Karina Kuschnir

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Janeiro/2017!

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Queridos, fico feliz de vir aqui no último dia do ano desejar um “Bom 2017” para todos! Não, não esqueci de escrever “Feliz 2017”. Desejo a vocês e a mim mesma:

Que 2017 seja um ano bom, com momentos felizes;
que tenhamos força para sobreviver aos dias difíceis;
que a calma prevaleça para enfrentar as situações estressantes;
que doses de energia nos ajudem a criar, cantar, tocar, desenhar, ler, escrever, suar;
que possamos sentar no chão e montar uma cabana com as crianças;
que as frutas, os legumes e as folhas coloram nossas geladeiras;
que o amor seja potente e suave;
que o sol brilhe, que a chuva refresque;
que a solidariedade e o afeto sejam maiores;
que tenhamos sabedoria para dar um passinho, que seja,
em direção a um Brasil menos injusto;
que todos vocês-que-estão-escrevendo-teses encontrem concentração e fôlego para continuar até o feliz dia de escrever os agradecimentos!

7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-divertidas-hilárias-ou-dignas-de-nota das últimas semanas, com a colaboração da Alice e do Antônio:

* Abolimos os presentes de Natal na minha família, exceto para as crianças. Não fazemos nem mais amigo oculto. Esse ano, no entanto, agradecida por ter um emprego e um 13○, resolvi incentivar a leitura. Comprei livros de presente para todos (um por casal em alguns casos), aproveitando que tenho 40% de desconto nas editoras Companhia das Letras e Zahar. A listinha foi: A elefantinha que queria dormir (C. Ehrlin), Você conhece a Píppi Meialonga? (Astrid Lindgren), Segredo de família (Eric Heuvel), O livro das ignorãças (Manoel de Barros), O  livro sobre nada (Manoel de Barros), A resistência (Julián Fuks), Mansfield Park (Jane Austen), Galveias (José Luís Peixoto), O frango ensopado da minha mãe (Nina Horta), Percatempos (Gregorio Duvivier), Alucinações musicais (Oliver Sacks), Trinta e poucos (Antonio Prata), Sejamos todos feministas (Chimamanda Ngozi Adichie), A utilidade do inútil (Nuccio Ordine), Escritos de Artistas (G. Ferreira e C. Cotrim, orgs.). Gastei cerca de 400,00 reais com tudo. (Em 2015 gastei um pouco menos comprando — também livros — no sebo Luzes da Cidade; mas só para as crianças e jovens.)

* Alice e Antônio me ajudaram a fazer os embrulhos, já que os livros vêm pelo entregador da editora, sem embalagem. Compramos envelopes de papel pardo, 50 cm de papel adesivo vermelho (tipo Contact) e um pacotinho de etiquetas brancas A4 para computador. Encomendei para o Antonio desenhos de leitores. Em meia hora ele me veio com essas (abaixo) quatro criaturinhas lindas!

antonio_leitores

Imprimimos nas folhas de etiquetas e colamos para enfeitar os envelopes. Alice coloriu alguns detalhes feitos pelo Antonio na hora. O Contact vermelho serviu de fita para fechar. Há muito tempo eu não me divertia tanto fazendo presentes de Natal.

* A prova de que não precisamos gastar muito para agradar: minhas prendadas sobrinhas nos brindaram com lembrancinhas feitas por elas (ganhei dois mini-caderninhos) e foram super criativas nos presentes para as crianças maiores: miçangas e fios comprados na Saara para brincar de fazer bijuterias.

* Meu último compromisso no IFCS foi 22/12. No mesmo dia comecei a ler o meu próprio presente de Natal: Mansfield Park, de Jane Austen (ed. Companhia das Letras/Peguin). Que delícia mergulhar num romance! Pena que já acabou… Agora estou curtindo o Prefácio e a Introdução que, sabiamente, deixei para ler por último, pois ambos estragariam o suspense da história.

* Nesses mesmos dias, Antônio pintou um quadro, terminou a biografia da Marina Abramovic e começou a do Matisse. Comemoro secretamente: uma pessoa nunca estará sozinha em meio à arte e aos livros.

