trabalho e lá participei de um evento de desenho urbano, o segundo encontro internacional do grupo Urban Sketchers. Assisti a uma série de palestras, de pessoas que não eram cientistas sociais, mas que me abriram para a ideia de que o desenho poderia ser uma porta para conhecer o mundo, que podia ser uma ferramenta de renovação da antropologia pelo grafismo. Voltei dessa viagem e, apesar de já ter um projeto de pesquisa pronto sobre arquivos políticos, resolvi escrever um projeto novo sobre “antropologia e desenho”. O projeto foi aprovado e elogiado pelo CNPq. Conforme fui amadurecendo, tive a ideia de criar uma disciplina na graduação voltada para o tema. Comecei em 2013 e continuo até hoje.”

Depois de falarmos mais do mundo acadêmico, Diana me perguntou por que criei esse blog:

KK — “O blog surgiu da minha vontade de juntar o desenho com o texto. (…) Foi um espaço que comecei com zero expectativas, simplesmente para me obrigar a escrever um texto e produzir um desenho toda semana, tentando me inserir também no mundo do desenho onde naquela época era obrigatório você ter um blog.

O primeiro post de sucesso aconteceu em dezembro de 2013. Fui dar uma palestra e me colocaram no último horário do último dia do evento, a plateia praticamente vazia. Eu tinha tido um grande trabalho pensando no roteiro e desenhando à mão todos os slides. Como quase ninguém assistiu ao vivo, resolvi colocar no blog o post Dez Lições da Vida Acadêmica. Foi o primeiro que viralizou, e hoje tem mais de 20 mil views. A partir disso, percebi como havia uma brecha no mundo acadêmico para falar com mais leveza e humor sobre a vida acadêmica.”

Contei para a Diana que a coragem de ser mais irreverente veio também do meu contato com o Howard Becker. Uma coisa que acabei não contando na entrevista foi que o Howie (como ele gosta de ser chamado) uma vez me provocou, questionando por que no Brasil os intelectuais passam a vida toda trabalhando com um tema só. Comecei a respondê-lo de um jeito meio formal, dizendo que era dificuldade de verba de pesquisa etc., e que isso me aborrecia também. Ele se virou para mim e perguntou: “– Por que você não faz de outro jeito?”

Essa conversa ocorreu durante a entrevista que fiz com ele em 2008, por ocasião de seus 80 anos. Naquele dia, ele plantou uma ideia na minha cabeça — algo que foi frutificando nas mudanças que se seguiram em direção ao desenho e à pintura. Como lembro na entrevista à Kula, o próprio Howie é extremamente inovador em sua prática, estudando temas tabu, circulando artigos por e-mail e no seu blog.

Diana perguntou ainda sobre como surgiu o assunto da saúde mental aqui no blog:

KK — Tudo começou por causa de um post escrito a partir do encontro com um ex-aluno da graduação que estava fazendo seu Doutorado. Encontrei com ele no IFCS e ele estava visivelmente mal. Resolvi publicar no blog uma Carta a um jovem doutorando. Nesse post, que também viralizou, eu falo de todos os problemas de saúde e emocionais que eu mesma passei no Doutorado.

(…) Está complicado para os alunos fazerem um curso de Ciências Sociais no Brasil hoje. É desafiador você segurar a saúde mental num contexto em que a pesquisa em Sociologia é considerada uma ‘ferramenta do mal’ pelos setores que ocupam os espaços de poder na sociedade.

Para terminar, respondi à Diana qual conselho eu daria para quem está lutando para permanecer na antropologia e na universidade:

KK — “Um bom conselho é você buscar aquilo que te afeta, aquilo que te mobiliza afetivamente, para que a vida acadêmica tenha o seu lado de prazer, de construção, de emoção, porque sem isso você não segura o lado do sofrimento. (…) Além de muita determinação, paciência, foco e calma, é importante se cercar de pessoas que compartilham essa paixão com você, porque precisamos de grupo, de redes de apoio. (…) Primeiro você precisa viver, estar bem, se alimentar, dormir, estar inteira e não esquecer disso.”

