Karina Kuschnir

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Dezembro/2018 em cubos

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Sempre fui apaixonada por quebra-cabeças — seja de peças recortadas, de labirinto, de lógica ou até lego. Por volta dos 13 ou 14 anos, ganhei um cubo mágico. Consegui fazer a primeira fileira, mas não avançava além disso. Um dia, de tanto pensar e tentar, sonhei com a solução para a camada do meio! Acordei de madrugada com o coração batendo: testei a sequência e deu certo!

Dali em diante, porém, não teve jeito. Acabei apelando para um manual que ensinava as etapas finais: fazer a cruz na base, colocar os cantos no lugar, rodar esses cantos e, quando menos se espera: o cubo fica pronto. Parece mágica!

Ao longo dos anos, nunca me esqueci das primeiras partes, mas sempre preciso da cola para terminar.

Antônio herdou meu amor pelos quebra-cabeças (imaginem que delícia ter filho pequeno que fica horas montando quadros de 300 a 1000 peças!). Quando cresceu, ficou fascinado pelo cubo. Como já estávamos na era da internet, aprendeu as séries finais no Youtube. Hoje em dia, faz tudo de olho fechado em 1 minuto e meio! Ao contrário de mim, o bichinho nunca esquece a série inteira.

Achei que o cubo embaralhado seria uma boa metáfora para a fase que estamos passando: um desafio que parece impossível de desvendar! Ao contrário do brinquedo, porém, ninguém tem o manual para os próximos movimentos.

Aí vai o calendário do mês de dezembro para imprimir em .pdf (em alta resolução).

Desculpem o atraso de alguns dias. Foi uma semana puxada no trabalho e a minha internet de casa anda uma verdadeira catástofre (assinatura NET cara e ruim… grrr).

O blog completou 5 anos em 6/11/2018 — portanto, estamos começando a 6ª sequência anual nesse mês de dezembro! Em 2019, vou tentar postar com mais antecedência (me cobrem).

Bom dezembro pra todos nós! Vamos tentar pensar em pequena escala? Que venham sonhos e soluções ao menos para a próxima fase.

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Sobre o desenho: Fiz desenhos de cubos em três posições diferentes utilizando caneta de nanquim descartável preta (Pigma Micron 0.2). Depois escaneei, copiei e colei um monte deles no calendário ainda em preto e branco, variando as posições. Imprimi todo o conjunto e colori à mão com lápis de cor Polychromos. Ficou tão bonitinho… Pena que, ao escanear novamente (a versão colorida), o laranja quase não se diferenciou do vermelho! Ajustei um pouco as cores no Photoshop, mas ainda assim não ficou como no original. Espero que vocês gostem mesmo assim!

Você acabou de ler “Dezembro/2018 em cubos“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Dezembro/2018 em cubos”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3J2. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Resiliência

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Uma das coisas mais difíceis na vida é recomeçar — cair, levantar, insistir, fazer, mesmo quando o corpo dói e a tristeza invade.

Mergulhei numa espiral de desalento e apatia, alternada com breves momentos de energia e ação. Começou com o incêndio do Museu Nacional e veio se arrastando. Não sei vocês, mas meu desânimo costuma gerar medos, pesadelos, noites insones e um vício amargo pela tela do celular.

Não recomendo.

Tive forças por saber que já fui e já voltei algumas vezes desse labirinto.

Aprendi tarde que existia uma palavra pra isso: resiliência. É aquela capacidade do boneco João-Teimoso de voltar a ficar de pé mesmo quando o empurramos ao chão.

A diferença é que, ao contrário dos seres humanos, o João-Teimoso é construído pra isso. E nós? Como voltamos a sorrir e a acreditar? Como retomamos o trabalho de ter ideias, escrever, publicar, estudar, ensinar?

Pra mim, está sendo um processo. Tem o tempo. Tem as mãos e os abraços dos meus amores. Tem a força e a cumplicidade dos estudantes. Os áudios dos amigos no zap. Tem a aquarela e o trabalho. Tem medicação para os momentos de emergência.

Ainda estou desconcentrada para leituras longas; e ainda estou insegura com um monte de coisas.

