Karina Kuschnir

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Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)

escrevendo fimp

“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

Continuando o post da semana passada, trago a colaboração de colegas professores que me responderam como ajudar a terminar TCCs, dissertações e teses. Seguem as últimas seis dicas (que viraram sete). As fontes estão indicadas no texto, mas a responsabilidade por tudo que houver de errado é minha, claro.

Começo lembrando rapidinho as lições da primeira parte do post: 1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho; 2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais; 3. Curtir a escrita; 4. Cercar-se de pessoas que te ajudem; 5. Ler autores e livros que te inspirem; e 6. Visualizar a tese pronta. Aí vão as próximas!

7. Ter paciência, respeito ao próprio tempo e humildade

escrevendo paciencia

O depoimento da professora Andréa Moraes me emocionou. Ela conta que seu principal trabalho de orientação é nos Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) numa área com pouca tradição de pesquisa. Sua maior preocupação é que os alunos não desanimem. É comovente ver que há professoras tão comprometidas com o percurso acadêmico, em especial, dos que chegam à universidade menos preparados.

“O desafio é gigantesco: alunos sem preparo têm que enfrentar uma exigência colossal: escrever pelo menos 50 páginas de um tema de investigação. É um suplício. O TCC tem duração de um ano, mas poucos conseguem concluí-lo nesse prazo. Desistem, voltam, desistem, voltam, o TCC vira um grande fantasma. (…)

Gosto que os alunos de graduação aprendam sobre autonomia e sobre criatividade, sobretudo. Mas, não creio que sejam coisas que conquistamos de uma vez, elas vêm aos poucos. Escrita e pensamento requerem paciência, respeito ao próprio tempo e uma dose de humildade. A humildade é amiga das boas perguntas. São coisas preciosas que aprendemos ao longo da vida.

Nada está pronto, nunca, tudo está ainda por fazer. O trabalho escrito pode vir assinado por um autor, mas é sempre fruto dos encontros e das oportunidades que aquela pessoa teve ao longo da vida. Pensar nisso é ter compromisso com uma orientação (acredito na orientação como processo pedagógico) mais compassiva e mais amorosa. Eu acredito nisso e acho que é necessário nos tempos que correm. A escrita é sempre criação e violência, precisamos de calma com ela.” (Andrea Moraes)

8. Perceber que a escrita se faz escrevendo

escrevendo editandop

O professor Christiano Tambascia mandou uma ideia em que acredito demais: o trabalho se faz trabalhando, no processo.

“A dica que eu dei recentemente, para alguém que não estava conseguindo fazer as pazes com o Word: o mais importante é contar sobre o seu trabalho. Se for teclando um pouco, desenhando um pouco, falando um pouco, fotografando um pouco, ou tudo isso em doses variadas, não importa tanto num primeiro momento. Depois que tudo começar a andar, o trabalho de burilar, mexer e refazer se torna um pouco mais tranquilo e saudável.” (Christiano Tambascia)

Esse comentário me lembra de algo que já contei aqui: quando eu era pequena, achava que existia uma estante com todas as ideias do mundo, prontinhas para serem utilizadas pelas pessoas sábias. Mais crescida, passei a achar que os argumentos tinham que estar completamente elaborados antes de começar a escrever. Isso me causava um sofrimento enorme porque as minhas ideias nunca estão acabadas quando começo um texto. É o contrário: a escrita é que me ajuda a entender o que estou pensando!

9. Afastar os fantasmas

escrevendo fantasma

Como bem disse a Andréa, TCCs, dissertações e teses vão se tornando verdadeiros fantasmas na nossa cabeça. O Chris Tambascia fala sobre isso também, lembrando que a escrita também pode ser uma aventura, como dito na Parte 1 desse post:

“Há casos em que a pessoa sabe direitinho o que quer dizer, até mesmo como quer construir o texto, mas termina por ficar angustiada e triste na frente de uma tela em branco. Uma das coisas que acaba travando a escrita é o medo de não produzir um texto que corresponda ao que temos na nossa cabeça; que faça jus a uma espécie de texto fantasmagórico, que só nos resta digitar.

Nos esquecemos que uma tese ou uma dissertação, no fundo, é um bom projeto de uma ideia que então pesquisamos e depois comunicamos para o mundo (um mundo bem pequeno, mas que amedronta e que tememos muito que vá nos julgar).

O exercício da autoria pode ser empolgante, quando começamos a lidar melhor com essa paralisia. E, vai saber, o texto não vai ser aquele da cabeça (porque ele é formado justamente no processo, que inclui bater algumas teclas por algum tempo) e pode ficar ainda melhor do que antecipado! Vai ficar aquém e além do planejado – e tudo bem!