Encerramos conversando sobre a importância de poder desacelerar para se aprofundar na pesquisa. Contei que valorizo muito a autonomia de pensamento, e que alunos têm sim direito de se tornar autores. Às vezes é bem difícil aceitar isso, mas repito: “não importa se já escreveram antes”. Os encontros autorais, bibliográficos e pessoais são únicos e merecem ser analisados e descritos. Não devemos nos censurar por querer produzir: “você pode prestar contas para a academia sem se anular, sem apagar a sua singularidade”.

Para ler a entrevista completa: A antropologia como uma forma de olhar o mundo: uma conversa com Karina Kuschnir. Entrevista concedida a Diana B. Mello. Kula. Antropología y Ciencias Sociales, nº 20/21: Especial aniversario. Diciembre, 2019, p. 22-29.

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A revista Kula é feita por alunos de pós-graduação de diversas instituições universitárias na Argentina, mas aceita artigos em português. A chamada para o próximo número está aberta!

E-mail para contato: revistakula@gmail.com

A Diana Mello está no Rio fazendo trabalho de campo até final de fevereiro. E-mail para contatos: didibmello@gmail.com

6 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-e-dignas-de-nota da semana:

♥ Holly Exlley, uma das minhas aquarelistas preferidas do You Tube, lançou um vídeo novo com time-lapse de pintura.

♥ Terminamos a 6ª temporada de Brooklyn 99 e começamos a 3ª de Mrs. Maisel. Que produção, que diálogos! É um show.

♥ A Public Domain Review fez uma foto-montagem divertida e listou vários autores, artistas e músicos que entram em domínio público em 2020 (em inglês).

♥ A Valéria Campos do blog 1 Pedra no Caminho publicou (em co-autoria com Fernanda G. Matuda) um artigo bacana intitulado Uso de podcasts como potencializador do desenvolvimento de gêneros orais em aulas de língua portuguesa no ensino médio. Ela fez um resumo com destaques do texto aqui. Achei uma reflexão super bem-vinda também para aulas de graduação.

PS: A professora Julia O’Donnell (IFCS/UFRJ) fez um projeto com podcasts numa turma de Antropologia Urbana em 2019-2. Quem sabe ela escreve um relato para o blog? O que vocês acham?

♥ Por falar em podcasts, Daniela Manica (Labjor/Unicamp) e Soraya Fleischer (UnB) coordenam o novíssimo Mundaréu, podcast de divulgação científica sobre Antropologia. Super inovador, entrevistando antropólogas e seus interlocutores nessa primeira temporada. Uma alegria de ouvir!

♥ Em 2020 retomei minhas práticas de GTD (sigla de Getting Things Done). Já ouviram falar? A Thais Godinho explica super bem no blog Vida Organizada ou no You Tube (versão curta / versão longa). Eu não sigo tudo certinho, mas gosto da filosofia de buscar tranquilidade e foco para fazer aquilo a que você se propõe. Nada a ver com produtivismo. Como diz a Thais no primeiro vídeo:

“Às vezes, a coisa mais importante que você tem para fazer é não fazer nada; é descansar.” (Thais Godinho)

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Hoje não tem “sobre o desenho”, porque a ilustração foi a capa da revista Kula. Adorei as linhas sobrepostas da logomarca que, assim como a capa, foram criadas pela designer Valeria Mattiangeli.

Tenho desenhado o projeto “50 Pessoas” e compartilhado no Stories do Instagram. Já já trago as imagens juntas pra cá. Boa semana, pessoal. ☼

Você acabou de ler “A antropologia como uma forma de olhar o mundo – minha entrevista a Diana Mello para a revista Kula“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2020. “A antropologia como uma forma de olhar o mundo – minha entrevista a Diana Mello para a revista Kula”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3P6. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)

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“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

Continuando o post da semana passada, trago a colaboração de colegas professores que me responderam como ajudar a terminar TCCs, dissertações e teses. Seguem as últimas seis dicas (que viraram sete). As fontes estão indicadas no texto, mas a responsabilidade por tudo que houver de errado é minha, claro.