O que me ajudou a sair da inércia e vir aqui hoje foi pensar em todos que estão angustiados tentando escrever trabalhos de curso, TCCs, dissertações, teses, artigos e até relatórios pra Fapesp…

Amores, eu precisava vir aqui dar um abraço em vocês, e receber esse abraço também.

Como nos diz lindamente a artista Lisa Congdon:

“Compareça, respire, faça o seu melhor, seja gentil, aprenda, repita.”

Prometo voltar, prometo não desistir, prometo que vamos rir disso tudo um dia. Combinado?

Sobre o desenho: Aquarela sobre o verso de uma amostra de papel Hahnemühle (Expression). A imagem foi feita a partir de lembranças daquelas paisagens que vemos do avião quando estamos prestes a pousar em alguma cidade bonita. Sempre tirei fotos dessas vistas, principalmente quando são campos e plantações. É um tipo de pintura bem terapêutica, sem regras, sem pensar muito.

Sobre resiliência: Na Wikipedia tem um verbete interessante na área da psicologia:

“A resiliência é a capacidade de o indivíduo lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – choque, estresse, algum tipo de evento traumático, etc. – sem entrar em surto psicológico, emocional ou físico, por encontrar soluções estratégicas para enfrentar e superar as adversidades.”

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Resiliência”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3IT. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Novembro/2018 – Girassóis

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Os girassóis são flores incríveis, conhecidas por se movimentar como se estivessem olhando para o sol. Em dias nublados, se viram uns para os outros, buscando energia. Mesmo quando não há luz, se fortalecem por estarem juntos.

Retomo o blog com essa metáfora, agradecendo a força que emana de vocês. Cada clique, visualização, download, mensagem e, sobretudo, cada sorriso e abraço recebidos na vida real ou virtual é uma fonte de energia para seguir em frente.

Sintam-se acolhidos e abraçados de volta! Estamos juntos e somos resistentes!

Nesse mundo da pós-verdade, precisamos reafirmar o básico. Quais valores defendemos, quais princípios consideramos inegociáveis? Como diria uma criança de cinco anos: — Qual é o sentido da vida?

Que os girassóis nos respondam por hoje: — O sentido da vida está na cooperação, no compartilhamento e na luz.

Nesse mês, coloquei uma flor extra no dia 20, feriado que marca a homenagem a Zumbi dos Palmares, transformado recentemente no Dia da Consciência Negra. Os 388 anos de escravidão de negros e indígenas no Brasil não podem ser esquecidos. A liberdade é um dos pilares da Constituição de 1988, um bom livro de cabeceira para ler e reler sempre.

Aqui vai o calendário do mês de novembro para imprimir em .pdf (em alta resolução).

Que tenhamos um mês de foco e concentração. Meus objetivos de novembro: ler, escrever, estudar, ser a melhor funcionária pública que eu puder, contribuir para projetos sociais, fortalecer meus valores, abraçar meus amores e amigos.

E os objetivos de vocês, quais são?

Sobre o desenho: Fiz um girassol com base em fotos do Google. Desenhei um original de cerca de 3 cm numa folha A4 90gr, com contorno de canetinha 0.05 Pigma Micron, colorido com lápis-de-cor Polychromos. Escaneei a folha do mês e o desenho, copiando a flor em vários tamanhos, e depois juntando tudo no Photoshop.

Sobre girassóis: Recomendo muito a leitura de Van Gogh, Digitalis e a verdade sobres os girassóis, capítulo disponível online do livro maravilhoso de Luiz Mors Cabral que já comentei aqui.