* No dia 25 lemos o presente da Alice: Segredo de família (Eric Heuvel), uma publicação em quadrinhos apoiada pela Casa Anne Frank. É uma história difícil, do tempo da segunda guerra mundial, contada pelos olhos de uma menina holandesa. Agora vamos encomendar A fuga, outro volume da mesma série.

* Aflita por decidir seus presentes, minha mãe aceitou a sugestão do professor de violão da Alice. A missão era comprar um Songbook, desses com letras, cifras e acordes. Mas quem disse que as livrarias comuns vendem esse tipo de livro? Felizmente, pergunta daqui, pergunta dali, a intrépida avó descobriu uma ilha musical na nossa cidade: Livraria Bossa Nova & Companhia, em Copacabana. Saiu de lá com o Songbook Bossa Nova vol.2, que já está sendo devidamente estudado e tocado. Fico quietinha, me beliscando para aceitar que não estou num sonho: minha filha tocando, cantando e se maravilhando com Tom Jobim! É muita felicidade. Nesse exato momento, enquanto escrevo, ela ensaia Águas de Março para cantarmos hoje à noite.

Até semana que vem!

Sobre o desenho: O emoji de sol é um dos meus preferidos do Whatsapp. Daí tive a ideia de fazer esse calendário só com sóis de variadas intensidades. Minha meta em 2017 é estar mais ao ar livre, andar e correr mais, levando as crianças para esse caminho. Cada solzinho foi feito com caneta Pigma Micron 0,05 e depois colorido com vários tons de amarelo, laranja e vermelho de lápis decor aquarelável Caran D’Ache.

Para imprimir: versão em pdf (ou clique na imagem no início do post em .jpg).


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Chá-de-tempo, chá-com-o-Tempo

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Alice suspirou, entediada. “Acho que vocês poderiam fazer alguma coisa melhor com o tempo” (…)  “Se você conhece o Tempo tão bem quanto eu”, disse o Chapeleiro, “falaria dele com mais respeito.” “Não sei o que quer dizer”, disse Alice. “Claro que não!” desdenhou o Chapeleiro, jogando a cabeça pra trás. “Atrevo-me a dizer que você nunca chegou a falar com o Tempo! (…) Ele não suporta apanhar.” (Aventuras de Alice no País das Maravilhas**)

Toda segunda tenho a impressão de que falta muito para quarta, e toda sexta eu não entendo o que houve com o tempo de quinta! Assim transcorre a semana-do-blog na minha percepção, como um eterno looping de um post-em-fuga.

Como muitos de vocês que estão agora escrevendo projetos, TCCs, teses e dissertações, também preciso de foco, espaço mental e tempo para desenhar e escrever. Por que essas três condições são tão ariscas?

Sonhei essa noite que tomava um chá-de-tempo ou, como gostaria o Chapeleiro, um chá-com-o-Tempo. Imaginem que maravilha: um saquinho contendo horas, minutos e segundos na quantidade que desejássemos!

Porém, contudo, entretanto… como sempre acontece comigo, o sonho virou pesadelo. Ao me tornar senhora do meu tempo, me vi como a protagonista daquele filme Click, em que o chato do Adam Sendler encontra um controle remoto mágico. Ao pular todas as partes difíceis, ele chega ao final da vida sem viver.

Tomo um chá com cafeína para espantar o sono. Vasculho a pilha de papéis da minha mesa para achar os formulários de matrícula da escola das crianças. Descobri que o prazo da Alice é hoje, mas preciso andar. O corpo vem primeiro, digo para os meus alunos (tentando me convencer). Volto, tomo banho, levo 45 minutos para preencher 12 páginas de informações; outros 45 minutos para ir e voltar da escola. A manhã acabou. Termino de almoçar, olho a inbox do Gmail com 92 mensagens para responder. Não, nenhuma dessas é spam, divulgação ou promoção. Penso nos amigos que não parabenizei, nos agradecimentos que não escrevi, mas hoje é sexta e o post já está dois dias atrasado.