Começo lembrando rapidinho as lições da primeira parte do post: 1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho; 2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais; 3. Curtir a escrita; 4. Cercar-se de pessoas que te ajudem; 5. Ler autores e livros que te inspirem; e 6. Visualizar a tese pronta. Aí vão as próximas!

7. Ter paciência, respeito ao próprio tempo e humildade

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O depoimento da professora Andréa Moraes me emocionou. Ela conta que seu principal trabalho de orientação é nos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) numa área com pouca tradição de pesquisa. Sua maior preocupação é que os alunos não desanimem. É comovente ver que há professoras tão comprometidas com o percurso acadêmico, em especial, dos que chegam à universidade menos preparados.

“O desafio é gigantesco: alunos sem preparo têm que enfrentar uma exigência colossal: escrever pelo menos 50 páginas de um tema de investigação. É um suplício. O TCC tem duração de um ano, mas poucos conseguem concluí-lo nesse prazo. Desistem, voltam, desistem, voltam, o TCC vira um grande fantasma. (…)

Gosto que os alunos de graduação aprendam sobre autonomia e sobre criatividade, sobretudo. Mas, não creio que sejam coisas que conquistamos de uma vez, elas vêm aos poucos. Escrita e pensamento requerem paciência, respeito ao próprio tempo e uma dose de humildade. A humildade é amiga das boas perguntas. São coisas preciosas que aprendemos ao longo da vida.

Nada está pronto, nunca, tudo está ainda por fazer. O trabalho escrito pode vir assinado por um autor, mas é sempre fruto dos encontros e das oportunidades que aquela pessoa teve ao longo da vida. Pensar nisso é ter compromisso com uma orientação (acredito na orientação como processo pedagógico) mais compassiva e mais amorosa. Eu acredito nisso e acho que é necessário nos tempos que correm. A escrita é sempre criação e violência, precisamos de calma com ela.” (Andrea Moraes)

8. Perceber que a escrita se faz escrevendo

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O professor Christiano Tambascia mandou uma ideia em que acredito demais: o trabalho se faz trabalhando, no processo.

“A dica que eu dei recentemente, para alguém que não estava conseguindo fazer as pazes com o Word: o mais importante é contar sobre o seu trabalho. Se for teclando um pouco, desenhando um pouco, falando um pouco, fotografando um pouco, ou tudo isso em doses variadas, não importa tanto num primeiro momento. Depois que tudo começar a andar, o trabalho de burilar, mexer e refazer se torna um pouco mais tranquilo e saudável.” (Christiano Tambascia)

Esse comentário me lembra de algo que já contei aqui: quando eu era pequena, achava que existia uma estante com todas as ideias do mundo, prontinhas para serem utilizadas pelas pessoas sábias. Mais crescida, passei a achar que os argumentos tinham que estar completamente elaborados antes de começar a escrever. Isso me causava um sofrimento enorme porque as minhas ideias nunca estão acabadas quando começo um texto. É o contrário: a escrita é que me ajuda a entender o que estou pensando!

9. Afastar os fantasmas

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Como bem disse a Andréa, TCCs, dissertações e teses vão se tornando verdadeiros fantasmas na nossa cabeça. O Chris Tambascia fala sobre isso também, lembrando que a escrita também pode ser uma aventura, como dito na Parte 1 desse post:

“Há casos em que a pessoa sabe direitinho o que quer dizer, até mesmo como quer construir o texto, mas termina por ficar angustiada e triste na frente de uma tela em branco. Uma das coisas que acaba travando a escrita é o medo de não produzir um texto que corresponda ao que temos na nossa cabeça; que faça jus a uma espécie de texto fantasmagórico, que só nos resta digitar.