O texto do post é inspirado na mensagem (abaixo) que recebi e também na imagem que minha querida professora de aquarela Chiara Bozzetti me enviou:

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Novembro/2018 – Girassóis”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3IH. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Precisamos escutar δενπρέπειναυπάρχει

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Desenho de Saul Steinberg, 1942

“Sou capitão do Exército, minha missão é matar.” | “O erro da ditadura foi torturar e não matar.” | “No período da ditadura, deviam ter fuzilado uns 30 mil corruptos, a começar pelo presidente Fernando Henrique.” | “Sou a favor da tortura.” (δενπρέπειναυπάρχει)

“Seria incapaz de amar um filho homossexual. Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí.” | “Sou preconceituoso, com muito orgulho.” (δενπρέπειναυπάρχει)

“Eu não corro esse risco [de meus filhos namorarem uma negra], meus filhos foram muito bem educados.” | “Fui num quilombo. O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Nem pra procriador ele serve mais.” (δενπρέπειναυπάρχει)

“Não te estupro porque você não merece.” | “Mulher deve ganhar salário menor porque engravida.” (δενπρέπειναυπάρχει)

Pessoas que apoiam ou cogitam votar no δενπρέπειναυπάρχει estão abraçando todas as frases acima, exemplos bem documentados de sua ideologia fascista. Apoiar o fascismo porque “odeia o pt” e os “esquerdopatas” não é desculpa. Existem 13 candidatos à presidência e só um ultrapassa a fronteira da barbárie.

Mesmo perdendo — e ele vai perder, mais cedo ou mais tarde –, jamais esqueceremos o que δενπρέπειναυπάρχει representa. Pior do que os convictos é o voto disfarçado sob a ideia de “mal menor” ou “ódio ao pt”. As ideias por trás desse voto estão aí em cima, bem claras. Não há desculpa de “não li direito” ou “fui enganada” por “fake news”.

Sei que a maioria dos que me lêem concorda comigo. Escrevo para as pessoas que estão votando nele com o nariz tapado, olhando para o outro lado, enquanto deixam que apoiadores de δενπρέπειναυπάρχει façam o “trabalho sujo”, como tão bem analisou Everett Hughes sobre a Alemanha nazista.

Oitenta por cento de meus ancestrais morreram perseguidos ou em campos de concentração. Hitler foi eleito em nome de “salvar o país”, “melhorar a economia” e se livrar dos “corruptos”, exatamente como δενπρέπειναυπάρχει pretende. Uma vez eleito, Hitler mandou exterminar os “sujos” e “impuros”, matando pelo menos 6 milhões de pessoas.

Bloqueei ou desfiz amizade com todos os apoiadores de δενπρέπειναυπάρχει que identifiquei no meu perfil do Facebook. Ainda tive engulhos vendo a imagem da placa em homenagem à vereadora Marielle Franco rasgada por dois de seus apoiadores próximos. É um desafio continuar acreditando na humanidade.

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Desenho de Bruce MacKinnon

Não sei como vamos sobreviver a essa experiência, sinceramente… A cada relato de violência publicado, sinto-me novamente jogada no chão, como a mulher-justiça do desenho de Bruce MacKinnon. Uma ideia sufocada pela força bruta, prestes a sofrer um estupro ou uma sessão de tortura, impedida de ver, falar e respirar.

Que isso exista nas páginas policiais, onde as vítimas são majoritariamente negras, jovens, mulheres, lgbts, indígenas, lideranças comunitárias, já é bastante devastador.

Que isso exista como plataforma eleitoral, embrulhada com papel que promete acabar com a corrupção pelas mãos de um corrupto, é a tortura em estado bruto.

A todos que tinham essas informações e mesmo assim votaram em δενπρέπειναυπάρχει: não esqueceremos! Um dia, seu voto, seu silêncio, seu apoio, seus posts, suas declarações de ódio, suas mentiras, serão julgadas e condenadas.

“A vida virtuosa é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento. (…) Mas nada se poderá conseguir procurando garantir a segurança de uma parte da humanidade à custa de outra (…). Somente a justiça pode conferir segurança; e por ‘justiça’ me refiro ao reconhecimento da igualdade de direitos entre todos os seres humanos.”  (Bertrand Russell, No que acredito, 1925.)

Steinberg — a imagem que abre o post e outras estão na Saul Steinberg Foundation.

MacKinnon — imagem feita em denúncia à nomeação de B. Kavannaugh, juiz indicado à suprema corte por Trump, apesar de acusado de estupro e assédio por várias mulheres nos EUA. Fonte aqui.