Claro, faz parte da formação acadêmica aprender a produzir num certo formato. Mas parece que isso vem à custa do esquecimento de que, afinal de contas, queremos contar sobre o trabalho que fizemos. Tenho convicção de que não há uma tese ou uma dissertação definitiva. Elas são o que fazemos delas.” (Christiano Tambascia)

10. Lembrar que uma tese é só uma tese

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A professora Julia O’Donnell foi na mesma direção do Chris apontando que precisamos olhar o projeto de escrita numa perspectiva menos grandiosa:

“A coisa mais verdadeira e a mais difícil de introjetar: É só uma tese! Passamos anos dedicados a esse bicho-tese, que suga nossas energias, compromete nossa saúde e nossa vida social, nos faz sentir burros(as) 30 vezes por dia (nos bons dias) e por todo esse tempo parece que a vida é a tese. E, por incrível que pareça, não é – ainda bem!

Então meu mantra era: ‘É só uma tese!’. Claro que, nos momentos de desespero (que eram quase todos os momentos na fase de escrita), eu nem ligava pro mantra. Mas de vez em quando eu me permitia repeti-lo e levá-lo a sério. Isso me ajudava a pôr os pés no chão e me reconectar com aquilo que realmente importa: o mundo-além-da-tese.” (Julia O’Donnell)

Concordo com tudo, inclusive com a parte de que é muito difícil colocar essa dica em prática em meio à ansiedade escrever. Só quando fiquei mal de saúde é que me dei conta de que não podia deixar a tese engolir todas as esferas da minha vida. De que adianta terminar a tese, acabando com o próprio corpo junto?

11. Não se apavorar com a defesa

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Diante dos fantasmas da defesa, a professora Maria Claudia Coelho mandou uma mensagem tranquilizadora:

“Uma coisa que digo sempre aos meus orientandos, quando recebo aquele inevitável e-mail, um ou dois dias antes da defesa, apontando um problema terrível que acabaram de constatar (geralmente ‘grave’ como uma data errada na bibliografia) e que, naquele momento, têm certeza de que os fará serem reprovados: a angústia recrudesce imediatamente antes da defesa, é o pior momento, todos temos isso, porque é quando os fantasmas vêm nos atormentar.

É a proximidade da defesa que acorda os fantasmas. Essa data errada na bibliografia (ou o que for, varia muito a natureza do ‘problema-grave-que-causará-a-reprovação’) é apenas a sua versão de uma angústia pela qual passamos todos. Pare de ler e reler a tese, vá ao cinema, vá tomar um chope, vá à praia, enfim, relaxa, a tese está entregue.” (Maria Claudia Coelho)

Ai, como eu queria ter recebido esse recadinho antes do meu dia-D!! Meu orientador não era desses de mandar relaxar… Ele era capaz de pedir para eu repassar a apresentação por telefone, isso sim! Agora acho graça desses excessos, mas na época eu tinha muitos pesadelos, como já contei aqui.

12. Lembrar que tudo tem começo, meio e fim

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Retomo a mensagem enviada pela professora Andréa Moraes para falar de como é importante colocar um ponto final no processo de escrita e seguir adiante:

“Ajudar a encerrar o percurso é tão importante quanto ajudar a começar. A hora de acabar é a hora de constatar que o autor ou autora caminhou o melhor que pôde até aquele momento.

Encerrar para começar coisas novas a partir dali. Dar um ponto final em uma etapa da vida, a graduação, no caso. Uma etapa que em um país tão profundamente desigual e injusto como o nosso é ainda exclusividade de poucos. Ter um TCC escrito e apresentado é uma vitória por si só, na minha opinião.” (Andrea Moraes)

Como lembrou a professora Yvonne Maggie, sua máxima predileta na hora de escrever é “tudo tem começo, meio e fim”! Prazos podem ser tirânicos, mas também nos trazer tranquilidade: uma hora a tese tem que acabar! Precisei muito me embalar com esse mantra não só durante o doutorado, mas desde quando enfrentava os trabalhos de curso da graduação e do mestrado. Até hoje uso essa ideia para as escritas com datas de entrega apertadas.

13. Não existe trabalho perfeito

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Bora teorizar e demonstrar: aqui está um post de doze lições que viraram treze! Ao invés de espremer o texto nas ideias previstas, resolvi terminar errando a conta! Tudo porque a última liçãozinha é uma pérola que merece o seu item próprio:

“Existem dois tipos de teses, as perfeitas e as defendidas.”

A frase faz parte das lembranças do doutorado da professora Daniela Manica:

“Aquilo tocou fundo para mim num momento em que eu precisava terminar, mas não conseguia, pensando que, se eu tivesse mais um mês (um semestre, um ano), eu chegaria mais perto daquilo que queria fazer. Aprendi que, na maioria dos casos, ainda mais com tanta pressão que temos para produzir muito, e rápido, a tese é um ponto final no meio da conversa.