“Dois dias de atraso!”, suspirou o Chapeleiro.

Sim, respondo mentalmente, dois dias é mais ou menos o meu atraso de fábrica. Atrasado mas feito: este é o post número 139. Quando tudo fica pronto e aperto “publicar”, me dá um vazio. É como muitos nos sentimos no pós-tese. No momento em que saímos da água, percebemos o quanto foi bom mergulhar.

Até semana que vem, com um carinho especial para todos os meus colegas professores que ainda têm pilhas de provas e trabalhos para corrigir antes do Natal. Tamo junto!

Sobre o desenho: Imagem feita no caderno da amiga Béliza Mendes, com quem participei de um grupo de troca de sketchbooks sobre diferentes temas. Neste, ela nos fez um “Convite para o chá”. Desenhei minha sapa de estimação (que já apareceu aqui) tomando chá na mesinha que herdei da minha . Utilizei canetinha de nanquim permanente 0.1 Unipin, aquarela e lápis-de-cor (especialmente no paninho listrado). Na edição da imagem para o post, apaguei a mensagem pessoal que havia no canto esquerdo. (Outros desenhos desse projeto estão aqui e aqui; mas estou devendo um post sobre.)

Sobre o livro: trecho inicial extraído da página 70 de “Alice: edição comentada”, de Lewis Carroll (ed. Zahar, tradução de Maria Luiza X. de A. Borges).  Os “dois dias” de atraso estão na página 69.


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Dez truques da escrita num livro só

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“Para superar a prosa acadêmica, primeiro você precisa superar a pose acadêmica.” (C. Wright Mills, cit. por Becker, em Truques da escrita, p.57)

O melhor livro sobre escrita no mundo das ciências sociais está finalmente publicado em português! Foi uma delícia ajudar na edição do Truques da escrita: para começar e terminar teses, livros e artigos, do Howard S. Becker (editora Zahar, 2015, tradução de Denise Bottmann, e minha revisão técnica). É sempre bom ter uma desculpa para trocar e-mails com o Howie. Ele é desafiador, irreverente e simpático, mas não bonzinho!

Ano passado ele estava bem pessimista com a vida acadêmica… A primeira versão de prefácio para a edição brasileira veio nessa onda… Pedi please, por favor, dá para animar um pouquinho? Os estudantes brasileiros estão precisando de boas vibrações para terminar seus textos, artigos e teses! (E nem estávamos no cenário atual… ) Então veio uma nova versão, bem no tom do restante do livro, cheia de ideias e análises séria-mas-divertidas sobre nosso modo de lidar com a escrita na academia.

Aí vão dez dicas que pincei dentre os muitos segredos e truques apresentados na primeira metade do livro:

1) Você não está sozinho — Isso parece título de seriado de suspense, mas traduz uma ideia forte e simples da obra do Becker: a maioria dos nossos problemas são coletivos e não individuais. Escrever também. Você senta diante do computador e pensa: “Oh, meu deus, por que tudo que eu escrevo é horrível?” Bem-vindo. Todo mundo senta ao computador e escreve seis frases horríveis antes de escrever uma que preste. Você, o professor titular e o aluno brilhante de doutorado também. Perde-se muito tempo sofrendo nessa “privacidade socialmente organizada” da escrita. Melhor aceitar que escrever mal ou truncado faz parte de escrever. Ponto.

2) Rascunho sem censura — Escreva uma primeira versão do seu texto sem se preocupar com o que os outros vão achar, sem medo de rirem de você, sem apagar antes de começar. Querer um texto claro e coerente de primeira é uma das principais armadilhas para acabar não tendo texto algum. Confie, escreva um “rascunho confuso”, pois o objetivo é “fazer descobertas” e não publicar imediatamente (p.40).