Everett C. Hughes — O texto a que me refiro é “Good people, dirty work”, capítulo do livro Sociological Eye. Fiz um PDF para quem tiver interesse.

Collor e seu discurso final em 1989 – as semelhanças são óbvias demais: aqui.

 

 


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Outubro/2018 — #δενπρέπειναυπάρχει

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#δενπρέπειναυπάρχει — Porque lutar contra a violência, o racismo, a homofobia e a misoginia não é uma opção — é um dever, uma questão de justiça contra crimes hediondos.

#δενπρέπειναυπάρχει — Porque é preciso rejeitar um candidato e seus apoiadores que glorificam as armas, a tortura, o estupro e o extermínio de pessoas, manifestando seu ódio a negros, gays, lgbtis, mulheres e indígenas.

#δενπρέπειναυπάρχει — Para que a democracia não volte a ser ditatura; para que o holocausto e os crimes contra a vida não sejam negados; para que o jornalismo resista; para que as parcas conquistas dos direitos humanos no Brasil não retrocedam.

Na minha opinião, todas as escolhas nessa eleição são legítimas exceto quando o candidato apregoa as ideias acima. Basta uma pesquisa rápida para comprovar, através de vídeos, documentos e declarações oficiais, que temos um caso assim nas eleições presidenciais. Há um candidato com discurso criminoso, que deseja a morte (até de seu próprio filho, caso se torne gay ou case com uma mulher negra; e de sua ex-mulher), que apregoa o estupro e o extermínio de pessoas e de direitos.

Sei que a maioria das pessoas queridas que lêem esse blog concordam comigo. Obrigada por vocês existirem! ♥

Meu manifesto é para sensibilizar aquelas que estão indecisas. Não há dúvida possível nesse caso. Escolha qualquer candidato, mesmo que não tenha chances. Isso é legítimo. Deixe de votar, anule seu voto, vote em branco. Qualquer opção é melhor do que entregar sua representação cívica a um sujeito que defende tamanhas atrocidades em público — imaginem o que ele diz quando não está sendo gravado ou filmado!

Que as deusas nos protejam.

Para imprimir o calendário de outubro, aqui vai o .pdf em tamanho A4.

Para compartilhar o manifesto no Instagram:

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7 Coisas impossivelmente-sérias-relevantes-interessantes-e-dignas-de-nota sobre os assuntos em pauta:

♥ A frase que abre esse post foi inspirada numa citação de Nelson Mandela: “Superar a pobreza não é um gesto de caridade. É um ato de justiça”. (Discurso na Praça Mary Fitzgerald de Johanesburgo, em 2 de julho de 2005). No original: “Overcoming poverty is not a gesture of charity. It is an act of justice“.

♥ Em 2000, a Unesco e vários ganhadores do prêmio Nobel da Paz divulgaram um  manifesto reforçando seu compromisso em: 1) Respeitar a vida; 2) Rejeitar a violência; 3) Ser generoso; 4) Ouvir para compreender; 5) Preservar o planeta; 6) Redescobrir a solidariedade. Estamos num bom momento para reler o texto completo.

♥ Para entender a profundidade do racismo no Brasil, recomendo navegar pelo site Geledés. Entre as recentes estatísticas divulgadas, fica claro que a população negra é a mais afetada pela desigualdade e pela violência. Os negros são os que têm mais chances de serem asssassinados e presos; os que ganham os menores salários; a maioria dos desempregados; e a população mais subrepresentada politica e culturalmente. As mulheres negras são as maiores vítimas do feminicídio, da violência doméstica e obstétrica; do isolamento social e afetivo.

♥ No Brasil, a cada 19 horas, um LGBTI é assassinado ou se suicida devido à homotransfobia. Há um trabalho importantíssimo sendo feito e divulgado pelo site Homofobia Mata. Já são vários registros de ataques a gays realizados nessas eleições por apoiadores contrários ao #elenão.