Mesmo assim, faltando só a introdução e a conclusão do texto eu, grávida de 20 e poucas semanas, entrei em trabalho de parto prematuro e tive que parar tudo. Exercício difícil para quem estava querendo concluir logo o trabalho e poder curtir o bebê! Mas não teve outro jeito. Assim que tive condições, depois dele nascer, terminei o que precisava, e finalmente defendi a tese quando meu filho estava com quatro meses. Aí aprendi que nossa vida pessoal, e nossa saúde, importam mais do que qualquer outra coisa.” (Daniela Manica)

Nossa, Dani, muito obrigada por compartilhar sua história. Fiquei emocionada pensando em você e em milhares de mulheres que vivenciaram situações semelhantes… Eu mesma passei a licença-maternidade da Alice estudando para o concurso de professora. Felizmente acabei entrando, mas até hoje me sinto culpada como mãe por esse momento!

Espero que essas treze lições-dicas-sugestões, ajudem vocês a enfrentar as dificuldades nos processos de escrita. Não tem fórmula, mas há qualquer coisa mágica na hora em que paramos de nos questionar e simplesmente fazemos o melhor que nos é possível.

Parafraseando os conselhos da Adriana Facina, na Parte 1 desse post: TCC, dissertação ou tese são trabalhos que exigem disciplina, foco e seriedade; mas sua escrita também pode ser uma arte que dá sentido às nossas vidas.

Meu muito obrigada a todos que colaboraram nessa série-saga; e a todos que leram, comentaram e compartilharam. Até semana que vem!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) e as cores com canetinhas hidrocor (Staedtler triplus color), tudo num papel comum (A4, 90gr).

Você acabou de ler “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze (ou treze) lições para ajudar a terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 2)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3CU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)

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“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”. (Pablo Neruda)

Pela primeira vez aqui no blog, resolvi pedir a colaboração de colegas professores. Perguntei quais conselhos eles dariam para ajudar os estudantes a terminar seus trabalhos de conclusão de curso de graduação, dissertações de mestrado e teses de doutorado. O resultado foram doze carinhosas lições e dicas – as seis primeiras seguem abaixo.

Minha gratidão e abraço apertado a Aparecida Fonseca Moraes e Adriana Facina, que colaboram neste post. As fontes estão ao lado de cada citação, mas a responsabilidade pela edição, curadoria e eventuais erros de interpretação é minha.

1. Não esquecer do sonho por trás do trabalho

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A professora Aparecida Fonseca Moraes fez um relato sobre seus tempos de mestrado que me emocionou:

Lembro-me que trabalhava tão arduamente na escrita da dissertação que não tinha interesse nem nas necessidades físicas mais básicas, como dormir ou comer. Uma coisa, porém, me relaxava e oferecia ânimo novo: os poemas e outros escritos de Pablo Neruda. Foi por isso que, até o final do mestrado, me acompanhou uma frase do livro autobiográfico do autor, ‘Confesso que vivi’:

“A intermitência do sonho é que nos permite suportar os dias de trabalho”.

Parafraseando Neruda: confesso que assim sobrevivi. (Aparecida F. Moraes)

Amei a frase! Fui até procurar “intermitência” no dicionário, para ter certeza de que tinha entendido. 😉 Mas depois desencanei, porque o sentido do verso foi o conforto que a Aparecida encontrou para escrever, não esquecendo dos sonhos que a moveram para escrever um trabalho acadêmico.

Achei aqui uma versão inteira do poema de Neruda; e achei aqui vários outros textos e vídeos do poeta para inspirar.

2. Concentrar-se no processo: desligar das redes sociais

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Adriana Facina escreveu três conselhos simples e profundos, que me tocaram muito! Desdobrei em quatro para dar destaque a cada passo descrito por ela. O primeiro:

Escrever, especialmente trabalhos de grande monta como dissertações e teses, exige foco, disciplina e um certo desligamento do mundo. Meu conselho número 1 a todas e todos que estão nesse processo é: saia das redes sociais.

Aqui você encontrará problemas políticos que vão te preocupar e te trazer incertezas sobre o futuro, debates estéreis (tretas) nos quais você vai querer opinar e que vão sugar suas energias, um monte de gente aproveitando as férias e lugares maneiros aonde você queria estar, eventos que você gostaria de frequentar etc.

Tudo isso rouba seu tempo e sua capacidade de trabalho. Acredite: nós escrevemos mesmo quando não estamos escrevendo. Ainda que nos momentos em que estamos distantes da tela do computador, nossa cabeça está funcionando no modo escrita, elaborando ideias e formatos que se tornarão textos. É muito importante a gente se concentrar nisso. Se divertir, se distrair é importante, mas procure aquelas atividades que te refazem e reenergizam, não as que desgastam e dispersam. (Adriana Facina)

Nossa, esse conselho vale para a vida, a qualquer momento, não apenas para quem está escrevendo tese, concordam? Eu teria naufragado se tivesse que fazer pós-graduação num mundo com redes sociais.

3. Curtir a escrita

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Mais um conselho perfeito da professora Adriana Facina:

[Meu] conselho número 2 é: aproveite a escrita. É difícil. Por vezes, solitário. No entanto, é um processo desafiador, instigante, cujos resultados podem ser muito prazerosos (ainda que dificilmente o processo em si o seja).