Nos esquecemos que uma tese ou uma dissertação, no fundo, é um bom projeto de uma ideia que então pesquisamos e depois comunicamos para o mundo (um mundo bem pequeno, mas que amedronta e que tememos muito que vá nos julgar).

O exercício da autoria pode ser empolgante, quando começamos a lidar melhor com essa paralisia. E, vai saber, o texto não vai ser aquele da cabeça (porque ele é formado justamente no processo, que inclui bater algumas teclas por algum tempo) e pode ficar ainda melhor do que antecipado! Vai ficar aquém e além do planejado – e tudo bem!

Claro, faz parte da formação acadêmica aprender a produzir num certo formato. Mas parece que isso vem à custa do esquecimento de que, afinal de contas, queremos contar sobre o trabalho que fizemos. Tenho convicção de que não há uma tese ou uma dissertação definitiva. Elas são o que fazemos delas.” (Christiano Tambascia)

10. Lembrar que uma tese é só uma tese

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A professora Julia O’Donnell foi na mesma direção do Chris apontando que precisamos olhar o projeto de escrita numa perspectiva menos grandiosa:

“A coisa mais verdadeira e a mais difícil de introjetar: É só uma tese! Passamos anos dedicados a esse bicho-tese, que suga nossas energias, compromete nossa saúde e nossa vida social, nos faz sentir burros(as) 30 vezes por dia (nos bons dias) e por todo esse tempo parece que a vida é a tese. E, por incrível que pareça, não é – ainda bem!

Então meu mantra era: ‘É só uma tese!’. Claro que, nos momentos de desespero (que eram quase todos os momentos na fase de escrita), eu nem ligava pro mantra. Mas de vez em quando eu me permitia repeti-lo e levá-lo a sério. Isso me ajudava a pôr os pés no chão e me reconectar com aquilo que realmente importa: o mundo-além-da-tese.” (Julia O’Donnell)

Concordo com tudo, inclusive com a parte de que é muito difícil colocar essa dica em prática em meio à ansiedade escrever. Só quando fiquei mal de saúde é que me dei conta de que não podia deixar a tese engolir todas as esferas da minha vida. De que adianta terminar a tese, acabando com o próprio corpo junto?

11. Não se apavorar com a defesa

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Diante dos fantasmas da defesa, a professora Maria Claudia Coelho mandou uma mensagem tranquilizadora:

“Uma coisa que digo sempre aos meus orientandos, quando recebo aquele inevitável e-mail, um ou dois dias antes da defesa, apontando um problema terrível que acabaram de constatar (geralmente ‘grave’ como uma data errada na bibliografia) e que, naquele momento, têm certeza de que os fará serem reprovados: a angústia recrudesce imediatamente antes da defesa, é o pior momento, todos temos isso, porque é quando os fantasmas vêm nos atormentar.

É a proximidade da defesa que acorda os fantasmas. Essa data errada na bibliografia (ou o que for, varia muito a natureza do ‘problema-grave-que-causará-a-reprovação’) é apenas a sua versão de uma angústia pela qual passamos todos. Pare de ler e reler a tese, vá ao cinema, vá tomar um chope, vá à praia, enfim, relaxa, a tese está entregue.” (Maria Claudia Coelho)

Ai, como eu queria ter recebido esse recadinho antes do meu dia-D!! Meu orientador não era desses de mandar relaxar… Ele era capaz de pedir para eu repassar a apresentação por telefone, isso sim! Agora acho graça desses excessos, mas na época eu tinha muitos pesadelos, como já contei aqui.

12. Lembrar que tudo tem começo, meio e fim

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Retomo a mensagem enviada pela professora Andréa Moraes para falar de como é importante colocar um ponto final no processo de escrita e seguir adiante:

“Ajudar a encerrar o percurso é tão importante quanto ajudar a começar. A hora de acabar é a hora de constatar que o autor ou autora caminhou o melhor que pôde até aquele momento.