♥ Somos o quinto país em número de assassinatos de mulheres no mundo. O Instituto Patrícia Galvão e a Fundação Rosa Luxemburgo lançaram em 2017 o livro Feminicídio #InvisibilidadeMata que pode ser baixado na íntegra. O site também disponibiliza um Dossiê sobre Feminicídio online. Também se multiplicam perseguições, ameaças e ataques a mulheres organizadoras de manifestos e marchas pelo #elenão.

♥ Por tudo isso, dia 29/09, milhões de pessoas sairão às ruas para gritar #elenão — veja aqui a lista de eventos em mais de 78 cidades brasileiras.

♥ Sobre os símbolos utilizados nesse calendário de Outubro/2018: as cores, as bandeiras e as setas são inspiradas no movimento Lgbti. Desenhei também signos do feminismo, da paz, assim como adaptações de símbolos dos direitos humanos (mãozinha) e dos animais (pegadas de patas).

Sobre o desenho: Fiz os símbolos primeiro com uma lapiseira grafite 0,5 (Pentel). Depois colori com várias canetinhas da Staedtler (triplus color e triplus fineliner) e da Sakura (Koi brush e Soufflé). Sobre as canetas, desenhei a maioria nesse post e lembrei de um desenho de 2015 com todas as cores das Sakuras:

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Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Outubro/2018 — #δενπρέπειναυπάρχει”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3Ia. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Paleta de aquarela atual – 44 cores!

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Post para os nerds da aquarela! Comprei 4 tintas novas, tirei algumas de uso e reorganizei a paleta. Queria mostrar para vocês como ficou meu guia de cores refeito.

Recortei um pedaço de papel de aquarela no tamanho certo para caber dentro do estojo e tracei as divisões a lápis. Resolvi pintar apenas em dois tons: primeiro fiz o quadradinho todo com a camada bem clara; depois de seco,  pintei o triângulo com a tinta mais densa. Vou colocar timelapses desse processo lá no stories do Instagram (depois estarão no destaque Tintas).

Utilizo o mesmo estojo da Winsor & Newton que comprei há mais de 15 anos, em Portugal. Tirando os acessórios internos, dá para encaixar 44 caixinhas de cores, grudadas no fundo com massinha Multi Tack (da marca Pritt; tem na Kalunga).

Aí vão as cores que estão na minha paleta atual:

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(Legenda das marcas: WN = Winsor & Newton; DS = Daniel Smith; Sch. = Schmincke; NH = New Holland. A guache branca é Opaque White, da Talens, Plakkaatverf Gouache.)

Minha primeira compra de tintas foi feita com base nas sugestões do livro The Big Book of Watercolor. Foi uma boa opção, pois era uma paleta clássica, com cores que remontam às origens da aquarela, como ocre, siennas, umbers, cadmiuns, alizarin, ultramar. A aquisição das demais cores foi feita aos poucos, por demanda de alguma aula que eu estivesse fazendo (como o curso da Anna Mason, que é bem específico, exigindo cores como Scarlet Red, Davy’s Grey e Cobalt Violet), ou por indicação de algum artista amigo ou da internet. (Para ver todos os cursos que já fiz, clique aqui.)

As quatro cores novas estão na imagem abaixo:

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Aproveito para mostrar as fichinhas que faço para cada cor individualmente. Comecei há um ano, inspirada em um perfil do Instagram (não lembro qual, desculpem). Gosto de ver as camadas sobrepostas, ao invés de degradês, e de ter um espaço para anotar as características de cada tinta (nome, marca, tipo, pigmento, transparência). Ter as cores separadas também é ótimo para comparar e/ou aproximar tons para escolher combinações. Cada ficha mede aprox. 5x10cm.

Sobre as quatro tintas novas, meus comentários:

  • Perylene Maroon – vi no atelier da Chiara e adorei o tom, também indicado pela Holly Exley, uma artista cujo trabalho admiro muito.
  • Green Apatite Genuine – indicada pelo Teoh, do Parka Blogs para substituir o Sap Green. Não concordo, mas achei linda: um verde denso e manchado de umber (está rolando uma modinha de aquarela que granula e mancha).
  • Cerulean Blue Chromium- também indicada pelo Teoh para substituir o C. B. normal. Ainda estou na dúvida. Meu original (que acabou) era mais quente e suave; essa versão é mais intensa. Mas ainda bem que comprei: tem Cerulean em quase todas as 50 aquarelas que estou fazendo baseadas no livro do Wil Freeborn!
  • Sodalite Genuine – indicada por vários artistas por ser um pigmento natural granulado. Interessante, mas não mudou minha vida! Me arrependi de não ter comprado a Lunar Black, recomendada no livro do W. F.