Faça bons cafés, beba um drink de cara pro computador se isso te ajudar, ouça música ou prefira o silêncio. É a sua arte. Se dedique a ela. Encontre sentido. É sua escolha. É você se inscrevendo no mundo. É o seu pensar autônomo. Não deixe que nada te roube essa experiência tão forte e especial. (Adriana Facina)

Fiquei tão feliz de ler isso! A Adriana tocou num ponto fundamental para mim. É uma delícia quando a gente consegue engrenar no fluxo da escrita, aquele que desliga os sentidos para o mundo lá fora. Vivo para isso. Taí, inclusive, a razão desse blog existir.

4. Cercar-se de pessoas que te ajudem

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A quarta lição, e o conselho número três da Adriana:

Procure ajuda se precisar. Se a relação com orientador não estiver fluindo bem (ou mesmo que esteja, mas que não seja o suficiente pra você), procure amigos, pessoas de confiança afetiva e/ou intelectual, parentes. Peça que leiam. Discuta seu trabalho com elas. Mergulhe nisso. Fique obsessiva. Quanto mais a gente mergulha e vive nosso tema, mais insights de escrita surgem. (Adriana Facina)

Esse trecho me lembrou de uma história. No auge do meu sofrimento no doutorado, com o orientador pressionando para que eu defendesse no prazo mínimo, uma das coisas que mais me ajudou foi dar um telefonema. Liguei para a Myriam Lins de Barros, uma das professoras que iria participar da minha banca, e expliquei como estava me sentindo: cheia de dores, ansiosa e fraca, fisica e emocionalmente. Ainda hoje me lembro da voz dela, calma e serena, me tranquilizando de que não havia qualquer problema em adiar a defesa por quatro meses e que ela se dispunha a ligar para o meu orientador para me dar apoio. Nossa, que bálsamo ouvir aquilo! Foi a partir desse dia que consegui retomar a escrita e seguir em frente. Obter apoio de pessoas significativas, que nos afetam, seja no plano pessoal ou acadêmico, tem um valor imenso na conquista da estabilidade necessária para produzir!

5. Ler autores e livros que te inspirem

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A quinta lição, e última parte dos conselhos da Adriana Facina:

Por fim, nas horas de descanso, recomendo que leia textos que inspiram a escrever. A hora da estrela, da Clarice Lispector, tem uma linda introdução falando sobre escrita. Mas existe muita coisa disponível, inclusive um blog bem bacana: https://comoeuescrevo.com/. Isso ajuda no compartilhamento dessa experiência incrível que é escrever. Bom trabalho! (Adriana Facina)

Não sei vocês, mas eu vou procurar o meu exemplar de A hora da estrela. Não lembrava que havia uma introdução sobre escrita nesse livro! Sobre o blog “Como eu escrevo”, estou devendo uma entrevista lá! É um site cheio de escritores e professores contando seus rituais e métodos de escrita.

Também nunca é demais recomendar a leitura dos Anexos de A sociedade de esquina (William Foote Whyte), do apêndice “Algumas reminiscências e reflexões sobre o trabalho de campo” do livro Bruxaria, oráculos e magia entre os Azande (E. Evans-Pritchard), a obra Truques da escrita (Howard S. Becker), além da lista incrível sobre escrita acadêmica compilada pela Eva Scheliga em seu blog …E ETC. *

Claro que, como sugeriu a Adriana Facina, literatura inspira e muito! Meus autores favoritos nessas horas são Mário de Andrade, Eça de Queirós, Virginia Woolf, Oscar Wilde, Anne Lamott, Umberto Eco, Agatha Christie… Na verdade, qualquer texto que me traga bom humor e inspiração já é um grande estímulo!

6. Visualizar a tese pronta

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Para encerrar as dicas de hoje, retomo a palavra da professora Aparecida Fonseca de Moraes sobre suas memórias de escrita:

Lembrei de outra que adoro contar.  No período de árduo trabalho de escrita da dissertação, meu filho, com mais ou menos dez anos, desenhava esplendidamente e montava algumas estórias em quadrinhos (não foi à toa que acabou trabalhando com cinema).

Bem, um dia chego em casa e encontro um desenho incrível sobre a minha mesa de trabalho. A cena: Um computador grande, como aquele que eu usava para trabalhar, com um personagem ao lado que apertava apenas uma tecla. Do aparelho saíam folhas de um documento onde se lia: “tese pronta”!  Claro que ri muito, mas fiquei imaginando a ansiedade dele para que esse “rival” saísse logo de nossas vidas… rs (Aparecida F. Moraes)

Que delícia de história, que vontade de apertar esse menino nos braços! Queria ter uma super memória para me lembrar de todas as situações desse tipo que já me contaram. Se vocês souberem de alguma, escrevam nos comentários por favor! No meu caso, só tive filhos depois de terminar o doutorado… Por isso, a marca do excesso de trabalho não ficou tão forte nas crianças. Para todos que estão escrevendo: lembrem da delícia que será cumprir as promessas sobre a vida pós-tese que vocês estão fazendo para os amores e família!

[Continua na Parte 2 aqui.]