3) Uma, duas, três, quatro, cinco revisões — Corte tudo que não sobreviver à pergunta: “Isso é realmente necessário?” Divida frases longas, substitua a voz passiva, simplifique, clareie. É o dever-de-casa básico dos cursos de redação, diz Becker. O problema é que os cientistas sociais se acostumaram a ter que escrever em prazos muito curtos, acabando por aceitar como normais textos que precisariam de várias revisões para serem realmente bons.

4) Crítica-amiga — Nem todo colega é um bom leitor, mas cultivar um círculo de amigos-leitores para suas versões preliminares ajuda a “desemaranhar as ideias”, melhorar a linguagem, incorporar referências, incluir comparações e até cortar mais, se necessário! Quando eles reclamarem que a prosa está confusa, a culpa é sua. Volte ao ponto 3!

5) Complexidade com simplicidade — Muitas pessoas confundem redação empolada e complicada com sofisticação intelectual. Becker abomina. Citando C. Wright Mills, ele defende: é possível ser compreensível e complexo, ser claro e também profundo. Subterfúgios retóricos servem para afirmar superioridade de status por parte dos acadêmicos (e é nesse contexto que aparece a citação do Mills que abre o post), como o sotaque que denuncia uma classe social.

6) O fim no começo — Ao terminar de escrever, pegue o triunfante parágrafo final e coloque-o no início do texto! Ou seja, escreva a introdução por último, quando já tiver clareza de onde seu trabalho irá chegar. Começar de forma evasiva não ajuda. Apresentar de cara as conclusões e o mapa do percurso de sua pesquisa é uma forma mais eficiente de fazer o leitor se interessar. Becker dá um exemplo ótimo de como fazer isso na p.83.

7) Escrever para pensar — Escrever o rascunho-sem-censura da forma mais livre possível, até sem recorrer a notas de campo e bibliografia, te leva a entender as ideias que estão na sua cabeça. É uma maneira de dar uma “forma física” ao seu pensamento! (p.86) Depois, avaliando estas páginas, é o caso de se perguntar: as ideias se repetem?; se complementam?; são frágeis? quantas/quais são realmente importantes?

8) A ordem dos dados importa? — Não há uma maneira única e certa de apresentar os dados de uma pesquisa. Há várias, e quase sempre a conclusão é a mesma, não importando o modo como você organiza os temas. Mas recortar, empilhar, marcar, fichar, fazer diagramas… tudo isso pode ajudar a construir o mapa do seu texto.

9) Falar dos problemas resolve todos os problemas — Em vez de eliminar um problema, escreva sobre ele. Simples assim. Qualquer transtorno ou situação penosa te ensina “algo que vale a pena aprender” (p.96). Mas para falar dos seus problemas, você precisa reconhecê-los… e admitir que o Senhor-Todo-Certinho não existe: “O remédio é experimentar e ver por si mesmo que não dói.” (p.100)

10) O trabalho é seu e o mundo não acabou — O autor existe! Bem-vindo, Você.

“…a solução para escrever algo (…) é escrever mesmo assim e, ao terminar, descobrir que o mundo não se acabou. Uma maneira de fazer isso é iludir a si mesmo e se forçar a pensar que o que você está escrevendo não tem importância e não faz diferença nenhuma – uma carta para um velho amigo, talvez. (…) A única maneira de começar a nadar é entrando na água.” (p. 181)

Essas dez dicas são só das primeiras 100 páginas do livro! (Exceto a última, ok, não reparem.) Como o próprio Becker afirma que é “preguiçoso” e não gosta de trabalhar, também me sinto à vontade para parar no meio. Talvez eu faça um segundo post sobre o livro, talvez não… Falta tanta coisa boa: como editar, como enfrentar a bibliografia, como descobrir que o texto está pronto… Corram pra ler, é muito mais divertido do que eu escrevi!

**Aviso: é correto informar que o livro faz parte da Coleção Antropologia Social (dirigida por mim) e que recebo uma pequenina porcentagem das vendas. Mas não foi por isso que escrevi o post, claro.

** PS: Depois do post publicado, soube dessa resenha muito legal feita pela Julia Polessa, antes da edição brasileira existir. Vejam lá!