Várias das minhas cores do estojo original estão acabando (15 anos depois). Ao invés de substituí-las com tintas idênticas, resolvi experimentar um pouco, mas confesso que me arrependi. Numa próxima oportunidade, vou tentar repor as originais.

Sobre as marcas: comecei com um estojo da Winsor & Newton da linha Cotman, depois passei para o profissional. As tintas são maravilhosas e se adaptam bem ao nosso calor, enquanto algumas Schmincke, apesar de lindíssimas e macias!, derretem. Sobre a marca Daniel Smith, ainda não sei  — são minhas primeiras. Vamos ver se vão passar no teste do verão carioca!

Se vocês estiverem começando agora, não fiquem apavorados com preços nem com a quantidade de opções. Artistas brilhantes trabalham com pouquíssimas cores e fazem obras incríveis. Só me dei conta disso quando comecei de fato a estudar aquarela (apenas de 2015 para cá). A seleção de cores também depende do tipo de assunto que você gosta de pintar.

O importante não é ter muitas tintas, mas sim estudar e praticar!

Obrigada a todos pelos comentários de solidariedade pelo post da semana passada. Recebam meu carinho e abraço afetuoso.

Como diria vovó Trude, que não era minha vó, “cada dia com a sua agonia”. Já estamos de volta nessa sofrência chamada Brasil…

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7 Coisas impossivelmente-legais-bonitas-interessantes-ou-dignas-de-nota da semana:

♥ Sobre cores, para ler e ver: Treasures From the Color Archive, artigo incrível da revista New Yorker sobre história dos pigmentos, escrito pelo historiador !

♥ Para ouvir enquanto desenha ou pinta: o podcast Creative Pep Talk entrevista Fran Meneses (@Fannerd) sobre arte, estilo próprio, síndrome de impostor etc. Está bem engraçada a conversa.

♥ Para lembrar que não existe combinação de cor certa: as ilustrações da Monika Forsberg, embaladas por sua entrevista para o podcast Art for your ears.

♥ Para ver rapidinho: mini-animação (1′) sobre o ponto de virada na vida da artista plástica Kristine Mays! (do Artsy.com, mas recebi a dica do Zine da Sketchbook Skool).

♥ Acabei não resistindo: me matriculei no curso online Watercolor Rules! da Sketchbook Skool. Já assisti aos vídeos iniciais da primeira semana e me decepcionei… São ótimos para quem nunca pegou num pincel, mas básicos demais para quem tem experiência. Se alguém se interessar, aí vai um cupom com 15% de desconto para colocar no momento da compra: SBSFriend15 (válido até 24/09/2018). Uma vez pago, o curso é seu para sempre.

♥ Dica para o final de semana: A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme simpático na Netflix (brasileira, portanto, com legendas!), feito a partir de um romance (que, por acaso, li há alguns anos e passei adiante!).

Ilustração da Mariamma Fonseca (Amma), para não esquecer de compartilhar, milhões de vezes se necessário #elenão, #elenunca!

PS: Desculpem a lista de hoje ser quase toda de dicas em inglês! Acabo frequentando muito esses sites por falta de opção (ou conhecimento) de similares no Brasil. Se tiverem sugestões legais em português, me mandem nos comentários por favor.

Sobre o desenho: Hoje já expliquei tudo no post! Faltou apenas explicar que, depois de pintar, escaneei e editei no Photoshop para ajustar. Depois, fiz uma segunda versão, separando as filas de cores para acrescentar as legendas. Adicionei os nomes das tintas com o editor de fotos Picasa, software que “saiu de linha” da Google, mas que adoro e mantenho instalado no meu notebook (até quando vai funcionar, não sei…).