Um bom Carnaval a todos, com descanso, trabalho e folia, conforme a dose recomendada!

Sobre os desenhos: Fiz as linhas com uma canetinha japonesa preta (Muji hexagonal gel ink 0,25) que ganhei do Juva, no final de janeiro, vinda da Muji, de Lisboa. Estou apaixonada por essa  caneta e suas irmãs azul, azul escura e vermelha. Como queria utilizar papel comum (A4, 90gr), colori com canetinha hidrocor (Staedtler triplus color). (Sobre todos os materiais que utilizo, ver aqui.)

* Os links para a editora Zahar foram indicados apenas como referência aos livros citados. Não recebo nada por compras dessas obras feitas no site deles.

Você acabou de ler “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Doze dicas para terminar TCC, dissertação de mestrado e tese de doutorado (Parte 1)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Cz. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)

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Calendário antecipado aqui no blog significa que estou torcendo para o mês acabar. Quem já enjoou de janeiro levanta a mão!

Para imprimir, cliquem no .pdf.

O calendário de fevereiro é uma homenagem a uma das minhas artistas preferidas do Instagram: Elizabeth Barnett. Ela mora na Austrália e faz pinturas lindas de plantas e objetos. Resolvi copiar e/ou reinventar algumas das plantinhas dela utilizando materiais diferentes (caneta nanquim e lápis-de-cor). Deu para perceber que ela se inspira muito nas plantas do Matisse, que também já foram a base para um calendário — vejam como as cores e as formas são parecidas aqui!

Esse tipo de exercício me ajuda a perceber o quanto tenho receio de criar coisas próprias, sem ter o modelo diante dos olhos. Por outro lado, me lembra do sonho de um dia ter um estúdio com espaço para plantas, vasos e um mundo de coisas para observar e pintar!

Quis terminar o calendário do mês logo pois, a partir de fevereiro, farei uma série de posts com dicas para terminar trabalhos acadêmicos.

Boa semana a todos!

Sobre o desenho: O calendário foi impresso utilizando o programa Above & Beyond numa folha A4 comum, um pouco mais espessa do que o normal (90gr). Os desenhos foram feitos com canetinha de nanquim descartável Pigma Micron 0.05, da Sakura. As cores foram adicionadas com lápis-de-cor Faber-Castell Polychromos e Caran D’Ache Prismalo.

Para os nerds do desenho: como uso o Photoshop e edito os calendários — Depois de escanear, utilizo o Photoshop para ajustar o contraste e deixar o fundo branco. Começo criando um documento A4, onde colo a imagem escaneada. Aumento um pouco o contraste geral (cerca de 10%, para ficar parecido com o original). Em seguida, utilizo a ferramenta Curves (usando o conta-gotas da direita e clicando no fundo branco) e a ferramenta Dodge (com o cursor bem grande, seleciono Highlights a 10%, e passo sobre toda a imagem; evitando passar por cima dos desenhos caso tenham cores muito claras, pois a ferramenta clareia tudo que já é claro, como o fundo). Para finalizar, seleciono a ferramenta Burn para Shadows 20% e passo por cima do nome do mês, das datas e das linhas, de modo que saiam com a cor preta intensa. No caso desse mês de fevereiro, no entanto, fiz o reforço no nome do mês a caneta mesmo, pois estava por cima da planta. Para criar o PDF, mando o Photoshop imprimir em “Print with preview” e seleciono a impressora “Microsoft print to PDF”. Para criar a imagem do post, reduzo o tamanho do original para 1800 pixels de largura na opção Image Size e salvo em .jpg. Ufa, acho que isso é o principal. Uma coisa que tenho feito errado e aprendi outro dia: eu deveria passar a imagem para o modo CMYK Color, que é o certo para impressão. Será que faz diferença mesmo nesse nosso uso caseiro? Se alguém souber, por favor, me dê as dicas!

Para quem gosta do assunto, a ilustradora Holly Exley publicou recentemente um vídeo em seu canal do YouTube  explicando seu método para tirar o fundo das imagens. Ela seleciona desenho por desenho com a ferramenta “Magnectic Lasso Tool”, pois muitos de seus clientes solicitam imagens com fundos transparentes (para aplicar sobre outras superfícies).

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Fevereiro/2018! (e como uso o Photoshop para editar meus desenhos)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3C7. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)

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Há um ano atrás, eu estava em Portugal nessa época do ano. Foi uma viagem cheia de atividades e encontros com pessoas maravilhosas, como já contei em alguns posts (aquiaqui, aqui e aqui). Acreditam que até hoje não terminei de escanear o caderno que desenhei por lá? Achei que vocês podiam gostar dessa página com os personagens que vi no aeroporto, pois combinam com o espírito de férias que estou tentando manter na escrita do blog nesse mês de janeiro.