Encerrar para começar coisas novas a partir dali. Dar um ponto final em uma etapa da vida, a graduação, no caso. Uma etapa que em um país tão profundamente desigual e injusto como o nosso é ainda exclusividade de poucos. Ter um TCC escrito e apresentado é uma vitória por si só, na minha opinião.” (Andrea Moraes)

Como lembrou a professora Yvonne Maggie, sua máxima predileta na hora de escrever é “tudo tem começo, meio e fim”! Prazos podem ser tirânicos, mas também nos trazer tranquilidade: uma hora a tese tem que acabar! Precisei muito me embalar com esse mantra não só durante o doutorado, mas desde quando enfrentava os trabalhos de curso da graduação e do mestrado. Até hoje uso essa ideia para as escritas com datas de entrega apertadas.

13. Não existe trabalho perfeito

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Bora teorizar e demonstrar: aqui está um post de doze lições que viraram treze! Ao invés de espremer o texto nas ideias previstas, resolvi terminar errando a conta! Tudo porque a última liçãozinha é uma pérola que merece o seu item próprio:

“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

A frase faz parte das lembranças do doutorado da professora Daniela Manica:

“Aquilo tocou fundo para mim num momento em que eu precisava terminar, mas não conseguia, pensando que, se eu tivesse mais um mês (um semestre, um ano), eu chegaria mais perto daquilo que queria fazer. Aprendi que, na maioria dos casos, ainda mais com tanta pressão que temos para produzir muito, e rápido, a tese é um ponto final no meio da conversa.

Mesmo assim, faltando só a introdução e a conclusão do texto eu, grávida de 20 e poucas semanas, entrei em trabalho de parto prematuro e tive que parar tudo. Exercício difícil para quem estava querendo concluir logo o trabalho e poder curtir o bebê! Mas não teve outro jeito. Assim que tive condições, depois dele nascer, terminei o que precisava, e finalmente defendi a tese quando meu filho estava com quatro meses. Aí aprendi que nossa vida pessoal, e nossa saúde, importam mais do que qualquer outra coisa.” (Daniela Manica)

Nossa, Dani, muito obrigada por compartilhar sua história. Fiquei emocionada pensando em você e em milhares de mulheres que vivenciaram situações semelhantes… Eu mesma passei a licença-maternidade da Alice estudando para o concurso de professora. Felizmente acabei entrando, mas até hoje me sinto culpada como mãe por esse momento!

Espero que essas treze lições-dicas-sugestões, ajudem vocês a enfrentar as dificuldades nos processos de escrita. Não tem fórmula, mas há qualquer coisa mágica na hora em que paramos de nos questionar e simplesmente fazemos o melhor que nos é possível.

Parafraseando os conselhos da Adriana Facina, na Parte 1 desse post: TCC, dissertação ou tese são trabalhos que exigem disciplina, foco e seriedade; mas sua escrita também pode ser uma arte que dá sentido às nossas vidas.

Meu muito obrigada a todos que colaboraram nessa série-saga; e a todos que leram, comentaram e compartilharam. Até semana que vem!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) e as cores com canetinhas hidrocor (Staedtler triplus color), tudo num papel comum (A4, 90gr).

Você acabou de ler “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3CU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)

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“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”. (Pablo Neruda)

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho

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A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

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Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

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Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

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A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

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A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

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Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

Um bom Carnaval a todos, com descanso, trabalho e folia, conforme a dose recomendada!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) que ganhei do Juva, no final de janeiro, vinda da Muji, de Lisboa. Estou apaixonada por essa  caneta e suas irmãs azul, azul escura e vermelha. Como queria utilizar papel comum (A4, 90gr), colori com canetinha hidrocor (Staedtler triplus color). (Sobre todos os materiais que utilizo, ver aqui.)

* Os links para a editora Zahar foram indicados apenas como referência aos livros citados. Não recebo nada por compras dessas obras feitas no site deles.

Você acabou de ler “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [dd/mm/aaaa].