E para quem se interessa pelo mundo acadêmico, o blog tem outros textos sobre minhas experiências… na escrita de projetos, nas defesas de tese, nas dores de não passar, na falta de tempo, no ensino de antropologia e desenho, no aprender a desescrever, nas agruras de ser doutoranda, na vida dos alunos, no sorriso do professor, nas lições da vida acadêmica e nas muitas saudades de Oxford 1, 2, 3 e 4!

* 5 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-hilárias-ou-dignas-de-nota da semana:

* Descobri o blog A Vida Pública da Sociologia, escrito pelo João Marcelo Maia. Li tudo de uma vez só, adorei e entupi o João com comentários. Um lugar para respirar ar fresco e inteligência na vida acadêmica!

* Médico: — Como vai o Antônio? Teve febre?
Eu: — Não, ao contrário. Estou até preocupada:  o termômetro não ultrapassa 35 graus e pouco.
Médico — Ah, é “febre de sapo”!

* Seriado Elementary (Netflix): o Sherlock Holmes moderno explica: “The danger with rule books, Watson, is that they offer the illusion that leading a moral life is a simple undertaking, that the world exists in black and white. Welcome to the greys!”

* Saiu em português um dos melhores livros autobiográficos que já li: Sobre a escrita: a arte em memórias, de Stephen King.

* Coincidência simpática: este é 80º post e o blog acaba de ultrapassar 80.000 visitas!

* Sobre o desenho: Fiz o desenho achando que ia ser um rascunho, mas acabou virando a versão final. Lápis e caneta nanquim 0.3 Unipin sobre o verso de um papel Canson Aquarelle. Aguadas com waterbrush Kuretake (large) e tintas de aquarela misturando cinzas com as cores Burn Sienna, French Ultramarine, Neutral Tint e um pouquinho de Turquoise para os azuis claros. No chão do escritório imaginário, os rabiscos são as letras e palavras que o Becker nos sugere cortar sem piedade. Quem sabe um dia eu não viro ilustradora de verdade e publico um desses na Piauí?

Você acabou de ler “Dez truques da escrita num livro só“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2015. “Dez truques da escrita num livro só”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url “http://wp.me/p42zgF-ft“. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Pra se molhar

jan2015“A solução para escrever […] é escrever mesmo assim e, ao terminar, descobrir que o mundo não se acabou. […] A única maneira de começar a nadar é entrando na água.”

O trecho acima é do livro Writing for Social Scientists, de Howard S. Becker, que em breve será publicado em português pela editora Zahar. O livro todo é uma delícia, cheio de humor e daquele tipo de saber complexo, mas dito de modo simples, com desejo de ser compartilhado.

É inspirada no Howie (como ele prefere ser chamado), que resumo meus votos para o nosso novo ano:

que a gente entre na chuva pra se molhar. E que rabisque quem quer rabiscar, que corra quem quer correr, que dance quem quer dançar, que desenhe quem quer desenhar… Que todas as listas de inutilidades fiquem pra depois; e que possamos escutar nossos desejos mais íntimos, assim como respeitar os desejos daqueles que amamos; e também daqueles mais distantes com quem compartilhamos a vida coletiva.

Como disseram, de formas diferentes, meus dois colunistas preferidos (aqui e aqui), que tenhamos boa sorte e muitos momentos felizes em 2015! Vamos precisar.

Sobre o desenho: Para entrar bem na água, pranchinhas de surf no calendário de janeiro de 2015, feitas com uma caneta Pigma Micron 0.05 e depois coloridas com os tesouros da casa: 152 lápis de cor Caran D’Ache e Prismacolor. Fiz algumas sombras também com caneta Pitt brush Faber-Castell (cor 272, cinza bem claro). Primeiro fiz só as pranchas, mas depois achei estranho vê-las voando… então fiz os banquinhos de areia, o que não impediu que algumas continuassem meio desengonçadas, prestes a cair. Porém… taí: cumpri desde já uma meta para 2015: resistir bravamente ao perfeccionismo e ao Photoshop.