Sobre outros materiais que utilizo, tem essa página aqui.

Você acabou de ler “Paleta de aquarela atual – 44 cores!“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Paleta de aquarela atual – 44 cores!”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3HY. Acesso em [dd/mm/aaaa].


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Museu Nacional – UFRJ (1818- )

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“Levantaram Dom Quixote, descobriram-lhe o rosto e acharam-no pálido e suado. Rocinante não se pode mover, de derreado que estava. Sancho, todo triste e pesaroso, não sabia o que havia de dizer, nem o que havia de fazer. Parecia-lhe tudo aquilo um sonho e coisa de encantamento. Via seu amo rendido (…); imaginava escurecida a luz da glória das suas façanhas, desfeitas as esperanças como se desfaz o fumo com o vento.” (Dom Quixote)

Foi com muita dor que assisti à devastação do palácio que sediava o Museu Nacional.

Como Sancho, diante de Dom Quixote derrotado, parecia não ser um outro morrendo, mas uma parte de mim mesma.

O acervo milenar, a biblioteca, os arquivos e o local de trabalho de centenas de docentes, pesquisadores, funcionários e alunos da UFRJ queimaram naquele domingo, 2/9/2018. Que sensação de desespero ver vidas inteiras dedicadas à pesquisa e ao ensino virando cinzas, ao vivo, pela TV.

Passei a semana passada chorando, mandando mensagens e tentando agir em solidariedade aos colegas mais afetados. Tentei também responder (via e-mail, zap, fb e em sala de aula) algumas das acusações sem fundamento que surgiram logo no dia seguinte à tragédia. Acusam sem ao menos saber as causas de um incêndio ainda sob investigação.

“Assim o viver me mata | Pois que a morte me torna a dar vida! | Condição nunca ouvida, | A quem comigo vida e morte trata!” (Dom Quixote)

O fogo no Museu teve o efeito de trazer à tona sua vitalidade, como nos versos de Quixote. Ele fala da perda do amor, mas também da dor que faz querer viver.

Saímos com queimaduras de muitos graus desse incêndio. Cada pessoa que ali esteve, de passagem ou de ficagem, por algumas semanas ou anos, em êxtase pelas descobertas e em calafrios de medo — todos nós tivemos nosso momento de quase-morte. Vimos passar um filme de nossas histórias, das pessoas que conhecemos e das montanhas que subimos e descemos naquelas redes de conhecimentos, aprendizados, aulas e sonhos de futuro.

Dar meu depoimento parece tão pequeno perto da grandeza da instituição Museu Nacional, UFRJ.  Ao invés de escrever, desenhar foi minha forma de lidar com a tristeza. Ficou torto, impreciso e confuso em algumas partes, mas também assim é a vida.

Agradeço a cada um dos colegas, professores e funcionários da UFRJ pela sua coragem e resistência diante dos desafios que estamos enfrentando. Essa luta não é tanto pelo passado, mas por permitir que os jovens de hoje e de amanhã continuem tendo a oportunidade que tivemos de usufruir desse espaço mágico de descoberta, produção e invenção de saberes que é o Museu Nacional.

Minha avó faria 104 anos nessa semana, 10/09. Apesar de órfã de pai e mãe antes dos 12 anos, ela nos diria:

“Vamos em frente, vamos fazer planos, vamos seguir.”

Sobre as citações: Quando me sinto perdida, abro meu Dom Quixote, onde sempre encontro alento e explicação para tudo. As citações estão na p. 573 e na p. 583 (edição Abril Cultural, 1978) .

14 Coisas impossivelmente-bonitas-emocionantes-ou-dignas-de-nota sobre o Museu Nacional. Bons textos jornalísitcos, vídeos, depoimentos e links interessantes que recomendo sobre o Museu:

♥ Campanha para a requalificação do Museu Nacional, filme feito em 2015 pela Capim Filmes e equipe do MN/UFRJ, disponível no Youtube.

Banco Mundial diz que nunca exigiu gestão privada do Museu Nacional em troca de empréstimo, por Júlia Dias Carneiro, para a BBC News Brasil.