Sobre a votação do post da semana passada: muito obrigada pela participação! Recebi mais respostas do que imaginava: 136 votantes e 163 votos (algumas pessoas votaram em mais de uma opção). No final, o resultado foi quase um empate geral, com ligeira preferência pelas plantinhas 1 e 5, conforme vocês podem conferir abaixo:

plantas_votacao.jpg

O sistema de formulário do WordPress ajudou, mas não é nada prático! Contei os votos no Excel — até parece que não tenho nada mais importante pra fazer — e a verdade é que as diferenças não foram significativas:

grafico

A qual conclusão chegamos? Que vocês são muito bonzinhos ou que eu desenho muito bem? 😉

O exercício valeu pela brincadeira e para me mostrar que todas as formas de explorar o desenho e a aquarela são válidas. Muito obrigada pela companhia nessa jornada. ♥

Sobre o desenho inicial: Linhas feitas com canetinha Pigma Micron 0.05 e 0.1 em um caderno Stillman & Birn, Delta series, 8 x 10 polegadas, presente que ganhei da minha irmã. Todas as imagens foram coloridas com aquarela (Winsor&Newton e outras marcas). À esquerda, recortei e colei algumas etiquetas de bagagem da TAP. Minha mala voltou super pesada por conta dos muitos livros que ganhei ou comprei por lá, além de alguns que trouxe para as amigas!

Na próxima semana (ou na outra), volto com os posts sobre a vida acadêmica, dessa vez com a colaboração de ideias e citações de colegas da área.

Bom descanso a todos que estejam precisando e boa escrita a todos que estejam escrevendo!

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Viajantes (e resultado da votação das plantinhas)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3BT. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Verdes em busca de um estilo (para votar)

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1. Plantinha imaginária 1

Olá! Continuando no clima férias-assuntos-de-desenho, trouxe para cá seis dos muitos experimentos que tenho feito com plantas. Fiz algumas tentativas de pintar por imaginação e por observação. Queria tentar avançar em ter um estilo próprio para, quem sabe, quando eu deixar de ser professora, conseguir viver de desenhar e escrever. Segue o mini-questionário no final do post! Obrigada desde já por votarem. ♥

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2. Plantinha imaginária 2

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3. Plantinha imaginária 3

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4. Plantinha desenhada por observação, a lápis e aquarela

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5. Plantinha desenhada por observação, com caneta nanquim e aquarela

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6. Plantinha desenhada de memória; objetos desenhados por observação, ambos com nanquim e aquarela

Então, qual vocês preferem? Escolham uma das opções abaixo:

Atualização em 19/01/2018: contei os votos e o resultado está aqui. Obrigada a todos que participaram!

♥ Bônus para as férias: dica de série divertida, mas com temas legais, para se distrair e dar risada, com ou sem crianças (acima de 12 anos): Drop Dead Diva! (tem no Now e na Netflix)

Sobre os desenhos: As plantinhas foram pintadas em bloco Canson Mix Media A4 (capa azul escuro), sempre no verso da folha (que eu prefiro porque é mais liso). Os materiais restantes foram os de sempre: lápis HB (para os sem contorno), canetinhas Pigma Micron 0,1 e 0,05 (para os com contorno), aquarelas e pincéis diversos (mais detalhes sobre meus materiais aqui).

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Verdes em busca de um estilo (para votar)”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3A2. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Materiais – Canetinhas coloridas

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Como prometi, aí vai o desenho das canetinhas vermelhas e rosas que utilizei para fazer o calendário de janeiro. Esse tipo de desenho é um dos que mais gosto de fazer: traço os objetos com caneta preta, sem rascunho e sem me preocupar muito com retas e proporções exatas. Depois vou fazendo as camadas de aquarela devagar, tentando manter a luz (partes em que o papel fica à mostra) e criando volumes com sombras.

Acrescentei algumas descrições no final para dar mais autonomia à imagem. Assim, quem vê o desenho não precisa ler o post para saber quais são as canetas. O problema é que não planejei antes e não deu para escrever sobre todas. Então aí vão as legendas para quem tiver curiosidade, da esquerda para direita:

Staedtler triplus color rosa (tampa azul) – canetinha mais grossa, de criança.
Pigma Micron 0.1 roxa, Sakura – ótima porque é à prova d’água
Compactor microline 0.4 rosa – antiguinha, presente avulso de uma amiga
Staedtler triplus fineliner vermelha – maravilhosa para escrever
Tombow ABT n.772 rosa claro – ponta normal e pincel
Stabilo point 88 mini 0.4 vermelha – boa para escrever a cores mas dura pouco
Staedtler triplus fineliner marrom
Stabilo point 88 mini 0.4 magenta
Faber-Castell grip finepen 0.4 – ótima opção mais baratinha do que as Stabilos
Staedtler triplus color vermelha (tampa azul)
Staedtler triplus color rosa escuro
Lápis de cor Prismacolor Crimsom Lake pc 925 – não aquarelável
Staedtler triplus fineliner rosa
Pigma Micron 0.1 rosa, Sakura
Koi coloring brush pen vermilion
Pigma Micron 0.1 vermelha, Sakura

Meus comentários sobre cada tipo, caso vocês tenham interesse:

Pigma Micron Sakura colorida – são as minhas preferidas, porque são gostosas de escrever e desenhar, além de serem à prova d’água, ideais para quem quer utilizar aquarela junto. O problema é o custo (cerca de 14,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar no Brasil.