♥ Hipócritas choram sobre as cinzas do Museu Nacional, por Mário Magalhães para o The Intercept.

♥ A saga do Bendegó se torna símbolo da resistência do Museu Nacional, por Ana Lucia Azevedo, uma das raras matérias merecedoras do nome, feita pelo O Globo sobre a tragédia.

♥ No Museu, minha ancestralidade, por Flavia Oliveira, coluna em O Globo.

A indiferença é o vandalismo, por Paulo Roberto Pires, na Época.

O Museu Nacional ardeu em chamas, por Yvonne Maggie, para o G1.

♥ Museu Nacional: ruínas precoces, fiapos de esperança – por Ricardo Ventura Santos, na Revista História Ciências Manguinhos, Fiocruz.

♥ Falar do Museu Nacional é falar dos povos indígenas, da história do Brasil,  depoimentos dos professores Antônio Carlos de Souza Lima e Edmundo Pereira, por Gabriele Roza, da Agência Pública.

♥ Um museu em chamas visto por uma de suas antropólogas, por Aparecida Vilaça, para o Nexo Jornal.

♥ Além destes, há dezenas de depoimentos e textos em homenagem ao MN como o de  Renata Menezes (FB), entre outros que circulam no zap, sem site definido.

♥ Há também uma campanha de voluntariado, ajuda e doações para o Museu Nacional. Os dados podem ser vistos aqui, além de outras campanhas na página do MN no Fb, como essa linda de cartas de crianças!ufrj_museunacional_pb_p

♥ Na passeata em protesto pelo incêndio, fiquei emocionada ao encontrar uma amiga querida que me disse que a filha adora meus calendários. Então resolvi trazer para cá o PDF em alta resolução da versão em P&B do meu desenho do MN, para quem quiser colorir. Agora, sempre que eu puder, vou deixar uma versão sem cor para ela!  (PS: Mas deixem as crianças desenharem e colorirem por conta própria também, ok? )

♥ Por falar em criança… Queria terminar pedindo que vocês assistam a essa história lindinha demais, que deu origem ao meme “É verdade esse bilete”!

PS: Se tiverem outras sugestões de links sobre o MN, me mandem! (Só não vale fake news nem depoimentos de quem não se dedica à instituição e agora vem posar de representante.)

Sobre o desenho: Que difícil desenhar esse prédio tão complexo! Fiz uma versão da fachada com várias fotografias no Photoshop para poder entender as proporções e detalhes. Tracei as principais medidas no papel de aquarela com a ajuda da mesa de luz. Depois, desenhei à mão com uma canetinha Pigma Micron 0.1, sépia (novidade na Papelaria Botafogo). Coloquei máscara (Schmincke) para preservar as partes mais claras, esperei secar e pintei com aquarela.

Cores principais Naples Yellow para o prédio; Cobalt Violet para escurecer o amarelo quando necessário; Cerulean blue e Alizarim Crimson juntos para os cinzas; Sap green com Payne’s Grey para as portas. Na versão em papel, tinha um céu suave e um chão na frente que acabou ficando muito escuro, horrível. Até chorei… Esse tipo de trabalho leva horas! Felizmente, o Antônio chegou da escola a tempo de me acalmar. Deixei só o prédio mesmo, com ajuda do Photoshop.

Como escaneei a versão sem cor, acrescentei no final uma layer com essa camada para reforçar as linhas (técnica que aprendi vendo os vídeos do ilustrador polonês Mateusz Urbanowicz no YT).

Você acabou de ler “Museu Nacional – UFRJ (1818- )“, escrito e ilustrado por Karina Kuschnir e publicado em karinakuschnir.wordpress.com. Se quiser receber automaticamente novos posts, vá para a página inicial do blog e insira seu e-mail na caixa lateral à direita. Se estiver no celular, a caixa de inscrição está no rodapé. Obrigada! ☺

Como citar: Kuschnir, Karina. 2018. “Museu Nacional – UFRJ (1818- )”, Publicado em karinakuschnir.wordpress.com, url: https://wp.me/p42zgF-3HQ. Acesso em [dd/mm/aaaa].