Tombow ponta dupla (normal e pincel) – atualmente é o meu marcador preferido, por ser leve e gostoso de utilizar, sem borrar no papel nem vazar para o outro lado da folha. O único problema também é o custo (cerca de 22,00 reais cada) e a dificuldade de encontrar a variedade de cores no Brasil. A outra caneta pincel do desenho é a Koi coloring brush, que é considerada uma linha popular no Japão e nos EUA. Comprei um kit de 12 cores e não achei que valeu à pena. As pontas ficaram velhas rapidamente e várias já estão falhando.

Staedtler triplus fineliner – adoro essas canetinhas, até porque eram as únicas coloridas finas que eu conhecia até poucos anos atrás. Ganhei dois kits de um amigo da Alemanha, o fineliner e o triplus color, com a versão mais grossa, que uso menos. Ambas são bonitinhas, com o corpo triangular, cores intensas e escorregam super bem no papel. Só não são à prova d’água. A Faber-Castell grip finepen 0.4 é um imitação da Staedtler triplus fineliner. A ponta não é tão fina e as cores são mais aguadinhas. Ganhei um kit de presente e uso bastante porque não fico com pena de gastar!

Stabilo point 88 mini – esta mini é igual à versão grande dessas canetinhas vendidas (bem caras por sinal) nas papelarias brasileiras. As minhas são bem antigas e estão quase todas ficando secas… dá muita peninha de jogar fora. Acho que a Compactor microline é uma imitação dessas canetinhas, com um jeito retrô muito legal. Nunca vi à venda.

Lápis de cor Prismacolor – tenho uma caixa desses lápis que encomendei quando meu sobrinho viajou para os EUA. Não uso muito pois achei a textura parecida com lápis de cera. Eu tinha ouvido falar super bem desses lápis, mas na prática não funcionaram para mim. Devia ter prestado atenção no que diz um dos artistas de lápis-de-cor que mais admiro, o Florent Chavouet. Ele faz livros fantásticos com lápis comum de papelaria, de qualquer marca, os mais baratinhos [suspiros…].

Sobre o desenho: para fazer o desenho, não utilizei nenhuma dessas canetinhas! As linhas das canetas e do texto escrito foram feitas com um Pigma Micron 0.05 preta. As cores foram pintadas com aquarelas de diversas marcas (principalmente Winsor & Newton, algumas Schmincke e uma da New Holland). A escrita em branco foi feita com pincel fininho e tinta guache branca Talens Plakkaatverf Gouache Opaque White (só tenho esse tubinho dessa marca, comprado numa viagem por dica de um amigo artista).

A escrita no lápis de cor foi feita com pincel fino e um pouco da guache branca misturada com um Iridescent Medium da Winsor & Newton, que deixa as tintas com um ar prateado (veio num kit com quatro potinhos que comprei em Portugal ano passado).

O mais difícil foi o tom do plástico bege acinzentado das Pigma Micron. Nenhuma das três canetinhas ficou no tom certo, que acho que consegui um pouco melhor aqui. Não sei como chegar nessa cor! Os cinzas das sombras foram feitos com uma mistura de Grey Violet (New Holland), que ganhei ano passado, com um pouco de Payne’s Grey (Winsor & Newton).

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É isso, pessoal! O post de hoje foi para os nerds do desenho. Estou tentando pegar leve nas férias… Alguns assuntos que vou tentar abordar até fevereiro, que foram pedidos em mensagens e e-mails: como escrever para provas de seleção de mestrado/doutorado e como estudar para concurso de professor universitário. Vou tentar contar minhas experiências nessas duas áreas. Por falar nisso, saiu o edital de concursos da UFRJ — vejam lá pois tem muitas vagas!!

Bom início de ano para todos vocês. Para quem estiver no hemisfério sul: não deixem de aproveitar o sol! ☼ (Alt-15)

Você acabou de ler “Materiais – Canetinhas coloridas“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Materiais – Canetinhas coloridas”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zU. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo

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“Então, com cuidado,
Gentil, todo delicado,
De galho em galho ele foi subindo
Até o ninho, onde o ovo estava dormindo.”
(Dr. Seuss, Tonho choca ovo)

A citação é de um dos meus livros infantis preferidos, que conta a história de um elefante que aceita chocar o ovo de uma ave preguiçosa. Louca por sol e férias, ela deixa Tonho em seu ninho e vai curtir a vida, sem planos de voltar. Até que… (Não posso estragar contando o final!)

Lembrei dessa história porque conheci essa semana um jogo de amigo-oculto novo, baseado na ideia de cuidar e ser cuidado. Achei lindo e queria compartilhar com vocês.

Um grupo de pessoas que convive bastante sorteia seus amigos ocultos. Durante três dias, a pessoa tem de bajular o seu amigo-oculto sem que ele saiba quem está por trás dos agrados. Podem ser presentinhos, comidas gostosas, organizar algo, fazer a cama, enviar flores etc. Para que dê certo, os envolvidos utilizam intermediários, de modo a disfarçar quem está oferecendo as prendas. Quando os nomes são revelados, é a vez do amigo-oculto que vinha sendo paparicado presentear quem estava por trás das surpresas e falar algumas palavras bonitas sobre a pessoa.

Soube de tudo isso por uma amiga querida, que fez o jogo nesse Natal com sete pessoas de sua família, inclusive crianças. O mais bonitinho, ela contou, foi ver como cada um teve que observar o outro para descobrir modos criativos de agradar e presentear. Os pequenos precisaram de ajuda para realizar suas surpresas, mas tiveram a ideia de auxiliar seus amigos-ocultos colocando na geladeira listas dos “agrados” que queriam. Assim, mesmo sem muito segredo, o jogo criou uma experiência de carinho, de tratar bem uns dos outros; às vezes mostrando as coisinhas básicas que agradam aqueles com quem convivemos e amamos: arrumação, respeito pelo descanso do outro, ofertas de ajuda, sorrisos, músicas, gentilezas do dia-a-dia.

Então, pessoas queridas, é isso que desejo para nosso 2018: delicadeza, calma, respeito, carinho, alegrias, surpresas e amor! Que todos possamos nos cuidar e sermos cuidados, aceitando ajuda e ajudando, respeitando nossos tempos internos e os daqueles que amamos. Nunca participei desse tipo de amigo oculto, mas sei que agradar, amar e fazer o bem é o que realmente nos traz felicidade. Feliz ano novo!

6 coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota (incluindo o calendário de janeiro e uma surpresa para vocês):

♥ A citação que abre o post é do livro “Tonho choca o ovo”, de Dr. Seuss (tradução incrível de Mônica Rodrigues da Costa, Lavínia Fávero e Gisela Moreau, em edição bilíngue da Companhia das Letrinhas; a minha é de 2001, ano em que o Antônio nasceu). Atualmente, por causa do filme (não vi), o título do livro virou “Horton choca o ovo”.

♥ Desenhei o calendário de janeiro inspirada numa estátua de Ganesh, deus hindu, que o Antônio tem na estante. Segundo a Wikipedia, esse deus-elefante remove obstáculos, traz sucesso e fartura, é o mestre do intelecto e da sabedoria, além de ser o protetor de templos e casas. Não entendo nada de religião, mas acho que é o deus perfeito para fazer companhia para as deusas escritoras aqui do blog!

♥ Como o Ganesh seria muito complicado de desenhar repetidamente, fiz os elefantinhos simplificados a partir de uma imagem (sem autor conhecido) que pesquisei no Pinterest.

♥ Se vocês não querem esperar o próximo Natal, lembrei de um dos meus posts preferidos, contando como é o jogo que fazemos aqui em casa quase todas as noites. É uma brincadeira simples que facilita a comunicação e a conversa amorosa em família.

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♥ Para terminar, meus presentes para vocês: além do calendário de janeiro/2018 para imprimir em .pdf (resolução maior), vou colocar aqui para download também o calendário anual que faço para mim mesma. Uso para ter uma visão geral do ano e dos feriados ☺, mas também imprimo para as crianças marcarem coisas ou contarem quantos dias faltam para as férias. Apesar de todos os aplicativos do mundo, nada como visualizar no papel, né? A ideia de diferenciar os meses por cores foi do Antônio.

ano2018

♥ Ano 2018 — Deixo aqui para download tanto o arquivo em .pdf quanto a planilha do Excel, arquivo em .xlsx (acho que dá para abrir esse no Google Drive também). Fiquem à vontade para modificar, editar etc. Indiquei todos os feriados nacionais, além de dois do Rio de Janeiro (23/abril- São Jorge e 20/novembro-Zumbi/consciência negra).

Sobre o desenho: Para facilitar o desenho de uma figura tão complexa, imprimi a imagem em quatro tamanhos pequeninos. Depois recortei e fiz moldes em papel mais firme (sobras de embalagem de Natal). Por isso, todos os elefantinhos são (quase) iguais e pude fazer as linhas iniciais com uma certa rapidez, utilizando a caneta de sempre (nanquim permanente Pigma Micron 0.1, da Sakura). O problema foi na hora de “decorar” individualmente os bichinhos! Foram horas para terminar as pequenas florezinhas, listras, corações etc. Na semana que vem vou mostrar uma ilustração com as canetinhas rosas e vermelhas que utilizei, além de um lápis de cor. Acabei me empolgando nos detalhes e acho que, no final, o resultado ficou um pouco confuso. Mas taí: que janeiro de 2018 seja um mês colorido para vocês!

Você acabou de ler “Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! 🙂

Como citar: Kuschnir, Karina. 2017. “Janeiro/2018, elefantes e o melhor amigo oculto do mundo”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3zF. Acesso em [dd/mm/aaaa].